quarta-feira, 26 de abril de 2017

Capítulo 90

(Para melhor experiência, escute Off I Go, do Greg Laswell e Hold On, do Chord Overstreet)

Lá vou eu
Onde eu cair
É onde eu aterrissarei
(Off I Go – Greg Laswell)



08 de Janeiro de 2018

Eu não sabia se queria. Eu sei que nós estamos bem agora, que nós estamos mais fortes que nunca, mas não sei se estamos prontos para um bebê, não sei se essa é a hora. Eu nem sei se ele quer. Não agora, pelo menos.

Eu nem sei se estou preparada.

Sei que mandam nos focar então no que nós queremos, pensamentos positivos, mas acho que meu corpo sabe, eu sei que há algo modificando nele e isso eu posso atestar.

Vamos, Eleanor, basta você fazer xixi nesse potinho!

Tento me concentrar, olhando para aquele pequeno pote de plástico em minhas mãos enquanto estou sentada na privada.

-Vai dar tudo certo. - Respiro fundo.

Posiciono-me de uma forma que consiga fazer xixi nele. O mais nojento é minha mão completamente molhada do meu xixi, mas é necessário. Saí até a pia e coloco o recipiente em cima. Desembalo a ponta do palito e retiro um pouco do excesso. O coloco dentro e viro de costas, quero evitar olhar enquanto está em processo. Marco cinco minutos em meu celular e vou para a sala. Fico olhando qualquer coisa nele, mexendo em fotos, apagando algumas, apenas para me distrair, mas isso não parece ser suficiente, até porque o tempo parece não passar.

O celular desperta em minhas mãos e eu vou até o banheiro. Meu corpo já sabia do resultado, eu só precisava acostumar a minha mente. Só precisava ver que aqueles dois risquinhos bem fortes que apontavam ali eram reais. Pego novamente a bula para ler - mas eu sei que é positivo, já tinha lido milhares de vezes.

Deito no sofá da sala com os pés pra cima e no celular pesquiso coisas sobre gravidez. Meu calendário já não mentia há muito tempo e dessa vez não foi diferente. No aplicativo mostrava que minha última transa havia sido há uma semana atrás, porém a última antes da menstruação não vir mais foi há seis semanas. No fundo eu sabia que algo não estava certo, mas acho que eu não queria ver.

É óbvio que eu quero uma família, e principalmente com ele que é o amor da minha vida. Mas eu não sei ser mãe. Digo, é diferente do que eu passei com a Lana. É diferente de tudo. Essa criança vai sair do meu ventre, essa criança vai ser meu sangue. E se eu for uma péssima mãe?

Eu não sei.

Estou nervosa.

Suando gelado e pernas bambas.

Mando uma mensagem para o Bruno, onde reescrevo diversas vezes até escolher que eu não deveria dar essa notícia por mensagem, que deveríamos nos ver e conversar.

"Bruno, você pode vir na minha casa? Por favor, é urgente. Nós precisamos conversar."

"Estava indo pra casa agora. É urgente mesmo? E porque na sua casa, amor?"

"Eu estou aqui, preciso que venha até mim. Por favor."

"Está acontecendo algo, Lea?"

"Está, mas não se assuste. Só venha. Eu amo você."

"Também te amo. Estarei aí em questão de minutos."


Não seriam poucos minutos, minha casa é ao caminho oposto da sua, então se ele está a caminho da dele, estará aqui em torno de meia hora, ou até uma hora.

Ligo a televisão e no telejornal está Laurel Di'Loiuse, uma apresentadora linda que está em alguns meses de sua gestação. Eu não acredito que agora que sei, essas coisas de grávidas irão me perseguir como em filmes e livros. Só pode ser brincadeira.

Preferi deixar nas músicas e começar a preparar um jantar, Bruno chegaria com fome e nós não podemos apenas ir direto a esse assunto.

Corto todos os temperos e deixo tudo a vista para depois apenas cozinhar.

A campainha toca e eu ando até a porta. Ele está com uma expressão preocupada, mas assim mesmo não deixa de sorrir lindamente.

-Você me assustou. - Ele diz, assim que deposita um selinho em meus lábios.

-Desculpa. - Lamento e tranco a porta. - Eu não queria falar nada por mensagem.

-Mas o que é? Você está bem?

-Estou!? Eu pareço mal?

-Não... Por que pareceria? Está doente?

-Não! - Balanço a cabeça. - Estou fazendo o jantar pra nós dois.

-Mas tínhamos combinado de jantar com a Lana, ela quer nos mostrar os trabalhos que irá apresentar segunda na escola.

-Ah, eu tinha esquecido completamente. Nós vamos ao shopping amanhã, ela quer comprar algumas coisas. Não me pergunte o que. - Pego o pano de prato. - Mas não posso deixar essas coisas assim. – Gesticulo para os pratos sob a mesa.

-Podemos levar pra lá. - Ele dá de ombros e entra na cozinha, debruça-se no armário da pia e vira a cabeça para o meu lado. - O que houve, Lea? O que você já ouviu de fofoca sobre mim e quer conversar achando que essas bobagens são verdades.

-Não ouvi nada sobre você. Deveria?

-Claro que não, você sabe que essas coisas são tudo uma grande mentira.

-Eu sei. - Assenti.

-Então... O que é que está te incomodando?

-Bruno... - Ligo o fogão e coloco os legumes dentro da panela. - Nós dois nunca tivemos uma conversa de como será nossa família. Se vamos ter filhos. Nós vamos nos casar daqui algumas semanas e eu estou surtando.

-É sobre isso? Conversar sobre nosso futuro? - Ele dá um sorriso aliviado. - Meu amor, você sabe que eu quero você na minha casa definitivamente, e você praticamente vive lá, mas ainda insiste em manter esse lugar. Me promete que após a nossa lua de mel, você virá morar comigo de vez por todas?

-Eu prometo. – Dou um sorriso meio amarelado.

-Nosso casamento é daqui algumas semanas e eu não poderia estar mais ansioso por isso. Ansioso por poder chamar você de minha esposa, finalmente. - Ele se aproxima de mim. Bruno toca em minhas mãos e eu gelo por completo, ele é lindo e se fosse somente isso que eu tivesse pra falar, nossa noite acabaria em muito sexo de comemoração.

-Pode apostar que eu também estou ansiosa. Ansiosa e nervosa. - Rio e beijo de leve seus lábios. - Vem, vamos sentar no sofá. - O puxo pela mão.

-Lea, você é uma figura. - Ele ri e quando senta-se em meu lado, puxa minha cabeça para o seu colo. - Eu amo você. Mas não precisa ficar nervosa. A ansiedade eu entendo, mas nervosa não tem porque. Seremos eu e você naquele altar, as pessoas que amamos na plateia. E a partir dali, felizes para sempre.

-Bruno, não é isso. – Respiro rapidamente e digo o que preciso dizer finalmente. - Eu estou grávida. Nós dois vamos ter um filho e eu não se isso é bom ou ruim, eu não sei o que pensar porque nós dois não tivemos essa conversa ainda. Eu estou com medo, eu estou apavorada, meu nervosismo é por isso também. E se eu não souber mais como cuidar de uma criança? E se for diferente com um filho do meu ventre? E se eu não me adaptar? - Eu não tinha parado de falar um minuto e nem dado tempo para ele assimilar as coisas. Bruno estava com a expressão mais apavorada que tinha visto desde que ele descobriu que Diana estava grávida da Lana.

-Lea...

-Eu falei pra mim mesmo que seria um erro te contar assim. Mas eu estou perdida, Bruno.

-Eu não estou sabendo assimilar as coisas, calma. - Suas mãos passam pelo cabelo afro, fazendo com que seu boné caia pra trás. Eu levanto a cabeça do seu colo e encaro a parede esperando que ele diga algo. Mas o tempo passa e ele não diz mais nada, ele apenas fica ali, olhando pro nada como eu.

-Eu posso tirar, Bruno. - Digo, quebrando nosso silencio. - Nós tiramos e então seguimos com nossas vidas e decidimos se queremos filhos ou não depois do casamento... Eu posso tirar.

-Eu sei. - Ele fecha seus olhos.

-Eu vou tomar banho, ok?

-Ok.

Levanto do lado dele e vou até o banheiro.

O teste ainda está sobre a pia. Jogo o xixi que ali contém fora e olho-me pelo espelho. Digo que vou ser forte e não vou chorar, que preciso dar um tempo para ele assimilar as coisas e que quando eu sair do banho nós iremos resolver tudo o que temos para falar.

Entro no box e deixo a água cair por cima do meu corpo. Evito de olhar minha barriga, é difícil acreditar que tem alguém em formação dentro de mim, mas quando passo o sabonete por ela, pairo as mãos sobre e balanço a cabeça. Seja o que Deus quiser.

-Bruno, eu estive pensando... - Sai do banheiro, ainda secando meu corpo com a toalha, mas não havia ninguém ali. Não pelo menos na sala. - Bruno? - Pergunto mais alto! Nada, ninguém respondeu. Será que ele dormiu no quarto?

Vou até o quarto, abro a porta devagar para não acorda-lo, mas acordar quem? Não tinha ninguém ali. No quarto ao lado, vazio, só algumas coisas avulsas. Ele tinha ido embora? Ele fugiu só pra não ter que encarar nossa conversa? A minha gravidez é tão ruim que ele não aguentou ficar por ali e conversar comigo para decidir o que fazer?

