sábado, 27 de junho de 2015
Capítulo 16
Preparei um belo café da manhã para o Bruno. O acordei e mandei ir ao banho. Pus o presente sobre a mesa, ao lado do seu café. Terminei de me vestir, prendendo meu cabelo no alto da cabeça com um coque mais despojado. Hoje meu dia seria somente dentro da filial, não iria sair para as vendas, já que a tarde haveria uma reunião da qual fui convocada.
-Lea? – Bruno me chamou. Estava parado na porta com a sacola em mãos. – Já falei que não precisava.
-Gostou? – Perguntei indo em sua direção.
-Amei.
-Então precisava, sim. – O abracei fortemente, cheirando seu pescoço. Ele estava todo perfumado, bem arrumado.
-Obrigada. Eu adorei.
-De nada. – Beijo seu rosto procurando suas mãos para segurar. – Ainda não posso te dar nada melhor, nada mais especial, mas eu posso te desejar o melhor aniversário do mundo. Você merece muito mais do que isso, e a vida está apenas começando. Esses 23 anos nas paletas ainda podem ser triplicados, imagina.... Até lá você já vai ter fama, glamour, amores, e o que mais desejar. Além de milhares de fãs pelo mundo todo, porque elas vão amar quem você é, o que você faz, e sua beleza.
-Vai me fazer chorar, que feio! – Passou uma das mãos pelo meu rosto. – Obrigada por tudo. Por me aturar, por cuidar de mim e da Lana, por fazer tudo isso valer a pena.
-O que seria de um homem sem um melhor amigo, ou amiga?!
-De mim não seria nada. – Me abraçou de lado, pegando a sacola com a mão oposta à que me abraçava. Fomos para a sala, e sentamos na mesa para comer.
-Caleb estará aqui daqui uns minutinhos, e eu nem acordei a Lana.
-Só levar ela dormindo. Deixa ela aproveitar enquanto pode.
-Enquanto pode? O que um bebê pode fazer além de dormir, comer e cagar?
-Encher o saco! Dê graças à Deus que ela não é aquelas crianças choronas, chatas, que me fazem querer arrancar os cabelos.
-Minha filha, como iria ser chata?
E a brincadeira e risos por aí foi passando. Durante o trajeto, Bruno estava todo alegre, contava piadas e falava coisas mais engraçadas, assim não deixando Lana voltar a dormir. Mas ela prestava atenção atentamente em tudo que ele falava, os olhinhos curiosos, as mãos que se mexiam freneticamente, os pezinhos que balançavam para cima e para baixo.
Nunca foi uma preocupação deixa-la com a Urbana, principalmente por confiarmos nela e no seu extinto maternal. Ela nasceu para ser mãe, e dá pra ver em seu olhar que esse sonho é o maior acima de qualquer outro.
A tarde passou toda corrida. A reunião da qual participei era apenas coisas básicas da empresa e das vendas. Alguns cortes, alguns ajustes, e pronto, voltamos ao normal. Como não sai para vender, passei o dia futricando nos computadores da empresa. Elle ficou toda eufórica me vendo ao lado, aí começamos a tricotar por um bom tempo.
Ao pegar a Lana, e ir pra casa, a arrumei antes de mim. Dei banho e a vesti sua roupinha. Tiptop cor de rosa, com uma meia calça branca, uma bermudinha jeans e uma blusinha sobreposta. O casaco não faltou, era rosa também. A presilha em seu cabelo - aquele pouco cabelo que começava a cair -, estava frouxa, mas ela não reclamava pra tirar.
-Você está linda, meu amor. - Balancei sua barriguinha e ela aperta os olhos, abrindo a boca pra rir. - Adorável.
Ouvia seus grunhidos, sons que ela reproduzia como se quisesse se comunicar conosco. Dava corda para seus assuntos, e via minha roupa para o jantar com ela deitada no berço.
-Deveria ser feriado no aniversário, sinceramente. - O ouço da sala. - Lea?
-No quarto. - Respondo. - No meu.
-Ah. - Seus passos são firmes até o quarto. Ele abre a porta já procurando a Lana, e abre um grande sorriso quando a vê. - Cadê esse bebezão do papai?
-Já está de banho tomado, arrumada. Só falta ajeitar a bolsinha dela com as fraldas, mamadeira para chá, leite, água, bicos... a mantinha dela, caso esteja mais friozinho.
-Epa, eu sei dessas coisas. - Faz a volta pegando o carrinho e empurrando em direção da porta. - Vá se arrumar que eu cuido dela, depois que me arrumo ligeirinho.
-Ligeiro? Isso e "arrumar" não cabem na mesma frase quando ditas por você! - Arqueio as sobrancelhas e ele balança a cabeça.
-Cala a boca, e vá se arrumar.
-Você é um ogro. - Grito para ele que já estava no corredor.
-Aprendi com a melhor!
-Sua mãe?
Sua gargalhada me contagia. Podemos fazer esses tipos de brincadeiras, até mesmo envolvendo as mães, porque sabemos quando parar, e isso é a melhor parte de ser melhor amiga dele. Sabemos respeitar cada limite do outro, e invadimos o espaço sem sermos sufocantes.
Tomo meu banho rápido, não molharia o cabelo. Faço primeiramente uma maquiagem bem básica, coisa que uso geralmente no dia a dia, e depois tranço meu cabelo para o lado. Escolhi vestir uma calça jeans, uma blusinha soltinha com listras preto e branco, e uma sandália sem salto. Era tão estranho, mas ao mesmo tempo tão bom, poder sair com algo sem ser salto. Não era política da empresa nem nada assim, mas eles exigem que nos vistamos socialmente, e bem, uma roupa social não combina com um sapato rasteira, ou uma sapatilha (se bem que às vezes eu adoto elas para trabalhar, mas raramente).
-Pronto, pode ir tomar o banho.
Bruno me olhou dos pés à cabeça, dando um sorrisinho e passando por mim.
-As coisas dela estão prontas, a manta está sobre o berço, tem que pegar ela para não esquecer.
-Ok.
-Aliás, está linda.
-Obrigada. - O encarei, virando somente meu pescoço para vê-lo. Passei a língua pelos meus lábios quando ele foi em direção do banheiro.
Ele me provocava! De um jeito ou de outro ele conseguia tirar meu sossego. Seja mordendo os lábios, falando alguma coisa, ou soltando aquele olhar que eu não aguento. Não quero que chegue ao ponto que eu tenha que tomar alguma atitude, porque sinceramente, espero que ele se toque mais ainda.
Falava com Urbana por mensagens de texto no celular, quando Bruno adentra seu quarto trajando apenas uma toalha branca em sua cintura. Posso tara-lo à vontade, e eu sei que ele está fazendo isso justamente por esse motivo.
-Opa, já volto. - Levanto da poltrona onde estava sentada.
-Pode ficar! Não se preocupe, estou de cueca.
É aí que eu devo realmente me preocupar. Olho para a tela do celular passando pelo rolo da câmera, com muitas fotos nossas, da Lana, e dos nossos amigos, até dos seus pais e da Tiara, quando vieram nos visitar. Espio pelo canto dos olhos, afinal, sou filha de Deus. Sua cueca slip estava bem preenchida na parte da frente, como sempre teve, o seu volume era perceptível. Ali corria um risco iminente! O risco de eu poder perder a linha e obriga-lo a terminar a noite de aniversário dele comigo, na minha cama. Bruno dá as costas, provocando, e assoviando uma canção. Seu corpo não é o mais musculoso, até porque não curto tanto esse tipo de homem, também não é o mais magrinho, está naquele meio termo que toda a mulher curte. Sua pele amorenada, seus traços latinos-bugres que fazem todas suspirarem. É o conjunto da obra toda que tem o valor completo. Vestiu sua calça jeans, um pouco mais apertada, calçou seus converses e então tornou-se a virar pra mim. Na mesma hora olhei para o celular e fingia que olhava alguma coisa.
Obviamente que ele percebeu que eu estava o olhando, ele não é idiota, e era isso mesmo que ele queria.
Minha avó havia ligado pra ele nesse meio tempo. Falei que iríamos aparecer por lá no domingo, para levar a Lana, e ela já disse que prepararia algo para o Bruno. Sua mãe ligou, pois suas irmãs queriam falar com ele, e ali ficaram por um tempinho.
Sete e meia, Phil buzinou na frente de casa e saímos os três.
-Parecem uma família. - Urbana disse ao meu ouvido quando nos cumprimentamos.
-Shiu! - Riu em seu ouvido e beijamos nossos rostos. - Como está?
-Nada mudou desde que nos vimos pela manhã. Está querendo começar um assunto, ou despistar qualquer outro?
-Estou querendo ir para o restaurante comer, porque estou com fome. - Me escoro no banco, puxando o cinto. - Megan já vai nos encontrar lá.
-Falou de comida, falou minha língua.
Já tinham reservado o lugar, só não sei exatamente quem foi, mas provável que seja coisa da Urbana ou da Megan, porque eles nunca lembrariam de fazer isso. Assim que entramos no local, calmo e bem moderno, quase vazio, fomos conduzidos até nossa mesa, com uma cadeirinha pra bebê, mas ainda não podemos colocar Lana ali, então ela revezaria de colo, mas por enquanto no meu.
Sentamos eu, Bruno, Phil, Urbana, e o lugar de Megan e Caleb à nossa frente com uma cadeira disponível ainda, respectivamente.
-Senta na minha frente. – Peço, fazendo beicinho para convencer a Urbana.
-Mulheres daquele lado, e homens desse. – Phil empurrou sua mulher e ela revira os olhos.
-Ok. – Dei de ombros me ajeitando para levantar.
-Pra onde vai? – Bruno pergunta.
-Sentar daquele lado.
-Não. – Resmunga. – Meu aniversário, minhas regras.
-Vai me trocar por ela? – Semicerrando os olhos, Phil segura o braço de Bruno.
-Não? – Confundimos a sua cabeça, pronto. – Pode ir pra lá.
-Ele já manda em você assim? – Urbana questiona assim que sento ao seu lado. Phil estava gargalhando de algo, então eles não prestaram atenção.
-Calada. – Ajeito a Lana e sua mantinha. – Ela está crescendo tão rápido.
-O tempo voa.
-Meu Deus. – Comento ao ver Megan e Caleb entrando no restaurante. Megan segurando um maço de balões festivos, com dizeres e coisas legais, e Caleb trazendo uma caixa nas mãos. Já chegam sorrindo, e a todo vapor. – Wow.
-Boa noite. – Megan dá um beijo em nós para cumprimentar e vai para o lado do Bruno. – Trouxe balões.
-Coloridos e chamativos. – Bruno franze a testa.
-É seu aniversário, seja menos ranzinza hoje. Por favor.
Se abraçam, desejando várias coisas legais, e o que fazemos sempre. O garçom que nos atende ri de todas as palhaçadas e confusões que aprontamos. Anota os pedidos e apaga-os, porque mudam de ideia como mudam de roupa após os banhos. Até que finalmente todos entram num consenso, e ele sai rindo, levando nossos pedidos.
-Deveria ter pedido um whisky. – Megan balança a cabeça, catando as outras pessoas pelo local.
-Ou café. – Dou de ombros.
-Nem me fala. Estou indo no banheiro de minuto a minuto. Meu sangue deve estar marrom, e daqui uns dias minha urina também.
-Whisky em dia de semana, que... estranho?
-Nos finais de semana, se não estamos na casa dos pais dele, - aponta com o polegar sobre os ombros para o namorado -, estamos na casa dos meus, ou trancafiados dentro de casa fazendo coisas de casais.
-Poupe-nos dos detalhes.
-Nunca entraria em detalhes, pois podem desejar meu homem, e ele é meu.
Aí a brincadeira já pendeu para o lado mais fraco, o meu. Falaram que a única solteira e a procura de uma brincadeira seria eu, e se gabassem muito seus maridos bem-dotados e bons de cama, era capaz de eu pega-los. Como se isso fosse acontecer.
O bom é que nos divertimos bastante, rimos e não nos calamos nem na hora de comer. Lana acordou e ainda ficou por um tempo prestando atenção em nós, brincando com as mãozinhas na toalha da mesa e tentando pôr na boca.
A grande parte da noite foi quando pedimos para trazer o pedido especial. Essa sim, foi uma ideia minha, de Urbana, e de Megan. Um lindo bolo, do jeito que ele gostava e do nosso sabor favorito, Tres Leches. O garçom trouxe a torta e nós nos levantamos para cantar o parabéns. Toda a atenção do restaurante foi para a nossa mesa, e a minha para cuidar Lana, que olhava assustada com carinha de quem ia começar a chorar.
Mais algum tempinho ali e fomos para a parte final da nossa noite: o karaokê. Um bar ao lado do que Bruno já tocou algumas vezes e onde íamos às vezes para dispersar, passar o tempo, beber algo, espairecer. Era um ambiente calmo, não perto do que era o restaurante que fomos, mas era bem legal, até para levar uma criança.
