sábado, 30 de maio de 2015

Capítulo 8



Capotei da cama às oito da manhã, atrasada! Nunca tinha tomado um banho tão rápido e vestido minha roupa mais rápido ainda. Acho que demorei mais para calçar o sapato. O clima estava um pouquinho mais úmido devido a chegada de uma massa polar sobre o mar, trazendo todo aquele vento gelado pra cidade.

Quando ia bater na porta do Bruno, lembrei do detalhe principal: ele não iria trabalhar hoje. Faz quatro meses que descobrimos a gravidez, e há dois estamos tentando ver o sexo do bebê, e essa é a primeira ecografia que ele irá comparecer, sendo que o médico que está acompanhando deu quase cem por cento de certeza de que nesse exame ele iria descobrir.

Como perdi minha carona da manhã, tive que fazer uma ligação para o escritório, dizendo que encontraria com o cliente direto na casa que iria apresentar, pois se passasse lá não iria dar tempo. Depois eu me resolvia com Ian, sei que ele perdoará, já que é difícil esse tipo de situação acontecer.

Ao chegar na casa antes do cliente, aproveitei para arrumar meus papéis, o contrato caso ele quisesse dar uma olhada, e mais algumas outras coisas, papeladas, e tudo que dá cansaço, mas é maravilhoso. Pelo menos para mim. Na contra capa da minha pasta rosa, há três fotos que ocupam tudo. Uma é da minha família, o primeiro e único dia de ação de graças que passei com Kai. Ele, eu, meus pais, e minha irmã. A outra é eu e o Bruno, aqui em Los Angeles já, e depois eu e meus avós, acho que tudo de mais importante que eu tenho para mim agora.

-Olá. - Vejo um homem com seus 40 anos, e outro ao seu lado, bem junto, com uns 30 anos. Ambos com um sorriso no rosto e olhos atentos.

-Olá, Sr. Smith? - Pergunto, estendendo a mão.

-Sim! Mas por favor, pode me chamar de David, e ele é Alfred, meu companheiro.

-Oh, muito prazer. - Estendo a mão para o outro.

Sempre que apresento casas para casais homossexuais eles costumam ser mais gentis, legais, engraçados, deixando tudo mais fácil. Mas a pena era que na maioria das vezes eram madames, muitas vezes chatas e esnobes, que mal escutam o que eu explico e depois me metralham de perguntas que eu já tinha respondido. Graças ao bom Deus, e minha mãe, eu aprendi a ter paciência com esse tipo de pessoa e sair sempre por cima. Mas, já discuti com duas pessoas, de todo esse tempo de trabalho.

-Esse é o quarto principal, o maior que temos. - Abro a porta da suíte. - Dentre todas as casas que temos por aqui, essa é a que eu acho mais linda. Amo o design mais jovial, moderno, porém ainda sim conseguindo ser clássico.

-Lindo!

-E muito espaçoso. - Observa o mais novo, aparentemente.

-Ele é uma suíte. - Mostro para eles a porta do banheiro.

-Quem morou aqui antes de nós? - Passou a mão na parede, perto da janela do quarto.

-Uma família de cinco pessoas. Mas não passaram mais de um ano por aqui e se mudaram. Marido com emprego de viagens. - Torço os lábios ao explicar.

-Nem me fala, meu marido é Comissário de Bordo.

-Ex! - Balança a cabeça.

-Que seja. Já sofri muito por não ter ele em casa, dias e dias sozinho. É horrível. - Vejo que depois de grande parte da casa mostrada, ele se soltou mais em relação a falar comigo.

Mostrei os dois outros quartos e um em particular, falaram sobre a filha. Uma menina de quatro anos que adotaram desde que nasceu. Claire! Falaram sobre a decoração, que tal coisa ficaria perfeita em tal lugar, com a parede pintada de lilás, e um papel de parede de algo que não entendi. Foi lindo e magico observar o modo com que eles falavam da criança. Sobre a vizinhança, a segurança, o pátio para ela ter a casa de bonecas que tanto deseja e a escola que é bem próxima dali. De repente a vontade de ter um bebê em casa aumentou.

Bem, Diana ainda não se pronunciou sobre ficar com o bebê. Os pais dela não encrencaram para o lado dela, e ela não ficou sem um teto, nem eu e nem Bruno sabemos se ela irá ficar com a criança e criar, se ela dará ao Bruno, ou se irão compartilhar a casa, a vida e o filho.

Bruno Pov's 

Três horas da tarde seria o exame. Acordei após ao meio dia, aproveitando o dia em off para dormir o que precisava dormir. Meu humor até aumentou, a vontade de ter o bebê também, mas essa aumenta a cada dia. E a expectativa de saber o sexo, essa nem se fala.

Minha família aceitou numa boa, disseram que acham que eu tenho responsabilidade e sabem que eu tenho Lea no meu lado para o que der e vier. Casa eu tenho, meu ganha pão também, e o apoio e amor, também. Não tenho porque pensar em nada negativo.

Termino de escovar meus dentes após minha refeição, já pronto para ir a clínica. O telefone da casa toca, deve ser Lea.

-Lea, ainda não sai de casa! - Digo, empolgado.

-E aí, cara! Vamos para o estúdio hoje? Consegui um tempinho com aquele empresário que eu te falei, e adivinha? Ele quer ver alguma das nossas produções! - Ouço a voz de Ari, acompanhando aquela maravilhosa notícia. Não poderia fazer minha felicidade maior.

-O que? - Sorria de orelha a orelha. - É claro, vamos!

-Agora a tarde?

-Não posso. Tenho o ultrassom para ir, e não posso faltar.

-Virou mulher agora?

-Nossa, grande piada. Já pensou em largar a música e ser comediante?

-Vai à merda, Bruno.

-Ok. É uma longa história. Será que pode ser pra depois das quatro?

-Claro, ele arranjou um tempinho após as cinco.

-Então está perfeito. Eu saio da clínica e vou direto pra lá.

Ari explicou onde era o estúdio, mesmo que eu já soubesse. Combinamos de estarmos lá cinco e meia, mas eu estaria antes, bem antes. Estava nervoso com mais isso agora, e esperançoso. Parece que hoje a sorte está batendo em todas as portas da minha vida, sinto aquela explosão de felicidade dentro de mim.

Eu nem reclamei para chegar até a clínica, estava feliz e ninguém poderia me tirar aquilo. Meu filho seria descoberto hoje, ou melhor reformulando, hoje eu descobriria ser é meu filho ou minha filha. Não tenho preferência, o que vier vai ser ótimo de qualquer forma, mas ter um menino para poder partilhar tudo com ele vai ser maravilhoso. Leva-los aos jogos de futebol americano, beisebol, basquete, leva-lo em algumas corridas, ensinar a jogar, a tocar instrumentos, a cantar, a se vestir. Com meninas acho que não terei a mesma prática, apesar de saber muito de minhas irmãs, não será a mesma coisa. Não poderei deixar minha filha de fralda suja apenas por birra como fazia com a Pres, não posso deixar a mamadeira da minha filha escondida no alto do armário enquanto ela chora, procurando, como fiz com a minha irmã, Tiara. Vou ter que ser cuidadoso, e tenho medo de falhar.

-Tudo bem? - Encontro com Diana, sentada em uma das cadeiras da recepção, com suas roupas rippies, e botas surradas.

-Tudo. - Sento-me ao lado dela e permanecemos em silêncio.

Há muitas grávidas ali, tantas que fico pensando se todos foram planejados ou apenas um acaso do destino como meu bebê. Levo minha cabeça de um lado para o outro, olhando para a parede e pedindo mentalmente para Deus que hoje tenha alguma resposta positiva para o meu trabalho.

Quando chamaram pelo nome dela, meu coração disparou em cheio. Estava a passos de saber o sexo do bebê. Meu estado de empolgação não começou de um dia para o outro, foram um mês e alguns dias para cair a ficha, para saber que tudo era realidade. Chorei no colo da Lea como nunca tinha feito, me rendi a noites inteiras em claro somente pensando no que isso afetaria, mas o lado bom é que me deu inspiração para músicas um tanto quanto dramáticas, românticas, músicas cujas eu acho que nunca sairão do meu pequeno caderninho.

Após um tempo de ultrassom, daquele aparelho passeando pela barriga dela, o médico congela a imagem, traçando uma pequena linha e escrevendo alguma coisa. Mais um pouquinho e pausa novamente, escrevendo agora o inicio do sexo.

-Parabéns, é uma menina! - Ele termina de escrever e nem precisei processar o que ele tinha acabado de dizer para colocar o sorriso no rosto. - E muito saudável.


Estávamos no final da reunião/apresentação no estúdio. O cara, empresário, Brandon, era um homem legal, compreensível, mas que de inicio não pareceu dar muito por nós três. Apresentamos todas as letras que já tínhamos escrito, todas as melodias - das quais ele mal se interessou -, e ele pegou um caderno para anotar algumas coisas.

-E aí, o que deu lá hoje? - Phil pergunta, no intervalo de tempo que tivemos quando Brandon foi ao banheiro.

-É uma menina! - Respiro aliviado. - Forte e sadia.

-Parabéns. - Ari bate na minha mão, e da um tapinha nas costas.

-Obrigado.

Tagarelamos mais um pouco até Brandon entrar acompanhado de um homem, com cara carrancuda e ombros largos. Pose de segurança, sentou-se ao lado de Philip e acenou para nós.

-Pessoal, esse é o Aaron. Passei para ele as informações que tinham nos passado sobre vocês, e mais o que vi hoje das letras. Realmente, vocês são muito bons.

-Obrigado. - Agradeço, pouco esperançoso, pois já vi o final dessa história.

-Queria dizer que confio no Brandon, e tudo que ele diz, se ele gosta é porque realmente é bom.

-Sim. - Concorda Philip.

-A princípio vocês estarão aqui para escrever as músicas e venderem para os artistas. Vamos oferecer o trabalho de vocês, e se eles quiserem, vocês ganham o dinheiro da colaboração. No inicio é assim, aí depois somente o tempo pode nos dizer.

-O tempo e o talento. - Brandon acrescenta.

-É, quanto mais músicas escrevem e nos passam, mais artistas veem, mais pessoas se interessam. Normalmente após a primeira, é costume as outras saírem mais rápidas. Produzimos artistas nossos, e contratos por fora, então sempre tem pessoas querendo músicas para gravar.

A cada palavra que ele pronunciava, meu coração palpitava mais rápido. Estávamos basicamente contratados, poderíamos e teríamos mais chances de aparecermos. Agora que tenho um motivo para estar dentro da gravadora, que conheço gente ali dentro, e que nossas músicas provavelmente estariam no CD de algum artista famoso, seria muito mais simples.

Saí do estúdio agradecendo à Deus por ter dado esse dia maravilhoso. Philip nos deu carona em seu carro, e largou Ari primeiro, após eu e foi para casa. Quando entrei em casa, encontrei a mesa pronta, somente sem a comida ainda. Fui atrás de Lea na cozinha, mas ali ela não estava. Cacei ela pela casa e achei a porta do banheiro entreaberta. Sei que não deveria, mas eu sou homem e todas aquelas baboseiras que Caleb sempre fala sobre ela ser linda, e ter um corpo bom, apareceram em minha mente. Vi sua silhueta, trajando apenas uma calcinha e sem sutiã. Ajeitava a roupa que iria vestir, e se abaixou quando alguma peça caiu. Quando ela fez isso, despertou um pequeno interesse em mim, e nas minhas calças. Mordi meus lábios levemente por dentro, enquanto me afastava, pé por pé, para não mostrar que estava espiando.

Lavei as mãos na pia da cozinha e aproveitei para espiar as panelas. Seja lá o que ela fez, está cheirando bem. Lea apareceu cantarolando uma canção e ligando a televisão. Dei um beijo em sua bochecha e segurei sua mão.

-Adivinha! - Arregalei os olhos.

-É menino? - Ela aperta os olhos, tão belos. Não mais que sua bunda.

-Não, menina! Ela é linda, tem minha cara.

-Bruno, deixe de besteira, ainda nem dá pra ver. Mas estou muito feliz por ser menina. Vai ser meu xodó.

-E não é só isso! Fui numa reunião hoje em uma gravadora, com um produtor e um empresário.

-Mentira!!! - Lea arregala os olhos, enquanto caminhava para a cozinha. Não pude deixar de apreciar a visão, não depois do que eu vi antes.

-Verdade.

-E aí, o que aconteceu?

-Aconteceu que eu, Ari e Philip vamos escrever músicas e entregar pra gravadora, antes de patentear claro, e iremos vender para os artistas. Não é bem o que eu queria, óbvio, mas para inicio está maravilhoso, pois é mais fácil de conseguir grana e contatos com pessoas influentes.

-Sei que irá vender várias músicas, porque todos amarão! Vai conseguir um dinheiro bom, e daqui a pouco já será o maior cantor que aquela gravadora já teve. Trará muito dinheiro pra eles. - Me abraçou enquanto dizia aquilo. Me sentia em casa.

Nos sentamos para jantar, a comida estava maravilhosa, mas tínhamos tantos assuntos que quando terminamos de comer, ela praticamente já estava fria. Bebemos um suco natural, e ela comentou sobre um suco detox que irá começar a beber assim que puder, já que sua colega disse que lhe ajuda a manter a forma e desintoxicar.

-Hoje vendi uma casa enorme! - Diz, contente. - Para um casal tão simpático, com uma filha de 4 anos.

-Sério?

-Sim. Eles me deram comissão, super queridos.

-Então temos dinheiro?

-Temos? - Ela gargalha. - Tínhamos. Gastei boa parte comprando as coisas para fazer essa janta de hoje, porque merecemos mais do que tudo.

-Verdade.

-E o nome, já decidiu?

-Não, na verdade eu não sei se ela está empolgada pra isso, parece que ela está nem aí.

-Você sabe que ela não queria o bebê, está com ela ainda por causa de você.

-Eu sei. - Balanço a cabeça, brincando com o garfo no prato. - Mas, sei lá, eu queria que pelo ou menos ela ficasse feliz com isso tudo.

-Bruno, ela não é nada sua além de mãe da sua filha, não pode cobrar nada dela, ao não ser que esteja criando um sentimento por ela.

