quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Capítulo 31


e se eu tenho me sentido pesada
você me tira do escuro
seus braços, eles mantêm-me firme
então nada pode desmoronar
(Ella Henderson - Yours)

-Bruno, você vai derrubar isso novamente. – Mexo no pequeno bibelô que ele insistia em deixar cair da estante. – Calma. – Ainda olhava para os lados, alerta sobre alguém entrar na sala naquele momento.

Faz uma semana que estamos aqui, quarta feira. Passei três dias corrido com meus pais aproveitando o máximo que consegui, e até dormi ao lado deles uma noite. Precisava ter mais momentos para depois não me arrepender, então hoje pela manhã quando retornei a casa do Bruno, foi completamente doido o jeito que nos olhamos.

Tínhamos contato todos os dias, e passamos três sem tocar um dedo um no outro e por incrível que pareça isso faz uma diferença e uma falta enorme.

Seu irmão, Eric e sua cunhada, Cindia, vieram de Nova Iorque para cá. Bruno estava me falando que ele conversou com Eric e Ryan sobre a banda que um dia montará e já conseguiu um baterista e um assessor. Ryan disse que se mudaria no dia seguinte que o Bruno dissesse que está tudo certo em Los Angeles, e Eric pediu pra avisar antes, até porque precisa se mudar com a sua esposa e tudo mais.

Fiquei feliz pelas coisas estarem andando para o melhor lado possível. Ele merece ser, acima de tudo, feliz e completo. Se ele realizar esse sonho, acho que chorarei mais do que ele por sentir na pele todos os dias, durante anos, o quanto ele se esforça pra isso.

-Lea, você não pode ficar tanto tempo assim sem aparecer pra mim. – Beijou meu pescoço, prendendo-me na parede da sala novamente. – Eu fiquei doido.

-Foram três dias apenas.

-Três noites, quatro dias. – Suspirou perto da minha orelha, fazendo sentir todo aquele calor.

-Seus irmãos, seus pais, qualquer pessoa pode entrar aqui a qualquer momento.

-Não quero ir pro quarto. – Resmungou.

-Vem comigo. – O puxo pela mão, fazendo a cara de sapeca que ele diz ser, no mínimo, instigante.

-Vou gritar dizendo que está tentando me agarrar.

-Cala a boca. – Viro-me falando pra ele.

-Vou gritar.

-Acha que irão acreditar na pobre pequena menina indefesa ou em você? – Faço carinha de cão sem dono e ele ri, balançando a cabeça.

-Só entre nesse banheiro, por favor.

-Vai fazer o que comigo? – Abri a porta, puxando-o pela mão e empurrando para dentro do banheiro.

-Vou foder você aqui dentro.

-Vai? – Passo a língua pelos lábios. – Vai se eu deixar.

-Não iria deixar?

-Talvez não deixe. – Entrei para o banheiro, fechando a porta. Bruno pega-me por trás, passando os braços no meu corpo e me apertando contra o seu.

-Mesmo sentindo que isso, - Levou minha mão até o volume que tocava na minha bunda. – poderia entrar em você todinha. Te fazer gozar, te fazer delirar?

-Mmm. – Gemo e ele leva dois dedos para minha boca. – Senta! – Viro-me rapidamente.

Ele obedeceu sem pestanejar. Sentou na privada fechada e abriu as pernas bem afastadas. Passo a mão por suas coxas olhando nos seus olhos e abaixando-me.

-Quer que eu faça alguma coisa?

-Lava a louça depois, por favor. Hoje é meu dia e eu não estou afim.

Gargalho alto, levantando e colocando a mão no rosto. Fico virada para a parede e ele também ri.

-Desculpa. – Chegou por trás de mim. – Mas eu ainda quero que lave a louça. – Mordeu a pontinha da minha orelha.

-Idiota. – Viro-me para sua frente e o beijo.

Seus lábios ficam brincando com os meus como nossas línguas. Olhávamo-nos enquanto fazíamos brincadeiras e as mãos passeavam pelos corpos com menos pressa do que antes. Levanto minha blusa e ele desce direto para beijar meus peitos, mesmo por cima do sutiã. O afastou de leve, brincando com meu mamilo enrijecido e tentando manter o máximo de contato.

Brinco com seu cabelo, contendo os gemidos. Não era possível ser silenciosa quando as coisas são realmente boas. Eu não consigo conter meus gemidos e pequenos gritinhos quando eu e ele fazemos algo, é praticamente impossível. Bruno sabe o que fazer, e sabe como me deixar doida.

-Shhh. – Levou o dedo indicador para minha boca e parou de brincar com meus peitos.

-Estão passando, não virão aqui. – Comento sobre as vozes que ouvimos.

-Mas se ouvirem algo, eles irão vir aqui. – Colou nossos lábios para prevenção de qualquer barulho.

Rimos da mesma maneira, com os lábios colados. Parecíamos duas crianças. Porque escondido é sempre mais gostoso?! Ele levou sua outra mão para a barra do meu short de tecido mole e colocou a mão por dentro. Claro que foi direto ao ponto, não poderíamos esperar muito tempo até alguém aparecer, teríamos que fazer o que iríamos fazer e rápido.

Fez alguns carinhos por cima da calcinha e a afastou, como eu fiz com minhas pernas para facilitar. Fechei minha mão nas suas costas e gemi baixinho.

-Está toda molhada por mim? – Perguntou rente ao meu ouvido.

-Estou sempre. – Submeti aos seus encantos.

-Só vou ao banheiro. – Alguém fala do outro lado da porta.

Bruno tira a mão rapidamente de mim e caminha cuidadosamente para o box ao lado da banheira. Alguém tenta abrir a porta várias vezes e dá duas batidinhas.

-Tem gente! – Informo.

-Lea? – Resmungo e alguém ri. – Desculpa, mas é que a mamãe está me esperando para irmos ao mercado. – Identifiquei a voz da Presley.

-Ah, já estou saindo. – Faço barulho com o papel higiênico.

-Tudo bem, espero.

Ela continuou ali na porta, puxei a descarga e com o barulho fechei a cortina do box para tapar o Bruno, mas ainda sim dava para vê-lo.

-Merda. – Resmungo. – Pres, pode pegar um sabonete pra mim? Aqui não tem mais. – Pego o sabonete que tinha e ponho no meio dos meus peitos e tento disfarçar ao máximo e ajeitando minha blusa.

-Ok.

Abro a porta para que o Bruno saia, observo se ela não estava olhando e ele sai correndo. Presley retorna com o sabonete e eu peço desculpas, lavando a mão e deixando-a usar o banheiro. Entro no meu quarto diretamente tirando o sabonete dos peitos e Bruno me assusta, entrando logo atrás de mim com o peito em ritmo acelerado e respiração ofegante.

-Caralho. – Põe a mão na cabeça, se escorando na parede. – Eu corri para a rua e fingi que cheguei agora, que estava conversando com um cara ali. – Ele ri do que inventou e caminha até a cama. – O que é isso? – Pegou o sabonete.

-Tive que esconder o sabonete para sua irmã não ver, e não iria pôr no lixo.

-Guardaremos de recordação. – Ele brinca de toca-lo pra cima. – Correr de pau duro não é legal, descobri hoje.

-Eu não me imagino com um pinto, porque não saberia caminhar com as bolas batendo em minhas coxas... Deve ser legal somente pra fazer xixi em pé.

-E pra receber oral... É a oitava maravilha do mundo.

-Não era comer?

-Oral entra no quesito comer. Assim como comer mulheres, comer comida... – Dá de ombros, ainda jogando o sabonete pra cima e pegando-o. –Vamos nos arrumar? Quero comprar algo pra Lana hoje, e o dia está bom pra isso.

-Ah, vamos. – Definitivamente não tinha muita coisa para se fazer por ali. Não estava a fim de encarar a piscina, e dormir poderia ser uma enorme tentação, mas não posso deixar habituar-me com isso. – Roupa?

-Hmm, fresquinha. Voltamos antes do anoitecer.

-Certeza?

-Claro. Arruma a bolsa da Lana? Tenho que ir pro banho, mas antes vou ter que cuidar do médico.

-O quê? – Começo a rir antes mesmo que ele comece a explicar.

-Bater uma... Eu preciso esvaziar. Mas hoje nós fazemos algo... Ah, nós fazemos. – Andou para a porta e a abriu.

-Bruno? – Quando ele olhou toquei o sabonete e ele o pegou. – Belo goleiro.


Passeávamos pelas calçadas perto das lojinhas. Bruno levava a Lana no colo, enquanto eu olhava brevemente para as lojas para ver se algo lhe interessava.

Estávamos empenhados em levar algo para ela, algo com que ela lembrasse – mesmo não lembrando muito bem – de que esteve ali, de que um dos seus lugares é no Havaí.

Como tinha passado uns dias afastada deles, peguei a pequena no colo para matar um pouco a falta que senti. Acariciei seus cabelos e ela fazia caretas pra mim, olhando para o meu rosto sabendo que eu, era apenas eu. Esse universo dos bebês, de como eles entendem as coisas, de como as coisas são mais simples e ao mesmo tempo parecendo bem complexas, acho isso interessante demais.

Confesso que por alguns momentos penso em fazer alguma outra coisa que me leve para trabalhar com crianças, mas ao mesmo tempo penso na paciência... Uma coisa é a pequena Lana, que estamos educando desde pequena, que mora conosco, outra coisa será o filho dos outros dos quais podem ser bagunceiros, mal educados... Não que os problemas me afastem da vontade, mas não conseguiria largar meu emprego.

-Vamos nessa aqui. – Apontou para uma loja.

Depois de passarmos pela décima quinta, ele decidiu levar uma pequena roupinha e tirar quatro fotos dela no estúdio. Ao esperarmos a foto, Lana ficou sonolenta, estava caindo para os lados, mas logo a moça nos chamou no caixa.

-Ficaram lindas. – Tirou de um envelope. – Eu ampliaria essa. – Apontou para uma onde ela estava com a roupinha e sorrindo mostrando a ausência dos dentes na boca.

Realmente as fotos haviam ficado lindas e ele teve uma simpatia com a câmera que foi maravilhosa. Bruno procurava o dinheiro para pagar pelas fotos e ela olhava para a pequena nos meus braços.

-Ela é a sua cara. – Disse para o Bruno, que sorri olhando-a brevemente. – Você não sente ciúmes dela ser tão parecida com o pai?

-Ah... Não! Na verdade ela não... – Era complicado de ficar sempre explicando a mesma coisa.

-Ela sente um pouco, sim. – Entregou o dinheiro a ela. Fico olhando para ele sem entender nada.

-Obrigada, foi um prazer. Voltem sempre!

Não entramos em quaisquer assunto profundo até chegarmos em casa. Jantamos com a sua família, eu liguei para minha mãe, tomei meu banho e pus meu pijama, enquanto todos babavam nas fotos da pequena Lana, e Eric babava sobre a sobrinha.

Sentei-me na cama e Bruno entrou sozinho no quarto. Disse que a Tiara estava com a Lana junto do pessoal, e que gostaria de falar comigo no jardim. Eu o segui, em silêncio. Sentamos lado a lado no banco e fiquei encarando a água da piscina.

-Lea, não quero mais que diga que não é a mãe da Lana. Você é sim a mãe dela, e eu não quero que fique se explicando quanto a isso.

-Eu não sou a mãe dela. – Coloquei.

-Sim, você é! – Pôs sua mão sobre a minha. – Você a tem mais do que eu mesmo se duvidar. Eu tenho medo de errar com vocês e você vai lá e dá a cara a tapa. Leu tanto sobre bebês que eu aposto que sabe de coisas que nem minha irmã sabe direito. Conhece cada choro dela... E é isso que te faz mãe, é o amor que você sente pela nossa filha.

-Não vai ficar constrangido, com ciúmes, bravo...?

