sábado, 31 de outubro de 2015

Capítulo 45


Se eu sou um pagão dos bons tempos
Minha amante é a luz do Sol
Para manter a Deusa ao meu lado
Ela exige um sacrifício
(Take me to church - Hozier)

Cinco de setembro de dois mil e onze

Bruno estava empenhado em shows, apresentações, entrevistas, photoshoots e tudo mais. Empolgado com seus novos fãs, que fariam e fazem loucuras por ele. Rodou grande parte do mundo em menos de um ano, e isso que seu álbum ainda não fez um ano também e até Abril do ano que vem, sua agenda está comprometida com muitas coisas, após isso disse que irá se dedicar somente ao seu segundo CD, que volta e meia já rabisca alguma coisa em seu caderninho.

Lana está no auge dos seus três anos. Sapeca e inteligente a cada dia que passa. Já fala de tudo, e a maioria das coisas não erra tanto. Assiste filmes e os compreende, desenhos, exercita o cérebro com livrinhos fáceis, pinturas, e alguns jogos que fazemos com ela, além de brincar bastante com seus primos e ter um relacionamento bom com os filhos da Urbana. Umma está se saindo uma babá e tanto, ela está virando a terceira avó pra ela, já que se apegou de maneira rápida e impressionante. Ás vezes até rola um ciúmes da minha parte, por vê-la mais grudada na Umma do que comigo, mas sei que é normal e sei que ela não deixa de gostar menos de mim por isso.

Estou na procura da escola de balé para ela começar ano que vem, e já venho ensinando alguns passos, bem básicos e como posso, que ela se encanta. Nunca vi uma criança tão concentrada como ela, com a dança principalmente, mas ela adora estar no meio da música – como seu pai -, e ouvir os sons. Sempre que pode está no estúdio com ele, fazendo barulho e rindo bastante.

Pouco a pouco estamos desvendando a sua personalidade. Sensível, delicada, mas bem forte. Gosta da natureza por influência de suas duas avós, e ama os animais. É maravilhoso descobri-la devagar assim.

As malas estão prontas próximas a porta. Bruno tem duas entrevistas e uma sessão de fotos na Inglaterra e levará eu e a Lana junto, já que peguei minhas férias, porém vamos para Paris e esperar ele por lá. Será uma viagem de uma semana e dois dias ele estará fora, mas da Inglaterra até a França é um pulo.

-Vou ter que ficar tanto tempo longe da minha boneca? – Umma pegou a Lana no colo, beijando sua bochecha.

-Eu volto já, já. – Repete uma das frases que Bruno diz quando despede-se dela.

-Ela está crescendo tão rápido. – Largou-a no chão, que correu para o sofá pegar a sua boneca.

-Nem me fala. Parece que foi ontem que eu estava pegando-a no colo, recém nascida.

-Um dia, se quiser, pode me contar essa história. – Umma não sabe o que aconteceu ainda, sabe somente que Lana não é minha filha, mas me chama de mãe.

Fiquei receosa de contar para ela logo que estava conhecendo-a. Nunca se sabe pra quem está falando e qual é o estranho que habita a sua casa, não o conhecemos. Ela foi dormir aqui a primeira vez após dois meses de trabalho. Bruno tirou toda a sua vida da policia, puxou ficha de tudo quanto é coisa para termos certeza que não era nenhuma estelionatária, assassina – não dá nem pra rir porque isso pode realmente acontecer -, nem nada do tipo.

-Dre está a cinco minutos daqui. – Bruno aparece, colocando a carteira no bolso da sua calça.

-Todo o respeito... Está bem bonito. – Umma deu a sua opinião e em seguido o furacão Lana passou por nós, abraçando seu pai pelas pernas e recostando a cabeça nelas.

-E cheiroso. – Completou Lana.

-Estou sempre. – Passou a mão pelo cabelo, ainda não coberto pelo chapéu. – Obrigada minhas garotas. – Bruno também pegou intimidade com a Umma, depois de ver que ela é uma boa pessoa e que a Lana gosta tanto dela. – Não vai dizer que eu estou lindo também, Lea?

-Precisa que eu fale isso, mesmo com duas mulheres dizendo? Não vive sem mim. – Balanço a cabeça no embalo do riso.

-Claro. Gosto de me sentir bonito.

-Ok, senhor Bonito, pegou a sua mochila?

-Peguei. A bolsa? Sua e da Lana...

-Pegarei a da Lana agora.

-Eu fiz duas mamadeiras para a viagem. – Umma parece ter lembrado e corre até a cozinha.

-Essa mulher é um anjo. – Digo em voz alta, enquanto caminho até o quarto da Lana.

Pego a sua bolsa e mais um brinquedo pequeno para caso ela queira largar a boneca e volto para a sala. Bruno está se despedindo de Umma e Lana está na porta, olhando para a rua. O verão de sol escaldante pedia que pelo ou menos levássemos uma garrafa de água. Peguei-a na cozinha, dei um beijo na Umma e sai atrás do Bruno e da Lea que estavam bem a frente, carregando as malas – ele levando as duas e ela empurrando uma, para ajudar.

Tiara ficaria na casa essa uma semana para cuidar, junto do seu amigo Jonah e em poucos minutos eles chegariam, por isso deixamos a casa com a Umma por enquanto.

Fomos derretendo até o aeroporto. Passamos na frente da fila de embarque e direcionados ao avião. Senti muitos cliques sobre o Bruno e a Lana, garanto que em alguma foto eu estará dando o ar da graça.

Liguei para minha mãe antes de embarcarmos e partimos com o voo para longe dali.


Era uma atmosfera completamente diferente que a dos Estados Unidos. Me sentia num filme, algo bem surreal. Nunca fui do tipo de menina que sonhava em estar na França, Paris, mas quando se está aqui parece que essa vontade surge dentro do peito. Me emocionei ao olhar para os lados, ver pessoas novas, uma nacionalidade bem diferente. Pessoas bonitas, diga-se de passagem. Todos bem portados e como estávamos no aeroporto, bem arrumados, pois provavelmente todos irão viajar.

Bruno parou para duas ou três pessoas enquanto Dre nos guiava para a van que nos esperava na saída do aeroporto. Ajeitei a Lana na cadeira e coloquei meu cinto. Bruno chegou e se aconchegou no banco em minha frente. Quando sorri para ele, ele sorriu de volta, mas não foi um sorriso verdadeiro, foi falso. Foi como ele sorri quando não está confortável e nem afim de algo.

Não sei controlar meu jeito, nem soube o que houve, mas já havia fechado meu rosto e ficado calada. Olhei para as ruas quando a van partiu, e de onde quer que estivéssemos, poderíamos ver a Torre.

-Como ela é grande. - Comenta Lana, olhando para a janela.

-Enorme, não? - Bruno riu. - Papai irá levar você lá.

-Lá em cima?

-Sim, lá em cima. Podemos gritar bem alto de lá.

-E as pessoas irão escutar?

-Sim, todas elas.

-Eu quero gritar que amo batata frita. - Levantou os bracinhos. - Que eu amo vocês também...

-Papai irá gritar que você é a melhor coisa que me aconteceu. - Esticou-se para pegar a sua mão. - Lea irá gritar que você é a melhor filha que poderia ter. Não é?

-Claro. - Respondi séria para ele, mas sorri quando vi o rosto emocionado da minha pequena. Olhos bem brilhantes.

-Num dos vídeos de balé que eu estava vendo, a final do campeonato era aqui. As meninas fizeram um grande espetáculo em volta dessa Torre. - Explicou, mexendo no cabelo da boneca.

-E você quer fazer o que? - Dre pergunta.

-Dançar balé como elas. Flutuar. - Fez um movimento com a mão no ar, na gravidade.

Foi somente até nossa chegada ao hotel, o tempo de arrumarmos nossas malas no lugar, para o Bruno pegar a mala dele que iria levar para a Inglaterra e descermos para o hall de entrada do hotel. Esperamos o Dre chegar e o acompanhamos até a entrada.

-Dre voltará com vocês até aqui. - Diz quando paramos na estação do trem onde iria pegar.

-Não precisa, voltaremos a pé. É muito perto.

Muito perto sim, me refiro a mais ou menos uns dez minutos de carro, o que resultará em poucos minutos a pé, e também poderei conhecer a cidade um pouquinho com a Lana.

-Tudo bem. - Disse, baixando-se para beijar a Lana. - Vou sentir saudades, meu amor. Voltarei depois de amanhã.

-Ok, papai. Eu te amo.

-Também te amo. - Deu um beijo em sua testa, fazendo-a até cambalear. - Até daqui a pouco, Lea. - Beijou levemente minha bochecha.

-Se cuide, boa sorte com as coisas pela Inglaterra e me mantém informada.

-Com certeza. Me deixe a par da minha pequena, qualquer coisa me ligue ou ligue para o Dre.

-Pode deixar.

O vemos entrar no trem e ele partir. Como as coisas da Europa são tão mais emocionantes e lindas? O trem tinha traços fortes de antiguidade e luxo ao mesmo tempo, mas mesmo assim parecia moderno demais.

Comprei um chocolate para a Lana e saímos de mãos dadas pelas ruas. Parei para tirar muitas fotos minhas e dela, das paisagens e até das pessoas que por ali estavam. É um hobby bem legal tirar fotos, registrar memórias e ter lembranças.


Passou mais da metade do segundo dia em Paris e eu e Lana não fizemos nada. Ficamos dentro do quarto do hotel, assistindo filmes e brincando. Ensinei algumas coisas a ela na medida do possível, sobre a língua inglesa e outras coisas. Lana pega tudo com muita facilidade, o difícil é ela querer prestar atenção somente em aprender, pois quer fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo.

-Vamos sair, Lana? - Pergunto para ela, enquanto olhava pela janela e via a Torre Eiffel e as outras belezas que a cidade nos trazia.

-Vamos. - Comemorou rapidamente, largando seu lápis de cor no chão e indo para a cama.

-O que você quer vestir?

A ajudei a escolher a roupa perfeita para o passeio. Não fazia ideia de onde eu a levaria, mas precisava escolher um lugar bom. Talvez comêssemos em algum café e após caminharíamos até o rio, mas algo precisaríamos fazer.

Novamente caminhamos um pouco mais, tiramos mais fotos e sentamos num café para conversar com algumas pessoas. Não são muito simpáticos, mas as duas mulheres que conversavam comigo porque acharam a Lana encantadora, eram bem legais.

Compramos um crepe e fomos até a ponta da Torre. Lana ficou babando quanto ao tamanho dela, achou imensa e eu também. Ficamos por muito tempo em silêncio somente analisando. Comemos nosso crepe de nutella e eu tirei uma foto dela com a torre atrás. Ficou tão linda que eu precisei compartilha-la com o Bruno. Mandei a foto e guardei meu celular na bolsa por estar quase sem bateria.

Voltamos para o hotel quando já estava anoitecendo. Cantei algumas musiquinhas com a Lana enquanto dava banho nela. Tomei o meu e ajeitei nossas camas para assistirmos um filme, amanhã Bruno chegaria e finalmente poderíamos ter o inicio das nossas “férias em família”.

Peguei meu celular sobre a escrivaninha e vi uma mensagem do Bruno. Já a abri com um sorriso nos lábios.

“Porra, Eleanor. Que merda você fez? As férias eram pra ser em família e não somente vocês duas.”

“Bruno... Estávamos sozinhas aqui. Não tínhamos nada para fazer. Absolutamente nada! Não fiz por mal, me perdoe.”

“Vai à merda, Eleanor. É sério, você estragou tudo.”


-Idiota. – Bufei.

-Papai?

-É ele mesmo. – Respondi, digitando a mensagem.

“Obrigada por entender o meu lado sempre. Afinal, o mundo gira somente em torno de você não é? O que queria que eu fizesse com ela? Passássemos mais um dia trancafiadas dentro do quarto do hotel? Eu não sou assim e você me conhece.”
-Porque ele é isso, mãe?

-Ele não é meu amor. – Não podia pô-la contra seu próprio pai. – Apenas estamos conversando e eu soltei uma palavra sem querer. Não a repita ok?

-Por quê?

-Porque é feio... Nem adultos deveriam falar isso.

O celular vibra com a mensagem dele. Olho para o celular.