Enrolo a toalha no meu quarto e sento na cama.

Bruno Pov's

Passo dois sinais vermelhos antes de encontrar um posto de gasolina. Diminuo a velocidade aos poucos até encostar e só então percebo que talvez estivesse andando um pouco mais rápido do que pretendia, mas minha cabeça ainda estava muito cheia para pensar nisso. Pulo do carro, enfiando meus cabelos num boné de qualquer jeito e entro na convivência, atrás de qualquer coisa que talvez fosse colocar minha cabeça em ordem.

Passo direto pelas geladeiras, mas acabo voltando para buscar uma lata de Red Bull. Prateleiras depois, uma vodca e uma grade de cervejas. Levo para o caixa e o rapaz parece me reconhecer, mas me adianto e encho as mãos de balas e confeitos na prateleira abaixo do caixa, apenas para me abaixar. Definitivamente não estava com cabeça para ser famoso no momento.

Volto para o carro e dirijo para casa, distraído. Grávida. Eleanor. Casamento. Semanas.

A situação parecia tão diferente daquela que originara Lana...

Grávida. De mim. Como ainda não tínhamos tido essa conversa?

Sinto um arrepio passar por todo meu corpo ao lembrar da última - e até então única - pessoa a ficar grávida de mim. O que me garantiria que Lea não fosse fugir da maternidade como fizera Diana? O que poderia me garantir que o bebê que ela esperava fosse tão amado por mim quanto Lana? O que me garantiria que Lea não surtasse e me deixasse no altar? Eu não tenho mais tanto tempo como tinha naquela época. Talvez eu não seja o suficiente. Talvez Lea fuja, também. Talvez nós tenhamos uma briga e eu não os veja mais.

Entro em casa transtornado, ainda mais confuso com tudo. Por mais que minha melhor amiga tenha sido uma perfeita mãe para Lana, talvez...

- Pai? - Minha menina aparece coçando os olhos, vestindo uma calça de pijama colorida e blusa branca.

- Hey. - Jogo a chave em cima da mesinha. - O que ainda faz acordada, mocinha?

- Ouvi o barulho do carro. - Ela se espreguiça. - Acho que perdi o sono. O que é isso?

- Ah, nada. - Dou um beijo em sua cabeça e ela me segue para a cozinha. Ajudo-a a sentar na mesa e ela balança os pézinhos.

- Estava no estúdio, papai?

- Na verdade, fui ver a Lea. - Guardo as bebidas no armário, pois não gosto de beber na frente de Lana. - Ela falou com você hoje?

- Aham, antes do almoço... Vamos para o shopping amanhã.

- Entendi... - Me sento na cadeira em sua frente e lhe entrego uma sacola com os doces que comprei na conveniência. - Você está tão grande, L.

- De novo, papai? Você não vai chorar, vai? - Implica, agarrando uma mini barra de chocolate.

- Só se for de orgulho por você estar assim. - Beijo sua bochecha. - E não conte a sua mãe que eu te dei doce essa hora, pelo amor de Deus. - Completo, abrindo a lata de Red Bull. - Posso te contar um segredo, Lana? Mas você precisa guardar ele igual vai guardar essa história de confeitos de madrugada.

- Ok. - Morde a barra distraída, antes de mostrar a língua suja de chocolate para mim. Demoro um pouco para responder. - Vamos, papai. Pode dizer.

- Nosso segredo, ok? - Ela confirma, mostrando os dadinhos em juramento. - Sua mãe... Me contou hoje, L. Você vai ganhar um irmãozinho. - Lana escancara a boca em choque. - E o papai não sabe o que fazer.

- PAPAI! - Pula no meu colo. - EU VOU GANHAR UM IRMÃOZINHO! PAPAI! - Ela gargalha. - OBRIGADA!

- Calma, bebê. - Não consigo não rir junto com ela.

- Estou tão feliz. - Ela volta a mexer na sacola de confeitos. - Quando ele vai vir? É um menino? Menina? A mamãe já está com barrigão? Como vai ser o casamento com o bebê? Eu preciso arrumar brinquedos para ele.

- Não, L. - Sorrio com sua inocência. - Vai demorar um pouquinho. E o papai espera conseguir descobrir o que fazer até lá.

- Por que, pai? A gente pode fazer o quarto branco, se não souber o que fazer.

- Não é isso, bebê. - Roubo uma bala de seu saco. - É mais complicado.

- É sobre você e a mamãe?

- Também.

- Papai. - Me olha tão seriamente que parece ser mais velha que eu. - Eu sei que vocês se amam. Tipo amam como a Bela e a Fera... Eu não sei porque vocês não são como o tio Eric e a tia Cindia... Mas eu sei que vocês se amam, como a Bela e a Fera.

- Como seus tios? Casados, você quer dizer, Lana?

- É, papai. Eu sei que vocês vão se casar, mas eu não entendo porque nós todos não moramos juntos de uma vez, já que somos uma família. - Ela coça os olhos. - Eu sinto falta da mamãe com a gente todos os dias.

- Desculpa, L. - Ajudo-a a pular da mesa. - O papai vai deixar tudo certo, eu prometo. - Termino a lata de energético. - Agora, escovar os dentes e cama, e vamos!

Escovo meus dentes junto de Lana e a levo para deitar comigo, como ela não fazia há um tempo. Nos enrolamos embaixo das cobertas e eu me sinto em casa, faltando apenas uma coisa.

- Papai. - Lana me chama, no escuro.

- Hm, L?

- Eu acho que é um irmãozinho. Um menino.

Sorrio.

- Eu também, bebê. - Beijos seus cabelos. - Amanhã papai tem muita coisa para resolver e você mais uma prova do vestido, então vamos só dormir.

Ouço sua voz murmurar um "Hmmm" e tento dormir, também. Minha cabeça mais calma, clareada pela minha menina, me faz ter uma certeza: o lugar de Lea é aqui. Comigo. Conosco. Como uma família de quatro. Eu, ela, Lana e o nosso filho. Nosso.

Sei que Eleanor não fugirá de ser mãe. Ela não fugiu nem quando a filha não era dela. Ela apenas está com medo, assim como eu também estou. Sei que ela tem medo do parto também, mas nós vamos perder todos nossos medos juntos.

Farei tempo para meu menino, nem que signifique dar uma pequena pausa em outros assuntos.

Nós vamos dar um jeito. Vamos ser pais melhores, juntos.

Amanhã, falarei com Lea. Está mais que na hora de viramos uma família de vez. Talvez eu use flores e balões, chocolates e velas. Amanhã. Amanhã eu o farei.

Quando tudo parece em ordem em minha cabeça, espero o sono vir. Ele não vem. Talvez fosse culpa do energético, mas me levanto para não acordar Lana.

Remexo na cozinha e paro do lado de fora da casa. Sento-me numa espreguiçadeira e olho o relógio do celular. 3:14 da manhã.

Resolvo mandar uma mensagem para Eleanor.

"Nós vamos dar um jeito"


Envio.

Alguns minutos depois, algo me parece errado. Não que ela fosse responder àquela hora, mas... Apenas errado. Ligo uma vez, mas cai na caixa. Não me preocupo em ligar de novo, ela provavelmente está dormindo.

Quando pisco novamente, já está amanhecendo. Acabei dormindo na espreguiçadeira.

Meu celular toca e eu pego-o do gramado onde caíra durante a noite afobado, achando ser Lea.

Um número desconhecido está na tela.

- Alô?

- Senhor Peter Hernandez?

- Sim? - Olho novamente a tela, estranhando meu nome de nascença.

- Aqui é Marie Stuart, da Central dos Bombeiros da cidade de Los Angeles. Não quero alarmar o senhor, mas seu contato é o de segurança, logo...

- Quem? O que foi?

- Houve um incêndio durante a madrugada... No Vale.

- Não.

- Talvez queira...

- Não!

- Foi na residência de Eleanor Winters, senhor. Sinto muito trazer tais notícias, mas...

O mundo parece abrir nos meus pés. Como um filme, vejo tudo passar na minha frente.

Passado, presente e futuro.

Vejo o dia que nos conhecemos, na casa dela no Havaí. Vejo-a escolhendo o nome de Lana e hoje, contando sobre nosso filho. Vejo-a com uma barriga linda de grávida enquanto entra numa igreja para se casar. Comigo.

Não!

Não consigo entender sequer uma palavra do que a mulher falar no telefone.

Eleanor... Não consigo raciocinar.

Dizem que quando recebemos uma carga emocional maior que podemos aguentar, nosso corpo simplesmente os deleta de nossa mente. O meu nem sequer a recebeu. Meu cérebro se recusa a ouvir o fim de qualquer que fosse o que a mulher queria me dizer.

Apenas repetia imagens aleatoriamente de Lea em minha cabeça.

Minha cabeça girava. Ouvia todos dizerem para aproveitarmos o hoje, pois do amanhã ninguém sabe. Porque isso é tudo que temos.

E amanhã tudo pode ter desaparecido.

Eu sabia. Talvez sempre tivesse conhecimento, apenas não tivesse admitido para mim mesmo.

Naquele momento, como clarão, eu soube.

