quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Capítulo 54

Você teve um monte de momentos que não duraram para sempre
Agora você está no canto tentando entender
Como amar
(How To Love - Lil Wayne)


Doze de Outubro de Dois mil e doze

Preguiçosamente, me ajeitei na cama, desejando não ter que levantar para ajeitar a casa.

Ganhei uma folga merecida após trabalhar o final de semana para o Ian bater a meta de casas para o fechamento de um contrato com uma empreiteira. Eram burocracias demais, mas após todo o esforço, conseguimos o êxito.

Passaria o dia em casa, de pernas para o ar. E cabelos, também! Lana estava a todo o vapor e não para um segundo de escutar a música do seu pai e de dançar de um lado para o outro.

Ele finalmente lançou o primeiro single do seu segundo CD. A música? Locked Out Of Heaven. A letra? Algo parecido com o que ele me falou quando nós estávamos ficando ainda e tínhamos terminado uma transa. Foi uma homenagem legal, seria mais se estivéssemos juntos... Juntos não é bem a palavra certa. Algo como: se tivéssemos transando casualmente, pega melhor.

Falando em "nós", estamos amigos novamente.

Passamos por uma semana, assim que dei o basta final, onde ele ficou o tempo todo tentando me convencer de que ele estava consciente de que tinha errado e que nós deveríamos continuar com aquilo, pois estava, de certa forma, viciado em mim. Nenhum momento dei esperanças, nem à ele e nem à mim. Coloquei em minha cabeça que nós não servimos mais pra isso. Agora toquei minha bola pra frente e estou, aos poucos, me adaptando a vida da caça ao tesouro, experimentando vários caminhos.

Saí com duas pessoas nesses dois meses. Dois homens que não foram o que eu esperei exatamente. Um deles morava em Oklahoma, o outro em Venice. Um deles um idiota caipira, que só queria diversão e o outro um garanhão que se achava acima de qualquer pessoa. Não transei com nenhum deles, mas experimentei o beijo. Megan disse que eu posso experimentar aquele lance de cinco encontros, e somente no quinto transar. Não é uma má ideia, mas está ai para pensar.

Bruno Pov's

O sono tomava conta do meu corpo, relutava pra acordar de vez, mas algo me puxava na cama e me inebriava para que eu ali continuasse.

Coço os olhos, espreguiço-me, estalo meu pescoço e meus dedos. Tudo isso antes de levantar. Meu corpo parecia pesar mais do que quatrocentos quilos.

-Ah. - Reclamo, sentando na cama. - Não quero te deixar. - Me atirei pra trás.

Levantei meu olhar para o relógio-despertador ao lado da minha cama, onde o digital marcava 08:14min.

-Droga. - Peguei impulso para levantar e saí da cama, calçando meus chinelos.

Bati na porta da Lea, para acordar ela, mas ouvi o seu resmungo de já estar acordada. Parti para o quarto da minha filha e abri delicadamente a porta. Ela estava dormindo ainda, tranquilamente. Adentrei o quarto e caminhei até a sua cama. Dei um beijo em sua bochecha e esperei que ela não acordasse.

-Te amo pequena.

Saí do quarto e entrei no da Lea, sem permissão mesmo.

Nós estamos... Bem! É, ela inventou um negócio idiota de que não íamos mais envolver sexo com nossa amizade. Uma bobagem, mas eu tentei. Tentei mesmo. Falei para ela muitos discursos e não escutei muitas palavras. Ela evitou me responder sobre isso, mas quando respondeu foi direta, novamente, dizendo que não íamos realmente ter mais nada.

Tudo bem, se ela quer isso, eu não posso fazer nada. Ela não pode escapar das minhas punhetas quando preciso, nem dos meus pensamentos.

Meu extinto falou bem mais alto quando comecei a fazer algumas coisas para ver a sua reação.

Falei com mulheres no celular, mostrei algumas fotos de algumas mulheres que peguei, convidei ela para ir em algumas boates onde eu iria ir. Mas, para a minha infelicidade, ela reagia normalmente. Meu cociente diz que ela está com raiva por dentro e que não quer mostrar o ciúmes. Mas meu coração, pouco a pouco, vai dizendo que ela realmente não se importa mais, o que só me faz pensar que eu devo aumentar a dose.

Eleanor estava enrolada no lençol branco da sua cama, mexendo em seu celular e rindo.

-Bom dia, bela adormecida. - Sento na ponta da sua cama e ela oferece um sorriso quando repete o que eu falei. - Que bom dia mais seco.

-Cuspir enquanto falasse ajudaria em algo? - Diz, de um bom humor notável.

-Que bom que acordou assim. - Dou um tapinha em seu braço. - Lana continua dormindo, dispensei Umma por hoje...

Ela me interrompe.

-Não! - Chega a sentar-se, ajeitando o lençol que mostra seu pijama sexy vermelho, de um tecido fino. - Ela tem que vir.

-Por quê? Estamos em casa.

-Sim, mas estava combinando de fazer um piquenique com a Lana, aproveitar o sol.

-Eu nem sabia disso.

-Essa ideia eu tive agora. - Balançou a cabeça e rio, junto com ela. - Mas sério, não estou afim de fazer comida. - Dramatizou.

-Vamos fazer comida juntos?

-Estou com preguiça.

-Tudo bem. - Saquei meu celular, verificando que tinha mensagens novas. Olhei primeiro para uma lista especial e mostro para ela. - Podemos escolher o que queremos.

-Você é um anjo.

-Poderia ter pedido direto. - Rio dela.

Abro as mensagens, uma de Ari e outra de Alison.

Alison é uma latina, gostosa demais! Filha de um pai apoderado e uma mãe muito linda, ela é cheia de curvas gostosas com tudo na medida exata. Faz academia e é boa de cama. Conheci ela numa noite e transamos duas vezes, agora nos falamos para combinar a terceira, mas está difícil de eu sair de casa sem ser notado.

Apesar de tudo, ainda quero manter a privacidade e a integridade minha e da minha filha perante a mídia. Há possibilidade deles aumentarem em duzentos por cento o que verem por um único segundo.

A mensagem dela continha uma foto e a pergunta se iríamos nos ver hoje porque estava com saudades. Só de abrir a foto meu pau já lateja dentro das calças. Não estava usando cuecas.

Pus a mão discretamente sobre ele e Lea me olhou, curiosa pelo meu olhar sobre o celular.

-Eu sei que... - Iria falar que ela não iria gostar de ver, mas é melhor ver a sua cara quando vir a foto. - Olha isso. - Fisgo os lábios.

-Gostosa. - Arregalou os olhos. - Tá pegando?

-Duas vezes... Quero marcar a terceira!

-Boa de cama?

Não me vem com esse papinho que tínhamos antes sobre as mulheres com quem eu fico.

-É, bem boa. - É boa, definitivamente, não manda tão bem no oral, não liberou a porta dos fundos, mas é boa no que faz. - Tenho o bônus de gozar na boca dela.

-Transa sem camisinha? - Faz uma cara de nojo.

-Acha que sou doido? - Começo a rir e a levo junto comigo. - Não. É com camisinha, mas antes de gozar eu tiro. Não gosto de gozar numa borracha.

-Deve ser chato. - Torceu os lábios. - Será que ela curte mulheres?

-Posso perguntar se ela está afim de um ménage. O que acha?

-Não. - Balançou a cabeça, bem humorada. - Não a quero.

-Me quer?

-Vá à merda. - Riu de mim. - Sabe que eu só brinco com essas coisas. Experimentei beijar mulheres, mas foi só isso. Gosto de outras coisas.

-De preferência que te façam gozar como doida, uh?

-Obviamente. - Sua risada é gostosa. Ela inclina-se pra frente, penso por um segundo que ela irá falar algo pra mim, mas ela apenas ajustou-se e colocou o travesseiro atrás. - Toda mulher gosta disso e quer isso.

-No fim todos querem isso: gozar. - Dou de ombros, olhando pela última vez a foto e bloqueando o celular.

Quando vi que Lea ainda ficaria um tempo na cama e que estava no celular, olhando para ele e rindo como uma boba, não perdi tempo.

Acordei minha filha e fiz o café para nós. Chamei pela Eleanor que veio quando estava acabando. Lana pediu para pôr a música que lancei. Ela a amou, talvez por ter essa batida bem característica, ser bem agitada e boa para dançar, mas ela adorou e vive dançando desde que lancei.

Lea a canta junto com a Lana e grava minha pequena cantando.

-Olha pra câmera, Lana. - Lea a chama e ela olha, envergonhada. - Não vai cantar? Tem que completar o show.

-Eu não sei. - Olha pra baixo, balançando o pezinho de um lado para o outro. Cheia da vergonha.

-Canta pro papai. - Peço e ela me olha. Me encara por algum tempinho e começa a cantar.

Lea grava tudo e enquanto nós estamos vendo, eu não sei quem baba mais sobre ela. Minha pequena cresce a cada dia mais. Fica mais esperta, mais rápida, curiosa por saber sempre mais. Tenho tanto orgulho da minha filha.

Eu a esmago num abraço e Lea se junta a nós. Beijo a bochecha da minha filha e faço cócegas nela. Eleanor saí do nosso meio e vai atrás do celular, onde não para um segundo de rir que nem idiota olhando pra tela daquele negócio. Ok, Lea... Se é assim, assim será!

Peguei o meu e deixei minha filha um pouco livre. Abro a conversa com Alison e imediatamente aparece a sua foto. Eu preciso vê-la, e preciso que Lea saiba que eu estou vendo-a. Disquei seu número e não deu muito para ela me atender.

-Olá. - Posso ver o sorriso através da sua voz. Sorriso safado. - A que devo a honra?

-Bom dia. - Olho para o relógio e ainda é considerado bom dia. - Ocupada?

-Pra você, nunca. - Dá um risinho sem graça e eu faço questão de procurar Lea no meu campo de visão. Caminho um pouco pra frente para que fique nítido o que estou falando.

-Assim que eu gosto. - Mordo o canto dos lábios. - Ocupada hoje à tarde?

-Irei com meu pai num compromisso. Somente à noite.

-Podemos nos encontrar? - Perguntei, aumentando o tom da voz. Lea não levanta a cabeça, mas sinto o seu olhar levantar para mim. - Não vejo a hora de te ver.

-Podemos marcar algo pra noite então, tudo bem?

-Maravilhoso.

-Onde?

-Te mandarei mensagem. Aliás, obrigada pelo maravilhoso bom dia que tive com aquela foto. - Agora sim ela levanta a cabeça, passa seus olhos por mim e olha para Lana.

Ela caminha até seu encontro e brinca com a pequena, nem olhando pra mim. Tenho certeza de que Lea ouviu e funcionou, consegui despertar seu ciúmes, sim? Talvez.

-Queria uma também.

-Quando fizer uma homenagem pra sua foto, mando uma minha.

Consegui! Me senti vitorioso quando ela me olhou diretamente e em sua cabeça, tenho certeza, que passou o assunto que eu estava tratando no telefone. Isso, Eleanor. Quero ver você sabendo o que está perdendo. Vai sentir muito por ter me jogado fora e quando quiser, claro que darei uma de difícil pra mostrar quem manda.

É um joguinho idiota, mas não aceitarei sair dessa sem ser vitorioso. Ela têm que ver o que perdeu, o grande partido que eu sou.

-Ihh, mamãe.

A primeira coisa que ouço é um barulho, quando Lana diz isso eu me viro novamente para vê-las. Minha filha está com as duas mãos pra cima, com cara de quem aprontou e Lea está com cara de riso, mas que está se segurando ao máximo para dar um exemplo.

-Eu falei que iria quebrar, não falei? - Observo que no chão há alguns cacos.

-Desculpa. - Se embalou de um lado para o outro.

-Tem que pedir desculpas pro seu pai e prometer que vai cuidar da próxima vez. - Pegou suas mãozinhas. - Você poderia ter se machucado. - Olhou-as de perto. - Está dodói?

-Não. - Responde, recolhendo as mãos. - Eu ajudo a limpar. - Se ofereceu quando Lea pega o primeiro caco maior.

-Isso é pra mim. Você pode ir lá, pedir pro seu pai sair do telefone e pedir desculpas pra ele por ter quebrado seu enfeite. Ok?

-Ok.

-Não foi nada. Só cuide da próxima vez.

Ela a abraçou e deu um beijo em seu rosto. Eu não canso de dizer que minha filha não teria mãe melhor para ensinar as melhores coisas.

Além do que estava acontecendo, prestei atenção quando ela falou para Lana me tirar do celular. É o ciúme? Tudo bem, ele vai aumentar.

Lana me pediu desculpas pelo que quebrou, era apenas um enfeite qualquer.

A tarde pareceu se arrastar demais para passar. Pratiquei algumas coisas no estúdio de casa e enquanto estava no meu piano, Lana estava no seu de brinquedo, batendo nas teclas com a intensão de sair um som bom. Na verdade parecia um saco de gatos, mas eu dizia que estava bom para incentiva-la a continuar. Quero que minha filha também aprenda muito com a música.

