sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Capítulo 37



Você nunca sabe o caminho
um dia vai levar você
há sempre alguma surpresa
que vem para agitar você
(You Never Know - Ringo Star)


Desci tentando disfarçar a cara de choro que estava, mas era aparentemente relevante demais. No meio do caminho ainda algumas pessoas pegaram o elevador para descer. Desci em um andar qualquer e andei pelo corredor sozinha pensando em tudo isso.

Decepcionante.

Era essa a palavra correta. Dessa vez não era nenhuma tempestade em copo da água, era a realidade. Meu amigo virou um drogado quando? Cheirando a sexo e a única coisa que pareceu se importar é com a fama.

Ele não se importa mais comigo? Porque isso mudou?

Ajeito minha roupa e desço para a recepção encontrar um quarto pra mim. O homem procurou algum barato que estivesse disponível, mas não achou nada. No bolso da minha calça o cartão do Bruno parecia gritar para que eu o usasse. Sou bem maior que isso, irei passar aperto por uma única noite, mas não irei usar o dinheiro dele que ele conquistou com a fama dele.

-Desculpe senhora, temos somente esses quartos disponíveis. – Torceu os lábios pra mim, como se sentisse pena do que estava vendo.

-Tudo bem. – Ofereci meio sorriso e ajeitei minha mochila nas costas.

Subi até o andar que estávamos novamente. Estava tudo silencioso por ser madrugada, meu sono estava apertando. Pensei em chamar o Phil, mas seria injusto. Seria injusto chamar qualquer pessoa para me ajudar.

Sentei-me no chão do corredor e por ali fiquei. Meu celular estava com a bateria fraca, mas deu tempo de entrar em algumas redes sociais que agora fiz, como twitter e facebook. Acompanho o Bruno pelo twitter e ajudo a divulgar, por mais que eu não tenha tantos seguidores como ele, e no facebook uso mais para conversar com minha mãe e agora com meus amigos do Havaí.

E mais uma vez caio em lágrimas ao lembrar rapidamente de como estávamos antes da fama dele. O que me conforta é saber que isso pode ser apenas temporário, que talvez daqui poucos meses ele melhore e isso tenha sido apenas uma fase ruim.

-Lea? – Kenji aparece com um dos meninos ao lado. – O que houve?

-Noite ruim. – Tento sorrir pra ele, em vão.

-Noite ruim? Porque não está no seu quarto? Aconteceu algo?

-Vocês saberão amanhã... Ou melhor, Bruno não estava com vocês quando aconteceu...?

-Não, nós não o vimos desde que voltamos do show. Fomos até uma pequena boate. Onde ele está?

-Agora deve estar dormindo. – Olho para o lado quando ele se abaixa na minha frente.

-Foi algo grave, sim? Seus olhos estão tristes e você estava chorando...

-Eu sou uma boba, sentimental. – Sorrio novamente, sem vontade nenhuma.

-Vamos para o nosso quarto. Eu durmo no sofá que tem nele e você fica com a cama.

-Não se preocupe. Posso ficar no sofá, eu já estou acostumada há tempos com isso.

Ele ajuda-me a levantar. Passo a mão na minha roupa para tirar qualquer sujeira e vou até o quarto deles.

Kenji foi atencioso comigo, deu-me água com açúcar, pediu que eu me acalmasse e até remédio ofereceu. Deitei-me na sua cama, no final das contas, e não falei para eles o que tinha acontecido. Deixei a entender que seria algo pessoal, mas amanhã espero que o Bruno diga o que houve, até porque terá que ficar o dia todo aqui com eles. Não terá como esconder.

Ao acordar, a televisão estava ligada e os meninos em volta. Disfarçadamente tento levantar para ir até o banheiro, mas quando pego a mochila, algo cai no chão. Todos me olham, dão bom dia, e o único que vem ao meu encontro é o Kenji.

-Bom dia. Dormiu bem?

-Só dormi porque estava cansada, porque senão estaria acordada até agora. – Ri sem vontade e ele continuou a olhar-me com pena.

-Saiu na internet sobre o Bruno e você sabe, as drogas... Eu nunca imaginaria que fosse isso.

-Foram só algumas gramas de cocaína. – Ryan comenta.

-Algumas gramas? Trezentas gramas, Ryan. – Me obriguei a gritar. – Ele é a porra do seu amigo, ele está numa fria, e você ai fazendo piadinhas que não são cabíveis para o momento.

-Deixa o cara, ele queria aproveitar. – Rebate.

-Não se estresse Lea. – Kenji pegou em minha mão. – Vá se trocar, tome um banho, que eu vou ver o que vai ser de nós agora e do Bruno.

Depois de eu fazer minha higiene e sairmos do quarto, acompanhei Kenji até o quarto onde Bruno estava. O encontramos sentado numa poltrona, com um copo de água – aparentemente – na mão e uma cara horrível. Além de muito arrependido, parecia pensativo, acabado.

-Mãe! – Ouvi minha princesa e procuro de onde vem sua voz. Só vejo suas perninhas correrem ao meu encontro.

-Princesa. – Passo a mão nos seus cabelos, pegando-a no colo.

-Papai tá triste. – Fez uma carinha tão compreensível. Lana é uma das crianças mais inteligentes que já conheci (ok, não foram muitos).

-Eu sei meu amor. Papai precisa de um tempo sozinho. – Disse para ela que tornou a olhar pra ele, fazendo meu olhar seguir o dela e ver um meio sorriso se formar na boca dele.

-Lea, precisamos conversar. – Eu odeio quando dizem isso.

Larguei a Lana com o Kenji, que pulou direto para o colar que estava usando para mexer no pingente e perguntar o que era aquilo. Fui para a frente do Phil e ele gentilmente puxou meu braço indo para fora do quarto.

-Você que é uma pessoa sensata, me explica o que esta acontecendo, porque eu não estou entendendo mais nada. Acordei com a ligação do Brandon hoje de manhã falando que o Bruno foi preso por porte de drogas ontem. Foi por isso que largou a pequena comigo?

-Sim, falei pra você ontem... – Não poderia julgar ele, porque se me acordam de madrugada para falar algo, é certo que eu vou estar dormindo ainda e não processar a ideia. – Espera, Brandon já sabe?

-Está em tudo quanto é noticiário. – Passou a mão pela cabeça. – Porque é que ele foi fazer isso, hein? – Perguntou mais para si do que para mim.

-Eu também não entendo.

-Como você está?

-Arrasada? Não tem palavras. Talvez decepcionada... eu não sei! Estou de tudo um pouco, principalmente surpresa. Ele nunca foi disso, era completamente contra drogas, se enjoava até com o cheiro da maconha...

-As coisas mudam Lea. – Respirou fundo. – Ele é jovem, está passando por um momento. Nós o conhecemos e sabemos que ele está arrependido disso.

-Claro que está, mas ai me preocupa a imagem dele... Ele foi preso por cocaína, acha que pais de adolescentes iram querer comprar o CD de um drogadinho? – Pode até ter suado rude demais o que disse, mas não foi a intensão. – Ele lutou pra conseguir um lugar de destaque na música. Há anos está tentando, e quando consegue, faz algo que pode manchar o nome dele pra sempre?

-Isso é verdade. O que o delegado falou?

-Os policiais até brincaram com ele, pra descontrair, mas ele estava completamente alucinado, noiado. Acredita que ele sorriu pra foto do arquivo? – Repreendi o riso, querendo mesmo gargalhar. – Mas o delegado falou que o liberaria por ser reu primário, por que ele é famoso e terá a turnê agora e porque eu estava pagando a fiança, porque do contrario ele ficaria até o juiz dar um pré julgamento.

-E vai ocorrer o júri?

-Claro! Vai ser indiciado o processo para ver se ele será preso, ou pagará por isso, ou sairá impune, caso alguém prove que a droga não era dele. Mas ele também disse que se o Bruno acabar confessando, a pena é diminuída.

-Que confusão, meu Deus. Espero que dê tudo certo.

-Tem que dar. O negócio agora é conversar com ele. – Bufo, sem paciência alguma.

-Te peço pra ter calma. Ele está arrependido e cheio de problema nas costas, não vamos o sobrecarregar mais agora. Deixamos os xingamentos e lições para depois, quando tudo estiver mais ameno.

-Vou fazer isso porque você está pedindo, porque se fosse por mim estaria dando tapas na cara dele. Sabe que eu não tenho paciência para esse certo tipo de burrice.

-Sei e é por isso mesmo que estou pedindo. – Beijou o topo da minha cabeça e abriu a porta com o cartão, deixando que eu passasse primeiro.

Kenji estava a sua frente falando algumas coisas e Bruno o olhava atentamente. O clima estava bem estranho e ele parecia estar tomando um sermão. Olhei para o Phil que assentiu pra mim.

-Ken? Vamos comigo à farmácia? – O chamou com olhares sugestivos e Kenji captou na hora que era para deixar eu e ele a sós.

A pequena foi com eles, com a promessa de que ganharia um pedaço de picolé, já que não deixamos comer muita porcaria com essa idade, apenas poucas coisas com poucas quantidades.

Ao ouvir a porta bater o olho sem saber como começar e nem o que falar. Queria socar a cara dele, de raiva, faze-lo voltar à realidade, mas ao mesmo tempo queria seguir o conselho do Phil e abraça-lo, dizer que tudo vai ficar bem.

-Hã. – Os dois começam juntos e rimos juntos também. – Pode falar. – Ele me permite.

Puxo uma cadeira da pequena mesa para dois que há atrás de mim e sento na frente dele.

-Tudo vai ficar bem, ok? Isso foi apenas um momento. – Pego a sua mão e ele me olha, parecendo estar bem surpreso. Lembrei do choro dele à noite, em frente ao espelho, e me pego querendo chorar também. Phil tem razão, ele só precisa de bons conselhos agora e não apedrejas.

-Eu juro que eu não pensei em nada mais naquele momento. Eu fiz por fazer, porque outras pessoas me disseram que seria legal. Eu não pensei nas consequências, eu não pensei na carreira, não pensei na minha mãe, na minha filha e nem eu você. – Uma única lágrima escorre do seu olho, lágrima que ele não faz questão de secar, pois a vergonha e o medo são tão grandes que vencem a pose de macho. – Lea, eu só queria voltar no tempo pra apagar esse borrão.

-Hey, todos nós temos borrões escuros na história. São eles que nos fazem crescer, é o medo que nos mostra que somos melhores para enfrentar coisas maiores.

-Eu queria ser um exemplo para todos, inclusive para a minha filha. O que eu vou ser agora, Lea? O negro, drogado, pobre... – Balança a cabeça deixando mais lágrimas caírem.

Levanto da cadeira e o puxo para um abraço. Dói ver meu melhor amigo sofrendo, vê-lo tão preocupado agora me faz esquecer todas as coisas ruins e me concentrar somente na sua dor que deve estar sendo bem maior que a minha. Pra que se por para baixo desse jeito? Se Deus quiser ninguém irá tratar esse assunto como relevante na sua carreira, e sim apenas um deslize de artista iniciante. Não é como se ele fosse a Lindsay Lohan, que já tinha uma carreira antes de se entregar para as drogas, ou Amy Winehouse... Ele é apenas o Bruno Mars, artista iniciante, que ainda irá servir de exemplo para muitos.

-Nunca vou deixar que esses males te afetem. Sempre estarei aqui para mostrar que você é maior que tudo isso e que irá servir de exemplo sim.

-Eu amo você. Não sei como aguenta ser minha melhor amiga durante todos esses anos.

Mesmo que de muito leve, a palavra amiga atinge o peito doendo um pouco, é inevitável. Estamos há um ano e pouco ficando junto quase todas as noites, não é como se fossemos apenas amigos. Somos mais que amigos, sendo apenas amigos. Entende?!

-Ser irmã serve pra isso. Quase um casamento... Nas horas boas e nas ruins, até que a morte nos separe!

-Desculpa ter gritado com você ontem. Sabe que eu não queria dizer aquilo sobre a Lana ser apenas minha filha. Foi puro impulso.

Tenho o impulso de afasta-lo de mim e passar o dorso de minha mão no rosto. Ter apenas um resquício daquilo em minha mente me fez retornar para a noite passada. Eu odeio ser um pouco bipolar.

-Me desculpa pelo tapa... Você mereceu!

-Eu mereci. – Consigo arrancar um sorriso dele. – São tantas coisas que eu tenho que te agradecer que eu nunca ficaria bravo por um tapa que eu mereci.

-Faz parte de tudo isso. – Sinalizo um círculo e ele puxa meu braço, parando meu corpo de frente pro dele.

-Desculpa pessoal, mas alguém tem um termômetro? - Ouvimos a voz de Phil que rapidamente eu saio da frente dele, que puxa meu braço, mas tiro a tempo.

-O que houve? - Pergunta o Bruno.

-Eu tenho um para a Lana... - Ando em direção da mala.

-Hã, é com ela mesmo... Ela ficou bem estranha depois que saímos daqui, está caidinha e Urbana tem quase certeza de que ela está passando de estar apenas febril.

-A febre. - Ponho a mão sobre a cabeça. - A Lana tem uma espécie de... - Fico procurando o termômetro e não consigo terminar de falar o que queria.

-Ela sofre de febre emocional. Quando sente algo deslocado, brigas, e etc, ela fica assim. É normal.

-Normal não é, né, Bruno! - Digo impaciente, pegando a pequena bolsinha de remédios. - Vou com você.

-Eu vou junto. - Ele se aponta.

-Vá tomar um banho e tirar esse cheiro de você. - Pode ter soado grosseiro, mas é meu jeito. Não estava tudo bem entre nós ainda, eu ainda estava visivelmente brava e alucinada com toda aquela situação, e agora mais ainda por acarretar dor a minha pequena.

-Estarei ali daqui uns minutos. - Grita enquanto ia para o banheiro do quarto.