Mesas redondas de madeira, quadros pendurados nas paredes de cor escura. Um palco de baixa estrutura, microfone para até duas pessoas. Uma copa aberta, algumas garçonetes, e alguns clientes. Um japonês cantava algo que não identifiquei até chegar no refrão. Deveria ser proibido pessoas que cantam mal, usar um karaokê.
-Essa mesa está maravilhosa. – Bruno pega a cadeira pra sentar.
-Mas se eu errar algo está mais próxima ao palco, melhor para me atirarem tomates.
-Não sei, nós podemos até errar, mas não desafinamos. – Phil e Bruno fazem um toque de mão, e riem com a cara que Caleb faz quando fica no vácuo.
-Entrelinhas, quer dizer que eu canto mal?
-Em casa conversamos, Philip. – Urbana toma Lana do meu colo, que já estava há muito tempo.
-Quem tiver maior pontuação, escolhe algo da dupla, que tal? – Ouvimos a ideia de Bruno que não era nada mal.
-Ok, mas como definir as duplas?
-Sem querer nós já estamos em duplas. – Megan aponta para as duplas.
-Eu estou ferrada. – Comento baixinho.
-Medo de mim, senhorita Winters?
-Medo de você? – Sorrio sem mostrar os dentes, com o olhar desafiador. – Nunca.
Deixamos que chegasse nossa vez, já que tinha pessoas na frente ainda e era por fichas. Bebíamos uns drinks, nada muito forte pois amanhã será mais um dia de trabalho. Compramos seis fichas, em ordem crescente, porém para não ter aquela velha escolha de “eu não quero ser o primeiro”, optamos por embaralha-las e escolhermos de modo aleatório.
Phil subiu para cantar, depois Megan. Bruno, Caleb, eu e Urbana. Dentre o ranking final, contando com os seis, Bruno ganhou com maior pontuação, e Megan perdeu. Agora por nossas duplas, acho que já era meio que certo que nós, meninas, perdemos. Aliás, nunca imaginei que Caleb pudesse cantar bem como cantou.
A música não me favoreceu! Ok, não foi pela música, sou péssima com isso. Sirvo mais para vender casas, por que se dependesse da vida de cantora, estaria sem comer há muitos anos. Cantei Single Ladies, da Beyonce, contra Bruno cantando Same Mistake, do James Blunt.
-Vai ter que fazer isso. – Caleb batia na mesma tecla.
-O que ele pediu? Perdi. – Pergunto para Bruno.
-Pediu pra ela dar atrás pra ele. – Fiquei encarando seu rosto, seus olhos que se fixaram nos meus como tantas outras vezes. – Mentira. Pediu para ela ligar para sua mãe agora, dizendo que está no hospital e sofreu um acidente.
-Minha mãe tem problemas cardíacos, idiota. – Ria das besteiras.
-Então... sogra é sogra, sabe como é. – A abraçou. – Não vou te pedir nada. Foi só para ficar sabendo que quem manda sou eu.
-E o que vai exigir de mim? – Puxo uma sujeirinha da camisa do Bruno.
-Ser minha escrava sexual por longos dias.
-Bruno!
-Sério! Até sábado eu penso em algo, ok?
-Tudo bem.
-Mas não pense que eu não cobrarei. – Diz-me quando levanto da cadeira. – E, Lea?! Escrava sexual ainda está no topo da lista.
-Você é uma merda. – Aumento um pouco mais meu tom de voz, ainda obedecendo o lugar em público que estávamos.
-Que bom que se identifica comigo, não é? Só uma merda reconhece a outra.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Capítulo 15
O dia com a Lana seria exclusivo com o Bruno. Ela já não precisa de tantos detalhes assim como quando estava com menos de dois meses. Agora estava com quatro meses, e Bruno já sabia preparar a mamadeira enquanto balançava o carrinho para que ela não chorasse.
Admirei isso nele durante semanas. Ele que pediu que eu ensinasse cada passo que eu desse com ela, como fazer o mama, como dar o banho, como trocar a fralda cuidando para que ela não pegasse vento ou alguma friagem indesejada, como levar ao pediatra sem morrer no meio do caminho. Ou seja, ainda faço a maior parte das coisas, mas não preciso me preocupar tanto como hoje, que estou indo para o shopping com Megan e Urbana.
Minha mãe já tinha ligado duas vezes, as duas para falar da minha irmã que iria viajar com o marido, e a vontade de perguntar: "o que me importa?" Ou "que bom para ela", estava grande. Minha mãe colocou na cabeça que eu tenho que conseguir alguém fixo, ela acha que depois do Kai eu fiquei mal, e que não quero mais ter um namorado.
Eu quero! Mas não é prioridade! Tenho tantas coisas a fazer, tantas bocas para beijar e homens para experimentar, que a ideia de me prender a alguém agora, não me cativa.
-Quero comer um hambúrguer muito grande. - Megan fantasia a comida na sua frente. - Com bastante maionese!
-Uma das pessoas que nunca viraria vegetariana, seria você.
-O dia que faltar carne na sua casa, você é capaz de comer o Caleb. - Urbana ri da própria piada, girando o volante na esquina.
-Eu já o como. - Ficou pensativa. - Tecnicamente, somos nós que comemos os homens.
-Ih, lá vem. Deixa eu pegar meu gravador. - Comento e Urbana gargalha.
-Sério! Olha... quando comemos algo, nossa boca abre, nós colocamos o pedaço na boca, mastigamos e engolimos. Agora quando o pau entra em nós, somos nós que estamos comendo, como...
-Como se nossas vaginas fossem bocas? Que comparação maravilhosa, Megan. - Faço uma careta.
-Faz um pouco de sentido, infelizmente.
-Viu! Eu sou um gênio. - Abriu uma fresta da janela. - Posso cantar?
-Não se atreva.
-Porque?
-Megan, o que deram pra você?
-Cafeína!
-Sabia. Mulher, não tem mais sangue circulando em você, tem café! Há meses que eu vejo você movida a cafeína.
-Vicia, e é tão bom.
-Eu sei que é bom, mas, maneira.
Estava decidida a me agradar, como toda a mulher preciso de roupas e sapatos, e a crise do governo pode estar próxima em 2009, então tenho que me preparar para talvez não conseguir vender muitos imóveis, nem ao menos alugar.
Ainda tinha que escolher o presente para o Bruno, e eu não fazia ideia do que seria. Nós tínhamos combinado de irmos apenas jantar, nós e os amigos, e depois ir num karaokê, mas teríamos que levar Lana conosco. Daqui a três dias seria o aniversário dele, junto com os quatro meses de Lana e ainda não tínhamos visto nada para fazer.
-Quero passar na Forever 21! - Megan junta as palmas das mãos, alegre.
-Estava pensando no presente do Bruno.
-Uma boneca inflável. - Urbana dá de ombros.
-Ele adoraria, ou uma mulher de verdade, não é, Lea?
-Não sei o que quer dizer com isso. - Arqueio uma única sobrancelha, e Megan encaixa seu braço no meu.
-Quero dizer que se você se embrulhar, ou ficar pelada pra ele, será o melhor presente.
-Mas? - Fiquei boquiaberta.
-Ninguém mandou contar o momento caliente de vocês pra nós. - Urbana faz sinal de rendição.
-Gente, foi há dois meses atrás. Passou.
-O acontecido passou, mas ele queria mesmo era passar o seu pênis em outro lugar, não é?
-Vocês só podem ser doidas. - Balanço a cabeça, pensando involuntariamente naquele dia, naqueles toques...
-Então dá uma camisa, o básico. - Aconselhou, Urbana.
-Uma camisa é tão comum. - Comento, olhando para as lojas ao nosso redor.
-Então dá o seu corpo, ele adoraria ter esse presente.
-Isso só pode ser brincadeira. Vocês dão para o Phil e Caleb, respectivamente, como presente de aniversário, o corpo de vocês.
-Não. - Respondem juntas. - Ele já tem. - Urbana dá de ombros.
-É, Caleb também já tem, então não precisa.
-A boneca inflável é uma boa ideia. - Começo a rir, enquanto passo os olhos por uma camisa da Tommy.
-Está com medo dele te engravidar? - Megan passa os dedos sobre a minha bochecha, me fazendo corar instantaneamente.
-Idiota.
-Acho que ele tem uma boa mira, uh?
Aguentei por muito tempo as meninas comentarem sobre a minha vida sexual, a do Bruno, a delas, e sobre como eu posso matar minha vontade com ele. Não é algo que eu tenha dito pra elas quando comentei sobre o assunto, sobre estar com vontade e que se ele tivesse continuado por um tempinho a mais, teríamos transado ali mesmo.
Eu estava precisando de alguém, pelas minhas contas daqui a pouco fazem dois anos que nada acontece, mas simplesmente não há nada o que fazer, teria só se no final de semana seguinte do aniversário do Bruno, nós fossemos em alguma festa. Ai teria. E muito.
Primeiro fomos comprar algo para nós. Saias, shorts, calças, vestidos, jardineiras, blusinhas, tudo experimentado, nenhum resultado para comprar. Comprei uma calça jeans e uma legging, mas ainda precisava de uma blusa e casaco.
-Eu tenho um vestido lá em casa que vou te dar. - Megan diz quando saio da cabine de provas, com uma blusa e uma jaqueta. - Ele é de festa, e não me serve mais.
-Vai caber na bunda? - Urbana arqueia as sobrancelhas, catando a arara de roupas.
-Vai sim! - Reviro os olhos.
-Claro que vai, vai marcar justamente o que ela tem de lindo.
-Obrigada por falar que a minha bunda é mais bonita que eu toda. - Volto para o provador, fechando a cortina.
-Não foi isso que eu quis dizer. Foi apenas que sua bunda chama mais atenção do que...
-Meus peitos, meu rosto, minhas pernas? - Tento completar a frase não terminada dela.
-Isso tudo.
-Megan! - A repreendo.
Tiro a blusa do meu corpo e separo a jaqueta que com certeza levaria, e experimento outra blusa, rosinha.
-Que cor é o vestido?
-Preto.
-Podemos passar hoje mesmo na sua casa? Urbana?
-Por mim tudo bem.
-Ok.
Poderia aproveitar esse vestido para sair no final de semana do aniversário dele. Quarta feira o aniversário dele, faríamos algo com os amigos, a janta, o karaokê, e no sábado iríamos para alguma festa. Era um plano perfeito.
Fomos atrás do presente para ele, e a primeira camisa que achei a sua cara, comprei. Uma de listras finas, preta e branca, e mais uma cinza meio social. Não poderia sair dali sem ao menos comprar uma coisinha para a Lana, mas o mundo de bebê é tão grande, tantas coisas a se comprar, tantos colírios para os olhos, que poderia julgar que tudo ali dentro ficaria bem pra ela. Absolutamente tudo.
Uma roupinha básica pra ela, e finalmente fomos comer. Um hambúrguer do Burger King para Megan, e para Urbana e eu, Subway!
Bruno Pov's
Brincava com a Lana no sofá. Coloquei duas almofadas e a pus sentada, com as costinhas encostadas nela. Basicamente deitada/sentada.
Fazia uma porção de caretas e gestos que a faziam dar gargalhadas altas. Ela ria de uma forma inexplicável, e também era inexplicável o bem que isso me fazia.
-Cadê o meu bebê? - Pus a mão centímetros de distância do seu rostinho, o cobrindo completamente. Ouço a sua risada. - Tá aqui, meu bebê! - Atacava sua barriguinha, e ela se mexia toda.
Meu neném está a minha cara, literalmente. A pele mais clara, puxou da Diana, os olhos não são tão esbugalhados como os meus, mas são castanhos escuro como os meus e os da Diana. A boca desde sempre teve o formato da minha, e não mudou nada. O cabelo ainda é cedo pra dizer, ela não tem tanto cabelo assim.
Falar na Diana ainda me causa náuseas. O que ela fez nem um cachorro faria. Como ela teve a coragem de abandonar um serzinho tão lindo, especial, como ela? Se ela visse a Lana hoje, garanto que iria se arrepender de tudo. Mas ela não irá ver nem hoje, nem amanhã, nem nunca, pois se um dia ela vier atrás, ela vai falar diretamente com a polícia.
Não me importo em criar minha filha sozinho, ser pai solteiro. Ela tem uma mãe emprestada maravilhosa, que é a Lea, tem uma grande e unida família, tem tios e padrinhos maravilhosos, o que poderia querer mais? Só lamento ela não ter tido o leite materno que precisava.
Depois de dar o mama e colocar pra arrotar, a fiz dormir no meu colo e depois entreguei para o berço. Precisava agora fazer minhas tarefas, como lavar a louça que não lavei, e colocar a roupa do cesto para lavar.
Cantarolava algumas coisas que me vinham a cabeça, como que poderiam ser músicas novas, ou algumas coisas que poderia escrever. Melodias! E lavava a louça ao mesmo tempo. Eleanor saiu para fazer compras com as amigas, um tempo pra ela que ela estava precisando à tempos. Nada mais que justo.
