Pois você trouxe vida ao melhor de mim
Uma parte de mim que nunca tinha visto
Você pegou a minha alma e a limpou
(All I Want - Kodaline)
Passaram-se apenas dois meses e tudo mudou completamente. Ainda está no processo da mudança. É estranho, mas estou me acostumando... Mal e porcamente.
Bruno está em turnê, com shows solo, com a carreira decolando de um jeito extraordinariamente gigante, e mal para em casa. Ele vêm alguns dias de semana, de vez em quando, ou vem passar o final de semana, mas tenho consciência de que tudo isso é pela carreira que ele tanto lutou, e no final ele sempre volta pra casa.
Felizmente.
Lana teve, e ainda tem, alguns problemas para se adaptar com isso. Ela chorava dia e noite quando ele parou de vê-la frequentemente. Dormia apenas ouvindo a sua voz e com uma foto dele por perto. Eu entendo essa carência, ele é o único elo de sangue ali por perto, e por mais que eu substitua a sua mãe, não posso substituir o sangue do seu pai, o calor do seu abraço e os beijos de boa noite.
Dei o melhor de mim para que isso passasse, inclusive, pedi que trabalhasse uma hora a menos do dia, para que pudesse passar mais tempo com ela. Ainda sim não é o suficiente... Minha pequena está com carência tão grande que ficou bem mais amorosa. Minha avó que cuida dela agora, já que Urbana descobriu sua segunda gravidez e três crianças seria difícil demais para lidar, até porque está dedicando o tempo que sobra para fazer seus desenhos, suas costuras e estilizar da melhor forma possível.
Francamente? Lana não é a única que sente falta do Bruno.
Passei dias dormindo em sua cama, sentindo o seu cheiro involuntariamente e desejando incondicionalmente que ele esteja bem em qualquer lugar que coloque os pés. O lado vazio da cama incomoda-me. A caneca que ele sempre usa, sendo inutilizada... Nada é muito fácil de inicio.
Além da carência do meu melhor amigo e parceiro de fofocas e do meu companheiro de carinhos. Não posso negar que a falta dele me fez matar a vontade sozinha, e eu disse isso a ele, o que resultou numa pequena foda por SMS. E foi bom.
Bruno virá amanhã para passar uma semana corrido conosco. Isso só é possível porque conseguiu uma liberação do Brandon para poder resolver o negócio da casa. Nesses dois meses cacei casas por toda Los Angeles, até achar algumas que fossem o estilo que ele exigiu e que fossem bem localizadas. Tive que pedir algumas ajudas e até mandar um memorando para outra imobiliária sobre uma das casas, que não liberou a visita dela por eu ser da concorrente. Mas, a vida segue, e aposto que ele irá gostar das que eu separei.
-Que bicho morreu nessa geladeira? – Megan reclama quando abre. – Que coisa é essa?
-Suco. – Respondo, de boca cheia. – Detox.
-Pra que isso? – Contorceu o rosto numa careta engraçada, porém nojenta.
-Para desintoxicar? – Franzi a testa como se não fosse óbvio. – Antes que pergunte, estou voltando com os exercícios, mas às vezes não tenho muita vontade de fazer comida, aí faço um pouco pra Lana, porque é uma dieta diferente da minha, e pra mim uma lasanha congelada, algo assim.
-Aí precisa tomar isso? – Concordo com a cabeça. – Você não deve ser muito certa, querida. – Largou a garrafa na geladeira e a fechou. – Isso cheira a coisa morta.
-Ninguém mandou tirar os tênis. – Dei de ombros, empurrando o pires.
-Idiota. Que horas sua avó chega?
-Acho que daqui a pouco. – Levanto, passando por ela e dando um tapa em sua bunda. – Vamos transar, Meg?
-Quê?
-Transar, eu e você. Sabe, estamos solteiras e necessitadas. – Abracei-a por trás, colocando minha cabeça sobre o seu ombro com um pouco de dificuldade por ela ser mais alta que eu. – E não adianta mentir, sei que está com vontade e que tara minha bunda.
-Vamos lá, gostosa. – Colocou sua mão sobre a minha.
Cafunguei no seu pescoço e caímos na gargalhada. O bom de ter uma amiga como ela é que qualquer piada que eu começo, qualquer joguinho idiota e sem noção de imitação, ela continua, pegando o fio da meada.
-Falou nisso e eu lembrei do pão que o diabo amassou, a felpa da cruz que ainda está no dedo, o último gole do refrigerante sem gás... Caleb me chamou essa semana, novamente.