Batemos a porta fazendo um barulho e Phil passa o cartão dele na porta do seu quarto. Urbana está com ela deitada na cama enquanto sua pequena filha dorme. Ela dá tapinhas na coxa da Lana, contando uma história, e a princesa olhando para o nada se alerta com a nossa chegada.

-Oh meu amor. - Corro para a ponta da cama com o kit em mãos. Largo ao seu lado e pego na sua pequena mão. - A mamãe está aqui, nada irá acontecer. - Beijo sua mão e ela dá uma tentativa de sorriso.

-Pai. - Fala, sem entender se está perguntando por ele ou falando dele.

-Daqui a pouco ele irá vir ver você. - Pego o termômetro e coloco nela. - Fica quietinha, ok?

Perguntei a Urbana se ela deu algum trabalho naquele curto tempo, mas ela disse o que todos dizem, que ela não dá trabalho algum, somente quando demos corda pra ela, aí sim ela se abusa e faz coisas que todas as crianças fazem. O que é absolutamente normal e saudável.

Babei um pouco na pequena Zaima e retornei para ver a febre dela. Trinta e sete com nove, precisava medica-la com umas gotas de remédio, o que ela não gosta muito.

-Dodói? - Pergunta, unindo as sobrancelhas fazendo-me rir.

-É, mas agora a mamãe vai dar remédio pra melhorar. Vamos? Aí podemos passear, que tal?

-Parque? - Balança a cabeça bem feliz e eu concordo.

Dei a ela as gotas do remédio e uns minutinhos depois dei água para tirar o gosto ruim que deve ficar, apesar de que o remédio tem gosto de tutti fruti, o que não é nada ruim. Ruim é os de adultos.

-Se não for pedir muito, pode me dar um paninho molhado? - Perguntei ao Phil, que prontamente saiu à procura.

Bruno entrou no quarto deixando-me completamente silenciosa. Acho que Urbana entendeu que estávamos brigados, acho que ela também já sabia o motivo. Cumprimentou o Bruno e levantou da cama, verificando se a sua filha ainda dormia.

-Amor, acho que vou tomar algo ali embaixo! - Disse da porta, fazendo um sinal para Phil.

-Pegue esses lenços umedecidos. - Entregou-me um pacote. - Vou junto, amor.

Entendi o porquê queriam sair. Queriam me deixar com ele para ver o que aconteceria. Nenhuma cabeça iria rolar, não enquanto minha pequena estivesse daquela forma.

Ajeitei-me na cama e falei que iria cuidar de Zaima para eles. Pus a Lana sobre minhas pernas a envolvendo com meus braços. Lana ainda ficou babando pelo seu pai por alguns minutos, sabia que daqui uns instantes ela cairia de sono, é efeito colateral do remédio.

Quando ela dormiu, arrumei o lado da cama para que pudesse deita-la ali e levantei. Não poderia ficar muito tempo parada naquele estado de nervos que eu estava.

-Lea?

-O que houve? - Despejo um tom de nojo na resposta.

-Eu ia falar que... Bom, esquece.

-Fale.

-Pensei que tinha me desculpado. Eu já disse que estava mal, que eu não sabia o que estava fazendo, somente deixei levar-me pelo momento e agora estou arrependido. Se quiser, eu me ajoelho! - Dramatizou, com encenação de suas mãos e tudo mais.

-Pare com isso. Já desculpei, eu te entendi, mas não esqueci. Provavelmente hoje eu ficarei assim com você, ou não. Sabe que eu tenho uma tendência bipolar no meu sangue, e sou imprevisível!

-Seja previsível! - Pegou meus pulsos com força. - Seja comigo agora. Bata em mim, chore, desconte a sua raiva, mas não me trate como um ninguém e não me ignore dessa forma.

Tive que absorver para o lado bom tudo que ele disse, pois se deixasse para apenas minha mente comandar o que eu estava querendo fazer, provavelmente iria acabar arrebentando pratos na sua cabeça, o chamando de tantas coisas, batendo no seu corpo e no final, chorando, por pena pelo que faria. Usei do meu melhor filtro para deixar tudo da melhor maneira.

-Eu tentarei, mas não hoje! Eu estou realmente chateada e decepcionada. Deixe-me absorver, por favor.


Domingo, último dia em Vegas. Acordei com a corda toda, mas já querendo pegar essa corda e me enforcar por lembrar que amanhã seria apenas mais um dia de trabalho. Porque eu não posso levar a vida boa como todo mundo dessa viagem? Cada um faz seu próprio horário e se diverte. Eu vendo, me divirto em partes e tenho um horário a cumprir.

-Bom dia. - Falo confusa quando vejo o Bruno no quarto. - Não ia sair com os meninos?

-Bom dia. - Sorriu pra mim, ajeitando a camisa. - Sairei, mas quis esperar que acordasse para reparar na Lana. Ela está bem e está assistindo desenho. - Apontou para o sofá bem em frente.

-Ah sim. - Esfrego a mão no rosto.

Faço minha higiene no banheiro e saio prendendo o cabelo com a boca cheia de gostinho de pasta de dente. Como eu amo essa sensação.

-Hey. - Ela parou em minha frente.

-Oi. - Tento me desviar.

-Está tudo bem entre nós hoje?

Olho para os meus pés, dou um meio sorriso e assinto positivamente. Tá tudo bem, não irá levar a nenhum lugar ficar de mal com ele para o resto da vida.

-Está.

-Obrigada. - Abraçou-me. Sem querer, quando envolvo minhas mãos pelo seu corpo, o arranho. Rio que nem boba do que aconteceu e da fisgada que ele deu. -Eu quero você, Lea.

-Bruno... – Como eu iria dizer que não o quero porque ontem a noite provavelmente ele pegou algumas vadias? E bêbado e drogado ele pode não ter usado camisinha?

-Eu não transei com ninguém.

-Hm. – Esperei que ele falasse a verdade.

–Ok! Uma mulher.

-Bruno! – Começo a rir pela careta que ele fez. – Se protegeu?

-Sempre. Sabe que eu não sou um sujo.

-Eu ia falar uma coisa, mas eu prefiro calar minha boca antes que acabamos discutindo.

-Pode dizer...

-Ia falar que eu também pensei que nunca iria usar drogas, mas... – Ele continuou a me olhar sério. – Viu, eu falei!

-Para. – Começou a rir. – Eu sempre me cuido.

-Tudo bem, garanhão. Ela era bonita? – O abraço de lado.

-Traços orientais... Muito funda, parecia não ter um limite, sabe? Apertadinha, mas ia até o talo e não parecia.

-Muito magra então?

-Demais. Orientais, né. Prefiro o seu corpo. – Deu um tapa estalado na minha bunda.

-A Lana. - Belisco seu braço, procurando-a por cima para ver se ela estava alerta a nossa conversa, mas sua concentração estava apenas na televisão. - Ainda estou puta com você.

-O que eu fiz dessa vez?

-Digamos que eu chorei por você aquela noite toda...

-Lea. – Ele interrompe meu pensamento, parando para me olhar. – Me desculpe, novamente. Meu Deus, eu sou um merda. Onde você dormiu ontem? Nem nos falamos o resto do dia.

-Tentei conseguir um quarto, mas todos baratos estavam ocupados e o resto luxuoso demais para apenas uma noite de sono. Sentei no corredor e ali fiquei por um tempo, até o Kenji me acolher.

-Ah, claro. – Soou irônico seu comentário, mas dispensei qualquer pergunta sobre. – Dormiu com ele?

-E com o Phred e seus dreads muito loucos.

-Você dormiu na mesma cama que o Kenji ou que o Phredley?

-Hm, dormi na cama do Ken sozinha, ele dormiu no pequeno sofá, coitado. E quando acordei estavam a maioria dos meninos no quarto.

-Hm. – Ficou calado, somente me olhando. – Você sabe que o momento que você quiser, o Kenji leva você pra cama, não é?

-E daí? Ele levará se eu quiser, e outra, somos completamente abertos. Se algo rolar, rolou. – Eu precisava sair por cima da carne seca, já que falou da vadia japonesa, eu falo do querido japonês! Oriental por oriental, né?!

-Você que sabe, Eleanor.

-O que foi?

-Você que sabe se vai ficar com ele ou não! Pode dar pra ele, agora se quiser.

-Que isso, Bruno. Eu posso ficar com quem eu quiser, sim?

-Não com ele... É meu amigo, companheiro de banda.

-E o que tem? – Era isso que eu queria entender, queria que ele dissesse algo, mas ele não disse.

Fechou a cara e andou em direção da sua mala, abrindo-a e procurando algo que eu acho que nem ele sabe o que era. Cheguei perto dele, pondo a mão nas suas costas, sentindo a tensão que estava sobre o seu corpo quente. Beijei sobre a sua blusa, seu braço, e acariciei seu cabelo. Quando virou para mim, a fim de falar algo, creio eu, eu o beijei.

Não foi impulso, foi vontade e momento. Eu queria fazer aquilo para mostrar mesmo que estava tudo bem entre nós.

-Você é um idiota. – Murmuro quando separo nossas bocas.

-Devo ser. – Balançou a cabeça, envolvendo suas mãos no meu corpo. – Um idiota que te fode melhor que ninguém. - Murmurou.

-Sempre acaba em sexo, isso. – Mordisco a ponta da sua orelha e ele se arrepia todo. – Eu sou a melhor que você já comeu e que irá comer, anota isso.

-A melhor bunda também. Por falar nisso... Faz tempo que não fazemos um anal, não?

-Quando voltarmos pra casa, isso se você merecer!

O ver sorrir após esse baque de problemas era gratificante, e no fundo o Bruno estava lá, apenas assustado e com medo de toda essa coisa nova que está girando ao seu redor.

Durante a tarde, quando os meninos saíram para curtir Vegas, juntei-me a Urbana, Cindia e Liam, o filho dela com Eric – o primeiro, afilhado do Bruno ainda por cima, só para deixa-lo mais bobo com o pequeno -, e nossas duas princesas. Olhávamos algo na televisão e fofocávamos sobre de tudo um pouco. Elas começaram com o assunto de maternidade, mas não me envolvo porque disso eu não sei nada.

Parei para pensar somente no que aconteceu nesse longo final de semana, e pensando no quanto mudará daqui para frente. Bruno está adquirindo mais fama, agora com essa pequena turnê com o Maroon 5, mais seu CD que está chegando, e muito mais apresentações que virão... Seu nome já está bem conhecido e ficará mais. Um dia ele irá arranjar alguém para juntar as escovas de dente e eu também terei que seguir meu rumo. Até lá espero que a Lana esteja grande o suficiente para entender que nós não somos um casal e que eu não sou a sua mãe biológica.

Tem muita estrada para se trilhar, mas são coisas que não posso deixar de pensar.

É inevitável não pensar no futuro, que pode ser próximo ou não.

-Bruno foi até a delegacia ou saiu com os meninos?

-Saiu com os meninos.

-Coloque rédeas no seu homem, mulher! – Urbana toca em minha perna.

-Meu homem? – Começo a rir. – Não é meu homem, e Bruno não é o tipo de pessoa que é fácil se pôr rédeas. Difícil de lidar.

-Acho que nunca irei entender o que acontece entre vocês. – Cindia arruma seu seio que Liam termina de mamar.

-Nem eu. – Respondo na mais perfeita sinceridade. – Nem eu! – Repito baixinho, pensando com meus botões.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Capítulo 36


Se eu fosse preso e sentenciado a 25 anos de prisão
Eu poderia contar com você pra estar lá e me ajudar mentalmente?
(21 Questions - 50 Cent)


Dezoito de setembro de dois mil e dez. 

Fama, glamour e muitos holofotes. Todos virados para minha vida. Tudo mudou definitivamente da noite para o dia e da água para o vinho. Há fotos minhas em todos os cantos e todos sabem quem eu sou.

Com o resumo da ópera, cá estou:

Em maio lancei meu primeiro EP, para testes de ver como irá se sair o primeiro CD, e para nossa surpresa, foi bem visto por todos. Por todo o público e críticos. Fiquei feliz demais e comemoro até hoje por essa conquista.

Em junho trabalhei nas outras músicas, em especial uma que escrevi inspirado demais. Em julho, assim que escolhemos todo o repertório do CD e a ordem, escolhemos Just The Way You Are como single. E, de novo para nossa surpresa, ela bombou. Ficou no nível - ou talvez até acima - do que Nothin On You e Billionaire. Eu era famoso agora, com uma música no topo das paradas musicais do mundo e quatro vezes em primeiro lugar na Billboard. Cee Lo convidou-me para se co-autor da sua música há um tempo atrás, com mais alguns toques e lançamos à em agosto. Também foi um sucesso, não tão grande como a minha, mas foi muito bem vista por todo o mundo.

Agora em setembro minha vida estava já num patamar mais alto. Todos me conheciam, minha fama estava aumentando cada vez mais. O clipe do meu primeiro single foi um completo sucesso e eu não sei nem como agradecer e a quem agradecer. Claro que primeiramente à mim mesmo, por conseguir ser bom nisso. Final de semana passado me apresentei no MTV Video Music Awards, e caramba, nunca havia ficado tão feliz.

Sem contar que, com o dinheiro de tudo que consegui, paguei uma casa nova para minha mãe, aquela que eu falei que um dia compraria, eu comprei. Mobiliei nossa pequena casa de Los Angeles e ajudei minha irmã mais velha com sua mudança para LA e financeiramente falando, estamos maravilhosamente bem.

Mês que vem já chega o lançamento do meu CD, eu não poderia estar mais extasiado.

-Papai. - Lana caminha até mim, com a carinha de sono. - Quero assistir filme. - Piscou seus olhinhos graúdos.

-Lea já disse que não pode assistir filme agora, bebê. - Pego-a no colo. Meu bebê está bem pesadinha. - Vamos viajar agora.

