e se eu tenho me sentido pesada
você me tira do escuro
seus braços, eles mantêm-me firme
então nada pode desmoronar
(Ella Henderson - Yours)
-Bruno, você vai derrubar isso novamente. – Mexo no pequeno bibelô que ele insistia em deixar cair da estante. – Calma. – Ainda olhava para os lados, alerta sobre alguém entrar na sala naquele momento.
Faz uma semana que estamos aqui, quarta feira. Passei três dias corrido com meus pais aproveitando o máximo que consegui, e até dormi ao lado deles uma noite. Precisava ter mais momentos para depois não me arrepender, então hoje pela manhã quando retornei a casa do Bruno, foi completamente doido o jeito que nos olhamos.
Tínhamos contato todos os dias, e passamos três sem tocar um dedo um no outro e por incrível que pareça isso faz uma diferença e uma falta enorme.
Seu irmão, Eric e sua cunhada, Cindia, vieram de Nova Iorque para cá. Bruno estava me falando que ele conversou com Eric e Ryan sobre a banda que um dia montará e já conseguiu um baterista e um assessor. Ryan disse que se mudaria no dia seguinte que o Bruno dissesse que está tudo certo em Los Angeles, e Eric pediu pra avisar antes, até porque precisa se mudar com a sua esposa e tudo mais.
Fiquei feliz pelas coisas estarem andando para o melhor lado possível. Ele merece ser, acima de tudo, feliz e completo. Se ele realizar esse sonho, acho que chorarei mais do que ele por sentir na pele todos os dias, durante anos, o quanto ele se esforça pra isso.
-Lea, você não pode ficar tanto tempo assim sem aparecer pra mim. – Beijou meu pescoço, prendendo-me na parede da sala novamente. – Eu fiquei doido.
-Foram três dias apenas.
-Três noites, quatro dias. – Suspirou perto da minha orelha, fazendo sentir todo aquele calor.
-Seus irmãos, seus pais, qualquer pessoa pode entrar aqui a qualquer momento.
-Não quero ir pro quarto. – Resmungou.
-Vem comigo. – O puxo pela mão, fazendo a cara de sapeca que ele diz ser, no mínimo, instigante.
-Vou gritar dizendo que está tentando me agarrar.
-Cala a boca. – Viro-me falando pra ele.
-Vou gritar.
-Acha que irão acreditar na pobre pequena menina indefesa ou em você? – Faço carinha de cão sem dono e ele ri, balançando a cabeça.
-Só entre nesse banheiro, por favor.
-Vai fazer o que comigo? – Abri a porta, puxando-o pela mão e empurrando para dentro do banheiro.
-Vou foder você aqui dentro.
-Vai? – Passo a língua pelos lábios. – Vai se eu deixar.
-Não iria deixar?
-Talvez não deixe. – Entrei para o banheiro, fechando a porta. Bruno pega-me por trás, passando os braços no meu corpo e me apertando contra o seu.
-Mesmo sentindo que isso, - Levou minha mão até o volume que tocava na minha bunda. – poderia entrar em você todinha. Te fazer gozar, te fazer delirar?
-Mmm. – Gemo e ele leva dois dedos para minha boca. – Senta! – Viro-me rapidamente.
Ele obedeceu sem pestanejar. Sentou na privada fechada e abriu as pernas bem afastadas. Passo a mão por suas coxas olhando nos seus olhos e abaixando-me.
-Quer que eu faça alguma coisa?
-Lava a louça depois, por favor. Hoje é meu dia e eu não estou afim.
Gargalho alto, levantando e colocando a mão no rosto. Fico virada para a parede e ele também ri.
-Desculpa. – Chegou por trás de mim. – Mas eu ainda quero que lave a louça. – Mordeu a pontinha da minha orelha.
-Idiota. – Viro-me para sua frente e o beijo.
Seus lábios ficam brincando com os meus como nossas línguas. Olhávamo-nos enquanto fazíamos brincadeiras e as mãos passeavam pelos corpos com menos pressa do que antes. Levanto minha blusa e ele desce direto para beijar meus peitos, mesmo por cima do sutiã. O afastou de leve, brincando com meu mamilo enrijecido e tentando manter o máximo de contato.
Brinco com seu cabelo, contendo os gemidos. Não era possível ser silenciosa quando as coisas são realmente boas. Eu não consigo conter meus gemidos e pequenos gritinhos quando eu e ele fazemos algo, é praticamente impossível. Bruno sabe o que fazer, e sabe como me deixar doida.
-Shhh. – Levou o dedo indicador para minha boca e parou de brincar com meus peitos.
-Estão passando, não virão aqui. – Comento sobre as vozes que ouvimos.
-Mas se ouvirem algo, eles irão vir aqui. – Colou nossos lábios para prevenção de qualquer barulho.
Rimos da mesma maneira, com os lábios colados. Parecíamos duas crianças. Porque escondido é sempre mais gostoso?! Ele levou sua outra mão para a barra do meu short de tecido mole e colocou a mão por dentro. Claro que foi direto ao ponto, não poderíamos esperar muito tempo até alguém aparecer, teríamos que fazer o que iríamos fazer e rápido.