“Isso é o que você acha, eu faço de tudo por vocês, sou um trouxa mesmo. A única coisa que eu queria era um tempo com a minha filha, só isso, mas você sempre quer toma-la de mim, certo? Aí vai uma novidade, Lea, ela é MINHA filha! E eu só queria poder aproveitar com ela. Desculpa se não estava ai para passear com vocês, mas estou trabalhando, não tenho tempo para suas impaciências”

“Caralho, Bruno, o que aconteceu? Eu somente a levei pra passear. Amanhã quando chegar leve ela e pronto, ficará tudo bem. Acha que ela ficará mais ou menos triste por ter ido à primeira vez comigo? Como você disse, você é o pai dela, ela irá amar ir com você”


-Eu te odeio. – Aperto o celular em minha mão e olho para a Lana, que não presta atenção em mim e sim para a televisão. Doeu profundamente sobre o que ele falou de eu não ser nada dela. Ok, eu não sou, mas quantas brigas nós teremos que ele irá esfregar isso no meu rosto?

É sempre assim, brigamos feio e ele joga na minha cara que eu não sou a mãe dela e que ele é o pai. Eu não tenho culpa se ele estava preso na Inglaterra a trabalho, eu não tenho culpa que ele é impulsivo, eu não tenho culpa nenhuma quanto a ele um dia ter sido menos babaca e ter precisado da minha ajuda.

Nunca jogarei na cara dele que o ajudei com a Lana porque quis, porque eu realmente quis. Ele é meu melhor amigo e estava num beco sem saída, o que mais poderia fazer? Se eu tivesse cruzado os braços para ele e o bebê recém-nascido, ele jogaria na minha cara também?

“Eu não quero conversar, Lea. Amanhã à noite chegarei aí. Tchau.”



Bruno chegou e mal falou comigo. Passou o tempo todo com a Lana e quando ela chamava por mim, ele que atendia, dizendo que estava ao lado dela e que ela podia pedir qualquer coisa pra ele. Uma criança grande, ele consegue ser pior que uma criança, na verdade.

-Que linda. – Beijou a cabeça dela, ajeitando a sua boina. – Vamos lá, capitã?

-Vamos papai. – Deu a mão pra ele e parou na porta. – Vamos, mãe!

-Ah... – Iria responder, mas ele cortou minha fala.

-Lea tem que ficar aqui no quarto, irá chegar uma coisa pra ela e ela precisa esperar.

-Eu pensei que ela iria conosco. – Resmungou.

-Não, meu amor. Seu pai tem razão, tenho muitas coisas pra fazer aqui. – Respondi, olhando nos olhos dele e sentindo os meus marejarem.


Já tinha posto a Lana para dormir, esperava o Bruno acordada. Estava preocupada de onde ele pudesse estar, já que nem o Dre está aqui em Paris, estamos somente nós nesse quarto escuro e Bruno soltos pelas ruas de uma cidade onde mal conhece.

Virei-me na cama, liguei a televisão baixinho e olhei para o celular. Disquei o número dele mais uma vez, só chamava, mas ele não me atendia. Não entendi o porque ele sempre tem que fazer isso comigo, me deixar preocupada quando está bravo e simplesmente sair.

Ponho alguma música calma, bem baixinho para não acordar a Lana e desliguei a televisão.

A porta destrancou e ele entrou, um cheiro inebriante de sabonete e perfume. O olho passando até a sua mochila com um largo sorriso nos seus lábios.

-Boa noite. - Digo para chamar a sua atenção, sentando na cama.

-Boa noite. - Faz questão de olhar em meus olhos estampando um sorriso nos lábios. Pelo menos ele estava bem e isso me confortava.

-Onde foi? Tomou banho... - Brinco com ele, tocando meu celular para o lado.

-Sai por Paris, conhecer mais a fundo a cidade.

Pude ver somente o seu olhar sugestivo através da luz da rua que entrava pela fresta da janela. O quarto estava todo escuro e ele parou onde tinha aquele feixe somente para me olhar. Engulo minha saliva com dificuldade.

-Eu estava esperando por você para dormir. Me preocupei com o horário.

-Não precisava, se algo tivesse acontecido eu te ligaria. Tenho o seu número, lembra? - Balançou o celular e andou para o banheiro.

Meu coração apertou quando ele fechou a porta de madeira. Sinto todo meu corpo se contrair, meus olhos marejam rapidamente. Odeio sentir as coisas com tanta intensidade como sinto, odeio levar tudo para o coração e sentir todo o peso da culpa que muitas vezes não é minha. Não posso crer que ele ainda está bravo comigo pelo passeio que tive com a Lana. Eu sei que não tenho culpa e que nem devo me sentir mal por isso, mas quando ele me trata com desdém e fala essas coisas, me machuca. Eu sei que ele saiu para ficar com alguém, no mínimo comeu algumas garotas por aí e tomou um banho para não chegar cheirando a sexo. É isso que ele passou o dia fazendo que não pode dar a notícia de que estava bem.

Essa viagem está se saindo uma grande porcaria.

Quando Bruno sai do banheiro carregando suas roupas nas mãos e estando somente de cueca, ajeitei-me no meu lado da cama, pegando meu celular e encarando o papel de parede. Nós três, minha pequena família-não-família.

Sentia todo o drama de uma briga de casal quando ele deitou-se ao meu lado sem falar nada, apenas encarando o teto com o mesmo sorriso de antes. Virei para o lado de coração apertado e deixei que as lágrimas corressem silenciosamente dos meus olhos.

Não sei a hora que ele adormeceu, ouvi seus roncos baixos e virei-me de barriga pra cima. Meus olhos estavam pesados e queriam se fechar, mas eu não tenho sono, então desbloqueei meu celular e cacei as mensagens. Abri uma nova conversa entre a Megan e eu.

"Eu quero minha casa, eu quero um abraço. Estou me sentindo uma adolescente sofrente... Odeio sentir meu peito se espedaçar e eu não estar entendendo o porque... Me ajuda. Sinto sua falta."

Não esperei que ela fosse me responder, mas para minha surpresa a sua resposta chegou em segundos.

"Estou na sala, sentada no sofá, com cabelos bagunçados e olhos inchados. Mais uma briga com o Caleb! Sinto meu coração da mesma forma... O que houve entre você e o Bruno? Sinto sua falta também."

Parece que nós duas estamos tendo uma péssima noite. Ou melhor, eu tendo uma péssima noite e ela um péssimo dia.

"Ele ficou bravo porque passeei com a Lana quando ele estava na Inglaterra... Pensei que tinha passado isso, mas ele continuou me tratando com frieza e hoje ele foi sair, não deu sinal de vida, e quando chegou falou que estava conhecendo mais 'a fundo' Paris. Ele deveria estar com algumas muitas vagabundas. O que houve com você e Caleb?"
"Ele é o idiota de sempre, os mesmos motivos idiotas também. Mas... Você está magoada com ele porque ele ficou com algumas garotas? Não são vocês que mantém algo baseado somente no sexo?"

"Sim, somos nós, mas eu não sei o que é isso. Chorei, meu peito está todo apertado. Não sei o que eu estou sentindo."

"Você está apaixonada"

"Ele é lindo, mas é um babaca."

"Eu sabia que isso iria acabar acontecendo."

"Paixão acaba com desilusões. Tomarei alguns tapas e a paixão irá acabar. Isso é bom para viver."

"Paixão acaba, amor não. Cuidado, Lea..."


Olhei para o lado encarando o rosto delicado e másculo que ele tem. Sua respiração estava pesada e o sonho não parecia estar muito bem. Virei-me para o seu lado, apertando meu celular contra o peito e com a outra mão encostando levemente nos seus cabelos.

Tudo isso era para ser uma brincadeira, dois amigos que se divertem juntos, até eu começar a ter ciúmes dele.

Se eu dormir, e amanhã ele estiver falando comigo, tudo mudará.

-Deus, minha meta será não levar nada dele para o coração. Eu sou forte e não irei me abalar. Isso é apenas fraqueza. Deve ser algo da TPM. - Converso com Ele baixinho e faço o sinal da cruz. - Sei que irá me trilhar para o caminho certo. Amém.

Pela manhã acordei antes dos dois e arrumei-me, colocando um casaquinho pelo vento frio que batia na rua. Andei pelas ruas, peguei um táxi - que no fim quase nem foi preciso - e fui até a Catedral de Notre-Dame.

Passei muito tempo lá, tirei muitas fotos, li muitas coisas e o principal, orei. Conversei com o Poderoso, pedi que ele zelasse por todos que amo, que os proteja de tudo quanto é mal. Sinto que devia fazer isso. Acendi uma vela e fui embora de lá, pegando meu celular para checa-lo e havia duas ligações dele.

Entrei no nosso quarto assim que cheguei no hotel. Lana estava tentando cantar a música de um desenho que passava na televisão e ele roendo o canto das unhas com um caderno em sua frente e o celular ao lado.

-Por onde andava? - Vociferou para mim, mas não deixaria que nada me tirasse daquela paz com que vim da catedral.

-Passeando um pouco.

-Custava atender a porcaria desse celular? - Levantou para chegar perto de mim.

-Onde eu estava não podia atender ligações. - Respondi calmamente.

-Estava transando, no mínimo. Porque eu fiz isso e você achou justo fazer também. - Troveja em minha frente, sem importar se Lana estava ouvindo algo, mas creio que não pois estava bem concentrada.

Baixo minha cabeça, desbloqueio meu celular e mostro a foto da catedral para ele, que tirei assim que cheguei lá.

-Estava tendo um momento meu. - Dou um meio sorriso, amarelado, e saio da sua frente.

-Ótimo. - O ouço resmungar.

Falei com a minha pequena e cantei um pedaço da musica com ela. Mostrei as fotos do local e expliquei para ela porque que oramos. Na verdade, desde pequena, na maioria das vezes eu rezava para ela antes de dormir, assim que acabava a musica ou história, para ela se acalmar e sempre adiantou.

O clima estava insuportavelmente chato. Eu falava o básico, ele também, nada demais. Seguimos nosso dia dessa mesma forma. A noite, Bruno saiu com a Lana para jantar, dessa vez me convidou, mas eu preferi fazer alguma coisa a sós.

Arrumei-me, uma calça jeans, um sobretudo preto, botas e cachecol. Estava bem friozinho na rua e o primeiro pensamento que tive quando pus os pés para fora do hotel foi na Lana e se ela estava bem agasalhada.

Desliguei meu celular e andei até um bar com música ao vivo. Claramente eu não entendia quase nada do que conversavam, ninguém fala minha língua por aqui? Sentei-me no balcão, pedi uma travessa pequena de petiscos e uma bebida pra acompanhar. Sex on the beach, que por sinal estava maravilhoso.

Um homem sentou-se ao meu lado, dando sorrisos em minha direção. Quando o garçom entregou a sua bebida, ele olhou-me e ergueu o copo como se fizéssemos um brinde. Fiz o mesmo, entregando-lhe um sorriso de volta dos muitos que ele me deu.

-Qual sua graça? – O moço de olhos claros, cabelos combinando, e com uma roupa linda, puxou o seu banco para o meu lado.

-Eleanor. A sua?

-Pierre. – Esticou sua mão em minha direção e eu a apertei. O sotaque Francês falando inglês, sinceramente, deixou-me perdida no espaço. Que homem lindo.

Bruno Pov’s

-Aí nós tiramos muitas fotos. – Lana estava sentada ao meu lado no restaurante fora do hotel, conversando sobre a Lea e o que elas fizeram quando eu estava na Inglaterra.

-É? – Coloquei mais comida em seu garfo e ela pegou com sua mãozinha.

-Nós aprendemos mais coisas também.

Lana poderia ficar falando por horas a fio o que elas fizeram naqueles dias, ela a ama e a admira, e também não paga imposto para falar. Esperei que ela falasse e pacientemente ia dando a comida pra ela.

Eu estava bravo com a Lea, é claro, agora a raiva estava passando e hoje vê-la daquela forma com a minha filha, agora ouvindo ela falar sobre a Eleanor, me faz sentir um idiota por ter dito aquelas coisas, novamente. Queria enfiar a cabeça num buraco e não sair mais, mas sou orgulhoso também, e não irei pedir desculpas agora. Eu errei, mas ela também errou.

O que compensa tudo isso é que estou com minha filha agora e depois me entenderei com a Lea.


Acordamos cedo, o que era de fato estranho. Nove da manhã e estávamos todos em pé. Dei bom dia para a Lea, que me respondeu na mesma altura, sei que ela ainda está bem chateada comigo.

Fiquei passando umas notas no meu violão, Lana rabiscando nos seus cadernos e Lea foi para o banho. Levou até suas roupas para não se trocar na minha frente... É, ela está bem magoada.

Estranhei quando a campainha tocou, não pedi nenhum serviço de quarto. Larguei o violão e abri a porta.

Em minha frente estava um homem alto, loiro, olhos claros e sorriso bem branco. Tinha um nariz avantajado e o porte de quem corre pelo menos uma vez na semana.

