Se você estiver se sacudindo e se virando
E você simplesmente não consegue adormecer
Eu vou cantar uma canção ao seu lado
E se você esquecer o quanto você significa para mim
Todos os dias eu vou lembrá-la
(Count On Me - Bruno Mars)
(Count On Me - Bruno Mars)
Bruno Pov’s
Não adiantou todos me dizerem para não roer as unhas. Passei a noite em branco e cheguei cedo no estúdio. Brandon queria me matar, dizendo que eu estava com olheiras, mas estava pouco me lixando pra aparência, queria apenas que chegasse aquele momento.
Quando a primeira loja abriu, com meu CD exposto na estante, Ryan me ligou. Ele esperou na frente dela até que alguém comprasse. Liguei para o Phil comemorando e tweetei por um longo tempo sobre a felicidade que eu me encontrava.
-Porra, Lea! Eu estou lá, caramba! – Gritei no telefone, e ela riu, boba, com minha alegria.
-Eu falei que chegaria lá, ainda irá crescer muito mais que isso. Hoje é o primeiro dia de muitos que virão, cheios de alegria, sucesso, e você fazendo o que tanto ama. Eu nunca deixei de acreditar em você, seu potencial é muito maior do que imagina!
-Obrigada. – Me sentia emocionado demais, não ao ponto de chorar, mas sim de rir, de gritar, de querer explodir com essa felicidade. – Obrigada por tudo, desde sempre.
-Juízo, Bruno. – A ouço dizer, sei o porquê disso. – Quero a sua felicidade, então hoje saia pra curtir com os caras da banda, com o Phil, Ryan, e todos mais. Mas se cuide.
-Eu vou, Lea. Eu vou! – Gritei, gargalhando e ouvindo sua risada.
-Vou desligar, preciso voltar a trabalhar. – Bufou. – Parabéns mais uma vez!
-Obrigada, obrigada, obrigada! Eu te amo, Lea, nunca esqueça disso.
-Eu também te amo, Bruno. Divirta-se.
Assim que ela desligou o telefone, tomei mais dois drinks com os caras da banda e do estúdio, recebi algumas ligações e verifiquei meu twitter. Meu número de seguidores começou a crescer absurdamente do nada. Eu não poderia estar mais feliz.
A ligação completou quando terminei de ouvir a moça do telefone. Minha mãe atendeu com uma porção de barulho em volta.
-Estamos aqui no seu tio Christopher. Estamos todos felizes e já fomos à loja buscar o CD, meu filho!
-Mãe... – Estava sem palavras. – Eu estou tão feliz. Falei que um dia chegaria aqui, e cheguei! Obrigada por sempre confiar em mim. Meu coração vai soltar do meu peito.
-Acalma-se para não sofrer um infarto de emoção! – A ouço rir e meu pai tomar o telefone dela, mas ela pega novamente. – Seu pai quer falar com você.
-Filho! – Meu Senhor tosse em meio a sua risada. Podia sentir o contágio de sua alegria daqui. – Quem diria que você chegaria aí, hein! Está preparado para chegar mais longe? Prêmios, shows, mais prêmios, fãs, mais músicas... Esse mundo é seu, filho.
-Eu não consigo nem me controlar. – Minhas mãos tremiam. – Mal vejo a hora de poder abraçar vocês e agradecer pelo talento que puseram em minha vida quando me fizeram. Obrigada.
-Eu tenho muito orgulho de você!
-Cabeça de bagre, nós te amamos. Arrebenta com tudo! – Escuto a voz da Tiara e sou obrigada a rir.
-Obrigada!!!
-Diz pra ele vir nos visitar. – Identifico a voz do Tio Chris.
-E que ele pague minha passagem pra Califórnia. Quero umas gatas de lá.
-John! – Minha mãe repreende meu outro tio.
Eu não cansaria de agradecer a todos que me ajudaram, me ajudaram a crescer e a chegar aqui. A quantia de mensagens lindas que recebi, os apertos de mão, e até aqueles “nãos” das gravadoras, de tudo isso é feito os degraus que subi. Agradecer a Deus também, por permitir que minha vida fosse abençoada dessa forma tão mágica.
“Você consegue isso! Esse é o meu garoto... Parabéns.”
Vejo a mensagem de Caleb e sorrio, antes mesmo que pudesse responder, chega outra mensagem.