-Não, nunca. - Faço o sinal da cruz. Não crio sentimentos por ninguém que não seja meu amigo ou da minha família. Acho que não é por não querer, mas ninguém despertou em mim essa coisa de gostar, de querer passar mais que uma noite.

-Valentina, que tal?

-Não gostei, muito italiano. - Reprovo. - Que tal, Kiara?

-Não. Parece nome de fruta.

-Mmm. Elena? Emily? Fay?

-Entre eles o menos pior é Elena. Odeio o nome de Emily.

-Falei o nome de algumas mulheres que conheci. - Dou de ombros e ela ri, tocando o guardanapo em mim.

-Cassie. É bonitinho.

Faço uma careta de reprovação e ela revira os olhos.

-Eu sei um perfeito, e vai ser esse! - Ela acende seus olhos com um brilho diferente.

-Qual?

-Lana! A pequena Lana.

-Lana? - Penso sobre o nome, e realmente não soava mal. Era legal e bonitinho, mas ainda tinha tempo para pensar em qual realmente colocaríamos, e teríamos que ver a opinião da Diana.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Capítulo 7


Acordei pela manhã com o barulho ensurdecedor do despertador, mas se não fosse ele, ainda estaria dormindo e não posso perder nenhum dia de trabalho, ou melhor, não quero. Eu amo exercer o que faço, adoro ver as pessoas comprando suas casas novas, pessoas com sonhos, pessoas solitárias, recém casados, velhinhos afim de um cantinho só deles. É maravilhoso poder auxiliar cada passo disso, por isso ponho um sorriso no rosto, mesmo que esteja morrendo de sono.

-Bruno. - Balanço sua perna descoberta e nua. - Acorda, você tem que ir pro banho primeiro.

-Eu não quero trabalhar, quero ser rico.

-Mas é justamente por isso que vai trabalhar, pra ser rico.

-Quero acertar milhões no cassino. - Sua voz sai abafada pelo travesseiro.

-Enquanto você sonha acordado, pode ir tomando banho, o que acha?

-Acho que você é um pé no saco.

-Legal. - Levanto da cama dele, que tinha sentado para chama-lo. - Quando for rico me agradecerá por isso.

-E irei me certificar de que não entrará no meu quarto pela manhã. - Atira o travesseiro em minhas costas. - Vou ter um segurança apenas para a porta do meu quarto.

-Aham. - Atiro o travesseiro de volta, sem força o suficiente. - Vou preparar o café, vá para o banho.

Tínhamos rotina para isso de manhã, senão não conseguíamos nos ajustar. Enquanto ele tomava banho, eu preparava o café, assim que ele saía do banho, eu entrava e me arrumava enquanto tomava café, às vezes dava tempo de se arrumar antes de tomar café, mas de qualquer forma Caleb e Megan, nosso casal de amigos, nos pegavam para dar uma carona. E no fim do mês ajudávamos com a gasolina, era simples. Muito melhor do que depender do transporte - quase inexistente - de Los Angeles.

-Onde você pôs minha toalha? - Ele grita do banheiro! Idiota não sabe que temos vizinhos.

-Dá pra gritar mais baixo? - Pergunto chegando perto da porta.

-Ai não seria um grito, correto?

-Argh, Bruno. Você me entendeu.

-Eu gosto de te deixar com um nó no cérebro.

-Vou deixar você com um nó nos braços e nas pernas, passando fome, vamos ver o que acha. - Entrego a toalha, abrindo uma fresta da porta.

-Só deixo me amarrar se me fizer de escravo sexual.

-Não posso. - Torço os lábios. - Você já é negro, se eu invento de brincar de escravo com você, vou presa.

Depois de arrumar nosso café, tomei meu banho e vesti minha roupa confortável e social. Já peguei minhas coisas, minha pasta e minha bolsa, que sempre deixo pronta de um dia para o outro, e pus sobre o sofá. Sentei a mesa perto dele, que já devorava algo.

Cinco minutos antes do combinado de sempre, saí para a rua, antes mesmo do Bruno. Pensei pela primeira vez no dia sobre tudo que soube esse final de semana, e deu um leve aperto no meu coração. Posso perguntar como Bruno está se sentindo em relação à isso, mas tenho medo de acabar trazendo aquele pequeno sofrimento para o seu peito, ainda mais quando eu olhei pra trás e ele carregava as suas cópias das chaves na mão, fazendo barulho, e um sorriso no rosto. Não posso estragar isso.

Antes que falasse algo, ouço a buzina de Caleb, e o "hey" que Megan sempre faz quando chegam. Bruno deu um sorriso passando por mim e abrindo a porta.

-Quem vê pensa que é um cavalheiro. - Comenta Caleb nos olhando pelo retrovisor. - Bom dia, pessoal.

-Bom dia, gente. Depois de um final de semana preguiçoso, acho que ninguém merece a segunda feira.

-Preguiçoso pra vocês. Passamos o final de semana com minha irmã e minhas duas sobrinhas. - Megan começa a falar, e quando toca em "sobrinhas", remete a criança, e logo olho para o Bruno que para minha surpresa está tranquilo demais.

-Crianças são assim mesmo. - Bruno faz o comentário referente ao que ela falou.

-Mas Anne Marie é demais, aquela menina tem mais disposição do que nós quatro juntos. - Caleb sempre com os melhores comentários possíveis.

-Isso é bom, desde que não se torne uma adulta sedentária que nem uns e outros. - Olho diretamente para o Bruno.

-Isso foi uma indireta, eu sinto. - Megan comenta.

-Indireta? Amor, ela quase esfregou isso na cara dele.

-Quer dizer o que com isso, Viúva Negra?

-Viúva Negra é nova. - Ouço a voz baixinho que acompanha o riso de Caleb.

-Quero dizer que você foge dos exercícios.

-Mas isso não é só ele, não é amorzinho? - Megan passa a mão sobre o braço de Caleb.

-Sem contatos físicos.

Megan e Caleb são nossos amigos, assim como Philip e Urbana. Conhecemos eles em uma noite que Bruno cantou num barzinho, um pouco mais chique que o normal. Phil e Urbana sentaram perto deles, e consequentemente quando cheguei sentei junto, então nos apresentamos e a merda toda estava feita, pois somos o que somos. Quando nos juntamos, pode ter certeza que não sai nada que preste, parecemos adolescentes. E claro, sempre tem aquela parte que mexe comigo e com Bruno, dizendo que deveríamos ser um casal, porque supostamente eles também são.

Caleb foi com quem peguei afinidade mais rapidamente. Ele foi super simpático e me escutou a todo tempo, já Megan pensou que eu estava dando em cima do seu namorado, então ficou com raiva de mim, por mais ou menos um mês, até eu esclarecer à ela que nem que eu quisesse, Caleb definitivamente não faz meu estilo, e ele ama ela, está mais do que visível. Maleb, Philbana e de acordo com eles "Brulea", são os melhores casais da cidade, mesmo que de amigos.

-Se fosse comigo não deixava. - Dissemos eu e Bruno ao mesmo tempo, fazendo Megan virar pra trás.

-Viu amor, eu falei que eles tem uma conexão.

-Eu falo junto até com a minha mãe, às vezes. - Reviro os olhos.

-Não adianta negar o que há entre nós, Eleanor. - Bruno segura minha mão, e se eu não caísse na gargalhada, continuaria a brincadeira.

-Acho que se até os 30 anos, ambos estiverem solteiros, deveriam se casar.

-Hm, um pacto de casamento. - Bruno aperta os olhos, pensativo.

-Casarei com você quando for rico. - Comento.

-Ela é exigente. - Caleb se mete.

-Eu vou ser, quando tiver 30 anos, estarei tão rico que comprarei o que quiser pra você.

-Isso tudo é um pedido de casamento? - Franzo o cenho.

-Aceita ser minha noiva estepe?

-Estepe? Não, isso não... Reserva, é mais bonitinho! - Megan volta a sua posição normal, pegando a bolsa do chão.

-Ok, reserva, que seja.

Megan se despede de nós assim que Caleb estaciona em frente ao seu curso. Por enquanto Megan ainda faz o curso de culinária, e estagia na parte da tarde no restaurante onde Caleb é chefe de cozinha. Caleb é um pouco mais velho que a maioria de nós, já que Phil tem 27 e ele 26, e Megan com 6 anos de diferença dele, 20. Philip segue o mesmo sonho do Bruno, mas com um pouco menos de ambiciosidade, e Urbana, que esbanja sensualidade e beleza, é estilista recém formada.

Bruno Pov's

Depois de Lea descer do carro e seguir para o seu serviço, Caleb puxou assunto.

-Nunca nem pensou em ficar com ela?

-Somos amigos. - Desconverso.

-Também sou amigo dela, sou praticamente noivo da Megan, mas não posso deixar de olhar. Lea é linda, inteligente, e tem um corpo... Aposto que manda bem na cama.

-Iria estragar a coisa toda, entende?

-Ok! - Deu de ombros. - Mas que ela tem uma bunda maravilhosa, ah, ela tem.

-Precisa ver sem roupa.

-Você já viu sem roupa? - Se emociona no volante.

-Ela é minha melhor amiga, e moramos juntos. Óbvio que sim.

-E como você controla seu amigo aí?

Nunca tinha parado pra pensar em como controlo ele, acho que apenas não sinto a mesma coisa do que ver qualquer outra mulher de biquíni na minha frente, ou de lingerie. Lea, acima de qualquer coisa, é minha amiga, e apesar de ser linda, e muito gostosa, poderia estragar tudo, e eu quero aproveitar e justamente por conhecer ela, sei que ela vai querer um namorado mais cedo ou mais tarde, mas eu não quero, quero aproveitar. Temos nossas brincadeiras internas, mas são brincadeiras.

Quando chego ao serviço, dou bom dia e me enfio no pequeno cubículo de sala, com uma mesa e duas cadeiras, dois arquivos que ocupam mais da metade do espaço, e um ventilador. Não tenho o melhor serviço do mundo, reveso entre estar cuidando da parte administrativa e ir atender mesa de clientes, fico apertado aqui, com uma pilha de papéis, um telefone, e várias combinações ao dia. Me estresso fácil com várias coisas, mas sou persistente e sei que isso vai passar um dia, e todos esses nãos que recebo são para o meu bem, e cada um deles um dia irá se arrepender disso. Digo cada um literalmente. Cada pessoa que fechou as portas pra mim, um dia vai querer gravar comigo, Bruno, e eu estarei pronto para ser acima de qualquer coisa, profissional, e gravar, mostrar que eu sou bom, e que eu tenho talento, e que estavam totalmente enganados quando nem ao menos deixaram eu entregar minha demo para escutarem.

Estalo meu pescoço verificando o que tinha para hoje, e na parte administrativa nada, então me resta atender pedidos nas mesas e me concentrar na minha vida. Antes de levantar e vestir o avental, bato a caneta na mesa lembrando do que evitei pensar por hoje: meu filho.

Eu vou ser pai, e não quero isso. Eu acho que não quero por agora. Tenho tanta estrada pela frente, tantas mulheres, tantos shows, tantos fãs que conquistarei, tantas coisas pra fazer que não posso pensar em ter um filho que dependerá de mim. Se não fosse por Lea, eu não teria metade das coisas que temos em casa hoje, ou melhor, eu não teria a casa, pois é dela. Agora me imagino com um filho. Caramba, eu não sei dizer que estou pronto, eu estou surtando, pensando em mil coisas ao mesmo tempo, e pensando na mãe que essa criança vai ter. A menina quer ser uma viajante... Viajante! Daqueles que não tem casa em lugar nenhum, que somente andam de um lado para o outro, mochileiros. Não tenho nada contra ao estilo que cada um quer seguir, porque uns até podem me denominar louco quando digo que quero ser um cantor famoso, mas imagina uma menina assim, que não tem lugar fixo, criando um filho.

Esfrego as mãos no rosto, pensando que não posso me esconder aqui e tenho que ir atender mesas, auxiliar meus colegas. Trabalhar para talvez sustentar um filho.

Atendo à várias mesas de acordo com que a manhã passa, então a tarde vem e traz com ela uma sensação estranha, principalmente quando vejo um pai entrando com um filho no colo. Presumo que seja seu filho por seus olhos serem iguais, e o queixo idêntico. Espero que eles se sentem na mesa e vou até eles, perguntarem se estão servidos de café ou apenas vieram comprar algo na padaria. Pego a prancheta e ando ternamente até eles, que riem de algo.

-Olá, boa tarde. - Os cumprimento.

-Oi! - Diz o menino, olhando para o meu rosto.

-Boa tarde. O que vai querer, meu pequeno? - Pergunta ao menino, pequeno ainda para saber o que quer. Mas aponta para o cardápio mostrando um belo sorvete. - Não, isso pode ser depois da comida. Primeiro algo de sal.

-Hm! - Ele resmunga, fazendo uma careta adorável. - Esse.

-Uh, então eu quero um sanduíche e para ele um pequeno salgado, que não seja frito, somente assado.

-Papai, o que é assar?

Enquanto anotava os pedidos na caderneta, o homem atentamente explicava ao menino o que era assar e o que era fritar, explicando até que assados fazem melhor a saúde do que fritos.

Na minha cabeça se passava uma bela melodia mestrada pelo piano de causa, saindo um som feliz, mas romântico ao mesmo tempo. Aguçando os sentimentos, causando uma espécime de frenesi, um batimento um pouco mais acelerado. E se ser pai não seja tão ruim quanto o que eu penso que será? E se foi Deus que mandou aqueles dois ali para me mostrar que ficar com o filho será uma coisa boa. Eu tenho certeza que posso ser pai, eu posso cuida-lo, dar amor, carinho e nunca deixa-lo desamparado.

-Desculpe, mas quantos anos ele tem? - Pergunto ao homem, que tira a atenção do menino para me olhar.

-4 anos.

-Vou fazer 5 em pouco tempo!

-Não, filho, você fez 4 apenas a um mês.

-Falta muito para fazer assim? - Indicou o número cinco com a mão, usando os dedinhos. Nunca senti o que senti no momento.

A música que escutava dentro de mim era River flow in you. Com apenas quatro anos aquele serzinho roubou toda minha atenção, fazendo-me repensar sobre tudo o que já tinha certeza. Eu precisava tomar o controle da situação, eu queria sentir o mesmo, a mesma alegria todos os dias, aquela mesma felicidade instantânea que aquele pai e filho me fizeram.