-Já virou rotina. – Toquei-me, à vontade, no sofá.
-Ele veio com o papo estranho de que queria me encontrar para entregar algo meu que estava na sua casa. Estranhamente queria que eu fosse até lá para pegar... Isso acabaria em sexo, caso fosse, então disse a ele que iria ficar sem o pijama que estava lá.
-Pensei que fosse isso que quisesse... Ver ele!
-Quero, mas não quero. Eu gosto dele, sabe, mas ele é tão idiota e eu me prendi tão cedo, que acho que devo curtir um pouquinho mais. Ir a alguma boate e ficar com um carinha legal, que me leve para um motel para curtirmos a noite e no outro dia irmos embora...
-Tenho! Eu estou cansada de tudo isso. – Tocou seu corpo magro sobre a poltrona. – Relacionamentos são complicados.
-Caleb gosta de você. – A olho. Eu tenho certeza que ele gosta dela como ela gosta dele, porém homens são assim, gostam de se prender, mas gostam de viver. É raro o tipo que quer continuar somente com uma e apenas aquela. – Mas ele é homem!
-Mesma coisa que a Urb me disse... Porque ela tem que ter acertado tão na mosca com o Phil? Raiva e inveja dela.
-Phil é um dos diferenciados. Ele ama ela, ela supre todas as suas necessidades e então ele não precisa de outra para sentir-se bem ou mais “homem”. – Dou de ombros. – Ele é o melhor.
-Urbana acertou na loteria. – Torceu os lábios numa careta insatisfeita. – Será que eu encontro o meu Phil por aí? Nas ruas de Los Angeles?
-Tudo é possível. Mas, onde encontrar o seu, me dê o endereço que eu também irei querer.
-Você já tem o seu Romeu.
-Bruno? – Ela concorda. – Bruno não é um Romeu, muito menos um Phil. Ele é meu amigo, mas tem a mesma coisa que o Caleb... Atração por milhares de mulheres.
ზ
- Eu gostei dessa. - Bruno tenta pegar o currículo em cima da mesa, em minha frente, mas eu dou um tapinha em sua mão. - Ai!
- Não, não vamos escolher por cara. - Analiso o papel em minha frente. - A Urbana indicou essa. E a vovó disse que essas duas são de confiança.
Ele passa os olhos rapidamente pelos currículos, e pega o primeiro, com a candidata da minha avó.
- Não. Não gostei dessa, parece babá assassina de filme de terror. - Jogou para o lado, sem paciência.
Bruno estar ali, parado, para olhar as coisas de Lana era um milagre. Ele andava muito ocupado, cheio de compromissos e entrevistas. Meu melhor amigo havia, oficialmente, virado uma estrela! E só tendia a subir.
- Qual é. Não vamos escolher uma loira peituda pra tomar conta da Lana, apenas por ela ser loira. E peituda. - Fiz gestos na minha frente, mostrando seios grandes.
Bruno riu e se inclinou na minha direção. Mordeu meu pescoço de leve, rindo um pouquinho mais contra minha pele.
- Não é isso que eu tô procurando. - Lambe de leve meu pescoço e eu me arrepio, levantando os ombros. - Prefiro bunda grande e tal.
- Atrevido. - Mexo em seus cabelos e ele desce os beijos, ameaçando chegar no decote reto do meu pijama. - Depois. Vamos resolver logo isso.
- Pega essa aqui. - Meteu a mão no montinho de papéis vindo da agência de babás, me entregando um currículo. Procurou mais um pouco e me entregou mais outro. - Essa aqui também. Quer mais alguma? Ou vamos entrevistar logo essas?
Ele parecia ridiculamente animado, o que me fez bufar mentalmente. As duas eram claramente jovens e bonitas, ele sequer havia olhado o currículo delas! Dou de ombros.
- Quem quiser, quem vai pagar é você mesmo. Apenas lembre que vai cuidar da sua filha.
- Está com raiva? - Bruno me olha, ponderando.
- Não.
- Então vamos chamar essa aqui também. E é nossa filha, Lea. - Me entrega o currículo de uma senhora, em média seus cinquenta anos, indicado pela Urbana e sorri. - Pronto? Melhor?
- Talvez.
- Pronto. - Ele me puxou rapidamente, me deitando no sofá e derrubando alguns papéis da mesinha. - Veja com o Ryan quando pode ser, ok? Quero escolher a babá com você.
- Hmmm, ok. - Deixo que ele se acomode entre minhas pernas. - Como estão as coisas?
- Você quer jogar conversa fora agora?
