Essa vida não é fácil, não sou feito de ferro
Não esqueça que sou humano, não esqueça que sou real
(I'll show you - Justin Bieber)
O dia havia sido tão excitante, tão família, que a noite se tornou uma tormenta.
Encostei a cabeça no travesseiro para dormir e a imagem dele se fez em minha cabeça. Não adiantou virar de um lado para o outro, ele estava ali na minha mente e eu ainda me sentia parcialmente culpada.
A culpa não é minha por sentir-me assim. Não era meu hábito magoar as pessoas. Meu hábito e sina é ser magoada. Pelo jeito!
Fiquei tão aflita com isso que passei o dia pela minha mente. A forma como eu poderia congelar o tempo somente naquela tarde, nas brincadeiras com a Lana, na formação de um quebra cabeças, nas bonecas, nas roupas e acessórios que ela pôs em seu pai, as Barbies que carregava de um lado para o outro, nas peças de Leggo atiradas pelo chão... Tudo isso englobou uma tarde perfeita. Perfeita até o momento que eu lembrava que não nos falamos a tarde toda. Literalmente.
Trocamos algumas frases em virtude do jantar ou alguma coisinha da Lana.
Não podia dormir com aquele peso em meu peito.
Levantei da cama sentindo frio, mas aguentei. Ele não estava no seu quarto, nem no quarto da Lana. Procurei-o na sala, mas também não estava. Só restava um lugar para onde ele ia constantemente além desses, o estúdio!
Abri a porta e o vi sentado no sofá, tocava algumas músicas de fundo e ele ia pronunciando algumas palavras desconexas e pondo no papel, o que deveria ter muita conexão para ele. Fechei a porta para não atrapalha-lo, ai sim ele ficaria mais bravo.
-Entra! – Ele diz um pouco mais alto e eu paro de fechar a porta.
-Deixe pra amanhã. Boa noite.
-Pode entrar, tudo bem!
-Mas você está compondo. – Pus minha cabeça para vê-lo.
-Apenas anotando umas palavras chaves para não me esquecer. Uma música nova. – Balançou o caderninho e o tocou na mesa de centro. – Entre!
-Ok. Com licença. – Pedi, adentrando o estúdio. – Álbum novo?
-Quero lança-lo o quanto antes.
-Músicas sobre o que?
-Não falei? – Torceu os lábios. – Deram carta-branca! Posso fazer da minha maneira, sobre o que eu quiser. Disseram que estão apostando tudo em mim. E eu estou tremendo por isso.
-Não fique assim. – Sentei-me afastada dele, mas no mesmo sofá. Caberia duas Lana’s entre nós. Assustei-me com o que ele disse. Sabia sobre o álbum novo, mas essa história de carta-branca só soube agora. Estou feliz por ele, mas isso só me faz pensar que Bruno não me contou porque esqueceu ou porque achou que não era do meu interesse, onde as duas possibilidades levam a um só caminho: Bruno não confia a mim tudo que acontece em sua vida como antes. – Sei que irá arrasar.
-Obrigada. – Pegou um copo que estava a sua frente. – Não é bebida, antes que faça uma cara feia.
-Imaginei que não fosse. – Dou um risinho sem graça. – Mulheres compromissadas não bebem toda a hora.
-Mulheres? – Ele demorou para assimilar do que estava falando. Fiz o gesto da sua tiara e da pulseira que Lana pôs a tarde. – Ah. – Riu livremente. – Ser pai de uma menina é uma surpresa atrás da outra.
-Imagina mãe. – Ri. – Ainda tem muitos momentos para surpresas com ela.
-Imagina a adolescência chegando? – Passou a mão pelos cabelos emaranhados. – Aniversários, festas com as amigas...
-Namorados...
-Isso não! Só depois dos vinte e um.
-Vinte e um? – Começo a rir. – Pense bem, o que não liberará para ela, ela irá fazer escondido, e há certas coisas que é melhor fazer com a sua supervisão do que por aí.
-Tem razão... Mas não suportarei ver minha pequena saindo com um cara. Não pode.
-Isso irá acontecer.
-Daqui muitos anos, ela pode não saber o que é namoro e esses lances de beijar, transar...
-Vai priva-la de informações?