Quando peguei o celular e abri a conversa com a Alison, a primeira coisa que vi foi à foto novamente. Pensei em onde poderíamos nos encontrar e tive uma brilhante ideia. Redirecionei uma mensagem pra ela:

"Às nove horas, na minha casa. Já tem o endereço, vou deixar seu nome com o pessoal para autorizar a sua entrada. Estou te esperando... Venha muito sexy e preparada para uma boa foda."

Se fosse a Lea me respondendo essa mensagem seria algo no estilo: "uma boa foda? Uma só, Bruno? Fraco." Parece que eu estou ouvindo ela falar isso e rio sozinho.

Ajeito meu quarto, separo uma roupa qualquer para tomar um banho e me relaxo com a água morna no meu corpo.

Eleanor acabou fazendo a janta, algo mexicano com pimenta e tudo mais. Nada melhor que uma boa latina, em amplos sentidos. Jantamos e quando deu nove e vinte, Alison ainda não tinha chego. Lana estava na sala e Lea foi pra lá também, com o celular em mãos. Que tanto tem nesse celular dela que ela não larga de mão? Meu Deus!

A campainha toca e eu atendo. Ela aparece, trajando um vestido justo no corpo, sexy, na cor de abóbora. Seus cabelos estão soltos e nos seus pés tem uma sandália. Há uma fenda na lateral do vestido que mostra a ponta da sua tatuagem. Um dragão que pega um pedaço da perna até suas costelas.

Demos um beijo rápido ali e fiz questão de leva-la até a sala.

-Alison. - Chamo a atenção de L e Lea que estavam montando uma casinha. - Essas são Lea e Lana, respectivamente. - Aponto para as duas. - Minha filha e minha amiga.

-Prazer. - Acenou, com vergonha.

-Prazer, Alison. Seja bem vinda. - Lea levantou, trazendo consigo um sorriso grande. Esticou a mão para Alison, que entregou a sua. - Você é mais linda pessoalmente.

-Obrigada. Você também.

-Que nada. Estou um caco hoje. - Passou a mão sobre os cabelos.

-Oi. - Lana aparece entre nós, olhando para Alison, super curiosa. - Quem é você?

-Sou a Alison, uma amiga do seu pai.

-Amiga ou namorada? - Levemente inclinou a cabeça para o lado.

-Lana. - Lea chamou a sua atenção.

-Sou amiga. - Rolou os ombros. Lea piscou para ela, que riu.

-O que veio fazer aqui? Seu vestido é muito lindo.

-Vim ajudar seu pai... - Vacilou no que ia falar e me olhou para ver se eu ajudava. Eu nem sabia o que estava rolando, minha mente estava para bem longe dali. - Em algumas coisas do estúdio. - Complementou. - E muito obrigada. Seu pijama é muito lindo também.

-Não é um pijama. - Minha filha olha para sua própria roupa. - É quase uma fantasia. - Fez um gesto com as mãos.

-Como ela é inteligente. - Alison se espanta, olhando pra mim e o máximo que faço é rir pra ela e concordar. Sou um pamonha.

-Vamos lá, L? - Lea a chama. - Vamos terminar de montar a casinha. - Lana volta correndo e Lea se aproxima de nós. - Tentem não gemer muito, ou pelo menos fazer com que não dê muito barulho, pois daqui a pouco ela irá dormir. Boa noite, casal.

-Boa noite, Eleanor. Prazer em te conhecer.

-O prazer é meu.

Eleanor estava sendo completamente sincera. Ela não pareceu estar com ciúmes da Alison em nenhum momento. Que diabos está acontecendo? Ela deveria estar morrendo de ciúmes quando isso acontecesse. Se ela ficou daquela forma quando eu estava no celular - ou era coisa da minha cabeça? - porque não ficou pior agora?

Levei Alison para o quarto de hóspedes. Eu sou um idiota por trazer uma mulher pra minha casa dessa forma, mas não sou um imbecil de levar qualquer pessoa para minha cama. Ela é sagrada. Só dorme eu, minha filha e a Lea quando quer. Nem minhas irmãs deitam na minha cama.

Aproveitamos muito bem o tempo. Muito bem, mesmo. Ela sabia rebolar em meu colo, quando estava de quatro ficava com a bunda bem empinada pra mim. Impossível transar uma só vez. Nós fizemos a primeira, descansamos e conversamos rapidamente e já partimos para a segunda. Depois da segunda, só quis dormir. Falei pra ela ficar a vontade e virei pro lado para dormir.


Pensei que já fosse manhã quando acordei, mas passavam apenas alguns minutos após a meia noite.

A cama ao meu lado estava vazia. Será que Alison foi embora? Ela poderia ter ficado para fazer uma saideira, ou pelo menos até Eleanor nos ver juntos.

Levantei da cama com fome e fui diretamente para a cozinha. Lá estavam Lea e Alison, sentadas diante da bancada com copos em suas frentes - não sei se eram drinks ou sucos. Que diabo estava acontecendo aqui? Quando que as duas viraram amigas de infância?

Não era esse o plano.

Pigarreei e Lea sorriu quando me viu.

-E aí está ele. - Apontou em minha direção e Alison, quando me vê, dá uma piscadela. - Dormiu bem?

-Dormi. - Respondi, ainda muito desconfiado. - Hã...?

-Nós estávamos aqui conversando. - Lea dá uma explicação tão idiota. Isso era meio óbvio.

-Estávamos falando sobre seu sexo. - Alison dá uma gargalhada alta e Lea também. Não acredito. - Brincadeira. Estamos conversando sobre a vida. Fatos engraçados que parecem que só acontecem conosco, quando na verdade a maioria já aconteceu com a Lea. Estou me identificando com ela.

Elas se abraçam de lado. Não acredito que eu trouxe uma para fazer ciúmes para a outra e Lea virou amiguinha dela. Assim não dá.

Algum tempo depois, Alison foi embora quando seu táxi chegou. Lea já estava com pijama e um hobby por cima. Tenho a plena certeza de que estava usando aquele vermelho mesmo que estava hoje pela manhã. O calção dele é curto, a blusa de alcinha permite com que veja o delineado do seus seios. Pena que ela se cobre agora para que eu não veja. Não é nada bobo, nada do tipo "olhe para o lado, Bruno", mas ela está cuidando mais para que eu não veja, o que antes tinha acesso VIP.

Fui para o meu quarto e deitei de barriga pra cima, sem sono.

Perambulo de rede em rede social no meu celular. O sono não vinha. Assisti metade de um episódio de uma série e meu celular vibra ao meu lado.

Uma mensagem de Eleanor.

A foto carrega e eu a abro. Não consigo nem acreditar. Eram duas fotos. As duas em seu closet, pelo que dá pra ver, mas nem presto atenção nisso. Presto atenção nela e em sua roupa. Uma linda lingerie azul, com alguns detalhes de cristais pequenos. A foto de cima não aparece o seu rosto, apenas seu corpo. Ela está sentada, de frente para o espelho... Suas curvas, que caralho mesmo. Minha barraca sempre se arma quando eu a vejo assim. E a de baixo é da parte do corpo que eu mais gosto nela... Sua bunda! Perfeitamente desenhada com um pedaço de pano azul transparente por cima e a calcinha era apenas um fio... Isso é a morte pra mim. Só de olhar isso fiquei com meu pau latejando dentro da calça de abrigo. Ajeitei-me na cama e em segundos que largo meu celular, ele vibra por muitas vezes seguidas.

"Meu Deus do céu... Bruno! Desculpa. Caralho... Não era pra enviar pra você."

"Não consigo nem respirar direito, meu Deus, que bosta."

"Desculpa... Você deve estar até dormindo... Juro que não era pra você, mas como seu contato está fixado... Droga, me desculpa, por favor."

"Que vergonha, meu Senhor."


Ah... Filha da mãe! Essa foto não era pra mim. Ela iria mandar pra outro, provavelmente para o mesmo cara com quem estava falando o dia todo no celular, trocando mensagenzinhas e sorrisinhos. Filho de uma puta. Como que ela vai enviar uma foto desse tipo para um completo desconhecido? Ela é doida, só pode. Nesses trajes... Tão lindos e provocantes. Por isso ela cortou seu rosto da foto, porque não tem a intensão de se identificar nelas. Era pra um cara qualquer e, sem querer, veio pra mim. Talvez tenha sido bom, afinal o medo pode ter feito com que ela não tenha enviado.

Tomara.

Mas o que sobe em mim não é apenas o volume da minha calça, é a minha raiva também. Raiva mesmo! Fiz tudo aquilo durante o dia para deixa-la com ciúmes, a desgranida ainda fez amizade com a menina e me envia uma foto, que não era pra mim, então era pra outro cara... Ok, Lea. Vamos brincar esse jogo.

Abaixo minha calça até meu pênis sair pra fora. Fico brincando nele por poucos minutinhos, quase nada, e em seguida ele está completamente duro. Abro a foto dela e bato uma punheta em sua homenagem, mordendo os lábios.

Antes de qualquer coisa, abro a câmera e tiro uma foto dele duro. Bato mais um pouco e molho a ponta dos meus dedos e ponho sobre minha glande. Um fio de baba puxa entre meu pau e meus dedos, tirei a foto no momento exato. Nada mais aparecia além da calça, meus pés, meu pau e minha mão. E de fundo, é claro, a televisão que mal se via.

Encaminhei as duas fotos pra ela.

Cada um por si e Deus por todos.

Anexei junto à foto uma pequena mensagem:

“Garanto que a reação dele não será tão gostosa e apetitosa quanto a minha.”

Enviei e esperei pela reação. Queria somente saber se ela realmente enviou essa foto para alguma pessoa, algum cara. Lea nunca foi disso, seria agora somente para buscar sexo com outras pessoas? Se ela está carente, podemos resolver a situação.

Eleanor Pov’s

Depois do dia cansativo. Depois de receber mil e um provocações do Bruno, tentando me deixar com ciúmes, eu deitei para dormir.

Conheci a menina com quem ele está dormindo, Alison. Ela é linda, e quando conversei com ela, vi que era legal. Tenho pena se ela inventa de se apaixonar por ele. Mas creio que não, pelo que vi ela não é muito bobinha para se apegar assim.

Eu tinha tudo pra sentir ciúmes, mas ele provoca... Provocação é provocação. Se eu sentisse que ele estivesse fazendo por ele, talvez sentisse ciúmes, mas como eu sei que ele está fazendo essas coisas por fazer e para me provocar, dou risada e sigo com a vida.

É legal saber que Bruno se importa.

Foi por isso que usei a minha lingerie nova. Ainda tinha a etiqueta nela. A coloquei e tirei fotos no closet, apagando as que não gostei e ficaram feias e deixando as duas que mais gostei. Unia-as e mandei pra ele.

Claro que falei que foi sem querer, que era pra outra pessoa, até porque passei o dia falando com a Megan no telefone e Bruno se mostrou mais do que desconfiado. Ele deve ter engolido, e eu rindo.

Falando em Megan, ela deu um basta – novamente – na relação io-io com o Caleb. Diz ela que é definitivo, mas como ela sempre diz isso, nem ligo muito. Não parava de rir com suas mensagens dizendo os tipos de homens que ela irá procurar, que irá pega-los pelo estomago com suas comidas maravilhosas e vasto conhecimento em comidas típicas de outros países.

Ao meu lado o celular vibra, e com ele vem à mensagem de Bruno.

Se eu não estivesse deitada, com certeza cairia pra trás. A foto dele, ou melhor, do seu pênis ereto, sua mão o segurando, a cabeça prontinha para jorrar tudo que está contido. O sangue parece pulsar fortemente, bombear mais e mais. Não só o dele, mas o meu também. Logo em seguido baixa a outra foto. Ele está com os dedos perto da glande, e há um fio puxando. Parece gozo, mas tenho quase certeza que não é. O dele é mais pro branco do que pro transparente.

O meu ventre se contorce todo. Só queria poder usa-lo mais uma vez... Porque, realmente, o sexo dele me leva ao paraíso.

-Caralho. – Leio o complemento da mensagem.

“Garanto que a reação dele não será tão gostosa e apetitosa quanto a minha.”

Cruzo meus pés, olhando para o celular e tentando me concentrar no que responder. Precisa ser algo que dê nos seus dedos, mas que ele fique, ao mesmo tempo, pensativo.

Respiro e conto até dez. É melhor não responder nada, qualquer coisa amanhã digo que estava morrendo de vergonha.

#FelizAnoNovo <3

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Capítulo 53



Se a mágoa fosse uma dor física
Eu poderia enfrentá-la
Mas você está me machucando
Dentro da minha cabeça
Eu não aguento
(Lose my mind - The Wanted)


Dez de Agosto de Dois mil e doze

Lana e eu estávamos prontas para encontrar com Bruno no cinema. Iríamos fazer algo diferente do que estávamos acostumados a fazer hoje. Iríamos jantar fora e depois ir ao cinema, pois já estávamos ficando sem sair aos finais de semana e aproveitar com a Lana, já que seu trabalho está tomando muito do seu tempo.