“Adivinha quem está com um Doo Wops & Hooligans em mãos? Óbvio que é uma das suas maiores fãs. Parabéns pelo CD, Bruno, está maravilhoso.”
Agradeço a Caleb e Megan por todo o carinho e consideração, eles me ajudaram a crescer mais e mais, me ajudaram quando eu precisava e sempre me apoiaram.
Respondo mais algumas mensagens de outras pessoas, inclusive da minha antiga chefe, que dizia estar muito feliz pelo meu progresso. Quanta honra num único dia. Meu peito estava pulando, em minha cabeça tocava uma sinfonia toda de músicas alegres, até mesmo We are the champions. I’m the champion, world. I’m.
Passamos o resto do tempo comemorando. Cheguei em casa para me arrumar e Lea estava brincando com a Lana, que levantou assim que me viu.
-Papai, brinca com a gente? – Disse da sua forma, um pouco tímida.
-Papai tem que sair, L. – Avisa Lea.
-Eu volto para brincar com você, minha princesa. – Abaixo-me para beijá-la e ela ri das poucas cócegas que faço.
-Mandou bem. – Lea continua sentada. Aproximo-me dela para agradecer o carinho e beijo levemente sua boca. – Se arrume bem lindo e aproveite.
-Obrigada, por tudo. – Passo a mão sobre o seu cabelo. – E aí princesa do pai, do que estão brincando?
-De boneca! – Mostrou-me duas bonecas atiradas no pequeno espaço da sala. Eu preciso da casa nova, preciso que ela tenha espaço para se criar divertidamente.
-Papai leva você amanhã no parquinho, que tal?
-Eeeeee! – Sorriu, abrindo os bracinhos. – Mamãe, vai ir com a gente amanhã?
-Mamãe tem que trabalhar. – Ela torce os lábios, mexendo nos cabelos.
-Vou me arrumar. – Atiro um beijo pra elas e me mando para o quarto.
Fico atrás de uma roupa boa, depois atrás de um belo chapéu. Tomo meu banho e me arrumo, demoro mais em ajeitar meu cabelo. Após isso, vejo Lea dando o jantar para Lana, que olhava para a televisão enquanto comia. Não me despeço, atiro outro beijo e saio porta a fora.
Eleanor Pov’s
Era normal passar noites cuidando da Lana, sozinha em casa. Assistindo algum seriado, um filme, um programa idiota de modelos ou algo sobre culinária. Não fazia nada, além disso, e sinceramente esse não é o meu pique de sobrevivência, mas faço de tudo pela Lana, dos maiores sacrifícios às coisas impossíveis.
No meio da noite que passei praticamente acordada, me assustei diversas vezes assistindo Supernatural. Derrubei as pipocas no chão e levantei para juntar. Abaixei-me no tapete e catei uma por uma, pondo novamente no pote. Ao lado de uma das pipocas que caiu quase embaixo do sofá, havia uma pequena cordinha azul.
A puxei, curiosa, dando com os olhos num sutiã azul turquesa com rendas preta. Arqueio a sobrancelha, pondo-o em minha frente. É claro que o sutiã não é meu, nunca tive um dessa cor, e os peitos são maiores que os meus. O largo no chão e fico olhando para ele.
Isso só pode ser coisa do Bruno, mas como é que aquilo foi parar ali? Na minha sala? Eu limpei a casa de cabo a rabo na sexta feira, porém no sábado passei o dia fora... Só pode ter sido nesse meio tempo, ou enquanto eu estava dormindo, mas... Ele não teria essa coragem toda!
Peguei novamente, com certo nojo e o largo no meu quarto. O sutiã é lindo, mal imagino como deve ser a calcinha do conjunto, mas de pensar na cena, dá enjoo. Envolvo uma sacola nele e volto para a sala. Decido que não irei ver mais nada.
ზ
Trabalhei o dia todo normalmente, fazendo toda a minha rotina e planejando novos métodos com a Patricia.
-Estamos indo bem com isso, estou gostando. - Fechou seu arquivo.
-Se mostrarmos mais empenho, poderemos ganhar uma promoção no final do ano. - Comento. - Imagina se isso acontece.
-Se acontecer, vamos mostrar que somos super poderosas.