-Nunca! É um prazer te ter como a mãe da minha filha. – Empurrou meu corpo para o lado. – É um prazer te ter na minha vida.

-Não consigo imaginar como seria minha vida se você não estivesse nela. – Rio baixinho e ele também.

-Talvez ainda tivesse sua virgindade intacta. – Aperto sua mão, gargalhando.

-Não quero ir embora daqui novamente. – Do riso passou diretamente para os olhos cheios de lágrimas. – Não quero sentir aquele vazio novamente, não quero ficar distante de tudo.

-Quer ficar no Havaí?

-Não cogite essa possibilidade. – Começo a rir no meio do choro. – Eu só não quero me despedir do Havaí, mas também não quero me despedir da Califórnia. Sinto que ainda temos muito que vivermos por lá.

-Isso temos, e muito. – Entrelaçamos nossos dedos e eu tenho a liberdade de escorar minha cabeça no seu ombro. – Onde estaremos daqui a cinco anos?

-Hm... – Pareceu pensar longe, procurando as estrelas no céu. – Encostando nas estrelas. Quero estar no auge da minha carreira. Qual é... Será o ano de 2014, quero que seja especial.

-Toda a jornada até lá será especial... Lana verá seu pai crescer junto com ela.

-Quero que todos gostem da minha música, que fiquem com elas em seus celulares, que toquem nas rádios. – Não o vejo, mas sei que seus olhos estão brilhando e ele está pensando muito, além disso.

-Você tem que entender que isso tudo vai acontecer, eu sei que sim. Nós todos confiamos em você, olha aonde já chegou!

-Eu sou grato por tudo, por todos vocês, por todos os apoios. Sem a sua ajuda talvez não teria sobrevivido a Los Angeles nas primeiras semanas. Obrigada por passar tudo junto comigo.

Bruno tirou sua mão da minha e pegou meu rosto com cuidado do seu corpo e o segurou a sua frente. Fiquei olhando-o, olhos nos olhos, e ele me beijou. Foi calmo, tranquilo, nossas línguas não procuravam por prazer, somente por alojamento. Sua mão acariciou meus cabelos e quando o beijo terminou, ele deu um selinho em minha boca e outro beijo em minha testa, puxando-me para o seu corpo.

Ajustamo-nos como podemos no banco, para que eu ficasse recostada no seu corpo. Aproveitei para olhar para as estrelas e ele olhar para o longe ainda fazendo cafuné em minha cabeça.

-Vão nos ver assim. – Começo a rir e ele balança a cabeça, com um riso bobo.

-De acordo com as leis do Estado, eu posso, você pode, está de bom tamanho.

-Então fugimos da nossa escapada no banheiro por nada?

-Foder no banheiro é diferente do que beijarmo-nos no quintal da casa olhando para as estrelas.

Achei fofo, e me preocupei com a quantidade de coisas fofas que rolavam entre nós ultimamente. Não é ruim, mas também pode não ser muito bom.

-Mais um detalhe sobre o futuro de cinco anos... Você vai estar ao meu lado, Lana também e minha família!

-Eu?

-Não pensa em sair do meu lado, pensa?

-Nunca.

-Então estará no topo do mundo comigo.

domingo, 23 de agosto de 2015

Capítulo 30



Você tem algo que preciso
Neste mundo cheio de gente, existe uma me matando
E se nós morremos apenas uma vez
Eu quero morrer com você
(Something I Need - One Republic)

Acordamos depois de um breve cochilo. Acordamos não, eu acordei. Bruno já estava fora do quarto, mas sabia que estava ali, pois sua camisa ainda estava no quarto. Tirei o lençol de cima do meu corpo e parei pra pensar como eu e ele dormimos numa cama meio-casal?!

Levantei da cama e senti logo um incomodo bem parecido com o que senti quando perdi minha virgindade, e o mais engraçado é que foi no Havaí também. Esse Estado me traz boas coisas, porque apesar de incomoda, é uma dor boa, digamos assim. Estou feliz por ter feito finalmente o que tanto queria e por ter sido bom.

Desci as escadas e Bruno estava batendo algo na cozinha. Olhei para o relógio da parede que marcavam cinco e meia.

-Boa tarde. – Atiro um beijo pra ele, com a voz sonolenta.

-Boa tarde, dorminhoca. Estou fazendo algo para comermos.

-Hm, o que é? – Sento-me no banco.

-Digo assim que você subir, pôr uma roupa e ajeitar as coisas para que eles não vejam que fizemos a festa enquanto os gatos saíam.

-Ah! – Olho para meu corpo, apenas a calcinha e o sutiã o cobriam, porque antes de cochilar, eu os pus com medo que alguém chegasse antes do tempo estimado. – Já volto.

-Ok.

Andei para subir as escadas, mas ouço a gargalhada do Bruno que me faz parar no meio do caminho.

-O que foi?

-Você está andando estranha!

-Não estou não. – Não me sentia estranha.

-Parece uma pata.

-Vai à merda.

-Não se preocupa que com a prática isso melhorará.

Fico rindo enquanto subo as escadas, Bruno é um bobo idiota.

Meus pais chegarão em pouco tempo, quer dizer, se o horário ainda continuava o mesmo, as seis e meia eles já chegam.

Arrumei o quarto da maneira que pude e coloquei minha roupa, mesmo sentindo-me estranha sem um banho, mas ou eu colocava a mesma roupa que estava ontem e o mesmo lingerie, ou deixava o banho para tomar na casa do Bruno. Também não iríamos demorar muito tempo aqui, já, já teríamos que ir ver a Lana e ver se ninguém morreu com a pequena terrorista.

Novamente desci as escadas e o cheiro estava invadindo a cozinha. Cheiro de bolo gostoso.

-Vantagens de ter um amigo que trabalhou numa padaria. – Sentei-me no banco prendendo meu cabelo aninhado.

-Aproveitadora isso sim.

-Não pedi para fazer nada. – Dou de ombros.

-Ah, é? Que bom, pois nunca mais irei fazer um agrado.

-Vai sim. – Peguei um sachê de sal e toquei nele.

-É, eu vou. – Balançou a cabeça. – Eu não canso de ser idiota.

-Não é idiotice agradar a melhor amiga, eu também faço isso por você.

-A diferença é que você é grossa na maioria das vezes.

-Grossa não! – Defendo-me. – Realista, talvez com pouca paciência para algumas situações. E você também é grosso.

-Sou mesmo. – Ofereceu-me o sorriso mais safado possível. – Tenho que perguntar o que você tanto odeia.

Fez a volta na bancada e parou ao meu lado, pois virei meu banco na direção do seu.

-Faça.

-Foi bom pra você? – Ia começar a rir, mas ele ficou sério. – Sinceramente, você gostou?

-Eu amei. – Disse rapidamente, olhando dentro dos seus olhos. – Foi muito bom.

-Gostaria de fazer mais vezes, ou foi trauma para um dia só?

-Não teve trauma algum! Faria mais quantas vezes fosse preciso. – Eu faria mesmo, por mim e por ele. – E você?

-Foi uma experiência maravilhosa, acredite, eu amei! Mas só repetiria se você quisesse.

Por instantes viajo para longe, longe mesmo. Agradeço por ele ser fofo assim comigo, mas o odeio porque não quero me apegar a ele. Somos amigos e acho que isso nada mudará ao menos que ele dê algum sinal um dia, mas pela demora que houve para termos nossa primeira transa, imagino o quanto demoraria para termos algo.

Não quero que ele pare de ser atencioso e fofo assim, mas eu sou mulher, além de carência de sexo, tenho carência de amor. Supro algumas necessidades como sexo, conversas, risadas, e às vezes um filme agarradinhos, mas nada é como passear de mãos dadas, ir ao cinema, a um restaurante...

Mas então a situação do Kai retorna na minha cabeça, porque ele se importou tanto que ficou com ciúmes daquela forma? Ok, não sei se foi ciúmes, mas me pareceu isso e é aí que começo a ficar preocupada.

-Lea?

-Oi. – Balanço a cabeça, aterrissando ali novamente. – Eu amaria repetir várias vezes.

-Então tudo bem. – Se esticou para frente segurando minhas mãos e beijando meus lábios.

Beijamo-nos por alguns minutinhos, literalmente. Gostaria de ficar assim nos braços dele por algum tempo, mas eu não quero me apegar dessa forma. Isso é só amizade, sem sentimentos, e eu sei disso há tanto tempo, porém hoje estou um pouco mais sensível.

Tiramos o bolo do forno e logo em seguida meus pais chegaram. Tomamos nosso café tranquilo e conversando sobre vários assuntos que nunca acabavam. Nosso tempo foi agradável, e chegou a hora de irmos para a casa do Bruno.

Chegando lá, Bruno correu para o encontro da Lana, que esticou os bracinhos com um beicinho de choro.

-É normal ela chorar assim, de saudades? – Bernie perguntou ao dar um beijo em minha bochecha.

-Ás vezes, sim. Ela é muito emotiva! – Mexo na sua bochecha e ela mal sorri. – Acredita que ela já teve duas febres emocionais?

-Não foi somente uma? – Questiona o Bruno.

-Uma quando ela teve otite e outra quando... Não lembro a outra vez. – Fiz um pequeno esforço para recordar.

-Acho que foi no dia... Aquele dia em que ela estava pra baixo, meio chorosa.

-Não, foi o dia em que nós fomos ao supermercado que ela chorou por muito tempo.

Bernadette começa a rir e arruma a roupinha da pequena, balançando a cabeça, deve estar achando que somos loucos.

-Não ri mãe. – Bruno saiu atrás dela.

-Vocês dois querem disfarçar que tem algo? Porque está estampado na cara de vocês, e nas atitudes. Isso é típico de casais, eu e seu pai éramos assim, com a diferença de que ele sempre soube as datas melhores do que eu.

-Não queremos disfarçar.

-Onde passaram a noite e o dia? – Perguntou pegando sua pequena planta e pondo em cima da mesinha.

-Na casa dos meus pais. – Respondi.

-Deve ter sido bom, sua pele está ótima e o sorriso do meu filho é inconfundível.

-Viu, transparecemos sexo. – Passou a mão em meus cabelos e Lana dá uma resmungada.

-Acho que ela quer o pai dela somente pra ela.



Lana passou a noite na cama, ela estava quietinha, e ninguém sabia o porquê. Preferimos deixar qualquer agarramento para depois e primeiro cuidar da pequena.

Ao acordarmos na manhã ensolarada e quente de sábado, a primeira coisa que fiz foi um banho bem gelado para tirar o suor do corpo. Vesti biquíni por baixo do vestidinho leve que pus, sabia que iria a qualquer momento pra piscina.

Aproveitei para ajudar a Bernie, que se empenhava em arrumar a sala e fazer o almoço, ao mesmo tempo. Disse para ela deixar o almoço para um pouco mais tarde, ninguém precisaria almoçar ao meio dia em ponto, quando acordassem, tomassem seus cafés e depois resolvessem suas vidas até a comida ficar pronta. Então somente a ajudei com a arrumação da casa.

Logo as meninas apareceram e a casa já se tornou a completa baderna. Lana estava no colo do Bruno, ainda meio tristinha, porém dava alguns sorrisos para nós.

-Ih, quando o Jaimo ficou assim na semana seguinte o primeiro dente começou a aparecer. – Jaime disse depois de ver a pequena meio molenga.

-Mas eu tenho todos meus dentes e não choro quando ele começa a cair. – Fez uma cara de mau, e Tahiti gargalha.

-Calma ai garotão, somente um dente seu caiu.

-Mas o que acontece quando todos caírem? Eu vou ficar que nem o tio Bill?

-Jaimo! – Todos nós gargalhamos. Tio Bill era um velho vizinho deles, que não tinha a maioria dos seus dentes na boca e também não se importava em coloca-los novamente.

-Acho que os dentinhos irão crescer, então! – Pego-a no colo.