Fez alguns carinhos por cima da calcinha e a afastou, como eu fiz com minhas pernas para facilitar. Fechei minha mão nas suas costas e gemi baixinho.
-Está toda molhada por mim? – Perguntou rente ao meu ouvido.
-Estou sempre. – Submeti aos seus encantos.
-Só vou ao banheiro. – Alguém fala do outro lado da porta.
Bruno tira a mão rapidamente de mim e caminha cuidadosamente para o box ao lado da banheira. Alguém tenta abrir a porta várias vezes e dá duas batidinhas.
-Tem gente! – Informo.
-Lea? – Resmungo e alguém ri. – Desculpa, mas é que a mamãe está me esperando para irmos ao mercado. – Identifiquei a voz da Presley.
-Ah, já estou saindo. – Faço barulho com o papel higiênico.
-Tudo bem, espero.
Ela continuou ali na porta, puxei a descarga e com o barulho fechei a cortina do box para tapar o Bruno, mas ainda sim dava para vê-lo.
-Merda. – Resmungo. – Pres, pode pegar um sabonete pra mim? Aqui não tem mais. – Pego o sabonete que tinha e ponho no meio dos meus peitos e tento disfarçar ao máximo e ajeitando minha blusa.
-Ok.
Abro a porta para que o Bruno saia, observo se ela não estava olhando e ele sai correndo. Presley retorna com o sabonete e eu peço desculpas, lavando a mão e deixando-a usar o banheiro. Entro no meu quarto diretamente tirando o sabonete dos peitos e Bruno me assusta, entrando logo atrás de mim com o peito em ritmo acelerado e respiração ofegante.
-Caralho. – Põe a mão na cabeça, se escorando na parede. – Eu corri para a rua e fingi que cheguei agora, que estava conversando com um cara ali. – Ele ri do que inventou e caminha até a cama. – O que é isso? – Pegou o sabonete.
-Tive que esconder o sabonete para sua irmã não ver, e não iria pôr no lixo.
-Guardaremos de recordação. – Ele brinca de toca-lo pra cima. – Correr de pau duro não é legal, descobri hoje.
-Eu não me imagino com um pinto, porque não saberia caminhar com as bolas batendo em minhas coxas... Deve ser legal somente pra fazer xixi em pé.
-E pra receber oral... É a oitava maravilha do mundo.
-Não era comer?
-Oral entra no quesito comer. Assim como comer mulheres, comer comida... – Dá de ombros, ainda jogando o sabonete pra cima e pegando-o. –Vamos nos arrumar? Quero comprar algo pra Lana hoje, e o dia está bom pra isso.
-Ah, vamos. – Definitivamente não tinha muita coisa para se fazer por ali. Não estava a fim de encarar a piscina, e dormir poderia ser uma enorme tentação, mas não posso deixar habituar-me com isso. – Roupa?
-Hmm, fresquinha. Voltamos antes do anoitecer.
-Certeza?
-Claro. Arruma a bolsa da Lana? Tenho que ir pro banho, mas antes vou ter que cuidar do médico.
-O quê? – Começo a rir antes mesmo que ele comece a explicar.
-Bater uma... Eu preciso esvaziar. Mas hoje nós fazemos algo... Ah, nós fazemos. – Andou para a porta e a abriu.
-Bruno? – Quando ele olhou toquei o sabonete e ele o pegou. – Belo goleiro.
ზ
Passeávamos pelas calçadas perto das lojinhas. Bruno levava a Lana no colo, enquanto eu olhava brevemente para as lojas para ver se algo lhe interessava.
Estávamos empenhados em levar algo para ela, algo com que ela lembrasse – mesmo não lembrando muito bem – de que esteve ali, de que um dos seus lugares é no Havaí.
Como tinha passado uns dias afastada deles, peguei a pequena no colo para matar um pouco a falta que senti. Acariciei seus cabelos e ela fazia caretas pra mim, olhando para o meu rosto sabendo que eu, era apenas eu. Esse universo dos bebês, de como eles entendem as coisas, de como as coisas são mais simples e ao mesmo tempo parecendo bem complexas, acho isso interessante demais.
Confesso que por alguns momentos penso em fazer alguma outra coisa que me leve para trabalhar com crianças, mas ao mesmo tempo penso na paciência... Uma coisa é a pequena Lana, que estamos educando desde pequena, que mora conosco, outra coisa será o filho dos outros dos quais podem ser bagunceiros, mal educados... Não que os problemas me afastem da vontade, mas não conseguiria largar meu emprego.
-Vamos nessa aqui. – Apontou para uma loja.
Depois de passarmos pela décima quinta, ele decidiu levar uma pequena roupinha e tirar quatro fotos dela no estúdio. Ao esperarmos a foto, Lana ficou sonolenta, estava caindo para os lados, mas logo a moça nos chamou no caixa.
-Ficaram lindas. – Tirou de um envelope. – Eu ampliaria essa. – Apontou para uma onde ela estava com a roupinha e sorrindo mostrando a ausência dos dentes na boca.
