quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Capítulo 76


Não me importa o que pensem os demais
Você é toda a minha verdade
Não me importa quem esteve antes de mim
Eu quero te fazer feliz
(Bésame Sin Miedo - RBD)

27 de Dezembro de 2015

Cheguei à conclusão que é possível sofrer por amor. Que é possível pensar em alguém vinte e quatro horas por dia e que a vida, quando passa, deixa saudades de muitas coisas. Tenho saudades de uns anos atrás, quando era eu, ela e nossa pequena. Minha pequena cresceu, ela também e eu também. Gostaria de ter crescido naquela época, quando eu a tinha e poderia dizer a qualquer momento que a amava. Eu fui idiota. Eu era jovem e cheio de coisas novas para experimentar.

Deixei passar uma das coisas mais preciosas que tive e agora estou aqui, com uma mulher que não é quem eu amo, minha melhor amiga com outro cara que é um porre, e eu com sucesso, mas sem inspiração.

Peguei meu celular sobre a mesa, Megan estava me dando um toque, ela havia chego.

Sai do meu quarto passando a mão para o cabelo baixar um pouco. Abro a porta e ali está ela, mesmo com tudo, com um sorriso no rosto.

-Vamos começar a sessão de psicologia da Dra. Megan. - Puxou sua bolsa sobre o ombro, indo para a sala de estar.

-Bom dia pra você também.

-Sem tempo para bom dia, vamos conversar. - Sentou-se na poltrona e apontou para o sofá ao lado. - Comece.

-Megan. - Começo a rir e ela coloca uns óculos, que provavelmente não eram dela. - OK. O que quer saber?

-Primeiramente, por que me chamou? Segundo, por que não a Tiara? Terceiro... Como está?

-Tiara não sabe me ouvir completamente, ela acha que as coisas tem apenas uma versão e ouve o que quer para absorver apenas o que quer... Enfim, você a conhece. Ela me julgaria... Eu estou bem.

-Ok, mas se tivesse bem não estaria me chamando, Bruno.

-Ok, eu estou bem, mas estou confuso, serve? Arrependido, talvez?

-O que aconteceu?

-Eu beijei ela, Megan... – respiro fundo. – Isso faz umas semanas, foi no halloween, mas eu não consigo tirar da cabeça.

-Bruno…

-Eu sei, Meg. Foi idiotice. Mas eu estou me dando de conta de como as coisas seriam se eu tivesse corrido atrás dela, se eu tivesse me esforçado e ela nunca tivesse saído do meu lado. Você lembra como éramos antes? Você sabe mais de nós do que nós mesmos.

-Hm. – Ela cruza suas pernas. – Lembra do que falei pra você há um tempo atrás, quando você não estava falando com ela e eu estava saindo com a Tiara para as festas.

-Mais ou menos.

-Eu disse para esquecer dela. Finge que eu nunca falei disso, ok?

-Quê?

-Esquece, Bruno. - Fiquei olhando pra ela e ela o mesmo. Passamos quase dois minutos se olhando sem saber o que dizer. - Esquece, porque você a ama e não pode ficar sem ela.

-Mas você... Estou confuso. Primeiro me diz que não vale a pena lutar por ela e agora, de repente, diz que eu preciso ir atrás.

-Ela ama você! - Depois que disse isso, suspirou fundo de uma forma irreconhecível. Como se ela tivesse prendendo isso por muito tempo. - Bruno, ela ama você.

-Mas…

-Já falei pra esquecer o que eu disse antes.

-Tudo bem. Você têm certeza que ela me ama? Ela disse isso?

-Ela não precisa dizer, isso tá na cara dela. Ela gosta do Richard, mas ela quer você também.

-Você está traindo sua melhor amiga.

-Um dia ela vai me agradecer por isso, nem se preocupe. Agora é assim, você a ama, mas ela precisa saber disso e saber que você está disposto a tudo por ela. Você está disposto a tudo por ela?

-Sempre! - Digo com convicção.

-Então, eu vou ajudar a tudo ficar no devido lugar. Primeira coisa é você se livrar dessa monstra!

-Mia. - Rio. - Será fácil.

-Livre-se dela, pra sempre.

-Ok.

-Segundo passo é dizer a Lana que você ama a Eleanor.

-Ela sabe!

-Ela sabe pelo que ela deduz, não porque você falou.

-Falarei.

-O passo mais difícil será fazer com que a Lea acredite em você e que ela deixe o Richard.

-Ela precisa deixar desse cara. Qual é, ele é preconceituoso, ele a tratou mal!

-Seguindo um raciocínio, ele não a tratou mal, ele não a defendeu.

-Isso dá no mesmo, Megan.

-Ele é uma boa pessoa, fora isso. Ele a tratou super bem, como ela merecia ser tratada. Mas a gente não manda no nosso coração, e eu sei que por mais que ela goste dele, ela não o ama! Não o ama verdadeiramente, ele não é o dono do coração dela.

-Supostamente sou eu? – Rio.

-Você e Eleanor são alma gêmeas. Não sabia que isso poderia acontecer, não sabia que isso realmente existia.

-Alma gêmea…

-É. Há algo em vocês que é mais do que inexplicável. É surreal. Mas vocês são pessoas indomáveis, inconstantes. Por isso nada aconteceu ainda. E também são dois orgulhosos, idiotas. Tenho vontade de bater com a cabeça de vocês na parede, às vezes.

-Nada aconteceu por que ela se revoltou e ficou com ele.

-Mas que eu saiba você já estava com a Mia, e quando ela engatou o namoro com o Richard, pareceu que ficou bravo e parou de falar com ela.

-Eu estava zangado! Caramba, ela estava toda feliz com ele, e a Mia ficava em minha volta. Fiquei bravo com tudo e meu orgulho falou muito mais alto que eu.

-Pateta. - Revirou seus olhos e descruzou suas pernas, esfregando uma mão na outra. - Como vai mostrar pra ela que é a sua alma gêmea?

-Eu não sei. - Vacilei. - Não faço ideia. Eu vacilo sempre e tenho medo de estragar tudo novamente.

-Estragar como?