A vesti com um lindo macacão jeans, all star, uma blusa branca por baixo e penteei seus cabelinhos soltos, que estão um pouco abaixo dos ombros. Coloquei uma calça jeans, um coturno preto e uma blusa que encontrei no fundo do armário, que tenho certeza que usei duas vezes, no máximo.

-Estou com fome, mãe. – Torceu seus lábios numa careta e pôs a mão sobre o estômago.

-Não posso dar algo pra comer agora. – Pensei sozinha, matutando o que eu poderia dar pra ela que não fosse tirar seu apetite. – Quer uma fruta?

-Quero. Banana! – Sorriu, batendo palminhas.

-Hm, banana não sei se tem. – Andamos juntas até a cozinha a Geronimo levantou-se, vindo atrás de nós.

Ele está enorme e a cada dia parece que cresce mais, mas está pra nascer cão mais lindo e inteligente como ele. G é um amor de cachorro. Sempre brincando, sempre fazendo folia, aprendeu a cantar quando Bruno toca algum instrumento, corre com a Lana e parece que cuida para não machuca-la. Protege a casa e nos deixa sempre felizes.

-Pode ser maçã? – Chequei a fruteira e banana não tinha mesmo. Culpa do Bruno que quis fritar as bananas que tinha ontem para comer no estúdio como jantar.

-Pode, mas quero ela daquele jeito. – Ela ama frutas, claro, mas a maçã ela gosta especialmente quando é cortada em tiras finas, o que lembra um filme antigo, ou quando é raspada com uma colher até ficar uma papinha, como eu dava para ela quando pequena.

-Ok. Lembra quando a mamãe te ensinou? – Pego a maçã na mão.

-Lembro.

-Ok, cuidado para não se sujar. – Era besteira falar isso, pois sempre sujava um pouquinho que seja. Coloquei um babador para impedir que estragasse sua roupa tão bonitinha e dei a fruta pra ela.

Tirei algumas fotos dela comendo e mandei para as meninas. Jaime foi a primeira a responder, logo depois dela as meninas já foram enchendo a pequena L de elogios. Meu bebê é digna de elogios mesmo. Não porque eu tenha a criado, mas porque ela tem esses trejeitos mais delicados e simpáticos.

-Quando terminar, nós vamos sair, tudo bem?

-Mas e o papai?

-Ele nos encontrará no restaurante. – Respondi, direcionando uma mensagem pra ele.

“Nós encontramos diretamente no restaurante, tudo bem? Tenho medo de não conseguirmos um bom lugar, não fizemos a reserva. :/ Até mais. Beijos”

A ajeitei na cadeirinha do carro e assumi a direção. Não faz muito que aprendi a dirigir e consegui tirar minha carteira. Foi presente antecipado de aniversário vindo do Bruno.

Pus uma música bem baixinha, mas não abri mão de conversar com a Lana. Gostava de puxar assunto com ela e ensinar coisas novas, e ela no seu papel de criança, era curiosa e sempre gostava de saber mais e mais. Ensinei a ela que curiosidade é bom, mas que devemos dosar, pois há coisas que não fazem parte da nossa conta e não devemos nos meter. Com o tempo ela se lembrará disso.

-Estátua! – Dizia e ela ficava parada como estava. Costumávamos fazer essa brincadeira quando estávamos voltando do balé. Lana sabe ficar parada, mas não por muito tempo, logo ela começa a rir sozinha. – Assim não vale, hein. Estou ganhando.

-Não está não.

-Ah, não? Mas você está rindo, e não pode.

-Mas eu estou ganhando.

-Você está roubando, mocinha. É feio.

-Estou ganhando. – Pôs a língua pra mim. – Estátua! – Gritou, me causando um arrepio e fazendo eu parar de falar, prestando atenção somente no trânsito a minha frente.

-Você está rindo, viu?! – Apontei para ela através do retrovisor. – Assim não vale.

-Tá bom, mamãe. Como você é chorona. – Repetiu o que Bruno fala quando estamos jogando. Ele insiste em dizer que eu sou chorona para jogar.

-Para, Bruno segundo!

-Vou falar pra ele.

-Fofoqueira! – Implico com ela, colocando a língua. Ela coloca pra mim e diz para eu aumentar a música e para continuarmos jogando.

Levo a brincadeira até chegarmos no estacionamento do restaurante. Ajeito minha bolsa e minhas coisas. Saio do carro, fazendo a volta para tira-la da cadeirinha.

Pego em sua mão e caminho até a entrada. Conduzem-nos até uma mesa mais reservada. Lugar para duas pessoas, mais uma cadeira extra para Lana. Deram-nos o cardápio desde já e para ela um pequeno brinquedo para entretimento. Boa jogada de marketing, a criança sempre gosta de brinquedo e irá sempre preferir esse restaurante. Espertos.

Chequei meu celular para ver se Bruno tinha respondido, mas nenhum sinal. Lana reclama mais uma vez de fome, mas não sei o que fazer com ela. Peço então um prato pequeno de petiscos, somente para beliscarmos enquanto ele não chega. Entreguei sua mamadeira com água e pedi uma água pra mim também.

A bandeja com petiscos estava acabando. Lana já bocejava de sono, e já não tínhamos mais brincadeiras para fazer – que não iria atrapalhar as pessoas que jantavam por ali. Vi muitas pessoas que chegaram depois de nós, comendo e saindo embora, e nós ali.

Olhei novamente o celular. Nenhum sinal do Bruno. O horário do filme já tinha passado e não teria outro filme infantil a noite. Resmungo baixinho, sentindo um pouco de raiva pelo atraso dele. Sei que ele está no estúdio e mais uma porrada de coisas que ele sempre diz, mas custa avisar que iria demorar e que poderíamos comer e ir embora, pois deixaríamos para outro dia? Ou qualquer outra coisa!

Liguei para o Phil, ele disse que não estava com o Bruno, que já tinha saído do estúdio há um tempo e que estava somente o Bruno, Brandon, Ari e Phredley lá quando saiu. Minha esperança estava em Ari, ele sempre atende minhas ligações de imediato, mas quem atendeu foi sua namorada.

-Está tudo bem sim – respondo a sua pergunta -, eu só queria saber se o Ari estava com o Bruno no estúdio...

-Ah, ele estava. Chegou faz pouco tempo e foi tomar um banho. É urgente, Lea?

-Não, na verdade só queria falar com o Bruno, uma dúvida que tenho aqui. – Não iria expor o que de fato estava acontecendo. Mas meu peito já estava se alimentando da raiva que estava sentindo por ter sido deixada, novamente, a ver navios.

Finalizei a ligação com ela e liguei para o Brandon, que já tinha ido pra casa há muito tempo, logo depois de Phil. Ou seja, ou Bruno está vindo pra cá, ou ele está sozinho no estúdio. Infelizmente, não tenho o número de Phredley e não iria incomodar o Phil para conseguir.

-Vamos embora, princesa? – Minha animação tinha ido embora. A de Lana, aparentemente, também.

-Mas e o papai?

-Ele está trabalhando. – Respiro fundo. – Vamos?

-Vamos... Estou com sono. – Disse quando esticou os braços para que eu a pegasse.

-Você já está pesadinha. – Resmungo com ela em meu colo. – Vamos ali com a mamãe pagar, daí já poderá dormir, tudo bem?

-Uhu.

Lana repousou sua cabeça em meu ombro enquanto eu pagava a conta. Saímos do restaurante e eu não pude deixar de olhar para os lados, vá que ele esteja chegando ou algo parecido. Mas não há nada, apenas um casal rindo, como se tivessem bebido um pouco além da conta.

Dirigi pra casa pelas ruas escuras, mas brilhantes pelas luzes ligadas em tudo quanto era canto. Noite de verão quente, muitas pessoas na rua, alguns carros também. Na subida até a casa foi tranquila, Lana pegou no sono e eu pus Anthem para ouvir. Precisava de uma coisa mais animada para esquecer a idiota que fui agora por estar esperando ele atoa.

Em casa, pus a em sua cama, tirando a sua roupa e colocando seu pijaminha. Senti pena de dar banho agora, já que ela estava caindo – literalmente – para os lados de tanto sono que tinha. Seus olhos nem paravam mais abertos.

Troquei a minha roupa e fui para a sala. Passeio pelos canais de televisão até conseguir um onde estava passando uma série meio de terror. Deixei ali e liguei o notebook que trouxe pra sala. Consigo fazer algo no notebook e consigo assistir o que se passava lá ao mesmo tempo. Dei uma lida em algumas coisas, organizei outras e quando olhei para o relógio no canto da tela, apavorei-me. O tempo voou.

Eram dez para as duas da manhã.

Um barulho se fez na porta da entrada. Fiquei alerta para a porta da sala e consigo ver, mesmo que com rapidez, Bruno passar pra cozinha. Larguei o aparelho ao meu lado e pus a televisão no mudo.

Pé por pé, fui até a cozinha, onde ele abriu a geladeira e derramou uma jarra de água em sua boca, deixando cair mais para o chão do que qualquer coisa. Pigarreio para chamar sua atenção, mas não foi o suficiente. Apenas depois do quarto pigarreio, ele me nota ali.

-Onde você estava? – Noto seu jeito desengonçado. Moro com ele há muito tempo para saber seus jeitos... Ele estava bêbado, e não era pouco.

Começou a se rir sozinho e apoiou-se na bancada.

-Boa noite.

-Onde você estava? – Recordo a pergunta.

-Alô? É da polícia? – Fez um telefone com seus dedos e sua mão, e ficou rindo como um idiota para o ar.

-Não estou com paciência, Bruno. – Repito um mantra dentro de mim “ele está bêbado, ele é um idiota, não se estresse”.

-Ninguém mandou ter paciência, coisa. – Estalo o pescoço e espero ele passar pela cena depressiva que estava sendo ele terminar de tomar a água. – Onde está minha filha?

-Dormindo, depois de ficarmos plantada naquele restaurante!

-Ah, o jantar. – Pôs a mão livre em sua cabeça. – Puff. – Começou a rir novamente. – Não estava a fim de ir naquela droga.

-E eu não estava a fim de esperar você lá. – Suspiro fundo. – Custava avisar antes de ficar bêbado demais, ou estava ocupado com as mãos e a boca em outro lugar?

Sim, eu estava insinuando que ele estava com outras mulheres, porque eu sei que ele sempre esteve mesmo depois de que prometemos tentar algo. Eu sinto. Já senti várias vezes novos perfumes em suas roupas e bem, não eram os meus.

-Lá vem você, novamente, com esse papo! – Revirou os olhos castanhos graúdos, que estavam pequenos demais agora. – Não vai sossegar enquanto eu não te pegar de jeito, não é?

-Que? – Balanço a cabeça. – Para de falar merda, Bruno!

-Você que vem com essas idiotices, essas paranoias! Precisa visitar um psicólogo.

-E você uma casa de reabilitação. – Rebato na mesma hora. – Vai acabar um bêbado imundo, sem sucesso, dessa forma. – Aponto para ele com desdém. Sei que não se deve discutir com gente bêbada, mas era praticamente impossível permanecer calada.

-Ai, ai, ai. – Deu a volta na bancada, passou por mim deixando tudo pra trás. Jarra sobre a bancada, chão molhado, cadeira de qualquer forma e a geladeira aberta.

Antes que a geladeira começasse a apitar por estar tempo demais com a porta aberta, a fechei, tentando desviar da água do chão.

Bruno já não estava mais ali quando voltei a olhar pra porta. Estremeci quando pensei onde ele pudesse estar.

Lana!

Caminho até seu quarto e o encontro entrando nele e chamando a menina sem piedade.

-Venha pra cá! – Rosno pra ele. – Agora.

-Você não manda em mim. – Retruca como uma criança boba e mimada.

-Ah, eu mando! – Ando até ele e seguro a sua camisa, sem paciência alguma. – Vamos! Pra fora do quarto dela, já. – Digo em tom de ordem, mas controlando para que não a acordasse.

-Você não manda nem em você mesmo. – Desviou meu braço do seu corpo, com um supetão. – Me deixe falar com a minha filha.

-Não!

-Sim! Eu sou pai dela e quero que ela acorde.

-Você está...

-Eu estou bem! – Nem deixou terminar de concluir. É claro que ele está bem, dá pra ver no seu rosto e no seu hálito – que chega longe – de bebida alcoólica. – Agora, me largue de mão.

-Seja mais responsável, por favor. – Olho para Lana, antes de continuar o que iria falar. – Quer dar o seu showzinho de bêbado, que dê, mas não envolva a Lana nisso. Ela não precisa ver o estado que seu pai está.

-Que estado eu estou? – Encarou-me, frente-a-frente. – Hein, Eleanor? – Tenho medo. Nunca aconteceu, mas já vi tantos casos de pessoas com estresse, que bebem e depois ficam agressivas.

Seu braço tocou o meu, mas seu grito despertou Lana, que acordou aos prantos.