Tudo que eu era... Era ela. Tudo era sobre ela.


Segure firme, eu ainda quero você
Volte ainda preciso de você
Deixe-me pegar sua mão, vou fazer tudo certo
Eu juro te amar toda a minha vida
(Hold On – Chord Overstreet)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Capítulo 89



A cada simples dia
A cada palavra que disser
A cada jogo que jogar
A cada noite que ficar
Eu estarei te admirando
Oh, você não vê
Que pertence a mim?
(Every breath you take – Sting)



29 de Novembro de 2017

Nós marcamos o casamento para o inicio de janeiro, já que a turnê do Bruno começou em março deste ano e antes disso seria muito em cima da hora, então ele marcou dois meses de “férias” da sua turnê para que pudéssemos fazermos nosso casamento e nossa lua de mel.

O que eu vou dizer? Era tudo um conto de fadas, um sonho lindo. Eu estava vivendo aquilo tudo.

Como nós prevíamos, muitas fãs dele me odiaram, outras gostaram, mas eu sabia que isso iria acontecer, então procuro apenas ser gentil e querida com todas, sei que a maioria é adolescente e ainda sonha em se casar com o ídolo e tem aquele amor platônico, então não discuto, não bato de frente, encaro todas com toda a simpatia do mundo. Elas que fazem a vida do Bruno como é hoje em dia.

Nós tivemos algumas mudanças. Não me mudei para a casa do Bruno ainda, apenas passo lá os finais de semana, até porque não decidi o que quero fazer com meu apartamento e tenho um pouco de receio em vende-lo.

Nossa família aumentou! Sério, adotamos mais um cachorro. Companheiro do Geronimo se chama Freddie. Lana que escolheu. E a família aumentou por outros lados também. Cindia ganhou um bebê, mais uma menina linda. Bruno e eu somos padrinhos dela. Tahiti também ganhou mais um menino, ao total são quatro, nós chegamos a uma conclusão que talvez ela não tenha o gene feminino no seu corpo.

Megan e Caleb estão se unindo novamente aos poucos. Eles se veem, ficam de vez em quando, mas Megan ainda tem o pé atrás com a história de voltar pra ele. Eu até entendo um pouco.

Em suma, tudo estava perfeitamente bem. Nós estávamos todos felizes com nossas vidas, acho que nada mais poderia nos atrapalhar. Até mesmo Richard me mandou mensagens dizendo que torcia por nós, e aquele foi um ponto muito alto no meu ano, pois senti que nada do meu passado havia ficado com pontas soltas.

-Mamãe. – Lana me chama no quarto. – Essa roupa está boa?

Olho para sua roupa, toda delicada. Calça jeans, tênis, blusinha com estampa e um casaquinho por cima, e com a tiara que ganhou da sua tia na cabeça.

-Está linda! – Sorrio. – Está pronta?

-Sim. – Ela anda para a porta.

-Me espere na sala, vou pegar minha bolsa.

Nós estávamos indo buscar o Bruno no aeroporto e depois iriamos jantar fora. Ele está vindo para o nosso casamento já, a pausa na turnê havia começado. Tudo estava se aproximando que o velho frio na barriga estava voltando.

Demos um abraço bem apertado nele e partimos para o restaurante. Posto uma foto nossa no carro e compartilho com todos a alegria que eu estava de vê-lo após longos meses.

Foi uma boa refeição acompanhada de muita conversa. Ele nos falou tudo sobre a turnê e os últimos lugares que tinha passado. Falou que nas coisas dele que foram direto pra casa, estavam alguns presentes que havia nos trazido. Disse sobre algumas culturas e coisas novas que havia aprendido. O papo estava tão excitante que saímos do restaurante após três horas que entramos.

-Amanhã a senhorita tem aula, então nada de ficar até tarde no tablet ou televisão.

-Mas hoje tem episódio novo...

-Não... – Somente olho pra ela e Lana já entende.

-Tudo bem. Amanhã eu assisto.

-Isso. – A abraço. – Boa noite, minha pequena.

-Boa noite, mãe. – Ela beija minha bochecha e corre para a frente do seu pai. – Boa noite, papai. – Beija a bochecha dele e ri das cócegas que ele faz.

-A senhora também vai dormir? – Sua mão pega em minha cintura.

-Não. – Balanço a cabeça. – Tenho muitas coisas pra fazer. – Me viro de frente pra ele.

-Eu vou ver o Geronimo e o Freddie, depois tomar uma água e dar um beijo de boa noite na Lana. – Ele sela meus lábios com os seus molhados. Deus, como eu preciso desse corpo comigo.

-Ok, vou te esperar no quarto.

-Tudo bem.

Ao entrar no quarto, reviro minhas coisas no closet e pego a sacola onde estava minha lingerie nova. Tiro minha roupa e a coloco no cesto, aproveito para vestir a lingerie e reforçar o perfume.

Sento na poltrona próxima da janela, coloco meu celular sobre a mesa e me ajeito numa boa pose. Eu sentia minhas bochechas corarem de vergonha por estar fazendo isso, mas, quem liga? Em pouco tempo nós seríamos marido e mulher!

-Wow. – Bruno assim que abre a porta, arregala os olhos quando me vê. – É possível que você fique mais gostosa a cada dia que passa?

-Acho que é porque você passou muito tempo longe. – Coloco minhas pernas em cima da mesa e inclino minha poltrona pra trás.

-Foram muitos dias de sexo virtual, Lea. – Ele fecha a porta e em seguida escuto o barulho do trinco. – Foram gostosos, não posso reclamar. – Tirou sua camisa sobreposta e ficou apenas de regata. – Mas ao vivo é muito mais apetitoso.

-É mesmo? – Coloco minha mão um pouco abaixo de meu umbigo, quase entrando pela calcinha. – O quão mais apetitoso é, Mars?

-Adoro quando você me chama assim. – Ele tira sua regata e joga no chão. – É imensuravelmente apetitoso. Gostoso demais!

-Você deseja entrar aqui? – Pergunto, puxando o elástico da calcinha com o dedo.

-Sim. – Sua braguilha abre num único puxão. – Eu sou um bom homem. Um bom namorado. Acho que mereço estar ai, não?

-Eu acho que merece. – Passo a mão por cima da calcinha e ele ajoelha-se em minha frente.

Minha perna esquerda que estava em cima da mesa também, foi parar na guarda da poltrona em um movimento rápido. Ajeitei-me completamente aberta para ele. Bruno cheirou-me e fazia muitas caras, se ele soubesse o quanto isso é maravilhoso, não pararia nunca. Começou beijando meus pés, intercalando entre uma perna e outra, subindo com seus beijos e parando quando chega em minha intimidade. Seu dedo puxou a calcinha de lado e prontamente a sua língua já estava lá. A falta que ele me fazia no dia a dia era grande, mas a falta do seu sexo era muito maior. Ele sabe como deixar qualquer mulher doida.

Bruno fez loucuras em minhas intimidades até minhas pernas ficarem bambas e meu corpo se tremer por inteiro. Ele adorava esse gosto e isso me deixava com mais tesão ainda.

Quando levantou-se, passei a mão pelo seu tórax quente e ele inclina-se para me beijar. Mordo seus lábios com prazer e beijo seu pescoço procurando mais prazer do que estava sentindo. Bruno aninhou seus dedos em meus cabelos e os puxou de leve. Levo minhas mãos para sua calça que já estava metade aberta e estourando de vontade.

Concentro-me em masturba-lo enquanto sinto seus lábios me beijando. Escapei por debaixo do seu corpo inclinado, e enquanto ele segurou-se na guarda da poltrona, eu abocanhei o seu sexo com toda a vontade que estava retida dentro de mim.

Bruno gemia alto e eu sentia muito mais prazer e vontade de tê-lo dentro de mim.

Bruno ficou em pé em minha frente, terminou de tirar sua calça e me puxou para ficar em pé também. Com a sua ajuda, tirei o resto de minha lingerie e recebi muitos beijos quentes em meus peitos.

Ergui uma das minhas pernas e enrosquei no corpo de Bruno, ele ajudou, segurando ela. Com toda a delicadeza, ele me penetrou, fazendo-me urrar de prazer logo em seguida.

Estávamos nós ali, de pé, transando somente com a luz da rua nos banhando. Eu sentia que eu corpo e minha alma pertenciam a ele.

Fiquei de joelhos sobre a poltrona e senti ele me penetrar por trás. Em todo esse tempo eu não parava de gemer, não só porque ele gosta, mas porque eu não conseguia parar.

Senti seu gozo todo dentro de mim e não aguentei para gozar junto dele. Minha cabeça chegou a doer.

-Você não sabe o quanto é deliciosa por dentro, Lea. – Beija meu pescoço, ainda na mesma posição.


09 de Dezembro de 2017

Eram com poucos detalhes que eu precisava me preocupar. Nós tínhamos uma planejadora de casamentos que estava cuidando de tudo. Tivemos tantas discussões de onde poderia ser o casamento, porque eu pensei na praia, mas Bruno pensou na igreja mesmo, como um casamento de conto de fadas, mas a santa e maravilhosa Ester, nos deu a ideia de fazermos num jardim. Foi ai que conhecemos o LA Garden Wedding. Bruno e eu nos apaixonamos de cara pelo local e em seguida já fizemos todas as outras coisas que precisavam.