Fiquei de longe os observando. Observando o modo com que o homem olhava para o pequeno, como ele lhe dava comida, como ele limpava a sua boca e sujava a sua para mostrar que também errava e fazer a criança rir. Eu quero isso pra mim.

O dia passou mais rápido do que eu imaginava, e eu não via a hora de estar a sós com a Lea para lhe contar a maior novidade, a mais bela notícia que ela está afim de ouvir, e eu sei que sim. Seu extinto maternal apitou quando disse que poderíamos levar a criança para adoção, mas mesmo que a Diana não queira ficar para cuida-la, eu vou obter isso, vou cumprir isso.

-Até amanhã. - Dizem, Megan e Caleb, juntos.

-Até. - Diz Lea e eu apenas aceno.

Espero ela estar a vontade assim que chegamos, e o que indica isso é quando ela tira seus sapatos no quarto e já volta com sua pantufa de cor clara.

-Pode conversar? - Sento no sofá antes dela.

-Posso, só deixa pegar uma água.

-Eu pensei sobre a criança hoje à tarde, Lea. - Respiro fundo e ela volta da cozinha com uma garrafa de água.

-E aí, o que tirou disso?

-Tirei que mesmo sendo difícil, sendo arriscado, eu irei cria-la, ela irá ser minha filha e não filha de um casal desconhecido.

-Bruno... - Vi seu sorriso, mais uma das coisas que fazem meu dia melhor. Ela estava com orgulho de mim.

-Eu vou ficar com ela, lutar por ela, mesmo que a mãe não a queira, eu quero! E quero pedir que me ajude, como sempre.

-É claro que eu vou te ajudar. - Passou suas mãos pelos meus ombros, me abraçando. - Ela vai ser minha filha também. Sem mãe ela não ficará.

-Eu sei que ela vai ter a melhor mãe do mundo, então?

-Sim! - Ouço seu choro baixinho em meu ombro, da mesma forma que sempre chora, baixinho, sem incomodar ninguém. O choro ela de alegria, de orgulho, até isso eu sei identificar.

Eleanor Pov's

Servia a mesa do jantar enquanto Bruno falava no telefone com seu pai, ou sua mãe, não soube identificar. Mandei beijo igualmente e comecei a prestar atenção no que fazia. A notícia que fez meu dia era que Bruno pôs a mão na consciência e se tocou de que é bobagem dar a criança para adoção. Porque apesar dele ter sonhos, ali tem uma vida, e essa vida pode estar inclusa nos planos do destino para que tudo dê certo em sua vida.

Estava contente com a ideia de ser meia-mãe, meia-tia, meia-madrinha, dessa criança. Era uma ótima razão para ele tirar mais forças para não desistir de sonhar e tentar alcançar seus sonhos. Derrubo um dos pratos no chão, e Bruno se abaixa bem na hora para me ajudar a recolher os cacos.

-Hey, o que houve no telefone?

-Recebi um lindo sermão, incentivos e palavras lindas.

-Eu sabia que sua família não iria deixar você na mão.

-Eu também sabia disso, mas toda a desculpa é válida para escapar da realidade e da culpa.

-E agora? - Coloco todos os cacos sobre o pedaço maior e vou em direção a cozinha, com ele me seguindo.

-Agora é esperar meu filho nascer.

-Ou filha.

-Sabe que meu pai disse algo que me tocou profundamente.

-O que?

-Qualquer homem faz um filho, mas somente os de verdade são pais. Além de me exaltar, dizendo que sabe que eu irei ser um bom pai, e que quem dera se ele pudesse ainda ter filhos, já que são uma benção.

-Eu não disse que as coisas iam dar certo?

-Vão dar!

Aquele sorriso otimista, tinha certeza de que ele encararia tudo e todos por isso. Assim como ele corre atrás dos seus sonhos, correrá atrás de sua criança.

Fiquei muito contente com os comentários do capítulo anterior, e vou pedir que continuem, por favor UBIDBAUIDOA. Não é uma intimação, mas eles me fizeram ter inspiração pra escrever, então postarei bem mais rápido tendo inspiração. É um jogo em conjunto, uma reação em cadeia, sabe? Obrigada e beijos <3 até!

domingo, 24 de maio de 2015

Capítulo 6


Eu ainda o olhava, com uma mão na boca, pensando o que deve estar passando pela sua cabeça. Tenho medo de falar algo agora e deixar ele mais desesperado do que parece estar, ou acabar plantando algum sentimento, tipo raiva, em seu coração. Estico minha mão pra pegar a sua.

-Preciso perguntar como está se sentindo?

-Mal? Com medo? - Sua risada nervosa me faz ter arrepios. - Eu estou surtando, não sei o que fazer.

-Bruno, se ela tiver de pouco tempo, ainda pode tomar algo pra tirar o bebê, apesar de que eu sou contra a isso.

-Eu não quero tirar, ela está carregando um filho meu na barriga, não irei mata-lo, arriscando a acabar com a vida dela também.

-E ela está de acordo com isso?

-Ela está pior do que eu, sem rumo e sem saber o que fazer. Acha que seus pais irão lhe matar.

-Seus pais irão lhe matar! - O lembro desse fato, que faz ele sorrir, mas no fundo querendo me esganar com os olhos.

-Eu sei, obrigada por lembrar disso também.

-Bruno... eu não sei o que dizer, ok? Não quero deixar você mais nervoso, mas caramba, dê adeus a essa sua vida doida de beber aos finais de semana, de sair com várias sem se importar em voltar cedo pra casa...

-Tô sabendo de tudo isso. - Bruno passa a mão sobre seu cabelo, soltando o ar.

-Eu não sei o que dizer! - Estalo o pescoço. - Talvez seja bom pra você criar juízo.

-Eu já tenho.

-Mesmo? E não usa, né? Porque senão essa menina não estaria grávida... Aliás, como é o nome dela, mesmo?

-Diana. - Sua mão mais uma vez passa pelo rosto, mostrando muito mais da sua nervosidade. - Mas quem é você pra ditar sobre juízo agora?

-Aquela que está sempre com você, e que não vai deixar você passar nenhuma necessidade! - Seguro seu rosto com minhas mãos, me aproximando dele. - Aquela que é sua amiga. Nós vamos passar por isso juntos, como sempre passamos por tudo.

-Você não existe.

Bruno choraminga baixinho enquanto eu beijo sua testa e lhe dou um abraço. Em todo o momento que eu precisei, ele sempre esteve aqui. E em todo o momento que ele precisou, eu também estive, agora mais do que nunca ele precisa de apoio, de incentivo. Não é porque um bebê vai vir, que sua carreira que nem começou tem que acabar.

-Será que você vai precisar ficar com a garota, Diana?

-Não. - Balançou a cabeça. - Não quero e nem vou ficar. Darei tudo que precisará, mas não ficarei com ela.

-Eu te amo, ok! Tudo vai ficar bem, pode acreditar em mim.

O aconcheguei em meus braços, tomando seu corpo num abraço. Depois pus sua cabeça em meu colo, e o senti como se fosse uma criança indefesa. Quase da mesma forma que ele me tomou nos seus muitas vezes que precisei chorar, seja por saudades, ou simplesmente TPM. Assoviei uma canção enquanto ele segurava uma das minhas mãos, e a outra fazia cafuné em sua cabeça.

Sei que tem vezes em que o mundo parece estar conspirando contra nós, mas são nesses momentos que devemos lembrar de tudo feliz que já passamos, e lembrar que a Terra gira. O tempo passa, as coisas que um dia nos fizeram mal, hoje podem ser para o nosso bem, assim como tudo o que já nos fez bem, pode virar para o mal. Todos lutamos contra os problemas diários, enfrentamos monstros grandes, e passamos por coisas que juramos que seriam as piores, mas aí vem outras, mostrando que sempre há maior. Assim a vida é, depois da tempestade, sempre vem a bonanza. Digo para ele acreditar que o amanhã vai ser melhor porque vai! Eu sei que um dia verei meu melhor amigo numa capa de revista, eu sei que o verei em uma grande premiação, sei que ele será maior que tudo isso, maior que as muralhas que o impedem.

Bruno tem o temperamento forte, nunca mostra estar mal. Todos o veem sorrindo, veem-o feliz, alegre, sempre contando uma piadinha, ou fazendo graça de alguma coisa, mas só eu sei que por baixo de todo esse homem forte, engraçado, tem o mesmo menino de anos atrás, o mesmo que chorou em meu colo com saudades da mãe.

Bruno adormeceu em meu colo, e eu acabei por dormir sentada, desacreditada ainda em tudo que está acontecendo. O domingo não passaria de monótono, apesar de eu não gostar, não posso exigir muito dele. Então assim que eu o acordei para ele dormir na cama, tomei meu banho e pus uma roupa mais confortável. O que me restava daquele lindo dia era correr. Agora tenho que dar adeus junto com ele nessa vida de beber e comemorar todos os finais de semana, e ser uma tia responsável para esse pequeno que vem por ai.

Comecei com a corrida tranquila, fones de ouvido em uma rádio qualquer de músicas legais, pensamentos no futuro, em como tudo será, e concentração em manter o ritmo.

Até chegar ao parque, onde já tinham pessoas correndo, estava quase morrendo. Definitivamente o sedentarismo tinha tomado conta do meu corpo, o que eu não poderia mais deixar acontecer. Um parque pequeno, um dos poucos que tem perto de casa para correr, mas ainda anseio em morar na parte alta, onde poderei correr no Runyon Canyon todos os dias, sempre que quiser.

Parei para me esticar, fazer alguns exercícios de alongamento, onde outras pessoas faziam o mesmo, e estava conseguindo me distrair. O problema não é comigo, não sou eu que estou grávida, e não sou eu que serei pai, mas carrego junto com o Bruno toda essa coisa nova que ele terá que aprender. Amigos são amigos para todas as horas.

Ao voltar pra casa e abrir a porta, dei de cara com Bruno e a menina, que eu me esqueci o nome novamente, sentados bem longe um do outro no sofá. Ela não parecia ter dormido, suas olheiras estavam profundas, e Bruno parecia estar em choque ainda, mas não aparentava ter chorado.

-Ola. - Disse, fechando a porta e largando a chave sobre a mesa.

-Lea, essa é Diana. - Bruno aponta para ela. - Diana, essa é minha amiga, Lea.

-Prazer, Diana. - Estico a mão para ela apertar.

-Prazer. - Diz, dando um sorriso meia boca, ainda meio triste, e suas mãos geladas como se estivéssemos no inverno.

-Vou tomar um banho, rapidinho. Bruno já preparou algo para comer? Um café?

-Não... - Responde sem jeito.

-Assim que você sair do banho e ficar aqui pra fazer companhia pra ela, eu faço algo. - Responde um pouco frígido demais.

-Tudo bem!

Tento tomar um banho rápido, a pobre coitada da menina deve estar morrendo de fome, ou com sede, e Bruno nem pra isso serviu, para ser gentil com ela. Ele pode estar apavorado, mas ela também está, e garanto que pra ela o peso é um pouco maior, já que é ela que vai carregar durante nove meses esse bebê.

Visto uma roupa leve e vou para a sala. Ligo a televisão para ajudar a não ter um silêncio absoluto, enquanto Bruno levanta para ir a cozinha fazer algo pra ela.

-Então, como está se sentindo? - Pergunto, puxando assunto.

-Não posso dizer que bem. - Ela demonstra sua nervosidade mexendo com as mãos. - Ansiosa, com medo...

-Não fique. Olha, nós estamos nos conhecendo agora, e eu sei que é difícil ouvir conselhos de estranhos, mas tudo vai dar certo. Nós vamos ajudar com tudo o que precisar.

-Meus pais, Lea. Meus pais vão me matar. Eu não tenho nem 21 anos ainda!

-Eles vão entender! É uma criança, eles não vão obriga-la a abortar.

-Você não conhece meus pais, eles nunca irão entender.

-Se você está nervosa assim, imagine o Bruno. Eu sei que pra ele parece mais fácil porque ele é homem e não precisa carregar a criança, mas não é. Ele tem sonhos e planos assim como você. E pais também.

-Garanto que os pais dele irão entender.

-Você não os conhece. - Rebato, somente para não perder a oportunidade, porque sei que os pais de Bruno irão lhe dar uma bronca, mas irão amar ter mais um neto. - E tem mais, se seus pais lhe tirarem de casa, na rua não ficará.

-É quase certo que isso acontecerá! Eu estou surtando.

-Acredite que não é só você, eu que estou do lado de fora disso, estou me sentindo ai dentro, nervosa igualmente.

-Vou perder minha vida.

-E eu? De certo não perderei também. - Bruno diz de maneira grosseira, trazendo com ele um prato de waffles e um copo de leite, eu acho.

-Hey, fica quieto, eu estou conversando com ela. - Balanço a cabeça, em repreensão.

-Essa noite não fui pra casa, fiquei vagando por aí, até chegar aqui.

-Porque não foi pra casa?

-Porque eu estou com medo! Surtando. Eles vão descobrir.

-Então quem sabe não fala de uma vez, enfrenta esse problema, uma hora ou outra eles vão descobrir, e é bom que seja pela sua boca.

Diana larga o copo na mesa de centro, passando a mão no rosto e começando a chorar. A puxo para um abraço, afagando sua cabeça. Bruno balançava as pernas sentado na poltrona, ainda querendo digerir tudo aqui. Ela soluçava em meu abraço, repetindo o mantra de que essa criança estava sendo um peso, de que sua vida iria se tornar o inferno na Terra. Espero que essas energias negativas não afetem o bebê, de maneira nenhuma.



Não sabia mais o que dizer e a quem confortar. Agora era o momento de dar um pouco mais de atenção à ela que com certeza também precisa, mas Bruno também parece bem desolado, e sua pose de badboy, de quem está bravo, é pura fachada. Ele está surtando, eu sei disso assim como ele também sabe. A mantive em meus braços, sentindo suas lágrimas caírem, seu choro amenizar um pouco e sua respiração pouco a pouco voltar ao normal.

-Tudo bem! - Passo a mão pelo seu cabelo. - Você sabe que agora tem que tomar uma decisão.

-Vou tentar conversar com eles hoje mesmo. - Se afasta de mim, procurando minhas mãos para segurar.