-Sim, assim me previno de ataques cardíacos. Tudo em prol de todos. – Começamos a rir em sincronia, e paramos juntos, nos encarando. Pigarreio, porque na verdade meu corpo está tremendo. O assunto estava gostoso demais para começar a cavoucar em marés ruins. – Não conseguiu dormir?
-Na verdade, não. – Dou de ombros, relaxando os ombros e as costas.
-Eu também não, faz dias.
-Por onde andou quando sumiu esses dias? – De alguma forma precisávamos começar esse assunto.
-Primeira noite fui pra casa do Brandon. Depois, os outros dois dias, passei dentro do quarto de um hotel. Compondo, descansando como podia, tentando absorver tudo.
-Me preocupei com você.
-Mas não precisava. – Se saiu com a defensiva.
-Eu sei que não, sei que está sempre seguro. Não me preocupei com o Bruno Mars, o famoso. Me preocupei com o Bruno!
-Eu estava bem.
-Mas eu não sabia que você estava bem, até ver que você estava no Twitter. Depois Phil me disse que estava bem. Pode baixar a guarda, pelo menos dessa vez?
-Tudo bem. – Ficou um silêncio completo ali dentro. Somente a música de fundo que ajudava a criar um clima mais tenso. – Eu precisava desvairar minha cabeça. Precisava pensar!
-Eu sei disso. – Estalo um dos dedos das mãos. – Bem, vou deixar você continuar com seu trabalho. – Levanto do sofá, mas sua mão na minha faz eu não dar um passo para fora dali.
-Eu fiz por ciúmes.
-O quê?
-Isso tudo. – Gesticulou com a outra mão e puxou-me para sentar, ainda distantes um do outro. – Eu fiz por ciúmes de você, Lea. Não queria ver ninguém tocando você além de mim, não queria ver ninguém beijando a boca que eu sei que era minha. Não suporto quando vem na minha mente que o Kenji teve tudo que eu tenho de você. Não queria exclusividade, só queria você!
Não tive tempo de engolir o que ele falou na hora que falou, por isso fiquei com a cara de idiota olhando para ele com a boca semiaberta, sem saber o que dizer. Era bastante coisa Bruno dizer que estava com ciúmes de mim... Na verdade, era muita coisa!
-Eu sinto ciúmes de você, também, mas nunca precisei agredir ninguém.
-É diferente, Lea. Merda... Coloque na sua cabeça. Imagina se fosse eu com a Megan, como iria se sentir? Com raiva? Traída? Porque foi assim que eu me senti. – Respirou fundo. – Todos os caras sabiam de mim e de você, ele principalmente! Porque diabos ele fez questão de fazer isso então?
-Porque... Bruno, é complicado. No ano novo, em Vegas, quando levei a Lana pra você...
-Foi desde lá? – Se espantou.
-Sim... Bem, nós estávamos brigados, eu estava brava com tudo aquilo, tinha cansado de ver você aproveitando a vida e eu parada. Então rolou, rolou, e continuou rolando esse tempo todo.
-Quando falou que era quase três meses, nunca suspeitei do ano novo.
-Pois é.
-Você ficou magoada com tudo isso, não foi?
-O que acha?
-Lea, eu juro, nunca foi minha intensão, mas eu não sabia o que estava rolando, nós não tínhamos falado nada sobre isso.
-Nunca é a intensão!
Acho que baixamos a guarda. Seu olhar baixou sobre o meu, e ele pareceu genuinamente arrependido. Meu coração batia um pouco mais acelerado, estava nervosa sem um motivo aparente. Seu toque em minha mão se transformou num aperto e ele a segurou direito, transmitindo uma onda energética para o meu corpo, arrepiando-o.
-A verdade é que eu sinto ciúmes de você, e não é pouco, não é de agora.
-Nós nunca fomos sinceros um com o outro. – Torço meus lábios, olhando para nossas mãos unidas. – Eu sinto ciúmes de você há muito tempo.
-Lembra do Kai? Porra, Lea... Aquele dia eu morri! Não sei o que deu em mim para me controlar com ele... Ele deu em cima de você e eu estava ali.
-Mas se você tivesse dito algo...