-Eba. - Bateu as palminhas.

Eleanor Pov's

A casa estava dinâmica demais. Da noite pro dia parece que nada mais fica calmo, além da noite. É um entra e sai dos meninos, do Dre - o segurança que Bruno teve que contratar -, além do Ryan e os outros amigos que ele tem.

É bom, claro, amo casa cheia, mas chega uma parte que a gente se perde do que estava fazendo porque tem que dar atenção para as pessoas. E a minha queixa principal é que o Bruno deixa os meninos fazerem a casa de lixão e não se preocupa em me ajudar a limpar. Pobrezinha da Lana que, quando me vê juntando os copos de plástico vermelho, ajuda-me do jeito que pode.

Estávamos indo para Las Vegas onde terá um pequeno show num cassino e após umas comemorações. Urbana e Phil estão indo conosco no mesmo avião, os meninos irão a outro. E a pequena filha deles, Zaima, é linda, e Lana ajuda-a cuida-la.

Minha vida está repleta de novos orgulhos. Minha pequena a cada dia cresce mais. É uma princesa de linda, sempre está procurando se arrumar e ama dançar. Gosta de manter uma boa alimentação de acordo com a dieta que o médico passou, e isso é maravilhoso.

Além do Bruno, que está crescendo no mundo da música. Todos sabem quem é Bruno Mars, todos o conhecem e especulam sua vida. Paparazzi o procuram de vez em quando, pessoas importantes ligam para ele, foi convidado há milhares de coisas e agora está do jeito que se imaginou um dia, com suas fotos em todos os cantos, suas músicas na boca do povo e autógrafos.

Se eu tenho um pouco de inveja? Não, tenho saudades... Por mais que sua fama esteja crescendo, Bruno está se dispersando de mim, vai deixando-me de lado pouco a pouco, mas nada demais, isso passará.

"Traz algum presente pra mim. Quero comida ou algo do tipo, e roupas! Beijo se cuida lá e aproveita".

Li a mensagem de Megan e ri, respondendo para ela. Quando eu imaginaria que estaria viajando pelo segundo final de semana consecutivo e de avião? Nunca.

Megan está bem, separada do Caleb, mas bem. Eles ainda se veem, mas decidiram que nada seria o mesmo. Não acredito que isso durará por muito tempo, mas todo o caso...

-Me dê ela. - Estico as mãos para que Bruno coloque a Lana em meu colo, já adormecida.

-Ela está pesada. - Faz um movimento estranho com os braços para espreguiçar-se.

-Muito. - Comento com a voz falha. Sento-me na Van e Kenji entra, olhando para mim e sorrindo. - Olá marujo. - Dou um beijo em sua bochecha.

-Capitã. - Bateu contingencia pra mim e sentou-se no banco em frente ao nosso, aos risos.

-Nunca vou entender isso. - Bruno comenta meio estranho.

-Piadas internas. - Começamos a rir.

-E aí, meu capitão. - Deu um beijo no rosto de Ryan.

-Hey, sai pra lá. - Passou a mão no rosto, fazendo cara de nojo e Bruno gargalha alto, tentando dar mais beijos nele.

O resto da viagem foi tranquila, tanto na Van quanto no avião. Os meninos fazendo palhaçadas e a pequena dormindo, enquanto eu e Urbana fofocávamos livremente. Em dado momento da viagem, durante o trajeto aeroporto/hotel, Bruno estava com os meninos rindo e de repente ficou sério.

-É sério, faria maravilhas. – Me concentrei para ouvir o que saía do fundo daquela Van.

-Tá, mas pra que ficar falando. Deixa tuas vontades somente pra ti. – Bruno não parecia estar contente, nem um pouquinho, com o que disseram.

-Credo, cadê o espírito de animação e entusiasmo? – Ouvi a risada de Eric.

-Foi embora junto com a minha paciência. – Bruno trocou de lugar na Van. Olhei para a Urbana, sem entender nada e ela riu, baixando a cabeça.

-O que rolou lá atrás? – Pergunto pra ela.

-Brincadeiras de homens, Kenji acabou dizendo que ficaria com você e que faria maravilhas, coisas que eles sempre estão brincando, e aparentemente Bruno ficou com muito ciúme.

-Idiota. – Gargalhei, balançando a cabeça e voltando meu olhar para ele, que encarava a janela silenciosamente, até perceber que eu o olhava e olhar pra mim.

Não acredito que tenha sido ciúmes, creio que mais uma coisa de marcação de território, como quem dissesse “essa é a minha foda garantida, tira o olho”, e não ciúmes. Até porque nada justifica.

Olhar para ele ficou estranho tão repentinamente, às vezes eu sinto a presença somente do Bruno que ficou famoso e não daquele Bruno pai, amigo e conselheiro. Agora mesmo quando olhou em meus olhos, eu senti um pouco daquele carinha que chorava com medo que tudo desse errado.

Não deu tempo de fazermos muita coisa no hotel, apenas cada um largar seus pertences e se arrumar para o pequeno show. Bruno vestiu sua roupa antes de mim, enquanto eu ainda vestia a Lana. Coloquei minha roupa e já desci junto dele e da nossa pequena.

-Lá. – Lana tentava soltar da minha mão olhando para uma mulher com duas crianças e um cachorro e apontando.

-O que, Lana? – Estava perdendo a paciência com seu showzinho de querer sair das minhas mãos.

-Lá, mãe. – Diz, puxando sua mão da minha mais uma vez.

-Você não vai lá, estamos entendidas? – Me abaixo para dar a bronca nela, que quando vê seu pai, faz bico de choro e já começa a correr a lágrima de atriz.

-Que houve meu bebê? – Bruno a pega no colo, passando os dedos pelo seu rostinho.

-Lea. – Continuou a chorar.

-Que você fez pra ela, Lea? – Perguntou de mansinho pra mim.

-Pai, lá! Vamos? – Puxou a camisa dele, apontando para o mesmo local.

-Quer ver o cachorro? Ou as crianças?

-Au, au. – Respondeu, balançando a cabeça.

Fomos para a Van que nos largou no estabelecimento em pouco minutos. Atendi a ligação da minha mãe dizendo que estava com saudades e querendo ouvir a voz da Lana por alguns segundos. Bruno ligou para sua mãe pedindo a benção e a sorte para arrasar no palco.

Coloquei os protetores de ouvido na Lana, sentei-me ao lado de Urbana e assisti o show com toda a concentração do mundo, admirando sua pose em cima do palco, seu amor a música, sua alma cantando junto da sua voz... Todos os pequenos detalhes que o fazem um grande cantor.

É tanto orgulho que sinto por ele.


O celular toca alto no móvel ao lado da cama. Alto suficiente para eu me acordar num pulo, assustada com o horário, pela falta de Bruno e pelo sono da Lana.

Meio grogue, vejo que são quase quatro da manhã, Bruno não está ao meu lado, o que me assusta um pouco, mas eu não tenho tempo para pensar. Atendo o telefone sem nem olhar o número, e eu me acalmo um pouco.

- Lea? Sou eu. - Sua voz ofegante e nervosa faz a calmaria por estar escutando sua voz diminuir consideravelmente.

- Bruno? Onde você está?

- Lea. - Ele respira fundo. - Me desculpa. Vem me buscar.

- Bruno? Do que você está falando?

- Tem um cartão reserva na minha mala, Lea. Você sabe a senha. Você precisa sacar dinheiro na minha conta. - Bruno continua, afobado. - Não fica com raiva de mim.

- Bruno. - Eu já estou tremendo de medo, pensando no que poderia ter acontecido. - Por favor. Me diz, onde você está?

- Lea... Eu tô na delegacia. - Eu posso escutar sua voz falhar.

- Você tá bem? - Me levanto, começando a catar uma roupa. - Você foi assaltado? O que aconteceu?

- Eu... Eu fui pego com cocaína, Lea. Eu estou detido.

Meu mundo começou a girar um pouco mais devagar. Cocaína? Que merda era aquela? Termino a ligação, falando friamente, enquanto Bruno me pede várias desculpas, parecendo extremamente nervoso e assustado. Se estou com pena? Não! Estou com raiva. Onde ele fora se meter? Com aquelas festas, que segundo ele eram pra conhecer pessoas dos ramos que ele anda frequentando... Eu poderia até desconfiar de maconha. Mas cocaína? Nunca.

Demoro para me arrumar, apenas porque estou com muita raiva para ir livrá-lo disso com pressa. Termino de me vestir e acho um cartão em sua mala, para pegar dinheiro para pegar sua fiança. Não sei nem como funciona isso tudo. Preso...

São quase cinco quando pego Lana no colo, tentando não acordá-la.

- Mãe. - Se joga nos meus braços, reclamando.

- Shii, amor. - Beijo seus cabelos, levando-a para fora dou quarto.

Seguro-a com um braço só, batendo na porta de Phil. Ouço sua voz, sonolenta, avisar que já vai. Demora um pouco até que ele abra.

- Lea? Aconteceu alguma coisa? - Ele encara minhas roupas, e Lana de pijama.

- Aconteceu... - Eu cerro meus dentes. - Bruno foi preso.

- Bruno foi o quê? - Arregala os olhos tanto, que em outra situação, eu teria rido.

- Drogas, Phil. - A decepção é firme em minha voz. - Pode ficar com a Lana para eu tirar ele de lá? Por favor?

O táxi me deixa bem em frente a uma delegacia, depois de passar num caixa eletrônico, não mais que dez minutos do hotel. O sol já começa a despontar no céu da tão famosa Las Vegas, e eu só consigo desejar profundamente que Bruno tivesse voltado pro hotel comigo, dormido comigo como estamos acostumados, e que eu não precisasse tirá-lo de um lugar como aquele.

Meus passos são vacilantes para entrar ali, e eu quase dou meia volta quando me perguntam se preciso de algo. Digo que estou para liberar uma pessoa, informo o nome de Bruno, assino alguns papéis e formulários, pagou uma taxa e fico sobre aviso de uma carta que chegará em casa. Com a data do julgamento. Meu corpo treme com a palavra julgamento.

O policial pergunta se eu quero acompanhá-lo para liberar Bruno, mas eu fico pela recepção. O relógio marca exatamente sete e dez quando o vejo. Vestia uma blusa xadrez vermelha, toda amarrotada. Seus cabelos estavam uma bagunça, e seu olhar, cansado. As olheiras eram enormes e seu rosto parece se iluminar um pouco quando me vê.

Ele adianta o passo em minha direção, e abre os braços para me abraçar. Eu não reajo. Ele me aperta contra ele, e eu me mantenho imóvel.

- Eu tive tanto medo. - Sussurra no meu ouvido, e eu tento engolir o nó em minha garganta. - Lea?

Seu cheiro me enoja. Sua imagem me enoja. O Bruno que eu conheço, o meu Bruno, não faria uma coisas dessas.

Eu sequer o respondo antes de começar a andar até a calçada. Seus passos me seguem, enquanto eu espero um taxi passar ali pela frente.

- Lea. - Ele segura-me pelo cotovelo, puxando-me para olhar pra ele. - Não fica com raiva de mim. Eu posso explicar.

Eu desvio meu olhar. Não quero olhar para ele!

- Por favor. Fala comigo.

Eu estico a mão para um taxi que passava e ele finalmente para, então entro, com Bruno ao meu lado.

- Me perdoa. - Fala baixinho, e eu continuo olhando para fora da janela.

Descemos no hotel e eu acelero o máximo que posso para entrar. Só quero minha cama, esquecer dessa coisa horrível e que a raiva que eu estou de Bruno passe.

- Lea! Você não pode me ignorar. - Bruno novamente segura meu braço, antes que eu possa entrar no lobby.

- Eu posso. Quando você não estiver drogado, nós podemos conversar.

- Eleanor...

- Me solte. - Dou um tranco no braço, andando forte. - Nem pense em falar comigo hoje.

Ele parece se assustar, mas não fala nada. Entramos no elevador e ele me pergunta onde Lana está, olhando para o chão.

- Eu vou vê-la. - Me avisa, caminhando para o quarto. - Preciso da minha filha comigo agora. Só Deus sabe como eu estou...

- Você não vai vê-la.

- O quê?

- Você não vai pegar na Lana! - Seguro seu braço com força quando ele ameaça bater na porta de Philip.

- Você está louca?

- Não vai pegar nela assim! Sujo de vadia! Sujo de droga e de cadeia.

- Lea, eu não...

- Não o quê, Bruno? Eu disse alguma mentira?

- Mas...

- Desde quando você é um drogado? Quando pretendia me contar?

- Eu não sou um drogado!

- É o que parece. - Olho-o das cabeças aos pés, com uma careta de nojo. - Nunca pensei que te veria assim.

- E-eu...

- Você não vai pegar na Lana. Você não vai.

Sigo para o quarto ao lado, nosso quarto, e mais uma vez ele me segue. Envergonhado, nervoso e assustado, isso que o Bruno está.

- Lea, você vai me ouvir agora?

- Não. - Pego sua mochila, derrubando as coisas numa cadeira ali perto.

Abro minha mala e começo a juntar apenas uma muda de roupa para mais tarde, não iria dividir minha cama com ele. Iria para outro quarto.

- O que você está fazendo?

- Eu não lhe reconheço. - Eu enfio uma blusa na mochila. - Estou indo dormir em outro lugar.

- Eleanor!

- Não fale comigo!

- Eu não vou implorar sua atenção, porra! Você não vê meu lado? - Ele berra, muito alto. - Eu acabei de passar a noite na delegacia! Acabei de sair da porra de um trauma e você só faz me julgar!

- Talvez você mereça ser julgado! - Fecho o zíper da mochila com força.

- Você fala como se nunca tivesse errado! Como se nunca...