-Vem cá! - Chamo o Bruno, que relutante, levanta, e se abaixa perto de nós. Pego sua mão e a mão dela, olho para os dois, apavorados. Nem quero me colocar no lugar deles, mas sei que deve estar sendo difícil. - Se não ficarem juntos, me prometam que irão cuidar dessa criança, que ela será o amor de vocês.

-Eu prometo! - Bruno diz rapidamente, e Diana não diz nada.

-Diana, eu sei que está sendo bem complicado agora, mas assim que ver o rostinho da sua filha, ficará contente.

-Posso ser sincera?

-Deve.

-Meus pais...Eles não me matarão por ter um filho, mas sim porque eles me tem como companhia para as loucuras de viagens, não queremos ter que carregar uma criança. Nós somos viajantes, amantes das culturas, aproveitadores da vida, não queremos criar raízes. Eu disse isso ao Bruno logo que nos conhecemos.

-Eu sei, Diana. Mas podemos combinar algo, se você não for ficar com ela, podemos colocar para a adoção, mas não matar essa criança. Eu também tinha planos, e vou ter que muda-los. Somente segure esse bebê com você, e quando nascer, nós vemos o que podemos fazer. Tantas pessoas querem um filho, nós podemos doa-la, será benéfico à nós e aos novos pais. - A primeira coisa sensata que Bruno fala a menina, e vejo em seus olhos a esperança nascer levemente, bem ao fundo.

-Isso! Viu como conversando se ajeita? Tudo vai dar certo, e eu sei disso. E se não der, podem cobrar de mim. - Digo, aumentando o humor da conversa, fazendo os dois rirem, mesmo que uma risada ainda triste.

No final do dia, Diana foi embora, e já avisei para ela que se algo acontecer, ela pode correr pra cá. Me preocupo com a criança, e agora um pouco com ela. Bruno estava me auxiliando na cozinha, estávamos fazendo a nossa janta, bem reforçada, para amanhã irmos ao serviço com vontade.

Depois de comermos bem, com legumes, verduras, e carne, um dos mais importantes, sentamos no tapete da sala, abrindo a janela que cobre uma parte da parede da pequena sala, ligando o rádio e deitando para trás. Fazíamos isso às vezes, dava uma boa visão do céu estrelado de Los Angeles, além de ser um momento para nossos pensamentos e nossa conexão.

-Estava pensando em como contar aos meus pais. - Bruno coloca as duas mãos embaixo da cabeça.

-Da mesma maneira que contou a mim. Qual é, seus pais são os pais mais compreensíveis que existem.

-Não sei em relação à isso.

-Bruno, você mesmo disse que eles levaram numa boa quando sua irmã chegou grávida aos 17 em casa.

-Mas... ainda tenho medo, não caiu a ficha.

-Mas vai cair, e você vai ver que nem tudo é um bicho de sete cabeças, e que irá sair dessa, porque a cada problema existe solução.

-Não importa o quanto demore para acha-la. - Ele põe a mão sobre a minha. - Ah, Lea. O que seria de mim sem você, sinceramente?

-Um bêbado, assustado com o mundo, sem esperança, e talvez ainda residente do Havaí.

-Não, não estaria no Havaí.

-Então residente das ruas de Los Angeles.

-Será que eu teria conhecido o Philip? Será que eu teria engravidado alguém?

-A pergunta é quantas você teria engravidado, não é, senhor Fodão?!

-Já expliquei que eu não sei que mel é esse.

-Eu sei qual é.

-E qual é? - Já estávamos brincando, como sempre fazíamos. Nada era sério por muito tempo.

-Seu pau tem açúcar e você sabe disso, então aprendeu a usa-lo para conquistar as meninas.

-Como sabe que eu sei usa-lo, Eleanor? Anda sonhando com meus dotes sexuais?

-Vai a merda, Hernandez! É o que eu vejo, pelos gemidos. - Viro a cabeça para o seu lado. - Oh, Bruno, isso! Vai gostoso, mete mais fundo. - Imito os gritos e os gemidos.

-Parece mais sexy com você fazendo.

-Pareço uma morça! - Reviro os olhos.

-É assim que grita com suas presas, Viúva Negra?

-Viúva Negra? - Dou uma gargalhada. - Fala sério, meu apelido agora?

-Pode ser que sim, mas não desconverse. Geme assim com seus homens?

-Nossa senhora. - Rio, passando a mão no rosto. Sinto minhas bochechas ficarem levemente ruborizadas. - Talvez seja.

-Vou perguntar para o seu chefe.

-O que?

-Seu chefe. Vou perguntar se geme assim.

-Primeiro que eu nunca dormi com ele.

-Jura? Idiota, não fez o teste do sofá.

-Você fazia se tivesse uma empresa, Hernandez?

-Quem sabe? Provar todas que trabalhariam comigo. Seria uma boa. Vou desistir da música e montar uma empresa.

-Eu trabalharia pra você, mas não iria fazer o teste do sofá.

-Quem disse que não? Faria mais de uma vez ainda.

-Claramente você está alucinado. - Rio, sentando no chão e me apoiando para levantar. - Vamos dormir, amanhã é um longo dia.

-Vamos. - Ele se sentou e eu caminhei para o corredor. - Lea?

-Oi?

-E se eu fosse mais uma presa sua, me mataria depois da transa?

-Talvez, mas iria aproveitar para transar várias vezes, assim como faria se eu fosse trabalhar pra você.

-Amanhã vou abrir uma empresa. - Ele chega se rindo para perto de mim. Sempre estamos nessas brincadeiras de amigos, chega ser engraçado, porque todos pensam que namoramos. - Vai ser de estofados.

-Porque? - Pergunto enquanto vamos em direção do banheiro.

-Porque assim faço o teste do sofá com minhas empregadas, todas mulheres, e com minhas clientes. Que serão mulheres, porque homens não vão em estofarias... Sou tão inteligente.

-É, e um idiota também. - Pego minha escova de dentes e estico para ele por pasta na minha também.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Capítulo 5


Ao chegarmos na casa dos meus avós, num bairro um pouco distante do aeroporto de Los Angeles, já nos mostraram o quarto que compartilharíamos. Claro, um beliche estava ao fundo, e Bruno já subiu para a cama de cima ligeiramente, dizendo que era dele.

-Larga dessa, você vai cair em cima de mim à noite.

-Me chamando de gordo, Lea? - Balançou os pés, sentado na cama de cima.

-Sim, a cama não aguentará você.

-Se a minha cabeça tivesse o tamanho da sua, talvez não mesmo.

-Pelo menos não tenho barriga.

-Nem eu. Mas, tenho mais coxa que você.

-Tenho bunda! - Arqueio as sobrancelhas e ele me olha, cavando profundamente atrás de uma resposta.

-Homem não precisa de bunda.

-Acho lindo homem com bunda, ter onde apertar. - Minha mente viaja pro Havaí no mesmo momento. Lembrar de Kai dói, mas é uma dor como se eu fosse vê-lo amanhã novamente, quando a ficha cair de que provavelmente não o verei durante muitos anos, vai doer mais. Eu tenho consciência disso.

-Ah, me chupa! - Diz em alto e bom som. - Meu Deus, desculpa. - Lembrou que provavelmente meus avós estariam acordados ainda.

-Se meu avô ouviu isso, amanhã irá acordar na rua, e é onde vai dormir por muito tempo.

-Durmo na casa do cachorro, sem problemas.

-Engano seu. - Dou de ombros, sentando na cama de baixo. - Eles não tem cachorros.

-Como alguém não tem cachorro?

-Não tendo, tendo gatos!

-Gatos são chatos.

-Eu sei! - Reviro os olhos. - Mas minha vó é fascinada. Amanhã ela chama você para mostrar os 3 gatos que tem. Se é que algum deles ainda não morreu.

Bruno tomou banho antes de mim, enquanto eu abria as malas e dividia o guarda roupas em partes exatas para eu e ele. O banheiro era em frente ao nosso quarto, então ouvi quando ele parou com o banho. Levantei-me, pegando o pijama e uma toalha que minha avó fez questão de deixar ali, limpinhas e fofinhas. Assim como uma quantia grande de cobertas, lençóis, fronhas, e duas almofadas extras, para caso quisessemos.

-Essa água é maravilhosa. - Ele entra no quarto, sem camisa e secando os cabelos com a toalha.

-Não tinha chuveiro em casa, não? - Implico com ele.

-É melhor gastar água e luz dos outros, por isso é maravilhosa.

Quando retornei ao quarto, Bruno já estava dormindo, e a casa por si estava quieta e toda escura. Deitei, me cobrindo com um lençol roxo, e virando para o lado da parede. Estava completa por um lado, e incompleta pelo outro. Deixei amigos, minha família, e Kai, mas tinha meus avós, Bruno, e uma cidade com muito para explorar e viver.

A ficha de que irei vê-los daqui a um tempo bem grande, ainda não caiu. Sinto que ainda vou chorar bastante, vou gritar de saudades e espernear em silêncio quando barulho não poder fazer. Eu precisava do Kai comigo nessas horas, estaríamos agarrados e quando eu ousasse chorar, ele iria me ter em seus braços e me acalmar com um beijo doce. Mas Bruno supre essas necessidades, menos o beijo, é claro.

Fechei os olhos, desejando que pudesse ter meus pais e Kai ali, quando acordasse, mesmo sabendo que isso seria um pouco em vão.

E mesmo com os olhos inchados de chorar um pouco, eu acordei com um sorriso no rosto, que disfarçava bem. Bruno ainda "roncava" na sua nova cama, e o dia estava claro lá fora. Depois que penteei meus cabelos e troquei minha roupa, cuidando para que ele não acordasse, abri a janela deixando a claridade envolver aquele quarto. Bruno espraguejou algumas palavras, e passava a mão no rosto. Pobrezinho, seus olhos devem ter doído.

-Bom dia! - Sorri, pondo a mão na cintura e olhando pra cima.

-Morre! - Revirou os olhos, se ajeitando na cama.

-Obrigada. Bruno, vamos, o dia está lindo, e é o primeiro dia em Los Angeles.

-Lea, não é como se fossemos ir embora amanhã, estamos morando aqui agora, e podemos deixar pra visitar a cidade outros dias.

-Mas... - Ele tinha razão. Eu posso ter adormecido alguns minutinhos no avião, mas ele se manteve firme e acordado. Não posso cobrar dele. - Ok. - Puxei a cortina novamente. - Bom dia, Bruno. - Atiro um beijo, que não é visto por ele, já que estava com os olhos tapados.

-Muito obrigada! - Agradeceu, sutilmente. - Aliás, tenha um bom dia.

-E você bons sonhos.

-Uhum. - Somente concordou e virou para o lado, adormecendo em segundos, creio eu.

Fui ao banheiro para fazer minha higiene matinal, e já deixei minha escova de dente por ali. Agora ali seria o lugar dela por um bom tempo. Desci atrás dos meus avós, que conversavam com alguém de quem não reconheci a voz.

-Bom dia. - Sorri para meus avós e para uma senhora que conversava com minha avó.

-Oh, Tessa, essa é minha neta, a que comentei que iria vir morar conosco.

-Muito prazer...?

-Eleanor. - Estendi minha mão.

-Muito prazer, Eleanor, sou Tessa, vizinha e amiga da sua avó. - Ela tirou sua mão da minha e virou-se novamente para minha vó. - Aphril, pensei que era um neto que viria.

-Não, não tenho netos. Somente minhas duas meninas. O amigo dela veio passar uma temporada conosco, até conseguirem um lugar para morarem.

-Ah...

Não me interessava ouvir os papos das duas, e eu também não queria ser a intrometida, então dei oi para meu avô e fui para a cozinha preparar algo. Estava precisando de um café da manhã bem reforçado.

Poderia levar um tempo até me acostumar onde exatamente tudo estava. Me confundi várias vezes onde pegar, e o que pegar. Minha vó realmente tem costumes bem diferentes da minha mãe, ou eu não estou acostumada com a casa dos outros, já que a única em que vivi foi na minha antiga casa com meus pais, e depois algumas vezes dormindo na casa do Kai. Senti uma mão passar rapidamente pelas minhas costas, e aquela voz de sono me desejando bom dia.

-Bom dia, Bruno! - Sorri, ao morder mais um pedaço do meu bolo de laranja.

-Me belisca pra eu ver que isso é realidade!

-O que? Que estamos em Los Angeles?

-Não. - Ele senta ao meu lado na mesa da cozinha. - Que eu acordei cedo somente porque você pediu.

Dei um tapa de leve em seu braço e servi o café pra ele. Nosso dia começaria em alguns minutos, assim que tomássemos banho para nos arrumar. Meu avô emprestou o carro para que minha avó nos levasse, já que transporte público é quase impossível. E eu acostumada com fazer tudo apé e de bicicleta no Havaí.

Descemos do segundo andar, onde já tínhamos nos arrumado, ansiosos para podermos ir conhecer pelo menos um pedaço pequeno de Los Angeles. Minha vó deu algumas instruções.

-Los Angeles engana bastante à todos, não pensem que irão conhecer tudo em um dia. - Minha avó diz, ao arrancar o carro.

-Disso nós já sabemos. - Digo rindo, um pouco impaciente.

-É que as pessoas acham que é basicamente a calçada da fama, o letreiro de hollywood e os estúdios. E claro, o observador, que nem todos acham que é um ponto, por não gostarem. Mas essa cidade tem muito mais a oferecer. - Sentia nas palavras dela o quanto amava essa cidade. Me pergunto se no fundo, ela não sente falta do Havaí, e se o vovô não sente nenhum pouco de falta da calma do ar.

-Appril, você não sente falta do Havaí? - Bruno tira as palavras da minha boca.

-Ah, não posso dizer que às vezes me pego pensando em como seria se eu ainda estivesse lá, mas eu sinto que aqui é meu lugar.

-Minha vó me entende. - Falo em voz alta, provocando o riso deles.

E assim foram nossas duas primeiras semanas, apenas conhecendo lugares e aprendendo um pouco mais sobre tudo. Até mesmo um pouco da culinária, que muda de lá pra cá. Fomos em museus conhecidos, museus desconhecidos, em praças, em bairros periféricos e característicos, chiques demais até. Os estúdios, visitamos todo dentro do possível, e os parques de diversões. Não poderia ser melhor, nos divertimos demais, a cada dia mais. E eu tinha a mais plena certeza de que meu coração nasceu para ser criado e cultivado em Los Angeles.