-Olá. – Cumprimentou-me, arregalando os olhos de leve. – Você é quem eu acho que é?

-Bom dia. – Franzi o cenho. – O que procura? – Porra, eu pedi completo sigilo sobre estar aqui.

-Eleanor. – Sorriu. Continuei a olha-lo. Encarei sua roupa de cima a baixo, tudo parecia bem caro e de boa qualidade.

-Quem gostaria?

-Jean Pierre. – Estendeu a mão. – Prazer.

-Prazer, Bruno. – Estendi a minha.

-Quem é, papai? – Minha pequena se alerta e levanta da cama, vindo até as minhas pernas, empurrando-as e olhando para o tal de Jean. – Oi. – Disse para ele, nada tímida.

-Olá, doçura. – Abaixou-se e tentou tocar nela. – Como vai?

-Bem. – Respondeu e eu não consegui nem sorrir pela educação que a minha filha tem, somente ficou encarando o homem... Como a Lea teve a capacidade de entregar o endereço daqui?!

-O que procura com ela? Ela está no banho, posso deixar recado.

-Ah, diga apenas que eu estou esperando-a lá embaixo para irmos ao café.

-Ok.

-Obrigada, prazer conhece-lo.

Não foi um prazer conhecer você, Jean. Pensei comigo mesmo e fechei a porta. Lana questionou quem era o moço, disse apenas que era um amigo da Lea, por que na verdade até eu queria saber quem ele era.

-Um amigo seu bateu aqui, disse que está esperando lá no hall. – Falei, levantando da cama e largando meu violão novamente.

-Ah, merda. – Resmungou baixinho. – Demorei demais. – Puxou a escova de cabelo e começou a penteá-los.

-Quem é ele? – Perguntei mesmo sabendo que ela pode me mandar a merda.

-Pierre, um cara legal que conheci ontem à noite.

-Uh.

Fiquei de boca fechada vendo-a se arrumar. Em menos de cinco minutos, ela estava pronta. Deu um beijo na Lana e disse que estava descendo. Então, ontem à noite quando ela demorou para chegar e estava com o celular desligado, ela estava com ele? Ótimo, percebi que ela deu o troco com a mesma moeda.

Mas ao mesmo tempo percebi que a viagem, que era pra ser legal para todos nós, virou um fardo ruim de carregar. Cada um está para um lado e a única que está sendo a vítima disso tudo é a Lana, que não teve nenhum momento legal comigo e com a Lea. Eu não a levei em nenhum lugar, não a levei para tomar café, não a levei para passear, para conhecer o rio, a ponte, o arco, a torre... Nada! Eu apenas fechei-me no meu mundinho de ficar bravo com ela, como sempre faço, e nada mais.

Passou meio dia, passou duas da tarde, quatro da tarde, e Lea não voltou. Levei a Lana a uma loja de brinquedos e comprei algumas coisinhas pra ela. Testei algumas guitarras em uma loja, comprei duas camisas num shopping e reservei três entradas para o Louvre.

Quando voltamos para o hotel, Lea já estava lá. Mexia no celular enquanto ouvia música pela televisão. Estava só sorriso e meu peito aperta levemente.

Guardo as coisas da Lana, deixo-a brincar com uma boneca. Separo a minha roupa, a roupa dela e quando crio coragem para sentar ao lado da Lea e conversar com ela, seu celular toca e ela atende.

Sua mãe fala por um tempo com ela, tempo suficiente para que eu pudesse arrumar a Lana e dar uma mamadeira.

-Hey. – Chamo a atenção quando ela desliga. – Vamos jantar?

-Ah...

-Antes que diga algo, isso não foi um convite. – Coço minha cabeça, dando um sorriso tímido. – Quero que vá comigo.

-Aonde vamos? – Levantou-se prontamente.

-Ainda estou escolhendo.

Arrumamo-nos e descemos. Tinha pedido algumas indicações e recebi várias que pareciam ser boas, mas decidi que iríamos ficar com a mais longe dali, próxima a ponte, de onde podemos enxergar a torre – não sei qual o lugar de Paris que não se possa enxergar a torre...

A reserva da mesa estava no melhor lugar possível, estratégico, diria eu. Fizemos nossos pedidos e começamos a comer escutando a Lana falar, falar e falar. Foi quando minha pequena disse que estava sentindo muitas saudades da sua avó Bernie que meu peito apertou de vez. Estava com saudades dela também, a queria do meu lado todos os dias.

-No ano novo irei pra Vegas. – Comento.

-Combinei com a minha mãe de ir pro Havaí. – Ela lamenta.

-Eu sei, e é por isso que vou pedir que a leve junto. Quero que ela veja a sua avó, passe um tempo com a família de lá. Ela sente falta. Além do que, Vegas não é um lugar para bebês.

-Eu sou criança. – Disse esticando os lábios e fazendo cara de braba, seus gestos se igualando de um adulto.

-Vegas não é lugar pra você igual. – Aperto seu nariz. – Depois do show, no dia primeiro, pegarei um voo e vou pra lá.

-Pode ser. – Ela concorda comigo.

Fomos pra casa e Lana dormiu no meio do caminho. Sabia que ela não duraria por muito tempo, já que tivemos um longo dia.

Lea a largou na cama e foi para o banheiro se trocar. Pôs um pijama e sentou na cama, pegando seu celular e o controle da televisão. Sentei-me ao seu lado após vestir uma calça de moletom e uma regata.

-Tenho que começar por onde?

-Que? – Me questiona.

-A pedir desculpas... Não sei o que dizer, só sei que eu fiz mal, muito mal. Estraguei a viagem por uma coisa boba.

-Tá tudo bem, Bruno.

-Não está não. – Pego sua mão e ela tenta desviar. – Se tivesse tudo bem nós não estaríamos assim. Eu não sei o que dizer, somente que sinto muito.

-É passado. – Deu-me um sorriso torto.

-Porque foi à igreja aquela manhã?

-Eu passei a madrugada toda, praticamente, acordada. Estava mal, com um peso nos ombros e meu peito apertado. – Respirou fundo, puxando a sua mão da minha. – Precisava de um momento assim.

-Culpa minha.

-Também. – A sua sinceridade quase sempre dói. – Mas é mais por que precisava esclarecer meus pensamentos.

-Eu nunca quis dizer que você não é uma mãe para a Lana.

-Engraçado. – Riu baixinho. – Você nunca quer dizer isso, mas sempre diz, percebeu? Sempre joga na minha cara que eu não sou mãe dela. Aí fiquei pensando, e se eu não tivesse ajudado você? E se você ficasse a ver navios com uma recém-nascida nos braços, não sabendo nem trocar uma fralda direito. Você ia jogar na minha cara também?

-Não! – Rebato. – Entenda que eu nunca quero dizer isso por mal. Sempre falo isso, mas falo num momento de fúria.

-É nesses momentos que falamos as verdades, não é? Eu cuidei dela aqui Bruno. Desculpa se não esperei para ir à porra daquela torre com você, mas tínhamos passado um dia já dentro desse quarto e qualquer lugar que você vá, em Paris, você bate de cara com a torre. – Evitou olhar pra mim, mas pela luz do abajur pude ver o brilho dos seus olhos, ela iria chorar a qualquer momento. – Não me arrependo de ter vindo pra cá, não me arrependo de conhecer Paris sozinha... Inclusive, quero agradecer você por me proporcionar isso.

Com o impulso, fiquei frente a frente com seu rosto e a beijei. Lea não correspondeu nada, empurrou meu corpo de leve e balbuciou um “não”, baixinho e lamentável.

-Por quê? – Pergunto.

-Nós estamos bem, como amigos, Bruno. Não quero ficar com você agora... Acho que já confundimos demais as coisas.

-Não confundimos nada. – Digo.

-Confundimos sim. – Respirou fundo e passou a mão no meu rosto, dando-me um sorriso.

-O que nós confundimos?

-Eu fiz isso. – Deu-me um sorriso. – Carência, Bruno.

-Eu posso matar isso. – Pus a mão sobre a sua barriga.

-Nem tudo se resume a sexo. – Deitou-se, cobrindo seu corpo e virando para o meu lado. Esticou a mão e desligou o abajur. – Vamos dormir? Estou cansada.

-Claro. – Engoli a seco. – Desculpa por estragar essa viagem.

-Não se preocupe, nós sempre teremos Paris.

Foi por conta desse sorriso e dessa frase que eu deduzi que ela não está dando um ponto final no nosso sexo casual, apenas ainda está magoada pela nossa briga. Mas tudo o que ela me disse, todas as coisas que estão cobertas de razão, resultaram no meu peito mais uma vez inflar e ficar pesado. Estranhamente fiquei me sentindo um lixo por brigar com ela e depois querer sexo. Ela pôde ter ficado com aquele Parisiense a tarde toda e apenas queira um descanso, mas só de pensar no seu corpo colado ao dele me dá arrepios.

Meninas, seguinte, estou sem notebook temporariamente por motivos técnicos e tive que mandá-lo para a assistência :/
Então, espero que me entendam se eu demorar pra postar - se alguém sentir saudades né :p

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Capítulo 44


Porque toda vez que nos tocamos, eu sinto isso
E toda vez que nos beijamos, eu juro que consigo voar
Você sente meu coração bater rápido? Quero que isso dure
Preciso de você ao meu lado
(Everytime We Touch - Cascada)

Sem controle das minhas emoções, chorei fortemente em frente à televisão. A TPM havia me pegado de uma maneira forte, daquelas que acontecem uma ou duas vezes ao ano. Estava irritada, queria discutir, mas queria chorar e queria carinho. Meu corpo todo doía, minhas costas estavam moídas.

-Cheguei. – Bruno abriu a porta. Ele passará mais cinco dias conosco antes de começar a jornada novamente. – Você está vendo esse filme novamente? – Arqueou a sobrancelha, apavorado.

-Vou ver quantas vezes mais forem necessárias. – Passei o dorso da mão nos olhos e pausei o filme.

-Trouxe guloseimas para a mulher com a TPM anual mais forte que eu já conheci.

-Como se eu já não fosse bipolar ao bastante. – Ajeitei-me na cama. – Coloca em cima dessa mesinha.

-Falando em mesinha, contratei um design de interiores. – Franzi a testa. – Vamos decorar essa enorme casa e deixa-la linda.

-Quero minha cama comigo.

-Tudo será novinho.

-Não me interessa. – Disse, de pulso firme. – Minha cama fica!

-Desculpa, desculpa, desculpa. – Levantou os braços. – Somente sua cama.

-Quando essa pessoa vier, eu falo com ela dizendo o que fica e o que vai.

-Quando vamos ligar pra agência?

-Hoje? – Sai debaixo das minhas cobertas, mostrando minhas pernas desnudas para ele que ofereceu aquele sorriso sacana de sempre.

-Pode ser. – Aproximou-se da cama. – Essas pernas enroscadas nas minhas hoje à noite, o que acha?

-Eu estou sangrando, parece que o oceano atlântico está saindo do meio das minhas pernas, e você quer me comer? – Faço uma careta. – No mínimo nojento.

-Não precisa ser na frente...

-Ai você vai estar comendo o outro buraco, fazendo pressão no da frente enquanto cai o rio? Não!

-Ok, apenas filme romântico ou UFC?

-UFC! – Soqueio seu ombro. – Posso te soquear?

-Depois. – Fez uma cara de cansado, até deu pena.

-E morder?

-Depois. – Arrastou a voz, pegando meu nariz entre seus dedos indicadores. – Vou arrumar a comilança e você o filme de luta que quiser. Ah, faz um favor?

-Qual?

-Ligue pra Jaime e pergunte que horas ela trará a Lana...

-Tudo bem...

-Aproveita para pegar a lista de agências que a Urbana nos mandou.

-Tudo bem também.

Liguei para a Jaime e em seguida Bruno chegou trazendo as comidas sobre a bandeja. Um grande banquete de besteiras e dois chocolates quente. Ele sempre soube tratar minhas TPM’s, principalmente quando elas chegam nesse estado.

A minha desestabilidade emocional era forte, todos sabiam disso, mas ele sabia como controla-la, coisa que até hoje nem eu sei como fazer. Nesses ataques de TPM forte que eu tenho anualmente, eu fico de uma maneira que eu estou chorando, daqui a pouco emendo um riso, conto uma piada e depois bato em alguém – normalmente o Bruno. Nem eu me entendo.

Ligamos para as agências, onde eu fiz um pedido igual ao perfil que traçamos juntos. Marquei três entrevistas para daqui três dias.

-Vem cá. – Bruno me chama para deitar no seu peito. – Isso. – Resmungou quando eu pus minhas pernas entre as suas.