-Você também não dizia. Você sabe que estou sempre em cima do muro, tanto que queria ter essa conversa, mas ao mesmo tempo não queria. Nesses três dias você me ligava, eu não atendia, mas ficava encarando, louco pra atender. Fui egoísta em não lembrar da minha própria filha e em como ela ficaria com isso.
-Você foi egoísta e covarde.
-Não precisa tocar na minha cara! – Suspirou. – A verdade é que, Lea, eu gosto de você! É só isso. Eu gosto de você!
Foi como socos atingissem meu peito, fazendo-me sufocar e querer tossir sem parar mais. A voz em tom aveludado, tímido, diria eu e baixa, me fez viajar por segundos para bem longe dali. Pensei no inverno, não me pergunte o porquê. Pensei no frio, no vento que bate na pele e faz um choque térmico com o calor do corpo, inundando tudo e deixando-nos congelados.
Essa era a palavra: congelada!
-E eu gosto da minha vida. Entende?
-Hã?
-Nós podemos apenas continuar com isso? – Segurou minha outra mão olhando para meu rosto, passando-me um pouco de firmeza. Por um segundo pensei que estivesse sentindo dó dele. – Continuar dessa forma, juntos...
-Está me propondo, novamente, algo não-oficial?
-Vamos somente deixar levar. – Seu sorriso me desarma. – Tentar.
-Em que momento paramos de tentar? – Pergunto e ele também se vê sem resposta.
Quando conversei com Umma, falei sobre a segunda chance que daria, para ver se ele realmente quer tomar um rumo na vida ou entre nós nada pode haver. Comentei com ela sobre a vontade que eu tenho de encerrar tudo no momento que ele pisar na bola pela segunda vez, afinal, eu vou viver a minha vida. Dessa vez já será diferente do que era antes.
-Não sei. – Ajeitou-se, arrumando suas pernas e ficando um pouco mais perto de mim. – Mas vamos continuar, vamos tentar... Vamos deixar o tempo dizer sobre nós? Ok?
-Você sabe que, se ir viver a sua vida, eu viverei a minha. Livres, os dois. Ok?
-Tudo bem. Você poderá fazer o que quiser, mas por favor, que não envolva meus amigos.
-Palhaço. – Bato no seu braço e ele ri. – Ninguém manda ter amigos gostosos. O próximo será o Kam.
-Gostosos? – Fez uma careta de nojo. – Mais do que eu?
-Hm. Não lembro de você.
-Não lembra?
-Faz tanto tempo. – Dramatizo. Mas também não tanto. Estamos sem transar há muito tempo mesmo, uns seis meses, praticamente?
-Verdade. – Aproximou-se um pouco mais. – Mas, voltando ao assunto. Como éramos antes, então?
-Como éramos. – Ofereço o melhor sorriso a ele, e a melhor proposta de segunda chance. Nada fica como era, vamos ter que construir tudo novamente.
Vamos combinar, todos merecemos uma segunda chance. Não direi a ele que, se isso não levar em nada novamente e se eu me magoar novamente, irei simplesmente largar de mão e tocar minha vida. Afinal, não quero chegar aos trinta anos sem nenhum namorado, sem nenhuma vida fixa, estabilizada. Estabilizada emocionalmente!
Quero ser uma mulher que obtém as próprias conquistas, quero suprir e ser suprida. Ou seja, eu quero ser dona de mim, mas também preciso daquele afago quando chegar em casa, de um namorado que me leve ao cinema nas quintas feiras, de uma noite de jantar e loucuras numa praia por um final de semana. Quero sentar e conversar, beijar e fazer amor escondido durante um almoço de família. Sabe essas loucuras? Eu as quero! Preciso ter alguém para isso, e se esse alguém não for o Bruno, irei procura-lo por minha conta. Não há conquista sem luta, não posso esperar sentada esperando que caia alguém especial dos céus.
-Estava pensando em fazermos algo amanhã. O que acha? – Nossas mãos foram unidas novamente. Minhas pernas se encontravam com as dele, e o seu toque causa o mesmo arrepio de antes.
-Amanhã eu trabalho.
-Você poderia faltar...
-Não! – Respondi, com medo de ter soado grosseiro demais, então complementei. – Faltei quinta feira, por conta da Lana e de uma dor de cabeça infernal.
-Desculpa. – Beijou o dorso da minha mão esquerda. – Da próxima vez fico apenas uma noite.