Escolhemos as cores, os convidados, os convites, combinamos nossos pajens, que seriam Lana e Liam, e eles estariam vestidos de noiva e noivo, assim como nós.

Pegamos toda uma equipe de som, vídeo e imagem. Bruno escolheu três câmeras para fotos e duas para vídeo. O DJ da festa será o mesmo da cerimonia. Toda uma função. Por isso disse que meu casamento será de conto de fadas.

Vamos ter quadro padrinhos e quatro madrinhas. O resto das crianças seguraram placas com alguns dizeres bonitos. Tudo era um lindo sonho.

-Você precisa fazer a última prova do vestido, Lea. – Tiara olha a pasta na sua frente. – Nós vamos fazer a nossa duas semanas antes do casamento e dois dias antes.

-Vou combinar com a Vera de fazermos assim também. Apesar que ela é maravilhosa e saberá o que fazer exatamente. – Mencionando também que Bruno pediu pessoalmente para Vera Wang fazer meu vestido de casamento. Me senti tão honrada e fiquei maravilhada de vê-la na minha frente desenhando algo exclusivamente pra mim.

-Bom. – Megan pigarreia. – Algo velho, o que vai ser?

-Algo velho acho que será o medalhão da minha avó que era da sua mãe. – Sento na cama ao lado delas.

-Algo novo?

-Acho que será o vestido. Porque ele será extremamente novo, feito pra mim. – Sorrio quando digo aquilo.

-Você está se achando, meu bem. – Tiara rola seus olhos e nós rimos.

-Hm. Algo emprestado?

-Isso eu ainda não sei. – Torço os lábios.

-E algo azul?

-Minha lingerie. – Sorrio. – E minha tornozeleira também.

-Eu nem acredito que o casamento está tão perto assim. Parece surreal. O ano voou.

-Sim! – Respondo rapidamente. – Parece que o ano voou, que o tempo passou tão ligeiro.

-Falou com o pessoal do buffet?

-Sim. Está tudo certo. Ester está cuidando de tudo isso.

-Tão chique minha cunhada.

Visando assim, não era só eu que estava ansiosa para que esse casamento acontecesse. Faltavam dois meses e alguns dias e eu estava praticamente roendo minhas unhas.

-Vão passar quanto tempo nas Bahamas? – Megan abre a parte da pasta da nossa lua de mel.

-Quatro dias apenas. Depois embarcamos para a Grécia por mais quatro dias e por fim voltamos para Los Angeles, já que ele precisa chegar a tempo do Grammy.

-Falei que ele iria concorrer em várias categorias esse ano.

-Estou ansiosa por tantas coisas. – Coloco o dedo na boca e lembro-me de tirar. – Meu Deus.

-Lea, você está surtando por dentro, sim?

-Sim. – Me estico para pegar dois bombons do pote. – Esses doces são umas maravilhas.

-Vá com calma nos docinhos, meu amor. Não queremos ter que aumentar centímetros do seu vestido.

-Não é por alguns docinhos que vou engordar. – Retruco.

-Na verdade você não engorda por nada, isso me dá tanto ódio. – Megan revira os olhos e Tiara ri.

-Uma genética boa é uma genética boa, não é! – Ela belisca meu braço e nós rimos.

-Vão rindo. – Novamente seus olhos rolam. – Agora, precisamos fazer uma pequena reunião.

-Por que? – Indago, franzindo a testa.

-Despedida de solteira! Estamos planejando um final de semana inteirinho.

-O quê? – Rio. – Sério?

-Sim! Você precisa fechar a sua vida de solteira com chave de ouro, então, não se preocupe com nada.

-Vamos para Long Beach? – Pergunto e elas gargalham alto.

-Você pensa muito pequeno, Lea. – Tiara levantou e pegou seu celular. – Vamos para Vegas, baby!

-Sem essa! – Começo a rir pegando o celular da sua mão e dando uma olhada nas fotos do hotel em que íamos ficar e outras coisas a mais. – Onde vai ser a do Bruno? – Confesso que deu uma pitada de ciúmes em meu peito.

-Ainda não sabemos, Urb disse que o Phil está fazendo algo ultra secreto, mas você nos conhece, sabe que vamos descobrir rapidinho.

-Só quero ver. – Rio. – Ok. Qual final de semana vai ser? Preciso avisar minha mãe...

Elas se entreolham.

-Sua mãe vai junto.

-Sem essa! – Arregalo os olhos em espanto. – Minha mãe... – Rio.

-Sim, inclusive ela deu muitas ideias.

-Não quero saber. – Gesticulo. – Vamos em quantas?

-Nós três, sua mãe, sua irmã, Tahiti, Jaime, Cindia e Urbana. Presley ainda não confirmou, acho que acabou brigando com o Kealoha por causa disso. – Tiara revira seus olhos e rola seus ombros, fazendo uma cara de desinteressada.

-Só quero ver o que estão aprontando pra mim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Capítulo 88

Quando seus fardos pesam você para baixo
Como uma nuvem prestes a estourar
Ponha a cabeça no meu ombro
E eu vou carregar todas as suas feridas
Eu vou te amar até que o mundo pare de girar
(Till the world stops turning – Kaleb Jones)



16 de Outubro de 2016

A adrenalina tomava conta do meu corpo. Aquele domingo havia acordado tão radioso, assim como minha alma. Ninguém ainda tinha entendido a urgência do jantar ser hoje, mas Bruno afirmou a todos que era para comemorar o seu aniversário, onde não tinha feito nada. Ok, uma desculpa totalmente plausível.

Presley e Tahiti estavam no Havaí, disseram várias vezes que não poderiam vir e Bruno acabou aceitando, ainda sim com uma ponta de mágoa em seu peito, tenho certeza. Jaime acabou cedendo, disse que voltaria e acabou voltando ontem. Agora, Eric e Cindia que haviam ido pra lá para o casamento da Presley, não deram certeza se viriam e realmente não vieram. O importante foi que conseguimos muitas pessoas das quais amávamos junto de nós.

Meus avós se assustaram quando cheguei com meus pais na casa deles. Passamos ontem o dia inteiro juntos e conversando, matando a saudade. Fizemos até uma chamada de vídeo com a minha irmã por algum tempo.

Espreguicei-me assim que sai da cama e na mesa onde estava meu celular, havia uma bandeja. Abri o papel que estava fechado.

“Vista e use os acessórios para hoje à noite. A cor azul fica maravilhosa em você! Te amo”


E era aquilo. Uma caixa preta quadrada. Eu a abri e admirei as joias por algum tempo. Quanto eu não sei dizer. Eram lindas. Um lindo conjunto prata de colar e brinco.

Na cadeira ao lado estava o saco estendido da Versace. Passo a mão por cima antes de abrir o zíper. Lá estava um lindo vestido azul escuro. Era impossível não sorrir com toda a preocupação que ele teve.

Peguei meu celular e digitei uma mensagem perguntando onde ele estava, prontamente ele me respondeu.

“Estou arrumando as coisas para o jantar e vou passar no estúdio. Dormiu bem?”

“Dormi sim. Obrigada pelos presentes, são lindos. O que está aprontando para o jantar?”

“Arranjei um serviço de churrascaria italiana. Disseram que é maravilhoso. Estou esperando uma prova no restaurante.”

Bruno ficou dizendo tudo o que tinha para o jantar. Algumas coisas até poderiam parecer exagero, mas não iria reclamar de nada. Ele estava no comando de tudo e eu apenas esperando a hora exata de tudo acontecer.


Ele tinha planejado tudo mesmo. O pessoal foi chegando aos poucos e eu já estava arrumada com a roupa que ele mandou pra mim. Entrei no quarto dele bem antes dele entrar e mandei a mensagem pedindo para que ele viesse.

-Essa roupa ficou perfeita.

-Eu sei! – Olho para o meu corpo. – Obrigada. Você está fazendo dessa noite a mais mágica.

-Você ainda não viu nada. – Mexeu no meu cabelo.

-Eu só queria dar um beijo em você antes de tudo começar.

Suas mãos envolveram minha cintura e nossos lábios se encontraram. Daqui pouco tempo eu e ele seremos nós, seremos noivos, isso é ainda muito surreal.

-Vou sair primeiro, ok?

-Ok. – Deposito um selinho em sua boca e então ele fecha a porta do quarto.

Sento na cama e olho para o meu celular. A adrenalina e o nervosismo ainda tomam conta de mim. Ansiedade é a palavra certa.

Mais tarde fomos todos para a sala de jantar, o buffet começaria a ser servido. Sentamos em nossos lugares marcados e tivemos uma entrada maravilhosa.

O que falaram da churrascaria fazia total sentido. A comida era maravilhosa, e mesmo depois de satisfeita, eu queria muito mais apenas para satisfazer meu paladar – ou seria por nervosismo também?

E então Bruno levantou. Sabia que esse era o momento e meu coração se apertou, mesmo sabendo o que estava por vir, eu estava petrificada.