-Sei lá, vá que eu faça algo que ela não goste, ou ela simplesmente queira ficar com o Richard.

-Querer ela quer, até porque ele é um ótimo namorado.

-Continue, adoro quando você estraga minha estima falando que ele é o melhor.

-Para. - Empurrou-me com um riso bobo. - Ele é um homem bom, mas não bom pra ela. Digo, ele é bom pra ela, mas você é o bem dela!

-Hã?

-Esquece. Apenas escute seu coração por alguns minutos e me de ideias do que quer fazer para trazê-la de volta pra você.

Olhei para o teto branco da casa, após os lustres, depois fitei o chão, pensando em maneiras de ela acreditar que tudo isso é real e que eu sou capaz de qualquer coisa para tê-la comigo. Ficou meio impossível pensar em algo que Lea realmente irá acreditar em mim, consequências de ter feito tanta merda a vida toda.

-E se eu pedir ajuda dos pais dela?

-Não rola… A mãe dela ama o Ric.

-Mas o Richard não sou eu! Ela me ama também. Eu também tenho pontos extras por eles me conhecerem há anos e por eu ter os trazido para o natal.

-Ama como o melhor amigo da Lea, não como namorado. Pelo menos porque nunca te viu como um pra ela. Não adianta subordina-los, Bruno. – Ela ri, como se soubesse um fim para essa situação e eu estivesse perdido ali, tentando descobrir.

-Meu Deus. - Reviro os olhos. - E se eu apenas falar pra ela? Dizer simplesmente tudo!

-Ela vai te achar um desestabilizado mental e aí sim desistirá de vez.

-Senhor! – Levanto as mãos e reviro meus olhos.

Tudo parecia mais fácil em livros, séries e filmes. Eu apenas poderia aparecer com rosas, pedir perdão, ajoelhando em sua frente e ela voltaria para os meus braços. Poderia montar uma serenata, cantar uma música linda e ter ela em meus braços minutos depois.

Fecho meus olhos e novamente não consigo ver uma saída. Se eu e ela somos realmente alma gêmeas, por que não da certo nunca?

Se eu escrevesse um álbum somente sobre ela e sobre tudo que eu amo nela? Se eu ultrapassasse os limites que tenho com redes sociais hoje em dia e postasse uma foto nossa, antiga, e me declarasse por ali mesmo?

Nada parece ser uma boa ideia.

-Por que está fazendo isso por mim? - Pergunto para Megan, que muda a feição do seu rosto e seus pensamentos parecem mergulhar para longe dali.

-Porque quero que ela se dê bem com o amor da vida dela, e você também. – Ela aponta pra mim. – Porque eu gostaria que alguém fosse assim por mim, gostaria de um romance de livros, de ser disputada, de amar e ser amada. As coisas são mais complexas quando falamos de romance, cara. Você nunca entenderia o que se passa na nossa cabeça.

Prontamente eu lembrei do que Caleb disse pra mim ao telefone, que estava voltando a pensar nela a cada instante. Mas ele não está pronto para ser um alguém ao lado dela, ele está pensando nela, mas pensando no tempo que ainda pode aproveitar ao lado de outras mulheres. Com certeza, Megan não precisa de alguém assim. O dia que Caleb resolver parar, ele pode ser cogitado a um par perfeito para a Meg. Um dia.

-Mas eu estou vivendo a minha vida do meu melhor jeito. As coisas acontecem com o tempo, sim?! Daqui a pouco chega o meu.

-Dê tempo ao tempo.

-Agora você tem que correr atrás do tempo! – Ela mexe em seus cabelos. – Só tem que pensar algum jeito de ela não correr de você.

03 de Janeiro de 2016

Eleanor Pov’s

-Tem certeza que está bem com isso? – Pergunta-me Bruno, pela décima vez.

-Absoluta. – Estendo as cobertas sobre a cama do quarto de hóspedes. – Não queria ficar sozinha em casa essa semana. Esse lance de TPM um dia me matará. Você é um dos únicos que sabe lidar comigo quando estou nesses dias infelizes.

-Ainda bem que não acontece sempre. – Nós rimos. – Eu nem tive tempo de agradecer por estar comigo na virada do ano. Sei que posso ter feito você desistir de algum outro convite.

-Na verdade não havia nenhum outro. – Dobro a calça do meu pijama. – Somente o de ir com Richard para o Texas, mas isso estava fora de cogitação.

-Ainda não falou pra ele?

-Não. Até meus pais irem embora, nós nem nos falamos direito. Ele estava meio estranho, agora parece que sempre está com medo de mim.

-Ele deve estar sobrecarregado com as coisas da faculdade. – Ele dá de ombros.

-Pode ser isso. – Eu também rola seus ombros e sento na ponta da cama. – Estou com dor no corpo todo.

-Ainda de Vegas?

-Não. – Eu rio, colocando as mãos nos seus quadris, pelas costas. – Isso é dor de parquinho com Lana Hernandez.

-Protagonista de várias dores minhas, também.

-Ela e o seu violão. – Nós rimos. – Falando nisso, o que há de novo?

-Nada. – Balança a cabeça ao sentar-me ao meu lado. – Não consegui escrever, nem tocar, nem nada. Minha cabeça está a mil. Sinto que minha inspiração está bem longe.

-Você vai recupera-la em breve. Só não deixe de tentar. Ainda anda com seu caderninho, sim?

-Claro! Nunca o largo. – Sorrio pra ele e sento um pouco mais ao seu lado. – Não queria parecer nostálgica, mas já parou pra pensar em tudo o que passamos? Olha quantos anos foram em um passo de mágica.

-Parece que foi ontem quando nos mudamos para a casa dos seus avós.

-E parece que foi hoje pela manhã quando você disse que Diana estava grávida. Lembra? – Eu rio e ele também, mas em seguida fecha a cara.

-E ela nunca mais apareceu.

-Você tinha esperanças que ela aparecesse? – Pergunto.

-Não. – Balançou a cabeça. – Mas várias vezes me perguntei se ela não vê alguma foto da Lea e se seu coração não balança com isso.