Se eu sinto falta dos meus pais? Essa é a pior parte. Ligo para eles todos os dias, mas a saudade aperta no peito, e tenho vontade de correr para o colo da minha mãe e abraça-la fortemente, não soltar nunca mais, preferencialmente. Me pego às vezes com umas lágrimas nos olhos, pensando na vida que tinha lá, e que aqui iremos começar do zero.

Já está tudo encaminhado. Minha avó me deu um curso, do qual ainda não escolhi, e Bruno está procurando empregos. Já conseguiu um violão velho que era do meu avô, e é nele que às vezes se empulhara e passa horas a fio dedilhando o instrumento.

Não poderia ter escolhido pessoa melhor para partilhar desse sonho comigo, dessa loucura de vir pra cá.

Estava arrumando uma pilha de roupas para minha avó, enquanto Bruno se divertia com meu avô falando de esporte, ou luta, seja lá o que for.

-Porque não sai hoje à noite? Acho que já consegue conhecer a noite de Los Angeles sem a supervisão de um adulto. - Appril para ao meu lado, puxando uma das blusas do monte para dobrar.

-Não sei. Não sabemos dirigir, somos menores de idade, conhecemos a cidade somente há duas semanas...

-Mas eu gostei da ideia. - Bruno se intromete, chegando de mansinho.

-Falou em sair, é claro que iria gostar, não é? - Reviro os olhos.

-Acho que faria bem, conhecer coisas novas.

-Depende do que né, Bruno. - Minha vó o repreende. - Tem festas de fraternidades, às vezes são abertas ao público.

-Lá rola de tudo, Appril. As crianças não saberão se cuidar direito naqueles lugares. - Ouço meu vô falar, e vejo o Bruno fazendo uma careta escondido.

-Deixa de ser tolo, eles são bem inteligentes.

-Se acharmos uma, e você estiver disposta a nos levar e buscar, por mim tudo bem, vovó. - Coloco uma blusa sobre a pilha já dobrada. - E vô, nós sabemos nos cuidar, somos inteligentes, crescidos, só não somos maiores de idade ainda.

-Eu sei, meu amor. Mas nós, pais e avós, temos medo.

-Ele é careta. - Diz minha vó para o Bruno, como se dissesse um segredo.

-Quer ir na festa também, senhora Appril? - Ele coloca a mão na cintura, olhando seriamente para minha avó, que sorri.

-Quero sim, senhor Paul.


Já passavam das três da tarde quando terminei de limpar a casa. A pequena casa que posso chamar de minha. Tanta coisa que mudou em quatro anos que aqui estamos.

Fiz um curso de administração, que minha avó pagou completo já que eu não quis ir a faculdade, simplesmente por não ter nada que me prenda, me interesse completamente a ponto de passar anos estudando sobre aquilo, então, como nunca é tarde, talvez um dia eu saiba o que fazer e faça. Mas, após o término desse curso, eu vi que não era isso que queria, então continuei a largar currículo em toda e qualquer loja que precisavam de pessoas para trabalhar. Fiquei por quatro meses em uma loja de doces, perto da casa de minha avó, e então me chamaram na imobiliária para trabalhar. Primeiramente comecei como secretária, no primeiro ano, e então fui conquistando várias coisas lá, uma delas é não me atrasar, faltar muito raramente - somente quando estava passando realmente mal. Meu chefe, Sr. Dunn, ou apenas Ian, é um homem muito bom, ocupado, mas que sabe reconhecer as coisas que estão em sua volta. Ele me pôs em um curso, de alguns meses, nada demais, e lá aprendi muita coisa, e encrementei mais algumas que já sabia por trabalhar lá, sobre o mundo dos imóveis. Então subi de cargo, para vendedora, ou melhor, corretora.

Assim, com três anos de empresa, no inicio desse ano, 2008, ele me abriu a proposta dessa pequena casa, para não precisar sofrer mais com aluguel. Foi um preço bem bacana. Então Bruno e eu nos mudamos pra cá.

Por falar nele, em pouco tempo ele deve estar chegando. Foi sair, para não sei onde, com não sei quem. Não sei como ele consegue atrair tantas mulheres.

Bruno está trabalhando numa padaria há mais ou menos três anos, agora está na parte interna, como administrador de pequenas coisas, mas antes era como vendedor também. E a noite, ele faz seus shows em alguns barzinhos, alguns solo, outros com seu amigo, Philip. A carreira pareceu que ia decolar, mas estava realmente difícil. A sorte parecia nunca bater na porta dele quando se falava em cantar. Foi contratado por uma gravadora, esse momento foi feliz, até o contrato "não dar em nada" e a gravadora acabar falindo. Mas foi lá que conheceu o Philip, e o Ari, um outro cara que não tive muito contato como tive com o Phil. As músicas eram maravilhosas, sua voz é uma das mais lindas que já ouvi, mas mesmo assim as gravadoras batiam a porta em sua cara alegando que ele não poderia cantar música de branco sendo negro. Preconceito!

Uma das coisas que mais encontramos por aqui. Mas a vida sempre nos surpreende com altos e baixos, e assim nós vamos levando a cada dia por vez. O que mais me deixa feliz e orgulhosa é que ele nunca desistiu do sonho dele. Mesmo recebendo vários "nãos", ele sentava no sofá velho, com seu caderninho, o violão, uma caneta, e sua inspiração, dando o melhor de si para que um dia alguém veja esse trabalho e o reconheça. Eu acredito que ele ainda vai ser um sucesso, e dos grandes.

Sobre a nossa vida, não tem muito o que falar. São vários finais de semana bebendo como doidos, agora que não trabalhamos finais de semana, eles são feitos para isso: beber e dançar. Vamos em todas as boates possíveis, bebemos de tudo e o mais importante, saímos com várias pessoas. Não vou mentir, tenho que admitir que fico com muitos caras, já chegou noites de eu sair beijando uns 9, ou 10 talvez, mas para ir pra cama são poucos. Raramente vou pra cama com alguém que encontro na balada, e se vou, tomo todos os meus cuidados necessários.

Já o Bruno... ele transa com várias, e às vezes mal se cuida. Mas isso é raro acontecer, segundo ele somente duas meninas com quem esqueceu a camisinha, alegando pra mim estar completamente bêbado. E ele é um imã para mulheres, fica com muitas e mesmo assim quase todas correm atrás dele. Fazer o que, meu amigo é lindo.

Pego o telefone da mesa de centro e disco o número da minha mãe. O telefone chama três vezes até ela atender.

-Alô?

-Oi, mãe! - Já ponho o sorriso em meu rosto.

-Lea? Minha pequena! Como está, querida?

-Bem, muito bem, mas cansada. E você mamãe?

-Levando. Hoje passei duas horas correndo pela orla.

-Legal! Quero voltar a correr aos finais de semana.

-Já estou sabendo que a senhora anda passeando demais aos finais de semana.

-Vovó? Eu sabia que ela falaria.

-Claro que sim. Se cuide, não quero precisar puxar suas orelhas depois de adulta.

-Ah, mamãe, nós vamos fazer festa, beber, comemorar, mas nos cuidamos. Somos responsáveis.

Conversei por muito tempo com minha mãe no telefone. Ultimamente passamos bastante tempo assim uma vez por semana, e sempre quando ligo colocamos todos os assuntos em dia. No último mês o assunto mais comentado foi sobre minha irmã e seu noivo. É, sim, a mala-sem-alça arranjou um namorado, ou melhor, noivo. Irão se casar no final do ano, em Nova York mesmo, então no final do ano irei ver meus pais pela terceira vez desde que vim morar em Los Angeles.

Ao contrário do Bruno, que suas irmãs vem pra cá sempre que possível, e sua mãe com seu pai também. Se eu sinto um pouco de inveja? Talvez não possa denominar inveja, já que eu estou feliz por ele, mas desejava que acontecesse comigo também.

E uma das maiores questões... Kai? Eu não sei. Soube apenas que ele tinha ido para a faculdade, mas nunca mais soube notícias dele. Foi difícil esquecer ele, e nos meus dias de TPM, eu chorava feito doida de saudades. Saudades de tudo, saudades dele completo. Embora levamos uma vida boemia, cheia de pessoas novas, e tudo mais, sinto falta de dormir a noite com alguém ao meu lado, entrelaçando as pernas, fazendo cafunés, dando um beijo de boa noite, e às vezes sendo acordada com um bom sexo matinal.

Não sou de ferro, e sou mulher, tenho necessidades, então não posso negar de que já me toquei várias vezes, assim como Bruno também faz isso, e é super normal. Sexo por sexo é bom, mas acaba enjoando, e chega a parte que você pensa que é melhor ter um namorado. Mas essa é a mesma parte que chega a menstruação, a TPM, e não devemos tomar nenhuma decisão nesse meio tempo.

Desligo o telefone e o ponho em sua base, voltando para o sofá e ligando a televisão. Passava das cinco e ainda nenhuma notícia do Bruno, eu nem queria imaginar o que ele estaria fazendo.

Foi somente pensar que não tinha nenhuma notícia do Bruno desde a hora que ele saiu, que a porta abriu e ele entrou rapidamente, batendo a porta e indo para o banheiro.

-Foi criado em circo pra não saber lidar com portas, querido? - Intico com ele, e não ouço ele resmungar algo como sempre.

Fiquei esperando ele aparecer, falar algo, resmungar, mas nada aconteceu. Bati na porta do banheiro esperando que ele me respondesse.

-Bruno? - O chamo pela segunda vez.

-Uh? - Ouço seu resmungo.

-Está tudo bem? - Ele poderia estar fazendo algo que eu não pudesse interromper.

Não obtive resposta, então somente poderia ser algo que ele não pudesse falar. Permaneci quieta, saindo da porta do banheiro e sentando novamente no sofá. Tirei a televisão do mudo, esperando a hora que ele resolver aparecer por ali.

Passava mais programas idiotas, entre eles os fúteis, que não trazem nada demais para a nossa vida. Passei a mão no rosto, pensando que daqui a pouco tenho que mergulhar a cabeça em alguns estudos em que quero me aprofundar, sobre informações do meu trabalho.

-Lea. - Falou meu nome de forma apreensiva.

O olho, em pé, próximo ao sofá, com o olhar fixo, olhos fundos e pequenos, e sua pele pálida. Havia acontecido algo.

-O que houve? - Levanto-me, preocupada com sua aparência.

-Vamos sentar. - Ele indica o sofá, com um semblante horrível.

-Bruno, está me assustando. - Dou uma risada nervosa. - Se for algo bobo, eu vou bater em você!

-Lea, minha vida vai mudar, vai tudo desmoronar. - Ele senta ao meu lado, voltando a ter lágrimas nos olhos. - Porque nada dá certo comigo?

-Como não dá? Bruno, olha a vida que você tem! Já disse que o que tiver que acontecer, vai acontecer. E é pra você ser famoso, é só ter paciência.

-Você falando não parece difícil, mas é. Eu estou surtando. Minha vida está uma completa desgraça.

-Não diga isso. Disseram não mais uma vez pra você? - Passo a mão sobre o seu braço. Bruno mantem seus olhos fixos num ponto, mas a mente distante. - A cada um não que você recebe, vai ser mais uma gravadora que se arrependerá no futuro, pode apostar.

-Não é só a carreira, não é só as gravadoras. É a minha vida, Lea!

-Mas eu não virei adivinha ainda, eu não sou nenhuma vidente. Se você não me disser, eu não irei saber. - Odeio esse jogos de enrolação que ele faz, ainda julgando como se eu já soubesse do assunto. - Desculpa! O que houve, Bruno?

-Lembra daquela garota que eu saí mais de duas vezes?

-Mmmmm. - Fiz um esforço para me lembrar de qual ele falava. - Não estou lembrando.

-Aquela estudante de economia, que quer largar a faculdade...

-Pra virar viajante! Sei, sim. - Afirmo, ajeitando meu modo de sentar.

-Lea, ela está grávida! E, é meu. - Encorajou-se a dizer. Soltando do peito o ar trancado.

-O que? - É difícil digerir algo assim, de supetão é pior ainda. Eu não sabia como reagir.

Um filho? Mudaria tudo. Tanto seus planos pessoais, quanto os da carreira, tudo! Quanto mais de uma mulher por quem ele ficou algumas vezes, e um relacionamento somente carnal, nada de conversas. Pelo que eu conheço ele, Bruno não deve saber ao menos o sobrenome dela, ou a data de aniversário, nem onde mora. Não sei o que será dele, da criança, e dessa mulher.

Gente, vou frisar uma coisinha: Até um certo momento, eu não irei focar muito na carreira do Bruno. Dois motivos: Não é importante nessa época para a fanfic, e não sabemos ao certo as coisas que aconteceram, e se colocar muita coisa fora do normal, podem me interpretar mal. Então prefiro omitir esses fatos e não entrar em detalhes da carreira dele. 
Espero que entendam, e que tenham gostado, agora parará um pouco essa coisa de passagem de tempo. Beijos

terça-feira, 12 de maio de 2015

Capítulo 4


No inicio da noite, quando as luzes foram diminuídas e as danças oficialmente começaram, decidimos que era hora de pegarmos nossas coisas e irmos para a nossa festa particular. Encontramos ainda uns amigos de Kai que iriam conosco, e umas meninas amigas do Bruno que também iriam. Dividimos-nos em carros possíveis, apertando uns por cima dos outros.

Como as meninas já tinham preparado a casa, foi apenas abrir a porta, entrar e depois fechar, para ligar uma só luz, a da cozinha, o som bem alto, e tirar algumas bebidas do congelador. Os meninos já chegaram animados, e foram todos para a sala dançar, junto com uma parte das meninas.

-Vou pegar algo para bebermos. – Disse, tirando a mão de Kai.

-Não, vou pedir que não beba hoje. Sabe como é, quero aproveitar o tempo com você na festa, sóbria de preferência.

-Deixa de ser chato. – Diz Hayley, que por ali passava.

-Não é pra deixa-la beber, Kai! – Bruno passa logo em seguida da menina.

-Vocês são chatos. – Dei a língua, reclamando. – Ok, vou obedecer somente dessa vez.