Senti ele apertar-me um pouco mais, com uma força para o seu corpo, e mexer seu quadril como se tivesse insinuando algo.

-Quero que isso passe pra poder sentir você em mim. – Da minha boca saía um hálito de chocolate.

-E seria muito eu te pedir um carinho. – Afastou meus cabelos, inclinando a cabeça para beijar meu rosto. – Eu compenso quando der.

-Que carinho você quer? – Ajeitei-me de forma que pudesse olhar seu rosto e Bruno morde meus lábios com pressa.

-Aquele que a sua boca mágica é capaz de fazer. – Puxou meu lábio inferior para frente e nos seus olhos eu senti todo aquele tesão que ele estava.

-Posso te dar tanto prazer... – Queria continuar a dar o meu discurso sobre estar com tesão e deixa-lo ainda mais safado, porém, o celular atrás de mim começa a tocar. – Megan... – Olho para a tela pensando se realmente a atenderia.

-Atende. – Bruno passa a mão pelos meus cabelos enquanto atendo o telefone.

-Alô. – Pigarreio assim que digo.

-Estou chegando ai, abra a porta e coloque a comida na mesa.


Meu aniversário estava chegando e somente agora conseguimos a entrevista com as babás. Culpa da agenda do Bruno, que mal parava em casa e queria muito participar da escolha, por mais que ele soubesse que dessa vez eu escolheria.

Eram babás de mais tempo de mercado, babás que tinham experiência e que não iriam estar transando com o Bruno em qualquer cômodo da casa. Às três horas da tarde, quando a Lana estava no chão da sala, sobre o tapete, brincando com seus brinquedos e na televisão passava algumas músicas que Bruno queria escutar, a campainha toca.

Ajeito minha roupa e vou atender a primeira candidata das três que foram convocadas. Super simpática, entrou cumprimentando-me e sem pudor, alojando-se no sofá. Logo em seguida as duas chegaram, praticamente na mesma hora.

Conheci as três, os seus nomes, suas idades, experiências, o tempo de trabalho, o que gostava de fazer, e o mais importante... Porque queria aquele emprego. Queria que elas tivessem dedicação com a Lana, tenho medo de deixar meu bebê na mão de qualquer pessoa que possa prejudica-la.

De tudo que aconteceu, de toda a conversa, a candidata que eu mais gostei foi Umma. A segunda. Uma mulher de cinquenta e um anos, com bastante experiência, com duas filhas criadas e viúva, poderia estar a nossa disponibilidade quando precisássemos, e que deu as melhores respostas. Eu via simplicidade no seu olhar, e era isso que eu queria também. Não é porque o Bruno está famoso e tecnicamente rico, agora, que ele um dia não foi de família humilde, que passou um aperto ou outro, principalmente quando viemos pra cá, então quero que a pessoa que ficar aqui saiba que somos humildes e que não queremos nos vangloriar pelo que temos e sim pelo que somos e fazemos.

Informei que a entrevista havia acabado, deixei que elas conhecessem a Lana e fui falar com o Bruno, que levantou para irmos um pouco distantes delas.

-Eu gostei muito da segunda.

-Ia dizer que achei-a parecida com a sua avó.

-E ela é, um pouco. Dá os ares. – A olhei de longe. – Mas eu gostei das suas respostas, da sua sensatez e que se precisarmos dela, ela estará a disposição.

-Além da referência... Viu a carta?

-Nem percebi.

-Ficamos com ela? – Tirou algo da minha roupa com os dedos.

-Por mim, sim. Você gostou?

-Gostei, mas não sou eu que irei escolher... Somente você. Então, faça seus critérios.

Disse às babás que poderiam ir a hora que quisessem que eu ligaria assim que tivesse uma resposta. Se for por mim mesmo, como disse ele, eu já tenho minha escolhida e sei que não irei me arrepender.

Até o final do dia resolvi mil e um problemas junto com a Patricia no telefone, sobre algumas coisas da imobiliária, da parte administrativa onde estavam precisando de uma ajudinha.

E no dia seguinte acordei com beijos pelo meu rosto, dados por Bruno e Lana.

-Oi, mamãe. – Disse daquela forma fofa e linda que ela tem.

-Bom dia, minha vida. – Beijei sua bochecha com força até vê-la fazer uma careta.

-Bom dia pra você também. – Bruno me encara seriamente.

-Bom dia meu príncipe.

-Não me venha com essas coisas, depois que se esqueceu de mim... – Beijei a sua bochecha enquanto ele falava e rapidamente dei um selinho nos seus lábios. – Bom dia princesa.

-Safado. – Falei baixinho, cuidando para que Lana não prestasse atenção.

-Safado. – A ouvimos repetir, errando um pouco da palavra.

-Falei pra você que não queria comprar um papagaio, mas você me trouxe esse papagaio enorme, e gordo, e lindo. – Bruno pulou para o lado da cama em que Lana estava e a encheu de beijos e cócegas. – Esse papagaio sente até cócegas, Lea.

-Olha o tamanho das bochechas desse papagaio. – Segurei de leve as suas bochechas e ela ri, dando uma gargalhada bem contagiante. – Papagaio obeso.

-Acho que precisamos encher esse papagaio de cócegas até ele aprender a não repetir o que falamos.

Bruno e eu enchemos a Lana de cócegas e ela chorava e gritava de rir. Estava toda feliz e qualquer movimento que fazíamos que ela sentisse que viriam mais cócegas, ela gritava e agarrava nossa mão.

-Papagaios. – Colocou a mão na cabeça.

-Já pode trabalhar de atriz. – Me afastei rapidamente para olhar o Bruno.

-Vai começar trabalhando cedo para trazer dinheiro pra casa. – Ele a agarrou e jogou-a pra cima. – E aprenderá a limpar a casa.

-Lavar a louça. – Comento.

-Lavar a louça. – Bruno levanta as sobrancelhas repetindo o que eu disse. – A parte de varrer também não gosto. Preciso o aspirador de pó.

-Você viveria de comida congelada, empregadas e qualquer coisa que facilitasse a sua vida, somente por preguiça, sim?

-Com certeza.

Logo já normalizamos nosso estado de espírito e enquanto eu ia lavando o rosto e fazendo minha higiene matinal, Bruno arrumava a mesa do café da manhã com a ajuda da Lana. Não tem preço ser acordada dessa maneira, ter esses beijos dos dois, palavras bonitas e risadas a toa. Fico sempre cheia de orgulho e alegria pelas pessoas que escolhi ter ao meu lado e sei que eu não poderia ter escolhido melhor.

Não me referindo somente ao Bruno, mas a Urbana, Phil, Megan... Eles sempre estiveram ao meu lado quando mais precisei, nunca negaram ajuda e sempre quando precisavam, eu retribuía isso da maneira que podia. Eu amo minhas amizades, amo o jeito que somos um com o outro e sou eternamente grata por tê-los em minha vida.

-Podemos ir à praia, sim? – Bruno colocava um pouco de cereal na sua tigela. Exemplo ruim já que ao seu lado a sua filha come frutas e toma iogurte, bem mais saudável do que o pai.

-Podemos, mas... Bem, acho que não irá chover.

-Quase nunca chove. – Deu de ombros. – Quero levar vocês em Santa Monica, o que acha?

-Hoje? – Respirei fundo. – Pensei em Redondo... Algo mais calmo para levarmos a Lana.

-Na verdade estava pensando em ir hoje e voltar amanhã. Estava querendo levar vocês no Queen Mary.

-Wow. – Levantei os braços. – Tudo bem. Vamos.

-Ok, então saímos a tarde?

-Perfeito.

-Estou trajando todo nosso percurso do que faremos. Quero mostrar o por do sol, dizem que é lindo de lá.

-Então não podemos sair muito tarde.

-Faz o seguinte. – Parou por alguns segundos, pensando. – Arrume as suas coisas, as da Lana, eu arrumarei uma mochila pra mim. Almoçamos fora e vamos direto.

-Ok.

-Dá? – Ela aponta para o cereal do seu pai.

-Vai explicar essa, Samurai. – Levanto do meu lugar, pegando meu pires.

-Um pouquinho, tudo bem filha?

-Você não presta. – Grito pra ele.

-Fazer o que. – Grita de volta pra mim.


Estávamos na estrada há uma hora e pouca. Lana já havia dormido e acordado duas vezes e eu estava quase dormindo também. Parecia que a estrada não tinha fim.

-Quer dormir?

-Querer eu quero, mas sei que daqui a pouco chegamos.

-Trouxe qual biquíni seu?

-Hm. – Fiz um esforço para lembrar. – O vermelho e o maiô branco.

-Tenho fetiche por aquele biquíni vermelho. – Fisgou seus lábios, colocando sua mão sobre a minha coxa. Olhei para trás e Lana estava dormindo. – Tenho fetiche com qualquer coisa em você, até um pedaço de papelão.

-Me vestirei de Eva pra você.

-Eu adoraria ser o Adão para ficar perdido em meio dos seus paraísos. – Sua mão aperta levemente minha coxa e ele sorri para a entrada da praia. – Chegamos.

-Amém. – Ergui as mãos e ele ri.

Desligo o rádio que estava bem baixinho e vou organizando as coisas que tirei durante o caminho.

-Acredita que está me dando fome novamente. – Ele faz uma pequena curva e entra num estacionamento aberto. – Olhe lá. – Aponta para o navio em nossa frente.

-Caramba. – Arregalo meus olhos. – É muito grande.

-Não é atoa que o chamam de maior. – Abriu a porta e eu faço o mesmo.

Acordamos a Lana, pegamos nossas coisas e saímos em direção do hotel. Fizemos nosso check in na recepção e tivemos nossas pequenas malas tomadas de nós para serem enviadas ao quarto enquanto subíamos e tínhamos uma pequena introdução das instalações do local.

Era tudo muito lindo e lembrava um cenário de filme de terror, o que eu amo. Fiquei toda arrepiada ao ver uma luz piscar sem parar no fundo do corretor e alertei o Bruno, que também ficou empolgado. Não falamos nada com medo de acordar a Lana e ela acabar vendo e sentir medo disso, já que a maioria desses filmes dão medo nela.

Coloquei a pequena sobre a cama, que virou-se e esparramou-se novamente, voltando a dormir em minutinhos. Ajeitei nossas coisas primeiramente, colocando as roupas mais a vista, pegando nossos chinelos, nossos acessórios e arrumando uma pequena bolsa para levar a praia, sem contar nossas toalhas e a máquina fotográfica.

-Dizem que existem fantasmas aqui. – Bruno chega ao meu lado, falando baixinho. – Eu li uns artigos bem realistas.

-Relatos de pessoas? – Ele concorda. – Adorei. Vamos andar a noite pelos corredores do hotel, por favor?

-E a Lana?

-Bem, ela estará dormindo. – Olhei para ela sobre os ombros dele.

-Só se você me der na frente do fantasma... Ou se cometermos alguma loucura. – Passou a mão sobre a minha cintura.

-Ficarei com meu biquíni vermelho. – Mordi os lábios e ele riu, puxando-me para próximo do seu corpo.

-E se vierem esses fantasmas? E se for realmente assombrado? – É algum estilo novo de medo que ele tentou empregar pra cima de mim? Levanto minha sobrancelha.

-A gente os convida pra participar, ou eles ficam vendo como é que se transa de verdade.

-Meu Deus, Lea. Porra. – Beijou-me rapidamente, vorazmente. – A sua voz está me deixando excitado.

-Controla seu amiguinho. – Falei ao pé do seu ouvido, de um jeito arrastado, bem sexy.

-Vamos à praia, por favor. – Pôs a mão sobre os meus peitos. – Troque de biquíni na minha frente, porque irei fazer uma pequena sujeira no banheiro.

Fiz o que ele pediu. Peguei meu biquíni sobre a cama e tirei toda minha roupa, ficando nua em sua frente. Inclinei-me deixando minha bunda completamente a mostra pra ele e coloquei a parte de baixo do biquíni, virando de frente pra ele e ajeitando-a. Coloquei a parte de cima e ele virou as costas sem dizer nada, indo para o banheiro.

Abro a porta do banheiro e o vejo tirando a calça.

-Me come. – Suplico, fechando a porta atrás de mim.

No mesmo instante ele termina de tirar a sua calça e eu sigo até a sua frente. Acaricio seu membro, que sinto crescer em minha mão, e o beijo. Lambo em volta da sua boca, mordisco seus lábios, e tudo tem aquele gostinho de querer passar muito tempo ali, mas ambos sabemos que precisamos ir rápido.