-Com licença. – Pigarreou, e em seguida um lindo sorriso. – Desculpem ser um pouco clichê. – Pegou a taça na mão. – Agradeço pela presença de todos vocês. Significa muito pra mim. Mas preciso falar sobre Eleanor Winters. – Senti os olhares dá mesa sobre mim, mas não mostrei nenhum momento de sabedoria, apenas espanto. Na realidade, acho que ainda estava um pouco espantada. – Há muitos anos eu a conheci naquela ilha do Havaí. Quem diria que seríamos tudo o que somos hoje em dia? Eleanor era uma adolescente com pensamentos além do normal. Sempre teve sua cabeça em frente e muitos planos. Então nós nos mudamos. – Ele suspira. – Chegar em Los Angeles não foi algo fácil, mas vocês foram essenciais e nos deram uma ótima hospedagem. – Bruno aponta para meus avós e mantém seu sorriso. – Então, Eleanor tornou-se minha maior amiga de todos os tempos. Ela foi minha amiga, minha irmã, minha mãe, foi tudo o que sempre precisei e quis. Foi minha inspiração muitas vezes. Vocês conhecem, então sabem a força que este corpo de um metro e sessenta tem! A garra e a persistência... Foi mãe da minha filha, foi presente até quando eu estava ausente, Eleanor, você nunca me abandonou e nunca cobrou nada de mim. – Seu olhar paira sobre o meu. Meus olhos estão marejados. – Não é à toa que as pessoas te amam. E que eu te amo.

-Bruno... – Tento falar algo, mas ele faz um sinal.

-Eu sei que por trás dessa casca grossa, há uma menina. E eu sei que essa menina quer algo dos sonhos. Talvez essa menina queira realizar um sonho junto a mim.

-Que? – Rio, envergonhada. Minha mãe coloca a mão sobre a minha. A primeira lágrima desce pelo meu rosto.

Isso não era apenas uma atuação.

Eu realmente não esperava todo este discurso. Achei que iríamos apenas dizer que estávamos juntos.

-Já passamos por tantas coisas, Lea. – Nós rimos. – E por isso eu acho que devemos pular um estágio e ir diretamente ao outro, porque não temos tempo a perder. – Bruno coloca a sua mão dentro do bolso da calça e vem até o lado dá mesa onde eu estou. Parou ao meu lado e eu ameacei a levantar, mas ele ajoelhou-se como um filme. Isso era demais pra mim. Tiara emitiu um alto e sonoro “não acredito!”. – Eleanor, você aceita passar por muitos mais momentos ao meu lado? Aceita ser chamada de minha esposa?

Suas mãos tremiam. Ele abre a caixa com dificuldade e eu ouço um coral de sensações e de expressões lindas.

-É... – Minha boca fica entreaberta. Eu realmente não imaginei que iria ser assim. Não consigo falar, apenas tremo como ele.

-Vamos, minha filha. – Eu pude sentir a emoção na voz de minha mãe.

-Como você esperava que eu dissesse não? – Sorrio pra ele. – É claro que sim. Sim por um milhão de vezes. – Aperto meus olhos e recebo seu selinho em meus lábios. Ouço os assovios em volta e até mesmo o choro dá minha mãe.

Estendo minha mão para que ele coloque o anel. Nós dois tremíamos como nunca.

-As meninas precisam saber disso! – Ouço Tiara dizer.

-Calma. – Bruno ri, enquanto beija minha mão. – Vamos fazer uma foto e mandar para eles. Todos nós. Quero me lembrar desse momento para sempre. – Ele olha em meus olhos.

-Eu também. – Sussurro baixinho.

Eu levanto da cadeira e recebo um beijo de cinema. Foi forte, aconchegante, como todos os outros eram. Era um beijo para se sentir em casa.

-Essa merece até um estouro de champanhe. – Phil grita.

Todos ali aplaudiram e nós começamos a receber os parabéns. Vieram de cada um. Minha mãe sabia apenas chorar e meu pai também, além dele estar tirando toda a glória falando que sempre disse que entre eu e o Bruno havia algo a mais.

Minha pequena estava dando pulos de alegria, literalmente. Ela saltava e fazia alguns barulhos e felicidade, nos abraçava e dizia tantas coisas.

-Você sempre foi minha mamãe, mas agora será a mulher do meu papai também. – Não preciso dizer a quantia de lágrimas que saíram dos meus olhos quando ela me disse isso.

-Agora venha cá! – Megan me puxa pelo ombro. – Você está noiva! Noiva. – Ela sorri. – Eu esperava ter mais palavras para dizer agora, mas ainda estou perplexa.

-Nem me fale. – Tiara chega atrás dela. – Você vai ser oficialmente minha cunhada.

-Até mesmo seu afilhado está fazendo festa em minha barriga. – Urbana também chega de surpresa, parando ao lado de Tiara. – Meu Deus, você não sabe o quanto eu torcia por vocês dois.

-Todos nós torcíamos. Fala sério. Se não fossem meus amigos, eu diria que é uma história de livro ou série de televisão. – Megan enlaça seus dedos nos meus e aproveita para ver o anel de perto. – Esse anel custa mais que a minha vida.

-Vocês merecem tanto serem felizes.

-É impressão minha ou isso nos olhos de Tiara são lágrimas? – Aperto os meus, fingindo que estou olhando mais.

-Talvez sejam. – Ela diz, passando a mão pelos olhos e as meninas rindo.

-Vocês estão deixando uma grávida mais emotiva que o normal. – Urbana abre seus braços e nós todas vamos para o seu aconchego.

Com elas eu me sentia tão bem, tão forte. Eu sentia que aquela vibração toda positiva não era algo apenas da boca pra fora. Era real. Elas estavam realmente felizes por mim. Eu as amava demais.

Em seguida abracei meus avós e pedi desculpas mais uma vez por ser uma neta assim, distante.

-Eu fico feliz em saber que você conseguiu achar o seu amor, minha querida. – Minha avó passa a mão sobre meus cabelos.

-Eu também, vovó. – Olho pra trás, onde Bruno está conversando com Phil e meu pai. – Eu também. – Meu coração até palpita mais forte quando o observo de longe.

Tiara chamou todos nós para fazermos a foto, porque já havia posicionado seu celular no lugar certo. Ficamos todos nós bem juntinhos, eu e Bruno na frente, abaixados. Um pouco antes de acabar a contagem, Bruno me olha e fala alguma coisa. Sei que nós dois rimos e a foto foi tirada.

A recordação era eu e Bruno rindo, por algum motivo, algumas pessoas com sorrisos e outras nos olhando, provavelmente se perguntando do que estávamos rindo.

Ficou tão linda.

Tiara mandou a foto pra mim e para o Bruno.

Combinamos de enviarmos juntos para as pessoas que queríamos.

Em menos de dois minutos depois, já recebemos a primeira mensagem de áudio vinda da Tahiti. Ela repetia por várias vezes que não conseguia acreditar, que era surreal, que se estivéssemos brincando com ela, ela nos mataria. Logo em seguida a da Presley, que veio um pouco escrita e um pouco por mensagem de voz. Pres repetia várias vezes o parabéns e nos desejou tantas outras coisas boas e lindas.

Bruno e eu acompanhamos juntos o modo com que demos a notícia e recebemos tantas mensagens lindas.

-E então, Mars, suas fãs vão me odiar para o resto da vida, sim?

-Bom... – Ele coloca a mecha do meu cabelo pra trás da orelha. – Elas a conhecem, sabem quem você é e muitas gostam de você. – Bruno parecia estar fazendo algum cálculo. – Talvez algumas queiram o seu pescoço, outras irão amar. Mas o importante mesmo é que nós estamos bem e estamos felizes. – Suas mãos entrelaçam minha cintura. – E que em breve você virará Eleanor Hernandez.

-Ou você virará Peter Winters.

-Não. – Seu rosto se retorce em uma careta. – Assim fica feio.

-Eleanor Alena Hernandez. – Penso bem. – Até que não soa mal, mas não quero perder meu sobrenome.

-Nem eu quero perder o meu.

-Então você quer começar uma discussão agora mesmo, Mars? – Semicerro meus olhos e ele ri.

-Não. Nunca. Isso é algo banal.

-Achei um champanhe! – Phil grita, chegando na sala de jantar.

-Agora sim que a festa vai começar. – Tiara grita pra ele de volta.

-Você não faz ideia, baby. – Caleb chega ao lado de Phil. – Eu sei que falei que não teria como vir. Me atrasei muito, porém, recebi a notícia e estou muito feliz por vocês. – Ele vem em nossa direção.

-Cara, pensei que não viria mesmo. – Bruno o cumprimenta.

-Eu fiz o possível e o impossível. – Ele beija minha bochecha. – Parabéns ao meu casal.

-Obrigada. – Não consigo nem tirar o sorriso de orelha a orelha que carrego.

Bruno abriu o champanhe em meio de risadas, assovios e gritos. Servimos nossas taças e a pequena taça da Lana que ainda tinha suco de limão suíço.

-Aos noivos! – Tiara gritou com a taça levantada.

E assim que entrelaçamos nossos braços e tomamos do champanhe, demos um beijo para selar tudo aquilo que estávamos começando. À uma nova era, uma nova vida.

domingo, 9 de abril de 2017

Capítulo 87



Eu não tenho nenhum motivo para chorar
E eu tenho todos os motivos para sorrir
(Die With You - Beyonce)

Acordar no outro dia de manhã cedo para ir no trabalho não foi uma tarefa fácil. Minhas costas doíam e eu estava com olheiras enormes. Culpo o Bruno por isto. Meus olhos estavam pesando mais que meu corpo inteiro, eu precisava de um bom banho e uma xícara enorme de café preto extraforte.