Peguei o cesto de roupas e abri a máquina. Despejei o amaciante e o sabão, e então peguei roupa por roupa para por ali dentro.
Uma calcinha, vermelha, me chamou a atenção. A peguei nas mãos, bem pequena com detalhes em uma renda fina, num vermelho bem chamativo. Foi impossível não pensar diretamente na Lea vestindo-a.
-Lea, Lea, Lea. - Amasso a calcinha na mão.
Escoro-me na parede, fechando os olhos e levando a calcinha até meu membro. Poderia vê-la vestindo ela e dançando pra mim, sentando no meu colo, rebolando enquanto a colocaria de quatro na minha cama. Mordo os lábios, apertando a calcinha para o meio das minhas pernas. Soltei um gemido contido, precisava imaginar isso nem que fosse uma única vez. Liguei a máquina de lavar, sem a calcinha dela, e foi ao banheiro. Fechei a porta, cuidando para não acordar Lana. Sento-me na privada fechada, pego papel higiênico e cubro uma boa parte do meu colo.
Só me escorei pra trás e imaginei-a. Seguro meu pau, envolvo com a calcinha, e novamente a imagino. De tantas formas.
A vejo na minha frente, vestindo uma lingerie vermelha, cabelos soltos, quadril livre fazendo movimentos, dançando, pra mim. Ela morde seus lábios grossos e passa a mão no seu corpo, se aproximando de mim. Senta sobre meu colo, e rebola sobre a roupa mesmo, beijando meus lábios e pescoço.
-Lea... - Gemo, indo um pouco mais rápido.
Seu sorriso de meia boca, safado, seus olhos penetrantes. Viajo naquele corpo que fazia todos os movimentos necessários, até se ajoelhar em minha frente. Suas mãos procuraram meu colo, indo diretamente ao volume que minha calça fazia. Fisgava meus lábios, contendo os gemidos. Os carinhos começaram quando ela tirou da cueca e passou as unhas de leve em meu pau. Fechou os dedos em volta dele, e usou os movimentos para me instigar, enquanto beija minhas coxas.
Sua boca encostou em minha glande, meu corpo todo se contraiu. Os movimentos da minha mão iam mais rápidos, e minha imaginação ia além do que estava acostumado a ir. Segurei a calcinha com a outra mão, e a cheirei. O cheiro dela era diferente do que eu imaginava, melhor do que poderia ser.
Molhava minhas bolas com sua baba, lambia e chupava cada canto possível, além de dar leves arranhadas em meu corpo. Sentia-me doido, perto de explodir e só conseguia visualizar a sua boca pra fazer isso.
-Lea... - Gemi mais alto.
-Bruno? - Ouvi sua voz. Não, agora não, Lea.
-Hm, Lea? - Tentei normalizar a voz. Ela bate levemente na porta. - Não posso falar agora. - Respiro fundo, aumentando meus movimentos, ainda vendo-a em minha frente, daquele jeito sexy.
-Onde está a Lana?
-Lea! - Quase grito. - Não posso ouvir sua voz agora, por favor. No quarto. - Respondo-a e me concentro para ouvir seus passos para longe do banheiro.
Tomara que ela nunca imagine o que estou fazendo, e principalmente que ela é o ponto principal de tudo isso. Levo meus pensamentos diretamente para ela de biquíni na praia, ela de pijamas curtos, sem sutiã...Quando ela deitou ao meu lado e eu pude toca-la nela de maneira que nunca tinha imaginado.
Minhas mãos em suas coxas macias, no elástico de seu short, na sua barriga. Seu cheiro peculiar, sua pele... Novamente a calcinha vermelha invade minha mente. Ela usando aquela calcinha me detonaria por completo.
Meu corpo estava pegando fogo, quase que literalmente. Sentia a pressão aumentar, e meus movimentos automaticamente irem ao máximo de rapidez. Balbuciei seu nome, dessa vez bem baixinho, e liberei tudo que estava sentindo preso dentro de mim.
Ainda tive uns espasmos depois de gozar. Coloquei sua calcinha sobre meu pau, fechei os olhos, e mordi meus lábios.
Foi muito bom.
Eleanor Pov’s
Depois do que ouvi, e deduzi que Bruno estava fazendo, meu rosto ficou corado por um longo tempo. Foi difícil agir normalmente com aquilo, e não pensar no que estava acontecendo ali dentro. Parte de mim estava com vergonha, a outra parte estava doida que ele saísse daquele banheiro e não fizesse sozinho.
Vi Lana dormindo, parecia estar sorrindo ainda sim. Larguei a sacola do seu presentinho sobre a poltrona perto do seu berço, e o presente do Bruno carreguei para o meu quarto junto com minhas coisas.
Larguei todas as sacolas, me livrei da bolsa e do meu calçado, e fiquei parada, escorada na cômoda.
Se eu pudesse ao menos parar de pensar nisso, mas eu estou completamente vidrada sobre transar com ele. Não que eu vá falar, vá me atirar, não mais do que estou fazendo, mas eu quero, e quero que ele saiba disso.
O vestido que Megan me deu está praticamente novo. É na cor preta, com um decote lindo e bem marcante ao corpo. Adorei ele em mim, e quero tanto usá-lo, por isso hoje mesmo irei dar a ideia ao Bruno.
Vou até a sala, e ele já está sentado, olhando televisão. Uma cara de pau ótima, cabelo bagunçado que não vê pente a dias.
-Tive uma ideia pro seu aniversário. – Repouso a cabeça no meu ombro, soltando meu olhar de criança sapeca.
-Qual? – Pigarreou.
-Podemos, no dia, irmos jantar, com direito a karaokê, e no sábado podemos sair, que tal?
-Sair?
-É, irmos em alguma festa...
-Ah, sim. Gostei da ideia.
-Algum parente seu vem pra cá?
-Não, deixamos para o natal. Talvez iremos para o Havaí, que tal?
-E o dinheiro? Temos que economizar um pouquinho mais.
-Vamos ver até lá o que fazemos.
Andei para a cozinha pegar um copo de água, vendo a louça lavada, e as roupas lavando. Peguei o cesto para carregar até o quarto e juntei a tampa do chão. A única coisa que tinha dentro do cesto era minha calcinha. A encarei por uns segundos, e o cheiro denunciou o porquê ela estava molhada.
Ele havia feito aquilo com minha calcinha junto? É muito para um dia só. E ainda o cara de pau tentou lavar a calcinha para que eu não percebesse. Tive que rir baixinho, sozinha, carregando o cesto para o meu quarto.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Capítulo 14
Eram mais de nove quando jogo as cobertas pro lado, ainda no quarto do Bruno.
Agradeço mentalmente por ser final de semana e me sento na cama.
Bato os olhos no berço de Lana, minha primeira preocupação, e não a acho. Logo tenho certeza que Bruno já a levou para algum lugar da casa. E o pensamento em Bruno me faz lembrar da noite anterior. Passo a mão pelas minhas próprias coxas e balanço a cabeça, risonha. Ele parecia com medo de tocar em mim, mas mesmo assim, foi muito bom. Fecho os olhos relembrando de suas mãos quentes e sinto uma comichão percorrer meu corpo, Bruno está me deixando doida.
Levanto e preguiçosamente ando até o banheiro, ouvindo sua voz batendo papo com Lana na cozinha, como se ela pudesse o responder. Adorável.
Tomo meu banho e me enrolo numa toalha branca que mal cobre linhas coxas.
Sorrio com minha ideia.
Bruno Pov’s
Lana mordia um brinquedinho, no moisés, que eu havia colocado em cima da mesa.
Eu estava fritando um pouco de Hash-Browns, e a deixei no fogo enquanto quebrava dois ovos.
- Bom dia. - Ouço a voz de Lea e viro para olhá-la.
Tudo que desejei na noite anterior vem à tona de uma vez só.
Lea estava enrolada numa toalha branca, deixando suas coxas e boa parte de seu decote de fora. Os cabelos molhados estavam bagunçados e eu imagino que era assim que ela deveria parecer depois de uma boa sessão de sexo. O pensamento faz meu corpo esquentar rapidamente.
- Bom dia. - Ela repete, sorrindo. Sorrindo! Só de toalha! Na cozinha!
- B-Bom dia, Eleanor.
Ela ri.
- Eleanor? Há séculos você não me chama assim.
- É. - Viro de costas, tentando e não querendo vê-la. Preciso me controlar.
- Estava pensando se podíamos sair com Lana, para um parque. Fui colocar minhas roupas e pensei que você poderia querer sair.
Lea se inclina para mexer na bochecha gordinha de Lana, ficando de costas para mim, segurando a toalha com uma mão só e instintivamente desejo que o tecido caísse.
- Uhum. - Assinto, olhando para sua bunda. Puta que pariu.
- Vamos sair, então? - Pergunta, e na falta da minha resposta, ela vira e sorri ao ver para onde eu olhava. Posso jurar que é um sorriso safado.
Mudo o olhar para Lana rapidamente.
- Vamos. Claro.
- Então vou colocar minhas roupas. E venho cuidar a Lana para você se trocar, ok?
Penso na noite anterior. Nas minhas mãos em seu corpo e respiro fundo, tentando não amaldiçoar aquele pedaço de pano minúsculo.
- Certo. Não demore.
Ela assente e vira de costas novamente, me permitindo olhar para a obra de arte que seu traseiro é, e sai rebolando para a cozinha.
Meu olhar acompanha seu corpo, e eu só percebo o sorriso dela quando ela já tem a cabeça levemente virada para me encarar. Já estava fodido, mesmo, não faço questão de disfarçar para onde estava olhando.
- Bela bunda, Lea.
Ela apenas ri e diz:
- Está queimando, Bruno.
Volta a andar, e eu demoro alguns segundos a entender o que ela quis dizer. Xingo um palavrão alto, desligando o fogão rapidamente e me desculpo com Lana pela palavra feia.
Minha filha ainda mordia o brinquedo, completamente alheia ao meu desespero sexual.
Me encosto na parede, logo após ter certeza que teria que cozinhar tudo de novo, e murmuro alguns palavrões que ainda estavam presos em linha garganta.
Lea estava brincando com fogo. E ela também iria se queimar. Nesse jogo, dois podem brincar.
Mas a carne é fraca, e ela se aproveita disso.
Maldita Lea!
Eleanor Pov’s
Empurrava o carrinho da Lana, enquanto Bruno caminhava sincronizadamente ao meu lado. Conversávamos sobre muitas coisas, principalmente o duro que ele está dando com a canção e com as outras que anda escrevendo. Preferimos que ele não me mostrasse nada até ficar pronto, porque de acordo com ele, minha cara pode fazer ele desistir de tudo, sendo que eu sei que irei achar bom, porque tudo que ele faz fica bom.
Passavam das quatro da tarde, sentamos em um banco na sombra de uma árvore. A visão para o letreiro de Hollywood era incrível dali, e nunca me cansaria daquilo. Algumas pessoas observavam, alguns turistas, o que era mais do que comum, e outras se exercitando. Lembrei de quando coloquei a meta de que iria começar a correr para cuidar de mim, mas agora com a Lana, era impossível, somente quando ela ficar um pouquinho maior.
-Quero pular pra parte que eu já fico rico. - Bocejou, colocando a mão na boca.
-É uma luta até lá, mas imagine daqui uns anos...
-Cinco anos. - Me interrompeu.
-Quer estar onde daqui cinco anos?
-Com a carreira estourando! Lea, preciso decolar, preciso disso, sabe?
-Eu não sei, mas imagino! Sei que deve estar maluco com isso.
-Há anos, talvez. Meu sonho pode estar próximo com essa música do FloRida, como pode estar no fim.
-Fim? Pouca fé, hein! Bruno, pensa positivo. Uma música pra ele, é uma música pra ele. - Balanço a cabeça, dando uma espiada na Lana. - Quer dizer, ele tem nome, sabe? E se a música estourar, mais pessoas vão te procurar, mais você vai ser reconhecido.
-Sim, mas tenho que ter um plano B para caso a música não estourar.
-Bruno. - Passo a mão em meu cabelo, preciso me controlar pra não bater com a cabeça dele contra o banco e fazê-lo entender que ele é bom, e que não precisa pensar negativo. - Vai dar certo, ok? Só acredita.
-Eu sei que vai, mas...
-Para com esse mas, Bruno! Caramba. - Perder a paciência com certas coisas era muito mais do que minha personalidade, era meu sobrenome.
-Fácil falar, okay? Não é você que tá sentindo isso.
-Isso era pra ser um passeio legal. - Gesticulo com as mãos o parque. - Lana está esperando você para de se lamentar e acreditar no seu potencial. Pegar ela no colo e mostrar umas plantas pra ela, conversar com ela.
-Desculpa. - Bruno bufa, deve estar puto comigo, e eu não estou nem ai.
Ele pegou Lana no colo e falou algumas coisinhas, enquanto ela abria e fechava os olhos. Apesar do paninho que estava protegendo seu rosto, deveria estar calor demais, e sol demais, no seu rostinho.