Bruno afasta o busto do meu biquíni e beija meus mamilos, mordiscando-os de leve, e tudo que eu sinto é cócegas e maravilhosos arrepios que percorrem meu corpo inteiro e eu entro numa espécime de delírio interno. Agarro seus cabelos, desço minha mão, arranho com tudo suas costas sobre a camisa fina que usava.

Sua mão encontrou o caminho até minha intimidade, percorrendo com os dedos pela minha barriga e adentrando o biquíni vermelho para acariciar-me. Cravo minhas unhas em suas costas e gemo baixinho quando ele alicia meu clitóris, fazendo-me ver estrelas no dia. Procuro seu membro novamente e cuspo em minha mão para deixar mais simples o movimento. Sinto a sua cabeça desprotegida e com o movimento da sua mão, gemo um pouco mais alto, sentindo-o aumentar o ritmo.

No mesmo instante ele termina de tirar a sua calça e eu sigo até a sua frente. Acaricio seu membro, que sinto crescer em minha mão, e o beijo. Lambo em volta da sua boca, mordisco seus lábios, e tudo tem aquele gostinho de querer passar muito tempo ali, mas ambos sabemos que precisamos ir rápido.

Bruno afasta o busto do meu biquíni e beija meus mamilos, mordiscando-os de leve, e tudo que eu sinto é cócegas e maravilhosos arrepios que percorrem meu corpo inteiro e eu entro numa espécime de delírio interno. Agarro seus cabelos, desço minha mão, arranho com tudo suas costas sobre a camisa fina que usava.

Molho um pouco mais a minha mão e tento levantar minha perna, assim que ele percebe, Bruno me ajuda a levanta-la e encaixa ao seu corpo. Somente arrastou a calcinha para o lado e procurou o lugar certo, tateando. Ainda, antes de introduzir, me deixou doida com seu pênis roçando em minha entrada, insistentemente. Fechei os olhos e gemi quando o senti entrar. Não tinha outra reação. Gemi perto do seu ouvido, mordi meus lábios e arranhei suas costas sobre a sua camisa de tecido fino.

Bruno fodeu-me fortemente até fazer a perna que sustentava meu corpo tremer e eu quase cair. Sentou-se na privada e eu me encaixei em seu colo, subindo sobre seu pau e mexendo meu quadril para me ajustar melhor. Quando encontrei o jeito perfeito, subi e desci. A calcinha do biquíni para o lado atrapalhava um pouco, mas é para ser rápido.

-Eu vou gozar.

-Dentro? - Pergunto.

-Problemas?

-Não... - Puxei seu queixo e o beijei. - Agora?

Bruno gemeu um pouco mais intenso do que antes, avisando que a hora estava chegando. Enterrei meu corpo em seu colo, deixando todo seu pênis dentro de mim e sentindo uma pequena ardência. Seu corpo tremeu um pouco quando ele gozou, e seus lábios encontraram-se com os meus num beijo rápido.

-Preciso de um banho. - Fiz uma careta.

-Vá primeiro. Posso não resistir as tentações.

-Idiota. - Saio do seu colo, abrindo um pouco as pernas. - Se eu me abaixar e fazer força, o gozo cai?

-Talvez. - Deu de ombros quanto a minha estúpida ideia.

-Procure meu maiô, por favor.

-É branco?

-Talvez eu tenha trazido outro, não lembro. - Vou entrando no box e tirando a parte de cima do biquíni.

-Lea? - Ele me chama, já na porta com a calça posta. - Você é tão gostosa.

Somente ri e voltei minha atenção para o banho.

Terminei o banho e acordei a Lana para arruma-la. Depois de uma pequena conversa decidimos que o melhor seria irmos a piscina do hotel, pois dizem que é maravilhosa. Pegamos nossa bolsa com itens que precisaríamos, celulares e o cartão do quarto e descemos.

Lana foi de mãos dadas com o pai e todos os olhavam com ternura. Era lindo de ver as atitudes que ele tinha com ela, um perfeito cavalheiro. Eu amava quando ele ensinava a ela como uma mulher tem que ser tratada, às vezes nos estressávamos por eu achar que ele estava-a mimando, mas logo em seguida ele corrigia. Não quero que ela seja o tipo de menina que irá se vangloriar por ter um pai famoso e por ser rica, quero que ela se vanglorie por quem seu pai é de verdade e por todos os valores que ele tem e que ela irá ter. Isso é a riqueza de verdade.

Na piscina conseguimos um bom lugar. Não tinha muitas pessoas por ali, somente umas três famílias e uma delas tinha uma menina mais ou menos da idade da Lana. A influenciei a ir brincar com ela e Bruno supervisionou tudo de longe, até sentar-se ao meu lado embaixo do guarda sol.

-Fiquei até com sono. - Espreguiçou-se.

-Nem me fala. - Estalo os dedos das mãos. - Teremos que aguentar uma Lana elétrica por um bom tempo. Ela dormiu a tarde.

-Qualquer coisa dou um chá e ela se acalma, coloco um filme e ela dorme, aí podemos dormir.

-Quer ir dormir para não ir procurar fantasmas comigo? Medroso.

-Ah é. - Colocou a mão sobre a cabeça. - Irei cochilar aqui então para a noite podermos caçar fantasmas e eu poder comer você em frente deles.

-Você só pensa nisso.

-Penso que teremos uma bela história para contar e registrar.

-Mais uma. - Rio e ele acompanha-me.

Observamos a Lana por mais um tempo e eu dou um mergulho enquanto ele dormia na espreguiçadeira. Ficamos quase uma hora e meia ali até subirmos para tomarmos banho e nos arrumar. O plano é passear pelas ruas e visitar algumas lojinhas legais.

Vesti a Lana com um shortinho, tênis Converse e uma blusinha de manga comprida, porque esse vento pode ser do verão que está chegando, mas ele ainda não chegou e não posso marcar bobeira com a saúde da pequena. Coloco uma jaqueta dela na bolsa e uma pra mim também. Visto um macaquinho leve, sandálias rasteiras e espero o Bruno terminar de se arrumar quase dormindo.

-Quem sabe você não fica aqui dormindo?

-O objetivo é um passeio em família, se eu ficar dormindo, estragarei tudo.

-Isso é. - Concordo, expressando-me.

Bruno parou algumas vezes para algumas fotos e autógrafos e seguimos nosso caminho. Entramos em várias lojinhas e eu estava encantada com a limpeza e organização da pequena praia. É tudo tão bonitinho que parece de boneca. Raro de se encontrar, bonito de se ver.

-Lea. - Ele parou no meio da rua. Olhou para o outro lado fixamente e voltou a me encarar com aquele sorriso sapeca no rosto. - Vou fazer uma tatuagem.

-Outra? - Me refiro as outras quatro que ele tem.

-Sim. Você deveria fazer uma.

-Não... Quem sabe outra hora. Quando eu fazer, preciso que seja algo que eu não vá me arrepender. Sabe como eu tenho problemas com inconstância.

-É, eu sei bem. - Belisco seu braço somente por ter concordado e ele ri, passando a mão por cima.

-Já sabe o que quer fazer? - Caminho com ele até a faixa de segurança.

-Olha. - Lana aponta para uma mulher com fantasia sobre uma bicicleta.

-Linda, né meu amor. - Comento.

-O aniversário dela. - Bruno a olhou. - Uma das coisas mais importantes que já aconteceram em minha vida.

-Maravilhosa ideia.

-Aqui. - Apontou para a parte interna do braço direito. - O braço que tenho mais força.

-O braço da amizade, companheirismo... É lindo.

-Eu sei. - Passou a mão sobre o braço, dando um tapinha, como se eu tivesse falado sobre seu braço. - Desculpa, mas não pude evitar. - Riu. - Eu sei que o significado será lindo e eterno.

-Então vamos ali fazer uma tatuagem como programa de família.

-Yay. - Comemorou e Lana riu dele ficando mais próxima de mim.

Cuidamos bastante o estúdio assim que entramos. Pedi para ver sua licença e olhei todos seus instrumentos bem esterilizados, nunca deixaria que ele fizesse em qualquer lugar largado como ele faria se estivesse sozinho. Após isso, ele explicou ao moço como queria e ele desenhou, perguntando se estava bom, Bruno concordou e assim que ele arrumou as coisas, Bruno adentrou o espaço atrás de um biombo lindo que separava.

O barulho da máquina começou e Lana reclamou, dizendo que o som irritava seus ouvidos. Coloquei meus fones nela e algumas músicas do meu celular para tocar e ela ficou bem, feliz e escutando música.

Esperei por uns vinte minutos e Bruno voltou com o moço, ele conversou com ele, recebeu umas dicas que Bruno já sabia, ganhou uma pomada dele e então pagou para que pudéssemos ir embora.

Saímos do estúdio e eu pedi para ver. Lana também quis. Ele abaixou-se e mostrou em seu braço, pela parte de dentro, um código de barras com a data de nascimento dela. Ficou perfeita e o significado era mais perfeito ainda, o que deixou-a especial demais.

-Nunca esquecerei esse dia. - Beijou a testa da sua pequena princesa e olhou para nós duas. - Quem topa um sorvete?

-Eu! - Respondemos juntas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Capítulo 43


Bem no alto ou bem lá embaixo
Quando você está muito apaixonado para esquecer
Mas se você nunca tentar, você nunca saberá
O quanto você vale
Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão teus ossos
E eu tentarei consertar você
(Fix You - Coldplay)

Minhas pernas tremiam naquela bancada. Ouvia os barulhos das máquinas fotográficas, bem baixinho. O clima estava tão tenso que me deixava nauseada e com dor de cabeça. O juiz sentou-se e todos ficaram extremamente calados. Bruno estava nervoso, usando um terno preto e cabelos topete, o advogado ao seu lado estava dando um apoio, dizendo para ele não ficar nervoso.

O celular vibrou com duas mensagens perguntando sobre a mamadeira de leite da Lana e a outra sobre como estava o clima e se já havia começado. Não queria responder para não perder nada.

O juiz começou a falar, explicar todo o caso e chamou o advogado de defesa. Quando ele levantou, vi Bruno tremer a perna insistentemente.

Tudo foi bem explicado e cada um teve sua vez de falar. Bruno ficou nervoso o tempo todo. Tomamos um café preto no intervalo da decisão e retornamos para a bancada.

Sentença de duzentas horas de trabalho comunitário mais algumas cestas básicas para algumas instituições. Isso era a felicidade no meio de toda essa tensão. Prestar serviço comunitário é maravilhoso e eu sei que ele irá amar fazer isso em prol de algo além do dele, já que irá levar muita diversão – o lugar escolhido foi hospitais de crianças com câncer e outras doenças, além de um orfanato.

Mas aí o dia do Grammy chegou, e o resto foi só alegria. Como a categoria dele foi anunciada antes de ser televisionado, e apenas a sua apresentação iria ser. Eu e Urbana ficamos na plateia. Me senti deslocada, mas ao mesmo tempo muito bem introduzida. Havia muitas pessoas ali, é claro. Vestidos caros, roupas de grife, saltos caríssimos e muita riqueza para um único local. Vi muitas pessoas famosas de longe, algumas até passaram bem perto de nós. Urbana foi cumprimentada por algumas mulheres que disseram amar a sua coleção de roupas para a estação outono/inverno.

A premiação começou e Bruno já ganhou um. Ficamos como idiotas gritando e fazendo festa, eu estava completamente feliz por ele e avisei que esse dia chegaria. Ele não tem nem um ano completo de carreira conhecida e já ganhou um prêmio desse porte, e Bruno ainda tem alguma dúvida de que ele será um sucesso mundial?

Ligamos para a sua mãe, recebemos mais algumas ligações. Estávamos eufóricos.

Bruno foi chamado para a preparação da apresentação e eu deixei que ele fosse – pois estava abraçando e berrando com ele de alegria -, antes dando um rápido selinho em seus lábios, a felicidade era tanta que eu precisava disso. Eu estava extasiada de orgulho e felicidade, sendo sincera.

Assisti a sua performance de perto e chorei o tempo todo. Sua voz angelical, seu entusiasmo, seu carisma. Se as pessoas pudessem conhecer ele como ele verdadeiramente é ao invés de apenas conhecerem o Bruno Mars famoso. Ele tem todos os seus defeitos, vários, como eu tenho, como minha mãe tem, como a mãe dele tem e como todos nós temos. Mas as suas qualidades... essas ele tem muitas também. Só de pensar que qualquer outra pessoa desistiria depois de anos tentar e vários “não’s” na cara tomar, a gente vê que ele é guerreiro e batalhador com o que quer. Sem contar no super pai que ele é para a Lana...