-Você que escolheu uma hipster para ser mãe da sua filha. – Rimos e eu me inclinei levemente pra trás. – Ela sabia o que queria, e não era ter uma filha. Ela só queria a liberdade dela, então ela lhe deu o que você queria e pegou pra ela o que sempre quis. E também ela era um problema.

-Era mesmo. – Ele balança a cabeça fazendo um barulho estranho. – Mas tudo acabou bem.

-Ainda bem! – Respiramos fundo e ficamos calados por um tempo.

-Vou deixar você arrumar suas coisas. – Ele levantou-se num pulo da cama que cheguei a me assustar. – Boa noite, Lea.

-Boa noite, Bruno.

O vejo sair e fechar a porta, então tomo a liberdade de tomar um banho e trocar minhas roupas por meu pijama quente e fofinho. Ligo o ar do quarto numa temperatura agradável, pego o controle da televisão e fico procurando algum canal para por. Acabo deixando em qualquer um e pegando meu celular para ver o que havia de bom por ali.

Desperto no susto quando meu celular caiu no chão de madrugada. O junto e ponho em cima da mesinha, aproveitando para desligar a televisão e voltar a dormir.

Sinto mãos em minha cintura e uma respiração afobada abafada em meu cangote. Tento me concentrar apenas em meu sono, deve ser um sonho, mas aquilo parecia real. Coloco a mão sobre a mão do meu quadril e ela não se esquiva, mas ela está ali. É real. Viro-me para o lado e ali está ele, como temi assim que toquei sua mão. Tapado até metade da sua barriga, deitado de lado virado pra mim, peito nu e um olhar penetrante.

-O que está fazendo aqui? – Pergunto.

-Shhh. – Ele coloca o dedo sobre a minha boca. Novamente, penso eu. – No meu pensamento você não dizia nada.

-Mas eu vou dizer. – Estou sussurrando. – Você deveria estar dormindo na sua cama.

-Eu sei. – Acenou. – Mas eu não consigo, porque a única coisa que aparece em minha mente é você.

-Bruno! – O repreendo.

-Antes que me tire daqui a pontapés, ou que brigue comigo, só deixe eu fazer uma coisa pra você mudar de ideia.

-Quê?

Seus lábios selam os meus. Sua língua aos poucos procura um verdadeiro lugar para estar, mas os meus estavam fechados, porém sem esforços eles se abriram e a língua que habita em minha boca pareceu gostar daquilo e deixou-se levar por um beijo. As mãos gordinhas foram parar em minha nuca, primeiro instalando-se tranquilamente, depois partindo para um dos meus pontos fracos. Ele segurou meu cabelo e o puxou, fazendo minha cabeça inclinar-se, beijou meu pescoço um pouco torto pela posição que estávamos.

-Diz que não quer desistir.

-Isso é errado.

-Eu não estou nem aí. – Ele responde, dando diversos selinhos em minha pele.

-Eu não quero desistir. – Respondo então, num ato de impulsão.

Aquela mão que puxava meu cabelo, desceu para minhas costas, puxando meu corpo para próximo do seu. Arrepiei-me da cabeça aos pés, sentindo aquela sintonia que nunca ficava velha. Passo as unhas por suas costas nuas e desço até a barra da sua calça de moletom. Brinco com ela, passando a mão por cima de sua bunda e mordendo suas orelhas, enquanto ele tenta beijar meu pescoço com mais força.

-Nada de marcas. – Resmungo baixinho.

-Só nós saberemos disso. – Ele responde.

-Esse é o nosso segredinho! – Sussurro novamente no seu ouvido e mordo a pontinha da sua orelha.

Seu corpo cola mais com o meu, sinto que em pouco tempo podemos nos fundir em apenas um. Gemo quando nossas pernas se entrelaçam e sua coxa roça no meio de minhas pernas.

Nem percebo quando ele sobe sob o meu corpo e apoia-se com as mãos nas laterais, deixando sua cintura grudada com a minha. Não consegui ouvir o que ele falou e nem tive tempo de perguntar, por que já senti sua boca novamente na minha e mexendo meu corpo pude sentir direitinho o volume dentro da sua calça. Desliguei-me de qualquer outro assunto e prestei atenção somente naquilo.

Com ajuda dele, tiro minha blusa e deixo com que ele lamba meu busto, procurando achar uma brecha para deixa-los amostra. Os tiro do bojo e ao mesmo tempo os aperto, passando o indicador e o polegar sobre o mamilo e o apertando em seguida. Eu queria que ele tivesse duas bocas aquela hora, só para poder sugar meus mamilos da mesma forma que estava sugando apenas um. Bruno intercalava e eu já estava desesperada por ter mais dele em mim.

Procuro um jeito de agarrar-me ao seu membro, e quando o acho, pulsante e duro, como achei que estaria, masturbo-o com minha mão.

Seu gemido se aguçou, ficou bem mais intenso. Isso só aumentou a minha vontade. Aos poucos vou abaixando minha calça do pijama com a calcinha junto, já sentia toda minha intimidade molhada. Nem tive tempo de passar a minha mão por ela, porque a dele já estava lá. Devagar, para me matar de vontade.

-Os dedos. – Pedi, segurando seu cabelo.

-Um dedo, só?

-Falei no plural. – Resmungo.

-Quantos?

-Bruno! – Serro minha boca para não gemer alto.

-Só vou por quando me falar quantos!

-Três! – Quase grito e ele sorri. Senti falta desse sorriso safado.

O ouvi dizer o quão eu estava molhadinha, me fazia ter mais prazer. Sentia uma bolha de gozo se formar dentro de mim, a qualquer momento eu poderia explodir.

-A camisinha! – Falo, quando encosto no seu membro, quase o levando para me penetrar.

-Você não tem por aqui?

-Não, eu não venho pronta para transar quando venho pra sua casa.

-Tem que começar a vir. – Ele dá um selinho em minha boca. – Eu vou lá buscar, mas quando voltar você irá estar arrependida.

-Não vou.

-Jura?