-Bruno? Arruma o paninho do rosto dela. - Peço, e ele finge que não me escuta. Continua a olhar para o nada, deixando a pobrezinha com sol no rostinho. - Bruno! - O chamo mais alto.
-O que é? - Se segurou para gritar, mas apenas trovejou.
-Pedi que arrumasse o paninho do rosto dela. - Me acanho no banco.
-Eleanor, com licença, eu sei cuidar da minha filha!
-Tudo bem...só que ela está pegando muito sol forte, Bruno.
-Dá minha filha, cuido eu! - Urrou, lançando o pior olhar que poderia me dar.
Não, ele não pode estar querendo levar isso pra uma discussão, mas eu também não devo ficar ouvindo esse tipo de coisa como um panaca. Espero um casal passar, com água nas mãos, e levanto do banco. Como Bruno já estava de costas pra mim, foi somente encostar no ombro dele para que ele virasse.
-Está sendo um imbecil! Eu cuido dela toda a noite pra deixar você dormir. Eu que estou sempre me preocupando com coisas que não deveria!
-Se prestou pra isso por que mesmo? - A frieza do seu olhar não me deixou ficar pra baixo. - Se não quiser fazer, é só falar. É o mínimo...
-Cala a boca, será bem melhor se não falar nada. - Esbrevejo, vendo o seu semblante mudar completamente.
-O que é, hein? Tirou o dia pra me incomodar hoje? Isso é TPM?
-Eu incomodando você? É ao contrário! Minha única TPM de hoje é você.
-Me chamando de chato por tabela, quanta inconveniência, Lea.
Bruno se virou para por Lana no carrinho, e enquanto fazia isso, puxo seu ombro para que ele olhe pra mim.
-O que tem hoje, hein? Não transou? - Travei minha mandíbula, usando tudo o que passou na noite anterior contra ele.
-Não!
E por uns, talvez bem longos, segundos, ficamos nos encarando. Eu sei que ele queria falar muito mais coisas, e onde tudo isso começou? Era melhor que ficássemos calados do que acabássemos brigando feio. Esse tipo de coisa quase nunca acontecia, mas quando acontecia, era difícil de lidar.
-Vou levar minha filha pra casa. - Pegou o carrinho, dando a volta por mim e andando em frente.
-A bolsa dela. - Alerto-o sobre a bolsa sobre o banco.
Bruno larga o carrinho, pega a bolsa e põe nos seus ombros, andando em frente. Espero que ele vá alguns bons passos até começar a caminhar logo atrás. Ele diminuiu seu ritmo, então aproveito para prender o cabelo enquanto andava.
Não podia acreditar que depois de todos esses anos sem uma briguinha - mais ou menos três anos sem nenhuma discussão, tirando a boba sobre qual marca de ketchup era melhor -, iríamos discutir logo agora e por um motivo tão bobo. Minha noite havia sido ruim, com aquela ausência do sono, melhorou quando as coisas quase esquentaram no quarto dele, mas agora pareceu que ele estava procurando motivos para poder brigar comigo, como se eu tivesse culpa dele não ter continuado, ou me perguntado. Se ele ao menos tivesse feito isso...
Era apenas transa, ele poderia ter insistido, e não saído da sua cama como se eu tivesse incomodando.
Caminhei, e ele diminuiu o passo ao bastante para que eu chegasse ao seu lado, ai sim pegou o meu ritmo. Lana chorou, a fome já deveria estar grande. Ele para, e eu paro junto, mesmo querendo continuar a caminhar e chegar em casa antes dele, antes de precisar trocar palavras.
Se enrolou completamente quando pegou a mamadeira do portador térmico. Não sabia se apartava o choro, ou se pegava a mamadeira antes. Não ajudei, tenho esse péssimo defeito de orgulho nessas situações. Se ele disse agora a pouco que eu ajudava porque eu queria, então talvez não ajudasse agora porque não quis. Mas o dó de deixar minha pequena chorando daquela forma afetou meu coração. A peguei no colo, e embalei.
-Mamadeira. - Peço, não na minha versão mais simpática.
Bruno me entrega a mamadeira e eu dou pra ela. Pessoas passavam por ali, como passavam antes, mas dessa vez parecia que éramos o foco. Não sei se não tinha percebido antes, mas todos pareciam nos notar ali parados e eu dando mama pra ela.
-Que lindo o casal. - Uma senhora baixinha comenta com a outra que estava ao seu lado.
Olho pra Lana, que mantinha seus olhos fixos em meu rosto, balanço a cabeça sorrindo pra ela. Eu entendia ela, entendia seus olhares, era uma conexão maior do que qualquer coisa.
-Lea? - Bruno me chama, mas não faço questão de olhar pra ele. -Eu não queria dizer aquilo...
O ignoro! Odeio discutir com qualquer pessoa, principalmente com ele. Continuei a dar o mama e quando ela terminou, entreguei a mamadeira em suas mãos e andei com ela no colo até ela arrotar. Aproveitou para vomitar minha blusa completamente.
-Porquinha. - Mexo na sua bochecha, e ela faz uma careta engraçadinha.
Ele ri do que aconteceu e eu permaneço da mesma maneira que estava antes. Não estou braba, estou chateada. Sei que falamos coisas que não pensamos às vezes, mas ele deveria medir um pouquinho mais o que falar e quando dizer. Magoou a forma com que ele falou que a filha era dele. Eu sei que é, ninguém precisa me dizer.
O caminho todo fedendo a vomito de leite, uma delícia, e aquele clima de gelo. Bruno já tinha baixado a sua guarda, estava mais recuado, com medo depois que eu o deixei falando sozinho.
Entramos em casa e ele cuidou da Lana enquanto peguei minhas coisas para um bom banho, que é o que eu precisava no momento.
Deixei com que a água corresse pelo meu corpo, assim como seus dedos correram em algumas partes ontem. Podia sentir o comichão nas partes onde ele tocou. Sentia falta disso, falta de sexo, falta de carne na carne. A água levava junto aquela pequena mágoa que ele me deixou à tarde. Conhecendo do jeito que eu conheço, sei que ele pedirá desculpas daqui a pouco. Envolvo-me na toalha e saio do quarto, em direção ao meu quarto no final do corredor. Quando fecho a porta, não o vejo, mas queria tanto que ele me visse dessa forma.
Visto-me já para dormir, não iríamos sair de casa então não tinha necessidade de colocar roupa mais requintada. Um short soltinho, cinza, uma blusinha de alcinha de cachorrinho completamente broxante. Passo creme em minhas pernas, meus braços, minha barriga, antes de vestir a roupa, a mão em meu corpo me faz lembrar das carícias que eu estou precisando. Fisgo meus lábios, fechando os olhos e balançando o pé.
Definitivamente, eu preciso de alguém.
Saio do quarto, já vestida, com meu celular em mãos. Ando mexendo mais nele do que achava que iria. A sala já estava escura, cortinas fechadas, a televisão ligada, um edredom, e o refrigerante na mesa de centro.
-Uh? - Franzo a testa tentando entender o que estava acontecendo.
-Vamos ver filme, comendo pizza, sim?! - O olho, tentando decifrar esse pedido de desculpas. - Lea, me desculpa, por favor! Eu juro que não queria falar nada daquilo.
-A gente nunca quer. - Agora o vejo encarar meu corpo e minha roupa como quem as tirasse.
-Então! Me desculpa, só isso! Nunca quis falar aquilo, apenas saiu.
-Tá.
-Tá?
-É, tá, tá desculpado. - Dei de ombros, pegando o telefone da casa.
-Vai ligar pra pizza?
-Exato.
Peço a pizza, metade do meu sabor, metade do sabor dele. Quando ia me sentar no sofá, ele me abraça por trás. Sem querer suspiro alto, quase gemido, não queria ter feito isso, mas ele me pegou completamente desprevenida.
-Me desculpa. - Disse um pouco mais próximo do ouvido.
-Já está desculpado. - Pego a sua mão que me abraçava. - Onde está a Lana?
-Dormindo por enquanto. O dia foi cansativo pra ela.
-É pra nós também. - Desvio do seu abraço e sento no sofá. - Você atende o entregador, você paga.
-Eu? - Rindo, ele pergunta.
-Claro, mais justo quem deu a ideia, correto?
-É injusto! Vou querer algo em troca!
-Um copo de refrigerante. - Aponto para o refrigerante. - Que filme temos?
-Muitos.
A guerra de escolher qual filme iríamos olhar começou na hora, e terminou quase vinte minutos depois, quando a pizza chegou. Decidimos algo mais leve do que filmes de terror, então pegamos qualquer comédia e colocamos, menos aquelas pastelões, que me tiram do sério.
-E no final, ele vai ficar com essa menina. - Bruno tenta concluir o filme todo apenas olhando a capa, enquanto introduzia o DVD.
-Aham. - Reviro os olhos. - Senta, porque eu quero comer.
-Desculpa. - Ergueu as mãos.
O filme já tinha começado há um tempo. Bruno estava praticamente dormindo, o filme era chato demais, então optemos por tirar. Qualquer programa na televisão estava de bom tamanho. A pizza esfriava sobre a mesa, e o refrigerante esquentava, o assunto entre nós não parava.
Minhas pernas estavam sobre as suas, estava atirada no sofá, enquanto ele apenas sentado, mexendo em minhas canelas.
-Não seria problema isso. – Conversávamos sobre menstruação. Como o assunto foi parar aí? Comercial de absorvente.
-Bruno, fala isso porque nunca teve que passar por isso, é horrível!
-É apenas sangrar por alguns dias.
-É, e ter dores horríveis, não poder transar.
-Não poder transar?
-Vai dizer que já transou com alguma mulher menstruada?
-Não...
-Então, poder até podemos, mas é extremamente nojento.
-Quanto tempo não transa com alguém? – O tipo de pergunta que eu mesmo me faço. O encarei bem antes de responder, pensando no que aquela resposta serviria pra ele.
-Um ano e meio, talvez. – Dou de ombros.
-Como aguenta tanto tempo?
-Ah, Bruno... sei lá. Algumas vezes não nos aguentamos...
-Como assim?
-Você quer saber se eu me masturbo? – Pergunto de uma vez o que ele não tem coragem de falar. – Sim, muito já fiz disso.
-É estranho mulher admitir isso.
-Mas o que eu posso fazer, preciso matar minha vontade. E você, quanto tempo sem uma mulher?
-A última foi a Diana, ela estava grávida da Lana, estávamos aqui em casa, sozinhos, acabou rolando. Uns seis meses atrás, sete.
-Quanto tempo, hein! – Seu olhar sobre o sofá me fez pensar em coisas que talvez não quisesse imaginar. – Não.
-O que? – Já perguntou se rindo.
-Não! Bruno, que nojo. Você transou com ela em cima do nosso sofá?!
-O que que tem?
-Lana irá brincar nele um dia. – Faço uma cara de nojo e imito o som do vômito. – Nojento.
-Normal. Um dia vai ser você!
-Sabe que eu não trago pessoas pra dentro de casa, e bem, espero não começar a namorar tão cedo.
-Mas não precisa ser uma pessoa desconhecida.
Foi o momento mais embaraçoso, tirando o da noite passada, que eu olhei para o seu rosto fixado no meu. O olhar sugestivo dele me fez engolir a saliva a seco, querendo enfiar a cara num buraco, simplesmente por não ter nenhuma resposta ao que ele falou.
-Quem sabe. – Tiro a coragem de algum lugar que não reconheço, e ele dá um sorriso sacana, de canto, apertando a mão na minha canela, e com a outra dando um tapinha.
Não quero imaginar o quanto ele pode ser gostoso na cama. Não posso, Jesus.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Capítulo 13
Eleanor foi com Caleb e Megan, deixando-me pra trás esperando a Urbana. Phil e ela vinham juntos, ele ia para seu serviço e aproveitava para me dar carona, enquanto Urbana levava minha pequena para sua casa pra ficar sob seus cuidados.
Urbana se dá bem com crianças, acho impressionante o modo com que ela cuida da Lana. Não sei porque os dois ainda não tem um bebê, Philip ama crianças como eu, mas em compensação se cuida. Mas eles tem juntos muito mais do que eu tenho. Ela trabalha com seu atelier, cuidando de suas confecções, desenhos, roupas, desfiles, ganha um bom dinheiro com isso, e ele bem, ainda está em um escritório sendo uma espécie de almofadinha, mas acho que com a notícia de ontem, se nossa música for um sucesso, vamos nos dedicar somente e exclusivamente pra isso.
Meio precipitado talvez, meio louco arriscar tudo por uma coisa incerta, mas precisamos investir no talento que temos, e eu, Philip e Ari somos muito talentosos, modéstia parte.
-E aí, cara. - Trago Lana para dentro do carro, com seu Moisés, e cumprimento o Phil, constando que Urbana não estava por ali. - Cadê a patroa?