-Saia do quarto. – Desviei do seu toque e andei para perto da cama dela. – Saia daqui! – Pedi mais uma vez.

-Oi, amor do papai. – Deu um passo em falso pro lado.

-Você está ridículo. – Esbravejo. – Saia daqui, agora. – Digo, pausadamente, para que ele entenda bem.

Aparto o choro da pequena com um abraço, dizendo que tudo estava bem e o papai estava apenas cansado e queria vê-la antes de dormir, mas que ela precisava descansar. Lana demorou para pegar no sono novamente, chorou por um tempo e seus olhos pesaram mais do que seu susto. O pequeno coração parecia soltar a qualquer momento do seu peito.

Judiaria com minha princesa.

Saí do quarto com sangue nos olhos. Bruno estava fazendo um barulho de rato na sala.

Ele estava segurando meu celular e mexendo nele.

-Mas... – Andei depressa em sua direção, tomando o celular de suas mãos. – QUEM TE DEU ESSE DIREITO? – Extravasei o que estava sentindo desde que ele nos deixou esperando naquele lugar.

-Tira essa porcaria daqui. – Apontou para o notebook. – Quero assistir televisão.

-Vá assistir na porcaria do seu quarto. – Tomo o controle que estava sobre a mesa.

-Me dê isso, Eleanor.

-Ah, não vou dar mesmo! – O segurei com força. – Vá dormir, Bruno. Vá tomar um banho gelado. Vá!

-Você quer vir comigo? – Olhou para minhas pernas. – Talvez eu possa comer você lá dentro.

-Cala a boca.

-Você chegou a dar essa bunda pro Kenji?

-Não é da sua conta. Não fale no nome dele.

-Você deu, né? Sabia que liberaria pra qualquer um assim que eu comesse. – Balançou a cabeça negativamente, estalando a língua. – Ele era bom de cama?

-Melhor do que você. – Largo o controle, sentindo algo tomar conta do meu peito.

-Mentirosa. – Estalou a língua novamente. – Ninguém te come como eu. Ele tem o pau pequeno. Eu já vi, quando estávamos no banheiro. Ele não faz nem cócegas no seu corpo.

-Cala a merda dessa sua boca.

Estava tentando me controlar. Mas ele falava, falava, falava e não parava de falar. Futricou até o último fio de cabelo sobre o assunto do Kenji. Estava ridículo o show que estava fazendo e nada disso era preciso.

Eu disse que teria mais alguma coisa desse tipo e eu desistiria de vez. Era a gota d’água.

Virei minhas costas, peguei meu celular e meu notebook e o ouvi falar mais ainda. Nem prestava atenção no que estava saindo da sua boca, somente juntei toda aquela raiva que estava sentindo dele e me concentrei em ignora-lo.

Abri a porta do meu quarto e a fechei. Sei que ele pararia logo com isso.

Pararia pra sempre.

Sempre há uma gota final, e de tantas que ele já aprontou, essa ele conseguiu fechar a cota. Não tenho mais paciência para showzinhos bêbado, ciúmes infantil, galinhagem e tudo mais. Somos bem melhores como amigos do que dividindo a vida como se fossemos um casal em potencial. Não somos isso e não podemos fingir.

Ele me magoou, mas eu relevei um dia, pois acredito em segundas chances e porque eu gosto dele, infelizmente. Mas agora meu único objetivo é seguir minha vida. Sem dramas, sem conversas constrangedoras, sem nada, apenas voltamos ao que éramos antes do primeiro beijo e o que deveríamos ter seguindo sendo: apenas bons amigos. Nada de colorido, nada de mãos bobas, nada de beijos, nada de nada. Pra mim já acabou.


O sábado começou com música e a voz da Lana que preenchia a casa. Depois de tomar um bom banho e vestir uma roupa, saí do quarto indo diretamente para a cozinha. A voz vinha da sala, e lá estava Lana, em pé em frente ao sofá, olhando desenho e dançando conforme a música que Bruno escutava.

Não atrapalhei ela, passei diretamente para a cozinha e vi o horário do relógio. Dez pra uma da tarde. Dormi a manhã de sábado inteira. Espreguicei-me e joguei algumas coisas numa bandeja para comer.

-Bom dia. – Só de ouvir a sua voz, meu estômago se revira com todas aquelas lembranças da noite passada. Tenho vontade de ignora-lo, mas não é nem preciso, ele passa pela frente de onde estou sentada, com o celular em mãos. – Ia convidar você para almoçar.

Não respondo, continuo comendo. Pode ser infantil, ou não, já que tenho a desculpa de que estou morta de fome e estou comendo, então está perdoado. Mas não que eu não tenha o deixado sem respostar por querer, porque eu quis.

Seus olhos procuraram os meus e ele estalou os dedos em minha frente. Não precisei dizer nada, apenas olhei para ele e olhei para minha comida. Ele entendeu o recado.

-Pode falar, agora? – Perguntou quando observou que eu terminei de comer. O tempo todo ele estava ali, esperando atentamente. Limpei a boca num guardanapo de papel e tomei o último gole do suco de abacaxi, meu preferido. – Queria ir num restaurante legal, para depois irmos a casa do Phil. Ele nos convidou para passarmos o dia lá, na piscina.

-Legal. – Puxei a bandeja e levei até a pia.

-O que está fazendo? Deixe aí. – Tocou no meu braço.

-Eu sujei, tenho que lavar. – Respondi o óbvio.

-O que aconteceu para me tratar assim? – Perguntou e eu larguei a esponja da louça sobre ela, suja. Apoiei-me na pia e virei minha cabeça para o lado. Olhei para ele, encarando seus olhos. – Foi por ontem?

-O que acha?

-Escute... Me desculpe, ok? Eu comecei a beber no estúdio e então me desconectei de tudo, escrevendo umas partes de uma música que estou amando. Tenho que mostrar pra você depois... Em fim, acabei bebendo uma garrafa e esqueci de tudo. Estava bêbado e nem sei como cheguei em casa.

-Não quero falar nada a respeito de por a sua vida em risco dirigindo após isso. – Suspirei profundamente. – Eu não quero saber com quem você bebeu, porque você bebeu, não me interessa o que faz ou deixa de fazer...

-Grossa.

-Não é grosseria, é apenas a realidade. Não me interessa, então não dê voltas numa desculpa esfarrapada.

-Não é desculpa. – Rolou os olhos num profundo e imenso desconforto. Continuei olhando pra ele, não quis passar a impressão de que estava tentando pressiona-lo, ou algo assim, estava apenas o olhando como estava antes, mas soava atormentador. – Ok, Lea, o que você quer saber?

-Já disse que não quero saber de nada.

-Eu fiquei com uma mulher ontem. – Despejou e arregalou de leve os olhos, como se esperasse uma reação negativa, mas eu já sabia que ele tinha outras, ele sempre terá. – Nenhum puxão de orelha, nem nada?

Somente suspirei, e esse falou por si.

-Recebi a ligação dela quando estava saindo do estúdio. Caí nas lábias sensuais e acabei errando, mais uma vez, com vocês duas. Eu nunca vou me perdoar por essas pisadas na bola que eu dou.

-Você está fazendo certo, Bruno! Está vivendo a sua vida, não tem nada de ruim nisso.

-Mas nisso eu acabei bebendo. – Torceu os lábios. – E eu tenho certeza que falei alguma besteira ontem. – Tocou meu braço e eu não o impedi. – Eu só queria poder me lembrar do que. Lembro vagamente que você me deixou falando sozinho...

-Você estava um porre, como na maioria das vezes que bebe. – Respondi, ajeitando-me no local. Recostando meu colo na pia e cruzando os braços na altura do peito. – Nós discutimos, você acordou a Lana, a fez chorar... Enfim, você pintou e bordou como sempre.

-Mil desculpas.

-Tanto faz, Bruno.

-Não diga isso.

-Só que – vacilo ao olhar seu rosto, completamente arrependido e os olhos caídos – você sempre diz a mesma coisa. Sempre a mesma tecla. E bem, eu não sou mais criança, você também não.

-Eu não quero estragar o que temos. – Sua mão que estava em meu braço desce para o antebraço e ele dá um sorriso amarelo.

-O que temos?

-É.

-Não temos, Bruno. Não depois de ontem.

-Eleanor? – Seus olhos se esbugalham, como se eu fosse uma criança e tivesse dito algo proibido. Continuo da mesma forma, mas ele ficou inquieto. Pude ver milhares de expressões em seu rosto em menos de um minuto. – Como assim?

-Bruno, eu desisti. – Jogo meus ombros pra cima e os deixo cair. Passo a língua sobre os lábios para umedece-los. – Não é mais a mesma coisa.

-Deixa de drama...

-Não é drama. – Alterei-me, saindo da posição que estava e consequentemente tirando a sua mão de mim. Encostei a pálpebra dos meus olhos para baixo e estiquei minha mão, deixando apenas meu dedo indicador no ar. Pensei antes de dizer algo que eu pudesse me arrepender. – Não é drama quando envolve sentimento e um coração.

-O quê? – Franziu a testa completamente perdido.

-Isso. – Depois de dizer parece tão mais fácil. – Não é drama quando estou impedindo-me de sofrer mais.

-Não entendo...

-Não irá entender.

-O que eu fiz ontem de tão grave?

-Você não fez só ontem, Bruno. Suas falhas vem sido numa sequência, e não são poucas. Eu cansei de esperar, cansei de passar por idiota, de me prender achando que isso vá dar em algo. – Gesticulei ao redor. – Não estamos rompendo nossa amizade, ok? Eu amo você, mas não quero repetir o que tínhamos. Esse lance de irmos pra cama, de nos beijarmos, de ciúmes... Não irá existir mais.

-Eu juro que não entendo você. – Vociferou, colocando a mão pra frente também. – Eu pensei que fosse isso que você quisesse.

-E eu queria, mas achei que nós estávamos nos envolvendo além da carne.

Um silêncio constrangedor se fez na cozinha, se não fosse pela música que dá pra ouvir mal e porcamente da cozinha. Dei um passo pra trás e percebi que fui idiota. Esse tempo todo eu poderia estar sentindo isso sozinha? Ele poderia muito bem ter apenas ciúmes de mim, afinal, sou sua melhor amiga. Como eu fui egoísta ao pensar que tínhamos os mesmos objetivos. Fui uma completa idiota.

-Acho que estamos alterados. – Balançou a cabeça. – Nós conversamos sobre isso outro dia.

Não iria adiar mais e mais. Já era tempo demais pra ser trouxa.

-Obrigada, mas pra mim, essa conversa acaba aqui.

-Então esse é seu ponto final? – Sua face se transforma completamente. Ele parecia estar com raiva de mim.

-Sim. Esse é. Nós não temos nada mais, Bruno. Nada de beijos, nada de absolutamente nada.

-Você vai se arrepender.

-Não. – Ri, sarcasticamente. Talvez até mais do que eu gostaria realmente que soasse. – Vou viver.

-Dias. – Disse. – Dou dias para que caia na minha cama.

-Você está se achando demais, gato. – Bato levemente no seu peito. – Subestima a força que sabe que eu tenho.

-Isso é uma bobagem, Eleanor.

-Então porque ainda estamos discutindo?

O deixei sem palavras. Eu consegui. Eu venci uma discussão e estava me sentindo uma criança por isso. Poderia até fazer uma dança de comemoração, ou dizer “quem está rindo agora”, mas me controlei. Apenas dei de costas pra ele e o deixei ali, alimentando tudo que conversamos.

Quando saí da sua vista, fiz um gesto ridículo de “yes”, com os braços e andei majestosamente até a sala atrás da minha pequena.

E nós fomos para a casa do Phil, claro. Fomos assim que Bruno e Lana almoçaram. Nós não trocamos nenhuma palavra diretamente, apenas uma coisinha quando Lana falava conosco e etc.

Urbana convidou Megan, que foi sozinha sem o Caleb. Nós ficamos um tempo na piscina, todos juntos – sem que eu e Bruno nos falássemos ainda – e cuidamos das crianças.

Estava usando um biquíni azul claro, que delineava minhas curvas. Eu me achava bonita nele, sentia-me legal com ele e, principalmente, confortável.

Saí da piscina, já que íamos preparar o jantar, e senti o olhar de Bruno sobre meu corpo. Ele disse algo para o Phil, que balançou a cabeça. Nunca desejei tanto ser uma mosquinha para saber o que ele tinha dito, mas balanço a cabeça em reprovação do meu pensamento. Primeiro passo é: não se importar.

-Mas o que houve? – Tinha contado metade da história para elas enquanto organizávamos a janta. – Ele fez algo assim que chegou em casa?

-Não. – Balanço a cabeça negativamente. – Ele foi um idiota como qualquer bêbado, mas eu percebi que não queria aquilo pra minha vida, entende? – Mexi com a casca da cebola assim que a tiro.

-Já estava mais do que na hora. – Megan ergue os braços num gesto bem exagerado. – Eu sempre vou querer tudo aquilo que lhe faz bem, e se tem algo que essa relação não estava fazendo, era o seu bem.

-E o da Lana. – Acrescenta Urb.