-Só penso no dinheiro e nas mordomias. - Fui sincera com ela, enquanto tacava o grampeador no fundo da gaveta.
Patricia deixou-me no meio do caminho para casa. Peguei uma condução e em poucos minutos cheguei. Minha recepção na porta foi a melhor, Lana veio correndo e me abraçou. Bruno estava no sofá, atirado, parecia estar muito cansado.
-Oi. - Digo para ele.
-Boa tarde. - Ajeitou-se ao me olhar. - Como foi de serviço?
-Bem... E a festa ontem?
-Foi ótima. Recebi cada telefonema. Brandon disse que ainda é cedo para tirar uma margem, mas ele acha que até o fim da semana irá aumentar as vendas.
-Claro que vai. - Largo minha bolsa. - Eu acredito que sim. Foi ao parquinho, amor?
-Fomos. Papai me deu algodão doce. - Seu jeitinho errado de falar me conquistava cada vez mais. Meu amor por essa menina cresce a cada minuto, inexplicavelmente. - Fiz dodói. - Apontou para o joelho levemente ralado.
-Aprontando, né. - Afago sua cabeça e estalo meu pescoço.
-Lea, estava pensando sobre algumas coisas... Andou vendo a casa que eu pedi?
-Não. - Franzo a testa. - Achei que fosse alguma piada.
-Não é, eu quero. Vamos visitar algumas casas assim que você achar algumas. Quero dar espaço para a Lana crescer, quero comprar alguns instrumentos para tocar em casa também, além do teclado e do violão, que isso só não basta.
-Ok. Ao seu gosto! - Rendo-me, sentando no sofá.
-Também estava pensando sobre a babá... Assim que nos mudarmos, precisamos contratar uma.
-Vou ver algumas indicações...
-Deixa que eu coloco um anúncio e veremos quem irá aparecer.
-Não confio muito. - Sou insegura para essas coisas, só de pensar em deixar a Lana sozinha por muito tempo com uma completa desconhecida, me dá calafrios. - Mas você que sabe.
-E, bem, a partir de semana que vem estarei viajando todos os dias da semana, vamos nos comunicar apenas por telefone. Então, eu vou deixar dois cartões pra você comprar as coisas que precisar, e para a Lana também. Queria ver se sua avó ficava com ela por enquanto.
-Com certeza fica, ela ama a Lana.
Conversamos mais um pouco antes de começarmos a fazer a comida. Bruno me ajudou, como não fazia há tempos. Juntos cozinhamos e juntamo-nos para comer a mesa. Lana desfrutou um pouco da comida, mas fez doce para comer como é mais que comum nessa idade.
Li uma história para ela antes de dormir, depois que já tinha dado banho e arrumado suas coisinhas. Troquei minha roupa por um pijama e peguei a sacola do sutiã sobre a escrivaninha. Aquele aperto chato voltou, mas não era raiva, ela uma espécie de sentimento estranho.
-Como alguém vai embora sem sutiã? - Digo num tom engraçado, chegando na sala com o sutiã descoberto na ponta do dedo indicador. - Acho que isso é seu.
-Meu não é. - Riu, como um idiota.
-Pode ter certeza que disso eu sei. - Respondo num tom ameno, porém, agressivo. - Devolva isso a ela, ela pode precisar para usar o conjunto. - Toco o sutiã pra ele, que pega de mal jeito e fica confuso. Toca o sutiã ao seu lado e olha-me ir para a cozinha.
Pego meu copo de água e volto para a sala.
-Você está brava? - Bebo um gole e olho pra ele. - Chateada?
-Nenhum dos dois, Bruno. - Respondo tranquilamente, bebericando mais um pouco. - A vida é sua, você é grande para saber o que faz e o que não faz. Só não queria que trouxesse mulheres pra dentro de casa. Isso é falta de respeito a mim e a sua filha, que é pequena!
-Eu errei. Deixei-me levar pelo momento, pelo calor, e acabei não pensando. - Mal se desculpa e já vai levantando, carregando o sutiã consigo.
-Pensa com a cabeça de cima da próxima vez. - Entico com ele, que sai rindo.
Não sou mulher de fazer escândalo por isso. É um sutiã de mais uma das mulheres que ele está acostumado a comer. Porque eu ficaria brava? Irritada? Chateada? Não há motivos. Apenas me senti uma idiota, desrespeitada, por que a casa não é para isso. Há hotéis e outros lugares para essas coisas.