Após nosso almoço e a tentativa de dar comida para Lana, que preferiu tomar leite, fomos para a piscina. Somente as mulheres e o pequeno Jaimo, já que o Bruno saiu para reencontrar uns velhos amigos.

-Será que ele vai ver o Ryan, Tiara? – Tahiti diz num tom sugestivo.

-Não sei porque está falando dessa forma. – Bebe um gole do suco de melancia.

-Ah, pobrezinha, ela não sabe, Jaime. – Atiram água nela, que ri, mas logo fecha a cara mostrando não gostar.

-O que tá rolando? – Pergunto.

-Se ousar falar uma piadinha sequer, eu conto para todas. – Virou ameaçadora. – Eu fiquei com o Ryan em uma festa, ai elas pegam no meu pé por isso. – Revirou os olhos.

-Wow! – Fiz rendição com as mãos.

-Melhor do que o seu!

-O meu o quê?

-Namorado.

-Ele não é meu namorado.

-Quem é o seu namorado, Lea? Porque não conhecemos?

-Porque ele não existe! – Rolo os ombros, olhando para os meus pés na água.

-Existe sim, e vocês conhecem. – Tiara coloca o copo sobre a borda e molha seu cabelo na água da piscina mais uma vez.

-Reencontrou aquele seu antigo namorado? – Jaime pergunta.

-Bruno! Tá tão na cara.

-Tiara! – Arregalo os olhos. – Ele não é meu namorado nem algo do tipo, somos apenas melhores amigos.

-Que transam. – Complementa.

-Como que eu não desconfiei? – Tahiti coçou a cabeça pensando em todas as coisas.

E meu rosto pegava fogo. Sabe aquele sentimento que eu estava ontem de não querer ouvir nada fofo dele para não me apegar? Passou! Acho que foi momentâneo, pois estávamos num clima legal, com palavras legais, e tudo se encaixou.

Depois da longa tarde de meninas, e de muitas perguntas sobre nós dois, das quais eu não respondi a maioria, pois não somos namorados. Eu me arrumei para jantar e já para sair. Bruno havia combinado com o pessoal da antiga um pequeno encontro, e todos toparam para a mesma noite.

Vesti uma saia que as meninas me emprestaram e uma blusinha curta preta que levei em minha mala. Uma rasteirinha e cabelo preso, somente isso estava bom.

-Melhor pegar um casaco. – Bruno abriu a porta do quarto enquanto eu ainda me arrumava. – A noite está quente, mas não sabemos que horas iremos voltar.

-Obrigada papai. – Agradeci, me inclinando para abrir a mala.

-Me chamar de papai enquanto se inclina dessa forma, é injusto, Lea. Não vou permitir que saia do quarto.

-O que faço pra sair? – Inclino-me mais e ele se posiciona atrás de mim. – Papai! – Tornei a repetir.

-Queria que me chupasse. – Puxou meu corpo bruscamente pra perto do seu. – Que deixasse gozar na sua boca. O que acha?

-Se me fizer gozar somente com a boca, porque não? – Deito a cabeça pra trás no seu ombro e ele beija meu pescoço descendo uma das mãos até minha saia. – Sabe que o Kai estará lá, não é? Preocupa-se com isso?

-Sei, e não me preocupo. – Procuro virar-me de frente pra ele e passo o dedo pelos seus lábios. – Eu estou viajando com você, saindo com você, e não com o Kai.

-Isso quer dizer que...

-Pensem o que quiserem, falem o que quiserem o que eu tinha com o Kai ficou no passado! – Passo minhas mãos pelos seus cabelos.

Curiosamente eu não estava com nenhuma expectativa sobre o Kai estar lá. Acho que nosso encontro a sós foi bem explicativo e eu consegui ver que não sinto mais nada por ele além de um carinho enorme e uma amizade bem grande. Fomos o que fomos no passado, coisa que ficou lá atrás, agora somos o que somos, no nosso presente, e dele eu sei que Kai não será parte.

Não na parte afetiva romântica da minha vida.

Tiramos fotos quando aparecemos na sala, com todos juntos, com apenas eu, Bruno e Lana, e assim fomos intercalando as fotos para guardarmos recordações.

Bruno dirigiu na estrada mais longa em direção ao fliperama, somente para podermos dar uma olhada no mar. Estava lindo, diga-se de passagem. Àquela lua iluminava tudo e fazia aquela linda imensidão se transformar em algo brilhante. As ondas, mais altas a noite, quebravam antes mesmo de chegar perto da praia, naturalmente evitando qualquer catástrofe.

-Já estou sentindo o peso de ter que voltar pra casa e deixar, novamente, tudo pra trás. – Digo, passando a mão pela janela e ainda encarando a paisagem.

-É triste e dói, mas não vamos pensar nisso ainda. Estamos aqui há somente quatro dias não completos.

-Amanhã irei para a casa dos meus pais, passarei uns dias somente com eles. Ok?

-Vou ter que dormir sozinho? – Fez um beicinho lindo.

-É, vai ter que ser. Por uns dias somente. – Ajeito-me no banco e seguro a sua mão que está no câmbio.



Ele estacionou o carro em frente e ai já vimos a enorme diferença. Com certeza estava maior, haviam aumentado e tirado a cor amarela queimada e branca das paredes, e substituíram por azul e branco. O nome continuava o mesmo, mas aquele letreiro neon fraco mudou para um letreiro de luzes, mas LED.

Andei ao lado do Bruno, que guardava a chave no bolso e cuidava da sua roupa. Isso tudo seria para ver todos novamente ou para impressionar alguém?! Cuidei da minha rasteirinha e ajeitei a saia também.

Entramos pela porta dupla e a música já invadiu nossos ouvidos e os garçons passando por nós de patins. Como tudo estava reformado, cores vivas como sempre, e o bar continuava na frente e a porta dando para os fundos como o fliperama de jogos.

Recebemos um aceno de mãos esvoaçantes sinalizando onde estavam. Bruno deixou eu passar na frente e todos da mesa levantaram.

-Lea! – Rachel estava bem diferente, com cabelos loiros e curtos, com rosto mais redondo, porém o mesmo lindo corpo de sempre. – Meu Deus, que saudades! – Abraçou-me fortemente.

-Oh, meu Deus! – Tami bateu palminhas, ela estava tão... Diferente! Não parecia a mesma que era antes, nenhum pouco. – Nunca reconheceria você na rua, como você está linda.

-Obrigada, gente. – Abraço ela também e dou um beijo no rosto dos meninos, inclusive de Kai que estava sentado ao lado do Ryan e do Jack. – Jack, onde está seu cabelo loiro lambido? – O questiono e ele ri.

-Nosso cabelo passa a ser pertence do casal quando casamos. – Dá de ombros.

-Comunhão de bens! – Explicou Rae.

-Como? Vocês estão casados? – Está ai algo que eu nunca imaginaria.

-Não brinca! Eu nunca imaginei isso. – Bruno repete que se passava pela minha cabeça.

-Três anos. – Mostram suas alianças e dizem juntos. – Dois. – Corrige Jack.

-Três!

-Agora vamos a noite toda com isso. – Ryan balança a cabeça impaciente.

-E você não mudou nada! – O olho e automaticamente bato meus olhos em Kai, que me encara o tempo todo.

Por baixo da mesa, Bruno encontra minha perna e a chuta, não com muita força, mas chuta e eu o olho irritada, mas sem querer transparecer nada demais.

Pedimos alguns aperitivos e bebidas, comemorávamos e ríamos de como o tempo passou e as coisas mudaram demais. Falamos sobre a nossa vida fora da Ilha, de como foi no inicio e como está sendo agora. Todos babaram sob a foto da pequena Lana, e chegaram a perguntar sobre a mãe da criança, mas Bruno apenas fez questão de responder que era eu a mãe, e não quem pariu.

Falávamos de tudo que já fizemos e coisas proibidas. Falávamos até de como as pessoas estão hoje em dia, e recebemos elogios por estarmos lindos. Eu por manter um corpo legal e por meu rosto continuar “angelical”, e Bruno por ficar com cara de homem, o que gerou mais uma sessão de piadas.

-Mas naquela época fazíamos tudo que era proibido mesmo. – Jack dá de ombros.

-Inclusive festa na casa dos amigos enquanto os pais viajavam. – Rae se lembrou de quando seus pais viajaram para uma pequena cidade e nós aproveitamos para fazer uma festa em sua casa sem o seu consentimento.

Ela ficou braba por um tempo, depois curtiu a festa, e depois voltou a ficar brava conosco, mas levávamos tudo na brincadeira. Eram bons tempos!

-Ah, como as coisas mudam. – Ainda estava abismada em como Tami mudou nesses anos, e foi mudanças radicais.

-Mudam mesmo! – Rachel pega uma batatinha e põe na boca. – Eu nunca achei que fosse casar com o Jack.

-Já falei que não tem devolução. – Alertou.

-E eu nunca pensei que fosse ver vocês novamente, sabia? – Tami confessou.

-Eu pensei naquela época que Kai e Lea iriam casar, assim como nós! – Gesticulou a mão e Kai começou a rir.

-Todos nós pensamos. – Ryan pronunciou-se, bebendo dois goles escassos da bebida. – Combinavam tanto que nem pareciam reais.

-E nós éramos. – Kai falou baixinho. A perna do Bruno afastou-se um pouco da minha.

-Ao contrário de vocês, eu sempre achei que o Bruno e a Lea fossem acabar juntos. – Mexeu-se na cadeira, Rachel, que opinou sobre o que achava.

-Obrigada. – Disse Bruno. – Ainda vamos, não vamos, Lea? – Passou seu braço por cima do meu ombro e olhou nos meus olhos por alguns segundos que pareciam bem mais do que isso.

-Claro que vamos. Depende de você. – A lei da vida é que devemos receber provocações devolvendo com provocações.

-Voltaremos para o Havaí daqui uns anos casados. – Bruno virou-se para a mesa, com o braço ainda por cima de mim.

-Depois que ficar famoso. – Entiquei com ele, que ri e da um soco de leve no meu braço.

Pensei que ficaria um clima chato depois daquilo, mas Kai não disse nada e também não se acanhou. Eles falaram sobre uma namorada que Kai teve, e que de acordo com ele não teve muita importância. Ele nem havia comentado comigo sobre ela, que foi ela que o influenciou na carreira de professor e ele seguiu. Que bom que ele achou alguém que fosse legal assim com ele, mas fiquei pensando que o destino pode ser um pouquinho cruel com o coitado, afinal essa menina também largou dele por estar indo embora do Havaí. Brincamos que a próxima ele tem que amarrar nos pés da cama e não deixar ela sair nem de casa para não escapar.

Não entendo porque pessoas tão boas e legais – e lindas -, não conseguem alguém para compartilhar suas vidas. Ok, eu não tenho namorado, mas ele é um cara completo, e ainda um ótimo namorado.

Bruno permaneceu agarrado comigo desde a hora da pequena revelação da Rachel, suas mãos ficavam em meus ombros, ou em minha cintura, ou segurando uma das minhas. Não importava como, apenas que ele estivesse comigo. Sentia que aquilo, de certa forma, era para provocar o Kai, ou qualquer outra pessoa que me olhasse. Mas isso poderia ser da minha cabeça, afinal, eu também estava me aproveitando da situação para evitar que qualquer mulher olhasse para ele.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Capítulo 29


Meu corpo é sua festa baby
Ninguém foi convidado só você baby
Eu posso ir devagar agora
Diga-me o que você quer
(Body Party - Ciara)

Eleanor Pov's

Ainda estávamos em silêncio, talvez nenhum dos dois quisesse falar algo. Eu queria, queria poder bater nele por ser tão idiota e pensar que eu tivesse feito aquilo proposital, mas ao mesmo tempo achei lindo ele admitir que ficou meio esquisito quando falamos no Kai.