-Só traz benefícios. – Dou de ombros. – Agora é seguir em frente.

-Isso. Agora vá atrás de alguém que te complete.

-Não. – Dou um riso sem graça e elas me olham juntas, sincronizadas, pensando que eu sou louca ou que irei parar de achar alguém. – Não quero alguém que me complete. Eu sou completa, sou feliz comigo mesmo. Quero alguém que me faça transbordar, que me traga novos horizontes, que expande minhas alegrias. – Ofereço um sorriso bobo para o ar e lembro por breves milésimos segundos de quando eu achava que essa pessoa poderia ser o Bruno. Nós tínhamos potencial para sermos assim.

-Essa é minha garota. – Urbana bate palminhas e Megan fica, literalmente, de queixo caído. – Agora é só esperar a pessoa certa aparecer.

-Ela vai aparecer em qualquer momento. Pode ser quando eu menos esperar.

-Ela pode entrar por essa porta. – Na hora que Urbana concluí, Bruno entra na casa, esfregando a toalha sobre o cabelo molhado e pedindo licença para pegar a mamadeira da Lana com suco dentro. Fuzilei Urbana com os olhos e quando ele saiu, caímos na gargalhada. – Desculpa, não pude deixar de fazer isso.

-Acho vocês bonitinhos juntos. – Megan está com os braços cruzados, olhando para o nada. – Ou achava, sei lá.

-Também acho. Vocês tem uma química diferente, Lea.

-Vá que eu encontre outra pessoa que faça vocês pensarem diferente, uh? Vá que a outra pessoa tenha mais química que ele? Nós já tivemos nosso tempo.

-Então, onde vai ser nossa baladinha?

-Duas perguntas. A primeira: que baladinha? Não irei caçar homens para namorar numa balada. A probabilidade disso é uma em um milhão. – Elas riram. – Segunda: nós quem? Você tem o Caleb, não irá caçar ninguém!

-Não... Quer dizer, nós não somos mais os mesmos que éramos antes. Ainda não achei minha metade. – Curvou seus lábios e olhou rapidamente pra mim. – Quer dizer, ainda não achei alguém que me fizesse transbordar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Capítulo 52


Apenas uma ligeira mudança
Pequena, só pra começar
Ambos um pouco assustados
Nenhum dos dois preparados
(Beauty and the beast - Celine Dion)


O sábado chegou e finalmente ficamos todos em casa. Bruno não foi para o estúdio, pois já tinha combinado com os caras que iria passar o domingo todo lá, ele queria recompensar um pouco o tempo devido ao meu aniversário. Falei que não tinha um porquê ele fazer isso, afinal, eu tinha ficado triste por ele não estar comigo no dia do meu aniversário, mas depois eu entendi que ele estava no estúdio e ele vive disso, precisa de compromisso com seu trabalho. Porém ele insistiu, dizendo que devemos fazer algo em família e uma pequena comemoração do meu aniversário.

Fiz o café da manhã, com ovos e bacon, e chamei-o para tomar. Lana já estava sentada na cadeirinha da mesa, brincando com uma boneca, mas de olho na televisão que passava um desenho animado.

-Bom dia. - Beijou a testa da sua filha e me encontrou no meio do caminho enquanto levava a travessa para a mesa. - Bom dia.

-Bom dia. - Dei um beijo de leve em sua boca.

-Quais são os planos de hoje?

-Pensei que tivesse planejado tudo. - Puxo a cadeira.

-Na verdade, apenas uma parte. - Começou a rir. - Assim, vamos a feira de filhotes no shopping, começa as dez da manhã. Então vamos almoçar no shopping e procurar um filhote para nós.

-Um cachorro, papai? - Os olhos de Lana brilham.

-Isso fica pra depois. - Recolhi seus brinquedos de cima da mesa e ela me olha atravessado.

-Um cachorro bem lindo e inteligente para combinar com nós. - Sorriu pra ela.

-Apesar que eu acharia mil vezes melhor adotarmos um. - Dou de ombros, largando o copinho de Lana na sua frente.

-O que é isso mamãe?

-Suco de laranja. - Respondo.

-Tenho medo de adotar... - Torceu os lábios.

-Medo de que, Bruno? - Pergunto e ele não me responde nada. - O cachorro não virá pesteado. Há muitas casas de adoções por aí. - Gesticulei com minhas mãos. - Só queria dar a chance de um desses cãezinhos ter um lar.

-Lana...

-Não a meta nisso. - O impedi. É claro que ela, como ainda não sabe a importância, irá preferir um peludinho comprado, do que um mesclado adotado. - Sei que você que irá comprar...

-Lea, nós adotaremos um, ok? Não sei se hoje, pois já planejei irmos lá, mas vamos escolher um. E ele será seu!

-Tudo bem.

Dei de ombros e não falei mais nada. Bruno é teimoso, se ele quer comprar um cachorro ao invés de ajudar os que precisam, tudo bem. Não irei brigar com ele por causa disso, supostamente é pra ser um dia muito feliz.

-Você ficaria feliz se eu desse isso a uma casa de cães abandonados? - Bruno chegou ao meu lado quando estava lavando a louça. Em sua mão balançou um cheque de mil dólares.

-Isso é muito. - Entreabri minha boca. - É claro que ficaria muito feliz, mas estará fazendo isso pelos animais abandonados e não por mim, não?

-Sim. - Olhou bem em meu rosto e brotou um riso da sua boca. - Por você e por eles.

-Bruno...

-Escuta. Eu sei a importância disso, ok? Sei que é lindo adotar, e assim que a Lana saber disso, também sei que amará esse gesto, mas eu nunca tive um cão... Nunca! E eu queria apenas poder escolher ele.

-Eu entendo.

-Então vamos lá, temos que tomar banho e nos arrumarmos.

-Vou dar banho na Lana ainda, vá se arrumando.

-Quero tomar banho com você. - Beijou meu pescoço.

-Nem pensar. - O afastei. - A Lana está sozinha, não deixaremos ela assim só pra transarmos no banho. - Usei um tom mais baixo.

-Não iríamos transar, era apenas umas carícias... - Pôs a mão nas minhas costas, logo acima do meu bumbum. - Ok, ok. - Fez uma rendição com as mãos e saiu rindo. - Na volta, dona Eleanor.

-Vá tomar seu banho, Mars.


O shopping estava lotado, que novidade. Pessoas olhavam para nós como se fossemos estranhos, porém, nos reconhecendo! Dá pra entender? Era aquele olhar meio “será?”. Foi bem legal ver as pessoas com essa dúvida.

Entramos num outback e fizemos nosso pedido. Lana ganhou, como cortesia da casa, um chocolate em forma de coração, o que definitivamente fez a alegria dela.

-Vai comer somente quando chegar em casa, ok? – Tomei o chocolate de suas mãos, falando com carinho.

-Não. – Falou um pouco mais alto. – Quero agora.

-Nós vamos comer sobremesa. – Disse Bruno.

-Você não vai comer agora. Nós temos que passear ainda e não quero que suje a roupa. – Tendo em vista que ela se suja mais do que qualquer outra criança comendo chocolate.

-Mas eu queria agora. – Baixou a cabeça, fazendo uma voz fina e baixa.

-Não sinta pena. – Somente mexi meus lábios, falando para o Bruno. Ela não pode se acostumar assim, de tudo o que quer têm na hora. – Se reclamar, não irá ganhar nem depois. – Disse firmemente.

-Mas papai. – Ela olhou para o Bruno, que manteve o semblante sério. – Tudo bem.

-Obrigada.

Não estava estragando o clima, mas desde pequena tento fazer com que ela não seja mimada. Imagina, ela já é filha de famoso, daqui a pouco irá para a escola, tem as aulas de balé, se ela for uma menina mimada não pegará bem para o Bruno, nem pra ela porque irá ser insuportável.

Após comermos a sobremesa, tivemos um tempinho para o descanso. Tiramos algumas fotos e rimos bastante. Bruno parou um pouco para tweetar e eu checar algumas coisas no celular. Lana estava se entretendo ao meu lado, apontando para algumas coisas que eu via e rindo

Saímos dali e fomos para a feira que ficava perto do centro do shopping. Há uma grande cerca armada com uma entrada bonitinha com algumas patinhas no tapete de entrada. Segurei Lana pela mão e entramos no local.

Uma moça nos instruiu até um cercado com filhotes recém desmamados. Falou sobre os cuidados que eles tem com os animais, quais são as procedências até eles chegarem ali e tudo mais. Falou sobre vacinas que já foram dadas em alguns e sobre a castração que, dependendo da nossa escolha, poderá ser anexada a compra do filhote.

-Mamãe. – Lana apontou para um dos filhotes, no cantinho, quietinho. – Olha que bonito.

-Lindo. – Observei o cãozinho, passando a mão sobre a sua cabeça.

-Olha esse. – Ela esticou-se na cerca para amaciar o cachorro.

-Hey. – Chamo a sua atenção. – A moça não gosta que faça isso. – Apontei para a moça que nos instruía.

-Desculpa. – Disse de cabeça baixa. – Eu quero ver aquele. – Falou quando viu outra menina fazer o mesmo.

-Olha esse que lindo, filha. – Bruno se abaixou do lado dela, apontando para o cão que fazia folia com o outro.

-Meu Deus. – Começo a rir das besteiras que saía dali.

Bruno apontava pra um, Lana fazia festa. Lana apontava pra outro, Bruno fazia festa. E assim foi indo uns longos minutos deles se divertindo com os filhotes.

Passaram uns quatro filhotes em nossas mãos.

-Eu odeio essa raça. – Bruno revira os olhos para um Pinscher que Lana pegou de mal jeito. – Já ouviu o latido disso? É terrível.

-Não gosto também.

A moça que estava conosco nos instruiu a outro cercado, onde tinha uns maiores, não muito também. Falou que esses tinham desmamado há uns dois meses pra mais, e que todos tinham sua ficha de procedência para nós olharmos.

-Esse é especial. – Pegou um workshiner na mão. – Ele nasceu dentro da nossa clínica.

-Como que ele nasceu? – Pergunta Lana. Por um instante olho para o Bruno, como iremos explicar isso?!

-A mamãe dele recebeu a visita da cegonha. – Vanessa, a moça que estava conosco, abaixou-se para explicar. Não pude deixar de notar o olhar do Bruno para o decote que ela usava. – Ela veio voando de longe para entregar ele a ela.

-E vocês estão tirando ele da mamãe dele? – Ergueu a sobrancelha, expressando a sua dúvida.

-Lana, olha esse daqui. – Peguei um filhote, mesmo sabendo que não podia, mas não poderia deixar a moça dizer algo que depois possa complicar a nossa explicação pra ela.

O melhor de tudo é que criança não se prende muito tempo a muita coisa. Lana ficou acariciando o filhote e Bruno engatou uma conversa com a Vanessa. Ele parecia muito empolgado com tudo, ficava olhando para os filhotes sem parar, e eles também não paravam. Uns faziam festa para nós, outros estavam mais acanhados e outros nem percebiam que estávamos ali pois faziam folia uns com os outros.

-Eleanor! – Ele se apoia na cerca, estende a mão e afaga um cãozinho. O pequeno balança o rabo curto de um lado para o outro. – Lana! Lea! Vejam! – Apontou para ele com um sorriso que preenchia toda a extensão do seu rosto.

-Que lindo! – Os olhos da pequena brilham como estrelas. Ela para ao lado do pai e Bruno chama o cão para mais perto da cerca. Ele vem de mancinho, brincando e parecia sorrir também. – Venha. – Disse ela, tentando imitar o gesto do pai.

-Oi garotão! – Bruno passou a mão em sua cabeça e o cão grunhiu como se estivesse cumprimentando ele também. – Eu gostei de você! E vejo que também gostou de mim.

-Oi. – Lana pôs a mão nele sem medo e ele esfregou-se na sua mão, fazendo ela rir.

Era uma cena tão linda.

-Vamos ficar com ele!

-Bruno, ele vai ficar enorme! – Não queria cortar o barato de ninguém, mas caramba, esse cachorro é capaz de ficar maior que eu. O que eu demorei mais de vinte anos pra crescer, ele crescerá em três meses.

-E daí? A Lana vai estar familiarizada com ele. Temos a Umma para ficar de olhos em alerta... – Ele ia continuar a falar, quando o cão lambeu a sua mão. – Por favor!

Suplicou, e eu me senti sua mãe, negando algo que ele quer tanto.

-Por favor, mamãe. – Lana me olha.

Os dois com carinha de cachorros pidões, mais o cãozinho preto do outro lado da cerca. Olhei para ele e fiquei encarando seu olhar de “me leva, por favor”. Eu sei que vou amar esse cachorro mesmo que ele cresça dois metros a mais que eu. E eles já o amam, então, eu não tenho que liberar nada.

Apenas abri um sorriso assentindo com a cabeça.

-Ehhh! – Comemorou Lana.

-Vou levar esse. – Bruno avisou para a moça.