- Quando foi a última vez que tivemos tempo pra conversar? Você anda muito ocupado, credo. - Tento olhar pro relógio da parede. - É quase um milagre a Lana já ter dormido.
- Por isso que temos que aproveitar. - Beija minha boca. - Saudades de sentir você.
Bruno Pov’s
Acelero o carro mais um pouquinho, tentando segurar a vontade de buzinar naquele inferno de engarrafamento.
Meu celular já havia tocado bem umas três vezes, todas com o número da Lea. Não tenho culpa de me atrasar para as entrevistas das candidatas à babá. O trânsito está caótico e fiquei preso alguns instantinhos na sede da gravadora, numa reunião. Mas Eleanor parece não entender que eu não posso deixar as coisas pela metade.
Estaciono no começo do parque, e já vejo a qualidade de famílias por ali. Lana adora esse lugar.
Enfio algumas moedas no parquímetro e não preciso ligar para Lea para saber onde elas estão.
Caminho menos de três minutos e já a vejo ali, ao lado de uma loira. Um pouco mais alta que Lea, ela usava uma blusa preta apertada e um short mediano. Encaro seu corpo de cima a baixo, nada mal. Nada mal mesmo. Lea parecia escutar o que a mulher falava, mas tinha mais atenção para a pequena ali perto, brincando com outras crianças no playground menor.
- PAPAI! - Ouço o gritinho de Lana, e sorrio. Lea vira bem a tempo de me ver. - Papai!
Aceno, rindo de sua animação, e me aproximo. Dou um beijo rápido na bochecha de Lea, mas ela nem me olha. Me abaixo para pegar Lana no colo, que se aproximava com suas perninhas curtas.
- Oi, L. - A pego no colo e beijo sua bochecha suada. - Desculpa o atraso, fiquei preso no trabalho.
Abro meu melhor sorriso e Lea olha para outro lado.
- Eu não lhe conheço de algum lugar? - A pretendente a babá pergunta, enquanto minha filha começa a se debater devagar para descer do meu colo.
- Cuidado, Lana. - Aviso para ela, que me atira um beijo, sapeca.
- Você não é o...?
- Bruno Mars. - Estico a mão para ela, com o sorriso mais galanteador que tenho. Juro que é mecânico. - Prazer. Você deve ser a...?
- Andy. Sua filha é encantadora, Sr. Mars.
- Pode me chamar de Bruno. E alguma coisa tinha que puxar do pai, não?
Andy ri, mas Lea apenas dá um sorriso falso.
- Ela é a sua cara. Muito educada.
- Obrigado. Então, você é daqui? - Pergunto, tentando entender a expressão da Lea. Ela parece desconfortável, irritada.
- O que foi? - Mexo apenas meus lábios para perguntar.
- Nada. - Responde ela, do mesmo jeito.
- Andy, pode nos dar um segundo?
Ela logo se afasta um pouco, indo mais para perto da Lana, e eu me viro para minha amiga.
- O que foi? Está de mal humor desde que...
- Desde que esperei você por mais de duas horas? - Ela pergunta, direta. - Ou você esqueceu que íamos almoçar juntos? Que a porra da primeira babá ia chegar bem mais cedo aqui? Porque, adivinha? Essa é a terceira e última.
- Eu demorei mais que o esperado na reunião. Almocei por lá.
- Que ótimo! - Ela ri, ironicamente. - Porque eu estou morrendo de fome, esperando você.
- Desculpa. Eu devia ter avisado.
- É, talvez se tivesse atendido o telefone... - Ela estica a mochila pequena da Lana para minha direção. - Cuida dela, porque eu vou comer.
- Espera um pouco? Eu vou dispensar a Andy e a gente pode ir junto.
- Você já comeu, Bruno. - Praticamente esmurra a mochila no meu peito. - Eu vou sozinha.
- Lea, qual é. Eu estava ocupado.
- Eu entendi, sério. Você não podia atender o telefone ou me mandar uma mensagem para avisar que ia demorar. - Dá de ombros. - Eu só quero almoçar. Termina de conhecer a babá lá. Pelo menos uma, você pode dizer que entrevistou.
Sai pisando tão forte que fico surpreso pelo chão não ter quebrado. Acompanho para ver onde ela vai, até que Lea entra numa pequena lanchonete do outro lado da rua, ajeitando a bolsa nos ombros, logo em frente ao playground.
Dou de ombros, sabendo que ela me desculparia mais tarde e vou atrás de Andy.
ზ
- Está de TPM? Precisa de alguma coisa?