-Então... Você vai lá pra casa? - O silêncio é quebrado.

-Ah, não. - Puxo meu lábio para o lado, lamentando.

Bruno levanta da cama e estica a mão pra mim.

-Acompanha-me até a porta?

-Onde está a Lana? - O questiono.

-Deixei com a minha mãe, de qualquer forma ela ficaria com ela hoje se fossemos no luau.

-E se irmos? - Dou a ideia.

-Sinceramente? Hoje o dia foi bem puxado sem nem ser puxado, acho que queria ficar em casa mesmo.

-Minha mãe falou com você? - Ainda nem tínhamos saído do lugar.

-Falou, ela pensou que você tivesse saído comigo. - Dá um riso forçado. - Lea, preciso ir.

-Porque não fica? - Gesticulo para o quarto. - É pequeno, mas nós podemos nos ajeitar. Você disse que tinha desacostumado a dormir sozinho, bem, eu também. - Era impossível acostumar a dormir juntos sendo que faz somente dois dias seguidos que dormimos, mas ambos usamos a desculpa, então está tudo bem.

-Só se você me abraçar e dizer que me desculpa, e que está tudo bem, ok? - Ele abre os braços e eu me envolvo no seu abraço.

Seu corpo está quente, perto do meu fica uma fusão. Aquele perfume natural dele com o misto da sua colônia preferida... Isso faz ele ter um cheiro somente dele, gostoso de se sentir.

-Eu desculpo. - Largo minha cabeça no seu ombro. - Desculpa-me por ter dito aquilo. Nunca foi e nunca será minha intensão magoar você!

-Ah, pequena. - Afagou meus cabelos. - Eu desculpo você depois do combinado.

-Combinado?

-É, do anal!

-Nojento. - O bato, rindo perto do seu rosto.

Aproveito por estarmos assim, abraçados e juntinhos, e beijo a sua boca sem permissão. Eu deixei de beijar o Kai e eu sei por que, não ficaria me sentindo bem se o beijasse e depois acabasse beijando o Bruno. Seria completamente diferente.

-Você está cheirando a Kai! - Fez uma cara de repugna. - Como ele está?

-Bem. - Respondo, não tinha muito que falar.

-Ele tentou beijar você, ou ele está compromissado?

-Pediu um beijo, mas eu neguei. - Mexo na sua orelha, olhando em seus olhos. - Tinha algo que me fez pensar melhor.

-E o que era?

-Algo. - Dou de ombros, colando nossos lábios num longo selinho.

Bruno retirou a roupa e eu também. Ficamos somente com as roupas íntimas. Estávamos cansados, e ambos meio sonolentos, apenas nos abraçamos deitados e dormimos.

Não lembro com o que sonhei, mas sei que foi algo bom, e por ter ido dormir aliviada, acordei com um sorriso no rosto. É estranho brigar com alguém, parece que o mundo gira contra você, mas quando você fica bem e faz as pazes, parece que tudo volta ao normal.

Levanto com cuidado para não acorda-lo e vou até a janela tento aquele pequeno momento de reflexão. Para minha sorte meus pais haviam saído e a porta do meu quarto estava trancada. Eles sabiam que eu tinha chego porque toquei a chave por cima da mesa da cozinha, então eles sabem que está tudo bem.

Desço para a cozinha e preparo o café da manhã cantarolando.

-Quem deixou... - Fico o olhando, parando de cantar.

-O quê? - Pergunto.

-Você cantar? - Tapou os ouvidos, mesmo brincando, eu sei que pode ter um leve fundo de verdade, afinal se tem algo que eu não nasci é para cantar.

-Já começa incomodando essa hora? - Reviro os olhos.

-Eu incomodo, você gosta, acho que está tudo bem. - Sentou-se na mesa da cozinha. - O que está fazendo de bom?

-Panquecas.

-Hmmm. - Saboreou somente o cheiro. - Lea, estava pensando em algo!

-No que?

-Na minha casa nós nunca teremos oportunidade de ficarmos a sós... E aqui, seus pais passam o dia trabalhando, a casa fica sozinha, e hoje, por exemplo, estamos eu e você aqui, sem a Lana, sem ninguém para atrapalhar...

-Onde quer chegar?! - Sei que é algo sobre sexo, porque tenho quase certeza disso?

-Nós estamos a tempo tentando fazer aquilo, poderia ser hoje, sim?

-As coisas estão na sua casa. - Rebato rapidamente.

-Não tem problema! Eu passo lá em casa para avisar minha mãe que iremos chegar de tardezinha, vejo minha princesa, pego as coisas e volto.

-Bruno. - Balanço a cabeça, com um riso frouxo. - Você tem umas ideias, que nossa!

-Vai dizer que não é uma ideia maravilhosa?

-Pra você? Sim! Tenho que me preparar.

-Você vai mandar bem, eu não estou nem preocupado com isso. E eu vou deixar você bem a vontade. - Saiu da cadeira, chegando perto do meu corpo e respirando próximo ao meu pescoço.


Uma da tarde quando entrei para o banho. Bruno foi embora assim que deu meio dia, disse que iria almoçar com a mãe dele, e eu fui, novamente, esquentar a comida da minha mãe.

Lavava meu corpo, passando a esponja bem recheada de espuma por toda a extensão da pele. Cuidava com os mínimos detalhes, e nas pernas fiquei por mais tempo. Lavei minhas partes íntimas, e já fui me preparando para o possível choque. Uma vez quando Megan disse que havia experimentado, todos haviam feito a caveira para ela, dizendo que doía demais, e que ela não aguentaria muito tempo. Megan disse que doeu, que foi difícil, mas na segunda vez que tentaram, foi prazeroso e gostoso. Sinto que comigo pode ser dessa forma, afinal, anal deve ser o tipo de coisa que, ou você ama fazer ou você odeia.

Ao vestir a lingerie - a única que trouxe para a casa da minha mãe -, fiquei me olhando no espelho. Larguei os braços ao lado do corpo ficando com minha postura normal. Olhei-me de frente, de lado, de costas, e fiz uma coisa que sempre tive curiosidade. Ainda de costas pro espelho, abaixei-me ficando com a bunda empinada, e olhei por entre minhas pernas. Queria saber o que tinha demais nessa visão para os homens, que eles tanto amam. E realmente, pensando como um, é bem bonito e tentador.

Entrei no quarto dos meus pais, pegando no porta-cabides um hobby na cor branca. O envolvi no meu corpo, prendi meu cabelo e desci para a sala. Fechei as janelas que tinha aberto antes e cuidei para as pessoas não perceberem que eu estava em casa. Vá que venha algum vizinho, serviço de cartas e entregas, não quero que nada atrapalhe, por isso vou pedir que Bruno deixei o carro na rua ao lado.

"Onde está? Deixe o carro na rua ao lado, para as pessoas não verem que tem gente aqui em casa. Estou te esperando! Dê um beijo na minha pequena e diga que estou com saudades."

É estranho ficar sem ver a Lana por pelo menos um dia. Estou acostumada a ficar com ela por muito tempo, trocando fraldas, dando mamá, colocando para dormir, apartando as cólicas, e tudo mais.

"Saindo de casa nesse exato momento. Lana está na piscina, precisa ver a felicidade da garota."

Sempre agradeci por ela não ser uma criança chata na hora de ir pro banho, de gostar de música e de ser quietinha. Claro, ela dá alguns choros impossíveis ás vezes, mas na maior parte do tempo ela é comportada. Não sei se é genético ou se é por criação, mas ela é bem entendida, mesmo com apenas meses.

Ouço o barulho do portão e corro para destrancar a porta. Bruno aparece com a mochila em mãos, de banho tomado, cheiroso e um sorriso maroto nos lábios.

-Que sorriso, até parece que vai ganhar algo hoje! - Comento, trancando a porta.

-E não vou? - Abre a mochila, tirando uma garrafa de champanhe. - Não é um dos melhores, longe disso, mas era o que tinha.

-Você é sádico. - Peguei a garrafa. - Ira brindar a minha dor.

-Meu prazer.

-Sádico, sente prazer em ver a dor dos outros. - Rio, enquanto pego as taças no armário.

-Metamorfo, prefiro dizer. Posso ser o que você quiser. - Colocou a mochila no ombro.

-Ok, metamorfo, vamos subir? - Indico a escada e ele vai na frente, parando na metade. Entendi a subjetividade de que era para eu ir na frente para ele me ver.

-Bela bunda. - Rio. - Não canso de dizer isso.

-Você tem uma tara incrível por ela, não?

-Não faz ideia. Amei você nesse roupão.

-Obrigada. - Abro a porta do quarto.

-Somente a luz do abajur, adoro. Posso gravar isso? Vou querer me masturbar com esse momento único.

-Sou a primeira virgindade que está tirando na vida, Bruno?

-De bunda? Sim. Mas minha primeira vez foi com uma menina virgem, e várias outras eram virgens.

-Várias outras... - Rio, pensando na grande quantia.

-Ok, talvez duas, três.

-Tem uma média de mulheres que já transou? - Entrego a garrafa para ele abrir.

-Quase 25, talvez!

-Não é tanto, pensei que fosse umas 100. - Dou de ombros e ele estoura a champanhe.

-A nós, ao anal, e ao sexo! - Disse, após servir-nos e batermos as taças.

-Ao sexo! - Repito. - Estou com a câmera na bolsa, acho que ela tem memória para gravar.

Não era má ideia, eu confio nele, sei que nunca iria fazer algo que me comprometesse, e seria até bom dar esse prazer a ele, e quem sabe para nós dois.

-Lea, - Bebeu um gole do seu champanhe. - eu falei aquilo por falar. Não quero que tenha sua privacidade arriscada somente para suprir meu prazer.

-Você não existe. - Observo seu rosto por uns segundos que parecem bem mais do que realmente foram.

-O dia que eu quiser bater uma, vou até seu quarto e peço uma calcinha, ou uma foto quem sabe, ou você dança pra mim. - Dá de ombros, se aproximando de mim. - Temos liberdade pra isso.

-Claro que temos. - Tomo o resto rapidamente e ponho ao lado da garrafa.

-Isso não é água.

-E o tempo é dinheiro! - Encosto no seu peito. - E prazer.

-Impressão minha ou está ansiosa?

-Quero sentir a sensação. - Levo minha mão até seu pau, sobre a bermuda jeans ele já parece começar a se animar. - Se é bom ao normal, deve ser maravilhoso fora do hábito.

-Como você me provoca. - Terminou de tomar num gole, assim como eu, e abraçou meu corpo, colocando a taça na penteadeira. - Eu quero te fazer gemer, gozar... - Me escorou na parede, levando meu corpo um pouco pra cima, encaixando-nos. - Pode doer, você sabe disso, mas quero que me avise se tiver demais ou se algum momento eu ir rápido demais e machucar.

-Confio que irá ser gostoso, assim como é toda e qualquer parte. - Beijo sua bochecha, descendo para o seu pescoço. - Senta na cama.

Bruno andou pra trás, caindo na cama e logo se ajeitando. A minha lingerie não era uma das melhores, nem a mais nova, mas era a única que eu tinha por ali. Puxei a fita do hobby, ajeitando os ombros e deixando-o deslizar pelo corpo e cair diretamente no chão. Abro o sutiã e tiro um pedaço da calcinha. Deixo com que, enquanto mexo minhas pernas para a calcinha sair, o sutiã caia no chão também. Viro-me de costas fazendo a mesma pose que fiz no espelho àquela hora e tirando a calcinha.

-Assim é covardia. - Ouço-o falar.

-Vai me foder assim? - Pergunto. - Vai me pôr de quatro e foder com vontade? - Mexo minha bunda e o ouço fisgar.

-Vou deixar você assada, se precisar! - Gemo baixinho mordendo os lábios e voltando a posição normal.

Caminho em sua direção e ele se ajeita, jogando-se para trás. Sento no seu colo e sinto o jeans raspar na minha intimidade, o volume bem iminente.