-Eu juro! – O puxo para beija-lo rapidamente. – Agora busca ela por que eu preciso gozar em você! – Digo no seu ouvido e ele dá aquele mesmo sorriso, saindo de cima de mim e puxando a calça pra cima.

Tiro a calça que estava nos meus pés e toco para o lado, junto da minha calcinha que estava embolada. Abro meu sutiã e o toco para o lado junto do resto e me tapo apenas com o lençol, separando-o da coberta.

Levo minha mão para minha intimidade e mexo enquanto ele não vem. Mas não durou muito, pois ele estava entrando na porta com duas camisinhas em sua mão.

-Você não desistiu?

-Quer que eu implore para me comer? – Ergo uma sobrancelha.

Ele sobe na cama sem perder o contato visual comigo. Dá um beijo nos meus lábios e arranca o lençol, tirando a mão da minha virilha e substituindo por um beijo no triangulo. Ele dizia sobre ali estar a felicidade dele, e a minha eu vi quando sua língua passou pelo meu grelo, fazendo-me arrepiar novamente e fechar os olhos com força.

-Não quero perder tempo com isso. Não agora. – Deposita um beijo e veste seu pênis com a camisinha. Sua calça é tocada para o mesmo lado da minha e ai ele sobe novamente, deixando seu pênis entre meus lábios e roçando neles num vai e vem maravilhoso.

-Quer me fazer gozar assim? – Pergunto.

-Quero te fazer gozar, não importa como.

Evitei me segurar, mas também não queria que aquele fosse o momento. Cravei minhas mãos em seus braços e ele ri, aumentando a velocidade, me matando de vontade para coloca-lo dentro de mim de uma vez.

-Não faz assim. – Resmungo baixinho, estridente. – Não é uma brincadeira legal quando só um se diverte. – Puxo seu cabelo e me distraio com seu riso.

Deixo minha boca em um “o” quando não estava esperando que ele fosse mesmo me penetrar. Mexia somente seu quadril num vai e vem, e aos poucos ia alojando todo ele dentro de mim. Eu lembrava de como ele era grosso e como de me dava prazer, é claro. E dizendo como mulher, é impossível não comparar. Pra ele eu sou um pouco mais apertada do que o normal.

Me viro, tentando não tira-lo de mim, mas foi em vão. Fico por cima dele e me inclino para sua frente, colocando-o em mim. Rebolo assim por alguns segundos e ele já pede para que eu fique com o corpo ereto porque quer ver aquilo. Cavalgo no seu colo, ora apertando meus peitos, ora passando a mão em sua barriga, mas sempre com o olhar penetrado no seu e às vezes fechando meus olhos com força para poder revira-los.

-Fica somente assim. – Pediu quando estava com todo ele enterrado em mim.

-Assim? – Pergunto, rebolando apenas.

-Assim. – Ele geme mais alto. – Preciso ver você de quatro.

-Ainda tem tara pela minha bunda? – Inclino-me sobre ele.

-Eu nunca vou perder.

Saio de cima dele e coloco o travesseiro em minha frente. Deixo meus cotovelos ali e empino minha bunda na sua direção. Bruno da um tapa forte nela e em seguido sinto seus dedos em minha vagina até ir ao buraco próximo.

-Já está pensando nisso?

-Sabe que é meu lugar preferido no mundo.

Pensei que ele fosse me penetrar ali mesmo. Sendo sincera, incomoda no inicio, antes até doía, mas sinto falta de uma coisa diferente. Ele foi o único por ali.

Ao penetrar-me novamente, usou toda a rapidez que conseguiu e todas as suas habilidades, até me fazer desabar na cama, enxergando estrelas em minha frente. Não pensei que gozaria nessa posição. E com meu corpo estirado de barriga para baixo, ele pôs seu pênis no meio das minhas nadegas e brincou por ali um tempo.

Entrou devagar e permaneceu assim por um tempo, até sua respiração ficar mais pesada e o gemido que dava para se ouvir. Ele estava chegando, estava bem próximo de gozar, isso não muda nunca.

-Lea. – Pôs a mão em minha cabeça e aí vi que ele estava liberando tudo o que podia dentro da camisinha, mas quando ainda estava dentro de mim.

Sorri, aliviada pela transa maravilhosa. Ele deitou-se ao meu lado e ficou olhando pro teto. Puxei o edredom e tapei um pouco do meu corpo, deixando minhas pernas de fora.

Nós nos olhamos e fixamos os olhares em nossas bocas. Nos beijamos com intensidade e suas mãos acariciaram meu cabelo. Demos boa noite e acho que dormimos daquele jeito mesmo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Capítulo 75


Depois do primeiro fora, fiquei traumatizado
FIco longe, mas você ainda chama minha atenção
Diga-me baby, você me reconhece
Bem, já faz um ano, não é de me surpreender
(Last Christmas - Wham!)

20 de Novembro de 2015

Eu estava cansada, minha cabeça parecia que iria explodir e ainda tinha que aguentar um discurso tediante do Richard, falando sobre seus pacientes. Ok, antes era legal eu saber como cada dia estava sendo, mas faz meses que ele está nisso e eu não aguento mais ouvir sobre massas, próteses, caries, gengivites, escovas de dente... Falando nisso, tenho até medo de escovar meus dentes perto dele e ele acabar me dando um intimado que eu estou fazendo errado, ou que me esqueci de passar o fio dental. Isso é desgastante, mas com sorte hoje ele não falará disso.

Passamos as duas últimas semanas com suas oscilações de humor, isso é estranho. Nunca vi homens, além do Bruno, mudarem tanto constantemente. Não é nada agressivo, nem brigas, nem nada, o mais estranho é isso: ele apenas muda de feliz para muito feliz, de agitado para meio nervoso. Parece criança quando queria contar algo para a mãe, mas acaba ficando com medo de levar uma surra ou um sermão.

-Alô? – Atendo ao meu celular.

-Olá. Como vai? – Bruno pergunta do outro lado da linha, a voz empolgada demais.

-Muito bem e você?

-Bem! Ótimo, na verdade. Está no trabalho?

-Estou indo pra casa, finalmente. Com dor de cabeça, querendo matar um.

-Não me mate, tenho uma filha pra criar!