-Ah, então haverá uma próxima vez? – Puxei minha mão e ele riu, puxando-a de volta.
-Não haverá.
-Mas você disse...
-Esquece o que eu disse.
Bruno inclinou-se sobre mim, fazendo meu corpo adaptar-se com o que tinha atrás. Minha cabeça ficou no ar, o sofá do estúdio dele há uma única guarda e não é do lado em que estou. Começo a rir por ter que me equilibrar.
-Você cuspiu na minha cara. – Fez uma cara de nojo.
-Desculpa se estou caindo. – Ri de nervoso.
Bruno rolou seu corpo para o lado e levou o meu consigo. Batemos no chão, rindo como uns idiotas. Minhas pernas ficaram uma de cada lado das suas, subi um pouco até o meio de suas pernas, me instabilizei por ali e joguei meu corpo pra frente. Prendi as mãos do Bruno sob a sua cabeça e fiquei olhando para o seu rosto. Meu cabelo estava caído em cascata sobre meu ombro, para o lado.
-Sério que eu estou preso e eu terei que tomar atitude?
-Atitude de que? – Sussurro.
Não esperei que ele tomasse por aquela atitude, eu mesma a fiz. Beijei seus lábios de leve e, pouco a pouco, introduzimos nossas línguas naquele beijo. Bruno me parecia tão saboroso após esse tempo todo. Senti saudades da sua boca na minha.
Ao soltar suas mãos, elas repousaram em minhas costas. Nada com malícia, apenas nosso beijo depois de tanta tempestade. Não posso negar que na minha cabeça ainda girava coisas como “eu senti ciúmes de você” ou “eu gosto de você, Lea”.
-Eu tinha esquecido de como era bom te beijar sem pressa. – Colocou meu cabelo para trás da orelha.
-Eu tinha esquecido de como é ficar mais do que dez minutos no mesmo cômodo que você! – Deu um risinho sem graça e passou seu dedo indicador sobre meus lábios.
-Não quero levar as coisas como antes. Ok?
-Tudo bem.
Inclinei-me novamente para alcançar seus lábios. Avancei um pouco o ritmo em que estávamos. Bruno continuou calmo e eu tive que me adaptar a ele, mas nada impediu que minha mão passasse por seus braços e pousasse em seu peito. Saí de cima dele, sentando no sofá.
O vi se ajeitar sobre meu corpo recostado e tomar cuidado para não pôr seu peso em mim. Coloquei uma das mãos em suas costas e a outra em sua nuca. Aprofundei o beijo, novamente e novamente ele continuou lentamente. Puxei de leve seus cabelos e arranhei suas costas.
-Quero lembrar você que não é somente sexo, tudo bem?
-Eu sei. – Sei que terá mais sexo do que qualquer outra coisa.
-É sério, Lea... Não é apenas sexo. – Tirou minha mão da sua nuca, com carinho e a pôs em suas costas. Ouvi algo como “vamos com calma”, mas não consegui ver se era isso mesmo.
Nosso beijo se retornou com direito a mais lentidão, porém com leves mordidas e selinhos entre as paradas. Estava ótimo, mas não posso negar que estava ficando excitada, e muito. Tenho saudades do seu sexo e do seu toque no meu corpo.
Levantei sua camisa e arranhei suas costas de leve, ele arrepiou-se por inteiro. Então continuei a arranha-lo e deixar meus dedos percorrerem toda a extensão de suas costas. Mordi seus lábios mais forte e ele não parou quando aumentei um pouco mais a velocidade. A atitude tinha que ser minha.
Coloquei minha mão em sua perna e subi até a cintura da sua calça.
-Lea. – Falou, cortando o beijo. – Não. – Tirou minha mão, novamente com cuidado. – Falei que não quero apenas sexo. Quero aproveitar nosso momento, estamos retomando hoje com o que tínhamos antes, podemos apenas nos curtir? Curtir esse momento... – Deu um selinho em minha boca.
-Ah. – Respirei um pouco fundo. – É que estou com saudades suas.
-Eu também, acredite. Mas estou com saudades de conversar com você, tanto quanto transar. Como dissemos antes, ultimamente não ficamos nem dez minutos sem soltar alguma faísca.