-Será que consegue duas vezes seguida?

-Até três. - Puxou meus lábios com seus dentes e passou a mão pelas minhas costas.

Inclinei-me sobre o seu corpo, deixando minha bunda um pouco pra cima. Bruno passou as mãos, apertou minhas nádegas, beijou-me com força e pouco a pouco foi passando o dedo pela entrada da minha boceta. Gemi, puxando seus cabelos. Ele muda, passando agora pela minha outra entrada, enfiando todo seu dedo no buraco super apertado.

-Vai ser difícil. - Comenta.

-Não impossível.

Quase sempre ele colocava um dedo ali, até já tinha me acostumado, mas apenas com o seu dedo. Toquei meu corpo para o lado e esperei que ele tirasse a sua roupa. Fiquei passeando meus dedos pelo meu corpo enquanto o observava tirar tudo. Bruno aproveitou para pegar a camisinha e o KY na mochila. Tocou ambos na cama e apoiou-se com os braços na cama, beijando meu rosto.

Acariciei seu pau com minhas mãos, mexendo nas suas bolas e o deixando confortável. Abri um pouco minhas pernas e quis sentir uma sensação diferente. Passei os dedos pela minha intimidade molhada e os passei em volta do seu pênis, Bruno arfou e continuou a chupar meu pescoço de modo que não ficasse nenhuma marca. Pedi que ele se aproximasse mais e tentei encaixar-me com seu corpo, posicionando seu pau na entrada da minha boceta.

-Sem camisinha? - Arqueou a sobrancelha.

-Somente quero sentir rapidamente como é você sem aquela borracha em volta.

Bruno ajudou-me, se ajeitando melhor sobre o meu corpo e enfiando pouco a pouco seu pênis em mim. Gemi querendo me concentrar em cada pequeno detalhe daquilo. Podia sentir ele quente e bem duro, é completamente diferente do que estar com camisinha, e ele é o primeiro com quem tento isso - nem mesmo com o Kai chegamos a fazer sem camisinha, éramos jovens e ambos com medo de que algo desse errado.

Fomos, pouco a pouco, aumentando a velocidade. Ele já estava se acostumando a estar assim dentro de mim, e bem, eu estava adorando, mas ainda tinha um pouco de medo.

-Preciso da sua boca. - Disse enquanto fixava seus olhos nela.

Fiquei de quatro na cama chegando perto do seu corpo, agora estirado com as mãos atrás da cabeça. Mexi no seu pênis, em suas bolas, cuspi nele e o abocanhei podendo, ainda, sentir o meu gosto, que também é diferente do que quando senti na camisinha. Fazia os movimentos cada vez mais rápidos e tentava aprofundar mais e mais. Bruno segurou minha cabeça, empurrando-a contra seu pau, deixando com que ele quase me engasgasse.

-Meu Deus, Lea. - Gemeu. - Você me deixa louco!

-Me foda! - Peço, partindo para suas bolas. Beijo-as e chupo rapidamente, mexendo seu pau com as minhas mãos.

-Palavras mágicas! - Esticou a mão para o lado procurando as três camisinhas que havia pego. Colocou uma enquanto eu via bem de perto.

Pediu que eu sentasse no seu colo, e assim eu fiz. Encaixei-me direitinho já começando com os movimentos de sentar e levantar. Descia até o talo e sentia ele completamente dentro de mim. Admito que doía um pouco, era apertada e ele grosso, então tinha horas, como agora que estava até o talo, que sentia minha boceta se contrair mesmo sem eu querer.

Rebolei sobre o seu colo, gemendo e arranhando seu peito. Ele gemia baixinho, contido, revirava os olhos de prazer. Eu sabia que ele gostava dessa forma.

-Pronta? - Pergunta-me, mexendo em meus peitos.

-Sempre. - Respondo.

Tenho coragem, mas ainda sim tenho medo de sentir dor. Não sei o porquê, mas ouço tanto falar que dói que meu psicológico já está se preparando pra isso.

Levanto do seu colo e fico em pé, ele imita-me e fica ao meu lado. Pega o tubo nas mãos e o balança.

-Deita aqui. - Aponta para a cama. - Fica com o quadril bem na ponta.

Faço o que ele pede. O vejo se preparar, tirando a camisinha que usou em minha vagina e colocando outra, passando o gel lubrificante por toda a extensão e até em um dos seus dedos, melecando tudo. Quando o vi ficar a minha frente, abri minhas pernas com receio, olhando-o firmemente.

-Relaxe, ok? - Passou a mão pela cabeça do pau, e se abaixou em minha frente.

Bruno começou a passar a língua em minha boceta, deixando-me completamente molhada. Chupou e babou bastante até minha região anal, mexendo os dedos para coloca-los por ali. O dedo deslizou tranquilo, sem algum problema sequer, e ele voltou a chupar-me. Introduziu o segundo dedo, que senti um pouco mais.

-Bruno, vai logo. - Respirei fundo para criar coragem.

-Se doer demais e quiser parar, me avisa!

Fiquei calada esperando por ele, que ficou em minha frente passando o pênis por toda minha extensão molhada. Bruno pôs o pênis na entrada e acariciou meu clitóris. Ele forçou um pouquinho e automaticamente eu gemi, esperei que ele continuasse, mas ele parou um pouquinho e fez a mesma coisa. Por umas quatro vezes ele somente ameaçou, mas não tentou. Depois, quando finalmente ele empurrou seu pênis para dentro do meu anus, eu respirei por várias vezes seguido, gemendo.

Senti a pontinha entrar, e já estava feito. Gritei de dor, e puxei meu corpo.

-Hey, relaxa. - Passou a mão na minha perna. - Eu estou indo com calma.

-Isso dói. - Fecho os olhos.

-Me dê à mão. - Volto para como estava antes e dou minha mão pra ele. - Pode apertar quando não aguentar a dor. Ok?

Joguei minha cabeça pra trás, talvez fosse melhor não ver isso. Bruno forçou mais um pouco e senti um pouco entrar. Amassei a sua mão, gritando, mas ao mesmo tempo não querendo gritar. Doía, e doía demais, não era pouco, talvez suportável por eu estar com muita vontade. Concentrei-me no momento e não na dor, pensei no bem que estava fazendo ao nosso sexo, e uni meus dedos com os seus. Vejo seu sorriso e me desconcentro de qualquer pensamento.

Bruno gemeu e eu gritei, quando agora sua cabeça estava dentro de mim. Ele se movimentava devagar e eu ia contraindo meu corpo. Com a mão desocupada, apertei meus seios, procurando prazer.

Ele ia aumentando os movimentos conforme aumentava a quantidade que enfiava pra dentro de mim. Meus olhos se enchiam de lágrimas... Não é a palavra certa, eram apenas águas, porque eu não estava sentindo a mesma dor forte do inicio, era uma coisa mais incômoda, umas contrações na região anal conforme ele fazia os movimentos de vai e vem. Procurei lembrar coisas que me excitavam, principalmente quando ele fazia algumas danças que continham partes onde ele mexia muito bem com o quadril.

Em algum momento eu gemi alto, e fui empurrando o corpo pra trás e Bruno foi vindo junto do meu, por cima de mim. Desunimos nossas mãos e aproveitei para acariciar seu cabelo.

-Quer parar? - Sua voz estava levemente rouca. - Me avisa!

-Está tudo bem. - A minha mal saía.

-Você é tão gostosa. - Beijou meu pescoço e meus lábios, mordendo levemente a pontinha das minhas orelhas. - É tão apertado aqui!

-Não garanto nada após isso. - Riu em meio a dor-não-dor.

-Vai estar acostumada comigo.

Preferi que mudássemos de posição. Pedi para cavalgar no seu colo e ele aceitou na hora. Pus um pouco mais de gel em seu pênis e sentei-me com cuidado sobre ele, colocando pouco a pouco do que podia suportar dentro de mim. Não parava de gemer um segundo sequer, estava gostoso, claro, mas era dolorido, era estranho.

Travei em certa altura e ali fiquei apenas rebolando. Quando inventei de subir e descer, foi a pior parte. Acho que não estava pronta pra isso, então meu corpo reclamou do entra e sai do pênis dele e começou a doer fortemente. Choraminguei e parei. Bruno apenas passou a mão nos meus braços esperando o meu tempo.

-Tudo bem, vamos parar por aqui.

-Não vou parar, quero continuar! - Disse, resistindo bravamente e voltando a fazer o mesmo movimento. - Quero você. - Resmunguei em meio de tantos gemidos.

-Você me tem!

Não poderia durar muito tempo daquela forma, logo ele já anunciou estar bem farto e precisar foder livremente. Fiquei de quatro para que ele pudesse ter o livre arbítrio de ir e vir dentro da minha boceta. Meu anus piscava, eram apenas fisgadas de dores leves agora.

Como ele tinha tirado a camisinha que usou no meu anus, e estava sem, quando viu que ia gozar, pôs a outra camisinha e fodeu-me fortemente. Estocadas rápidas e firmes, fortes e fundas, indo bem além. Empurro meu corpo contra o seu quando vejo que ele iria gozar e gemo alto juntamente ao seu gemido.

Saio do seu corpo e ele retira a camisinha, dando um nó e jogando no chão junto com as outras.

Atiramo-nos na cama, lado a lado e ele põe seu braço sobre o meu corpo, beijando meu ombro.

-Obrigada por fazer isso por mim.

-Fiz por nós dois. - Sorrio, virando o rosto em sua direção. - Obrigada por respeitar os limites e ter sido carinhoso! Com certeza não esquecerei isso!

-Posso imaginar o quão foi difícil, esse era o mínimo que eu poderia fazer.

Beijo seus lábios diferentemente das outras vezes. Com calma, serenidade, apenas querendo agradecer por ser gentil e por ter me dado uma ótima experiência.

-Agora essa bunda me pertence. - Ele tenta por a mão por baixo do meu corpo.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Capítulo 28



Apareci no pátio onde todos estavam, as meninas já queriam levar a Lana para a água, mas Bruno dizia que não, porque não era bom pra ela. Claro que elas sabiam, Jaime tinha filhos e as outras não são burras ao ponto disso.

Já passava das sete quando Bernie começou a fazer a comida. Meus pais ligaram, dizendo que não poderiam ir ali porque estariam trabalhando, mas que eu aproveitasse. Fiquei na minha, quieta, por um bom tempo. Evitei de pensar no Bruno, e em coisas que me deixassem mais tristes, mas era um pouco impossível. Ainda queria entender o porquê de tanta revolta. Justamente hoje? Aqui?

Tento desviar meus pensamentos para o Kai. Como será que estão os pais dele? Os irmãos? Como será que ele está? Ainda continua bonito, ou simplesmente mudou como a Laila? Minha curiosidade batia fortemente. E o fliperama? Será que ainda existe?

-O que faz aqui? Esclusa de todos nós. - Tiara sentou ao meu lado.

-Pensando um pouco. É bom estar aqui novamente, mas muitas coisas mudaram.

-E eu posso perguntar o que mudou entre você e o Bruno? - Por momentos tinha até esquecido do que ela viu pela manhã.

Dou um sorriso de meia boca.

-Eu estava um pouco alterada.

-Você?

-É. - Pendo minha cabeça para o lado. - Exaltei-me com ele, e ele ficou bravo, com razão.

-Não foi isso que aconteceu! Ele pode estar brabo com você, mas não que você tenha feito algo.

-Acredite, foi!

-Tudo bem. Eu conheço meu irmão, você conhece seu melhor amigo barra sei-lá-o-que. Bruno é orgulhoso demais para pedir desculpas, então tente fazer algo mais tarde se não quiser ficar com esse clima chato.

-Obrigada.

Infelizmente, eu também sou orgulhosa. Felizmente, eu sei medir todas as consequências dos meus atos, e sei quando devo dar o braço a torcer.