- Nunca o quê? - Empino meu nariz, para passar por ele. - Eu estou com nojo de você. Uma raiva que você não tem ideia.

- Eleanor...

- Você é um péssimo exemplo. Não merece a filha que tem!

- A minha filha! - Ele estuda o peito, ainda gritando. - Nada sua!

Minha mão bate no seu rosto num estralo, tanto por ele dizer que a Lana não é minha, mesmo eu sabendo disso, quanto por toda raiva que eu estou.

- Quando você for o meu Bruno de novo, você me chama.

- Não existe nenhum Bruno seu. - Ele replica, voraz, passando a mão no lugar que eu bati.

- Estou vendo. - Abro a porta.

- Pra onde você vai? - Ele pergunta, alarmado, parecendo baixar a guarda.

- Pra longe de você! - Respondo, finalmente batendo a porta.

Luto brandamente para não chorar, e por mais que tenha vontade, não choro. Peço o elevador, mas dou meia volta, por ter esquecido minha carteira. Sem ela, não poderia ir a lugar nenhum.

Praticamente rezo para ele estar no banho e não me ver, e por sorte, ele está. Destranco a porta com meu cartão, e entro.

A porta do banheiro está aberta com uma única fresta, e eu tento não olhar.

Pego minha carteira sobre o móvel ao lado da cama e jogo o cartão-chave do quarto ali. Adianto os passos para ir embora, mas dessa vez é inevitável parar para olhá-lo rapidamente.

Bruno está em frente ao espelho, com as duas mãos na cabeça. Ele chora descontroladamente, soluçando, enquanto se encara. Sozinho, sem mim e sem Lana. Meu coração se aperta, e eu saio dali antes que não consiga controlar a vontade de abraça-lo e dizer que estava tudo bem.

Fecho a porta com cuidado e peço o elevador. Dessa vez, é impossível segurar. Choro, como ele.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Capítulo 35


Você está tentando ser legal, mas parece um idiota para mim
Diga-me
Por que você tem que deixar as coisas tão complicadas?
Veja, o jeito que você age, como se fosse outra pessoa
(Complicated - Avril Lavigne)

Preguiçosamente, levantei pelo sábado na manhã. O tempo estava abafado, quente e o sol parecia querer se aproximar mais e mais de nós. Abri todas as janelas e cortinas para arejar a casa e ver se o calor passava um pouco, mas era quase impossível. Não tínhamos nem chego ao verão ainda e está dessa forma? Só quero ver o que maio/junho preparam pra nós!

-Porra, Lea. – Bufou quando abro a janela do quarto por último. – Que horas são?

-Bom dia. Já deve ter passado das dez.

-Merda. – Levantou rapidamente da cama, todo desajeitado. – Bom dia. – Chegou próximo ao meu corpo, cafungando em meu pescoço e dando um leve beijo da minha boca.

-Como passou a noite? – Sentei-me na ponta da cama, observando-o pegar uma roupa para ir à reunião do estúdio.

-Bem, tirando a parte que você roncou.

-Eu ronquei? – Começo a rir.

-Sim, e muito. Quase acordei você pra ver se melhorava, mas meu sono era tanto.

-Você também ronca de vez em quando.

-Então estamos bem. – Ele dá de ombros. – Já me disseram que eu peidava.

-Mas isso é normal. – Faço o mesmo movimento que ele. – Até a Lana peida dormindo.

-Falando nela... Estranho não ter acordado.

-Ela ferveu a noite toda ontem, lembra? Olhamos O Rei Leão até duas da manhã.

-Verdade. – Balançou a cabeça tocando a roupa para cima da cama. – O que acha de pegarmos um cinema? Algo diferente?

-Hm. – Matutei em minha cabeça como seria sair de casa nesse calor infernal para ir a um cinema com uma criança, sendo que temos que carregar a sacola dela, a minha... Seria legal um passeio em família, por outro lado. – Vamos.

-Ok. – Tirou a bermuda com a qual dormiu. O lembrei de que estávamos no mesmo quarto que a Lana e ele a vestiu novamente. – Ontem me perguntaram sobre a Diana...

-O que?

-Na verdade um dos meninos perguntou se eu não tinha medo, agora com esse negócio da minha carreira subir, sobre ela querer voltar.

-E o que acha? – Sinceramente, esse não é meu medo. Ela é tão nem aí pra tudo, que não voltaria apenas pelo dinheiro, sabendo que a justiça nunca deixaria isso acontecer.

-Acho que não, aliás, nem gosto muito de falar sobre isso, vá que atraia maus olhados e más vibrações.

Me convidei para tomar banho junto com ele, ontem não conseguimos fazer nada e há dias ele está precisando relaxar com esse negócio de músicas, estúdio, CD... O que custava fazer um carinho para agradá-lo?!

Tirei meu pijama, colocando-o ao lado da pia do banheiro. Apoio-me na pia e o encaro, nu, em minha frente.

-Um dia pintarei um quadro de você, nua... Como Titanic.

-Não faça isso, há milhares de métodos para espantar os pernilongos... – Bruno ri, balançando a cabeça e ficando com seu corpo um pouco mais próximo do meu. – O que faria com um quadro meu?

-Criaria um quarto, o Quarto da Punheta, pra quando eu quisesse desestressar e ficar sozinho, ficaria lá com sua foto, algumas revistas e uns filmes pornôs.

-Sem dúvida uma das coisas mais medonhas que já ouvi.

O puxo para beijar sua boca que já estava a tanto tempo separada da minha. Agarrei seu cabelo, agora um pouquinho mais alto, e mordi seus lábios, brincando com a sua boca. Bruno encostou-me na porta fechada e levantou uma perna minha para pôr em torno do seu quadril, e mesmo com seu pênis ainda molinho, pegou-o e passou em volta do meu sexo. Não é tão bom quanto duro, mas ainda dá uma cocega boa.

-Quero foder você aqui. – Passou o dedo sobreo buraco apertado da minha bunda. – Te fazer gritar...

-Fode! – Gemo baixinho.

-Não posso demorar, já estou atrasado. – Atracou meu pescoço, beijando vorazmente e puxando com os dentes a pele.

Enquanto nos beijávamos, sentia suas mãos acariciando minha vagina, de um lado para o outro e volta e meia introduzindo alguns dedos lá dentro, dando para minha boca chupar.

Entrei no box primeiro que ele, liguei o chuveiro e fui pega por trás já com sua mão acariciando-me novamente. Bruno se ajeitou, sentando no chão e inclinando-se para trás. Virei de frente pra ele, sentando em suas canelas. Com minhas mãos, massageei seu pênis a fim de deixa-lo mais duro, como eu sei que pode ficar, já que ainda estava meia boca.

Cuspi em minha mão e ajoelhei-me, com minhas pernas uma em cada lado do seu corpo. Passei a mão em minha boceta, molhadinha e já pronta para recebe-lo. Subi no meu colo, introduzindo seu pau em mim, dando fisgadas fortes e enterrando o máximo que podia.

Cavalguei sobre ele por alguns minutinhos até trocarmos de posição e transarmos em pé. Não é tão confortável assim quando tem que se equilibrar com uma única perna e cuidar para que a mesma não escorregasse.

Como estávamos sem camisinha, ele tirou bem antes de gozar e eu o chupei. Larguei todo o conteúdo no ralo e fiz gargarejo com a água do chuveiro para poder beijá-lo.

-Poderia ter feito isso sem precisar passar água na boca. É o meu gozo mesmo.

-Pensei que pudesse achar nojento.

-Você sabe muito bem que não acho. – Arrumou meu cabelo.

-Papai! Mamãe! – Ouvimos a voz da pequena gritando-nos.

-Foi na trave. Por mais alguns segundos eu iria acabar terminando isso na punheta.


Quando cheguei em casa, cansada demais, pus meu celular para carregar e deixei a Lana na sala, sentada no sofá, enquanto ia arrumando as coisas no lugar. Não parei um minuto ajeitando algumas coisas que estavam fora do lugar e algumas louças que precisavam ser lavadas.

A música do filme não saía da minha cabeça, até mesmo a pequena estava elétrica com o filme. Foi bom assistir um filme de animação tão alto astral assim. Como treinar o seu dragão me fez querer ter um pequeno dragão na minha casa chamado Banguela.

-Cadê papai? – Ouço a perguntar quando passo pela sala. Volto alguns passos pra trás.

-Papai foi rapidinho na casa do tio Phil. – Respondo para a pequena que volta a olhar a televisão.

Por enquanto a rotina da Lana é bem leve, nada demais, mas assim que ela puder entrar para as aulas de balé, iremos coloca-la e já estamos praticando em leva-la aos parquinhos para manter a infância saudável não somente apenas em frente a uma televisão.

Ouço algumas batidas na porta e na mesma hora meu celular toca. Fico dividida no que fazer.

-Já vai. - Grito para qualquer que seja na porta. - Alô? - Atendo a ligação que piscava da Megan.

-Oi, Lea, tudo bem?

-Tudo ótimo e por aí?

-Não muito bem... O Caleb não apareceu por ai, por acaso?

-Não... - Caminhava até a porta e a abro. - Ah, oi Caleb! - Digo ao vê-lo aparentemente mal.

-Lea, me escute, ele está bêbado! Nós brigamos, dê abrigo para ele por enquanto, mais tarde estarei ai. Ok?

-Tudo bem. Pode ficar tranquila.

Desliguei o telefone permitindo que ele passasse pelo espaço que lhe dei. Cambaleou um pouquinho e minha pequena sorriu ao vê-lo.

-Hey, amor, venha aqui com a mamãe. - A chamo, passando na frente dele. Não poderia deixa-la perto dele dessa forma e cheirando a bebida.

-Cheguei. - Bruno abre a porta e Caleb se toca no sofá. Arregalo os olhos sem saber exatamente o que fazer.

-Ele está bêbado. - Digo sem emitir som ao olhar para o Bruno.

-Onde está a Megan? Aquela vagabunda me paga. Ela está me traindo, acredita? Com nosso vizinho. Eu fiz de tudo por ela... - Caleb começou a falar sem parar, carreguei Lana junto comigo e fui até a cozinha preparar uma água com açúcar. - Ela me paga!

-Já ouvimos isso, Caleb. - Bruno passa a mão sobre a testa. - Megan sabe que ele está aqui?

-Sabe. - Respondo entregando o copo para ele e Bruno toma Lana do meu colo.

-Não quero isso, quero a Megan. Eu vou arrebentar a cara dela, Lea.

-Ok, mas beba primeiro. - Cuido para que o copo não caía no chão, mas foi em vão. O copo caiu e Lana se assustou, chorando no colo do pai.

O que aconteceu de uma hora nessa casa?

-Pegue um balde pra ele, caso ele vomite.

-Vou dar ovo cru.

-Isso!

Bruno saiu com a nossa pequena da sala e eu fiquei ali sozinha com ele. Peguei o balde e pus um pouquinho de água para não grudar o vomito no fundo, sei lá o que ele irá vomitar. Fui até a cozinha pegando um ovo cru e quebrando num copo. Ele precisava tomar aquilo, curei muitas bebedeiras do Bruno com ovo cru, pois é simples, só dar o ovo cru, com o gosto da bebida - até mesmo sem - fica nojento e dá vontade de vomitar. Se vomitar, meio caminho andado.

Sentei ao lado dele e dei o copo de plástico com o ovo. Caleb teve um acesso de riso e falava muito sobre Megan e um vizinho. Não era real, meio óbvio, Megan nunca faria isso, no mínimo ele a traiu, seria bem mais típico.

Juntei os cacos de vidro com a pazinha e me abaixei para pegar um que ficou quase embaixo do sofá.

-Bruno é um homem de sorte. Você é gostosa demais. - Diz ao olhar-me de cima a baixo. Ajeito meu short, ficando com raiva, mas ao mesmo tempo sem jeito algum.

-Cala a boca, Caleb. - Reviro os olhos passando para a cozinha.

-Falando como a parte sã do meu corpo. - Se riu sozinho encarando o copo ainda com o ovo. - Isso tem cheiro ruim.

-Então fale menos e beba mais.

-Ele disse que você tem um dom com a boca e que rebola como uma latina.

-Caleb... - A parte sem graça que eu estava antes estava se perdendo apenas por raiva dele estar falando aquilo pra mim. Nojento.

-Bruno! - Abriu um sorriso quando o viu. Sentei na cadeira, distante dele. - Estava dizendo sobre o quanto ela é gostosa, não acha? Você me disse que ela fode bem e eu estava aqui pensando na bunda dela. - Falou como se eu nem estivesse ali.

-Fica quieto, Caleb. - Bruno pareceu se irritar. Ele está irritado por o que ele está falando é real?

-Você falou, lembra? No carro, que a bunda dela é gostosa e ela é bem apertadinha.

-Bruno? - Me assusto, arregalando os olhos levemente para ele, que arqueia as sobrancelhas.

-Beba isso, Caleb. - Sua voz sai bem mais autoritária.

-Bruno? - Retorno a perguntar.

-Calma Lea. - Ficou aparentemente bem perdido no espaço. Engoliu a saliva várias vezes e coçou sua nuca. Ele está sem jeito pensando em escapatórias, é isso?

-Isso é horrível. - Caleb engoliu todo aquele ovo nojento.

-Eu sei bem como é. - Bruno começa a rir ao olhar pra mim, mas mantenho meu olhar sério.

-Mas quando irá ter mais fetiches? Fiquei curioso sobre o fetiche de policial...

Caleb nem concluiu o que iria falar e pegou o balde para vomitar. Bruno o ajudou, fazendo uma cara de nojo. Levantei da cadeira pondo a mão em minha cintura tentando entender o porque ele saiu falando sobre a minha privacidade, a nossa privacidade, para Deus e o mundo. Bufei várias vezes seguidas e ele me olhou por último.