-Ficou em casa, está com cólica. Vamos passar lá, largar a Lana, e irmos pro serviço. Por isso vim um pouquinho mais cedo.
-Nem percebi.
-Está todo aéreo, com quem foi o sonho de foda? Sasha Grey?
-Não, ela é muito rodada pra mim. Não gosto de usar o que já foi usado por grande parte da indústria pornográfica.
-Caramba, metaforicamente apenas.
-Metaforicamente eu estou precisando de sexo, Philip.
-Podemos partir para o momento que você me fala o que está rolando?
O olho dirigir e permaneço calado. Ele é meu brother, um dos únicos amigos homens que confio tudo que tenho, porém, falar isso com ele pode ser um pouco constrangedor e apelativo, como se eu estivesse necessitado demais de sexo... Puff! Ok, eu posso estar, mas é bobagem, continuo achando loucura da minha cabeça, fantasiar isso com a Lea.
-É normal sentir atração sexual pela Lea?
-Lea? - Tossiu, como se estivesse impressionado. - Ela é linda, inteligente, mas eu tenho uma mulher, e bem, olho pra ela como se ela fosse você ou o Ari.
-Sim, mas não estou falando de você, estou falando que será estranho eu, justamente eu, sentir isso?
-Talvez... não. - Ele balança a sua cabeça dando-me uma breve olhada pelo retrovisor, sabia que ele tinha alguma colocação. - Não a use pra matar a vontade, Bruno.
-Não vou usa-la. - Suspiro fundo, dando uma olhada em minha filha que dormia com um bico, quase do tamanho do seu rosto. - Sabe o que é, ela está me provocando. Ela anda com aqueles micros pijamas.
-Ela sempre andou assim.
-O que você fez?
-Talvez tenha passado a mão em sua coxa ontem à noite enquanto comemorávamos a música.
-Ok, você pirou.
Parei de ouvir quando ele disse que eu pirei. Eu não pirei, muito menos estava doido por matar a vontade, afinal tenho minhas mãos, mas não posso negar o desejo que estou, sexualmente falando, por ela. E o que ela fez, ela tem culpa no cartório. Eleanor praticamente implorou que eu a tocasse, com aquele olhar de cachorro pidão, se inclinando pra mim, indo hoje no meu quarto daquela forma.
-Hey! - Phil estala os dedos em minha frente. - Quer que eu a leve?
-Vou junto.
Entramos em sua casa, bem maior que a minha, e seguimos até o quarto deles onde Urbana estava esperando.
-Bom dia. - A cumprimento.
-Cólica não me deseja bom dia, mas obrigada e pra você também. - Ela se contorce.
-Está passando bem mesmo? Posso ficar em casa hoje e cuidar dela, por mim tudo bem.
-Está tudo sob controle, tomei remédio e chá, daqui a pouco irá passar, não é amor?
-Claro. - Phil larga as coisas da minha filha sobre uma poltrona.
Deixei seu Moisés sobre a cama dela, e beijo sua testa. Era uma dor deixa-la assim todos os dias, mas era o necessário para que eu pudesse dar à ela uma vida boa. Não sei medir a gratidão deles e de Lea por estarem fazendo tudo por mim e por ela, não sei o que seria de mim depois que Diana fugiu se caso eu não os tivesse em minha vida.
-O pai ama você. - Passo minha mão sobre a sua manta, e ela se mexe levemente.
-Babão!
-Ela é linda, Phil, eu preciso baba-la.
-Minha mulher é maravilhosa e eu não a babo desse jeito.
-Ah, claro, baba ela de outra forma e em outro lugar, certo? Com todo o respeito, Urb. - Ela já ria do que falei e consegui deixar Philip Lawrence com a cara no chão por uma das únicas vezes da vida.
-Vão se atrasar. - Ela bate no relógio do seu pulso.
ზ
Tínhamos feito diferente no dia de hoje, eu cozinhei. Sim, minha mãe me ensinou algumas coisinhas e outras aprendi na padaria, bem a tempo de ser alguém que saiba sobreviver não somente de café, comidas congeladas e enlatadas.
Cantava enquanto fazia e dava uma breve olhada em Lana, já que Lea estava tomando banho.
-Filha, seu universo será na música. Verá o papai em palcos do mundo todo. Sentirá orgulho de mim. - Coloco a colher na boca para provar o molho, aproveitando que Lea não tinha visto isso, mesmo que depois eu vá lavar a colher ela diz que devo colocar o molho na palma da minha mão e provar. É mais higiênico, e milhares de coisas que fecho os ouvidos. - Que Lana não veja isso. - Dou de ombros passando água na colher.
Arrumei a massa no refratário, e o molho deixei na panela mesmo, sei que hoje é meu dia de lavar a louça, e quando menos, melhor.
-Boa noite. - Nem ouvi o barulho da chave na porta, só ouço a voz dela perto de nós.
-Boa noite. - Mexi diretamente na panela.
-Como está essa coisinha pequena e linda? - Olhou-a de longe.
-Bem, e acordada.
-Que bicho mordeu você, fazendo comida tão requintada assim?
-É a felicidade! Tá tudo saindo de um jeito tão bom, e depois de amanhã meus pais virão pra cá... Eu tenho minha filha, tenho você, tenho meus outros amigos, minha família, e agora praticamente uma carreira.
Eleanor Pov's
Ás quatro da tarde estávamos de plantão no aeroporto. O voo dos pais de Bruno havia atrasado, e vimos o aviso somente quando chegamos no aeroporto. Philip estava conosco para dirigir o carro, Lana estava no meu colo, dormindo, e Bruno ansioso, olhando entre as pessoas.
-Hey, não fica assim agora, daqui a pouco eles chegam.
-Parece que não chega nunca.
-Melhor saber que eles estão vindo, do que nem saber quando virão.
-Lea... - Odeio que me olhem com pena, não sou digna disso. Não quero ser. Se meus pais não vêm pra cá, paciência, um dia virão.
-Fica quieto. - Ele ri do que eu falei, ele sabe que eu prefiro não falar sobre isso. Sinto tantas saudades da minha mãe e do meu pai, que sempre quando toco nesse assunto, vem lágrimas aos olhos, prontinhas para serem derramadas.
Cuido da Lana em meu colo, que só dorme e come, a vida é um doce nessa idade. Eu digo que já estou acostumada a acordar à noite, mas talvez nem tanto, isso vem me matando aos poucos. Pra quem era acostumada a hibernar, acordar todas as noites e ficar pelo ou menos quarenta minutos acordada, não é fácil e simples de inicio.
-Lá. - Ouço ele falar, mas olhava para Lana então não vi sua expressão, somente vejo-o correndo em frente, e abraçando os dois ao mesmo tempo.
Aquela saudade, aquela velha saudade, bate de novo no peito. Por mais que eu veja meus pais duas vezes por ano, no máximo três, e que eu saiba que eles estão vivos e bem, sinto falta dos dois presentes em minha vida, ao meu lado. Minha transição de adolescente para adulta foi completada sem minha mãe por perto puxando as orelhas e dando conselhos, sem minha irmã e nossas briguinhas diárias, e sem meu pai com sua tranquilidade.
Sei que foi escolha minha, eu quis vir pra cá, mas agora... Agora sinto falta, sinto saudades, e não há um dia que eu pare de pensar neles. Ver Bernie, Bruno e Pete se abraçando, felizes, me faz querer pegar um voo agora mesmo e partir para o Havaí.
Abracei a mãe dele, e o pai, e entreguei Lana, que foi o ponto de adoração dos dois, que diziam sobre o Bruno quando ele era pequeno. Fiquei observando-os por um longo tempo, eu e Phil, Bruno olhava bobo para seus pais, que olhavam para Lana, que dormia sem pestanejar.
ზ
Preparava uma janta um pouco especial. A lasanha estava no forno, e fui eu quem a fez, por incrível que pareça ela estava parecendo deliciosamente boa. Larguei as coisas da cozinha e embalei o presente que iria dar ao Bruno.
Fiz um pequeno quadrinho, com os pés da Lana e suas pequenas mãozinhas, escrevendo algo abaixo “Para o primeiro homem que ocupa minha mente, e o único que tem todo meu amor. Te amo, papai”. Sei que ele ficará bobo com isso, já que já acordou com o sorriso de orelha a orelha quando viu que era dia dos pais.
Em pleno domingo ele foi sair? Sim! Tinha algo para ver no estúdio, com o Aaron, mas era bem rápido, e depois iria passar no mercado e na casa da minha avó, então demoraria um pouquinho, já que pedi para o Phil atrasa-lo bastante.
Lana estava em seu carrinho, olhando atentamente para o brinquedo que estava pendurado, e mordendo seu mordedor em formato de pés. Ouvi o barulho da chave, e já deduzi que fosse ele. Coloco a embalagem bem sobre a frente de onde ele iria se sentar à mesa, e o recepcionei com um grande sorriso.
-Parabéns, papai! Pelo seu primeiro dia dos pais, de muitos especiais que virão.
-Lea! – Ele sorri feito um bobo, gratificante, largando as comprar sobre a mesa e me abraçando. – Obrigada a vocês. – Mandou um beijo para Lana, que abriu um pequeno sorriso quando o vê.
-Espero que goste do presente da Lana para você! – Indiquei o pacote e ele franziu a testa, virando-se para pega-lo.
-Posso rasgar o pacote?
-A vontade.
Bruno rasgou o pacote de qualquer jeito, virando o quadro para o seu lado. Leu o que estava escrito com o seu sorriso aumentando cada vez mais. Passou a mão sobre a película de vidro protetora do quadrinho.
-Fizemos com todo o amor e carinho. – Recebo seu abraço.
-Porque gosta de me ver chorar. – Passou o dorso da mão em seus olhos. – Vocês são incríveis, e eu amei o presente. Mas, meu maior presente é esse.
Ele pega a filha no colo, e a baba um pouco. É lindo vê-los, ver como ele abraçou esse compromisso, mesmo com tantas coisas dizendo para ele desistir de uma vez, porque nada daria certo. Lana é o seu talismã, Bruno precisava dela para conseguir seguir com sua vida e dar um empurrão em sua criatividade para o trabalho.
Fico feliz por poder fazer parte desse crescimento dele, da Lana. Fico feliz por tê-los em minha vida.
ზ
Passava das três quando olhei o despertador de madrugada. Lana me acordou as duas e estava no meu colo sem querer dormir. Não podia acordar o Bruno somente pra isso, amanhã era sábado, ele precisava descansar. Assim como eu, mas meu espírito mais altruísta não deixa.
Finalmente ela dormiu, mas me deixou completamente sem sono. Peguei meu celular pra ficar futricando em tudo quanto era local, mas o sono não vinha mesmo assim. Quatro e meia da manhã e eu na sala, assistindo um filme chato na televisão. Bruno acordou e foi ao banheiro, mas na volta de certo ouviu o barulho da televisão e foi até a sala.
-O que faz acordada? - Passou a mão no rosto, os olhos pequenos de sono.
-Lana acordou para tomar o mama, e eu perdi o sono.
-Faz pouco tempo?
-Não. Ela acordou as duas. - Sentei no sofá.
-Deita comigo, assim você não fica tentada a ligar a televisão, ou pegar o celular, porque tem que fazer silêncio pra Lana. - Ele estica a sua mão e eu desligo a televisão.
Fomos para o quarto e ele deitou do seu lado da cama, esquerdo, e eu deitei no espaço livre. Me tapei com a coberta, mesmo estando no verão, eu e ele temos a mesma mania de não conseguirmos dormir sem nada nos cobrindo.
-Obrigada. - Balbucio.
-De nada, Lea, boa noite.
-Boa noite, Bruno.
Viro-me de lado, puxando a coberta um pouco mais pra cima. Ainda olhava para o lado e percebia que ele estava acordado.
- Frio? - Pergunta, baixinho.
- Um pouco.
Bruno se mexeu, e senti suas pernas encostarem nas minhas. Não. Agora não.
Seguro a vontade de abrir as pernas para se entrelaçarem, como fazia para dormir com o Kai, normalmente após termos aproveitado um pouco mais da noite em claro. Quisera eu que o motivo da minha noite em claro tivesse sido esse.
Mexo-me de leve, aconchegando-me e procurando uma posição melhor, e a mão dele para em minha cintura. Contraio o corpo, com medo de que ele apenas tivesse sonhando, e também para evitar pensar nesse tipo de coisa, mas quando ouço seu suspiro, vejo que não é sonho dele, e que suas mãos estão ali porque ele quis.
Respiro fundo. É o Bruno, meu melhor amigo, tento lembrar, mas é difícil.
Empurro meu quadril, de leve, para trás e meu corpo se encaixa com o dele, completamente. Escuto a respiração pesada dele.
- Lea? – Me chama, baixinho. - Ainda está acordada?
- Hmmm, estou. - Murmuro de volta, no mesmo tom.
- Ah.
Nossas pernas estavam grudadas, minha bunda encostando por completo em seu corpo, e seu peitoral em minhas costas. Uma posição bem íntima, mas apenas finjo que não noto.