Estrategicamente após a janta, entro no quarto e espero que ele volte do banheiro. Lana estava sendo paparicada pelos avós, então tinha tempo de conversar com ele e resolver essa situação.

-Que susto. - Ele entra com uma toalha envolva ao seu quadril.

-Sou tão feia? - Tento melhorar seu humor, mas ele mal dá um sorriso. Seu rosto permanece sério, e isso está me incomodando profundamente. - Bruno?

-Uh?

-Desculpe se você ficou bravo pelo que falei. Eu juro que não foi pra você, eu apenas estava comentando sobre ela, não medi as palavras.

-Eu não quero saber, Lea, então poupa o seu tempo falando. - Nunca o vi assim. Fico me questionando se o real motivo disso tudo é apenas esse erro que tive ao comentar sobre a Laila.

-Me dói ver você sorrir pra todos, conversar com todos, e comigo estar sendo assim. - Encho meus olhos de lágrimas, mas não vou as deixar caírem. - Desculpa estragar tudo.

-Posso me trocar?

-Fica a vontade. - Dou de ombros, passando por ele e saindo do quarto.

Uso a porta dos fundos para sair no pátio. Observei o jardim da Bernie que ela tanto zela, e sentei-me em uma das cadeiras de praia. Olho para a água da piscina e escuto o barulho do mar, do vento, dos cachorros dos vizinhos latindo, e até de insetos. Tento me focar em tudo, menos nele, menos no que aconteceu que até agora estou devendo para meus pensamentos.

Espero que todos se estabilizem em seus quartos, e entro no do Bruno. Lana estava sobre o seu corpo, ele batendo de leve em sua bundinha, ninando-a. Cena graciosa de se ver por horas a fio.

Pego uma muda de roupa e saio do quarto, indo para o banheiro. Tomo meu banho rápido, troco-me e volto ao quarto.

Bruno estava esparramado na cama, como se ninguém fosse dormir ali. Chegava a ter a respiração pesada, um sono bem profundo.

Não iria atrapalhar mais.

Olho no relógio da sala poderia ir para a casa dos meus pais, mas é um pouco longe daqui, não tenho como ir e nem como pegar o carro. Desisto de tentar algo e me alojo no sofá da sala, colocando uma almofada e puxando a colcha de crochê, que cobre e enfeita a guarda, para tapar-me.


-Lea. - Alguém balança meu braço, estou gelada do vento da noite. - Lea?!

-Uh? - Respondo ainda de olhos fechados. Abro-os pouco a pouco e vejo Tahiti, ela sorri pra mim. - Bom dia.

-Bom dia. Olha, eu e minhas irmãs temos uma sessão agora, Presley vai junto, então fique no meu quarto. Durma lá, ainda é cedo e você está gelada.

-Obrigada. - Dou um sorriso e um beijo na sua bochecha.

Aproveitei que acordei cedo e peguei a roupa no quarto do Bruno. Ele dormia encolhido na cama, parecendo estar com frio, ou não sei. Tomo meu banho, arrumando-me no banheiro mesmo. Despeço-me da minha pequena, com um beijo na bochecha quente e gordinha. Pego minha bolsa com minhas coisas mais importantes e saio da casa do Bruno.

Estava o tempo todo pilhada, pensando no que tinha acontecido. Eu odeio brigar com as pessoas, odeio mais ainda brigar com o Bruno, principalmente quando nem um motivo concreto se tem. Ok, eu entendo que ele tenha ficado bravo, e que talvez eu tenha exagerado no que disse, mas não é pra ficar dessa forma, eu pedi desculpas diversas vezes, mas não vou criar rugas de preocupação por isso.

Peguei um café numa padaria qualquer e passei no serviço da minha mãe para pedir a chave de casa.

Entrei naquela casa com as mesmas coisas que tinha há tempos atrás, lugares diferentes e alguns móveis novos. A poltrona continuava a mesma e o cheirinho de casa era ainda aquele aroma delicioso impossível de esquecer. Subo até o andar de cima, visitando o antigo quarto da minha irmã, que está diferente do que era quando ela saiu. Talvez por ela ir mais seguido a casa dos meus pais ela tenha reformado.

Abri meu quarto, que continuava o mesmo desde quando sai. A cama protegida por um plástico, talvez para a poeira não estragar, e tudo bem limpinho. Meus quadros, minha penteadeira, tudo, exatamente tudo, ainda estava ali.

Matei um pouco a saudades de tudo, principalmente quando chegou a hora do almoço e eu esquentei a comida que estava na geladeira. Como eu sentia falta da comida da minha mãe, dos temperos que meu pai inventava para suas pizzas... Estar em casa é bom, nostálgico, mas bom!

Foi vendo televisão que eu decidi que iria sair, iria até minha antiga escola e iria procurar o Kai. Queria vê-lo, falar com ele, matar a saudades do meu, acima de qualquer coisa, amigo.

Entrei pelo portão da frente, passando pelo corredor, olhando alguns prêmios expostos e alguns alunos destaques. Classe de 2003, formandos... Eu estava ali! Minha assinatura, recém-formada, estava ali. Fico como boba olhando como tudo mudou, quanto tempo se passou.

Procuro por pessoas que conheci funcionários, e acho duas professoras e o antigo zelador, que continuava por ali. Pedi que me dessem o paradeiro do Kai, e elas disseram que ele estava no ginásio com uma turma.

Abro a porta e fico por um tempo vendo somente a turma fazer o exercício. Alguns me olhavam, curiosos, por saber de quem eu tratava ser. Meus olhos ficaram a todo o momento procurando ele, até vê-lo com uma camiseta branca, um short azul escuro da Adidas, cabelos curtos e negros, corpo definido, e o rosto... Esse aparentemente continuava o mesmo de anos atrás.

-Com licença. - Falei, depois que ele mandou a turma fazer outra coisa.

-Oi... Lea? - Abriu um sorriso enorme quando me viu. - Lea, é você?

-Kai! Sim, sou eu. - Ficamos frente a frente e nos abraçamos fortemente.

-Você voltou? Você está aqui. Meu Deus. - Segurou minha mão, fazendo-me dar uma volta, e olhou de cima a baixo. - Você está linda. O tempo só lhe fez bem!

-Que isso, obrigada. - Minhas bochechas coram. Seguro a sua mão enquanto sorrio para o seu sorriso. - Você está ótimo.

-E aí, vamos sentar, por favor.

Sentamos na arquibancada e ele mandou a turma continuar a fazer os exercícios ao invés de cuidar o que ele estava fazendo.

-Voltou pro Havaí?

-Por duas semanas. - Balanço a cabeça. - Califórnia é o meu lugar.

-Havaí é sua casa. - Completou meu pensamento.

-Exato! Mas e como anda a vida?

-Bem, tudo andando nos conformes. Como soube que eu estava aqui?

-Laila, encontrei com ela ontem.

-E ela nem comentou comigo. - Riu baixinho. - Que bom que lembrou de mim.

-Kai, impossível é esquecer. - Disse, no bom sentido. Como iria esquecer a minha primeira paixão? Nenhuma garota esquece disso.

-E o que faz lá?

-Sou corretora de imóveis, e antes que pergunte, foi o que eu quis pra minha vida. Mesmo não tendo nenhum sonho de profissão, essa conquistou-me de um jeito incrível.

-Bom saber, quero me mudar.

-Posso te mostrar qualquer casa de Los Angeles e região. - Embalo-me para o seu lado.

-Pena que, diferente de você, o Havaí é o meu lugar.

Conversamos pouco. As coisas não eram mais as mesmas por ali, agora os professores não tinham a liberdade de sair de aula para papear como alguns faziam antes, há inspetores cuidando isso, então ele me deu seu número e combinamos de nos encontrar a noite, num barzinho que ele gosta de ir.

Mandei uma mensagem para a Tiara perguntando onde ela estava.

"Estamos em casa já. Onde você está?"

Ataco o ônibus e subo nele, na direção da casa do Bruno. Tenho que pegar minhas coisas para me arrumar.

"Fui dar uma volta, estou indo ai. Aliás, não irei ao luau hoje à noite. Tenho compromisso :p"

"Você já está marcando encontros pelo Havaí? Bruno não gostará de saber disso... Queria que você fosse, boba!"

"Eu não estou nem aí! E não vai faltar oportunidade, podemos ir em outro."


O que não faltaria é tempo para irmos em luaus. Podemos aproveitar o tempo que quisermos, a hora que quisermos, menos hoje.

Cheguei a casa e quem me atendeu foi a Presley. Dei oi para todos que estavam por ali, papariquei por alguns segundos a pequena princesa e fui atrás das minhas roupas. Bruno estava na sala, não sei se viu quando entrei, mas sinceramente, nada abalaria meu ótimo humor, nem mesmo essa briga atoa.

Ponho uma muda de roupa para a noite e um pijama dentro da minha bolsa, dormiria na casa dos meus pais e amanhã voltaria pra cá, caso quisesse.

-Dormiu na casa dos seus pais? - Ouvi sua voz e toda aquela pose de "não estar nem aí" sumiu.

-Dormi na sala, pela manhã fui pra lá.

-Porque não ficou aqui?

-Não tinha espaço pra mim na cama. - Dobro a última peça de roupa.

-Uh... Irá sair?

-Sim! Vou encontrar o Kai. - Digo, colocando a bolsa no ombro.

-Legal, vou ir junto! Faz tempo que não o vejo. - Fingir que nada aconteceu não irá colar, Bruno, pode ter certeza.

-Ele está trabalhando na minha antiga escola, se quiser ir lá para vê-lo... Hoje a noite vamos somente eu e ele. - Paro na porta, esperando que ele fale algo. - Onde está meu Resse's?

-Na geladeira. - Diz, desanimado.

-Obrigada. Boa tarde, Bruno!

Meu coração estava completamente despedaçado. Ele é meu melhor amigo, eu odeio brigar com ele, sinto-me uma idiota, e agora sinto mais ainda por ser uma idiota que sente culpa quando na verdade não tem culpa nenhuma. Bipolar imbecil!


Ria livremente e relembrava os tempos, como há tempos não fazia. Fico pensando no porque eu chorava de saudades dele, e agora eu sei, porque o Kai é um homem especial. Ele faz-nos sentirmos especiais, e agora eu entendo o porque sempre fui apaixonada por ele quando adolescente e o quanto sofri quando fui embora.

E se eu tivesse ficado? Seria completamente diferente, é claro, mas eu estaria junto dele?

Tomo um gole da bebida que pedi e ele põe a mão sobre a minha. Meu corpo todo gelou.

-Você está cada vez mais bonita. E desculpe, mas não posso deixar de notar seu corpo... Está espetacular.

-Chega um momento da vida que você tem que se decidir: ou se entrega, ou malha para deixar tudo no lugar... No momento estou me entregando. - Ele ri enquanto eu beberico a bebida.

-Veio sozinha?

-Vim com o Bruno. Moramos juntos lá.

-Ah. E vocês... estão namorando? Você não me falou sobre sua vida afetiva.

-Uh. - Respiro fundo. - Não tenho namorado.

-Eu também não. Não pode ser coincidência. - Seu sorriso continuava o mesmo.

Kai levou-me para casa, com seu carro. Abriu a porta para que eu descesse e ficou perto de mim.

-Posso? - Encostou de leve no meu queixo, puxou-o devagar.

Fitava seus olhos e lembrava somente de que isso não seria o correto. Eu acho... eu acho que não estou com vontade de beija-lo.

-Melhor não. - Dou um meio sorriso esperando que ele entenda.

Me despeço dele e digo que antes de eu ir embora o procuro para me despedir. Kai foi embora e eu entrei em casa. Meus pais já estavam dormindo, mas a luz do corredor estava acessa, que amores, lembraram de mim.