Saí do banho e assustei-me com o ronco que Bruno deu. Ele estava em sono profundo. Ri da situação e saí do quarto indo diretamente pra cozinha.

Eu estava tão eufórica ainda com essa situação toda que a ficha ainda não tinha caído de vez. Bruno e eu íamos ficar noivos. Aquilo ainda é muito surreal.

Enquanto o café passava, mandei uma mensagem para os meus pais. Perguntei qual seria a possibilidade deles virem pra cá ainda está semana, pois não iria conseguir minhas férias completas. Até o final da manhã eles me respondem.

O dia passou se arrastando, acho que o sono que eu estava piorava toda a situação. Precisei transcrever um documento, coisa que demoro uns vinte minutos, acho que levei uma hora e meia pelo cansaço.

-Como você não falou que tinha feito uma tatuagem? – Tiara revira os olhos na tela do celular.

-Isso foi ontem de tarde. Me bateu a loucura e eu fui fazer. – Rio.

-Você nunca iria sozinha fazer uma tatuagem. Você morre de medo. – Diz Megan, ao lado de Tiara.

-Mas eu perdi o medo, tanto que eu a fiz. – Dou um sorriso de canto.

-Qual estúdio?

-Um lá no centro. – Jogo as palavras. Não faço ideia onde tem estúdio de tatuagem no centro.

-Aquele na rua da Sephora? – Megan pergunta.

-Isso. Este mesmo. – Respondo, pelo menos elas caíram.

-Não tem estúdio nenhum na rua da Sephora, sua mentira. – Tiara aponta o dedo pra mim e eu rio de nervoso. – Onde você andou, Eleanor Winters?

-Ok. – Respiro fundo e olho pra elas. – Eu estava bêbada. – Elas riram. – Foi no centro, mas eu estava bêbada e não lembro de metade das coisas que fiz. Tanto que eu estou com essa cara terrível.

-E essa olheira de ressaca. – Megan ri.

-E quem estava com você? – Tiara pergunta em seguida.

-Sim, exatamente por isso. Não consegui disfarçar nem com base e corretivo.

-Botasse umas bolsas de chá, iriam diminuir.

-Acha mesmo que eu iria pensar isso às seis da manhã? – Rio.

-Tá, mas quem estava com você? – Droga! Tiara não caiu na minha ainda.

-Se eu falar vocês iram me julgar.

-Quem foi? – Megan se exalta.

-Meu irmão? – Ouço Tiara perguntar.

-Não. Seu irmão estava no estúdio, eu acho. – Dou de ombros. – Eu estava com o Richard, com o Sam e outra menina que eu não sei quem é, Liddy.

-Mentira! – Tiara bate palmas e ri. – Não pode ser. Você saiu com o Richard e não nos falou nada?

-Se eu falasse, vocês iriam pregar uma cruz em mim. – Rio.

E então elas me encheram de perguntas sobre o Richard e como ele estava. Eu disse que saímos para beber, pois ele havia passado nas finais e seu trabalho concluído e então quis comemorar comigo, porque eu havia o incentivado desde sempre. Usei muitas coisas das quais ele me disse por telefone e elas caíram direitinho.

Isso era mágico.

Após um longo dia discutindo com meus pais a vinda deles pra cá, eu só precisava chegar em casa, comer algo e me atirar na cama. Não necessariamente nessa ordem.

Mas consegui com que meus pais aceitassem vir pra cá, o que me deixou tão feliz e aliviada. Chegando em casa eu precisava contar isso ao Bruno, mas lembrei que ele havia saído por uns dias.

-Mamãe! – Lana corre em minha direção. – Senti sua falta.

-Oi, meu amor. – Beijo seu rosto e sua testa. – A mamãe também sentiu muito a sua falta.

-Hoje eu aprendi um novo número. Acho que terá uma peça de fim de ano no balé. Você e o papai irão, não é?

-Com toda a certeza, meu bem. Você quer me mostrar o passo ou prefere fazer surpresa pra mamãe.

-Surpresa! – Ela diz toda empolgada.

-Ai, que ótimo. – Beijo o topo da sua cabeça. – Sabia que seus avós vão vir pra cá no final de semana?

-Sério? – Ela arregala seus olhos. Confirmo, balançando a cabeça. – Oba!

Era tão bom sentir a magia e o calor de uma criança de oito anos super empolgada.


13 de Outubro de 2016

Eu não gostava da ideia de ter enganado meus pais, mas não consegui achar outra maneira para eles virem para Los Angeles, ao não ser dizendo que consegui apenas uns dias de folga, mas a realidade é que eu não consegui apenas uns dias, porque eu preciso tirar todos os meus dias corridos, ou a empresa ganha multa, já que não tiro minhas férias há um tempo. Teria que falar pra eles que os enganei assim que chegassem aqui.

Eu estava me arrumando para busca-los no aeroporto, e enquanto isso ia tentando ligar para minha irmã durante a segunda vez essa semana. Só chamava. Olhei pelo aplicativo de mensagens e ela havia entrado há pouco tempo. Resolvi fazer a ligação através dele, talvez apareça minha foto e ela identifique o número.

-Alô? – Sua voz estava um pouco diferente. Pigarreei antes de falar.

-Oi, Eli. – Dou um sorriso tímido, como se ela pudesse me ver. Um sorriso envergonhado demais.

-Lea? – Seu tom de voz muda.

-Quem mais te chamaria de Eli? – Rio. – Como você está?

-Eu estou bem. Nossa, há quanto tempo que não nos falamos. – Eu podia ver a sua cara de espanto através da sua voz.

-Muito tempo. Eu estava com saudades.

-Eu também. – Ela suspira. – Muitas! Como você está?

-Eu estou bem. – Brinco no volante do carro. – Desculpa não ligar antes, não sei como fomos perder o contato dessa forma. – Respiro fundo.

-Eu também não sei, lamento por isso.

-Não quero que isso aconteça novamente.

-Nem eu! Como está Los Angeles?

-Quente ainda. Não quero inverno. – Resmungo.

-Você deveria estar acostumada com o clima daí há muito tempo, Eleanor. – Sua risada me faz sorrir.

-E Nova Iorque?

-Está linda! Eu amo esse lugar.

-Eu sei. – Rio. – Como está seu marido?

-Ele está uma pilha de nervos. Estamos resolvendo muitas coisas do escritório dele, e agora sua irmã tá se formando no final de semana. Está tudo uma loucura, nem sei como vamos até o Colorado ainda, com tantas coisas para fazer.

-Nesse final de semana? – Não pude deixar de ficar meio triste com a notícia.

-Sim! Ela está se formando em direito. Você lembra dela, sim? – Confirmo num múrmuro. – Então, ela está uma mulher linda, crescida, inteligente. Mas mora no Colorado. – Eliza resmunga.

-Nossa! Manda os parabéns para ela, por favor. – Ouço ela falar um “é claro”. – Ah, Eliza, eu queria que você viesse para cá esse final de semana.

-Poxa. – Eu torço meus lábios. – É uma pena que eu tenha combinado tudo isso há muito tempo, senão eu iria, com toda certeza.

-Sim, eu sei. – Rio. – Estou indo buscar nossos pais no aeroporto.

-Mentira? – Ela grita. – Eleanor, como você só me diz isso agora! Caramba. Quanto tempo eles vão ficar aí?

-Uma semana. – Dou de ombros. – Sabe que eles não ficam mais que isso.

-Como você os tirou de casa? Que droga, eu vivo os chamando para vir pra cá!

-Eu paguei as passagens. – Rio. – Brincadeira. Mas eu paguei mesmo, já que eu iria pra lá, mas não consegui as férias completa, então discuti com eles por horas até eles toparem vir pra cá.

-Caramba, que saco. Eles nunca querem vir pra cá, Lea. Já ofereci de tudo.

Claro que, a partir daí nós entramos numa pequena discussão. Acho que ela estava com saudade até de nossas discussões. Pelo que entendi, meus pais se recusam a ir para Nova Iorque, e ela vive dizendo que vai para o Havaí, mas nunca vai. Acho que não é por maldade, nem dos meus pais e nem dela, apenas coisas mal resolvidas e que as pontas estão soltas.

Nós conversamos até a hora de eu chegar no aeroporto, que foi quando ela precisou desligar para fazer algo. Em suma, minha irmã não poderá vir nem para ver nossos pais. Ela deixou um grande talvez em aberto, mas talvez nunca é certo.

Fiquei com medo de não chegar a tempo de pegar o voo dos meus pais, mas acabei chegando alguns minutos antes. Tomei um café pingado num local do aeroporto e me direcionei para o portão de desembarque. Minhas mãos suavam frio, eu estava nervosa e ansiosa quanto a ver meus pais após dois anos. Só eu sei a saudade que carregava no peito.

Conversei no celular, até ver que o portão estava sendo aberto. De lá saíam muitas pessoas, até eu ver uma cabeça quase branca e outro cabelo bem preto e comprido.

-Mamãe! Papai! – Meus olhos nadam em lágrimas que escorrem sem eu nem perceber. Ando rapidamente na direção dos dois e faço o possível para abraça-los igualmente. Fungo próximo ao ouvido de minha mãe e ela dá dois tapinhas em minhas costas.