Sua mão escorrega para minha barriga um pouco descoberta da blusa do pijama, e ali se instala, alisando-a bem de leve. Sentia comichões dentro de mim, aquela vontade louca que tenho de transar, aquele desejo completamente reprimido, no qual às vezes mato por si própria.
Bruno pressiona o corpo contra o meu e eu fecho os olhos, sentindo-o quietinho colado comigo.
- Lea? - Chama novamente.
Dessa vez, não respondo, e sinto a mão dele se espalmar em minha barriga. Por puro instinto, empurro-me novamente contra ele, delicadamente.
Sua mão livre pega em minha coxa, mas ele parece vacilar e tira a sua mão.
- Lea?
Não o respondo, tentando imaginar se aqueles toques quentes eram algo da minha cabeça, forjados por minha abstinência.
Com minha falta de resposta, Bruno suspira. Seus dedos voltam para minha coxa, e a alisam, da mesma forma que se mantinham alisando minha barriga.
Meu Deus. Sou muito ruim por deixar meu melhor amigo me tocar? Dessa forma?
Bruno parece pensar o mesmo que eu. Porque seus carinhos param abruptamente. Gemo, baixinho, como se reclamasse, mesmo que não estivesse inconsciente.
- Você gosta disso? - Ele pergunta, num sussurro, mas eu não respondo.
Seu corpo volta a colar no meu, e eu posso sentir que os toques não estavam apenas fazendo efeitos em mim. Sinto-o pulsar contra minha bunda.
Empino-o discretamente e Bruno segura meu joelho, alisando-o e subindo minha coxa, até seus dedos encostarem na curva suave que se transformava em minha bunda.
Mordo meus lábios, tentando não fazer barulho. Remexo-me, querendo mais, e balanço-me na cama, deitando de barriga para cima. Bruno fica petrificado enquanto isso, mas parece relaxar ao notar que estou, supostamente, dormindo.
Ele não ousa me tocar mais. Mas eu quero.
- Hmmmmm. - Murmuro, afastando minhas pernas.
Demora alguns segundos para que ele tenha uma reação. Mas sinto Bruno escorregar para perto de mim novamente. Sinto seus lábios tocarem meus ombros, num beijo discreto. Luto para segurar um gemido. Mais alguns beijos ali e ele coloca a mão em minha barriga novamente.
Parece receoso em seguir em frente, então me remexo para que sua mão entre mais fundo em minha roupa. Meu Deus.
Seus dedos, trêmulos, alisam a base dos meus seios, e saem, nervosos, no próximo segundo.
Ele se afasta novamente.
Suspiro de frustração, e Bruno tira uma respiração pesada.
- Lea. - Chamou. - Lea?
Ele me puxa pela cintura, bem devagar, para perto de si, de lado. Eu me ajeito e ele mantém a mão em meu quadril. Um único dedo, nervoso, brinca com o elástico do meu short. Aconchego-me nele e posso sentir perfeitamente o quão duro ele está. Por mim. Se ele soubesse da forma que eu estou.
Seu quadril se pressiona em minha bunda levemente, quase imperceptível. Sinto-o pulsar. Volta e repete o movimento. Fecho meus olhos com força, tentando segurar a vontade de dizer que estava acordada e que também queria, apenas porque não tinha coragem de dizê-lo isso.
Só consigo sentir o movimento leve de seu corpo atrás do meu, apertando contra meu traseiro, o que me tira qualquer chance de sono.
Bruno para por si só depois de pouco tempo. Menos tempo do que eu gostaria. Sua mão passa por minha coxa e eu as afasto por puro reflexo, fazendo ele soltar uma espécie de murmuro, algum palavrão.
Seu corpo sai da cama em um vulto, e eu o conheço o suficiente para saber que ele estava de controlando.
Ele passa na minha frente e eu aperto os olhos, espiando. Não posso deixar de notar o volume que marcava sua samba-canção.
Bruno aperta de leve aquela área e eu o vejo sair do quarto, praguejando baixinho.
Fecho os olhos e respiro fundo. O que foi isso?
Passo a mão por minhas coxas e as sinto fervendo. Penso no que Bruno deve estar fazendo no banheiro nesse momento, e a vontade enorme que estou de ir lá.
Preciso de algumas respirações fundas para me manter na cama, e o sono parece finalmente começar a vir.
Estava quase dormindo, de barriga para baixo, quando Bruno volta.
Ele tem cuidado em não tocar em mim, e logo alcança um travesseiro.
Sinto seu olhar queimar meu corpo, ele provavelmente iria dormir na sala. Antes que ele feche a porta, Bruno para, e posso apostar que ele está olhando pra mim.
Ouço seu murmúrio baixo, algo como "Ah, Lea", então a porta finalmente se fecha.
Sem saber o que foi isso, sem entender completamente e absolutamente nada. Chateada, me concentro no sono e ele me leva, finalmente.
sábado, 13 de junho de 2015
Capítulo 12
A madrugada passava tranquila, até o chorinho esganiçado de Lana me acordar. Bruno tinha um sono mais pesado que o meu, e se confundiu na hora de levantar. Mesmo o berço ficando em seu quarto, ele ainda dormia, e ela chorava, com fome. A peguei em meu colo e carreguei junto comigo até a cozinha.
-Bebê está com fome, não é, princesa? - Olhei para o seu rostinho, esperando a mamadeira esquentar por segundos no microondas.
Levei a mamadeira até meu quarto e sentei na cama, embalando ela de leve enquanto dava a mamadeira. Levei a maior paciência do mundo para ela tomar o leite, e não havia ido nem um terço da mamadeira.
-Já chegou tirando o sono da sua madrinha, Lana? - Bruno coça os olhos entrando no quarto.
-Diz pro papai que você ainda não tem noção do que é isso. - Empurro-me um pouco pra trás. - Senta aqui.
-Acordou a casa toda, essa chorona.
-Pobrezinha. - Expresso um sorriso nos lábios. - Olha como ela é linda, Bruno!
-É minha princesa. - Encostou no seu pezinho e ela faz um barulho de sucção na mamadeira. - Toda linda.
-E você todo babão. - O olho, meio sentado, meio deitado, ao meu lado.
-Desculpe por ontem. Eu sei que fui um pouco grosso às vezes, não fiz por mal. Estava uma pilha de nervos.
-Hey, eu sei. Por isso não aceito as desculpas, imagino como deve ter ficado.
-O que seria da minha vida sem você, Lea? - Ele passa sua mão no meu rosto.
-Da minha seria não se acordar pela madrugada para dar mama para um bebê.
-Ela vai agradecer à você quando crescer. Será a mãe estepe dela.
-Esse termo é feio. - Torço os lábios. - Vou ser apenas sua madrinha que tem muito carinho por ela.
-Obrigada, por tudo.
-De nada.
Paramos para observar somente aquele pequeno ser. Tão pequena que chegou em tão pouco tempo. Como ela foi mudar completamente nossas vidas, e em apenas dias de vida já deixou tudo mais de cabeça pra baixo, porém colorido?! É uma mágica, da qual eu nem entendo, nem ninguém, mas eles trazem uma alegria a mais para família, pra tudo. Pra vida.
-Como ela será que vai ser? Será que vai ser artista?
-Se puxar o pai ela vai ser uma das melhores pessoas que eu conheci. Vai ser carinhosa, sincera, perfeccionista, companheira e teimosa. Mas terá os pés no chão e seguirá seus sonhos. - Aproveito para ver o quanto de leite falta, e ela procura a mamadeira com a boca assim que eu retiro. Tão fofa.
-Ela poderia puxar a madrinha, tia, e mãe... Ter uma alma de ouro, e ser de longe a melhor pessoa para estar ao lado, sem contar que será linda.
-Idiota. - Fecho os olhos devagar.
-Estou com pena de deixar ela sozinha, sem mim.
-Ela estará em boas mãos, e quando chegar do serviço poderá babar muito sobre ela.
-Tomara. – Passou a mão em seu rosto, mostrando-se um pouco nervoso. – Mas, eu estava pensando, e se eu a denunciasse? Sabe, fazer ela correr atrás da filha, ou algo assim. Não sei como funciona esse negócio de pais e polícia.
-Bruno. – Torço os lábios. – Sinceramente, prefere que ela seja uma mãe presente e que odeie a Lana, trazendo negatividade pra menina, e consequentemente para nós, ou que ela não tenha uma mãe, mas que seja a criança mais querida e bem amada do mundo?
-Pensando por esse lado... – Ele inclina a cabeça para o lado. – Só estava pensando que ela merecia uma punição.
-A punição dela vai vir, mas não será das tuas mãos. O mundo saberá como vingar-se desse crime.
-Tenho tanta raiva dela. Como ela pôde fazer isso, Lea? Olha esse bebê! Lana é a coisa mais preciosa do mundo.
-Se ela realmente é a coisa mais preciosa, você tem que parar de pensar numa vingança idiota pra Diana, e começar a pensar em você e na Lana. A vida dela depende da sua.
-Como sabe sempre as melhores palavras?
-Sou sua melhor amiga, sei sempre o que dizer pra você!
Ela dormiu assim que a mamadeira acabou. Acariciei seu rostinho, e a embalei, entregando para o Bruno poder coloca-la no berço para dormir. Voltei para minha cama, com o cheiro do Bruno dessa vez, virei para o lado e dormi direto.
Então pela manhã, quando meu celular despertou, desejei profundamente ter mais uma horinha para dormir. Fiz minha higiene, arrumei minha roupa, e coloquei a mesa para tomarmos café. Tiara acordou-se para ficar de olho em Lana, e se voltasse a dormir, pelo menos dormiria no quarto do Bruno para caso ela chorar, ela estar ali por perto.
-Bruno, vai pro banho! Quando chegar, você baba mais em cima dela. - Reviro os olhos. - Ele vai acabar se atrasando.
-É um idiota, babão.
-Vão a merda.
-Olha! Agora temos criança em casa. - Rio, e ouço a sua gargalhada do banheiro.
-Vi vocês ontem de noite cuidando da Lana... estavam lindos, pareciam um casal.
-Porque todos dizem "parecem um casal"?
-Parece!
ზ
Fazia um balanceamento de algumas coisas do serviço que Ian havia me pedido, enquanto cuidava Lana no carrinho ao meu lado. Estava nervosa pela palestra que iria amanhã, e precisava também me informar um pouco mais sobre o assunto. Tínhamos acabado de voltar do supermercado, agora estava um pouquinho menos complicado sair com ela, mas tive a ajuda de Urbana, que nos levou e trouxe de carro. E ela agora que cuida da Lana enquanto estamos no serviço.
Tiara passou conosco uma semana e meia, tempo suficiente para fazer bastante coisas dentro de casa, mudamos um pouco os móveis de lugar para ficar melhor a deslocação com a Lana. Já estava me acostumando a acordar de madrugada para dar mama, mas o melhor é que ela não chora muito, é quietinha e só chora quando a fome aperta. Passou duas semanas desde que ela chegou em casa, ao total nosso bebê está completando três semanas hoje, e amanhã conhecerá seus avós. Bruno estava todo ansioso por ver sua mãe novamente, e eu falando com a minha que ela poderia muito bem vir do Havaí pra passar uma semana conosco, mas a querida é osso duro de roer.
Agora, Bruno está numa reunião com o Flo Rida e um pessoal da gravadora, e eu espero que eles venham com boas notícias, já que Bruno está todo empolgado com isso.
Ouço três batidinhas na porta, e levanto para ver. Só poderia ser o carteiro talvez, porque não esperava por ninguém.
-Oi. - Megan estava toda sorridente, com uma sacola rosa nas mãos. - Atrapalhei?
-Oi. - Dou um beijo em sua bochecha. - Na verdade não. Estava somente revisando umas coisas e dando uma olhadinha na Lana, que por incrível que pareça, está dormindo.
-Ela não dorme direito?
-Foi ironia. - Parei ao seu lado, vendo ela olhar a pequena.
-Meu Deus, como eles crescem rápido. - Esticou a sacola pra mim. - Aproveitei que Caleb foi até a casa de sua mãe, e para não ir, passei no shopping e comprei o presentinho dela, além de vir visitar vocês. Onde está o Bruno?
-Senta-se. - Ofereci meu sofá pra ela, que parecia ter ingerido uma grande quantia de cafeína. - Foi até uma reunião, com a gravadora.
-Opa, novidades para nós, talvez?
-Tomara. - Sentei a sua frente. - Está elétrica... Cafeína, ou sexo?
-Anti depressivos também me deixariam assim, sabia?
-Você não é hipocondríaca. - Observo.
-Certo, você me conhece, sou mais dos chás... - Ela cruza as pernas, e vejo suas botas lindas. - Cafeína! Desde que acordei. Não consegui dormir a noite direito, então algo tinha que me manter acordada, escolhi a cafeína porque não sou muito fã de drogas, como sabe.