-Pude ver você levantando as mãos com isso.

-Você me conhece tão bem. – Nós gargalhamos e eu presto atenção na rua que estava atravessando. – Sobre o natal. Não marque nada com ninguém, quero fazer algo grande aqui em casa. Ano passado foi apenas eu, Lana, Tiara, Geronimo e meu pai. Esse ano quero minha família e meus amigos aqui.

-Temos que compensar o feriado de ação de graças e o halloween que não tiveram nada na sua casa.

-Isso! Você pegou o espirito da coisa.

-Eu sou o espirito, Bruno. – Dou de ombros. – Já escreveu hoje? Tocou algo, produziu algo?

-Fui a uma reunião, chata e longa. – Engraçado é que eu consigo visualizar suas caretas enquanto fala. Rio sozinha. – Qual é, durou mais da metade do meu dia. Acredita que eles quiseram que eu fizesse um comercial de perfume?

-Você vai ter uma fragrância? – Pergunto, abrindo a boca. Havia visto ele no programa da Ellen, quando disse que não precisava de uma, aliás, ele estava muito engraçado e parecia muito bem naquele dia. – Eu nem posso acreditar.

-Hey, pare! Não vou fazer fragrância nenhuma. Eles queriam que eu tirasse umas fotos publicitárias para um perfume e publicar em algumas revistas, mas eu não quero.

-Essa foi a pauta da sua reunião que durou quase um dia? Garanto que você estava em cima do muro.

-Idiota. – Nós rimos novamente. – Havia várias pautas, essa é apenas uma delas.

-Quais eram as outras?

-Juro que gostaria de contar, mas ainda não posso. Você irá saber em breve. Em fim, irá vir para o natal, sim? Lana amou minha ideia e está ajudando a planejar uma festa bem legal.

-Essa menina não tem jeito. E você dá corda para as ideias malucas dela. Claro que vou.

-Que bom! E eu não dou corda, ela apenas tem uma imaginação grande e que precisa ser estimulada.

-Ah, com certeza.

Nós conversamos boa parte do caminho até em casa. Ele falou sobre suas músicas, sobre sua saga com elas e tudo mais. Estamos indo bem, digo, nossa amizade fortaleceu mais após o beijo no halloween. Conseguimos ficar mais fortes, coisa que achei que não iria mais acontecer, e quando nos beijamos pensei que iria ficar algo diferente, mas lidamos bem com isso.

E eu jurei que iria esquecer daquele beijo e não falar nada ao Richard. Aquilo era traição, mas aconteceu apenas uma vez e não irá mais acontecer. Ele não merece que eu faça isso com ele.

24 de Dezembro de 2015

A árvore já estava lotada de presentes. As crianças corriam pela casa, todos agasalhados e aquecidos com a lareira que estava acessa. O tempo lá fora não parecia dos melhores, mas a alegria aqui dentro contagiava tudo. O espirito natalino tinha voltado a minha mente esse ano, eu tinha motivos para comemorar agora.

-Mais um prato que está pronto! – Presley leva uma travessa de saladas para a sala de jantar.

-Você não deveria estar fazendo tanto esforço, querida. – Pete estava preocupado com ela.

-Papai, eu estou grávida. Isso não é doença.

-É que você é a caçula da turma, dê um tempo para o velhote! – Tiara meche com ele.

-Agora só falta você me dar um neto, Tiara. Quando isso vai acontecer?

-Nunca, papai. – Ele fica a olhando, incrédulo pela resposta tão dura e tão grosseira. – Brincadeira. Quem sabe um dia, sim? Você tem muitos netos para aproveitar... Agora terá mais a Selah!

-Mas preciso de mais, a fábrica nunca pode fechar.

-Daqui a pouco viram seus bisnetos, aí o senhor vai começar a se sentir velho e vai pedir para que seus netos não lhe chamem de avô! – Presley coloca a mão por cima do ombro dele, que ri e beija-a.

-Quando você vai me dar um neto, Lea?

-Eu? – Rio. – Não tão cedo. – Sabia que Bernie me considerava sua filha desde que comecei a ser melhor amiga do Bruno, mas nunca tinha ouvido nada parecido da boca do Pete.

-Outro neto por parte do Bruno, papai? – Tiara coloca a língua pra mim e eu coloco meu dedo médio pra ela. – Inclusive, daqui a pouco Richard chega por aí.

-Quem chega? – Bruno entra, com um largo sorriso no rosto e de banho tomado.

-Richard. – Respondo. – Ele está com algumas cois...

-Pensei que ele estivesse com sua família, no Texas. – Seu sorriso murcha e logo eu percebo que talvez ele não seja bem vindo por ali e que quando Bruno me convidou, não tocou no seu nome, mas pensei que ele estivesse englobado. Preciso me conter e ficar quieta para acabar não brigando com ele em pleno natal..

-Ele vai passar o primeiro do ano com eles.

-Você vai junto? – Perguntou, passando a se encontrar ao meu lado e falar mais baixo, já que não éramos mais o foco da atenção.

-Na verdade não. Estou sem planos.

-Vegas, o que acha? – Ele sorri novamente. – Eu terei um grande show, o que você já sabe, naquele mesmo hotel e tudo mais. Gostaria que estivesse por lá.

-Talvez em vá. – Sorrio. – Aliás, coloquei meus presentes embaixo da árvore. Se caso você não gostar do que comprei pra você, me diga sinceramente que eu troco. Estava com grande dúvida.

-Não se preocupe, eu vou amar. – Ele beija minha testa. – Seu presente eu não comprei. – Deixou seus lábios para o lado, com uma carinha de triste. – Acabou não dando tempo. Desculpe.

-Não precisa, tudo bem.

-Claro que precisa, eu sei como ama presentes.

-Eu amo, mas não são necessários. Nem se preocupe com isso. – Escoro minha cabeça em seu ombro. – Parabéns novamente pelo Super Bowl. Eu sei como você está se sentindo honrado.