Realmente as fotos haviam ficado lindas e ele teve uma simpatia com a câmera que foi maravilhosa. Bruno procurava o dinheiro para pagar pelas fotos e ela olhava para a pequena nos meus braços.
-Ela é a sua cara. – Disse para o Bruno, que sorri olhando-a brevemente. – Você não sente ciúmes dela ser tão parecida com o pai?
-Ah... Não! Na verdade ela não... – Era complicado de ficar sempre explicando a mesma coisa.
-Ela sente um pouco, sim. – Entregou o dinheiro a ela. Fico olhando para ele sem entender nada.
-Obrigada, foi um prazer. Voltem sempre!
Não entramos em quaisquer assunto profundo até chegarmos em casa. Jantamos com a sua família, eu liguei para minha mãe, tomei meu banho e pus meu pijama, enquanto todos babavam nas fotos da pequena Lana, e Eric babava sobre a sobrinha.
Sentei-me na cama e Bruno entrou sozinho no quarto. Disse que a Tiara estava com a Lana junto do pessoal, e que gostaria de falar comigo no jardim. Eu o segui, em silêncio. Sentamos lado a lado no banco e fiquei encarando a água da piscina.
-Lea, não quero mais que diga que não é a mãe da Lana. Você é sim a mãe dela, e eu não quero que fique se explicando quanto a isso.
-Eu não sou a mãe dela. – Coloquei.
-Sim, você é! – Pôs sua mão sobre a minha. – Você a tem mais do que eu mesmo se duvidar. Eu tenho medo de errar com vocês e você vai lá e dá a cara a tapa. Leu tanto sobre bebês que eu aposto que sabe de coisas que nem minha irmã sabe direito. Conhece cada choro dela... E é isso que te faz mãe, é o amor que você sente pela nossa filha.
-Não vai ficar constrangido, com ciúmes, bravo...?
-Nunca! É um prazer te ter como a mãe da minha filha. – Empurrou meu corpo para o lado. – É um prazer te ter na minha vida.
-Não consigo imaginar como seria minha vida se você não estivesse nela. – Rio baixinho e ele também.
-Talvez ainda tivesse sua virgindade intacta. – Aperto sua mão, gargalhando.
-Não quero ir embora daqui novamente. – Do riso passou diretamente para os olhos cheios de lágrimas. – Não quero sentir aquele vazio novamente, não quero ficar distante de tudo.
-Quer ficar no Havaí?
-Não cogite essa possibilidade. – Começo a rir no meio do choro. – Eu só não quero me despedir do Havaí, mas também não quero me despedir da Califórnia. Sinto que ainda temos muito que vivermos por lá.
-Isso temos, e muito. – Entrelaçamos nossos dedos e eu tenho a liberdade de escorar minha cabeça no seu ombro. – Onde estaremos daqui a cinco anos?
-Hm... – Pareceu pensar longe, procurando as estrelas no céu. – Encostando nas estrelas. Quero estar no auge da minha carreira. Qual é... Será o ano de 2014, quero que seja especial.
-Toda a jornada até lá será especial... Lana verá seu pai crescer junto com ela.
-Quero que todos gostem da minha música, que fiquem com elas em seus celulares, que toquem nas rádios. – Não o vejo, mas sei que seus olhos estão brilhando e ele está pensando muito, além disso.
-Você tem que entender que isso tudo vai acontecer, eu sei que sim. Nós todos confiamos em você, olha aonde já chegou!
-Eu sou grato por tudo, por todos vocês, por todos os apoios. Sem a sua ajuda talvez não teria sobrevivido a Los Angeles nas primeiras semanas. Obrigada por passar tudo junto comigo.
Bruno tirou sua mão da minha e pegou meu rosto com cuidado do seu corpo e o segurou a sua frente. Fiquei olhando-o, olhos nos olhos, e ele me beijou. Foi calmo, tranquilo, nossas línguas não procuravam por prazer, somente por alojamento. Sua mão acariciou meus cabelos e quando o beijo terminou, ele deu um selinho em minha boca e outro beijo em minha testa, puxando-me para o seu corpo.
Ajustamo-nos como podemos no banco, para que eu ficasse recostada no seu corpo. Aproveitei para olhar para as estrelas e ele olhar para o longe ainda fazendo cafuné em minha cabeça.
-Vão nos ver assim. – Começo a rir e ele balança a cabeça, com um riso bobo.
-De acordo com as leis do Estado, eu posso, você pode, está de bom tamanho.
-Então fugimos da nossa escapada no banheiro por nada?
-Foder no banheiro é diferente do que beijarmo-nos no quintal da casa olhando para as estrelas.
Achei fofo, e me preocupei com a quantidade de coisas fofas que rolavam entre nós ultimamente. Não é ruim, mas também pode não ser muito bom.
-Mais um detalhe sobre o futuro de cinco anos... Você vai estar ao meu lado, Lana também e minha família!
-Eu?
-Não pensa em sair do meu lado, pensa?
-Nunca.
-Então estará no topo do mundo comigo.