-You are amazing. – Colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha assim que retornou do palco e nos encontrou no backstage. – Just the way you are. – Deu um rápido beijo em minha boca e Urbana começou a rir.

-O que houve? – Phil perguntou.

-Esses dois achando que escondem algo.

-Mas não temos nada pra esconder. – Ele dá de ombros.

-Então estão namorando?

-Não. – Respondemos juntos e rimos.

-Jesus. – Ela balança a cabeça e Phil dá um tapa no ombro do Bruno.

-Nós estamos crescendo... Pouco a pouco vamos chegar lá!

Bruno puxou-me rapidamente pelo braço e avisou que íamos sair para comemorar apenas eu e ele, já que todos iam ter uma comemoração mais íntima. É claro que eu aceitei, e em instantes saímos do local.

Foi um alvoroço para conseguirmos pegar o carro. Um tumulto de pessoas na grade do lado de fora, muitas meninas gritando quando o viram e ele abanou. Pedi que ele fosse atende-las enquanto eu ia subindo no carro à sua espera.

-Vamos jantar num local especial. – Colocou seu cinto de segurança, pegando o blackberry com a outra mão. – Tira uma foto nossa, por favor.

-Você pedindo pra tirar foto? – Estranhei, tomando o celular de suas mãos.

-Hoje eu estou mais do que feliz, Lea. Quero aproveitar, quero registrar esse momento.

-Você merece. – Beijo sua testa e aproximo do seu corpo.

Estico meu braço para frente e giro o celular para tirar a foto. Fizemos várias caretas e registramos tudo assim como ele pediu. Bruno puxou meu rosto, meu pescoço esticando ao máximo, e beijou meus lábios. Tirei a foto na hora e ele riu, senti seu hálito em meu rosto e embriaguei-me.

-Quero te dar o meu melhor. – Sabia que essa era a letra de uma música, só não lembrava de qual e muito menos de quem era.

-Dê! – Dou um leve beijo nos seus lábios novamente. – Vamos pra onde?

-Um hotel! Tem um restaurante maravilhoso, cinco estrelas, um tratamento de realeza para nós dois.

-E a Lana?

-Ela estará com a Jaime, Tiara está lá. Não temos problema... – Girou o volante e acenou para alguém por ali pelo vidro da frente. – Já avisei elas por SMS, não se preocupe.

-Ela está em maravilhosas mãos. – Sorri para ele e puxei outro assunto.

Bruno mal falava sobre outra coisa, dava para perceber de longe a euforia e empolgação que ele estava, não era pra menos. Ele merecia aquilo, ele ganhou o prêmio máximo que algum cantor poderia ter ganho. Ele não tem um ano de carreira – mundial – ainda, e não ganhou prêmio como “Artista revelação”, ele ganhou como melhor música... Eu acho que ainda não tenho noção da dimensão que é isto.

O carro foi estacionado em frente ao Sofitel LA, o manobrista recebeu o carro e cumprimentou o Bruno. Entramos pela frente dando de cara com a sofisticação e luxo que apenas o Hall já nos oferecia de bandeja.

Muitas pessoas circulavam por ali. Empregados uniformizados corretamente e postura plena de todos. A organização era ponto alto.

Pedimos por um quarto, Bruno que o mais caro, era somente para essa noite e o café da manhã do dia seguinte. Deu bem caro, tirando a janta que ainda não tínhamos ido escolher, mas que seria pago separadamente.

Reservou uma mesa com isolamento de todos, com velas e luzes especiais, máximo conforto. Sentamos rente a ela e o pedido foi a sugestão do chefe. Seguramos nossas mãos sobre a mesa e eu estava sentindo, novamente confortavelmente, em casa. Uma sensação bem plena de que estávamos ali como um casal, agindo como um casal, sendo um casal, mas não sendo um casal ao mesmo tempo.

Eu sentia como se fossemos namorados... Sentia aquele frio na barriga e aqueles risos frouxos como eu senti com o Kai quando adolescente.

-Estava maravilhoso. Dê meus cumprimentos ao chefe. – Coloco novamente o guardanapo sobre o colo.

-Os meus também, por favor.

-Pode deixar. Com licença. – O garçom sai levando os pratos e Bruno passa a perna pela minha.

-Só consigo pensar no meu prêmio. – Mordeu levemente os lábios. – Mas antes quero mostrar uma coisa.

Senti arrepios em meu corpo, que começaram das minhas pernas descobertas até minha nuca. Levantei com ele e fomos até o balcão para anotar em nossa conta do hotel. Bruno seguiu ao meu lado, bem juntos. Pegamos o elevador e fomos até o último andar.

-O que estamos fazendo aqui? – Olhei a grade fechada e a placa onde dizia que somente pessoas autorizadas poderiam entrar. – Bruno? – Chamei sua atenção.

-Vamos a um lugar especial. – Puxou uma chave do seu bolso. Quando ele pegou aquilo? Só poderia ser no tempo que eu estava no banheiro durante o jantar. – Vem. – Ofereceu a mão para que eu subisse as escadas com ele.

Passamos pela grade, onde tinha um pequeno portão, e em seguida pela porta de segurança. Ele a empurrou e segurou para que eu passasse. Cuidei minha pequena bolsa para não prender e meu vestido para não levantar. Bruno guiou-me até a ponta e segurou minha mão.

-Olha essa vista. – Mostrou-me a vista ampla que tínhamos dali. Dava para enxergar Los Angeles toda, praticamente.

-É lindo. – Disse, apaixonada.

O vento que batia forte, fazia barulho em meus ouvidos. Estava ficando frio... Já estava friozinho a alguns pés abaixo, aqui em cima piorou. Bruno envolveu-me num abraço e beijou minha cabeça.

-Sou eternamente grato por ter você em minha vida.

-Eu igualmente. Sempre soube que você seria sempre o meu melhor amigo.

-Eu te irritava. – Riu, remetendo-me a lembranças antigas. – Você deveria ter nojo de mim.

-Digamos que eu não convivia com muitos amigos, era apenas eu e Laila. – Dou de ombros. – Ai minha irmã começou a namorar com o Eric, ela me falou de você de um jeito legal e eu já fiquei com raiva pensando que ela arranjaria um novo irmão e me deixaria de lado, sendo que, nós já não tínhamos uma bela relação.

-Coisas de irmão. – Gargalhou. – Fiquei com ciúmes do Eric quando começou a namorar com ela.

-Como éramos bobos. – Contagiei-me com seu riso. – Ainda bem que você entrou na minha vida.

-E eu não sei nem em qual momento exato viramos melhores amigos.

-Também não. – Tremi o queixo, com frio.

-Como seriam as coisas sem a Lana? – Pensou alto, abraçando-me com mais força.

-Não faço ideia. – Balanço a cabeça negativamente. – Teríamos ido pra cama?

-Eu teria tanta inspiração como tenho?

Ficamos ali por mais alguns minutos, não muito, pois o frio estava de fato incomodando bastante. Tinha adorado nosso momento fofo, momento amigo, coisa que estávamos precisando.

Quando descemos para o nosso andar, eu esperei na porta enquanto Bruno entregava a chave para a moça da recepção. Passamos o cartão e entramos no quarto luxuoso e enorme que o hotel nos oferecia.

-Dança comigo? – Tomou meus braços, puxando-me para o seu corpo.

-Danço. – Respondo baixinho olhando firmemente em seus olhos. – Música?

-O ritmo somos nós que fazemos e a letra, eu cantarei ao pé do seu ouvido.

Via seu sorriso reluzir enquanto falava, não conseguia parar de sorrir nem ali e isso me encantava. Sua felicidade, a felicidade da Lana, são os motivos principais da minha felicidade.

Fomos no embalo da melodia que ele cantarolava, passos para cada lado, seu braço segurando minha cintura firme. Repousei minha cabeça em seu ombro ficando inebriada com seu cheiro bom. Brinquei com seu cabelo em meus dedos, beijei de leve seu pescoço por força do hábito, pois estava gostando de como tudo estava, romântico...

Puxei seu rosto de frente pro meu e apenas selamos nossos lábios delicadamente. Ele não aprofundou nada, passou a mão somente pelas minhas costas, não desceu para minha bunda ou coxas. Foi respeitador e bem querido. Acariciou meus cabelos, empurrando-me para a cama. Deitou-me com delicadeza e deitou-se ao meu lado, dando beijos em minha boca e abraçando-me.

Acho que não era clima para uma foda, era clima para nós dois nos curtirmos de maneira que nunca havíamos nos curtido, sendo “românticos” pela primeira vez na cama, apenas carícias.

Bruno beijava meus lábios e tomou distância do meu rosto por alguns segundos. Mexeu no meu cabelo.

-Quero aproveitar você essa noite. Apenas eu e você. – Beijou minha testa. – Podemos adiar o sexo?

-Sempre. – Mexi no seu topete.

-Você me acalma, sabia? – Ajeitou-se com o travesseiro ao meu lado. Virei meu corpo para o lado, ficando de frente pra ele. – Não é atoa que esse grammy é seu.

-Meu? – Ri. – Deixe de besteira. Você o ganhou porque o merece. Seu talento é único.

-Eu fiz essa música pra você. Foi pensando em você! – O encarei, recebendo a notícia da qual nunca teria imaginado. – Por muitas vezes vi você dizendo que não estava bonita, ou não estava se sentindo sexy... Tem que deixar de besteira. Você é linda, Lea. Linda como você é.

-Você é um idiota. – Meus olhos marejam. É muito pra eu receber uma homenagem dessas. – O único que merece tudo de mim.

-Lea, você me deu tudo. Isso é o mínimo que eu poderia fazer. Não sou ingrato. – Tossiu para o lado e voltou a me encarar. – Me deu abrigo, apoio, cuidou de mim e da minha filha. Puxou minhas orelhas e aguentou minhas indecisões.

-Porque eu não poderia ter um melhor amigo melhor que você. Se eu fiz tudo isso, é porque você vale a pena. E por que eu te amo.

-Eu te amo, muito. – Passou a mão pelo meu rosto.

Claro que nosso “eu te amo” vem apenas da nossa amizade. Nunca tivemos algo sério para dizermos que daríamos certo, nunca nos prendemos de maneira que pudéssemos nos amar como homem e mulher. Paixão vai e vem, apaixonados poderíamos estar, mas esse amor, o de agora, é somente de amigo. De melhores amigos de anos. De duas pessoas que se amam incondicionalmente.

Deixamos que nossa conversa chegasse até a madrugada. Horas a fio conversando como não fazíamos a tempos. Após isso dormimos agarrados, como não tínhamos dormido sem antes transar. Abri-me para ele assim como ele fez pra mim, tivemos conversas de melhores amigos novamente e eu estava me sentindo leve por isso.

E acima de tudo muito feliz por Deus ter o posto em minha vida.


Nove horas da manhã acordei a Lana e o Bruno. Já que seria eu a mostrar a casa, não precisei sair no horário de sempre. Ouvi resmungos dos dois sobre acordar cedo, coisa que ela puxou a ele, pois os dois, dependendo, podem dormir o dia todo sem problema algum.

Elétrica, dei banho na Lana, que me molhou toda. Arrumei-a e deixei um desenho passando para ela assistir. Já tinha ajeitado minha roupa e minha bolsa, então fui pro banho e Bruno foi junto comigo. Amassamo-nos e beijamos como doidos, parecia que não tínhamos transado na noite passada, mas nosso fogo acaba nunca. Só não demos continuação pois tínhamos horário e Lana não poderia ficar muito tempo sozinha.

Arrumei-me no meu quarto e ele no dele, mas antes de terminar de por minha blusa, ele apareceu e beijou meus lábios, descendo para meu pescoço e indo aos meus peitos cobertos pelo sutiã.

-Papai. – Ouvimos a Lana e logo nos distanciamos, e eu pus minha blusa rapidamente, resultando nela estar no lado errado.

-Oi, princesa. – Ele beijou sua testa.

-Acabou o mama. – Entregou a mamadeira para ele. – Quero mais.

-Mas que fome toda é essa?

-Foi só uma mamadeira, mamãe. Isso não basta. – Sacudia a cabeça, enquanto dizia todas as palavras de um jeitinho errado, mas muito mimoso.

-Essa menina é sua filha mesmo, não nega. – Balanço a cabeça para ele, rindo e indicando a saída. – Mamãe vai terminar de se arrumar.

-Tudo bem. – Ela saiu na frente com um andar elegante. Desde pequena ela desfila ao invés de andar, tem todos os jeitos delicados e eu não sei a quem puxou.