-Hey. - Seus olhos percorreram todo o meu rosto. - Calma, Lea. Eu juro que não falo nada demais de nós, muito menos exponho sua privacidade para ele. Muito menos pra ele...

-Então quer dizer que pro Phil tudo bem? Você está me deixando mais confusa, Bruno.

-Eu falo como você também fala pras suas amigas.

-Se eu tivesse tempo de falar sobre isso com elas... Nós não comentamos nada, assim como eu não gostaria de saber como o Caleb e o Phil são na cama, elas também não querem saber como você é! Muito menos as suas fantasias. - Se tivesse um buraco e um vaso, eu atiraria o vaso nele e me enterraria no buraco. Quantas vezes, sóbrio, o Caleb não me viu com outros olhos.

-Não é nada demais, Lea. Nunca falei nenhum detalhe sórdido.

-Ah, não sei. - Faço rendição com as mãos. - Tome conta do seu amiguinho ai, dê um banho, sei lá, que eu irei deitar.

Ele ainda perguntou quando eu estava saindo se depois poderia ir até meu quarto, mas não fiz questão de responde-lo. Isso é péssimo, não é nenhuma tempestade em copo d'água, mas sinto como se tivesse um vídeo meu exposto na internet e as pessoas estivessem falando de mim. Quem mais sabia do que acontecia entre eu e ele em quatro paredes? Os meninos da banda? Os caras do estúdio? Só pode!

Meu rosto pegava fogo de vergonha e talvez até de raiva, me sinto invadida... De que vale a privacidade então? Ele que falou tanto quando sua mãe entrou em nosso quarto no Havaí, deveria se conscientizar sobre o que dizer e o que não dizer para seus amiguinhos, como se eu fosse mais uma das vagabundas que ele comeu/come.

Não vou mentir que sinto um pouco de raiva pelo motivo de que: se ele não deu bola para falar sobre isso, então ele não sente ciúmes de mim, ou queria fazer inveja para todos?

Eu não sei nem o que pensar, só quero enterrar meu rosto na terra como um avestruz.

Bruno Pov’s

Após tirar todas as coisas importantes do bolso de Caleb, o toco, literalmente, para dentro do box do banheiro. Estava furioso por ele ter dito aquilo e ainda por cima por não ter calado a boca até agora falando asneira. Como gente bêbada é chata e idiota!

A água estava completamente gelada e ele reclamava daquilo, olhando para suas roupas e sapatos e lamentando como uma criança. Idiota!

Nunca falei nada demais para eles sobre nós, eu e Lea. Falo apenas o que todos os homens comentam, e algumas vezes nem falo para ele, falo para o Phil, mas consequentemente ele escuta.

Meu celular toca, era Ryan avisando quando definitivamente iria se mudar para Los Angeles, eu precisava dele para que tudo desse certo com o CD, afinal, preciso de um assistente pessoal.

Sentei na privada esperando Caleb fechar o chuveiro, e ele fez.

Megan bateu na porta um tempo depois, buscando ele que já estava bem melhor. Caleb vomitou mais algumas vezes o que era de fato necessário para que ele melhorasse. Quando eles foram embora, fui até o meu quarto para ver minha pequena, mas ela já havia desistido de ver o filmezinho e dormiu.

Na cozinha tomo um pouco de água para ver se já tomava coragem para falar com a Lea.

Mexo na sua maçaneta, mas está trancada. Bato quatro vezes e ela não responde. Eu tenho certeza que ela não foi dormir.

-Poderia parar de me ignorar. – Peço, colocando o rosto colado na porta junto da minha orelha.

-Poderia parar de tentar falar comigo quando eu não estou afim.

-Pra que fazer isso, Eleanor? Podemos simplesmente conversar.

-Eu não quero, só respeite isso.

-Já vai começar com esse drama teatral?

Espero sua resposta, mas ela não fala nada. Talvez eu tenha dito demais, fui eu quem errou e não poderia estar descontando nela a raiva que eu estou sentindo por uma coisa que eu causei a ela.

Qual é, não foi nada demais...

-Drama teatral? – Abriu a porta com força, encarando meu rosto. Ela estava com um olhar triste apesar de querer parecer bem raivoso.

-É, drama! – Dou dois passos a frente e fico bem próximo dela. Tento não olhar por muito tempo seu rosto, mas meus olhos sempre irão encarar seus lábios grossos e delineados. Seus cabelos agora um pouco emaranhados, seus olhos graúdos e ainda sim, levemente puxadinhos. Ela é linda, e eu não posso vacilar. – Desculpe.

-Tudo se resume a me pedir desculpas quando faz alguma besteira... – Balançou a cabeça virando o corpo em direção a sua cama. – Deixe-me dormir, apenas.

-Hoje é sábado, talvez possamos sair para nos divertir, esquecer dos problemas.

-Pode sair se quiser, eu só preciso dormir. – Bocejou, buscando a coberta que estava agora em seus pés.

-Tudo bem. – Respiro fundo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Capítulo 34



"Dizem que a estrada
Não é lugar para se começar uma família
Em todos os sentidos
Tem sido eu e você
E amar um músico
Não é sempre o que deveria ser"
(Faithfully - Journey)
Bruno Pov’s

Estava ganhando um baile da Lana no shopping enquanto comprávamos algo pra ela. Queria presentear minha pequena com algo bem bonito, agora que eu posso não me preocupar tanto com o dinheiro.

Bom, da metade de 2009 para agora, abril de 2010, muita coisa aconteceu. Em menos de um ano eu consegui conhecer pessoas muito mais influenciáveis na música e fazer colaborações extraordinárias. Quem me fez crescer para conhecer mais pessoas? CeeLo. Quem me fez ter uma fama um pouco maior? B.O.B. Qual música que me deu a possibilidade de ter uma vida social, de aumentar muito mais minha fama fora daquele estúdio? Travie McCoy.

Todos me ajudaram, é claro, mas as duas músicas estão fervendo por todos os países do mundo, ganhando primeiros lugares, tendo reconhecimentos que eu nunca imaginava. Com tudo isso eu ganhei um lindo contrato com a gravadora. Lindo mesmo! Dia 11 de maio irei lançar meu EP de estreia, assim poderemos ver se estou pronto para o primeiro CD mundial.

As coisas estão acontecendo tão rapidamente que me dão medo.

Minha conta bancária aumentou da noite para o dia, que eu garanto que o bancário pensou que eu assaltei algo ou ganhei algum jogo. É claro que pensou que eu roubei porque sou negro – entendam, já sofri tanto preconceito com isso que até eu brinco com a cor da pele que eu tanto amo.

-Papai. – Ela aponta para uma das vitrines de brinquedos do seu carrinho de passeio. – Lea?

-Lea está no trabalho, amor. – Respondo-a.

Lana está mais do que esperta. Tinhosa, não para quieta, sempre bem elétrica. Um bebê maravilhoso aprende tudo que ensinamos rapidamente, e por mais que ela tenha demorado em conseguir falar algumas palavras completas, agora ela diz de tudo e capta coisas no ar. Um ano e dez meses e está dessa forma.

Curiosamente, com todas essas coisas acontecendo, já a levei para o estúdio e ela se deu muito bem com tudo. Fica sempre muito elétrica com música, adora ficar se balançando, e ama quando está vendo televisão e aparecem danças. Lana ama dançar, ama ver as danças. Nos filmes de crianças, principalmente nos de princesas, quando tem danças, ela fica toda emocionada e dança junto.

Falei com a Lea sobre colocarmos ela numa aula de balé assim que ela crescer um pouquinho mais, e ela concordou.

Tudo passa por ela agora, Lana a chama de mãe e ela está sendo como uma. Faz coisas que eu lembrava vagamente que minha mãe fez a Presley, ou que minha irmã fez a Jaime. Falando em todos, minha irmã Jaime veio morar em Los Angeles, Tahiti ganhou seu primeiro filho e foi uma enorme surpresa, já que descobriu quando estava com três meses e meio, então foi rápido demais. Urbana descobriu a dois meses que está grávida do primeiro filho dela e de Phil, e eles estão mais que felizes. Fiquei feliz por todos, sinceramente, ter um filho é muito melhor do que se imagina.

Quem eu sou agora? Bruno Mars, definitivamente! Quando fiz aquele CD provisório, quando assinava algumas músicas, sempre foi como Bruno, e muita das vezes era como Bruno Mars. De tão idiota que soava no inicio, agora ficou bom, um nome que gruda e todos saberão, então batizamos oficialmente como Bruno Mars. A longa história do Mars...

Durante o passeio, algumas meninas tiraram fotos comigo, me reconheceram talvez através dos vídeos clipes, e isso me deixa tão empolgado.

Peguei minha pequena no colo e a pus no banco de trás do carro do Phil e afivelei o cinto de segurança quando cheguei à frente e arranquei o carro. Liguei o rádio baixinho com a esperança de que tocasse uma das músicas, e tocou. Cantei alto e Lana me olhava curiosamente do banco de trás, mexendo os pés na cadeirinha e balançando a cabeça de um lado para o outro.

O celular tocava no banco do carona, mas não poderia atender no momento e nem conhecia o número.

Ao chegar em casa, guardei as coisas e pus a Lana sentada no sofá enquanto ajeitava o resto. Só depois de alguns minutos dei bola para o meu celular e retornei as ligações perdidas. De Phil, Megan e Caleb. Estranho.

-Alô. – Digo quando alguém atende e minha filha gargalha com o desenho da televisão.

-Bruno? Onde você está?

-Agora em casa. – Comecei a rir. – Por quê? Já irei devolver seu carro, cara, só estava passeando com a Lana...

-Consegue deixar a Lana com a Urbana e vir na delegacia?

-Por quê? – Pergunto rapidamente, baixando o volume da televisão.

-Te mandarei por SMS em qual nós estamos. Urbana já sabe do que se trata, somente largue a Lana e venha.

Meu coração não era tão simples assim, sinto medo quando as pessoas omitem fatos e apenas mandam, principalmente quando é tão misteriosamente assim. Só de pensar me dá arrepios e... Será que foi com a Lea?

Pisco os olhos rapidamente enquanto tenho uns pensamentos idiotas no trânsito. A noite já estava se mostrando presente, minha filha parecia já estar com fome, minha cabeça estava começando a doer e o trânsito um pouco caótico por causa do horário.

Larguei-a com a Urbana e disparei para a distrital. Lá dentro todos me olhavam curiosos, fiquei olhando para os lados e vejo Phil vindo de um corredor longo, meio tenso.

-Hey. O que houve?

-Eleanor foi assaltada, levaram tudo dela e quando a encontraram era um beco... poderia ser escuro à noite, mas a sorte é que estava de dia... – Phil puxou meu braço quando eu mal o ouvi e ia saindo em direção de onde ele veio. – Ela está dentro de uma sala, fazendo um retrato falado e um homem tentando rastrear o celular.

-Registraram a ocorrência?

-Claro! – Me responde o óbvio. – Daqui ela irá a clinica da polícia pra fazer a perícia. Ver se está tudo bem...

-Ela foi molestada? – Arregalei os olhos. – Meu Deus, eu quero vê-la!

-Não! Ela disse que não sentiu nada e que estava tudo no lugar, roupa e tudo mais, porém nunca é demais saber.

-Phil, como foi acontecer isso?

-Sei lá, parece que ela estava indo mostrar uma casa... Eu não entendi muito bem. – Coça a orelha. – Ela está bem apavorada, não a assuste com muitas perguntas.

-Apavorada como?

-Com medo. Agora está reagindo melhor, mas antes parecia estar com medo até de mim.

-Ela nunca passou por isso. – Passo a mão pela cabeça. – Estava indo a minha procura?

-Ia tomar uma água, vem junto?

O acompanhei até o bebedouro. Parei ao seu lado enquanto ele bebia e fiquei olhando o movimento da delegacia. Mas minha cabeça apenas pensava na Lea e no que tinha acontecido, eu ainda havia ignorado as ligações de números diferentes, achei que as ligações do pessoal eram de praxe, como estamos sempre nos conectando. De certa forma me sinto culpado por isso.

Depois que retornamos a sala onde Phil estava antes, uns policiais passaram por nós e um chefe junto, logo Lea sai da sala com os cabelos presos, roupa amassada, o rosto um pouco pálido e um jeito nada legal.

Caminhei na sua direção e a abracei sem dizer nada. Ouvi seus suspiros fortes perto da minha orelha, ela estava se segurando para não chorar, nem sair chutando tudo pela frente, eu conheço a minha amiga. Passei a mão pelas suas costas e beijei seu rosto com ela voltando a sua posição normal.

-Phil lhe contou?

-Contou. – Passei a mão pela lateral do seu rosto. – Você se sente bem?

-Bem! – Respondeu rapidamente. – Apenas cansada, com raiva e bem nervosa ainda.

-Não adianta ficar. – Beijei seus lábios rapidamente e vejo um pequeno sorriso brotar. – Quero que fique bem. Essa pessoa pagará por isso um dia, Lea. Verá.

-Eu queria mata-lo! – Estalou o pescoço.

-O que tem que fazer agora? – Pergunta Phil chegando perto de nós.

-Irei à clínica, farei o exame e depois estou liberada.

-Irão acha-lo? - Questiono.

-Creio que sim. – Deu-me de ombros. – Vamos lá? Preciso terminar com isso de uma vez.

Após uns exames na clínica e umas recomendações da enfermeira para que qualquer sintoma diferente que ela sentisse, era para procurar um médico, nós fomos até o estacionamento a procura do carro do Phil.

-Vou manobrar primeiro. – Phil avisa-nos. – Um filho da mãe me fechou aqui. – Apontou para o feito do outro carro e revirou os olhos balançando a cabeça.

Esperei que ele saísse e peguei na mão de Eleanor. Ela estava mais calma, parecia estar bem mais estabilizada do que antes, mas suas mãos ainda suavam frio.