-Honrado? Isso é pouco, eu estou há meses assim, desde o meu aniversário. Aquelas tardes em que sumia, aquelas reuniões, eu estava sempre ensaiando e conversando com a equipe. Quantas vezes tirei fotos com a Beyonce e com o Chris e queria te mostrar, mas não podia falar nada pra ninguém. Imagina o quanto isso é difícil?

-Difícil pra você que é um linguarudo. – Dou um soquinho em sua barriga. – Essa comida toda está mexendo com meu metabolismo e me dando uma fome muito grande.

-Poderia comer essa mesa toda.

-Adoraria. – Nós rimos.

Richard chegou uns três minutos após deixarmos a sala de jantar por estarmos com fome e aquela comida toda não estar ajudando. Bruno não pareceu nada confortável com ele lá, fez caras e bocas que não é de costume. O deixei conversando com Pete e fui atrás dele.

-Desculpe. – Torço meus lábios sem jeito. – Eu não sabia que não era para ele vir.

-Jura? – Ele me olha. – Desculpe. – Ele solta um ar pesado. – Estava planejando ser meus amigos e minha família, e nós sabemos que ele não é muito meu fã.

-Desculpe novamente.

-Tudo bem, Lea, sem problemas. Eu deveria estar ajeitando algumas coisas. E, Lea, seu presente está vindo, não se preocupe.

-Não precisa, Bruno. Depois nós discutimos sobre isso. – Faço ele rir e andamos para cômodos distintos.

Logo que chegara, Richard parecia extremamente animado. Pendurou-se ao lado de Lea e não saíra de lá até ela pedir licença, dizendo que ia resolver algo com as meninas.

Após isso, fiquei observando-o, vendo o quão deslocado ele estava no meio da minha sala de estar. Por mais que não goste dele, me senti quase que obrigado a lhe chamar a se juntar a nós, com um único movimento de mão.

- Estamos jogando poker. - Avisei. - Puxe uma cadeira aí, cara.

- Na verdade, eu vou procurar a Lea. - Ele deu um tapinha no ombro do meu pai, após dar uma olhada em suas cartas. - Vocês estão todos ferrados, pessoal.

Ric seguiu para a cozinha, e bastou se afastar um pouco para meu irmão começar a tagarelar sobre como ele não se esforçava para se misturar com a família da Lea. Eu sorri um pouco quando me dei conta que até mesmo ele considerava Lea parte da família.

- 1, 2, 3... Sorrisão! - Tiara estourava flashes em cima das crianças. Por trás dela, fiz uma careta para minha menina, que respondeu na mesma altura. - Lana, não pode dar língua!

- Foi o papai que começou!

- Entregando seu velho, L? - Invadi o espaço, pegando-a nos braços com certa dificuldade. Tiara bateu outra foto espontânea e apontou para que eu fosse para perto da grande árvore de natal.

Eleanor estava sentada no sofá, gargalhando com Eric. Richard ao seu lado, obviamente, mas parecia menos animado que mais cedo.

-Lea. Vem tirar uma foto de família! - Tiara chamou. - Aqui, perto da árvore.

Richard levantou junto com ela, mas voltou a se sentar ao ver quem estava perto da dita árvore. Eu. Lana. A foto de família que Tiara queria era nós três.

Lea aproximou-se de nós, meio desconfiada.

-Estão fazendo complô para irritar o Ric hoje? - Sussurrou para mim, entre um sorriso.

-Não faço a mínima ideia do que você está falando. - Dei uma pequena gargalhada e passei um braço por sua cintura, logo que Lana saiu correndo para perto de seus primos.

Tiara bateu outra foto.

Perto das onze horas, meu celular tocou, e eu não precisei olhar para saber quem era. Pedi licença, tirando o gorro de natal que minha filha tinha posto em minha cabeça e me afastei, indo para frente da casa.

Atendi e desliguei o telefone, mais animado que qualquer coisa.

-Bruno?

Dei um pulo.

-Que susto, Lea.

-Desculpa. - Ela riu. - O que está fazendo aqui fora?

-Pensando.

-Na vida? - Eleanor me empurrou de leve, com o quadril. - Você não me engana. Estava falando com a Mia?

-Não. Ciúmes?

-Não, também. - Encarou-me de lado. - Estava falando com quem, então?

-Estava pensando, Eleanor Winters. Por que tão curiosa?

-Não é curiosidade. Eu sei quando você está mentindo.

-Sabe?

-Sei. De cinco... - Ela abriu a mão no ar, bem na minha frente. Abaixou dois dedos. - As chances de você estar tentando me enrolar são três. O que é bem alto. - Riu. - Eu não compraria você, se fosse uma casa. Muitas chances de queda.

Coloquei minha mão na sua, os cinco dedos levantados.

-100% de certeza que eu não estava falando com Mia. Nem com mulher nenhuma, na verdade. - Fechei nossas mãos juntas. - Qualquer uma que me interesse hoje está aqui.

-Sei. - Ela riu. - Vou entrar. Ou já já Ric vem me procurar.

-Ele não saiu do seu pé hoje, saiu?

-Nem por um minuto. - Soltou uma pequena risada. - Mas não posso culpa-lo. Deixou de passar com a família dele, para passar com a nossa.

Sorri feito um idiota. "Nossa".

-O que foi? - Lea me perguntou.

-Nada. - Puxei-a pela mão e dei um beijo em sua bochecha. - Vai lá. Daqui a pouco eu vou.

Quando minha amiga se afastou, eu não pude deixar de ver quem nos observava pela janela. Encostado como quem não prestava atenção, Richard não parecia nem um pouco feliz. Eleanor chegou ao seu lado e ele fez questão de beija-lá com intensidade. Sabia que eu o tinha visto.

Assim como ele, fingi que não prestava atenção.

O carro que estava esperando estacionou em seguida na frente da minha porta, assim que permiti a entrada. Corri para abrir a porta e fui recebido com um abraço forte e que tinha a mesma essência do da sua filha.

-Ai está, o cara! – O pai dela desce do carro, do outro lado, com um largo sorriso no rosto.

Apertei a sua mão e logo já abrimos o porta malas para pegar as malas. Agradeci meu conhecido que os trouxe aqui e paguei o que lhe prometi.