-Obrigada. – Ele beija minha testa. – Quer beber algo sem álcool?

-Um refrigerante de uva, eu aceito.

-Ok.

Kai buscou um refrigerante na cozinha, enquanto eu estava encostada na parede vendo as besteiras que saía da boca de todos na sala. Bruno me olhava e atirava um beijo, super bobo! Já tinha arranjado uma companhia para a noite, e pelo jeito Ryan também.

Bebi duas latas de refrigerante, compensando o enorme tempo que não tomava nada derivado desse tipo. Bruno estava dançando como doido, fazendo alguns passos bem legais. Me chamou para uma dança, e lá foi eu, dançar com ele, me humilhando com seu jeito magnífico de se mexer. Assim que terminei de dançar com ele, tentei alguns passos com Kai, mas ele disse que não gostava de dançar, que preferia apenas me olhar. Então me soltei com as meninas e Bruno, claro, a maior parte do tempo com ele.

Quando passei para ir no banheiro, Kai me prensou na parede do corredor, dando-me um beijo em minha clavícula, apertando minha perna de leve. Segurei seus cabelos, espalmando minha mão em suas costas, me entregando aquele momento safado, mas carinhoso.

Bruno POV’s

Era meu baile de formatura, caramba. Essa noite é oficialmente a ultima noite que vou olhar para aquelas pessoas, depois apenas passará uma semana para recuperações, que eu não peguei nenhuma, e fim! Formatura! Los Angeles!

Los Angeles nem tão em breve assim, prometi que esperaria por Lea, e esperarei. Vamos juntos seguir nossos sonhos fora do Havaí, e quem sabe conseguir realiza-los? É o que eu espero.

Enquanto dançava com as meninas, cantei um trecho no ouvido de Hayley, essa noite a levaria finalmente para a cama, com certeza. Eu senti que ela se derreteu, assim como sempre se derrete com meus carinhos, mas desde que Lea a colocou em meu caminho, três semanas atrás, não demos uma rapidinha sequer. E, bom, eu não quero um namoro, eu quero diversão! Ainda sou novo para me prender com alguém.

Parei por alguns segundos procurando Lea, e não a achei. Olhei para onde Kai estava, e ele também não estava lá. Caminhei até a cozinha, precisava ficar de olho onde essa pequena encrenqueira estava, mas só encontrei Tay e seu amigo, conversando. Um dos amigos do Kai, com a jaqueta da escola, passa por mim com um copo de bebida na mão, não lembro o nome dele.

-Hey. – Ele me olhou, e deu um sorriso como comprimento. – Você viu por onde anda o Kai?

-E aí, cara. Eu vi ele subindo com a Eleanor. – Apontou para as escadas.

-Obrigada.

Caminhei até a ponta das escadas e pensei duas vezes antes de subir. Posso atrapalhar algo, e sou a última pessoa do mundo que quero isso, até porque não estou querendo flagrar minha melhor amiga, talvez pelada, junto com o namorado dela. Tomara que ela saiba o que esteja fazendo. Se ela está realmente fazendo algo.

Olhei de longe Hayley dançando com suas amigas, reviro os olhos, essa menina vai ser minha essa noite, nós vamos acabar entre lençóis, ou desisto de tentar com ela.

Lea POV’s

Abri meus olhos, esfregando a mão no rosto. E na mesma hora que me toquei onde estava, me toquei o que estava fazendo ali e de que não era um sonho. Kai estava atirado ao meu lado, parecia estar com o sono leve, mas fazia um barulho baixinho mostrando que estava em profundo.

A noite de ontem foi uma das melhores. Fechei meus olhos para recordar de cada pedaço. Desde nossos amassos no corredor do banheiro, até nossa vinda ao quarto. Recordo dos detalhes de como ele foi carinhoso tirando minha roupa, e até dele colocando a camisinha. É, meu primeiro dia não sendo mais uma menina virgem. Mordi os lábios de leve, dando um sorrisinho sapeca, Bruno precisa saber disso!

Levanto da cama com cuidado para não acorda-lo. Visto minha roupa e assim que dou alguns passos para pegar meus sapatos, sinto uma enorme diferença. Começa a doer, e uma ardência chata, que remete meus pensamentos para a parte chata da noite: a dor. Senti dor do inicio ao fim, a cada toque, mesmo que delicado dele em mim, me causava uma dor enorme. Fisguei baixinho, me sentindo estranha.

Olho-me pelo espelho do quarto, nada parece diferente em mim. Caminho em direção dele e ainda estou normal, além da dor. Mas eu sentia diferente, é estranho de explicar.

Saí corredor a fora procurando o Bruno. A maioria dos quartos estavam abertos, e não havia muita gente por ali, a maioria deve ter dormido em suas casas, mas realmente estava tudo uma zona de bagunça. Desci as escadas, ainda vendo rastros da noite, pelo chão melecado de algo que derrubaram. Na sala há apenas três pessoas, Ryan agarrado com uma menina dormindo sentados, e Bruno, deitado no sofá, de barriga pra baixo e mão arrastando no chão. Uma cena bem engraçada.

-Hey, dorminhoco. – O balanço de leve. – Acorde.

Bruno resmungou algo que não entendi. Beijei a sua bochecha, falando baixinho para que ele acordasse, e ele deu um sorriso.

-Se eu continuar fingindo que estou dormindo, você vai embora?

-Pra que ser tão grosso assim? – Estico meus lábios, num beicinho que sempre funciona.

-Ah, ok. Bom dia, Lea. – Bruno se senta de mau jeito e esfrega as mãos no rosto, como eu.

-Bom dia.

-Você sumiu ontem. – Comentou, colocando a mão na cabeça, fazendo uma careta.

-Está sóbrio o suficiente para conversar?

-Claro.

O fiz levantar do sofá, e antes verifiquei as horas no relógio do rádio, e ainda eram oito e meia, Kai não acordaria no meio tempo em que estivesse conversando com o Bruno. Não que ele fosse ficar bravo, mas não queria que ele acordasse pensando que eu fugi dele pelo que aconteceu a noite passada.

Caminhamos num pedaço da costa que tinha logo perto da casa dela, e paramos em uma pedra escutando a batida das ondas, olhando a imensidão azul do céu miscelânea com o mar. Bruno parou ao meu lado, observando o longe juntamente comigo.

-Me acordou a essa hora pra que?

-Que mau humor, o que foi?

-Hayley, mais uma vez, me deixou apenas na vontade.

-Deixa ela pra lá, parte pra outra que ela vai ir correndo para o seu lado, vai por mim.

-Vejo sobre ela depois, não é tão importante assim. – Ajeito meu cabelo enquanto ele fala, virando para o meu lado. – O que aconteceu ontem?

-Aconteceu...

-Aconteceu?

-Sim... Ah, você sabe, Bruno! – Corei de vergonha, senti minhas bochechas arderem, assim como minha virilha ainda ardia.

-Vocês transaram?

-Sim! Faz favor de falar mais baixo.

-Lea, é domingo, são oito da manhã, a praia está mais do que deserta. Se há alguém que pode ouvir o que falamos, são os peixes. – Exageradamente, Bruno aponta para o mar.

-Faz o favor de ir à merda. – Rio dele, e ele segue meu embalo.

-Mas e aí, como foi?

-Maravilhoso. Ok, tirando as dores que senti o tempo todo, e a ardência que ainda tem, foi tão lindo. Você precisava ver o modo que ele foi gentil e carinhoso.

-Usaram camisinha?

-Sim!

-E preliminares?

-Nenhuma além de beijos, era minha primeira vez, não queria ir de cara fazendo tudo que um dia pode ser novidade pra ele vindo de mim, entende?

-Sei. Se você fosse minha namorada, exigia as preliminares.

-Ah é, e porque não exige da Hayley?

-Vai à merda, Lea! Ontem fui dormir mal por causa dela, por isso estava de barriga pra baixo.

-Dói dormir assim?

-Dói não esvaziar o que tem pra esvaziar quando já se está em certo ponto! Me entende? – Fiz uma careta confusa, mas balancei a cabeça.

-Acho que sim.

-Mas foi bom?

-Sim! Aliás, estou com medo dele não ter gostado.

-Se ele não gostou, é um idiota. Tenho certeza que ele deve ter amado.


O vento entrava pela minha janela, enquanto eu ajeitava minhas folhas de trabalhos da escola para não caírem mais no chão, e não bagunçar mais a minha mesa do que já estava bagunçada. Tocava alguma música que Bruno gostava na rádio, enquanto ele ficava olhando fotos da minha família, e de mim quando pequena.

Três meses depois que perdi minha virgindade, tive coragem de dizer aos meus pais. Primeiramente para minha mãe, já que ela que era mais compreensiva, e depois ela me ajudou a contar para o papai, que ficou de cara emburrada listando mil coisas com as quais eu deveria tomar cuidado. Então aconteceu minha primeira visita a um ginecologista.

Eu morro de vergonha, mas a doutora foi tão atenciosa que me fez perder grande porcentagem da mesma. Minha irmã me levou na primeira consulta, e nas outras periódicas minha mãe que levará, pelo menos enquanto eu continuar a morar aqui.

Completando seis meses de namoro, Kai e eu tivemos uma grande noite, mas que acabou resultando em nossa primeira briga. Falei para ele dos meus planos de Los Angeles, o que ele já sabia, mas dessa vez falei que esses mesmos eram para sete meses, quando terminasse minhas aulas. Nunca vi ele tão furioso, dizendo que eu não poderia esconder dele esse tipo de coisa. Passou minutos depois quando disse que iria embora da casa dele.

Agora estamos com onze meses de namoro, e faltando dois meses para minha partida para Los Angeles. Minha mãe e meu pai acharam isso loucura, mas conversaram com meus avós que prometeram tomar conta de mim e de Bruno, o qual eles nem conheciam ainda. Pretendemos ficar por pouco tempo lá, já que queremos nosso próprio apartamento para nossa privacidade. Um quarto para cada, e o resto dividimos.

-O que aconteceu com a Laila, nunca mais a vi com você? – Bruno agora tinha um trabalho no shopping da ilha, apenas para juntar uma boa grana para podermos viajar. Ele passou a mão no cabelo, retirando o boné que o cobria.

-Ela terminou com aquele namorado, não te falei? – Ele balançou a cabeça em concordância. – E quando nos reunimos, nada era a mesma coisa, então fomos aos poucos afastando.

-É ela aqui, sim? – Mostra-me uma foto antiga, onde ela está ao meu lado, logo no nosso primário.

-Sim.

Bateu uma leve nostalgia, a vontade de ter minha amiga de volta. Mas, o tempo muda, e com ele as coisas também. Acho que amadureci nesse meio tempo que nos afastamos, e depois que iniciei meu namoro mais ainda. Não sou mais tolinha como era antes. Sei que não devo ficar guardando mágoas, nossa amizade não acabou, apenas congelou e o tempo ainda está frio demais para conseguir resfria-la.

O que me deixa animada é o agora, o agora que está próximo. O sonho de LA, minha formatura finalmente, e a saída do Havaí. Não pensei que deixaria a saudades de outras pessoas, além da minha família, mas já vi que vai ser duro abandonar o Kai. Com o tempo, o que antes era uma paixão adolescente, virou algo forte, algo com mais do que paixão. Não, não é amor, arrisco dizer isso porque ainda não experimentei tudo o que tinha que experimentar da vida, mas eu sei que é algo bem mais forte, e que quando eu abandona-lo aqui, vai doer, vai ser difícil demais.

-Hey. – Estava terminando de escrever a redação de um dos trabalhos finais, quando Bruno me chama. O olho, e ele prossegue. – Você não vai correr atrás de mim quando brigarmos?

-Depende, você vai aceitar quando estiver errado?

-Aceito todas as escolhas.

-Então, eu vou sim! Mas, por quê?

-Porque eu vejo que está tão nem aí para esse assunto da Laila, e, no entanto vi tanta foto de vocês, que devem ter histórias grandes.

-Tínhamos! Nós éramos unha e carne, mas a nossa amizade já estava desgastada faz tempo. Principalmente depois que ela me deixou de lado pelo namoro. Eu faço de tudo pelos meus amigos, e você sabe disso, mas não deixe eu saber que você não está nem aí, porque quando eu ligar o meu “nem aí”, não consigo mais desligar.

-Sabe por que é minha melhor amiga? – Pergunta, levantando da cama.

-Porque eu sou maravilhosa?

-Também. – Ele beija o topo da minha cabeça. – Mas porque você não deixa se abalar por pouca coisa, é um exemplo.

-Adorável. – Acaricio seu braço.


Vestia minha roupa, um vestido lindo que minha mãe comprou no centro da ilha, enquanto cuidava para que minha maquiagem permanecesse no lugar. Estava mais emocionada do que nunca, hoje era minha formatura, e daqui uma semana minha viagem para Los Angeles. A sensação de dever cumprido está tomando conta do meu ser.

Olho meu semblante no espelho do quarto, devo reconhecer que estava linda.

-Está pronta? – Ouço a voz da minha irmã vir do outro lado da porta.

Ela foi morar em Chicago, tentar uma vaga por lá e conseguiu, Eric seguiu o rumo para Nova Iorque, e eles acabaram, mas continuam se falando. Hoje ela voltou para o Havaí somente para minha formatura.

-Quase. – Digo ficando na ponta dos pés, pegando uma caixinha pequena em meu guarda-roupa.

Pego o colar que ganhei da minha mãe, em meu aniversário de 14 anos. Diz ela que ganhou um quando completou 14 anos, pois minha avó também ganhou, e deu um para a minha irmã também. Não tem um significado, quer dizer, não na joia em si. É apenas uma linda corrente dourada com um pingente em formato de círculo pequeno. Mas tem um significado sentimental, algo que passou de geração em geração, e eu quero cultivar comigo. Não é o mesmo colar, até porque minha irmã ganhou um prata com um pequeno coração, mas a intenção ainda é a mesma. Seja lá o que minha avó ou bisavó estava pensando quando deu para a próxima.

Desci as escadas encontrando meus pais e minha irmã na sala. Eles elogiaram minha roupa, frisando o quanto eu estava linda, e o quanto parecia com a minha mãe mais jovem. Fiquei feliz, pois a acho linda, e ser comparada com ela, é uma honra.