-Hey. – Chamei-a para olhar em meu rosto. – Não gosto quando está séria assim. – Com a outra mão, passo na lateral do seu rosto, acariciando suas bochechas.

-Estou pensando em tudo que terei que fazer, Bruno. – Respirou fundo, ainda séria, mas quando olha para o meu rosto, força um sorriso. – Desculpe estragar seu dia.

-Você não estragou nada! – Levo sua mão até minha boca e beijo o dorso. – Já ligou para a empresa?

-Ainda não. Não tinha pensado nisso. – Ela aperta minha mão, mostrando um pouco de medo.

-Vem cá. – A chamo para o meu abraço e a envolvo com meus braços no seu corpo pequeno, macio. Um colo tão confortável não poderia ser abalado por esse tipo de coisa, Lea não merecia passar por isso de forma alguma. – Nada pode abalar minha princesa guerreira, uh?

-Acho que pode. – Ela ri, próximo ao meu peito. – Já disse obrigada?

-Uh, ainda não?

-Obrigada. – Esticou-se para depositar um beijo em minha boca. Um longo selinho e um sorriso.

-Só aceito se sair comigo hoje, topa?

-A onde? Que horas? Não sei se tenho clima...

-Hey! – Coloco o dedo indicador sobre a sua boca. – Tem clima sim. Vamos a um restaurante, conversar, comer... passar nosso precioso tempo juntos.

-Eu estou sem dinheiro. – Diz baixinho.

-E eu não perguntei nada, apenas estou te convidando, e quem convida, paga!

-Tenho que tomar um banho e me arrumar, então.


Esperei todo o tempo que foi preciso para que ela se arrumasse, e mais uma vez Phil salvou nossa vida, além de emprestar o carro, ficou cuidando da nossa pequena. Acho que ele entendeu que eu precisava espairecer a cabeça da Lea, deixa-la mais tranquila após tantas coisas que aconteceram.

-Estou pronta. Vamos?

Sentado no sofá, fiquei encarando-a na ponta do corredor, trajando um vestido azul fúcsia, sandálias rasteiras e seu cabelo solto, com as ondas caídas por seus ombros e quase se encostando aos seus peitos.

Ela é linda, e ela é minha.

Eleanor Pov’s

-Como está se sentindo?

-Pressionada. – Começo a rir, afivelando o cinto em meu corpo. – Eu estou bem, Bruno, não precisa me perguntar quarenta mil vezes.

-É somente uma preocupação. – Ele repousa sua mão em minha coxa, fazendo-me arrepiar. – Não suportaria vê-la mal.

-Mas eu estou bem, obrigada. – Coloco minha mão sobre a sua. – Obrigada por toda a preocupação e por isso. – Sorrio de canto, com vergonha de tudo que tinha acontecido ainda.

Acho que após hoje me senti tão vulnerável, que duvido que seja essa mulher tão forte assim. Nunca pensei que sentiria essa insegurança, essa vontade de ficar por uns dias em casa e agora ter que desconfiar de qualquer pessoa.

O trauma poderia ter sido pior, muito pior, como disse minha enfermeira, mas não foi, e isso pode significar algo. Tenho que pensar positivo e seguir em frente. Isso acontece com qualquer pessoa, é óbvio que aconteceria comigo também.

Bruno teve uma ligação dos seus amigos novos, os que montaram uma banda com ele. Os conheci há uns meses atrás e todos são bem legais, ainda faltava alguns, mas uns foram puxando os outros dizendo que conheciam de tal lugar e etc, e foram se reunindo, até juntar todo esse pessoal. Até seu irmão está na banda, baterista.

-Lea! – Me chamam num coral. – Você é muito linda. – Diz um deles, do qual não consigo identificar a voz.

-Olá. Obrigada. – Agradeço acanhada.

-Não tô entendendo. – Bruno pigarreia.

-Não viaja negão, ela tá com o Bruno. – Ouço alguém dizer.

Olho diretamente para o Bruno, que sorri de canto, pondo a mão novamente na minha coxa. Um carro atrás buzinou insistentemente e Bruno arrancou o carro para nosso local. Os meninos ainda falaram por um bom tempo, estavam reunidos na casa de um deles, bebendo e conversando, e Bruno não foi porque, segundo ele, o que mais importava nesse momento era eu, e eu poderia não gostar muito de uma festa nesse momento.

Fomos a um restaurante que não precisava reservar o lugar antes. Estacionamos o carro e andamos até o restaurante de mãos dadas. Bruno estava com o sorriso de orelha a orelha quando o recepcionista o cumprimentou também com um sorriso, mas aquele sorriso de “eu te conheço”.

Pegamos uma mesa ao lado da janela, fiquei de um lado e Bruno de outro, e logo já pegamos os cardápios que ali estavam a nossa espera. Escrito a giz num quadrinho em cima da mesa, do qual identifica o número da mesa também, estava escrito a sugestão do dia feita pelo chefe. Um macarrão com um monte de frescuras, que foi o que Bruno quis pegar, e eu apenas algo mais leve, mas gostoso. Duas taças de vinho.

A garçonete chegou a nossa mesa, com um sorriso direcionado para o Bruno, do qual já me deixou desconfortável. Fiz meu pedido e ela foi completamente profissional, comigo! Porque para o Bruno eram sorrisos e anotações do tipo que eu posso apostar que teriam uns corações em volta.

A janta foi tranquila, até a hora de ela vir tirar nossos pratos e perguntar o que iríamos comer de sobremesa. Pedimos a sugestão do chefe e Bruno tirou a mão da minha que estavam sobre a mesa. O olhei, mas ele estava ocupado demais olhando para o traseiro da garçonete. Respirei fundo, olhando para minha bolsa ao lado. Lembrei que não poderia pegar meu celular, porque eu não o tinha mais.

Resolvi mexer em minhas unhas, evitando olha-lo. Quando a sobremesa chegou, ela se inclinou discretamente para ele.

-Desculpa, mas eu conheço você! Eu adoro a sua música...

-Obrigada. – Bruno agradeceu.

-As duas, na verdade. Você canta muito bem, além de ser lindo, com todo o respeito. – Tive a impressão de que ela me olhou, mas eu me recusava a olhar essa cena.

-Obrigada novamente. – Ouço o barulho da caneta e ele risca num papel. Demorado demais para ser apenas um autógrafo. – Seu nome? – Ela responde, Tabata, e ele elogia.

-Adorei. – Ela arrasta a voz pra falar... Sério mesmo, idiota? Sinto uma vontade tão grande de xingá-lo. – Obrigada, Bruno.

-De nada. Fique a vontade.

Quando ouvi que ela se afastou, tive a cara de pau de levantar a cabeça e ver o que ele iria fazer... Qual a dúvida que eu tinha de que ele iria quase comer ela pelos olhos? Parece que a cada movimento que ela fazia com aquela bunda seca, ele comia mais um pouquinho.

Respirei fundo, chamando assim, a atenção dele.

-Parece estar uma delícia. – Ele diz ao olhar para os pires a nossa frente, contendo a sobremesa.

-É. – Respondo trincando os dentes, mas tentando disfarçar.

Pra mim é novo isso, eu não sinto ciúmes, nunca senti. Nem dos meus pais, nem do Kai, nem de ninguém, além das minhas amizades, coisa que sempre fui bem ciumenta, mas agora é diferente, eu fiquei com raiva?! Queria que ele parasse de olhar pra ela...

-O que houve?

-Você me trouxe pra jantar para ficar dando corda pra outras mulheres? – Mexo com a colher em meu prato. – Da próxima vez me avisa que eu ficarei em casa, assistindo um filme, uma série, qualquer coisa.

-Lea? – Ele me chamou, me limitei apenas a arquear uma sobrancelha. – Eu não fiz de propósito, Lea... Esse é meu jeito.

-Ok.

-Eu sempre fui assim, Lea. Esse é meu jeito.

-Você já disse isso. – Retruco. – Vamos comer!

Ele tentou agir normalmente quando estávamos comendo, até pondo a mão sobre a mesa, perto de mim, querendo que eu a pegasse como antes. É claro que não, se ele a largou antes para ficar de olhos fixos na ausente bunda de uma mulher, ele que continue fazendo isso. Bruno passou a perna pela minha e eu me esquivei, levando a cadeira um pouco pra trás e respirando fundo. Idiota, idiota.

-Pare de bufar, por favor. Parece um animal. – Diz grosseiro.

-Já comeu? – Me recusei a responder a sua brincadeirinha sem graça.

-Você ficou com ciúmes? – Me encara enquanto eu como. – Vou chamar a garçonete e vamos embora, ok?

Ela veio, a mesma é claro, com aquele mesmo sorriso cínico. Agradeceu nossa preferência pelo restaurante e foi embora, mais uma vez ele encarou a bunda dela, mas virou-se rindo pra mim.

Levantamos dali e eu fui ao banheiro para fazer minhas necessidades, ajeitei meu cabelo e sai mais sensual do que poderia estar. Mexi bem meus quadris para os lados, na intensão que os homens olhassem e Bruno percebeu, percebeu também que tinham olhares para cima de mim.

-O que foi isso? – Perguntou baixinho quando cheguei ao seu lado.

-Isso? – Fingi-me de sonsa.

-Provocar os homens, rebolando mais do que o normal quando caminha.

-Se você pode dar em cima de uma garçonete, eu posso fazer isso, não? – Saímos pela porta principal e eu parei por alguns segundos esperando que ele ficasse ao meu lado. Ajeitei a bolsa ao lado do meu corpo. – Mas tudo bem, pode dar em cima dela... Nós somos somente amigos, sim?

-Somos só amigos, Eleanor? – Ele para, segurando o meu braço. Olhei para os lados. – Tem certeza?

-Absoluta! – Não tirei os olhos dos seus.

-Ainda bem que eu não perdi tempo, então, porque naquele papel eu pus meu número. – Contraiu seu maxilar, largando meu braço e caminhando em frente.

-Então você é um idiota ou um vidente?

-Você mesmo acabou de dizer que somos apenas amigos, não?

-Somos isso por que... – Não! Eu não falaria isso. Não quero que ele interprete como uma indireta, apesar de que quero que ele se toque que somos apenas amigos ainda porque ele quer, porque ele ainda não falou nada sobre namoro. Porque ele é um idiota! – A idiota sou eu. – Comento baixinho.

Saio na frente dele, segurando qualquer vontade de chorar, qualquer cisco maldito que pudesse cair no meu olho. Meu dia está sendo uma completa bosta. Eu só quero dormir e sair desse inferno astral.

Quando chego perto do carro, diminuo meus passos, teria que esperar ele de qualquer forma para que ele abrisse a porta. Bati o pé discretamente, trincando os dentes, sentindo aquele aperto chato no peito.

-Eu não dei meu número pra ela.

-Não me importa. – Rispidamente respondo.

-Porque esse ciúme repentino?

-Não é ciúmes, caramba! Eu estou num dia péssimo, Bruno, e você quando pensa que iria melhora-lo, trazendo-me para esse jantar lindo, com essas coisas fofas, legais, você piora tudo. Tudo! – Meus olhos já marejam, se eu piscar, uma lágrima cai e eu não quero que isso aconteça.

-Eu não dei meu número a ela. Desculpa! Eu sempre faço tudo errado, você sabe...

-Não me importa, Bruno. Vamos embora, por favor.

-Não vamos sair daqui enquanto não me desculpar.

-Não tenho o porquê desculpar você se não fez nada errado.

-Esse é meu jeito, Lea. Desculpa se eu sou torto pra esse tipo de coisa, eu me controlo para não fazer nada de errado.

-A vida é sua, você é livre, faz o que bem entender. – Dou de ombros.

Continuei a falar sem parar, sei que ele já estava enjoado de ouvir minha voz daquela maneira, ele me olhava como se fosse me matar. Bruno segurou meu pulso com força e eu dobrei meu braço pedindo para ele me soltar, mas ele me beija como se nada disso tivesse acontecido, como se não estivéssemos no meio de uma discussão.

Não posso empurrar seu corpo para longe do meu, muito menos consigo morder a sua língua, ou algo parecido. Eu quero ele e quero aquele beijo, mas esse sentimento ficou cravado em mim e eu não gostei de ter sentido.

-Shh. – Escorou a sua testa na minha e deu um longo selinho nos meus lábios, provocando uma sensação maravilhosa em mim.


Bruno estava tomando o seu banho depois da nossa longa reconciliação, já que a noite nós dormimos pois eu estava exausta, e como acordamos cedo, nós aproveitamos ao máximo nosso tempinho, e eu fazendo a mamadeira de Lana para depois não dar muito tumulto. Preparei um copo de suco pra mim e cantarolei na cozinha enquanto esperava o leite esquentar.

O telefone ao som de Billionaire – é muito amor envolvido com a música e com o tamanho sucesso -, toca sobre a mesa da sala. Caminho para perto dele e o número desconhecido pisca várias vezes na tela. Quem ligaria essa hora da manhã?

Cheguei próximo ao banheiro, mas o barulho do chuveiro estava misto com a sua voz cantando.

-Alô. – Atendo a ligação antes que desligassem, pode ser algo importante.

-Olá, Bruno se encontra?

-Ele está no banho. Quem fala?

-É a Tabata. – Alguém do estúdio, talvez. – Sabe se ele vai demorar?

-Ele entrou há pouco tempo. Creio que em vinte minutos ele já possa atender a ligação. Quer passar algum recado? – Pergunto, indo para perto do telefone residencial, onde tem um bloco de anotações.

-Só avisar que eu liguei e que quando ele puder retornar, agradecerei.

-Ok, é de onde, Tabata? Para eu poder lembra-lo e tudo mais... – Ele não tinha o número salvo, vá que seja alguém com quem ele não queira falar.

-Avisa que é a moça do restaurante La Barca. Ele saberá de quem se trata.