Ok. Estou chateada.
Uma sensação ruim, como se estivesse esfriando as coisas, e eu não gosto disso. Meu peito ainda chia durante a noite para dormir. Viro-me de um lado para o outro, mas tem um desconforto que não me deixa legal.
Levantei e deitei no sofá da sala, fiquei assistindo filmes até perceber que meu celular despertou, é hora de acordar e eu nem fui dormir ainda.
ზ
Dei tchau para as pessoas da seção e sai do andar, pegando o elevador para descer. A porta da frente estava aberta para um homem sair e ele já segurou pra mim. Meu celular toca na bolsa e eu paro para atendê-lo.
-Alô?
-Vem até o outro lado da rua, estou te esperando dentro do carro. – Ouço a batida do telefone em minha cara.
-Abusado. – Guardo o celular e procuro por alto o carro do Bruno.
Atravesso a rua com muitas pessoas e procuro o carro dele, achando em seguida. Sua janela baixa levemente e eu faço a volta para entrar no carona. A porta destranca e eu sento.
-Preciso dizer que não entendi?! – Falo sem paciência alguma. – Onde está a Lana?
-Primeiramente, oi! – Se inclinou para beijar-me. Dou um beijo em sua bochecha e puxo o cinto. – Resolvi te levar para o estúdio hoje, quero te mostrar algumas coisas, aproveitar que lá vai estar mais deserto hoje.
-Estou cansada, Bruno. Não dormi a noite toda, só quero comer algo e dormir.
-Comprei algumas coisas para fazermos um café lá no estúdio. Eric pegou a Lana para ficar com ele hoje e amanhã.
-Nem me despedi. – Comento para mim mesma e ele dá a partida no carro.
-Porque não dormiu a noite toda?
-Não sei. – Estico o braço até o rádio e o ligo. Estava sem paciência o suficiente para ouvir ele dar uma de melhor amigo justo hoje que meu desejo é dormir e acordar somente amanhã.
Pelo ou menos ele entendeu o que aconteceu e permaneceu em silêncio. Fiquei apenas ouvindo a música e por muitos momentos cochilei, o transito estava um pouco congestionado então não havia problemas.
Sinto algo por cima de mim e abro meus olhos de forma com que ele não percebesse. Bruno pôs uma jaqueta sob o meu corpo para aquecer-me enquanto durmo.
-Lea. Chegamos! – Sua mão passa em meu rosto. Estávamos em algum estacionamento.
Retiro a jaqueta de cima de mim e pego a bolsa dos meus pés. Bruno tira o cinto pra mim e eu bufo sem paciência para esses joguinhos de “estou arrependido”. Subimos pelo elevador do subsolo, sozinhos, no silêncio repleto. Não tinha nada pra falar e nem queria, estava com sono e talvez estava até dormindo ainda, não sei.
-Fala sério. – Bufo, quando Bruno se apruma para ligar as luzes. – O que viemos fazer aqui?
-Vim mostrar umas coisas pra você. – Abre uma porta de vidro e aponta para a sala. – Fique a vontade. Vou largar essas coisas na copa.
-Bruno... – Passo a mão pelo rosto ao sentar-me em uma poltrona. – É algo importante?
-Apenas quero passar um tempo com você. – Gritou da copa. – Deixaram cervejas aqui, que otários. – Resmungou pra si. – Vamos fazer alguns sanduíches? Está com fome?
-Não. – Respondo ao chegar à porta da copa. Uma pequena copa, com uma geladeira, cafeteira, um armário e um micro fogão. Claro, um micro-ondas na parte de cima do armário. – Vamos vir outro dia? Estou cansada.
E estava, mas encaro isso mais como uma desculpa para não ficar muito perto dele. Quantas mais vieram aqui também?
-Vou te mostrar umas músicas. – Estalou o pescoço, abrindo uma long neck. – Pegue uma pra você.
-Muito obrigada. – Agradeci por não querer, mas por ser gentil. Sai atrás dele olhando para o estúdio, não era o mesmo que vim das outras vezes, normalmente vamos à gravadora e esse pertencia ao Brandon.
-Senta aí. – Apontou para a cadeira que ajeitou.