-Não chore, Lea. – Diz ela, com a voz doce. – Seu pai também deve estar chorando.

Nós nos desvencilhamos e rimos.

Meu pai passa o dorso da mão em seu rosto.

-Juro que não estava. – Ele beija minha testa.

-Você é uma manteiga derretida. – Minha mãe me abraça novamente. – Meu bebê. Como você consegue estar sempre mais linda? – Passa a mão sobre meus cabelos.

-Uma boa cadela, sempre lambe suas crias. – Meu pai indagou e levou um tapa da minha mãe.

-Você vai ver cadela! – Nós caímos na gargalhada.

-Concordo com ela, Eleanor. Você está linda. E parece tão mais jovial, alegre.

-Jura? – Espanto-me. – Me sinto mais velha a cada dia.

-Mas está bem. Parece apaixonada. – Minha mãe caminha um pouco pra frente e engata seu braço no meu.

-Apaixonada? – Rio. De nervoso. – Não.

-Eu falei, meu bem. – Meu pai rola seus ombros.

-Fedrerich disse que você não tem ninguém, mas uma mulher linda como minha filha claro que tem alguém. Não é?

-Eu sei ser independente, mamãe. – Rio. – Não preciso de homem nenhum, e também não tenho nenhum. – Dou de ombros.

-Eu falei.

α

Meus pais me encheram de perguntas sobre tudo o que estava acontecendo, durante o caminho pra casa. Nós rimos bastante e cada minutinho a mais eu percebi que eles estavam tão bem e isso me fazia tão feliz.

Quando adolescente, eu sempre achei que eles nunca fossem se separar. E isso realmente nunca aconteceu. O amor deles parece ser tão puro e verdadeiro, que nada os abala.

Lana pulou em cima deles quando os viu. Minha pequena, que está enorme, os ama de uma maneira inexplicável.

Meu pai deu a ela três presentes e trouxe um para mim, outro para o Bruno e uma pequena lembrança para Megan, que ele gostava muito. Na verdade eram presentes dos dois.

-Obrigada, pai. É lindo demais! – Abraço o vestido que ele acaba de me dar e o largo sobre o pacote para poder agradece-los.

-Foi apenas uma lembrança. – Minha mãe sorri. – Onde está o Bruno?

-Ele chega durante a noite de hoje. Teve algumas coisas do seu novo CD para ver.

-Vovô, o senhor vai me levar na escola amanhã?

-Claro que vou. – Ele se abaixou.

-E a senhora, vovó?

-Também irei, princesa. – Minha mãe fecha os olhos.

-Vamos jantar e vocês três já vão pra cama. Ok?

-Olha isso, parece que está falando com seus filhos. – A gargalhada do meu pai contagia todos nós.

-E não estou? – Rio. – Vocês precisam descansar. Foi um voo longo. A mamãe já está quase dormindo. A Lana precisa dormir para ir na aula amanhã, não é? – Ela assente.

-O que vamos comer?

-Vou pedir algo, pode ser?

-Eba! – Lana comemora.

E lá fomos nós. Jantamos juntos como uma família, só faltou o Bruno pra completar.

Mostrei a eles minha tatuagem e disse o significado. Claro que minha mãe ficou meio relutante, mas não deixou de achar lindo e agradeceu por ter feito tal homenagem. Meu pai ficou todo bobo, e ainda perguntou se doía.

Meus amores todos foram dormir e eu fiquei arrumando a cozinha. Depois coloquei um som baixinho, deitei-me no sofá e mexi no celular até pegar no sono, mas o bom é que acordei com bons beijos em meu rosto todo.

-Você vai ficar com dor nas costas, meu amor.

-Oi. – Digo, ainda sonolenta. – Que horas são? – Pergunto, mesmo pegando meu celular para verificar.

-Quase três da manhã. – Bruno senta ao meu lado. – Como está? – Dá-me um selinho.

-Estou bem e você? Como foi as entrevistas e tudo mais? – Passo a mão pelos olhos inchados de sono.

-Foram ótimas, mas amanhã falamos sobre isso, você precisa ir dormir.

-Ok. – Levanto junto com ele.

-Como estão meus sogros?

-Estão ótimos, dormindo, já que amanhã vão levar a Lana na escola.

-Coitados, mal chegaram e ela vai explora-los. – Nós rimos juntos. – Vá dormir, amanhã nós nos falamos.

-Ok. – Me aproximo do seu corpo e coloco a mão em sua cintura. – Boa noite. Eu te amo.

-Como?

-Eu te amo? – Repito.

-É tão bom ouvir isso. – Seus lábios se aproximam dos meus. – Eu amo você, Eleanor. Até amanhã.

-Até amanhã. – Deposito mais um selinho em sua boca e vou andando autômato até o quarto onde estou.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Capítulo 86


De todas as meninas
Você é a minha única menina
Não há ninguém no mundo esta noite
(You and I - John Legend)

E no embalo de muitas conversas da madrugada, e porque o sono não deixou mais tempo, nós dormimos já era três horas da manhã. Acordo com o barulho do Bruno mexendo em algumas coisas. Espio meu celular sobre a mesinha e nele marcam sete da manhã.

-Você só pode estar maluco. – Balanço minha cabeça, colocando a coberta sobre ela e fechando os olhos.

-Eu já ia chamar você.

-Chamar para o que?

-Nós vamos sair! – Ouço a animação em sua voz.

-Bruno. – Resmungo. – Não!

-Antigamente você dizia que eu dormia demais.

-Mas isso não mudou. – Tiro a coberta de cima de mim, dando um pulo. – Você ainda é o maior dorminhoco, mas fomos dormir tarde e eu não sei porque cargas d’água quer acordar cedo.

-Vamos sair, somente eu e você. Chamei a Umma para ficar com a Lana, vamos sair foragidos. Ninguém saberá onde estaremos.

-Bruno, você só pode estar doido. – Resmungo. – Onde vamos?

-Não vou dizer.

-Bom, eu só irei sair da cama quando souber onde iremos.

-Vamos na praia. Sem mais perguntas.

Realmente, era sem mais perguntas. Todas as perguntas relacionadas aonde iríamos, ele não respondia. Só enrolava ou apenas ignorava. Coloquei uma roupa um pouco mais quente e confortável após o banho, prendi meu cabelo num rabo de cavalo, calcei meus tênis e preparei minha bolsa.

Ele também estava super simples, então imagino que não vamos em nenhum lugar muito chique.

Entrei no carro bem antes dele e já liguei a rádio. Fui respondendo as mensagens da madrugada e vendo algumas coisas em minhas redes sociais enquanto ele não chegava.

-Vamos a praia, então?

-Praia? – Rio. – Tem um sol lindo, mas não tem clima pra banho, Bruno. Eu nem trouxe roupa. – Reviro os olhos.

-Calma. – Sua risada me contagia. – Vamos em um lugar onde temos muitas lembranças. Não precisamos tomar banho, apenas fugir de tudo e todos e aproveitarmos.

-Posso dormir na viagem? – Ele ri da minha pergunta. – Ok.

-Eu prometo que será bom.

-Eu sei que será. – Sorrio e lhe dou um selinho.

Bruno irá para alguns lugares nessa semana, passará uns dias fora e então tenho certeza que quer aproveitar um pouco mais antes de ir. Não duvido que irá querer sair com a Lana assim que voltarmos.

E então nós seguimos pela longa estrada que tínhamos a frente.

-Estar nessa viagem com você só me lembra uma coisa. – Sua mão repousa em minha coxa.

- Ah, é? Do que?

- Da nossa outra viagem, quando fiz aquela tatuagem.

- Aquele foi um ótimo dia.

-Esse pode ser melhor.

-Pode sim. – Coloco minha mão sobre a dele. – Estou me sentindo culpada sobre deixarmos tudo lá e não avisarmos nada.

-A Umma é a única pessoa que sabe o que iremos fazer.

-Pensei que ela não sabia. – O olho, desconfiada.

-Eu não ia falar, mas pensei na Lana. Ela irá perguntar algo, então disse que eu iria passar o dia em função de estúdio e que você ia sair um pouco.

-Claramente, com esta desculpa esfarrapada, ela não desconfiará de nada. Com certeza. Foi bem inteligente. – Eu rio e ele aperta minha coxa.

-Nós podemos voltar agora mesmo e fazer o noivado hoje mesmo. Pode ser?

-Não, para. – Eu rio. – Seria legal fazer de uma vez, mas preciso dos meus pais e você precisa da sua família.

-Por isso mesmo precisamos esperar. O que vai dizer para os seus pais?

-Acho que vou dizer que consegui uns dias de folga, mas que não são suficientes para ir até o Havaí, e que então quero eles aqui.

-E pra sua irmã?

-Não faço ideia.

Sentia vergonha de mim mesmo por ter me afastado assim da Eliza. Nós éramos unha e carne, e fomos nos afastando de um modo devastador. Há um tempo atrás ainda nos falávamos por mensagem de vez em quando, mas agora nem isso. Eu não sei como como está a vida dela com seu marido, eu não sei absolutamente nada. E agora chegar do nada e dizer “Oi, mana. Tudo bem? Você pode vir na casa do Bruno tal dia, estamos fazendo uma janta para comemorar o álbum e quero que você esteja aqui.”, isso soará estranho. É como se eu não tivesse intimidade com minha própria irmã e eu me sinto horrível por isso.