Agradeci e desliguei, com a cara no chão. Me senti um nojo, mas senti mais nojo dele por ter mentido pra mim. Tinha necessidade fazer isso? Esse foi o restaurante que nós fomos ontem à noite, o restaurante que ele deu mole para aquela garçonete que se chamava Tabata.

Larguei o celular sobre a mesa e fui até a cozinha terminar de fazer o que estava fazendo. Ouvi seu barulho passando do banheiro para o quarto e tentei ignorar qualquer coisa, até mesmo o cheiro dele. Idiota.

-Hey. – Bruno ficou parado atrás de mim e eu saio da cozinha, pegando a porcaria do seu celular.

Ele ficou me olhando, provavelmente processando o que eu estava fazendo.

-Não deu o número pra ela, não é mesmo, babaca? – Toquei o celular para o seu peito e ele pega, fuçando rapidamente nele. – Sua garçonete particular ligou.

-Lea... – Passo por ele feito um furacão. – Eu me arrependi de ter dado a ela o telefone. Desculpe-me...

-Aham.

-Eu não iria atender, estava esperando que ela ligasse para bloquear o número. Eu juro!

-Não me importo de ter dado telefone para ela, não me importa que ela ligue pra você e vocês saiam, mas eu me importo com as mentiras. Deveria ter admitido que deu e não precisaria estar passando por isso agora, ficaria menos feio para o seu lado.

-Eleanor, eu quero que entenda...

-Você já fez vinte e um, certo?

-Que bobagem... Já!

-Então, faz o que quiser da sua vida e responde pelos seus atos.

-Eu estou tentando explicar o que aconteceu.

-Aconteceu nada.

Preferi ir até o meu quarto e ficar por lá. Fechei a porta sem tranca-la. Não estava brava com ele, ele é solteiro e faz o que quiser, mas estava magoada por ele ter mentido. E magoada porque pensei que nós tínhamos algo muito mais do que carnal. Estamos há mais de um ano nessa enrolação, ficando e transando, passeando, e eu realmente pensei que já estávamos num estágio diferente.

Mas, definitivamente, ficar na foça ou pensativa demais por esse tipo de coisa não faz o meu estilo, eu o encararia como sempre levo a vida, afinal, quem está fazendo a tempestade sou eu. O copo d’água estava parado, sou eu quem estou o girando até criar o redemoinho. Quantas vezes mais ele já pode ter feito isso? Várias, e não sou eu quem posso dizer algo e nem ficar magoada por isso.

-Lea? – Ouço uma batidinha de leve na porta.

-Entra! – Pego o livro da cabeceira da cama, eu nem estou lendo-o, mas abro em uma parte qualquer para fingir isso.

-Com licença. – Abre o resto da porta. – Tenho que ir para o estúdio, estava pensando em vocês irem comigo hoje...

-Acho melhor não, quero aproveitar minha folga. – Minha sorte é que meu chefe liberou-me do trabalho por hoje por conta do que aconteceu ontem.

-Eu posso ficar hoje em casa... – Aproximou-se devagar.

-Não precisa. – Vejo-o sentar na cama.

-Amanhã é sábado, eu posso ir ao estúdio amanhã. Hoje podemos ficar aqui...

-Vá para o estúdio, eu estou bem, Lana está bem, está tudo bem!

-Lea?

-Uh?

-Você está brava comigo?

-Não. Só queria saber com quantas você costuma ficar? – Ajeito-me na cama e ele fica sem graça. – Não irei ficar com raiva por saber. Prefiro que você diga pra mim, como me dizia antes, do que mentir.

-Lea... Foi duas com essa, a outra foi quando brigamos logo depois do meu aniversário, eu estava chateado, você me tratando como um qualquer...

Doeu saber disso. Foram duas? Tudo bem, eu sei que ele pode assim como eu também posso, mas ainda sim dói, machuca. Ele pegou minha mão, mas eu não soube disfarçar. Entreguei para ele com receio e ele brincou com seus dedos nela.

-Você é diferente de todas! Acredite em mim. Você é diferente e é a melhor.

-Sou diferente, mas não o suficiente, uh? – Parecia que estávamos discutindo um relacionamento, porém, que relacionamento? Não queria ter dito isso dessa forma, parecendo que estava cobrando algo dele, mas sou assim, quando vejo já falei e já era.

-Diferente, suficiente, eficiente, e minha. Eu já disse, Lea! Você é única. Nunca se esqueça disso. – Bruno se aproxima de mim, beija minha testa. – Vamos para o estúdio?

Eu não tinha o direito de ficar brava, nem o direito de me sentir estranha por isso, as coisas continuarão a serem as mesmas, afinal, se eu quiser posso fazer o mesmo e ficar com outras pessoas. E é por isso que não criarei outra briga em cima disso.

-Essa bunda também é minha!


Notas da autora:

(Leiam com atenção, obrigada)

Isso ta sendo bem chato pra mim, mas eu preciso dizer, não é? Então, eu vou dar um tempo da fic, infelizmente. Pode ser ele de semanas, pode ser de uns mesinhos, mas também pode ser de dias e voltar ao normal.

Agora vamos para o X da questão... Eu estou sem tempo, o trabalho e o curso andam ocupando boa parte dele. Isso não é justificativa, claro, mas percebo que o número de visualizações e comentários cai cada vez mais, numa quantidade absurda, me deixando assim completamente sem inspiração para nada. Vou usar esse tempo pra me recuperar, pensar em novas coisas, porque sinceramente, estou assustada e tenho que revê-la para ver onde e no que errei.

Antes que me apedrejem com coisas como "isso é drama", não, não é. Eu estou ciente de que já fiz disso, mas agora não é mais o caso. O caso é que está complicado e eu precisava dar alguma explicação para não deixar ninguém a ver navios.

Então é isso, talvez eu volte aqui semana que vem, ou amanhã, ou daqui um mês. Não tenho como responder ao certo - sou geminiana, gente... sou inconstante!

Espero que tenham gostado e lamento pela notícia dada acima.

Até outra hora

Beijos tchutchucas <3

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Capítulo 33


Estou sentindo algo intenso por dentro
Mais quente que uma corrente queimando
Tenho uma sensação lá no fundo
Está tomando, está tomando, tudo que eu tenho
​(Fireproof - One Direction)

Os dias no Havaí ficaram completamente contados. Quando faltava apenas um dia para irmos embora, eu já comecei com meu sentimentalismo e um pouco de drama. Estava tão acostumada com meus pais, com a família do Bruno, com a praia, piscina, e tudo mais. Mas também estava com vontade de voltar para Los Angeles e aproveitar a uma semana e meia que teria de férias.

No dia de hoje, quando daqui a pouco iremos embora, eu estava pior do que ontem, até mesmo o Bruno. Lana estava chorosa porque seu primeiro dentinho já apontava uma pequena ponta, bem pequena, e por isso gerou febre, a deixou sem fome e bem chatinha. Pobrezinha, mas todos passamos por isso.

-Já pus as malas no carro. – Bruno passa a mão pelas minhas costas. – Hey, está chorando novamente?

-Eu só... – Passo o dorso da mão nos olhos. – Não. – Disse, de voz falha.

-Ok, não chore! – Abraçou-me de mau jeito e começou a rir. – Pense que já passamos pelo pior, que foi ir embora daqui.

-Mas estou sentindo como se fosse isso. – Fecho os olhos sentindo meus braços me agarrarem melhor.

-Você está apenas indo pra sua segunda casa, sabe que sempre terá o Havaí.

Esperei ali por alguns minutos no repleto silêncio. Ele respeitou, sabia que no fundo ele também sentia muito, mas a vida tinha que continuar e tínhamos que ir atrás de nossos objetivos.

-Vocês irão se atrasar para o check-in. – Avisa a sua mãe.

-Estamos indo. – Bruno desvencilha de mim, falando normalmente como se ela tivesse ouvido.

-É hora de voltar à rotina.

-Vai mudar brevemente, Lea. – Passou a mão pelo meu braço bem na hora em que eu o levantei para arrumar meu cabelo.


Vinte e três de maio. Meu aniversário. Eu sempre digo que não irei contar os dias, mas eu sempre conto. Quando deu a meia noite eu estava no meu quarto, jogando uma meia pra cima pensando no tempo que estava passando rápido demais, em menos de um mês nosso bebê fará um aninho.

Meu aniversário caiu num sábado, para minha alegria, para minha tristeza, iríamos trabalhar nesse dia, pois o aniversário da empresa foi quase um feriado para nós, pois não trabalhamos. Na manhã, quando cheguei ao meu serviço, tinha flores e balões no andar. Uma mesa para café no fundo com muitas besteiras e petiscos, além de um pequeno bolo feito em casa por quem eu ainda não tinha descoberto. Foi uma chuva de felicitações e abraços, e algumas lembrancinhas.

À tarde quando não tinha absolutamente nada pra fazer – iríamos sair às 15h00min, porém, antes do meio dia tudo já estava pronto, mas não poderíamos sair porque tínhamos que cumprir horário -, já que fiquei no escritório com uma pesquisa de vendas e umas atualizações, fiquei pensando em coisas que já se passaram e eu pensei que levariam tempos. O primeiro tombo da Lana, o primeiro dente, a primeira comida sólida, a primeira palavra...

“Abri o armário da cozinha e ouço o barulho do andador atrás de mim.

-Já está me seguindo de novo? – Me viro, fazendo cara de brava e Lana dá uma gargalhada gostosa.

-Vem aqui, filha. – Bruno a chama, ainda emburrado comigo pela nossa pequena discussão.

-Pode deixar ela aqui, não está incomodando.

Não ouço nenhum resmungo dele e abaixo-me para pegar ela. Precisava verificar sua fralda.

-Sujeira. – Disse quando espiei a fralda suja. Ela continua rindo. – Fez sujeira, bebê?

-Lea, seu telefone! – Ouço a voz dele de tédio e meu telefone vibrando sobre a mesa.

-Diz pra ele levantar aquela bunda do sofá e atender. – Reviro os olhos e Lana me olha.

-Sofá. – Repete minha palavra.

-Bruno?! – O chamo. Nada dele. – Repete pra mãe, Lana? – Vou caminhando com ela no colo até a sala.

-Sofá. – Repete e ri. – Sofá. – Fala novamente.

-Bruno, é a primeira palavra dela! – Já sinto o peito inflar de alegria descomunal. Era maravilhoso sentir isso.”


Além de que eu e Bruno estamos num estágio diferente. Nenhum de nós procurou ficar com outras pessoas, pensamos que seria impossível ficarmos mais próximos um do outro, mas não. Cada dia é algo novo e bom. Estamos naquele estágio onde às vezes damos nossas mãos para sair, passeamos em vários lugares e toda a família já sabe. Isso mudou assim que saímos do Havaí. Minha mãe descobriu porque Tiara acabou falando algo, que contou para meu pai, que contou para meu tio que eu mal vejo que as irmãs todas do Bruno descobriram, minha irmã soube, e assim foi indo a rede da fofoca de que eu e o Bruno estaríamos nos relacionando.

Bruno Pov’s

-Me passa aquele saco de balão! – Pede Megan, com a máquina em mãos e os cabelos presos com mechas caídas no rosto que ela tentava afastar com assopros.

-As comidas estão todas prontas. – Caleb bate as mãos e Urbana vem logo atrás. – Deixei a Urb fazer um tempero que está dos deuses.

-Alguém cuidou do recheio do bolo? – Pergunto, preocupado. – Onde está a Lana?

-Phil a levou no mercado, lembra? – Urbana respondeu, rindo do meu esquecimento.

-Eu falei que estava tudo pronto. O tudo inclui o bolo. – Sorrio de canto pra mim.

Estávamos fazendo uma pequena festa surpresa para a Lea. Eu tive a ideia e convidei todos para vir e todos se ofereceram para ajudar, mão de obra e dinheiro para as coisinhas. Estava uma bagunça só a casa, mas tudo ficará bem lindo para ela.

Demos a tremenda sorte que ela teve escala no sábado devido a um dia de folga por causa de um feriado, algo assim que não lembro bem, mas, a sorte ficou bem ao nosso favor.

Não estávamos gastando muito, havia dois meses que vínhamos economizando para fazer uma festa de aniversário para a Lana, e por fora dessa economia, eu juntei alguns trocados para fazer algo legal pra ela.

Minha carreira ainda estava em andamento. Já havia conhecido mais pessoas influentes, trabalhado sobre algumas músicas de minha autoria, trabalhado sobre músicas que eu compus naquele primeiro projeto de CD com arranjos novos, mas nada ainda concreto. Ando falando muito com CeeLo, e ele me garantiu que um dia terá algo meu que ele irá gravar, porque eu sou extraordinário, segundo ele. Aproximei-me ainda mais do Brandon, o qual agora é bem meu amigo e está fazendo o possível para me ver com uma carreira de sucesso.

Está tudo indo tão bem que eu mal acredito.

-Gente, não falta muito pra ela chegar. – Avisa Urbana, pegando o balão com uma cordinha mimosa e colando no teto.

-Papai. – A tentativa linda que Lana ainda tem de me chamar de papai, só de ouvir sua voz já viro para a porta e a pego no colo.

-Ela está muito pesada. – Phil faz careta e um movimento com as costas para alongar-se.

-Ela come. – Retruco.

-Falando em comer, amor, estou com fome. – Megan choraminga, colocando a mão sobre o estômago.

Em pouco tempo nós já tínhamos posto tudo nos seus lugares, inclusive o bolo. Só estávamos à espera que ela chegasse. Phil ficou de tocaia já janela, espiando para ver se ela estava chegando. Deu um sinal com os braços e riu, correndo para se juntar a nós.

-Surpresa! – Todos nós gritamos quando ela abriu a porta. Sua expressão de espanto e alegria não tinha preço. O sorriso tão grande que sua maça do rosto quase cobria seus olhos.