-Ah sim. Eu já estou me acostumando com o fato de acordar todas as madrugadas, dar a mamadeira de duas horas em duas horas, praticamente.
-Nossa, que gulosa.
-Faz parte da dieta também. - Coloquei para que intendesse. - Quer alguma coisa?
-Não, obrigada. Se eu pedir um cafezinho, acho que não dormirei por mais uns dias, e quando dormir, vou hibernar.
-Isso é. - Gargalhei controladamente para não acordar o bebê.
-Mas falou em sexo... estou subindo as paredes. Mais ou menos duas semanas que eu e Caleb não chegamos a ir pra cama. Tem muita coisa corrida no trabalho e dentro de casa, que acabamos ficando cansados e não fazemos nada.
-Megan, tem coragem de reclamar de seca com duas semanas, sendo que eu estou há quase dois anos sem nada? Na verdade, um ano e alguns meses.
-Como? Sempre pensei que você e o Bruno dessem algumas rapidinhas para matarem a vontade.
-Mas vocês... - Passo a mão no rosto, sentindo a vermelhidão. Rio da ideia das pessoas. - Todos falam o mesmo, será que um homem e uma mulher podem ser somente amigos?
-Podem, mas as brincadeirinhas de vocês, parecem reais, não sei explicar. Química talvez.
-Não, química coisa nenhuma. É por isso que eu tenho essa amizade com ele, porque conseguimos falar de tudo, sobre tudo, a hora que der, com quem tiver, não temos restrições. - Balanço a cabeça, entrelaçando as mãos. - Não quer dizer necessariamente que transamos.
-Mas deveriam. Cá entre nós duas, ele tem cara de quem manda bem, e bom... Lana está ai pra provar alguma coisa, não é?
-Cara tem mesmo, mas... não. - Olho para sua cara querendo me dizer alguma coisa. - Não, ok? Seria estranho.
-Estranho é eu pelada na rua, com uma melancia na cabeça, e um coração pintado na bunda. Para de pensar. Não custa dar uma rapidinha somente para matar a vontade. Vocês dois são adultos, responsáveis, e sabem que tem higiene, somente iriam aproveitar melhor a vida.
-Nossa, lema do Carpe Diem, nunca pensei que ouviria isso de você.
-Estou tentando te convencer a fazer a coisa certa, cale a boca.
-Me desculpe. - Levanto as mãos em rendição.
-Já está desconversando...acho que seria uma boa vocês dois se conhecerem melhor... sexualmente falando.
-Não há nada de errado com sexo casual.
-Exatamente. - Jogou seus cabelos loiros para o lado e espremeu a boca, numa expressão de quem estava pensando em algo.
-O que foi?
-Estava pensando nas minhas roupas na lavanderia. - Riu, e eu a acompanhei.
-Você está completamente fora da casinha, doida!
-Doida de alegria, e cafeína. A vida é genuína, Lea. Aproveite.
-Ok, estamos falando tudo isso, mas e mesmo se eu quisesse, como saberia se ele também quer.
-Eleanor, você é tão inteligente, mas tão burra, como consegue? Olha, ele é homem, se vai chegar uma mulher dizendo "oi, estou afim de transar, vamos? ”, é óbvio que ele vai. Ainda mais sendo você.
-Falando assim até parece que sou a mais linda, né.
-E não é? É claro que é. Daria muito dinheiro para ter a bunda que você tem, querida. Pra eu ter isso, somente silicone.
-Megan, pare de ser hipócrita, você tem bunda sim!
-Comparada com a sua, é como se eu fosse a Amy Winehouse e você a Jennifer Lopez, ou Beyonce.
-Me comparando com a Beyonce, eu estou tão bem assim? - Gargalho alto.
Aí o papo já mudou. Passamos um tempo falando sobre as atrizes e cantoras, sobre a vida delas, e os amores delas, e não tocamos mais no assunto "Bruno e eu", se é que esse assunto existiu de verdade. Poderia ele ser mais uma idiotice de amigas falando bobagens.
Antes de dar as oito da noite, Caleb ligou para Megan dizendo que estaria esperando que ela fosse busca-lo na casa de sua mãe, então ela se despediu e eu abri o presente que ela deu a Lana, um lindo conjuntinho rosa fraco, com uma presilha de cabelo da mesma cor. Guardei o presente e ajeitei o que tinha bagunçado com meus estudos. Dei mama para Lana e comecei a fazer a janta com ela no meu colo, enquanto ouvia música pela televisão.
-Meu Deus, mil e uma utilidades. - Bruno estava parado na entrada da cozinha.
-Hey, boa noite, há quanto tempo está aí?
-Tempo suficiente para ver você rebolar com Crazy in Love.
-Sexy, não? - Dei um beijo em sua bochecha... cheiroso... e dei a sua filha para seus braços.
-A titia Lea te cuidou bem, meu amor?
-Idiota. - Revirei o molho na panela. Fazia um molho branco para acompanhar com o macarrão e queijo. Umas bolinhas de carne moída, e esse seria o jantar da noite.
-Um idiota que quer comemorar, Lea.
-Não me diga! - Meus olhos brilham instantaneamente.
-Pois digo! Ajudaremos com a música do FloRida, sim! Eu sabia que hoje o dia tinha amanhecido para mim.
-É só acreditar. - O abraço mesmo com a Lana no colo. - Você é incrível, merece isso!
-Trouxe um vinho para bebermos após o jantar.
-Porque não com o jantar? - O questiono.
-Porque provavelmente Lana estará acordada, e bem, não quero que ela tenha má influências.
-Coitada, vai priva-la de ver você? - Ele não tinha entendido a piada. - Para não ter más influências.
-Hey. - Ele ri, e ela faz um barulho engraçado. - Você viu como ela defende o papai?
-Ou está rindo de você.
Assim que pus a mesa, jantamos. Perguntei mais detalhes da reunião, e ele me disse absolutamente tudo do que aconteceu, e parecia que dessa vez as coisas iriam andar pra frente de uma vez por todas.
Colocamos Lana para dormir, e abrimos a garrafa de vinho na sala. O abracei diversas vezes e sentei ao seu lado no sofá, com as taças em mãos, bebendo e comemorando que finalmente ele conseguiria uma porta para chegar ao sucesso. Cada degrau é uma luta, é uma conquista.
Estava com minhas pernas sobre o seu colo, o controle da televisão sobre a mesinha de centro, apoiei uma mão no chão e me estiquei para pegar o controle, e senti sua mão em minha coxa. Meu corpo se arrepiou completamente, não, não poderia ter um acesso agora, mas estranhamente eu havia gostado. Não sei se o papo com a Megan havia mudado algo, ou se eu estava precisando disso, ou as duas coisas, mas aquela mão em minha coxa tinha me deixado literalmente louca.
-Então o que quer ver? - Pergunto voltando para o jeito que estava antes.
-Ver nada, daqui a pouco temos que dormir, mas pode colocar em músicas.
-Hm, ok. - Tiro as pernas de cima dele e levanto. - Qual CD?
-Coldplay ou Maroon 5?
-Maroon! Já disse que acho o Adam lindo?
-Já. - Falou entediado.
-Apesar que o Chris não é de se jogar fora...
-Aham. - Se eu tivesse lhe olhando, garanto que estaria revirando os olhos.
-Vou pegar mais vinho, quer? - Peguei minha taça na mesinha e ele apenas olhou para o meu pijama. O encarei enquanto pegava a taça, não de uma maneira intimista, e sim... querendo seduzi-lo. Nem eu mais sei o que estava fazendo.
-Quero. - Entregou a taça que estava na sua mão.
Virei-me para ir até a cozinha e sua mão novamente passa na minha coxa, subindo pra minha bunda. Agora eu paro, e deixo ele fazer isso, mas ele tira a mão, talvez com medo. Viro meu pescoço levemente para o lado e o olho, encontramos nossos olhos e dou um sorriso safado. Saio rebolando até a cozinha e ouço seu suspiro.
-Vou precisar de um banho. - Digo um pouco mais alto, servindo as taças e mordiscando os lábios.
-Oi?
-Oi? - Fingi que não tinha dito nada.
Lhe entrego a taça e passo por sua frente, sentando onde estava antes e colocando as pernas novamente sobre ele, mas agora colocando a almofada em minhas costas para conseguir beber. Ajeito meu short e ele suspira, mordendo a bochecha. Porque mesmo eu estava provocando ele? Eu gostei daquilo, gostei dos seus toques, e agora seu olhar tentando se controlar, era o melhor. Senti-me sexy e confiante. Como Megan mesmo disse, não há nada de mal numa transa casual.
Bruno Pov's
Quando nos deitamos para dormir, a cena não parava de passar na minha cabeça. Ela tinha deixado eu passar a mão nela. Ela gostou disso?
Aliás, desde quando ela usa pijamas tão curtos para dormir? Quando parou de usar sutiã em casa às vezes, quando ficou tão gostosa? Pode ser a falta de sexo, afinal desde os últimos meses de gravidez e o nascimento da Lana, eu não fiz nada. Ao total dão uns quase quatro meses, e isso é muito pra mim. Possa ser isso que está afetando essa minha vontade de transar, e de ver Lea com outros olhos.
Os olhos da carne.
Não quero pensar nela dessa forma, tenho que controlar minha mente e o volume da minha calça por pelo ou menos um tempo, até conseguir sair para ver alguém, o que agora vai ser bem difícil.
A última coisa que me lembro antes de apagar no sono, foi da foto dos meus sobrinhos, filhos de Jaime, com minha mãe e meu pai, no Havaí. Tinha muitas fotos impressas deles para matar a saudade, e a maioria ficava em meu quarto, perto da minha cama. É a minha vontade de te-los por perto, de senti-los a cada dia comigo, me apoiando.
Abri os olhos quando o despertador tocou, se Lama chorou a noite, eu não vi, mas coitada da Lea. Lea... lembrar do nome dela automaticamente agora me lembra de ontem à noite. Caramba, Bruno, controle-se.
Ouço batidinhas na porta, e peço que ela entre.
-Com licença, bom dia. - A vejo com uma saia lápis cinza, e dois panos tapando a parte da frente do seu busto. Espera, ela estava sem blusa e de sutiã no meu quarto?
Meu Deus.
-Bom dia. - Coço minha cabeça oferecendo um sorriso tranquilo. - Como foi a noite?
-Boa, acordei rapidinho pra dar mama à ela, mas ela nem chorando estava.
-Ah, talvez seja por isso que eu não tenha acordado.
-Talvez.
-Preciso de ajuda com a blusa. Hoje tem uma palestra importante sobre marketing e outras coisas mais, e preciso ir bem apresentável.
-Você sempre está bem apresentável. - Principalmente de sutiã, penso secretamente. - Quais são as opções?
-Essas duas!
Ela descobre seu peito desnudo. Ok, nem tão desnudo assim já que estava de sutiã, mas é praticamente nada. Não posso olhar isso e não posso pensar essas coisas, pra mim ela deveria ser um homem, e não uma mulher tão sexy. Caleb sempre fala na sorte que eu tenho de ser melhor amigo dela, de vê-la de muitas formas, e de compartilhar coisas com ela, mas não é sorte começar a ter uma ereção inicial sempre que a ver dessa forma, um pouco mais ousada. Ela sempre fez isso, não é coisa da minha cabeça, e se for, ela está me provocando.
Não! Ela sempre fez.
-A azul. - Aponto para a blusa a sua direita.
-Obrigada. - Ela sorri pra mim.
-Mas troca esse sutiã, acho que ele aparecerá com ela.
-Tem razão. - Colocou as blusas sobre o peito. - Obrigada! E vá se arrumar para não se atrasar.
Passei as mãos no rosto evitando olhar enquanto ela caminhasse, mas não me aguento. Sou homem, é impossível essas reações.
Uma reação em cadeia.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Capítulo 11
A todo momento a única coisa que passava pela minha cabeça era que ela nunca teve depressão alguma, que estava fingindo e agora fugiu para não arcar com as responsabilidades. Qual é, eu estudei, tenho televisão, vejo noticiários e assisto jornais, e leio livros, eu sei que o povo como o dela não são de se apegarem as coisas, gostam da liberdade. E onde ela teria liberdade tendo uma filha pequena? Estava com raiva dela, ódio. Não sabia nem ao certo o que aconteceu, mas meu sangue já fervia. Philip conversava comigo, tentando espairecer a situação, mas não dava certo.
Os gritos de Bruno no quarto, raivosos, enchiam nossos ouvidos. Havia somente uma enfermeira ali, se desculpando dizendo muitas coisas, mas Bruno só sabia/queria explicações de onde estava Diana.
-Calma, Bro! - Philip toca no seu ombro, que grosseiramente se esquiva.
-Calma? Essa mulher sumiu!
-Mas não levou a sua filha. - Comentei.
-E como que minha filha vai viver sem mãe, Eleanor? - Franziu a testa, mostrando estar bem mais bravo do que pensei. - Me empresta o carro? Preciso ver se ela está em casa.