Ganhei flores do meu pai, que me acompanhou até o carro, deixando eu sentar no banco da frente. Balançava minhas pernas, com um péssimo tique nervoso que herdei de minha mãe. Ela repetia o mantra de que estava tudo certo, e dava um choramingo dizendo que seu único bebe estava realmente crescendo rápido demais.

Encontrei com Kai e seus pais na frente do salão de celebrações, e entramos juntos para onde o resto de nossas turmas estavam. Os formandos, usando roupas bonitas, penteados chiques, e todos com tramas para suas vidas.

-Hey, me promete algo? – Pede Kai, me interrompendo de olhar para as outras pessoas.

-Ah... claro. – Dou de ombros.

-Promete, que mesmo que saibamos que irá acabar, você irá lembrar de mim.

-Você irá lembrar de mim? – Arqueio levemente minha sobrancelha, e ele me encara, confuso.

A resposta não foi obtida, tivemos que ficar separados por algum tempo, e a colação chegou. Nossos nomes chamados, e diplomas entregues. Abraços nos ex colegas, e choro de alguns por nunca mais se verem. O clima estava triste, mas tão alegre. Pessoas que talvez vão perder o contato totalmente fazendo planos para se encontrarem, outras dizendo que irão se mudar, mas que talvez voltem para suas casas ao descobrirem que seus futuros estão no Havaí. Como pode ser o meu caso.

Tivemos uma janta, onde o tempo todo fiquei de mãos dadas com o Kai, querendo que eternizasse aquela última semana como se fosse um ano. O ruim de saber que vai acabar, é que eu não posso fazer muita coisa para resgatar meu namoro, pois queremos futuros diferentes, e como tudo na vida tem um fim, esse pode ser o nosso.

Bruno conversou horas a fio comigo sobre isso, falou que eu deveria ter forças, e que não seria mais fácil desapegar da família do que do Kai, e eu acredito nele. Sentirei falta do Kai por algum tempo, mas depois vou me acostumar com a sua ausência, e quanto aos meus pais, esses me farão falta todos os dias.

Quando chegou o grande dia, acordei mais cedo para que certificasse que tudo estava pronto e arrumado. Chequei cada pedaço de minhas malas, mesmo sabendo que algumas não iriam hoje, e meus documentos, livros, entre outras coisas.

Desci para o café, onde até chorar minha mãe chorou, dizendo que esse seria o último café da manhã juntos durante um tempo, e meu pai filmando, pois queria registrar meu último dia no Havaí.

Nosso voo estava marcado para as seis da tarde, estaríamos as cinco horas no aeroporto para o check in e afins, então as duas iria passar na casa do Kai para irmos juntos a praia andar por alguns minutos, e depois para o aeroporto.

Já tinha colocado minha roupa, quando mamãe avisou que iria me dar a carona até a casa dele. Ajudei a descer as malas que já ficariam no carro, e peguei minha bolsa, novamente verificando tudo.

-No dia da formatura, quando perguntei se você iria me esquecer, porque não me respondeu? – Perguntei, enquanto espalhávamos nossos pés na areia da praia.

-Fiquei com medo! Não queria que isso tivesse acontecendo.

-Mas está, e estamos conseguindo levar isso numa boa. Nossa amizade sempre vai prevalecer.

-Então quando nos vermos novamente, daqui alguns anos, estaremos amigos?

-Sempre. – Toco no seu rosto com a mão contraria da que estou o segurando. – Eu queria que soubesse que todo esse tempo que passamos, me fez crescer. Você foi a melhor experiência que já tive.

-Sou apenas uma experiência? – Deu uma risada, sem graça e leve.

-Sabe que não. Mas, isso foi algo, foi uma experiência pra vida, então vou poder olhar com orgulho pra trás e poder dizer que você já foi meu namorado.

-Mas quem sabe nós não nos encontramos no futuro?

Beijo sua testa, logo em seguida a pontinha do seu nariz. Encosto nossos rostos.

-Isso só o tempo vai dizer, mas vamos levar nossas vidas em frente, ok? Nada disso, de esperar o outro, pois sabemos que isso pode não acontecer, ok?

-Ok.

Durante o percurso até o aeroporto, Kai segurou minha mão firmemente, e minha mãe vinha chorando, com meu pai dizendo para ela se acalmar. Encontramos com uma parte da família do Bruno lá também, cumprimentei todos e deixei minha mãe chorar junto a sua.

O check in estava pronto para ser feito, e precisávamos ir. Talvez tenha sido a pior parte de todas, dar o adeus. Abracei todos, com lágrimas nos olhos, e já deixando a saudade tomar meu peito.

Peguei o braço de Bruno e andamos em direção ao portão.

Agora éramos eu e ele, uma nova vida.

Entramos no avião, ajeitando nossos lugares, e antes de decolar, Bruno segurou minha mão.

-Uma vida nova para nós dois.

-Nova! – Repito. – Será que vai ser fácil? Legal?

-Quem sabe!

O último adeus ao Havaí foi dado através de uma janela de avião. Deixando meu Estado pra trás, dando oi para um novo, uma vida nova, oportunidades novas. Quando fui verificar se Bruno estava chorando, ele sorriu pra mim, sinceramente. Eu sabia que estava bem enquanto estivesse ao seu lado.


Passei muito tempo com a mão grudada na de Bruno. Ele estava tão mais relaxado que eu, no entanto eu estava roendo unhas de medo, ansiedade e já, a saudades. Não há um único segundo que eu não lembre de tudo que está ficando pra trás, inclusive minha vida antiga.

Minha avó já me explicou, lá temos a sua casa para ficarmos, mas como queremos ter um apartamento, ela disse que teremos que trabalhar duro pra isso. Os imóveis são bem mais caros que no Havaí, ou qualquer outra parte dos Estados Unidos, tirando Nova Iorque. Apesar do Havaí ser um ponto turístico, acho que Los Angeles é ainda mais reconhecida por causa de Hollywood e a quantia de famosos que moram por ali, e todas as coisas que por ali tem, como museus, teatros, cinemas, restaurantes. Uma porção de coisas, literalmente, para agradar tudo e todos.

O comandante nos avisou, estávamos perto de pousar, porém havia uma nuvem carregada que poderia dar uma turbulência. Minhas pernas tremeram e apertei a mão dele fortemente, que riu baixinho da minha atitude.

Apertei o chiclete que a doce aeromoça me deu, já que comecei com uma terrível dor por causa da altitude, algo eu precisava mastigar para me acostumar, então ela me cedeu um dos seus.

Haviam passado simplesmente cinco horas e alguns minutos e eu não havia sentido nada? Nem Bruno, pois estava com seus olhos esbugalhados, bem alerta com tudo, e o sorriso no rosto. Sim, era uma nova vida, para nós dois.

Esperamos pela tubulação, da qual pensei que seria um bicho de sete cabeças, mas que no entanto foi bem tranquila. Daí então não tirei mais os olhos da pequena janela que restringia a imagem. Bruno estava praticamente jogado por cima de mim, deslumbrado também com tudo que estava abaixo de nós. Apesar de ser noite, não fazíamos muita noção de que horas exatas eram, tudo estava iluminado. O título de “cidade que nunca dorme”, que foi dado à Nova Iorque, pode muito bem ser colocado para Los Angeles.

As luzes nos confundiam, o céu bem estrelado mostrando que quando amanhecesse seria um dia lindo.

O avião pousou e finalmente podíamos dizer que estávamos em nossos sonhos. Bruno segurou minha mão firmemente quando saímos do avião. Na minha bolsa, procurei o endereço certo de qual terminal encontraríamos meus avós.

Parei por alguns segundos de mexer na bolsa e apenas me concentrei na respiração. Inalei fortemente o ar, o novo ar, e olhei para o Bruno logo em seguida, pisquei os olhos firmemente e olhei para a mesma direção que ele, a do céu estrelado que estava lá fora. Andamos em direção do terminal 3, antes parando para pegar nossas malas.

-Lea, nós chegamos! – Dava para identificar o quão sua voz estava desesperadamente feliz. – Nossos sonhos, na Cidade dos Anjos.

-Eu falei que em questão de tempo tudo vai dar certo.

Bruno me abraçou de lado, beijando minha bochecha rapidamente.

-Onde vamos encontrar seus avós?

-Eles nos esperarão em frente ao Starbucks.

-Legal! Nós vamos tomar café lá?

-Se meus avós forem legais e pagarem, sim.

Olhamos ao fundo do imenso e largo saguão. Era impossível dizer que eu os avistei em seguida, por causa da grande quantidade de pessoas que por ali circulavam. Isso que eram três horas da manhã. Não quero nem imaginar como é a luz do dia. Caminhamos mais um pouco, observando lado por lado. Claro que o satrbucks era fácil de achar, até por conta de sua faixada, mas estávamos tão deslumbrados, observando as lojas, as coisas, as pessoas, e como tudo parece ser diferente. Mas ao mesmo tempo era estranha a sensação de que eu estava me sentindo em casa.

-Ali, não são eles? – Bruno aponta para o longe. Avisto meu avô, com suas calças bege claro e um cardigan preto, como sempre elegante, com sua postura firme, olhando para uma televisão do estabelecimento em frente. E minha avó ao seu lado, corpo pequeno e esguio como sempre, cabelos presos nos famosos rabos de cavalo com presilha de laço preto.

Não contive o sorriso quando os vi, passaram-se alguns anos desde a última visita deles ao Havaí, e meus pais nunca cogitaram viajar pra cá quando eu era menor, até porque não iriam deixar minha irmã livre, leve, e solta no Havaí, e ficarem preocupados aqui. Corri um pouquinho mais, deixando Bruno pra trás. Minha vó me viu primeiro, cutucando meu avô de leve e abrindo um sorriso grande pra mim.

Nosso primeiro abraço depois de muito tempo. O cheiro aconchegante que só eles tem. Aquelas lembranças que vieram automaticamente, junto com algumas lágrimas fujonas que escaparam, ao lembrar que agora que tenho eles, não tenho meu pai e minha mãe. Vai ser difícil acostumar assim.

*Até uma certa parte da fanfic eu não irei entrar em detalhes sobre a carreira do Bruno. E também até mais ou menos o capítulo 10, as passagens de tempo serão em abundância, porque não quero encher o saco de vocês, mas preciso mostrar algumas partes de agora que serão importantes para o futuro.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Capítulo 3


Uns dias a mais se passaram, e minha amizade com Laila se tornando o pior impossível. Já não conseguimos mais ficar sozinhas, e por consequência eu acabo não falando nada pra ela, estamos desatualizadas uma na vida da outra. Ela está diferente, eu sei, e eu sinto. Sinto que ela viu que estou mais próxima do Bruno, e que estamos criando um laço de amizade mais forte, mas por outro lado ela não fala nada, afinal quem não dá assistência, abre concorrência.

Passei o intervalo sozinha, e Kai apenas me deu um oi de longe, com um sorriso meia boca. Claro que Bruno não falaria nada do que confidencio à ele, ou falaria? Provavelmente não.

Mas querendo ou não, aquela foi a dúvida que martelou em minha mente o dia todo, até eu me encontrar com Bruno na praça principal. Passava um pouco mais de sete da noite, e eu usava uma roupinha básica, com um casaquinho pela brisa da noite.

Sentada no banco, vendo todos saírem da praça, menos eu, e Bruno nunca chegar, avisto Kai chegando, com uma jaqueta colegial, cabelo mais bagunçado, e andar descontraído, apesar do seu maxilar estar trincado.

-Ah, oi. - Fico surpresa por ele sentar ao meu lado.

-Hey, tudo bem?

-Huh, tudo, e você?

-Estou bem. - Vejo um sorriso se formar, meio sem graça, e seu olhar percorrer pela praça.

-Veio encontrar alguém? - Não poderia ficar com a matraca fechada. Saco!

-Na verdade, sim. E você, pequena?

-Ah... - Óbvio que ele veio encontrar alguém, idiota sou eu por acreditar que ele poderia estar sentindo algo por mim também. - Também, mas acho que o Bruno me deu bolo.

-Sério? Então ele deu bolo em nós dois.

-Como assim?

-Ele marcou comigo aqui, perto das sete e meia.

-Sim, exatamente o que ele me disse, falou que precisava me ver e falar algumas coisas.

-Ele disse que precisava me mostrar umas letras, e uma melodia que compôs.

-Isso está no mínimo...

-Estranho. - Dissemos num uníssono.

Ficamos calados por um tempo, alguns minutos pelos meus cálculos, e o último casal que estava na praça se distancia para partir pras suas casas. O vento que o mar propagava agora bate em meu rosto, levando meu cabelo pra trás, e me causando arrepios.

-Ai. - Passo a mão sobre meu braço direito, me aquecendo daquela corrente fria.

-Seu cabelo está lindo.

-Obrigada. - Respondo sem graça ao seu elogio.

-Acho então que recebemos um bolo, sim?

-Acha? - Rio, na verdade sem achar graça. - O que deu nele em marcar os dois no mesmo horário.

-Talvez ele quisesse que a gente se encontrasse.

Meu rosto corou somente em pensar que essa fosse a real possibilidade do que ele fez. Caramba, poderia ter me avisado, agora estou um trapo na frente dele, e passando vergonha por ser burra, tapada, que não entendi o que estava acontecendo. Ele riu sem graça, mexendo o pé no chão. Podia ouvir sua respiração meio descompassada.

-Ah... - Dissemos ao mesmo tempo.

-Pode falar. - Limpou a garganta.

-Obrigada... Ia perguntar sobre você, sobre o que tá acontecendo ultimamente, e tal.

-Realmente? Nada. – Gargalhou, me fazendo o acompanhar.

-É que essa semana você estava mais afastado, aí pensei que pudesse estar mais ocupado.

-Apenas não queria sufocar você, e nem estragar seus momentos com a Laila.

-Acho que ela mesmo está fazendo isso. – Dou um sorriso sem graça. – Mas o que tinha para me perguntar?

-Ah. – Ficou um tempo analisando tudo, e então olhou para o meu rosto. – Você não vai sair correndo, vai?

-Depende! – O faço rir. – Claro que não. – Empurro seu braço de leve, é tão bom poder tocar nele.

-Passei afastado porque estava pensando, sabe, essa coisa de pensar muito tempo em uma pessoa só não é normal pra mim.