Saímos por volta das dez e meia. Tinha outra casa para mostrar a uma hora da tarde e esperava que desse tempo para tudo. Bruno dirigiu até a casa e antes mesmo de chegar, já disse que queria, por ter amado o local. Escolhi ali por que sabia que ele queria uma boa vizinhança, um local de fácil locomoção e seguro.

Abri o portão preto automático para ele entrar com o carro e estacionar em frente a grande garagem.

Já de cara percebi o quanto ele tinha se encantado. O pátio extenso na frente, com uma pequena pracinha para Lana aproveitar, espaço o suficiente para dar festa se for preciso, garagem bem ampla.

Ao abrir a porta da frente e entrar, Bruno disse mais uma vez que era aquela que ele queria. Um lindo hall de entrada nos esperava, com um corredor para o lado direito, um reto, e ao lado esquerdo uma grande abertura curvada.

Mostrei cada detalhe da casa, as salas, a cozinha, as áreas não especificadas, a adega, o banheiro e tudo mais. Os quartos começaram dos mais simples até o mais sofisticado. Ao total seis quartos. Um deles já é pintado de cores suaves, em tonalidade de azul e verde, com dinossauros e uma lamparina bem legal para criança, esse Lana se encantou, até com os dinossauros do papel de parede.

O quarto antes do principal foi o que eu mais gostei. Era amplo e com uma janela bem grande com vista para os fundos, um pequeno closet e um pequeno banheiro próprio. Era confortavelmente bom.

Chegou o quarto principal e o quarto que o Bruno se encantou. Era grande! Um closet grande, um banheiro grande, uma banheira grande, uma janela grande, e um espaço em vazio, grande também. A casa toda dava dez da nossa pequena casa atual. Só esse quarto dava uma da nossa casa. Era maravilhoso.

-Podemos transar aqui. – Bruno disse ao meu ouvido, quando Lana se afastou para colocar a sua boneca na banheira vazia. – Naquela banheira. E aquela janela? Podemos deixar aberta enquanto eu como você.

-Podemos transar na piscina. – Forço a rouquidão da minha voz e ele fisga os lábios. – Aquela cozinha? Com aquele balcão enorme... – Mordo meus lábios de leve.

-Poderíamos transar na garagem, ou também...

-Papai! – Lana veio correndo para o nosso lado. – Vamos na pracinha?

-Agora? – Falou de má vontade, arrastando a voz. – Vamos!

-Êeeh! – Comemorou levantando os braços.

Enquanto Lana se divertia a nossa supervisão, eu falava sobre todos os detalhes importantes da casa. Como contas, acesso, modos de pagamento e etc. Eram muitos pequenos detalhes de várias cláusulas do contrato extenso.

-Vou ficar com a casa, Lea.

-Sério mesmo?

-Sim!

-Não brinca... É sério? – Fico espantada.

-Muito sério.

-Eu vou ganhar uma comissão muito gorda em cima disso. – Meus olhos brilham.

-Além de morar nessa casa maravilhosa... aquele quarto será seu também.

-Meu Deus. – O abraço. – Você não existe...

-O que é um quarto perto do que já fez por mim, Lea? – Beijou meu rosto. – Mas vou querer inaugura-la.

-Talvez num dia que eu esteja trabalhando... – Falei baixinho em seu ouvido. – Vamos fechar o contrato hoje? Assim posso até sair mais cedo.

-Porquê ainda não fechamos? – Mordeu os lábios. – Você judiou de mim essa manhã.

-Eu? – Ri próximo ao seu ouvido. – Não mesmo.

-Nós nos judiamos. – Balançou a cabeça colocando a mão pela minha perna.

-Eca. – Lana fez uma cara de nojo enquanto chegava perto da gente. – Mamãe, quero ir na praia.

-Hoje meu amor? Hoje estou trabalhando... Pode ser no final de semana?

-Tudo bem.


Um mês após a visita, Bruno conseguiu, finalmente, fechar o contrato com a nossa imobiliária. Ele foi lido e esclarecido várias clausulas juntamente ao advogado dele, para que não restassem dúvidas. Assim que a entrada do pagamento foi registrada, mais da metade do valor, a casa era oficialmente dele.

A chave lhe foi entregue, juntamente com quatro cópias do contrato, um manual de boas utilidades – o que particularmente é sem noção, pois cada um faz o que quer da sua casa. E no final de Abril nos mudamos para a casa nova.

Arrumei toda a casa antiga, toda. Para que pudesse fecha-la e deixar tudo em ótimo estado. Pensei em coloca-la para alugar por enquanto, ganhar um dinheiro com ela já que irá ficar trancada por um tempo, mas ainda estou pensando, já que as meninas querem vir morar em Los Angeles, quem sabe elas não passem um tempo na casa ao invés de atrapalhar a Jaime na sua casa com seus filhos e marido.

Bruno não deixou que fizéssemos nada. Contratou o pessoal da mudança e dois dias depois – depois de comer comida congelada ou pedida de restaurante, com refrigerante -, criamos coragem para arrumar tudo. Se somos preguiçosos? Talvez, mas já havíamos arrumado a antiga casa de forma que ficasse impecável, eu estava podre de tanto faxinar cada canto da casa e o Bruno de carregar coisas de um lado para o outro. Tínhamos direito dessa folguinha.

As duas primeiras semanas foram de adaptação, para nós e para a pequena Lana, que estranhava ao acordar, muitas vezes. Chorou bastante e foi difícil deixa-la no seu quartinho, mas com o tempo ela acostumou-se e adorou ficar ao redor dos seus brinquedos. Será bom ela ter essa privacidade de ter seu quarto sozinha, desde pequena. Cria certa independência.

domingo, 18 de outubro de 2015

Capítulo 42


Mas sou apenas humana
E eu sangro quando caio
Sou apenas humana

E eu me arrebento e me desmonto
Suas palavras na minha cabeça, facas em meu coração
Você me bota lá em cima e depois eu caio aos pedaços
Pois sou apenas humana
(Human - Christina Perri)

Bruno havia recebido um belo convite em casa, no nome dele, do Phil e do Ari. O convite? A festa de indicações para o Grammy. A festa havia começado assim que ele recebeu o convite e no dia, a felicidade não poderia ser maior.

Bruno andava de um lado para o outro, estava lindo. Com seu chapéu Fedora, um blazer cinza e seus sapatos sociais que insistiam em fazer os “clack clack” no chão, como se fosse um salto de mulher. Fiquei abismada com a rapidez de que tudo isso está acontecendo. Ele mal lançou um álbum, mal teve dois singles e apenas um clipe oficial... É impressionante. Isso só veio pra mostrar que ele é bom no que faz e merece estar onde está chegando.

Quando os meninos se encontraram, abençoamos eles, eu, Urbana e a namorada de Ari. Ficamos em casa esperando toda e qualquer informação, além do evento que iria ser televisionado por parte.

Como na pirâmide de Maslow, ele está chegando no topo. Já obtém suas necessidades fisiológicas, segurança, sociais e autoestima completamente cheias, e se depender de hoje, irá chegar na sua alto realização. Eu torço por isso mais que tudo e espero que ele ganhe ao menos uma indicação, mas como eu disse a ele, basta ter o pensamento positivo, já que ele foi convidado, e não deve ser por nada esse convite.

Depois de umas horas esperando alguma notícia, Bruno ligou, avisando que iria começar as indicações e que deveríamos ficar nas espertas.

Não demorou muito para sair a primeira indicação... Nothin On You, do B.o.B. Tem a colaboração dele, então tecnicamente é dele também. Logo veio as felicidades maiores quando ouvimos praticamente uma atrás de outras mais indicações. A maioria era da colaboração dele e do B.o.B., mas haviam também para Fu** You, letra escrita por ele e os meninos, mas interpretada por Cee Lo.

A hora que eu mais gritei e chorei de emoção foi quando o nome dele foi unicamente anunciado. Mandei uma mensagem felicitando e pedindo que me ligasse assim que possível, mas que agradecesse à Deus e ligasse para a sua mãe e seu pai primeiramente.

-Alô? – Atendo o telefone, um número desconhecido, ouvindo um barulho imenso.

-Lea? Sou eu, Bruno! – Ouço a sua risada. – Estou ligando do número de um amigo meu.

-Bruno! – Alerto as meninas. – Meu Deus, parabéns, parabéns, e parabéns. Não tem muito o que dizer... Eu estou surtando por você!

-Ela está chorando. – Urbana ri alto.

-Obrigada, gente. Estamos muito felizes também. Queremos gritar, mas acho que seria muito inconveniente? – Aposto que ele está arqueando suas sobrancelhas.

-Eu estou muito feliz. Parabéns novamente. Tudo isso que está acontecendo é só o inicio, virá muito mais pela frente, verá. Você merece muito mais, e vai ganhar esse prêmio. Ouviu? Vamos manter o pensamento positivo e continuar usando esse dom maravilhoso.

-Você é incrível! Eu te amo, Lea. Não poderia existir alguém melhor para compartilhar esses momentos comigo.

-Você é o melhor, merece o melhor. Estou muito feliz de participar desse momento com você... Eu te amo, muito.


-Não é pra fazer assim com a sua prima. – Jaime gritou para o Jaimo, que insistia em rodopiar Lana pelos braços.

-Tô vendo isso acabar em coisa não muito boa. – Pus as mãos na cabeça e ela ri, pegando Jaimo pelo braço e dizendo algo do qual não prestei atenção. – Que horas os meninos chegarão? – Dirigi-me a Cindia.

-Eric havia dito que dentro de uma hora estariam aqui. – Espiou Liam por cima da pequena cama feita para ele na sala. – Mas sabe que eu não acredito. Eles estão com os meninos da banda, mais o Dre...

-Soltos em Los Angeles.

-Soltos até eu dar uns tapas no Eric. – Riu e Jaime juntou-se à nós novamente.

-Jason está chegando do mercado, acho que já irá acabar nossa mordomia.

-Pelo menos eu posso ajudar, Liam está ferrado no sono.

-Como é bom ser criança. – Reviro os olhos. – Queria dormir por muito tempo assim, mas tenho que dormir com um olho e deixar o outro aberto por causa da Lana.

-E a babá, não irão atrás de outra?

-Vou ver mais indicações, mas indicações de pessoas que eu conheça e não de agências.

-O que aconteceu com aquela menina loira? – Jaime perguntou. Pigarreio e Cindia até ri um pouco.

-Bruno dormia com ela... Em todos os cômodos. – Digo rapidamente. – É um desrespeito à mim e a filha dele. Além do mais, ela mal cuidava da Lana... Se é pra deixar minha pequena olhando televisão o dia todo, eu a deixo com a minha avó.

-Mentira!? – Se espantou. – Meu irmão é um idiota.

-Mas tem algo que eu queria saber... E vocês? Não ficam? Não estão juntos?

-Nós? – Rio. – Não tem nós.

-Ok, mas vocês tiveram algo, sim? – Parecia estar sendo entrevistada pelas duas, impressionante o quanto me senti pressionada. Assenti positivamente.

-Mas meu irmão é um idiota que não te pediu em namoro, certo?

-Na verdade nós dois achamos melhor não namorarmos. Pelo menos no inicio não.

Eu estava mentindo, é claro que nós ainda ficávamos. Não na mesma frequência de antes e nem aquelas coisas fofas de antes, mas tirávamos nossa vontade. Estalo o pescoço, olhando para minhas unhas pintadas de esmalte Café.

-Depois então você queria?

-Não sei se me sinto à vontade pra responder isso. – Começo a rir, não quero expor nenhum sentimento nem nada assim.

Nem eu sei o que senti naquela época e o que sinto, nem eu sei como as coisas estão dentro de mim. Não sei o que eu sinto... Pode ser apenas saudades, apenas carência de ter um carinho a mais, apenas vontade de ter ele perto de mim novamente.

Começamos a fazer a comida dividindo todas as tarefas.

-Mamãe. – Lana parou na porta da cozinha e Jaime me olha, seus olhos sorriem pra mim. – Fome. – Franze a testa bem igualzinho ao seu pai.

-Dê comida à ela, depois volte aqui. – Jaime pega a faca da minha mão onde estava cortando cebola.

Lavei as mãos e as sequei num pano. Não iria dar nada pesado à ela, então esmaguei uma banana com um pouco de aveia. Sentei com ela no sofá e liguei a televisão.

-Fica aqui bonitinha com a mamãe. – A impedi de descer do sofá. – Olha a comida. – Faço um aviãozinho e ela ri.

Ela continua rindo e prestando atenção no desenho enquanto dou a comida pra ela. Minha pequena está crescendo tão rapidamente. Uma princesa de linda, com a pele parecendo estar sempre bem bronzeada, olhos graúdos e castanhos, cabelos batendo pelo ombro, com as pontas cacheadas.