-Não quer que eu dirija? - Pergunta Phil pondo a mão na chave que estava no bolso da sua bermuda.
-Não! - Disse rispidamente. - Me desculpe, mas não. Eu estou bem, só preciso saber onde ela está.
-E a bebê, Bruno? - O olho enquanto ele caminhava para a porta.
-Avise para o Ari buscar vocês aqui. Sua responsabilidade a assinatura da alta dela, Lea. E depois diga para ele buscar minha irmã.
-Como vamos saber onde você está?
-Eu ligo para avisar. Cuidem do meu bebê!
Sei que era um momento apreensivo, mas às vezes as palavras doem. Bateu no meu peito quando ele falou grosseiramente comigo, não sei se é a sensibilidade do momento, mas só queria chorar um pouco. Respirei fundo assim que ele saiu, olhei para o Philip que passava as mãos na cabeça.
-O que vai ser dele com uma bebê, sozinho?
-Ele não está sozinho. - O corrigi. - Ele tem amigos, e tem eu, que posso não ser mãe e não ter prática com essas coisas, mas sei do básico, e sou madrinha, tenho a obrigação de ser mãe de estepe.
-Lea... Creio que o Bruno não tem tanta responsabilidade para ser pai.
-Ele tem, Phil! Bruno pode ser louco, voador, mas ele tem a cabeça no lugar quando o assunto é sério, ele já mostrou isso pra vocês. - Me escoro ao seu lado na cama. - Vai dar tudo certo.
Eu não sabia se iria dar tudo certo, estava com medo dessa história toda. Bruno sendo pai já é um choque, agora ele sendo pai solteiro, responsável pela filha, era outro. Ele pode ser consciente em alguns momentos, quando tem necessidades, mas ele vai acabar surtando daqui um tempo, eu sei.
Tinha muita burocracia a se fazer antes de sair. Os médicos já sabiam que ela havia fugido, e claro que eu já tinha pensado na possibilidade de denunciar o hospital. Como que deixam uma paciente que acaba de dar à luz e que estava desestabilizada emocionalmente, sair sozinha dali? Falei com o médico responsável pela alta dela, ele me pediu tantas desculpas, dizendo tudo o que havia acontecido, e eu não perdi a oportunidade de falar poucas e boas. Dei uma olhada nos papéis, e ela já estava registrada: Lana. O nome que recomendei quando paramos para falar sobre isso. Bruno pôs o nome que eu escolhi? Isso é lindo! Assinei os papéis, e me encaminharam para onde minha pequena estava. Bruno já tinha trazido sua bolsinha com as roupinhas e outras coisas.
-Quer vesti-la? - A enfermeira a trazia no colo.
Um embrulho, um pequeno pacote numa manta branca. Estávamos no quarto onde Diana estava antes. A peguei no colo, agora um pouco mais firme do que estava antes, e a pus com todo o cuidado sobre a cama. A fralda era pequena demais, parecia mentira o quanto era minúscula as coisinhas dela. Sua mãozinha enrugada não parava quieta.
-Phil, pegue a bolsa, por favor?!
-Ah, claro.
Ele também estava vidrado, acho que era impossível não estar. Como ela era tão pequena, eram tantos detalhes. Retirei a sua roupinha e troquei sua pequena fralda pela primeira vez. Vesti a sua roupinha de saída com tanto cuidado e a embrulhei numa manta fina. O tempo estava mais do que quente, estava fervoroso, daqueles dias que não há escapatória para não suar, mas ainda assim era recomendado usar a mantinha nela.
Peguei todos seus exames e mais os papéis, a carteirinha, tudo o que tinha que fazer, enquanto Philip achava o Ari pelo hospital.
-Lea, tudo bem? - Deu um beijo no meu rosto.
-Oi, na medida do possível, sim. - Sorri nervoso.
-E essa pequena? - Puxou um pequeno pedaço da manta para ver o rostinho dela que estava coberto. - A boca do Bruno! - A primeira coisa que disse.
-Todos falam o mesmo. - Ri, admirando ela que dormia tranquilamente.
-Não escolheram o nome ainda?
-Acho que não. - Phil respondeu.
-Sim. É Lana. - Mordo meus lábios. - Minha pequena Lana.
-Lana? É lindo! - Ari disse, passando a mão sobre a sua cabeça com a proteção da manta.
-Lana é legal mesmo, mas ele nem falou que esse seria o nome.
-Eu sei, não falou pra mim também. Vi agora quando assinei os papéis.
-E o que aconteceu com a mãe dela?
-Ah, a Diana...
Contamos ao Ari no caminho até o carro o que tinha acontecido. Aproveitei para expor o que eu achava desde o inicio, mesmo sabendo que não era o recomendado. Durante o caminho combinamos de evitar encher a cabeça do Bruno com essas coisas.
-Entrem, a casa é pequena e humilde, mas é receptiva.
-Até parece que eu nunca entrei aqui. - Phil vinha logo atrás de mim carregando a bolsa da Lana.
-Com licença. - Ari limpa os pés no tapete antes de entrar.
-Seja bem-vindo. - Sorri pra ele. - Ah, não sei se o Bruno falou com você sobre buscar a Tiara mais tarde...
-Sim, ele disse, mas estou tão confuso com tudo isso que nem lembro que horas era.
-Por volta das oito, se eu não me engano, mas até lá ele já está em casa e diz o que temos que fazer.
Lana ainda dormia em meu colo, tranquilamente, e a médica disse que ela sentiria fome daqui umas duas horas, então a pus pela primeira vez em seu berço, dei corda no móbile que toca uma música bem relaxante e voltei para a sala com eles.
-Liguei para a Tiara, ela disse que chegará pelas sete, vou sair daqui uma meia hora para não pegar muito transito. - Ari guarda o celular no bolso da calça.
-Tomara que o Bruno tenha notícias da Diana, e que ela tenha uma boa explicação.
-É bom ela ter, Phil. É bom para sua autopreservação, porque essa menina só pode ter massa de modelar no lugar do cérebro. - Estava com raiva dela, eu podia, ela me irritou altamente com essa história. Como uma mulher dá as costas para a filha e simplesmente foge do hospital como o Diabo foge da Cruz?
-Essa menina é braba. - Ari bate nas minhas costas de leve, me fazendo rir.
-Eu não sou braba, mas mantenho meus princípios, boa educação.
-Vou deixar meus futuros filhos para você criar. - Philip ri, enquanto pega o celular do bolso. - Vou tirar umas fotos da Lana, quero mostrar pra Urbana, ela adorou a pequena.
-A vontade. Vou preparar um café pra nós, ou preferem suco, refrigerante...?
-Pra mim um café preto está maravilhosamente bem. E acho que para o Phil também.
-Ok.
Ainda estava completamente perdida. Não no sentido literal, mas sim com essa história. Não engoli facilmente o fato dela ter simplesmente desaparecido. Assim que tomamos nosso café e Ari saiu, Phil sentou a minha frente e engatamos em uma conversa.
-Se não fosse por você, acho que o Bruno não aguentaria tudo isso que vem acontecendo.
-Bobagem, ele é mais forte do que imagina.
Logo Bruno ligou para o Phil, avisando que estava chegando em casa. Pelo que Phil disse, a sua voz não era bem receptiva e legal, ele parecia estressado, e se estivesse? Então encontrou Diana e brigou feio, ou não encontrou. Definitivamente, não éramos para estarmos passando por isso, justamente agora com a chegada de Lana.
-Eu vou matá-la o dia que ela aparecer na minha frente! Matá-la. - Bruno chega aos gritos controlados.
-Já vi que não foi boa coisa. - Comento baixinho.
-Ah sim, e poderia ser boa coisa de certo quando a mãe da minha filha some do hospital?
-Desculpa. - Me recuo, sentando novamente no meu lugar, já que tinha levantado.
-A vadia não estava na casa dela, aliás, nem ela, nem seus pais, nem ninguém, nem nada. A casa está completamente vazia. Falei com a proprietária, ela me deu alguns números e nenhum atende! Fui até a faculdade, e ela não apenas trancou a matrícula, ela cancelou, alegando que iria se mudar, isso quando ainda estava grávida! - Ele passa as mãos pela cabeça, umedecendo os lábios. - Diana planejou isso, ela já queria fugir dos compromissos desde o inicio, e já tinha tudo direitinho com sua quadrilha de loucos inconsequentes.
-Bruno, acalma Bro! Ela deixou a Lana, é isso que importa agora.
-É fácil dizer "acalma" quando não são vocês nessa posição.
-Bruno, para de ser cabeça dura, estamos tentando melhorar tudo! - Philip se irrita um pouco mais, mas também não é pra menos.
-Agora é a hora de seguir em frente, crescer para ajudar ela a crescer também, e não ficar se prendendo nessas coisas. Procurar por ela vai ser perda de tempo.
-Agora é a hora também de agir como homem, e não como moleque. Me desculpa, Bruno, sei que a situação é forte, mas tem muita gente passando por coisa pior, e você surta por isso. Se tivesse levado a sua filha com ela, tudo bem, estaria surtando junto com você, mas não, ela está linda e bem, dormindo no momento.
-Ela vai crescer sem uma mãe... Não imagino o quão terrível isso possa ser pra ela.
-Sem mãe biológica ela fica, mas eu posso substituir por um tempo, eu tento dar conta do recado. Serei uma mãe pra ela, se você permitir.
-É claro que eu permito, ela vai precisar da presença feminina na vida dela.
-Então. Sem estresse, Bruno. Eu serei uma mãe pra ela, assim como você será um pai, o Phil será um pai, todos nós teremos ligações direta com a educação dela e formação de pessoa.
-Isso. - Phil pega a carona da minha fala. - Vamos ser uma família, então não fique pensando nessa inconsequente.
-Deus que me perdoe, mas é até melhor a Lana viver sem ela por perto, do que sofrer alterações em sua educação e pensamentos por uma doida. - Minha raiva transbordava da minha boca, queria mesmo pegar aquela mulher pelo pescoço.
-Lana... você viu o nome? - Seus olhos voltaram a brilhar num instante.
-Vi... Obrigada.
-Nunca me arrependerei disso.
-Foi você que escolheu o nome? - Phil questiona.
-Sim! Me empolguei tanto com ela, escolhi a decoração da parte do quarto pra ela, a cor da maioria das coisas.
-Já era uma mãe sem ao menos saber o que iria acontecer.
Fomos ver a pequena, que já estava querendo se acordar para tomar seu mama. Phil ligou para a farmácia e pediu as latas de leite que iríamos precisar agora.
Ela, esfomeada, tomou toda sua mamadeira. Bruno a pôs para arrotar com todo o cuidado, pela primeira vez. Trocamos sua fralda e Phil se despediu de nós. Logo em seguida chegou Ari, trazendo Tiara com ele.
-Tiara. - Dei um abraço nela, repleto de saudades.
-Quanto tempo. - Me embalava no seu abraço.
-Muito!
Dei o tempo para ela conhecer a sua nova sobrinha, que virou xodó logo de inicio, depois que a pomos para dormir, fomos para a sala conversar.
-Depois do casamento da sua irmã, sua mãe ficou toda boba, sempre está conversando com a mamãe pra saber quando irá arranjar um amor.
-Isso vai demorar. - Reviro os olhos.
-Lea é bicho solto, como eu, por isso somos amigos.
-Nada tira da minha cabeça que vocês não são somente amigos. Não adianta. - Tiara balança a cabeça.
-E somos. - Começo a rir.
-Lea, que absurdo, como você esqueceu a vez que nos pegamos no banheiro do shopping?
-Esquecendo, assim como você esqueceu a noite que transamos na praia.
-Vocês são doidos. - Ela ri, tirando da sua mala um pacote. - Sua mãe lhe mandou, e disse que precisa urgentemente usar.
-É um celular, que ver. - Balanço a cabeça pegando o embrulho. - Obrigada, Ti.
-E Bruno, a vovó mandou dizer que lhe ama.
-Que saudades da minha velhinha.
-Quem sabe agora você ficando famoso e rico, não traga ela pra conhecer Los Angeles.
-Quem sabe. Mas já tenho planos com o primeiro dinheiro que ganharei, e já até imagino que será breve.
-O que tá acontecendo que eu não estou sabendo? - O pergunto.
-Eu acho que vamos conseguir vender uma canção para o Flo Rida. MAS, não é nada certo. Ele andou vendo nossas letras e quer uma reunião.
-Mentira? - Ao menos uma notícia maravilhosa nesse dia cheio.
-Irmão, eu sei que você vai ser um sucesso, eu acredito!
Passamos bons momentos conversando e relembrando algumas coisas, colocando algumas coisas no lugar. Ajeitei meu celular e cadastrei meu novo número, não era muito ligada e apegada ao mundo virtual, mas talvez agora eu me cadastre em alguma coisa quando tiver tempo. Ajeitamos a mamadeira da Lana, para que a noite não perdêssemos tempo fazendo, e fomos dormir.
Assinar:
Postagens (Atom)