-Ele é lindo. Todos se encantam por ele. Dócil e lindinho, coisa fofa. – Ela o balançou no colo. – Passem comigo. Irei fazer os procedimentos.

Bem, ficamos mais ou menos dez minutos fazendo uma ficha de cadastro, lemos alguns termos de responsabilidade sobre amar e cuidar do filhote. Me senti num casamento ou, sei lá, assinando a venda de uma das casas.

-Qual vai ser o nome dele? – Bruno perguntou quando estávamos indo para o nosso carro no estacionamento.

-Não sei. – Lana pareceu pensar bastante. – Shrek!

-Não. – Bruno fez uma careta e Lana deu a língua pra ele. – Arthur?

-Isso é nome de gente. – Resmungo.

-Qualquer nome pode virar nome de gente, Lea.

-Mas tem uns nomes que são mais pra cachorros... Tipo Bob, Toby, Spike, Geronimo...

-Geronimo. – Bruno repetiu.

-Gege. – repetiu a pequena papagaia.

-Geronimo? – Perguntei, mas ambos ficaram em silêncio. – Geronimo? – Retomei a pergunta.

-Geronimoooooooo! – Num gesto exagerado, me tocou para o lado dando a impressão de que iria cair, mas me segurou como se estivéssemos dançando tango ou valsa, ou sei lá o nome de alguma dança que tenha essa caída. – O que achou, L?

-Eu gostei. Vou chama-lo de Gege.

Ele vinha atrás de nós, segurado pela Lana, numa coleira azul. Bruno já estava planejando em passarmos numa clínica veterinária de confiança. Jaime nos indicou a que ela vai, onde também tem um petshop e poderemos comprar as coisas dele lá.


Eu não sei quem era a criança ali no carro. Bruno ou Lana? Porque os dois pareciam ter a mesma idade.

Minha pequena estava finalmente completando 4 anos, e estávamos indo para a Disneyland com ela. Bruno até pensara em levá-la para Orlando, para irmos para o Disney World, mas uma viagem não encaixava no nossos planos agora. Eu não tinha férias sobrando, e ele estava correndo atrás do seu próximo CD.

- Canta com a gente, mamãe! - Lana quase gritou, gargalhando da voz que Bruno fazia para imitar algum personagem da música da Pequena Sereia.

- Canta, Lea! - Bruno deu um tapinha na minha perna, todo brincalhão. - O que você quer, L?

- Wish I could be... - Lana começou, toda enroladinha, então continuei com ela. - Part of that world!

- OWWWW! - Bruno comemorou. - Agora estamos entrando no clima, minha querida Eleanor.

- Papai! Coloca do Rei Leão!

- Só se a sua mãe prometer não chorar. - Cutucou meu ombro, gargalhando, com a outra mão no volante mesmo.

- Coloca logo. - Cutuco-o de volta.

- Falta muito, papai?

- Hmm... - Bruno olha o GPS. - Não, meu amor. Umas dez milhas.

Não demorou muito para que nos aproximássemos do local. Eu, Bruno e Lana comemoramos quando atravessemos o arco de entrada do complexo, e ele guiou o carro pelas placas para chegar a Disneyland, prometendo-me que viríamos um dia sem Lana para irmos no Disney Adventure, que ainda é muito radical para nossa pequena. Eu não coloquei muita fé. Ele não tem tempo para nada ultimamente.

As filas já começam no estacionamento mesmo, apenas para pagar o ticket de estacionamento. Bruno paga o local e dirige, ainda cantando animadamente com Lana.

Poucos minutos depois, estacionamos o carro e Bruno foi tirando-a da cadeirinha, enquanto eu pegava sua bolsinha e as coisas que poderíamos precisar.

- Repete o que o papai disse, L? - Escuto-o falando com ela.

- Não é pra se afastar de você ou da mamãe. - Ela repete, agarrando sua mão, já louca para entrar no parque.

- E se você se perder, Lana?

- Não sair do lugar, papai. Esperar vocês me acharem. - Ela balança a mão dele. - Vamos? Por favor?

- Você ainda mata essa criança de medo de se perder. - Beijo a cabeça da pequena enquanto Bruno a coloca no colo.

- Meu tesouro, Lea. - Ele ri e e estica a mão em mim direção. Penso que ele quer que eu a segure, mas me lembro que estamos em público. Então apenas o entrega o mochila dela.

- Eu quero me vestir de princesa, papai. - Ela já começou falando, enquanto íamos andando pela calçada, ao lado de várias outras famílias. - E a Lea também. E levar uma coroa pro Gege!

- Você quer vestir o Gerônimo de princesa, meu amor? - Pergunto, segurando o riso.

- Sim. Será que tem vestido pra ele? - Parece pensar, apoiando a cabeça no ombro de Bruno, cobrindo o rostinho do sol forte com a mão. O pai dela gargalhou.

- Tenho certeza que ele vai adorar.

Não haviam muitas filas para comprar o ingresso, ainda bem. Bruno foi para a fila sozinho, praticamente se escondendo embaixo do boné que estava usando e eu me sentei num banquinho de praça, rosa e azul claro, para passar protetor solar na Lana.

Menos de quinze minutos depois, ele voltou. Colocou um porta-cartões no pescoço da pequena, com o cordão verde limão, cheio de pequenos Pateta's. Logo vi o nome de Lana escrito ali, junto com o número de celular dele.

Pegou uma das mãos de Lana e fomos, finalmente, para dentro do parque.

Passamos os cartões-ingressos e guardamos no cordão no pescoço da pequena Lana, e ingressamos dentro do parque, nos dando com uma placa que dizia "Aqui você deixa o hoje, e entra no mundo do ontem, do amanhã e da fantasia."

Ouvi as duas crianças ao meu lado conversarem entre si, e sorri, desejando que pudéssemos não brigar hoje e dar um belo aniversário para minha bebê.

A primeira coisa que fizemos foi comer. Bruno tinha reservado um café-da-manha com os personagem, e comemos panquecas em formato dos personagens na companhia do Pateta, Mickey e Minnie.

Lana se lambuzou toda de mel, o que nos fez ir logo numa lojinha, logo no começo do parque.

- Mamãe, leva essa pra você! - Lana balançou uma fantasia de Branca de Neve na minha frente, em tamanho de criança.

- Leva, Lea. - Bruno brincou, segurando uma fantasia de Cinderela para a Lana. - Tenho certeza que cabe em você!

- Deve caber em você. - Pego da mão dela e finjo analisar se cabe nele. - Acha que o papai combinaria de Branca de Neve, L?

- Não, mãe. - Ela franze a testa, fazendo uma caretinha, e Bruno ri, dando língua pra mim. - Ele tem que ser a Aurora!

- Filha!

- Isso aí, bebê! - Pego-a no colo, fazendo-a dar uma gargalhada gostosa e beijar meu rosto. - Papai vai ficar ótimo de rosa.

Fomos em vários brinquedos, antes e depois do almoço. Praticamente todos que a Lana podia entrar. Tiramos fotos com alguns personagens. O favorito do Bruno foi o Jungle Cruise, que basicamente era um passeio de barcos por um safári abandonado, cheio de piadinhas dos guias e detalhes de animais por todo o caminho. Lana ficou toda sapeca, tentando pôr a mão na água, quando passamos pelo "Old Smile", que, segundo o guia do brinquedo, sempre está esperando para puxar alguém com o pé para fora do barco.

Na saída, posamos com um Pato Donald vestido no estilo selva, e Bruno comprou lembrancinhas para seus sobrinhos na lojinha daquele brinquedo.

Eu fiquei doida para ir na Mansão Mal-Assombrada, e Bruno também, mas resolvemos não ir por causa da Lana. Meu favorito foi, provavelmente, o submarino do Nemo, mas o meu amigo não gostou muito.

Lana adorou todos. Ficou animadíssima com a do Peter Pan, e seu pai comprou o DVD para que ela pudesse assistir depois. Adorou um passeio de trem pelo parque todo, mas eu e Bruno ficamos meio entediados nesse porque era muito lento, o que deu numa longa brincadeira entre nós dois, que era basicamente olhar para algum objeto ao redor e dizer uma palavra que começasse com a mesma letra. Aliás, eu ganhei.

- Eu tenho uma surpresa para ela. - Bruno comentou, enquanto nos dirigíamos para o castelo da Cinderela, o maior símbolo dali. Lana estava um pouquinho mais para frente de nós.

- Mais? - Ia continuar falando, mas me senti desconfortável quando uma menina no nosso lado esticou o telefone em nossa direção, para bater uma foto.

Bruno não tirou fotos com ninguém hoje, mas foi muito simpático com todos e pediu desculpas, pois disse que se parasse para um, teria que tirar foto com todos. Mas isso não impedia das pessoas tirarem fotos da nossa movimentação uma vez ou outra. Bruno nem sentia mais, acostumado. Eu não.

- É só fingir que não tá vendo, Lea. - Ele disse.

- Como?

- As fotos. Fingir que não está notando. Eles não precisam de muito para parar.

- Ah, eu não...

- Está incomodada sim. Ainda te conheço bem. - Deu uma risada nasalada, chamando por Lana. - Continua para frente, filha!

- Quero sorvete. - Pediu, mostrando o carrinho ali.

Bruno perguntou se não estava tarde para isso, já que estava começando a escurecer, e eu disse que ela podia ficar a vontade no aniversário dela.

Bruno comprou picolés em formato de Mickey para nós três, e nós tiramos uma foto. Ele passou um dos braços por meus ombros e me puxou para perto, segurando a Lana com o outro.


domingo, 13 de dezembro de 2015

Capítulo 51



Menina, deixe o seu cabelo solto
E se estamos perdidos, amor, vamos ser achados
E com as palavras virando de cabeça para baixo
Vamos fazer isso dar certo, vamos fazer isso dar certo
(Seasons - Olly Murs)


Segunda feira, vinte e um de maio, estamos dando “oi” para o verão que acaba de chegar e com ele o sol escaldante de Los Angeles. Pus minhas sandálias pretas, minha saia lápis e uma camisa fresquinha com um sutiã mais complementado para completar. Meu celular não parava de apitar ao meu lado, eram mensagens do Bruno. Demorei pra ver pois até chegar no serviço eu não iria pegar o celular.

Entrei na sala e sentei no meu lado da ilha, ao lado da mesa da Patricia.

-Eu estou morrendo. – Balançou um papel na sua frente. – Cadê o controle desse ar? – Perguntou em voz bem alta para todos ouvirem.

Se olharam, mas ninguém respondeu, provavelmente ninguém sabia.

-Já chegou dessa forma? – Pergunto para ela, enquanto tiro algumas coisas da minha bolsa.

-Hoje é a chegada de tudo, nunca vi! – Colocou uma mão sobre a cabeça. – Minha cunhada chega hoje, minha menstruação veio hoje, o verão entra hoje... Eu não aguento.

Enquanto conversava com ela, ia lendo as mensagens que Bruno mandou. Ao total, sete.

“Porra, Lea. Acordei, olhei pro lado da minha cama e a sua calcinha estava ali. Você só pode ser maluca.”


Ontem à noite, assim que voltamos da casa da Jaime, eu dormi com ele na sua cama e hoje pela manhã deixei minha calcinha vermelha ao seu lado, só por maldade mesmo.

“Você vai usar ela toda gozada, porque eu estou me masturbando com ela.”

“Me sinto novamente no primário... Eu sou tarado pela sua bunda. Esse fio vermelho fica enterrado nela.”

“Caralho! Você poderia me responder! Agora quero, mais que tudo, uma foto ou um vídeo seu, nua!”

“Eu vou deixar você assada quando voltar do estúdio. Se prepara.”

“Quero um oral maravilhoso...”

“Comprei o KY novamente. Pedi pro Dre me trazer. Hoje eu vou te comer de todas as formas, castigo por ter feito isso... Pô, sabe que eu acordo de manhã cheio do tesão e de pau duro, aí coloca essa calcinha fio, vermelha, ao meu lado. Porra...”


Senti minhas bochechas ruborizarem, não sabia que apenas um gesto “legal”, viraria num monólogo completamente sexual e sensual. A ideia dele estar se masturbando com a minha calcinha e comprado o KY para hoje usarmos de várias formas, faz o meio das minhas pernas alagarem.

Vou até o banheiro e tranco com a chave pelo lado de dentro. Passo a mão pelas minhas pernas e me sinto como uma jovem marcando um encontro escondido, ansiosa pelo que vem pela frente. Quero senti-lo em mim.


O dia do meu aniversário chegou e com ele veio uma tristeza que eu não entendo. Peguei folga no dia, porque falei para o Ian que não estava afim de trabalhar no dia do meu aniversário e que poderia recompensar fazendo hora extra ou indo algum dia de final de semana.

-Bom dia. – Disse para Umma quando a vi na cozinha.

-Bom dia, aniversariante. – Ofereceu-me um sorriso logo de cara. – Venha cá, deixe eu lhe dar um abraço. – Caminhou até meu encontro e envolveu seus braços pelo meu corpo. Uma sensação de colo de mãe. Que saudades da minha. – Feliz aniversário, grande mulher. Eu desejo tudo de muito bom pra você, que Deus ilumine todos os seus passos e que você seja feliz sempre. Que Ele te dê saúde, paz, amor e muito sucesso.