- Não, obrigada. - Respondeu. - Só não é meu melhor dia.
- E eu o piorei. - Coloco minha mão sobre sua perna, prestando atenção na estrada. - Desculpa. Erro meu.
- Tudo bem. - Pôs sua mão sobre a minha. - Eu estou precisando do nosso sofá e um bom filme, só isso.
- Estou incluso nesse pacote? Todo agarradinho com você?
- Será? - Brinca com meus dedos, sorrindo. - Acho que não estou pronta para deixar a Lana com alguém.
- Era com isso que você estava preocupada?
- Era.
- Hey, isso é normal. - Desvio meus olhos da estrada para lhe passar um pouco de segurança. - A Lana é super inteligente, e não vamos deixá-la sozinha. Não agora. Quando não podermos ficar com ela e a babá, tenho certeza que a Urb fica.
- É, não é? Estou sendo boba. - Disse, e eu beijo sua mão rapidamente, trazendo para perto do meu rosto. - Eu gostei da Senhorita Tokins. A que a vovó indicou. A Lana também.
- Você gostou da Andy?
- Normal, ela me parece um pouco irresponsável demais ainda. Quer dizer, é muito nova e...
- A Lana se deu bem com ela, não foi?
- Aparentemente. Por quê?
- Eu meio que contratei ela.
- Como?
- É. Pra começar próxima semana.
- Bruno? - Me olhou, séria.
- Eu pensei que você tinha gostado dela.
- E não passou por sua cabeça me perguntar antes?
- Você estava irritada e tudo mais... Eu pensei que só iria levar uma resposta linda. Além do mais, estamos com pressa.
- Eu não acredito nisso.
- Lea?
- Bruno, você não resiste a um rabo-de-saia!
- Lea! Eu nem a olhei dessa forma! - Minto, mas sei que ela me conhece mais do que ninguém.
- Duvido!
- Você está com ciúmes? - Paro o carro num sinal vermelho, olhando para seu rosto com atenção.
- Não! Só acho desnecessário você confiar em qualquer uma o cuidado da sua filha por um par de pernas!
- Está dizendo que eu sou um pai ruim?
- Não!
- Quer saber, Eleanor? Você está estressada, e eu não tô disposto pra isso. - Volto a acelerar o carro. - Assista seu filme hoje, faça o que quiser, mas não desconte em mim.
Ela se cala, e eu aproveito para cantarolar alguma coisa para aliviar a tensão. Que merda. Sinto que o motivo da Lea estar assim é grande parte minha culpa, mas que ela está fazendo tempestade em copo d'Água, eu tenho certeza que ela está.
Descemos em casa, ainda sem falar uma palavra. Lea deu banho numa Lana que praticamente dormia, e começou a vesti-la, com minha menina de olhos fechados, de tão cansada. A bebê provavelmente iria acordar mais tarde, porque ainda era começo da noite, mas estava exausta da brincadeira do dia todo.
- A Lana não vai ficar sozinha com ela. - Quebro o silêncio.
- Bruno...
- Nem um minuto. Não até termos confiança nela, ok? Eu prometo. - Continuo, em sua frente. - Sinto muito ter contratado ela sem te consultar entes, eu sou um idiota.
- Nem um minuto? - Ela pergunta, cobrindo a Lana.
- Nem um minuto. - A puxo para um abraço. - Mas vamos dar essa chance à Andy, ok? Qualquer coisa, eu deixo você escolher a próxima. Prometo!
- Promete de dedinho? Igual promete à Lana? - Ela ri contra meu ouvido, e eu rio, baixinho.
- De dedinho, de polegar, do que mais você quiser. - Olho pro seu rosto. - Passou a TPM repentina?
Ela riu, e eu lhe roubei um selinho.
- Talvez. Aquele filme ainda está de pé?

Estou com ódio mortal no meu Spirit, ele n esta abrindo, por isso desculpe não comentar la.
ResponderExcluirO Bruno e um IDIOTA! Ai cara na moral, eu ja te falei tudo o que sinto em relação a ele, e ao q ele esta fazendo com a Lea, e estou torcendo para q ela arrume uma pica nova, pq o negocio esta ficando tenso, ele so quer o venha anos, o nosso reino entrou em algum buraco, e esqueceu de sair, so pode!
Enfim, eu sinto que el vai "traçar" a tal da Andy antes que possamos esperar, eu posso estar errada, mas e o q eu acho! kkkkkkkk
Perfeito como sempre amoreeeeeeeeeeeee!!! Ve se não demore muito com o proximo, pfv!