-Não deveria deixar você pagar as coisas, já gastou demais conosco.

-Vocês merecem e ela também, não podem imaginar a felicidade que ela ficará.

-Eu posso imaginar, porque será a mesma que a minha. Estou suando de nervosismo, olha. – Mostrou sua mão que estava molhada de suor.

Entramos pela porta principal e ninguém nos percebeu no primeiro momento, apenas Geronimo, que correu para perto e começou a cheira-los. Deixamos as malas ao lado da porta e ao chegarmos na sala, pigarreei para chamar a atenção.

-Não! – Quando ela virou-se e os viu, soltou as mãos de Richard e pôs sobre sua boca. – Mentira! – Suas mãos tremiam e ela vinha em direção, com as lágrimas nos olhos.

Foi um abraço dos três no primeiro momento. Acho que ela desejou que tivesse mais braços ou braços maiores para poder abraça-los completamente. Sua mãe chorou, como ela disse que iria fazer, e Lea já estava virada em lágrimas. Seu pai tentou disfarçar um pouco, mas estava com os olhos vermelhos. Ouvimos alguns aplausos da minha família para eles.

-Esse é o melhor presente da noite! – Tiara gritou e eu não tirei o sorriso que estava no rosto. Fico contente de ter acertado.

Não perdi a oportunidade de olhar para Richard, que estava com um sorriso falso e não parecia a pessoa mais contente ali.

-Você é um idiota. – Lea me abraça de surpresa. – Eu amo você, muito obrigada por isso. Você é o melhor!

-De nada! Falei que seu presente estava chegando. – Nos embalamos no abraço.

-Esse está sendo meu melhor natal!

-E que daqui pra frente todos sejam assim. Sim?

-Sim. – E num forte e selado beijo, ela marcou minha bochecha, fazendo-me apertar os olhos.

-Acho que essa foi à foto mais fofa da noite. – Tiara gritou com a câmera em mãos.

-E com certeza eu postarei! – Lea falou, me soltando e indo para perto de seus pais. Ela merece e precisa aproveita-los.

π

26 de Dezembro de 2015

Umma chamou as duas mulheres que trabalham aqui em casa duas vezes por semana, para ganhar um extra limpando as coisas da festa, não queria que minhas irmãs ou qualquer outra pessoa se sobrecarregasse com esse serviço, já que foi um feriado agitado pra todos.

Me tranquei no estúdio por horas esperando que elas limpassem, assim eu também teria tempo de me concentrar nas minhas músicas. Lana estava aproveitando o tempo com os avós e Lea, e ficaria na casa dela por essas duas noites consecutivas e o mau tempo resolveu meus problemas, fazendo com que Mia ficasse presa em Nova Iorque, por que não tem voo pra cá com toda a tempestade que está a caminho por lá. Essa é minha brecha para ter paz.

Quando o celular começou a tocar, pensei em deixar tocando. Pode ser Mia querendo conversar e eu não estou com saco pra isso.

Novamente ele toca e eu me obrigo a ver quem estava me ligando.

-Uma pergunta pra você, que é homem como eu… Se eu estou sentado no sofá da minha sala, pensando numa mulher insistentemente, eu estou apaixonado por ela?

-Bom dia, Caleb. - Reviro os olhos. - A única mulher que eu penso quando estou sem fazer nada é a minha filha, e como você não tem filha, presumo que esteja apaixonado.

-Eu odeio você, era pra dizer que não.

-Megan?

-Com certeza. Essa mulher nasceu pra me deixar louco. Eu me aproximei dela novamente pensando no sexo, você sabe. Mas passou tanto tempo e eu dei tantas investidas, mas ela quer apenas minha amizade. Eu entrei nessa zona mesmo?

-Das duas, uma. Ou ela está fazendo um jogo com você, esperando que você implore mais por ela, ou ela está sendo sincera e você não terá mais chance.

-Por Deus, essa mulher bagunça minha vida desde a faculdade.

-Por que você separou dela? Aquela vez, há anos atrás?

-Por que ela foi minha primeira, e eu só tinha ficado com ela durante anos seguido, e eu queria mais. Queria experimentar. - Ele faz um barulho estranho, não quero nem saber o que significa. - Agora estou sentado no meu sofá, um dia após o natal, com uma longneck nas mãos e o controle da televisão, falando com você sobre sentimentos.

-Bom, você só vai saber o que ela quer com o tempo. Mulheres são complicadas de entender. Até hoje eu não entendo.

Depois que nós desligamos, atendi uma ligação do Mark. Passamos muito tempo conversando e nos primeiros minutos de conversa eu já noto a diferença entre ele e Caleb. Caleb não aproveitou antes e quer levar a vida assim, achando que nunca iria por seu coração no jogo, já Mark é bem feliz com a esposa, há anos. Ele não se importa em levar a vida somente com ela.

Ouço algumas batidas na porta do estúdio e peço que entrem.

-Com licença, senhor. - Apareceu Rosie na porta, uma das mulheres que limpa a casa. - Desculpe… Bruno!

-Com o tempo está aprendendo. - Faço a rir. - No que posso ajudar?

-Acabo de limpar um dos quartos de hóspedes e achei isso. - Ela estende uma linda caixa de anel, cor de creme, em suas mãos. - Achei que fosse importante, então estou lhe entregando.

-Ah, claro. - Dei uma ordem para por tudo que acharem fora, porque não achei que fossem achar nada muito valioso, já que a maioria das coisas pela casa eram papeis de embrulho, resíduos de coisas que as crianças esconderam provavelmente e etc. - Em qual dos quartos de hóspedes achou isso?

-Ao lado do quarto da Lana. - Ela responde, pondo a caixinha em minhas mãos.

Abro-a cuidadosamente. Lá está um ele, um anel lindo e brilhante, um pouco espalhafatoso, diria eu. Mas chegavam a doer meus olhos de tão brilhoso.

Era pra ser dela, eu sei disso. Deixei o quarto da Lea ao lado da Lana, pois sabia que ela gostaria de ficar próxima da minha filha. Ela dormiu lá com o Richard na noite de natal. Esse anel era pra estar no dedo dela, era por isso que Richard parecia tão frustrado naquela noite, porque ele queria propor ela em casamento.