Bruno pegou um violão e ligou um dos computadores. Umas luzes ligaram junto, dos aparelhos, e ele desconectou o violão do fio que o prendia. Explicou que iria ajustar as cordas para cantar a música que queria que eu ouvisse.
-Essa música está no CD, mas queria que ouvisse antes que eu a cantasse em algum show. – Pigarreou. – Fiz pensando na nossa amizade, no Havaí... Claro que pensei no Phil e em outras pessoas, mas meu foco foi você e nossa linda amizade. Então, por favor, pare de olhar para os lados e fingir que eu não estou aqui.
Voltei meu olhar pra ele, que estava me encarando com uma cara de tacho.
-Eu ouço com os ouvidos, não com os olhos. Não é porque eu não estou te olhando que não estou prestando atenção. – Esbravejo, revirando os olhos em seguido e cruzando as pernas.
-Você sabe que música é?
-Count On Me? – Ele assente. – Suspeitei quando você disse que fez pensando nas amizades.
-Meu CD é todo mais romântico...
-Porque a gravadora achou melhor assim, porque por você cantaria cada linha sobre sexo.
-Você me conhece tão bem.
-Não imagina o quanto. – Sorrio ironicamente.
-Vou usar aquele ukelele. Será mais o estilo da música... Mas ainda tenho que ajustar. Espera um pouquinho? – Falava sozinho, olhando para o violão em mãos e o ukelele pendurado na parede.
-Eu tenho outra saída? – Arqueio a sobrancelha.
-Não. – Se riu. – Qual é, Lea... Me dê um sorriso, apenas um.
-Não estou afim. – Me remexi na cadeira. – Na verdade vou fazer um sanduíche.
-Você disse que não estava com fome... Eu teria feito um pra você. – Pegou o ukelele, passando a mão por cima.
-Eu sei fazer. Obrigada.
Eu sou bipolar ao normal. Ok, não é bipolaridade... É algo que eu não sei explicar. Eu não estou brava com ele, mas estou chateada, então quero que ele sinta-se culpado por eu estar sentindo isso... Complicado. A TPM também nunca me ajuda nesses casos. Queria tanto ser uma pessoa normal.
Vou fazendo o sanduíche com calma, escutando ele resmungar com o instrumento e alguns barulhos saírem. Mordo um pedaço do peito de peru e pego outra fatia para pôr no pão. Faço tudo com muita calma, sem pressa.
Bruno está sendo fofo hoje, mas eu sei que em parte isso é para se redimir. Ele sabe que fez burrada e a minha cara de tacho deixou transparecer que eu estava me sentindo mal por aquilo.
Voltei para onde ele estava, com meu sanduíche num pequeno prato em mãos e um copo de suco de abacaxi – até isso ele comprou para deixar-me alegre, sabe que é meu preferido. Bruno havia posto duas almofadas no chão, o ukelele ao seu lado e ele inclinado olhando para o computador.
-Hey. – Olhou-me rapidamente. – Sente aí, vamos ficar no chão, é mais confortável que esse sofá.
-Não é não. – Resmungo.
Sentei-me, esperando que ele sentasse de frente pra mim, mas ele passa para o meu lado, roubando um pedaço do meu sanduíche e reclamando que eu não tinha feito um pra ele. Fiquei quieta, somente esperando que ele começasse a cantar.
-If you ever find yourself stuck in the middle of the sea, I'll sail the world to find you. – Prestei atenção no seu jeito tranquilo de cantar, sua voz que saía naturalmente, sem forçar. Um talento que nasceu com ele, e não há ninguém que ouse dizer que ele não tem o dom. – [...]If you toss and you turn and you just can't fall asleep, I'll sing a song beside you and if you ever forget how much you really mean to me every day I will remind you. Oh, find out what we're made of.
Infelizmente eu sabia que meu coração não iria ficar de mal com ele. Logo após ele terminar de cantar, larguei o copo ao meu lado e aceitei um abraço apertado que veio dele. Meus olhos estavam úmidos pelas lágrimas que ficaram ali presas. Senti um aperto no meu peito e um alívio ao mesmo tempo.
Apertei-me contra o seu corpo e senti sua respiração se fundir com a minha. Está tudo tão confuso. Relembrar de todos os momentos que tivemos e pensar no que ainda podemos ter, é demais para um único momento e uma única música.

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