-No que está pensando?

-Na Eliza. – Balanço a cabeça enquanto olho os coqueiros da estrada. – Nós... Eu sinto falta dela.

-Porque você não vai atrás?

-Eu tenho vergonha, Bruno. Eu sou covarde, deixei minha irmã de lado e agora não consigo ter cara de pau o suficiente para convida-la para o jantar, ou ao menos para chamá-lo sem propósito algum, apenas pra saber como ela está. Eu me desnaturei dela.

-Lea... Ela também não procurou você. Não se sinta culpada sozinha. Eliza sabe onde você mora e sabe seu número. Talvez ela esteja com o mesmo conflito interno que você está agora.

-Talvez você tenha razão. – Respiro fundo. – Você não tem esse sentimento de nostalgia?

-Tenho, quase sempre. – Seu pensamento voa bem longe. – Mas não fique pensando besteiras. Sua irmã te ama. – Aperto sua mão que ainda está em minha perna.

Meu peito se aperta em saudades dos meus pais, da minha família. Não sei se esse sentimento de nostalgia vem mais por que acabo de selar secretamente uma coisa que irá mudar toda a minha vida, ou se é apenas a saudade falando mais alta hoje.

Aproveitei o tempo em que estávamos na estrada para me atualizar sobre o álbum, agora já não estava mais em sigilo absoluto, então poderia ganhar mais detalhes. Bruno falou sobre o processo do álbum, falou sobre a turnê que virá ano que vem, e as guerras que ele estava tendo com algumas coisas dentro do estúdio.

-E o ano novo será em Vegas novamente. – Ele bufa. – Eu gosto de lá, amo lá, mas gostaria de passar em outro lugar.

-Então porque ainda aceita? Você não tem um contrato com eles.

-Porque... Eu não tenho certeza.

-Dinheiro?

-Não, acho que não.

-Ano que vem, se nós estivermos casados ou noivos, que seja, nosso ano novo será em outro lugar. OK?

-Já está fazendo exigências?

-Não. – Rio. – Somente se você quiser Vegas, aí vamos para lá, porque do contrário, nada fará nós irmos pra Vegas na virada.

-Hm. – Ele olha para mim de canto, um sorriso maroto nos lábios. – E onde iríamos?

-Não sei. – Torço os lábios. – Poderíamos ir pra Londres.

-Parece legal, mas acho que Punta Cana seria maravilhoso.

-Sim! – Sorrio. – A agua de lá. As praias. Sim, por favor, vamos a Punta Cana! – Me empolgo com a ideia. – Posso pedir para darem minhas férias no fim do ano que vem, eu aguento até lá, assim posso ter mais dinheiro.

-Dinheiro você não precisaria se preocupar, você sabe.

-Eu sei, mas você sabe que eu não irei me encostar em você.

-Sim. – Ele torce os lábios. – Ok. Ano que vem vamos para Punta Cana.

-Eu estou tão empolgada com essa ideia.

-Mais do que com o nosso casamento?

-Mais. – Respondo na hora e ele arregala seus olhos. – Brincadeira. Eu estou ansiosa pra tudo que virá ao seu lado. – Olho para a estrada em frente. – Garota, você me fez tropeçar no sol. Deus sabe que você só fez o meu dia desde que você chegou.

-Oh, não. – Ele ri dá música que começo a cantar. – Alguém está escutando Jesus Jackson.

-Estou assistindo um seriado, num dos episódios tocou essa música e era exatamente essa cena. Um casal num carro. Ou pelo menos em algumas partes. – Rio.

-Qual seriado você resolveu assistir agora?

-Grey's Anatomy. – Bruno revira seus olhos. – Não julgue antes de assistir.

-Você me dizia mais ou menos isso sobre aquela serie de vampiros.

-Mas essa é diferente, é muito boa. É, na verdade, maravilhosa.

-Talvez eu dê uma chance para ela. OK? Mas só porque já ouvi de muitas pessoas que é legal.

-A Urbana que me indicou. Achei que fosse odiar, mas assisti muitos episódios em muito pouco tempo. – Rio.


Queria tanto que o tempo estivesse quente para poder dar um mergulho naquele mar lindo. O céu estava se refletindo na água, formando um azul tão límpido, glorioso. Tirei algumas fotos do meu celular e Bruno ficou ao meu lado, olhando para o longe por um longo tempo. Nós estávamos com nossos corpos colados, joguei minha cabeça para cima do seu ombro e sua mão envolveu minha cintura.

Havia muito mais além daquele mundo. Havia tantas outras coisas no mundo para se ver, para se viver, que nós acabamos nos limitando e nos contentando com tão pouco. O mundo é tão vasto e bonito.

-O quão diferente as coisas seriam se tivéssemos feito outras escolhas?

-Como por exemplo? – Pergunto.

-Sei lá. E se a Diana nunca tivesse ido embora? E se eu tivesse ficado com a Mia? E você com o Richard? Ou sei lá, até mesmo com o Kai.

-Talvez nossa amizade não fosse tão forte assim em todas as opções. Tudo o que vivemos, se a Diana não tivesse ido embora, não existiria, e talvez eu estivesse até agora procurando a pessoa certa para eu poder me alojar.

-Então agora você achou a pessoa certa?

-Mais do que isso! – Olho para o seu rosto. – Eu descobri que nunca a tinha perdido. – Dou um beijo em sua bochecha e logo em longo e estalado selinho em seus lábios gelados.

-Demorei tanto tempo para admitir que te amava. – Sua mão passa pela minha cabeça, seus dedos pelos meus cabelos.

-Eu quero fazer uma tatuagem!

-Que?

-Uma tatuagem. Foi aqui nessa praia que você fez a sua tatuagem em homenagem a Lana. Agora eu quero fazer uma.

-Mas, Lea... Você tem certeza?

-Tenho!

-E o que quer fazer? Já sabe?

-Claro.

-E o que é?

-Não falarei, você verá assim que estiver pronta.

-Hm. – Ele lança-me aquele olhar de desconfiado, mas balança a sua cabeça positivamente. - Vamos nessa.

Pegamos o carro e Bruno foi percorrendo o caminho no qual achava que era o certo. Nos perdemos duas vezes e em uma delas estávamos ao lado dá rua. Tivemos que pedir informações pelas ruas e as pessoas ficavam meio apreensivas, pois Bruno Mars estava dirigindo um carro, com uma garota ao lado e pedindo informações. Tenho certeza que sairá alguma foto, mas por outro lado, torço que não.

Enfim, nós chegamos no local. A atendente ficou alucinada quando viu quem entrou, gaguejou por várias vezes e disse que o tatuador acabaria um serviço daqui uns vinte minutos. Perguntou se queríamos esperar por ali, mas preferimos ir até o outro lado da rua comer alguma coisa.

Bruno tentou arrancar de mim toda e qualquer informação sobre a tatuagem. Fiquei calada, eu realmente queria fazer suspense.

Voltamos ao estúdio e prontamente o moço nos recebeu. Ficou eufórico com o Bruno e disse que lembrava-se de sua tatuagem, mas nunca a ligou com o famoso Bruno Mars.

Elogiou as outras e perguntou diversas vezes se ele não queria fazer mais nada. Bruno negou e então eu entrei para o pequeno quarto. Ele perguntou se eu estava certa de que queria isso, disse que sim e aprovei o seu desenho. Optei por fazer em minhas costas, pois poderei assim aumentar se um dia quiser.

Fiquei com medo, achei que fosse doer muito, mas então ele começou e eu sentia apenas como se fossem pequenas picadas de mosquito em minha pele. Claro, houve partes mais próximas do meu osso onde doeu mais, mas era suportável. No fim, ela ficou extremamente linda.

Bruno já tinha pago a tatuagem mesmo quando eu disse que iria pagar, porém não pode se discutir com teimosos.

No carro, ele pediu para ver, então pedi que fossemos com o carro para algum lugar mais discreto. Bruno deu um sorriso safado e eu ri, coitado achou que eu tinha feito algo onde? Na virilha?

Retirei minha blusa e virei de costas para ele.

-Que lindos. – Ele passa a mão onde não há tatuagem. – O que significa estes pássaros?

-São seis. Meus pais, minha irmã, minha filha, eu e você. São meus bens mais preciosos no mundo.

-Lea!

Virei-me normalmente, ainda sem por a blusa. Hesitei quando vi seu rosto, não soube dizer que expressão era aquela.

-Não me deixe apreensiva!

-É lindo. – Ele suspira. – Quer dizer, eu nunca poderia adivinhar que estava fazendo algo tão significativo pra mim! É simplesmente maravilhoso.

-Não é algo grande, mas interprete os pássaros como lindas andorinhas. Andorinhas essas que voam pra longe, constroem seus ninhos, mas nunca esquecem suas origens. Andorinhas que amam se sentirem livres, mas que a família sempre será o seu bem maior. Mesmo quando éramos apenas amigos, você já era minha família.

-Nosso amor é épico, Lea. – Bruno me abraça, sinto sua respiração em meu pescoço. – Épico. Agora, por favor, coloque sua blusa, antes de infringirmos a lei e transamos aqui nesse carro.