Ouço a risada do Bruno depois de duas semanas sem vê-lo. Olho para a porta e ele está lá, com Eric passando a sua frente. Acenei para ele e Bruno sorri, mas seu olhar vai diretamente para sua filha.

-Amor do pai! – Correu para abraça-la. – Que saudade.

-Papai. – O abraçou fortemente. – Estou comendo banana. – Apontou para o prato em meu colo. Seu jeitinho errado e fofo de falar é uma das coisas que mais me encantam.

Agora ele me olhou, deu um sorriso e inclinou-se para beijar-me. Ofereci minha bochecha, mas ele beijou minha testa.

-Estou todo suado. – Fez uma careta. – Como estão?

-Muito bem, papai.

-Muito bem. – Respondo também.

Lana não quis comer o resto, foi atrás do seu pai para todo o lugar que ele ia. Não tiro a razão da pequena, coitada, passar tempos longe dele é difícil.

Ajudei as meninas na cozinha novamente e fofocamos mais um pouco. Ao chegar a noite que antecipa o natal, trocamos abraços e beijos, comemos nossa ceia e nos juntamos para conversarmos e comemorarmos. Ligamos para todos os parentes que gostaríamos que desejar um feliz natal. Usamos gorros e roupinhas legais, como suéteres de renas ou com papai Noel.

As crianças dormiram ao chegar duas horas da manhã. Cantamos em volta do piano cantigas legais e conversamos mais um pouco. Afastei-me de todos para ligar para minha mãe. Falar com ela e com o meu pai me causou uma sensação tão ruim, como todos os natais. Passar longe deles nunca foi o plano, mas é o que temos. Liguei para minha irmã e já perguntei sobre a sua vinda pra cá, ela disse que será o mais breve possível, assim que entrar o ano de dois mil e onze.

-Hey. – Bruno estava mais alegre depois de umas doses de vodca. Virei-me para limpar o rosto. – Está afastada porquê?

-Liguei para minha família. – Sorri. – Eles estão bem e...

-Vamos voltar pra lá? – Nem ouviu o que eu tinha pra dizer, só queria poder dizer pra ele a saudades que estou sentindo da minha família, compartilhar isso...

-Pode ir lá, tenho mais ligações a fazer. – Procurei o número da Megan no meu celular.

-Ok.

Não foi nada demais, foi bem longe disso, ninguém é obrigado a ouvir meus lamentos e problemas, mas ele bem que poderia arcar com seu papel de melhor amigo e dar-me um abraço que não recebi ainda.

Depois que liguei para a Megan, permaneci na rua. Ele não me procurou, somente depois para dizer que a Lana estava chorando. E eu fui.


Passamos o ano novo em Nova Iorque. Motivo? Bruno tinha shows e Lana não quis ficar com ninguém além de mim, então fui junto ao invés de ficar com meus avós como fora o combinado.

Foi um dos piores ano novo da minha vida. Porque? Também não havia um motivo concreto. Vimos o show dele, pequeno até, passamos a virada cantando, depois Lana foi posta para dormir e a gente seguiu para uma festa no mesmo local do show.

A festa em si estava boa, bem divertida, mas em certo momento fiquei sozinha até o resto da noite. Bruno se envolveu com uma mulher e sumiu da festa, Cindia e Eric foram para o hotel por causa do Liam e para terem seus momentos. Urbana e Phil saíram assim que deu meia noite. Megan estava em Los Angeles com o Caleb, e eu ali sozinha, numa pista de dança.

Dancei com dois caras, pelo ou menos, mas nada demais. Ambos não deu em nada, nem troca de números... Dois mil e onze já começando com azar.

Cheguei no quarto do hotel – Lana estava com Urbana – e encontrei Bruno deitado na sua cama com uma mulher. Estavam dormindo. Uma morena linda, cintura fina e parecia ter um corpo maravilhoso. Não quis olhar muito para a cama, minha raiva e azar já estavam no limite. Meu salto gruda em uma camisinha usada – sem nada dentro dela, ele deve ter gozado na morena ao seu lado.

Tomei um banho e coloquei meu baby-doll sexy – que trouxe pensando que poderia rolar algo nessa viagem – e deitei na cama, cobrindo-me até o pescoço. Virei-me de um lado para o outro, mas ou havia uma pintura horrível e bem triste, ou havia Bruno e a mulher empernados na cama ao lado.

Muito barulho pra acordar no primeiro dia do ano, em pleno sábado. Resmunguei tapando até minha cabeça, mas estava demais. Tirei a coberta e vi Bruno se pegar com a mulher no canto enquanto ela vestia suas roupas. Era só o que me faltava. Virei para o lado e resmungo mais uma vez, mas nenhum dos dois parecem ouvir ou me ignoram.

Quando ouço o barulho da porta, tiro a coberta de cima da cabeça e olho para ele, sem camisa somente com a cueca, espreguiçando-se e sorrindo. Ele coça seu saco e eu faço cara de nojo. Eu não estava no meu dia, não estava na minha semana, não estava no meu ano!

Levanto para ir ao banheiro, já que dormir não ia conseguir mais. Peguei meu celular e passei reto por ele.

-Bom dia pra você também. – Diz quando saio do banheiro, está sentado na sua cama.

-Bom dia. – Coloco meu kit de higiene na minha mala.

-Podemos fazer o que hoje? Queria levar a Lana na Estátua. – Falou pegando o controle da televisão.

-Leve. – Dou de ombros. – Aproveite e pegue ela ali com a Urbana. Ela já deve estar acordada e vai querer comer algo.

-Você está linda com esse baby-doll. É novo?

-Não. – Olho para o meu corpo. – Comprei em novembro.

-Relativamente novo. – Deu de ombros perambulando pelos canais da televisão.

Pego o telefone e ligo para o serviço de quarto, pedindo o café para nós dois e o da Lana também. Vi que ele não se aprumou para busca-la no quarto, então interfonei para ela e avisei que iria lá, mas Phil fez questão de traze-la.

Abri a porta pra ele e ela estava no seu colo, ainda dormindo.

-Obrigada, Phil! Você é um anjo. – Abro mais a porta para que ela passe. – Coloque ela na minha cama, por favor.

-Bom dia. – Disse para nós dois, indo na direção da minha cama. – Essa pequena tá pesada.

-Nem me fala. – Comento com ele.

-Bro, não deveria ter tomado tanto Cosmopollitan. – Riu sozinho. Bruno estava atirado, estranho.

-Depois a gente conversa. Não tomei café ainda. – Torceu o rosto na careta de fome e pôs a mão sobre o estômago.

Phil saiu do quarto e logo o café chegou. Sentamos na mesa para dois e tomamos o nosso praticamente em silêncio. Quando peguei o açúcar, Bruno pegou ao mesmo tempo, pondo sua mão sobre a minha. Sorri pra ele, mesmo querendo que ele tirasse aquelas mãos de Morena-Sem-Nome das minhas. Não poderia mostrar que lá no fundo eu estava magoada por isso. Não havia a Lana ali para dizer que ele estava desrespeitando-a.

-O que fez ontem à noite?

-Fiquei sozinha na boate. – Pus a torradinha na boca. – Foram todos embora.

-Não sabia que não tinha ninguém lá.

-Tinha. – Dou outra mordida e mastigo. – Um monte de gente, mas nenhuma que eu conhecesse.

-Ah. – Sua vez de comer com geleia de morango. – Voltou como?

-Dividi o táxi com um casal. – Dou de ombros, terminando meu café.

-Isso é perigoso.

-Eu sei, mas era o único modo de conseguirmos um táxi sem ter uma fila numérica. Era virada do ano, e estamos em Nova Iorque.

-Desculpa.

-Não foi nada. – Sorri sem vontade, um verdadeiro sorriso amarelo.

-Foi sim, uh? Desculpa por acordar você.

-Compenso meu sono quando irmos pra casa.

-Estou pensando em voltarmos domingo, o que acha? Teríamos o sábado para aproveitar aqui, podemos sair à noite...

-Pra irmos em outra boate e eu ficar sozinha mais uma vez? Obrigada.

-Ah, e não tinha ficado brava?

-Não falei em nenhum momento que não estava brava. – Bufo.

-Para compensar podemos sair somente nós dois...

-Vou sair com a minha irmã hoje. Algo com ela, o Kyle e seus amigos.

-Amigos? Hm. Divirta-se.

-Obrigada. – Levantei da cadeira.

-Pensei que queria passar mais tempo comigo, já que vou viajar novamente. – Resmungou sozinho.

-Querer eu queria, Bruno, mas nem tudo que a gente quer, a gente consegue. Você me deixou largada lá naquela boate onde eu não conhecia ninguém!

-Vai ficar esfregando isso na minha cara?

-Não! – Apontei o dedo para ele. – Mas não estou afim de passar mais uma vez sozinha. Fique com a sua filha, ela precisa de você!

-Você também precisa de mim.

-Não, eu não preciso. – Ri, com os nervos à flor da pele. – Preciso somente ficar com quem queira minha companhia.

-Não estou com paciência pra dramas. Rainha! – Rainha do drama? Ah claro! Idiota.

-Bem eu mesmo. – Observo que Lana se mexe. – Vou dar café pra ela e vou sair.

-Tchau.

Não foi por querer, foi impulso. Peguei um sache de açúcar e toquei nele, que desviou-o com as mãos, tomando de volta do chão e me encarando. Queria chorar de raiva por tudo, principalmente por esse ano ter entrado uma bosta, vai acabar pior, eu sei que vai.

-Lea? – Diminuiu o tom de voz.

Pisco e a lágrima caí. Novamente a menina Eleanor chorando por emoções que estão à flor da pele, emoções que eu não consigo controlar, nunca. Peguei a Lana que acordou com um enorme sorriso.

-Bom dia. – Beijo seu rostinho e sem querer o molho com a lágrima.

-Bom dia mamãe. – Passou a mão nos seus olhos e depois nos meus. – Tá chorando?

-Foi um cisco. – Largo-a no chão. – Vamos tomar café?

-Vamos.

-Vamos cantar uma musiquinha então.

Cantei alguma música de um dos desenhos que ela assiste e logo meu humor já melhora em setenta por cento. Bruno fala com ela algumas vezes e diz que hoje eles irão passear. Depois de tomar um banho e separar minha roupa, estava de toalha envolvida no corpo e Bruno coloca a Lana na cama, colocando sua roupinha. Penteio meus cabelos e ele a veste, deixando-a na cama e me abraçando por trás.

Soltei suas mãos do meu corpo e desviei dele. Eu ainda ficaria assim com ele, fiquei chateada e não foi pouco. Não gosto de ficar sozinha, e ao chegar aqui encontrar ele com aquela mulher... Não é ciúmes, é... Eu não sei o que é, só sei que queria atenção dele, um pouquinho mais, precisava disso para suprir toda a saudades que eu sinto do meu melhor amigo.


O final de semana em Nova Iorque foi um desastre. Chegou ao ponto de ficarmos sem nos falar. Ele não insistiu mais para falar comigo e eu não corri atrás, passei o sábado e a manhã de domingo com a minha irmã e acabei ficando com um dos amigos de Kyle. Somente alguns beijos para me dispersar um pouco.

No domingo, durante o voo, Lana passou mal e eu cuidei dela. Está gripada e com virose. Em Los Angeles o médico passou para nós uma série de remédios que iriam melhora-la.

Segunda feira foi entregue a carta que temíamos. O julgamento do Bruno seria no dia 20 de Janeiro, no Texas. Depois teria o Grammy e as viagens continuariam. Ele ficou nervoso e com medo do que pudesse acontecer, mas o advogado disse para ele manter a calma e pensar positivo, porque ele lutaria para que nada desse errado.

Tive o dever de falar com ele depois de tudo isso. Abri a porta do seu quarto e passei por cima de qualquer orgulho que tinha.

-Hey. – Sentei-me ao seu lado. – Vai dar tudo certo. Você já falou com o advogado e ele lhe garantiu isso.

-Estou com medo, Lea. – Soltou o ar preso por algum tempo. – E se algo der errado? Eu não quero ser preso. Eu fiz aquilo sem pensar.

-Eu sei, todos sabemos. Por isso mesmo precisa acalmar. Vai dar tudo certo.

-Rezo quatrocentas orações...

-Não adianta rezar e não ter fé. Tem que ter fé e acreditar que vai dar certo.

-Me desculpa por ter feito aquilo em Nova Iorque.

-Já passou. – Acaricio seus cabelos.

-Não é só seu ano que está uma droga. – Começou a rir.

-Isso é apenas uma passagem, Bruno. Daqui pra frente você só terá conquistas. Verá!