-Obrigada, Umma.

-Eu vejo você como uma filha, já disse isso. Quero sempre o seu bem, você merece mais do que qualquer um.

-Obrigada, novamente. Também a tenho como mãe. Obrigada por tudo que tem feito por nós.

-Você merece. – Deu um beijo em minha testa. – Lana foi para o balé cedo hoje, junto do seu pai.

-Ele a levou? – Estranhei.

-Sim. Disse que hoje passaria lá para larga-la, mas que não poderia buscar e nem almoçar conosco. Parece que as coisas estão corridas.

-Estão mesmo. – Posso dizer que o meu primeiro pensamento foi que ele está maquinando algo para o meu aniversário? Perfeito! Eu vou ter algo surpresa.

Meu sorriso interno já estava preenchido. Quero saber logo o que ele está preparando e como está se saindo com isso. Uma atitude fofa e bonita da parte dele.

Ajudei Umma com o almoço, nada de muito especial. Arrumei algumas coisas da casa e atendi muitas ligações logo pelo inicio da tarde. Minha mãe juntamente do meu pai, minha avó e meu avô, Kyle e minha irmã, as irmãs do Bruno, a mãe dele... Algumas mensagens no twitter também, até fãs do Bruno me felicitando como se me conhecessem. Algumas menções tinham perguntas como “hoje é seu aniversário mesmo?”, outras desejavam diretamente e outras desejavam e diziam que era para mandar um abraço para o Bruno.

Bem, até a hora de eu sair para ir buscar a Lana no balé, recebi uma ligação única do pessoal do serviço. Mais ou menos seis pessoas falando num celular, posto no auto falante, desejando muitas coisas boas, alegrias e felicidades.

Busquei a Lana de carro. Esperei que ela saísse da sua pequena sala, mas a professora pediu que eu entrasse. Havia umas treze meninas, quase todas da mesma idade. Umas mais gordinhas, outras magrinhas, altas, baixas, negras e branca, mas todas com um lindo sorriso nos lábios e roupinhas rosa.

-Feliz aniversário! – Disseram num coro. Olhei diretamente para a professora.

-Não me olhe, foi ideia da sua princesa.

-Você é uma pentelha. – A puxei para perto de mim e estiquei os braços para que as outras viessem para me abraçar também. – Muito obrigada, lindas. – Recebi beijos e muitos abraços.

Peguei minha pequena e a puxei pela mão para sairmos do estúdio de dança. Arrumei-a na cadeirinha na parte de trás e fiz a volta.

-Então quer dizer que você teve ideia de fazer isso?

-Eu vi num filme. – Respondeu-me. – Como hoje é seu aniversário e eu não tenho como comprar nada, resolvi fazer o mesmo.

Fiquei me sentindo tão especial, tão feliz com aquela atitude. Olhei-a pelo retrovisor e vejo balançando suas pernas, seu cabelo num coque alto e bem preso.

-A mamãe ama você, ok?

-Eu também te amo, mamãe.

Na minha mente ainda estava algo como “o Bruno está preparando algo pra mim”. Aquilo me deixava mais ansiosa, e a cada minuto que passava essa ansiedade só aumentava.

Andei até a porta de entrada e depois de lavarmos as mãos, almoçamos nós três, Umma, Lana e eu, na cozinha mesmo. Jogamos conversa fora por um bom tempo.

Sentei-me na sala com a Lana no chão, e Umma na poltrona. Deixamos algumas músicas de criança tocar na televisão e pegamos tinta e papel. Ensinei ela a pintar alguns desenhos, e ela se sentiu livre para fazer alguns desenhos também.

-Esse aqui é pra você, mãe. – Esticou seu bracinho, segurando uma folha com alguns riscos.

-O que é?

-É nossa família e um cachorro. – Apontou para um borrão preto.

-Um cachorro, que legal. – Olhei para aqueles borrões de tinta, e não adianta, por mais que seja bobo olhando de fora, o sentimento que cresce no peito é de orgulho e alegria. É lindo saber que ela está crescendo e crescendo. Eu me sinto mãe dela, muitas vezes, de verdade. – Está lindo!

-Porque está chorando?

-Só achei ele muito bonito. – Limpei a lágrima fujona que caiu. – Vou guardar ele.

Por um tempo da tarde nós batemos um bolo. Nós três, e deu bastante certo. Decoramos com pasta branca e colocamos alguns cristais lilás por cima. Umma entregou-me algumas velas que sobrou do aniversário do Bruno ano passado. Coloquei por cima e cantamos parabéns.

Tirei muitas fotos com a Lana e com a Umma. Estava muito feliz pelo momento, mas estava mais radiante ainda na espera do que Bruno estava aprontando. Segurei Umma na nossa casa por um tempo extra do que ela está acostumada a ficar, mas a liberei quando deu oito horas e nada aconteceu.

Bruno não havia me ligado uma única vez sequer.

Bruno Pov’s

-Isso não ficou bom. – Phil disse, repassando tudo o que tínhamos passado a pouco tempo atrás.

-Estou quase desistindo. – Pus a mão sobre a cabeça.

-Desistir nunca. – Respirou fundo. – Acompanha a gente, Kam!

-Novamente! – Resmungou. – Vamos lá.

Passamos novamente a melodia da música. Não estava se encaixando na letra. Eu estava fazendo alguma forma com que combinasse, mas parecia que ela não entrava. Teríamos que mudar isso novamente.

Mas não era nem o inicio da tarde ainda. Isso está me dizendo que levaremos o dia todo aqui, mas só irei sair quando estiver pronto, pois já fazem sete dias que estamos trabalhando na mesma coisa e não saímos do lugar. Hoje virou questão de honra. E de tempo, que não podemos desperdiçar.

Hoje é aniversário da Lea e eu não posso esquecer de ligar para ela assim que conseguir um breve tempo entre tudo isso.

A tarde passou num borrão, só senti que estava ficando tarde quando levantei a bunda dolorida da cadeira para pegar algo pra beber e já estava escuro.

-Que horas são? – Pergunto.

-A hora de voltar aqui e tentarmos isso. Acho que estamos acertando. – Resmungou Phil.

-É sério, que horas são?

-Nove e pouca, creio eu. – Respondeu Jam.

-Nove e pouca? Caralho. Nem senti o tempo passar. – Arregalo os olhos.

-Vamos só terminar isso.

-Eu tenho que ligar... – Olhei para o pessoal, com cara de cansado. Assim que eu terminar ligarei para ela, mas não posso adiar mais os caras aqui dentro comigo. – Vamos continuar. Amanhã não viemos pra cá, ok? Estamos fazendo jornada dupla hoje.

-Se o chefinho mandou.

Dentre muitas risadas e conversas, acho que conseguimos uma batida perfeita para a música. Passamos mais de quatro vezes e gravamos para tentarmos fazer depois, além de escrever o que tínhamos usado e tudo mais. Nem limpamos o lugar direito e já saímos.

Minha consciência estava pesada por não ter ligado mais cedo. Tentei ligar uma única vez e somente chamou e não atendeu.

Tive a brilhante ideia de comprar algo para acompanhar junto ao seu presente que está dentro do carro, mas não ia ter nada aberto por lá. Passam das dez da noite, nunca vai ter uma padaria aberta para encomendar um bolo e qualquer coisa. O máximo que consegui foi passar numa 7-eleven e comprar uma caixa com oito cupcakes bonitinhos, de chocolate, para ser seu bolo.

Dirigi até em casa, sem muito movimento no bairro. Estacionei dentro do pátio e a primeira coisa que notei foi a falta de luzes ligadas dentro da casa. Abri a porta e chamei pela Lea, carregando em minha mão a caixa dos cupcakes e a caixa do seu presente.

-Lea? – Chamei pela segunda vez, caminhando pela sala e indo para a cozinha. – Lana?

Ninguém achei, exceto um bilhete grudado na geladeira.

“Deixei a Lana com meus avós, após jantar com eles e saí com a Megan. Não consegui te ligar a tarde toda, pode buscar ela se quiser. Chegarei tarde.”
Larguei as duas caixas sobre a bancada e virei-me novamente. Puxei o bilhete da geladeira e o amassei. Mais uma vez eu negligenciei algo com ela. Mais uma vez eu falhei, e dessa vez eu não tenho a culpa total. Pode ser parcial, porque estava em função do meu trabalho, mas não foi minha.

É o primeiro aniversário, desde seus dezesseis anos, que não passamos juntos. É o primeiro aniversário que eu não consigo dar um abraço nela.

Peguei meu celular para tentar ligar, mas só chamava, ninguém atendia. Ela já deve estar em algum lugar onde não o escuta, ou apenas me ignorando como ela acha que eu fiz o dia todo.

Me sinto culpado por isso.

Andei até o meu carro novamente, indo até a casa dos seus avós para buscar minha pequena.

Appril abriu a porta pra mim e me mostrou, silenciosamente, minha pequena rodando na sala, brincando com o seu avô. Mais uma vez me senti parcialmente culpado por ela não ver a sua avó biológica com tanta frequência como poderia.

Essa é a primeira vez em dois meses que eu me sinto mal.

-Papai. – Correu para minhas pernas, abraçando-as. – Está tarde!

-Oi, meu amor. – Abaixei-me. – É, eu sei. – Está tarde da noite e está tarde pra conseguir pegar a Lea em algum lugar de Los Angeles e aproveitar a uma hora restante do seu aniversário. – Eleanor disse algo? Para onde ia e tudo mais? – Perguntei para os dois.

-Ela somente se encontrou com a Megan e disse que você passaria aqui para busca-la.

-Buscar a Lana?

-Sim.

-Hm. – Respiro fundo. – E pra você, bebê, ela disse algo?

-Não. – Balançou a cabeça.

E, apesar de ter sido complicado encontra-la no dia de hoje, levei Lana para casa, agradeci os avós dela e assim que cheguei pus as duas caixas sobre a cama dela.

-Pra que isso papai?

-É o presente da Lea. – Ajeitei as caixas.

-O que tem aqui dentro?

-Aqui são cupcakes e nessa aqui o presente.

-Posso comer um? – Balançou seu corpo.

-Mas são da Lea... – Olhei para o seu rostinho e abri a caixa. – Um só.

-Obrigada. – Sorrio e colocou a mão para pegar o cupcake dentro da caixa.

-Está bom? – Pergunto e ela concorda.

-Mas não quero mais, senão a Lea ficará sem. – Entregou-me o cupcake.

-E irá deixar mordido assim?

-Ela irá gostar.

Levo a Lana junto comigo até meu quarto, escrevo um bilhete para Lea e deixo com as caixas sobre a sua cama. Dou banho na minha filha e a levo para o meu quarto junto comigo. Amanhã ela não tem balé e eu não trabalho, posso aproveitar mais tempo ao seu lado. Pus nuns desenhos que davam na televisão e assim mesmo pegamos no sono.

Pela madrugada acordei com muita fome. Não havia jantado e nem comido algo por um grande tempo. Estou tentando tirar forças pra sair da cama, quando um barulho faz com que eu me desperte.

Eleanor Pov’s 

Passei o dia alimentando aquela esperança de uma festa surpresa, mas não recebi ela, nem recebi uma ligação. Então, minha avó me ligou perguntando se iria jantar em casa e eu expliquei pra ela que estava sozinha com a Lana, assim fomos pra lá.

A deixei com a minha avó e resolvi curtir o dia do meu aniversário, já que tinha prometido que não iria mais me prender por ele. Chamei Megan e Caleb, e fomos nós para um barzinho bem legal em Downtown.

Estava triste com o Bruno. É o primeiro aniversário dentro de muitos anos, que eu não passo junto com ele e não o vejo.

Coloquei meu celular no silencioso e curti minha noite com alguns petiscos, boliche e bebidas leves. Ficamos lá até uma e pouca da manhã. Caleb me deixou em casa e eu entrei tomando cuidado para não fazer barulho, mas a chave caiu da minha mão quando fui fechar a porta e a porta do meu quarto bateu quando a fechei.

A abri de novo e tirei meus sapatos com os pés mesmo. Sobre a minha cama tinha duas caixas, uma maior que a outra e um bilhete anexado a uma delas.

“Feliz aniversário! Quis chegar a tempo de lhe dar um abraço, mas não deu muito certo. Peguei os seus preferidos e estou torcendo para que você goste do presente. Se quiser passar no meu quarto quando chegar, fique a vontade. Quero dar os parabéns de um jeito melhor.
Me desculpe por hoje.
Beijos / Bruno
PS: Lana deu uma mordida em um deles, não se preocupe.”


Balanço a cabeça com um sorriso bobo. Olho para a caixa maior e dentro dela tem oito cupcakes, um deles mordido como ele falou. Abri a outra pequena caixa que continha um pequeno brinco e um colar, ambos delicados e pareciam caríssimos.