Eu amo esse sorriso.

-Meu Deus. – A primeira coisa que fez foi correr para nossa frente, tirando a bolsa do ombro. – Eu nem acredito nisso. – Passou a mão pelos cabelos e pairou seus olhos sobre os meus.

Eleanor abraçou um por um, dando beijos e abraços, agradecendo as felicitações e tendo aqueles olhos úmidos com as lágrimas que queria deixar cair. Beijou tanto a Lana que falava algumas coisas que ninguém entendia.

A abracei com força e a ouço dizer que eu fui o responsável, e que ela agradecia imensamente por tudo. Queria ter dito muito mais do que falei e tinha planejado dizer algumas coisas, mas minha cabeça se perdeu completamente ao meio do seu abraço, sorriso e palavras.

Comemos, cantamos parabéns, cantamos umas músicas somente para farrear. Lana estava a todo o vapor brincando com os balões e as fitinhas, se enroscando nelas e rindo a toa.

A noite caía rapidamente, logo todo mundo já estava indo embora. Já não éramos muitos, no final sobramos somente nós três.

-Alguém vai dormir a noite toda e acordar tarde amanhã. – Digo ao observar Lana ainda bem elétrica.

-Ela vai jantar e vou dar um banho nela e por para dormir. – Lea levanta-se do sofá para fazer isso, mas a impeço pondo o braço na sua frente.

-Deixe que eu faço isso, vá tomar um banho, ficar descansada. Você merece. – Beijo seu ombro de leve e ela sai sorrindo da sala.

Aproveito que Lea está no banho e levo Lana para o meu quarto. Pego suas coisinhas e as levo para o quarto da Lana. O esquema planejado na minha cabeça é que Lana dormirá no quarto dela, com a porta aberta para ouvirmos se ela chorar, e nós dormirmos no meu quarto, mas precisamos dele todo somente pra nós.

Foi um rodeio para conseguir por a Lana na cama e ainda mais para comer. Ela queria continuar a fuzarca, mas não tinha como. Avisei para a Lea que faríamos isso e ela já computou a minha malícia. O resto da casa limparíamos no outro dia, agora apenas quero aproveitar. Pedi que ela me esperasse no quarto e fui até a sala me ajeitar.

Coloquei o que precisava e abri a porta do quarto olhando para ela por cima do meu ray-ban.

Eleanor Pov’s

O olhei na porta do quarto, olhando pra mim sobre o seu óculos escuro formato aviador. Colocou o dedo no cinto e fez uma cara sexy, mas por mais que seja sexy, eu queria era rir.

-O que é isso? – Seguro meu riso e ele entra no quarto, puxando de trás da sua roupa de policial, uma algema prata. – Por Deus! – Rio baixinho.

-Me disseram que você foi uma garota muito má.

-Eu sou uma garota muito má! – Arrastei a voz de forma sensual. – Muito, muito, muito má!

-Garotas assim merecem ser presas. Você está ciente disso? – Fechou a porta.

-Então me prenda. – Estiquei meus braços para ele. – Se for capaz. – Puxei rapidamente os dois braços e ele pigarreou.

-Você tem duas opções. – Avisa-me, engrossando a voz. – Ser presa ou me obedecer em tudo que mandar.

-Nenhuma das duas. – Levanto de onde estou sentada e desvio dele, ficando distante.

-Essa de garota má não colará comigo. Aqui sou eu quem manda.

-Tolo! – Reviro os olhos ficando completamente calada. – PA! –Grito e ele levemente vai pra trás. – Que valente esse policial. – Rio dele.

Fujo um pouco dele, caminhando como posso pelo quarto, desviando das coisas. Caminho para perto da porta e ele passa por cima da cama, bagunçando-a e me alcançando. Bruno me prende na parede, pondo seu corpo em frente ao meu e as duas mãos ao redor, apoiadas na no concreto.

-Vai ser presa e irá obedecer tudo o que eu disser, ok? – Permaneço calada, olhando para os seus lábios. – Ok? – Diz mais rude.

Aproximo-me do seu ouvido.

-Não!

Seus lábios atracam meu pescoço e meu corpo se ouriça todo. Fico completamente entregue a sua língua, seus lábios, suas carícias. Sua mão segura meu cabelo com um pouco de força, mas nada que me machucasse, e puxou-me em direção da cama. Foi me virando de costas pra ela, e se abaixou comigo. Pegou no pézinho da cama e colocou minha mão perto, pegou no meu pulso e com um único movimento trancou a algema nele, logo já colocou o outro lado da joia no pé da cama e sorrio pra mim.

Já estava entregue a fantasia, uma das que sempre sonhei. Um homem fardado é sempre um homem fardado. Por mais que eu goste de ser a domadora, ser submissa algumas vezes não faz mal, pelo contrário, é bom variar. E só de pensar nessa farda e no que ele guarda por baixo dela, meu banho foi para o saco porque essa hora já estou mais molhadinha que antes.

-Você merece uma punição além de ser presa.

-E qual é? – Pergunto, trocando minha voz para uma mais arrastada, como a menina tola que está com medo.

-O que garotas más devem receber... – Passou a mão em meus cabelos, bagunçando-os um pouquinho mais. – Você deveria começar por aqui. – Empurrou minha cabeça na direção do seu pênis, a calça fechada com um leve volume na frente.

-E devo fazer o que? – Pergunto, inocente, colocando a única mão disponível sobre a sua coxa.

-Deve me chupar até eu dizer que chega, estamos entendidos? – Puxou meus cabelos pra cima. – E tem que ser bem feito.

-Sim, senhor! – Respondo para ele.

Peço ajuda para ele abrir a sua braguilha e é somente isso e o cinto que ele abre, deixando-o preso pelas laterais. A calça caiu um pouquinho, até metade das suas coxas, já que suas pernas um pouco mais abertas não permitiam que deixasse cair, e ele baixou um pouco sua cueca box de cor azul marinho, dando-me a bela visão do seu pênis não completamente ereto.

Envolvo minha mão em seu pênis, passando por toda a extensão, descendo para as bolas e acariciando-as. Eu sei que ele adora isso, e quero proporcionar o máximo de prazer possível para ele. Cuspi de longe nele espalhando com os dedos o líquido da minha boca e deixando-o com mais facilidade para manusear. Bruno deu um passo à frente e isso foi o suficiente. Brinquei com a língua na sua glande e chupei apenas a cabeça, mantendo os olhos fixos nos seus.

Aos poucos fui aumentando a quantidade que ia pondo na boca, até chegar ao meu limite, então comecei a chupa-lo, fazendo-me de boa moça no inicio, usando a técnica de não estar acostumada, mas apenas por um tempinho, já que seu olhar estava implorando por algo bem melhor. O chupei como podia, brincando com minha mão em suas bolas, ainda com aquele mesmo olhar de safada recatada e ele revirando seus olhos, omitindo uns grunhidos estranhos e passando as mãos em meus cabelos volta e meia.

Lambi seus testículos, babando-os de uma maneira que, creio eu, tenha ficado sexy. Bruno ajudava com tudo, empurrando minha cabeça de leve para que continuasse com tudo que estava fazendo. Fiquei apenas com seu pênis na boca e usei a mão para arranhar de leve por volta dele, fazendo-o gemer um pouco alto.

-Deite! – Ele se afasta, retirando as botinas que calçava, parecendo estar com muita pressa.

Tento locomover-me, mas é difícil ficar numa posição legal com a mão presa ali, então o único modo foi sentar com as pernas encolhidas, porém abertas. O observei retirar a roupa – pelo menos à parte debaixo dela e vir em minha direção.

Abaixou-se em minha frente e pegou meus pés, cheirou-os e foi beijando sobre eles até meu joelho, seguindo os mesmos passos com a outra perna. Passou a mão e as abriu novamente, fazendo meu short do pijama encolher-se um pouco. Seu corpo quente aproximou-se do meu causando uma espécie de frenesi instantâneo. Cafunguei fortemente para sentir bem o seu cheiro, seu perfume inconfundível... Recebi outro cafune, um beijo no queixo e sinto seu dedo descer para minha barriga, indo para o short.

-Quero foder ela todinha. – Chegou perto do meu ouvido. – Foder todo e qualquer buraco que eu possa entrar...

-Foda-me... Como quiser, policial. – Mordisco a ponta da sua orelha e ele morde seus lábios visivelmente.

Com toda a delicadeza do mundo, Bruno retirou meu pijama. Largou as peças para o lado e deixou-me apenas de calcinha e sutiã. Observou-me por uns instantes e tornou a beijar minhas pernas, dando um tapa de leve em minha coxa.

Ficou me provocando, respirando fundo e dando breves lambidas sobre a calcinha do meu corpo, e quando retirou-a, fez o mesmo. Pedi baixinho que ele não me torturasse, mas era em vão. Tirei meus peitos do sutiã, levantando-o, e acariciei o mamilo. Estava completamente excitada e queria que ele partisse logo para o ataque.

Senti sua língua por mais tempo e sabia que havia começado a sessão tortura². Usou sua boca para chupar, lamber e até morder de leve meu sexo, acariciando – e muito – meu clitóris, que estava durinho. Tremia de leve minhas pernas antes mesmo de gozar ou chegar a algum orgasmo, mas sabia que poderia pela primeira vez, talvez, chegar ao orgasmo múltiplo, se continuar ir nesse ritmo.

Apenas minha cabeça continuava recostada na cama, e ela virava-se de um lado para o outro, meus olhos fechados, sentindo apenas todos os prazeres que estava tendo e que merecia sentir. Cada toque, cada movimento, gravando em minha mente por uma eternidade. Gemendo e sussurrando algumas coisas desconexas. Tudo estava desconexo.

Ao sentir meu corpo pegar fogo, deixei que minhas pernas tomassem seus rumos, fechando-se. Tranquei a cabeça dele ali, mas não foi intencional, apenas estava usufruindo de tudo para deixar aquele momento melhor. Minha barriga foi pra cima e pra baixo, e eu só pedi que ele parasse com que estava fazendo. Senti tudo ficar molhado, mais do que o normal. Uma gota escorreu para minha bunda e ouvi o sussurro impressionado do Bruno.

Estava tão extasiada que não senti Bruno me desprender da algema, quanto mais a parte que ele me pôs na cama. Só consegui sentir meu corpo deitar-se no fofo, minha cabeça repousar sobre um travesseiro bom e ele ficar sobre mim.

-Shhh. – Coloquei o dedo indicar sobre sua boca. – Só me fode.

Ele fez exatamente o que eu disse, afastou minhas pernas e introduziu seu membro em mim. Senti um choque de inicio, principalmente por sua louca vontade de foder-me com força e velocidade. Seu corpo balançou sobre o meu, seu quadril para frente e para trás e nossas peles se chocando, provocando um barulho intenso e sexualmente maravilhoso. Gemo, da forma como ele gosta, provocando-o com minhas unhas em seus braços descobertos.

Fui desabotoando sua camisa do uniforme como pude, não estava fácil, mas consegui até a última. Ele ajudou-me, retirando a última peça de roupa e tocando para o chão, retornando para o que fazíamos.

Tenho certeza de que Lana poderia acordar com meus gemidos, mas não conseguia contê-los. Bem mais forte do que eu.

Cravei as unhas em suas costas, arranhei com vontade, a fim mesmo de deixar vergões. Queria marcas de que aquilo tinha acontecido. E, ao voltar-me no corpo e no tempo presente, pedi que ele parasse pois queria fazer algo.

Deitei-me de bruços, empinando a bunda para ele, abrindo bem as pernas. Para ele, uma visão bem ampla e grande da minha bunda e do que tanto gosta, os “buracos” que quer preencher, e para mim, simplesmente o conforto e a satisfação que ele sentirá ao fazer isso, além de estar completamente submissa a ele.

Bruno meteu com toda a vontade que tinha em mim, deixando escapar até mesmo um grunhido estranho. Gemi alto estando estregue a tudo aquilo. Sua mão prende meu pescoço por trás, empurrando meu rosto contra o travesseiro, e aí começou com força e rapidez. Movia apenas o seu quadril e era incrível como conseguia fazer aquilo me dando prazer ao mesmo tempo em que recebia.

Rebolei, brinquei, chupei e até mesmo tentamos o anal. Tentamos somente. Não tínhamos nenhum auxilio e somente com nossos cuspes não havia ficado legal, ou seja, entrou apenas um terço de sua glande e eu gritei de dor. Parecia mais a primeira vez do que a segunda tentativa.

A noite foi bem finalizada com seu gozo sobre a minha barriga. Espalhamos aquilo e caímos juntos na cama, pegando a ponta do lençol para limpar.

-Que nojo. – Reclamei do que eu mesma estava fazendo.

-Nojo? Eu achei maravilhoso... Tudo!

-Nojo o gozo, porque o resto foi perfeito. Aliás, obrigada por deixar-me inebriada com um gozo que nunca tive igual.

-Eu nunca tinha visto aquilo tão de perto, muito menos com você. Jorrou algumas gotas da sua boceta, sabia? – Minhas bochechas queimaram na hora. – Não precisa ficar com vergonha.

-Não estou. – Passo a mão sobre seu braço. – Somente fiquei pensando no quanto foi bom. Nem senti quando me colocou na cama.

-Você estava em outro mundo.

-Eu estava aqui, mas não tinha forças pra falar e me mover. Meu corpo todo tremia por dentro, foi uma sensação sem igual.

-Foi bom, do inicio ao fim. Dá próxima vez temos que controlar nossos gemidos e gritos.

-Será que a Lana ouviu algo?

-Mesmo que tenha ouvido, acha que ela entende? – Brincou com minha orelha. – Vamos dormir? O dia foi bem puxado.

-Demais. – Beijo levemente seus lábios, sorrindo em seguida. – Boa noite.