Bateu medo e pavor na hora. Ele está pensando em alguém, e por que eu tenho a leve impressão de que essa pessoa é uma menina? Argh! A raiva toma um pouco do meu corpo, junto com um ciúmes, pelo menos eu acho que é ciúmes.

-Ah. Ai queria um tempo para pensar?

-Sim! Falei com o Bruno sobre isso ontem, até achei que fosse por isso que ele tivesse me chamado aqui, pra conversar melhor.

-Talvez. Mas já que não tem ele, se quiser e sentir-se a vontade, tem eu! – Abri os braços, sinalizando de que só havia eu por ali mesmo. – Juro que não falarei nada.

Se não pode com eles, junte-se a eles. Se meu sonho de adolescente pode ser frustrado em segundos, que reste pelo ou menos uma amizade como a minha e do Bruno, porém com o Kai.

-Lea, eu nunca pensei em uma menina antes como estou pensando em você.

Não havia adjetivos para descrever o frenesi que estava sentindo. Fogos de artifício dispararam do meu peito, e era tudo que eu precisava ouvir. Então, foi por isso que Bruno armou esse encontro, porque Kai falou de mim pra ele, e ele sabe que eu tenho essa pequena paixão por ele. Eu tenho um dos melhores amigos do mundo!

Sorri, sem saber o que falar, nem o que fazer. E quando senti que ele ficou sem graça por ter falado aquilo, antes de fazê-lo se arrepender, segurei a sua mão e tomei coragem para olhar dentro dos seus olhos levemente rasgados e intimidantes.

-Que bom que compartilhamos pensamentos tão parecidos, Kai.

Não sabia o que vinha depois. Digo, já beijei dois meninos na minha vida, mas foram dois, e apenas uma vez cada um, tenho receio dele não gostar, de eu ser mal nisso. De fazer algo errado, principalmente. E, sem contar que, os outros beijos foram programados, do tipo: “ás 14:00, atrás da escola”. Eu já estava me preparando nesse meio tempo, mas agora além de ser do nada, há todo esse contexto de que, por um milagre, ele também está pensando em mim!

Kai se ajeitou no banco, de forma que conseguisse virar um pouco mais para o meu lado, e eu ajudei, me inclinando um pouco pra frente. Ele pôs a sua mão em minha bochecha, e fechou os olhos se aproximando do meu rosto lentamente. Fui indo no seu embalo, mas de olhos regalados, com medo de ficar com o rosto estranho e ele se arrepender do que está fazendo.

O beijo foi como comer abacaxi. Me senti nos céus com aquele sabor em meus lábios, algo mágico que sinto pela primeira vez. Não acostumada a fazer isso, o beijo acabou e ele me olhou, sorrindo, e logo em seguida dando um selinho em meus lábios.

-Foi bom o Bruno não ter vindo.



Havia largado os materiais sobre a classe da escola, Laila não estava na sala, então sentei na cadeira e fiquei olhando para a janela. O tempo estava meio estranho, havia sol, mas ele estava se escondendo todo o tempo atrás de nuvens xaropes. Nuvens que estavam tirando a beleza do dia.

Ouvi meu nome ser chamado, bem baixinho, então virei para a porta e lá estava Kai, sorrindo, e me chamando com o dedo. Verifiquei o horário no relógio, ainda tinha alguns minutos até a entrada do professor.

-Enfornada dentro da sala, que milagre. – Me cumprimenta com um selinho.

-O dia está meio xarope. – Torço os lábios. – E Laila ainda não chegou.

-Não chegou ou está com o namorado?

-Tanto faz.

Conversamos no corredor da escola, onde a maioria das pessoas estavam. Até seus amigos, mais ao fundo, conversando, e pelo que julgo, sobre futebol. Kai e eu estamos há mais ou menos cinco semanas ficando todos os dias juntos. Não juntos sempre se agarrando, mas procurando sempre estar no mesmo ambiente. Claro, sempre que possível nos beijamos, e até semana passada ele passou as mãos em minhas coxas, insinuando algo a mais.

Agradeço ao Bruno todos os dias, claro, ele é o melhor nisso. Ele é o melhor em me fazer sentir melhor. Ao falar nele, também o ajudei com Bethany, o ajudei a conquista-la, e claro, eles estão ficando, mas a maneira dele. Agora digo que está tudo se encaixando, ao não ser pelo fato de que perderei meu melhor amigo em pouco tempo, já que a formatura de Bruno será em um mês e alguns dias.

-Me perguntaram hoje se estávamos namorando, sabia? – Disse, enquanto acariciava minha mão. Quando estávamos somente eu e ele éramos assim, mas com os outros nos tratávamos normalmente, como amigos, mas todos do nosso grupinho sabem que estamos ficando.

-É, e o que você falou? – Passo a mão nos seus cabelos, tirando uma sujeira.

-Não respondi, não sabia o que falar.

-Porque? – Rio, um pouco nervosa.

-Porque você nunca me disse o que é minha.

-Até onde eu saiba, somos amigos... – Seu olhos me encararam por um tempo. Droga, eu precisava concertar o que falei. – Quer dizer, eu não fui pedida em namoro.

-Então é por falta de pedido?

-Talvez seja. – Abro um sorriso sapeca, e ele me beija.

Algo que já coloquei mais do que em prática. Passou a mão em meus cabelos.

-Eleanor, você quer namorar comigo?

Não fiquei vermelha, fiquei roxa! Caramba, como se reage a um pedido desses e principalmente pelo menino mais lindo e mais querido que já me apareceu, tirando meu melhor amigo, que pra mim é mulher. Eu não sei como é namorar alguém, posso me basear somente pelo exemplo de meus pais, minha irmã com Eric, e nos filmes que passam na televisão ou o que vimos em vídeo cassete. Claro, quero tornar longe de exemplo o casal Laila, porque não quero ser aquele tipo de pessoa que abandona tudo e todos pelo namorado.

Acho que não precisei responder ao Kai, pelo menos não lembro dessa parte. Fiquei toda boba durante a aula, e quando o intervalo chegou, ficamos com seus amigos, que foram super receptivos. E no final, acabamos reservando alguns minutinhos a sós.

Após a aula, me despedi de Kai e fui o mais rápido possível para casa. Precisava contar para a minha mãe, e para Bruno. Eles amariam saber. E minha mãe teria que preparar o campo com o meu pai, já que ele não vai aceitar ver a sua caçula crescer. Mas qual é, ano que vem eu já irei sair dessa cidade, desse estado, estarei sim, oficialmente uma garota crescida. Tenho que mostrar minha responsabilidade.

Minha mãe arrumava a cozinha, enquanto minha irmã estava pronta para sair ao trabalho. Papai como sempre trabalhando, então no momento que minha irmã sair, posso falar tranquilamente com minha mãe.

-Mamãe? – A chamei na porta da cozinha.

-Oi, meu bebê. – Ela retira a luva amarela que estava usando para lavar a louça. Coisa de mulher que não quer estragar as unhas.

-Podemos conversar?

-Claro. Agora?

-De preferência. – Abri um sorriso, para que ela se aliviasse e deixasse de pensar toda e qualquer bobagem que viesse a sua cabeça.

Nos sentamos no sofá da sala, e eu a observei prender o cabelo. Temos o mesmo jeito até pra isso.

-Mãe, a senhora lembra do Kai?

-Sim, como vou esquecer o menino que arranca suspiros dessa garota.

Sorrio boba, com vergonha de falar isso. Mas a verdade é que eu queria poder explodir dizendo que eu estou namorando.

-Hoje na escola, nós estávamos conversando, e ele... bem, mãe...

-Ele o que, meu amor?

-Ele me pediu em namoro! – Suspiro, aliviada. – Nós já estávamos nos encontrando, lembra...

-Meu bebê namorando, meu Deus. – Ela bate a palma das mãos, e me abraça, como se tivesse orgulhosa. – Como você está crescendo rápido, meu bem.

-É, mamãe, acho que não devo ser mais o bebê.

-Você sempre será meu bebê! – Minha mãe beija o topo da minha cabeça.

-Então, mamãe, preciso que a senhora prepare o caminho para o papai aceitar isso numa boa.

-Calma, querida. É claro que ele vai, não digo que ele não ficará meio com o pé atrás, afinal, é a segunda bebê que consegue um namorado, e que está crescendo rápido.

Tive um bom papo com minha mãe, ela é uma das melhores pessoas para se conversar, já que ela me vê além de filha, me vê como amiga também, isso facilita. Subi correndo para poder ligar para o Bruno, já que essa hora ele já deveria ter chego da escola.

-Alô? – Atende uma de suas irmãs.

-Oi, é a Lea. Posso falar com o Bruno?

-Oi Lea, só um minuto, vou chama-lo.

-Ok.

Esperei ouvindo a conversa. Ela gritando pra ele, o chamando de preguiçoso por querer que ela levasse o telefone até o seu quarto. Tocava alguma música bem alta, garanto que as meninas estavam limpando a casa. Bruno reclamou um pouco, e pigarreou antes de antes.

-Alô.

-Então quer dizer que você não quer me atender. Ótimo amigo que eu tenho!

-Lea? Droga, a Tahiti não disse que era você.

-Ah, então se fosse eu você atenderia rapidinho, não é? O que o medo não faz com uma pessoa.

-Medo de você? Eu? – Ele gargalha. – Aham!

-Eu sei que você tem, Peter.

-Peter não, sabe que prefiro Bruno.

-De acordo com os Estados Unidos da América, o nome que consta em sua certidão de nascimento é Peter.

-Certo, agora pare de agir como se fosse minha professora e me diga, está tudo bem?

-Maravihosamente, apesar do dia estar meio xarópe.

-Você falando xarópe parece minha avó. – Ouço sua risada e uma tosse junto.

-E você, como está?

-Eu estou bem, obrigada.

-Bem que hoje poderia ser sexta, não é? Estou louca pra ir no fliperama.

-Que bicho lhe mordeu?

-Por quê?

-Sei lá, está tão... alegre.

-Quer dizer que eu sou triste?

-Não... Hoje, particularmente, está mais viva.

-Quer dizer que eu sou uma morta?

-Cala a boca, Lea. Você me entendeu! Está até fazendo piadas.

Gargalhei, enquanto puxava o fio e a base do meu telefone para cima da cama. Deitei de bruços e suspirei.

-Tenho novidades.

-Eu também, mas não são empolgantes. Diga.

-Adivinha quem está oficialmente namorando?

-Fala sério! Kai finalmente tomou coragem?

Rimos um pouco mais, ele fazendo piadas sobre minhas perguntas, afinal eu não tenho essa intimidade com o que chamam de namoro, eu não sei como agir, o que fazer, então combinamos de eu receber aulas, do que ele auto intitula de “o mestre de tudo”.

-Mas, agora mudando de assunto, qual a novidade que me contaria?

-Ah, sobre a formatura! Vamos ter que usar terno mesmo, no baile e no dia da graduação.

-Eu falei! É assim mesmo, se acostume.

-Eu me odeio de terno.

-Ah, para!

-Fala assim porque nunca teve a oportunidade de me ver com um.

-Deve ficar lindo.

-Obrigada, mas é sério. Estou surtando.

-E quanto a acompanhante do baile?

-Convidei a Tami.

-Que fofo! E ela aceitou, claro?

-Óbvio. Quem recusaria?



Passei pelo menos duas horas me arrumando. Sim, baile era do Bruno, e não ficaríamos por muito tempo, mas a ocasião merece tudo isso. Após o baile iremos para a casa de uma das meninas. Formamos uma festa apenas para nós, onde podemos fazer o que quiser, já que a casa dela está liberada. A noite será maravilhosa.

Desci as escadas, e vi Kai ao lado do meu pai. Parece que em um mês e três semanas de namoro fizeram do meu pai e Kai amigos bem próximos. Eliza me olhou dos pés a cabeça.

-Até parece gente! – Pôs a língua pra mim, assim quando ela falou, chamou a atenção de Kai.

-Você está linda, filha. – Minha mãe diz, na ponta da escada. – Até parece o seu baile.

Recebi quinhentas recomendações de minha mãe, e claro, meu pai encheu Kai de coisas que eu não poderia fazer e que ele deveria ter cuidado, afinal, já programei que não voltaria pra casa após essa noite, assim posso beber sem pensar em como vou vir pra casa sem parecer uma alcoólatra. Entramos no carro do pai de Kai, que nos largaria no baile de Bruno. Combinamos de nos encontrar na frente do ginásio.

Sobre como foi meu encontro com os pais de Kai, diria eu que foi mil maravilhas. Adorei a mãe dele e sua irmã mais nova. Seu pai parece ser mais sério, mas quando abriu a boca, soltou cada piada engraçada, que sua visão de homem sério foi pelo ralo comigo. Kai tem um irmão mais velho, o qual mora com a esposa do outro lado da ilha.

Descemos do carro, e eu peguei a sua mão. Muitas pessoas estavam chegando, e nosso grupinho de amigos já estava ali. Todos bem produzidos, e claro, ansiosos para a noite.

-E ai pessoal! – Kai cumprimenta todos de longe.

-Oi, gente.

-Oi. – Disseram num uníssono.

-Pronto para levar a coroa de rainha, Bruno? – Perguntei enquanto beijava a sua bochecha.

-Sempre. Desculpa Tami, mas a coroa é minha!

Não pude deixar de notar o quanto Bruno estava lindo. Usando seu afro penteado, e com os cachinhos modelados, molhados com algum produto. Um terno, sem gravata, apenas a manta de flores finas em sua mão para pôr assim que entrar. Estava todo de preto, como ele estava lindo. E Ryan, outro que não se escapa. Ele realmente estava lindo e me surpreendeu. Seus cabelos lisos penteados naquele corte meio H-man.

Prosseguimos por um tempo conversando, até todos chegarem e entrarmos no ginásio. Conversei com as meninas, e conheci Tami melhor, ela realmente é um amor de menina, super atenciosa e querida.

O baile foi lindo, e com certeza Bruno não ganhou como rei, já que ele nem quis se inscrever. Fiquei a todo o momento imaginando o meu baile, e até me emocionei com tudo aquilo.

Sei que ta meio parado ainda, mas isso é até o capítulo que vem, depois as coisas melhoram. E desculpa se está meio apressado, mas não quero estar enchendo vocês de capítulos grandes e coisas maçantes que não trazem nada a história. Espero que estejam gostando <3