Foi um gesto lindo, mas não quero passar em seu quarto para receber milhares de desculpas, não agora pelo ou menos, preciso apenas dormir para ir trabalhar amanhã. Coloco as caixas sobre a minha mesa de cabeceira e o ouço pigarrear.

-Feliz aniversário.

-Bruno? – O olho, me ajeitando sobre a cama. – O que está fazendo acordado?

-Estava com fome e já estava levantando para ir comer algo. – Foi entrando no quarto e apontando com o polegar sobre seus ombros. – Me desculpa por ontem.

-Não foi nada.

-Claro que foi. O primeiro aniversário que não passamos juntos. Significou demais. Mas quero dizer que não foi por mal, estava atolado de coisas no estúdio. Sabe como estamos trabalhando duro...

-Eu sei! – O interrompi. – Não precisa pedir desculpas.

-O que fez a noite?

-Fui a um barzinho com o Caleb e a Megan. Jogamos boliche, comemos algumas coisas, nada demais.

-Eu quero fazer uma festa pra você. – Sentou-se ao meu lado.

-Não. Eu não quero. – Torci os lábios.

-Está sendo defensiva?

-Não, Bruno. Só não quero uma festa. Também não quero ser dramática, mas tudo o que eu queria era ver você e receber o seu abraço no dia do meu aniversário e não uma festa que vai ser dada para afagar o seu ego culpado.

-Não é por culpa... – O olhei profundamente, ele não tinha como me mentir sendo que sabia que eu estava falando a verdade. – Ok, é por culpa sim. Mas... Você vai gostar, vai ser legal.

-Pode ser que seja legal, mas eu não quero. Ok? E não irei gostar se fizer surpresa.

-Está chateada comigo, uh?

-O que acha? – Ergui as sobrancelhas. – É melhor eu ir dormir e você ir comer.

-A minha comida pode esperar. – Esticou seu corpo para perto do meu, deixando seu rosto bem próximo ao meu. Sentia sua respiração. – Me desculpa.

-Já desculpei.

-Não desculpou.

-Desculpei. – Insisti.

-Desculpa. – Mexeu no meu nariz. – Desculpa. – Mexeu em minha orelha. – Desculpa. – Mexeu com o dedo indicador, de leve, sobre meu olho esquerdo. – Desculpa. – Deu-me um selinho rápido e voltou para onde estava. – Desculpa. – Colocou sua mão em minha cintura. – Feliz aniversário, melhor de todas. – Beijou meus lábios com ternura, pedindo permissão.

Sua mão estava sobre minha cintura e de leve foi apertando.

-Onde isso vai dar? – Pergunto entre nosso beijo.

-Onde você quer que isso dê? – Passou a mão sobre meu pescoço, desceu por cima da minha blusa e estacionou sobre a minha barriga.

Ajeitei-me mais para o meio da cama e ele veio por cima de mim, equilibrando-se com um braço e com o outro comandando meu corpo com maestria, seus dedos tinham poderes até mesmo por cima da minha roupa. Retirei a sua camisa branca que usa para dormir e já observei o volume da sua calça aumentar pouco a pouco.

-Você quer foder, Lea? – Pergunta perto do meu ouvido, com a voz rouca e arrastada, como se tivesse gritado por muito tempo. – Você quer que eu te coma de todas as formas, que eu faça você gritar de prazer, deixar suas pernas bambas?

-Quero que você faça em mim tudo que sabe fazer de melhor. – Respondo a altura de sua voz. – E onde você quiser. – Deixei subentendido.

O vi levantar para tirar a sua calça e aproveitei para retirar minha blusa. Abri minha calça e mal tive tempo de tirar, pois ele deitou-se ao meu lado e puxou meu rosto para continuar beijando-me. Arranhei seu peito quente, fiz uma trilha em zig-zag até chegar em sua cueca. Brinquei com ela por cima do tecido e abri minhas pernas ao lado.

Bruno levou suas mãos para meus peitos cobertos e os apertou com força. Mordi seus lábios e atraquei seu pescoço com força, beijando e chupando de leve. Enfiei minha mão dentro da cueca e achei o que tanto procurava. Ele estava completamente excitado, não perde tempo. Mexi nele fazendo uns movimentos e em suas bolas, eu sabia que ele amava aquilo. Ouvi seus gemidos perto do meu ouvido e isso não tem preço.

Virei para o mesmo lado, indo por cima dele e deixando minhas pernas uma a cada lado da sua cabeça. Rebolei sem encostar nele e tirei sua cueca até o joelho. Quando o coloquei em minha boca, sentindo Bruno apertar minhas coxas e barriga, rebolei com mais intensidade sobre o seu rosto. Ainda não estava encostando e nem queria por enquanto, era apenas para provoca-lo.

Brinquei com a cabeça do seu pênis na minha boca e usei bastante minha língua bem na glande, e minha mão brincando com suas bolas. Cuspi sobre minha mão e continuei brincando, mas agora passei a chupa-lo. De leve, primeiramente, com movimentos limitados para sempre deixa-lo com gosto de quero mais. Aos poucos aumentei a intensidade, tanto da rebolada quanto da chupada, até ele puxar meu quadril pra baixo e minha intimidade dar na cara dele na hora. Gemi imediatamente. Bruno arrastou minha calcinha para o lado e enfiou sua língua em minha boceta. Descontei o tesão sobre seu pau ereto em minha frente e tudo que ele fazia comigo, imitava com ele. Movimentos lentos pra mim, pra ele era mais ainda. Sua língua acariciou a entrada do meu ânus e eu abocanhei suas bolas, deixando-as babadas e bem chupadas. Era assim que ele queria, era assim que ele teria. Rebolei sobre sua boca, gemendo baixinho no seu oral maravilhoso, que poderia ser mais se eu estive sem calcinha, mas não iria atrapalhar para isso.

Movimentei minhas mãos em seu pau, pra cima e para baixo.

-Quero sentar nele como estou sentando no seu rosto. – Dei um beijo na cabeça.

-Vai rebolar nele assim? – Perguntou enquanto eu ia mexendo minha bunda sobre ele.

-Será bem melhor. – Disse e saí de cima do seu corpo.

Me posiciono de joelhos, retiro meu sutiã e minha calcinha, e Bruno assiste a tudo com os olhos bem atentos e sua mão sobre seu pau.

Sento sobre seu colo, mas sem introduzir nada. Coloco seu pau para cima, em sua barriga e sento sobre o começo dele, colocando os grandes lábios em um para cada lado do seu pau. Desço e subo no seu pau deitado, rebolando e instigando a mim e a ele. Gemi algo com aquilo passeando pelo meu clitóris, ameaçando entrar, mas não entrando. Estava morrendo de tesão e doida para senti-lo me preencher, mas queria fazer mais disso, por mim e por ele.

Aos poucos vou parando e introduzo-o em mim. O enfio de leve em minha intimidade quente e úmida, esperando por ele. Quando o coloquei ali, não dei rodeios, cavalguei diretamente e rapidamente sobre o seu colo, dando uns pulos mais altos e uns gemidos também. Bruno pediu que eu fosse com calma, mas eu queria mais e mais. Sentei por completo e rebolei no seu colo. Sua pele tendo contato com meu clitóris e meu corpo correspondendo com uma sensação maravilhosa.

Voltei a rebolar e pular no seu colo, arranhando seu peito com minhas unhas como um leopardo ou qualquer outro gato, mas daqueles selvagens. Minha boca se contorcia em “o” e gemidos que eu não conseguia controlar.

-Quer sentar com ela? – Amaciou minha bunda com sua mão.

-Tentamos. – Mordi meus lábios.

Saí rapidamente do seu colo, me equilibrando sobre a cama sem me segurar e lubrificando meu ânus com meu próprio cuspe. Iria doer e eu estava ciente disso.

Com cuidado fui sentando sobre ele.

-Espera. – Bruno pegou seu pênis e o deixou reto, continuando a segurar. – Abre ele bem. – Me pede e eu obedeço, abrindo com as duas mãos minhas nádegas e deixando o caminho mais “livre”.

Foi somente eu sentir o inicio que já coloquei uma cara mais sofrida sobre a minha, estava sofrendo por antecipação, ainda nem tinha entrado. Quando a cabeça começou a entrar, reclamei da dor baixinho, mas pedi que continuássemos. Não iria desistir. Um dia terá que sair sem precisar de gel lubrificante. Fui descendo meu corpo e pouco a pouco ia entrando mais dele em mim. Não conseguia disfarçar minha cara de dor, mas gemia perante qualquer coisa. Ouvia ele gemer também, mexendo em meu corpo para me distrair da dor.

-Se quiser parar por estar doendo, eu vou... – Calei a sua boca mexendo meu corpo com mais rapidez. Doerá menos se passar essa dor do inicio, então fiz de uma vez. Não foi nem a metade dele pra dentro de mim, mas era o suficiente. – Caralho, Lea. Geme pra mim, geme. Senta no meu colo.

Gemia pra ele e arranhava com força seu peito, segurei suas mãos e cavalguei por mais um tempo em seu colo. Minhas pernas começaram a doer, então trocamos de posição.

Deitei ao lado e deixei que ele viesse por trás de mim. Ficamos numa perfeita conchinha e ele introduziu na frente, molhada e esperando por ser mais fodida. Sua mão acariciou meu clitóris.

Sentia meu ânus abrir e fechar, com uma ardência um pouco menor do que quando fazíamos antes, as poucas vezes que fizemos na verdade. Mas essa ardência deu lugar para a dor quando ele introduziu nele novamente. Levantei minha perna e sua mão fez movimentos em minha boceta. Gemi com misto de dor e prazer. Virei minha cabeça pro lado e tentei beijar seus lábios, mas conseguimos no máximo dar um selinho extenso.

Bruno me pôs para frente e de barriga pra cima. Segurou minha barriga e veio com sua boca para cima da minha intimidade. Já estava lubrificada, agora estava inundada. Senti que poderia gozar na sua boca umas três vezes seguidas de tanto prazer que estava contido e que estava sentindo com aquele oral mais aquela transa maravilhosa.

Mas não tive apenas um gozo, tive um orgasmo. Tranquei-o com minhas pernas fechadas e gemi muito alto, sentindo meu corpo não corresponder as minhas vontades. Segurei seu cabelo com uma mão e com a outra o lençol da minha cama.

-Caralho. – Foi a única coisa que consegui pronunciar.

Nem esperou muito para poder introduzir seu pênis novamente em mim e já me invadiu.

Foi rápido, movimentos muito intensos e só fui ver que ele estava prestes a gozar quando começou a gemer muito alto, quase pareando com os meus.

-Nos meus peitos. – Disse eu.

-Na boca. – Disse com dificuldade.

-Dentro. – Falei para ele, que deu um sorriso de canto e um último gemido alto. – Droga. – Não foi uma reclamação, foi uma lamentação de ter acabado.

Consegui senti-lo em mim, sentir toda aquela coisa. Mordi meus lábios e a cama se mexe quando ele larga seu corpo cansado ao meu lado.

-Eu não consigo nem pensar. – Resmunguei.

Bruno coloca seu braço embaixo da minha cabeça e sorri olhando para o teto.

-Eu consigo. Estou pensando no seu sexo.

-Que dúvida. – Começo a rir.

-Ele me leva ao paraíso. – Solta um ar aliviado do seu peito. – Eu poderia me alojar aqui – colocou a mão sobre minha intimidade, com minhas pernas fechadas, próximo a minha barriga -, e passar o resto dos meus dias aqui.

-Isso soou bom?!

-Daria uma música, não?

-Claro. – Dou de ombros. – Mas que música faria sucesso falando do meu sexo?

-Daria muito sucesso. Eu sei disso. Vou anotar isso que falei e pensar numa música.

-Você é um ótimo amigo, irá me dedicar uma música sobre sexo...

-Isso não é bom? É quase como a oitava maravilha do mundo.

-Nona. Oitava é comer.

-Ok, que seja... Eu darei pra você uma música sobre o seu sexo, e darei para o mundo uma música, que será sucesso, sobre o sexo com uma mulher cujo eles nunca terão.

-Você sempre pensando no seu grande ego. – Virei-me de lado. – Quando escrever ela, me diga.

-Direi, mostrarei e vou querer fazer sexo para comemorar ela.

-Você sempre quer fazer, por qualquer motivo.

-Por esse mesmo motivo... Gosto de me sentir no céu. – Beijou meus lábios de leve. – Estou com muita fome, vamos comer algo?

-Eu vou dormir, assim mesmo. – Bocejei. – Já é tarde e amanhã tenho que trabalhar.

-Ok. Vou deixar você dormir. – Ficou de joelhos sobre a cama. – Vá dormir, porquinha.

-Iria dormir limpa se não fosse sua insaciável vontade de sexo.

-Você gosta!

-Amo. – Ofereço um sorriso e nos beijamos levemente. – Boa noite, Bruno.

-Boa noite. – Deu-me um sorriso lindo.

-Ah, obrigada pelo presente. Foi maravilhoso... As três partes... O colar, os cupcakes e o sexo.