Não mesmo, nem por cima do meu cadáver!

Amasso a caixinha em minhas mãos e percebo que Rosie ainda está ali.

-Pode deixar comigo, eu entrego ao dono. - Sorrio pra ela. - Muito obrigada, Rosie.

-De nada, Bruno. Com licença.

Ela dá as costas saindo do meu estúdio. Ponho a caixinha do anel sobre um dos pratos da bateria. Cruzo as baquetas em meu colo e fico observando aquela pequena caixinha. Como será que ele iria fazer o pedido? Seria algo apenas ele e ela no quarto? Seria algo mais público, em frente a minha família e nossos amigos? Será que ele estava pensando bem quando fez isso, ou será que ele se arrependeu e acabou deixando a caixinha aqui propositalmente?

Mas também há a opção dele ter pedido pra ela no quarto, bem particular, e ela não ter aceitado. Qual é, Lea não quer casar. Ou quer. Eu não sei. Mas sei que ela odiaria esse anel porque ele é grande e brilhoso demais. Ela amaria aqueles mais discretos, que são delicados e femininos.

Perco o tempo encarando aquela caixinha e pensando o que estava rolando na cabeça do Richard naquela noite.

-Com licença, Bruno! - Umma bate na porta. - As meninas terminaram o serviço. Quer dar uma olhada?

-Não, está tudo bem. Confio em você e nelas. Muito obrigada, Umma.

-De nada… A campainha está tocando, um minuto.

Nem prestei atenção direito no que ela falou. Levantei do banco da bateria e fui ao banheiro. Fiz minhas necessidades e voltei, Umma estava entrando no estúdio.

-O namorado da Eleanor está ai, disse que precisa falar com você. O que digo?

-Diga pra ele entrar, por favor.

Assim que ela sai, pego a caixinha e coloco dentro da gaveta da mesa. A fecho e sento na cadeira, pegando um caderninho e fingindo que estava fazendo algo.

-Knock, knock. - Ele mesmo faz o som da batida. - E aí, cara. Como está?

-E aí. - Bato em sua mão. - Bem e você?

-Bem. - Ele coça sua cabeça. - Foi legal passar o natal aqui com vocês, me diverti bastante. - Por instantes passou na minha mente várias imagens dele com cara de tédio a noite toda, mas tudo bem, foi uma bela mentira.

-Ainda bem que gostou. Fazia tempo que não passava um natal agitado assim.

-Faço ideia. Seu tempo é corrido.

-Sim, e o dos outros também. Sempre quando resolvia comemorar algo, eles já tinham outros planos. Era terrível.

-Acontece. - O silêncio se instala ali por segundos e logo já é quebrado por ele mesmo. - Eu vim hoje por um motivo meio engraçado, na verdade.

-É? E qual é? - Pergunto, lançando minha cara de bobo que não sabe de nada.

-Na noite do natal deixei uma coisa no quarto, dentro das gavetas… Alguém encontrou?

-Não sei… O que era?

-Uma caixinha com o anel da Lea… Eu iria pedir ela em casamento aquela noite. Como não deu, vou armar outra coisa.

-Opa. Parabéns. - Estico minha mão pra ele.

-Obrigada. - Ele me cumprimenta.

-Ela está aqui. Acharam hoje e eu até pensei que fosse da minha irmã, minha família que tem dessas coisas assim…

-Ah, que ótimo. - Ele pega na mão. - Muito obrigada, de verdade.

-De nada. - Sorrio.

-Você acha que ela vai gostar?

-Ela vai amar! - Mentira, ela vai odiar esse anel brilhoso cafona. Mas não vou entregar peixe algum. – Na verdade, é meio irônico.

-Como? – Ele estava prestando atenção nas coisas do estúdio, mas parou para me olhar.

-É que a Eleanor... Bem, não vou falar por ela. Mas você não tem porte pra casar com ela, cara.

-E quem é você pra falar disso?

-Ela já falou em casamento com você? – O questiono.

-Não, mas falamos sobre filhos...

-Não confunda sol com lua, Richard. Nós dois conhecemos e sabemos que a Eleanor não quer casamento agora, e vocês se conhecem há quanto tempo? Três ou dois anos? O que isso quer dizer?

-Bruno, eu não estou pedindo conselhos sobre meu noivado com ela.

-E eu não estou dando conselhos pra você, estou apenas falando coisas que sei. Quem avisa, amigo é. Sim?

-Você não é meu amigo. Aliás, você sempre deixou bem claro que não gosta de mim. Não sei o que pensa em falar de nós quando passou um ano sem ver a sua melhor amiga por causa da sua namorada. – Ele deu ênfase no “melhor amiga”, como se estivesse desenhando as aspas bem na minha frente.

-Você não é meu amigo mesmo, mas ela é. O que aconteceu antes, fica no passado. Nós estamos bem agora e eu conheço muito bem ela para saber que pedi-la em casamento agora não seria uma boa ideia.

-Pode dizer o que quer dizer, Bruno.

-Nada contra, mas você não tem cara de quem aceita ela com todas as bagagens que ela tem. Saiba que casando com você, Lea não deixará a Lana de lado, nem suas amigas, nem seus passeios, muito menos eu. – Queria soltar algo, alguma felpa sobre ele ser preconceituoso, mas assim ele saberia que Lea escutou a conversa dele com seus pais e isso afetaria muitas coisas, principalmente nossa amizade por eu estar falando o que não devia. Respirei fundo e sorri pra ele, amarelo.

-Isso é assunto meu, cara. Apenas mantenha distancia do nosso relacionamento, ok? E muito obrigada por devolver o anel.

-Ah, claro. Tudo bem. – Dou de ombros e o acompanho até a porta. – Eu coloquei um feitiço nesse anel, mas essas coisas são bobagens, sim? Acho que não tem nada de mal.

-O quê? – Eu gargalho da sua cara de espanto.

-Nada, cara. Vá com Deus. – Aceno pra ele, bem irônico e fecho a porta sem nem esperar.