Bruno Pov's

Tinha largado a Lana em casa com minha mãe e avisei que iria sair. Não disse se voltaria hoje mesmo, apenas peguei o carro do meu pai e sai. Falei com a mãe da Lea e pedi para esperar ela no quarto, e ela aproveitou para falar que achava que Lea tinha saído comigo.

Esperei enquanto rabiscava um caderno, com alguns versos, coisas desconexas.

Ela abre a porta e leva a mão no peito, soltando o ar do peito. Fecha os olhos ao mesmo tempo que fecha a porta. O quarto estava iluminado apenas por um abajur velho e empoeirado.

-O que faz aqui? - Pergunta, sendo direta, largando a bolsa sobre a penteadeira.

-Não consigo dormir sozinho. - Levanto. - Me acostumei a dormir com você.

-Não parecia ontem! - Rebateu, bem feito pra mim!

-Hey, Lea, eu sinto muito, ok? Eu não queria ficar daquele jeito, eu juro. - Ela vira-se, olhando-me de soslaio. Não entendo o que ela quer dizer.

-Porque ficou com tanta raiva de mim?

O que eu falaria? Que eu estava saturado de ouvir o nome do Kai e que aquilo que ela falou eu realmente havia pensado que era uma indireta pra mim? Ou falo que fui um idiota e que errei? Porque teria que falar as duas coisas.

-É complicado. - Passo a mão no cabelo e ela ri.

-Eu quero que me responda, Bruno! Eu estou cansada de você nunca dizer o porquê fica assim. Eu não sou uma boneca!

-Ok. - Tomo coragem. Sento na cama e já sinto meu rosto pegar fogo. Que porra é essa? - Eu estava chateado por falar do Kai, então quando falou aquilo eu realmente achei que fosse uma indireta, me perdoa.

Não ouço nada além do seu silêncio. Droga, hein!

Eleanor senta ao meu lado, relaxando os ombros.

-Você o beijou? - Ela não riu, não ficou vermelha, não esboçou nenhuma reação, nem mesmo a resposta. - Lea, você e o Kai se beijaram?

-Não. - Foi direta. - Mas se tivesse beijado, não importaria, nós não temos nada sério.

Estalo o pescoço.

-Eu sei, mas estou feliz por não ter feito isso. - Pego a sua mão. Viro meu corpo na medida do possível para o seu lado. - Só quero que me perdoe, eu não sei o que aconteceu, mas vai passar, vai melhorar. Ok?

-Eu odeio brigar com você!

sábado, 8 de agosto de 2015

Capítulo 27



Bruno Pov's 

Uma maldita voz me acorda de manhã. Não entendi o que ela disse, e nem consegui ver quem era, mas ficou parada na porta durante um bom tempo. Esfrego meus olhos levemente e vejo que parte do corpo nu da Lea estava aparecendo, estava quase enroscado no seu corpo, nossas peles estavam se aquecendo durante a noite toda, na porta está Tiara, nos olhando com uma expressão bem surpresa.

Cubro o corpo da Lea ligeiramente.

-Tiara, vamos, saia! - Peço, falando baixinho.

-Bruno... - Ela ri, pondo a mão na boca. - Ok. Vamos descer, mamãe mandou chamar.

-O que ela quer às... - Procuro o relógio da minha parede, mas não acho. Talvez porque eu não esteja na minha casa.

-Nove da manhã. - Respondeu, prendendo o riso.

-É, tanto faz. Depois eu desço, vamos Tiara! Saia daqui. - Quero gritar, mas contenho para não acordar as meninas.

-A noite foi boa, hein. - Com o pé ela aponta para as roupas que estão espalhadas. Meu rosto fica pelando de quente.

-Deixe a Lea e a Lana dormir. - Levanto da cama, cobrindo minhas partes com a camisa que estava no chão. Vou até a porta e tento empurrar.

-Vocês dormem juntos assim, sempre?

-Cala a boca, Tiara. Dê o fora daqui. - A situação estava cômica. - Minha privacidade, caramba.

-Se você se importasse com privacidade, teria trancado a porta, irmãozinho. - Riu, se escorando. -Meu irmão está com vergonha, que lindo. - Tentou apertar a minha bochecha, mas esquivei.

-Deixa de ser chata, Iara. - Chamo-a pelo apelido, tentando mais uma vez fechar a porta. - Deixe elas dormirem.

-Lana está com a mamãe, lá embaixo.

-O quê? - Arregalo os olhos. - Mamãe entrou aqui?

-Claro, e provavelmente ela viu o mesmo que eu!

-Ok, eu sou adulto, ela também, não tem porque esse alvoroço. - Tento concentra-me. - Tchau, Tiara. Eu já irei descer!

-Tudo bem... Mas, antes confesse! Vocês transaram?

-Não é meio óbvio. - Sinalizo para o quarto, e bem na hora Lea se mexe.

-Ok, mas faz quanto tempo?

-Essa entrevista é para revista cara ou jornaleco barato? Porque tem que marcar hora. - Fechei a porta a francesa, deixando-a no vácuo.

-Vou falar com você depois, pequeno Peter.

-Vai à merda! - Me aproximo da porta para falar.

Sento-me na cama, olhando para ela que dormia tão tranquilamente. Quando foi que eu imaginaria que um dia nós estaríamos assim, nesse grau de intimidade, além da amizade? Quando foi que eu pensei que nós estaríamos transando por todas as partes da casa, e ela sendo a mãe da Lana?! Ter sua melhor amiga como uma amizade colorida é uma boa ideia, principalmente quando nosso sexo é saudável acima de tudo. E gostoso!

Fala sério, vou ter a oportunidade de tirar a virgindade daquela bunda! Eu sou um puta cara sortudo.

Revirei a mala tirando uma roupa confortável para pôr. Por mais que todos queiram, hoje negarei ir a praia, quero passear pela cidade, e garanto que a Lea vai ser parceira para isso. Quero que minha filha conheça muito além do oceano.

Penteei meus cabelos, agora baixinhos, e pus um chapéu. Sentei ao lado da Lea e balancei seu braço.

-Acorda, manhosa. - Assopro seu rosto, e ela faz careta, virando para o outro lado. - Não adianta se esquivar. - Passo meu dedo pela sua orelha e ela ri. - Viu! Eu sempre ganho. Levante, Dona Bernie já nos chamou.

-Meu Deus, eu pensei que dormiria até tarde nas minhas férias. - Pôs a mão na cabeça, sentando na cama. - Bom dia. - Fechou os olhos por causa do sol que adentrava o quarto.

-Bom dia. - Sorri.

-Me dá café na cama. - Se tocou pra trás novamente. - Estou tão cansada.

-Que mordomia. Para de preguiça, levanta dessa cama. Vamos lá.

-Onde está a Lana?

-Hã... Uh, a minha mãe veio busca-la.

-Bruno! - Ela pôs a mão na cabeça. - Ela viu a gente nesse estado?

-Basicamente, você! Estava quase sem o lençol sobre seu corpo quando acordei a hora que a Tiara cham...

-Tiara? - Balançou a cabeça. - Agora elas sabem...

-Relaxa. - Dou de ombros. Não me importava se soubessem, desde que não fantasiassem.

-Difícil, né?! - Pulou da cama, prendendo o cabelo num coque todo errado somente para vestir a roupa.

Observo ela se vestir e vou para a cozinha um pouco antes dela. Dou bom dia para todos e aperto um pouco minha pequena, que comia um pedaço de mamão. Lana adora frutas, chás, é bem light, bem como a Lea, mas a diferença é quando ponho uma caixa de pizza na frente da Lea e um cesto de frutas, ela vai atacar a pizza. Mas tem o pequeno detalhe de que minha filha ainda não sabe o que é uma pizza, e vai amar descobrir.

Minha mãe lançava olhares, quando estávamos a sós, ou com ninguém olhando, de "eu sei o que vocês fizeram", mas em nenhum momento nos expôs. Nem ela, nem Tiara, e achei isso legal, elas respeitaram.

Mas, quando minha mãe foi para o jardim, inventou de levar a Lana, e eu acompanhei. Sabia que isso era um truque, mas eu sempre caio.

Ela estava em silêncio, apenas falando com as plantas e mostrando para a Lana, que, esfomeada, queria comer elas. Encantei-me por vê-la observar as florzinhas, e olhar admirada para tudo.

- Então, filho... - Ela espere que eu comece com o assunto. Dona Bernadette, a senhora está equivocada. - Finalmente.

-Finalmente?

-Lea e você! Achei lindo abrir a porta do quarto pela manhã e ver vocês dois.

-Minha privacidade foi por água abaixo. - Balanço a cabeça, com um riso bobo.

-Deixava a sua filha morrendo de fome? É isso que faz em casa?

-Está aí à prova do porque ela é magra. - Disse ironicamente. Lana não é magra, é bem fofinha.

-O fato é que vocês formam um belo casal.

-Sobre isso, mãe, melhor não falarmos nada. Não somos namorados.

-São o que?

-Amigos. Melhores amigos, que matam o desejo um do outro. - Era estranho falar isso pra minha mãe, mas além do Phil, pra quem mais poderia dizer isso?! Pra ela seria, no mínimo, estranho.

-Queria falar para a mãe dela. Não sabe como ela deseja que vocês dois fiquem juntos. Até o Frederich gostaria disso.

-Mamãe, vou abrir aquele pote de sorvete, ok? - Presley grita da porta.

-Tudo bem. - Responde tranquilamente.

- Mãe. - Olho-a, sério. - Não diga a eles. Ainda mais sem consultar a Lea antes. Nós...

- Vocês...? - Incentivou.

- Somos realmente só amigos. Estamos do mesmo jeito que estávamos alguns anos atrás.

- Vocês dormem sem roupa há quantos anos, meu filho?

- Mãe! - Rio, sentindo meu rosto esquentar. Realmente esse é o tipo de coisa que seria mais fácil conversar com meu pai. Mexo o bracinho de Lana. - Diz pra vovó que ela está sendo bem incomoda, L.

Mamãe pega na mão de Lana, brincando com ela.

- Não fuja do assunto. Diga-me. O que está havendo, exatamente, entre vocês?

- Mãe... - Rolo os olhos dramaticamente. - Nós estamos ficando. Continuamos nossa amizade. Lea não quer namorar. Ela gosta de ser solteira.

- E você?

- Eu o quê? - Arrumo o cabelo da minha filha, olhando de canto para ela.

- Quer namorar?

- Qual é, Dona Bernadette!

Ela tira uma flor da mão de Lana, que Lana tentava por na boca.

- Bruno. - Me olha seria.

- Mãe. - Rio novamente. - Estou bem como estou.

- Você é burro, filho?

- Mãe! - Eu gargalho. - Filha, olha pra isso. - Arregalo os olhos pra Lana, levantando-a na altura do meu rosto, e a bebê tenta morder meu nariz. - Não sou.

- Você está esperando o quê? Ela se interessar por mais alguém que coloque um anel no dedo dela?

Fico calado, olhando para o nada.

- Está esperando isso, Bruno? - Repete.

- Mãe... - Eu finalmente olho em seus olhos. - Eu e Lea estamos ótimos desse jeito. Moramos juntos e tudo mais... Além do mais, eu tenho a Lana. Quem em seus vinte e poucos poderia querer namorar alguém que já tem filho? Que não pode sair todos os dias, dar toda a atenção... - Beijo a cabecinha de Lana. - Coisa mais preciosa pra mim essa gordinha.

- Acha a Eleanor boa demais pra você? É isso?

- Não! Não. Eu só... Estamos bem como estamos, mãe.

- Escute o que eu digo. - Ela olha pra mim com carinho. - Você e a Lea... São uma família. Você precisa mostrar pra ela que quer algo mais sério. Antes que ela arrume outro alguém.

Eu sorrio, sem graça.

- Ainda sou muito novo para isso, mamãe.

- Ah, Bruno, não me venha com essa. Eu escuto isso desde que você aprendeu a falar.