-Eu sei. – Engoli minha saliva e recolhi minha mão rejeitada para mexer em sua gola, me sentindo uma pervertida. – Mas quero saber o verdadeiro porque de não fazermos nada hoje? Poderíamos muito bem conversarmos e depois fazermos? – Não o olhei, deveria estar com as bochechas vermelho-pimenta de tanta vergonha.
-É por isso mesmo. – Ajeitou-se, sentando ao meu lado e pegando minhas mãos para abraça-lo. – E também porque eu estava com alguém hoje de manhã...
-Hoje de manhã? Mas quando acordei você estava com a Lana.
-Você acordou passava das onze. Eu acordei cedo, umas oito horas. Umma passou aqui para ajudar você, nós conversamos sobre meu breve sumiço e eu sai por uma hora e meia, quando voltei fiquei brincando com a Lana na sala e dispensei a Umma.
-Ah. Namorada?
-Não. – Riu. – Eu te falei que quero tentar algo diferente com você. Não posso começar a tentar algo diferente fazendo o mesmo que fazia antes, pegando você com o corpo sujo de outra mulher.
-Tudo bem. – Havia fofura, havia ciúmes, uma pontinha dele. Não falei nada. Se eu perguntasse algo sobre a mulher iria ficar com ciúmes e imaginar eles juntos, e agora eu sei que faria isso, diferente de muitas vezes que nem liguei. E também tinha muita fofura, pois por ele já admitir que estava com outra e que não queria transar comigo de corpo sujo, era bastante perto do que tínhamos antes.
-Podemos fazer isso amanhã e apenas ficar juntos hoje?
-Temos todo o tempo do mundo. – Beijei o topo da sua cabeça.
-Acho que estamos ao contrário. – Riu. – Eu é quem deveria estar te aquecendo no calor dos meus braços.
-Não somos tradicionais, Bruno.
Vinte de Maio de Dois mil e doze
Há mais ou menos dois meses nós dissemos: vamos tentar novamente.
E ainda estamos tentando. Bruno está um amor, se vê um pouco distante por causa do estúdio – cada coisa no seu tempo -, mas está mais atencioso. Ele jura que não ficou com mais ninguém, mas eu tenho quase certeza que ele já deve ter pego alguma mulher. Só não falo nada, pois não quero impor cobranças, quero deixar assim, até porque se eu tiver que sair do meio disso tudo, posso sair sem me enforcar.
Primeiramente não posso cobrar dele não ficar com ninguém, afinal, somos livres e combinamos isso. Já pus em minha cabeça que no momento em que tudo voltar ao que era antes, ao invés de se ajeitar, eu saio dessa para não voltar mais. Irei seguir com a minha vida.
Bruno está só em casa, mas vejo ele menos do que via quando estava viajando. Ele está em função do seu segundo álbum, e o tempo está passando rapidamente. A gravadora deu até o final do ano, mas acho que até antes ele vem. Já está tudo se encaminhando e ele está super ansioso para ver o que acharão.
E, além de tudo, depois que ocorreu tudo aquilo, Bruno tinha pedido para tirar o Kenji da banda, mas ele afastou-se por conta. Quis sair antes que dessem o pé na bunda dele. Falei com ele algumas vezes depois e ele está bem, disse que não guarda nenhum tipo de rancor sobre tudo que aconteceu, mas tenho quase certeza que o Bruno ainda guarda.
Seu número de fãs e de reconhecimento a cada dia cresce mais e mais. Muitas pessoas falam dele, muitas o elogiam, e nossa casa também recebe alguns amigos dele que são famosos. Me sinto desconfortável, mas ao mesmo tempo surtando por tudo isso. Nunca me acostumarei com essas loucuras.
E ele com a Lana não poderia estar melhor. Nossa pequena a cada dia cresce mais e fica mais inteligente. Agora ela está nas aulas de balé e não tem nada melhor do que pega-la para ensinar os passinhos que aprendeu em sala de aula. Eu assisti três aulas suas e Bruno apenas foi leva-la duas vezes, pois não pode ficar, porém irá ter uma apresentação de inicio de verão e nós dois vamos. Estou ansiosa para ver ela apresentar a dança em cima do palco. Garanto que roubou o carisma do seu pai.