Passo um braço por seus ombros, rindo.

- Vamos falar de música?

Ela ainda resmunga um "Depois diga que foi falta de aviso", no mesmo tom que eu costumo resmungar.

Falei para ela todos meus planos, sobre tudo o que acontece no estúdio, todas as pessoas que conheci e estou conhecendo, e que tudo que eu sonhei irá se tornar realidade, mais cedo possível. Eu sei disso, sinto isso, e de certa forma ela sabe que é verdade.

Aprendi a confiar mais em mim depois de tantas vezes que chorei nos ombros da Eleanor, dizendo que nada daria certo.


Apesar da melhor maneira de se andar no Havaí seja a pé, nós pegamos o carro para nos guiarmos. Lana está pesada para passar tanto tempo no colo, e mesmo com o pequeno carrinho de passeio, uma hora cansaríamos de empurrar, então fomos até uma das ruas mais movimentadas da ilha, estacionamos o carro do meu pai e andamos em algumas lojas.

Lea estava enchendo uma pequena sacola de presentinhos para ela, para a Lana, e algumas lembrancinhas para o pessoal da Califórnia. Lana estava acordada, e batia um papo sozinha, rindo e apertando os olhinhos quando uma fresta de sol batia no seu rostinho. Doce e linda, minha pequena.

-Quero entrar naquela loja. - Apontei para a loja no outro lado da rua. - Adorei aquela camisa.

-Que estampa mais... - Tentou achar uma palavra menos agressiva e que não me machucaria tanto, no mínimo.

-Estranha?

-Também! - Arqueou uma única sobrancelha, pegando o carrinho das minhas mãos. - Pense que você é Havaiano, pode usar essas estampas sem ninguém te julgar. - Dá de ombros.

-Vamos, venha. - Vou atravessando em frente e ela vem em seguido com a pequena no carrinho. - Eu seguro. - Pego a sacola de suas mãos.

-Obrigada. - Agradece a mim.

Entro na loja seguido da Eleanor. Experimento duas camisas e uma bermuda, mas acabo ficando somente com uma das camisas, uma regata verde com estampa. Assim que saímos, Lea reclama de estar com algo lhe incomodando por baixo do calçado, ajudo-a a ver o que era, e apenas uma pequena pedrinha que havia cravado no solado.

A tarde estava chegando na metade-final quando decidimos ir ao supermercado abastecer o estoque de besteiras para comer a noite, e no dia, e em qualquer outro horário!

Pego o carrinho com acento para crianças e deixamos o carrinho de passeio no carro.

Eleanor Pov's 

Bruno carregou o carrinho com a Lana enquanto eu ia pegando o que queríamos.

-Pegue aquela pipoca. - Sinaliza para a de bacon. - E aquela também. - Uma de caramelo.

-Vou voltar pra Los Angeles pesando 200kg. - Reviro os olhos, colocando as pipocas no carrinho.

-Vai emagrecer, então?

-Você deveria fazer o mesmo. O que acha? - Entro na sua brincadeira.

-Sua mãe é um lixo de pessoa. - Me difama para Lana, que olha pra ele fazendo mais um dos grunhidos que tanto amo. Ela está começando a formar pequenas silabas, mais um puxão de ensinamentos e ela começa a falar.

-Não minta pra ela. - Bato no braço do Bruno. - Seu pai é um broxa. - Ela me olha, curiosa.

-Nossa, que xingamento horrível! Vou ligar para minha mãe e dizer que está me ofendendo. - Tira uma onda com a minha cara.

Murro seu braço mais uma vez, recebendo outro soco de leve, e gargalhamos. Saímos daquele corredor conversando e rindo, procurando mais coisas para comprarmos.

-Bruno? - Ouço uma voz familiar. - Eleanor? - Viro-me de costas.

Vejo Laila, completamente diferente do que eu pudesse imaginar, com um pequeno bebê nos braços e uma menina, que se esconde atrás de suas pernas. Observo-a completamente diferente.

-Laila? - Sorrio indo ao seu encontro. - Como está? - Beijo seu rosto num abraço rápido.

-Muito bem.

-Oi, Laila. - Bruno a cumprimenta.

-Estão morando aqui? - Brilha seus olhos olhando para mim e para ele, até para a Lana no carrinho.

-Não, estamos na Califórnia. Só viemos passar as férias aqui. - Respondo, dando um sorriso gracioso.

-E essa pequena, quem é?

-Lana. - Bruno balança sua perninha.

-Filha de vocês? Que beleza! Nunca pensei que isso pudesse acontecer.

Solto um riso sem graça, e ele fica me encarando.

-Não, ela é filha somente do Bruno! - Ergo os braços.

-Que maravilha. Ela é linda!

-Obrigada. - Responde com total orgulho.

-Esses são meus! Sarah, dê oi para eles, filha. - A menina se esconde mais uma vez nas pernas dela, somente espiando nós como se fossemos as piores pessoas possíveis. Deu meio sorriso, morrendo de vergonha. - Ela é tímida demais, e esse é meu pequeno, que já está enorme, Ray.

-Que lindos! Está casada? - Claro que perguntei isso ao reparar a aliança em sua mão.

-Sim! Casei um ano após nossa formatura. Nós nunca mais nos falamos, senti muitas saudades. - Pareceu ser sincera. Dou licença para um homem passar com o carrinho e grudo-me ao lado do Bruno.

-Pois é. - Dou o típico riso sem graça. - Como está o pessoal?

-Ainda vejo algumas pessoas da escola, alguns moram perto da minha casa. Até mesmo o Kai. - Ofereceu-me um sorriso meio malicioso.

-Vou pegar a bebida. Tchau, Laila, foi um prazer te ver novamente. - Bruno deu as costas para nós e saiu com o carrinho.

-Desculpa, acho que fiz besteira. Eu não sabia que vocês estavam namorando. É que eu vi a pequena, e quando você me falou que ela era somente filha dele, eu deduzi que vocês não estavam juntos... - Há quanto tempo ela não falava com alguém? Meu Deus, Laila metralhou-me de desculpas em vão.

-Tudo bem, nós não somos namorados. - Dou de ombros. - Mas, e o Kai? Como está? - Meu peito se aperta, não como antes, bem menos, apenas com vontade de vê-lo novamente.

-Está bem. Não falava muito com ele antes, mas quando se mudou para o mesmo lugar que eu, passamos a nos falar. Ele está trabalhando de professor na antiga escola, professor de Educação Física.

-Sério? Fantástico. - Fico feliz por ele. - E seu marido? Você? O que anda fazendo?

-Meu marido é um pouco mais velho que eu, cinco anos, ele é empresário, dono do próprio negócio. Eu apenas cuido das crianças, da casa, e tudo mais. Sem serviço pra mim. - Ri, como se cuidar de crianças e ficar com a barriga no fogão, sem ter seu próprio dinheiro e conquista pessoal, fosse legal. Pra mim não é.

-Que legal. - Não iria contagiar ela com meus pensamentos.

Laila e eu conversamos por um tempinho. Suficiente para o Bruno entrar na fila da padaria e pegar pães, sendo que isso não estava na lista. Mas fiquei sabendo de tantas coisas que aconteceram por aqui, com ela, com nossos antigos colegas, com algumas meninas que conversávamos, com todos na verdade. Falou bastante sobre o Kai, que ele está solteiro, que poucas vezes se vê ele com alguém, que dedica sua vida ao seu trabalho na escola e comunitário, o que achei lindo de saber.

Prestei atenção em muita coisa da Laila, em como ela mudou em tudo. Seu cabelo está mais curto, continua liso, porém com uma tonalidade mais escura, seu corpo perdeu as formas bonitas que tinha, agora ela aparentemente se cuidava menos, mas não estava acima do peso, somente um pouco mais desleixada consigo mesmo.

Combinei com ela de ir visitar sua casa antes de voltar para a Califórnia, e me despedi. Encontrei com o Bruno, que estava assoviando controladamente.

-E aí. - Fico ao seu lado, andando em frente.

-E aí! Peguei mais algumas coisas da lista. Precisa de algo?

-Não. - Respondo. - Porque saiu dali?

-Nunca tive muito contato com ela, e senti que vocês tinham bastante para conversar. - Mexeu no paninho que estava no colo da Lana. - Colocaram o papo em dia?

-Deixamos para conversar outro dia, mas sim, conseguimos falar sobre várias coisas.

-Pegue esses pães e deixe em qualquer estante, por favor. - Pediu e eu obedeci. - Precisava fazer algo enquanto estava te esperando.

Rimos juntos, indo para a fila do caixa.

Quando colocamos todas as coisas no carrinho e ajeitamos a Lana na pequena cadeira que era de Jaimo no banco de trás, partimos na ida de volta a casa dele.

-Fiquei abismada com ela.

-Por quê?

-Filhos... Acredita que ela não tem um emprego? Fica somente em casa, sendo sustentada pelo marido. Acho o cúmulo quem faz isso. É vergonhoso. - Balanço a cabeça. - Nem quero imaginar se eu continuasse no Havaí o que seria de mim. Provavelmente o mesmo, com um filho nos braços aos 21.

-O que tem demais nisso?

-Tudo demais, não é! Perder todo o precioso tempo carregando um filho e sendo submissas as vontades de alguém, sem ter um emprego... O tipo de vida que não serviria pra mim.

-Se quiser jogar na minha cara que eu tive uma filha com essa idade, e se quiser dizer que está odiando ser a única pessoa a trabalhar dentro da casa, eu prefiro que seja direta e objetiva, Eleanor. Não dê rodeios.

-Do que está falando? - Começo a rir, até notar que ele realmente estava falando sério. - Ta brincando, né? Acha que eu disse isso por você? - Esperei uma resposta. - Bruno? Sabe que eu nunca faria isso. Eu não...

-Você não quis dizer aquilo, foi uma besteira, nem tinha se tocado, e blá blá blá. - Ironiza, revirando os olhos e soltando aquele riso sarcástico. - Eu arranjarei outro serviço logo, não se preocupe, aí sairei da casa.

-Para de besteira. - Fecho minha expressão, mostrando-me desconfortável. - Eu estava comentando sobre ela, e não sobre você.

-Eu duvido. Porque não fala de uma vez?

-Porque eu não quero dizer merda nenhuma à você, que saco. - Lana faz alguns barulhos, mas permanece atenta a nossa pequena discussão. -O que foi isso?

-Não fala comigo. - Pediu, esticando a palma da mão para mim.

Coisa de criança.

Fomos calados o tempo todo até chegarmos na casa dele. Todos estavam na piscina, Presley correu para pegar a Lana, e já pegou a fralda dela para trocar.

Vou atrás do Bruno no seu quarto, carregando as sacolas. Ponho todas em cima da cama e corro até a porta, trancando-a.

-Hey? - Chamo-o. - O que houve?

-O que houve? Você que acha errado ter filho nessa idade, você que acha errado eu não trabalhar, mas o engraçado é que você que pediu que eu me dedicasse à música. Mas assim que eu conseguir dinheiro, irei compensar tudo isso, Eleanor. - Praticamente gritou em minha frente, soltando a mão no ar, parecendo querer explodir em mim.

-Jesus! - Passo as duas mãos no rosto, de forma dramática. - Aquilo não foi pra você! Não foi!

-Hipócrita. - Disse baixinho, ficando perto da janela.

-O quê? - Queria que ele repetisse olhando nos meus olhos.

-Nada, Lea. Abra a porta, quero tomar um pouco de ar.

-Vá! - Abro a porta, o deixando passar.

Escoro-me na parede, deslizando para baixo, sentando no chão. Se ele ao menos quisesse me ouvir que aquilo não foi pra ele, eu nem pensei nisso, nem cogitei no nome dele entre meus pensamentos. Nada a ver essa coisa toda, foi apenas um comentário sobre o que eu achava da Laila naquela situação e ele por algum motivo desconhecido, tomou as dores dela.