quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Capítulo 43


Bem no alto ou bem lá embaixo
Quando você está muito apaixonado para esquecer
Mas se você nunca tentar, você nunca saberá
O quanto você vale
Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão teus ossos
E eu tentarei consertar você
(Fix You - Coldplay)

Minhas pernas tremiam naquela bancada. Ouvia os barulhos das máquinas fotográficas, bem baixinho. O clima estava tão tenso que me deixava nauseada e com dor de cabeça. O juiz sentou-se e todos ficaram extremamente calados. Bruno estava nervoso, usando um terno preto e cabelos topete, o advogado ao seu lado estava dando um apoio, dizendo para ele não ficar nervoso.

O celular vibrou com duas mensagens perguntando sobre a mamadeira de leite da Lana e a outra sobre como estava o clima e se já havia começado. Não queria responder para não perder nada.

O juiz começou a falar, explicar todo o caso e chamou o advogado de defesa. Quando ele levantou, vi Bruno tremer a perna insistentemente.

Tudo foi bem explicado e cada um teve sua vez de falar. Bruno ficou nervoso o tempo todo. Tomamos um café preto no intervalo da decisão e retornamos para a bancada.

Sentença de duzentas horas de trabalho comunitário mais algumas cestas básicas para algumas instituições. Isso era a felicidade no meio de toda essa tensão. Prestar serviço comunitário é maravilhoso e eu sei que ele irá amar fazer isso em prol de algo além do dele, já que irá levar muita diversão – o lugar escolhido foi hospitais de crianças com câncer e outras doenças, além de um orfanato.

Mas aí o dia do Grammy chegou, e o resto foi só alegria. Como a categoria dele foi anunciada antes de ser televisionado, e apenas a sua apresentação iria ser. Eu e Urbana ficamos na plateia. Me senti deslocada, mas ao mesmo tempo muito bem introduzida. Havia muitas pessoas ali, é claro. Vestidos caros, roupas de grife, saltos caríssimos e muita riqueza para um único local. Vi muitas pessoas famosas de longe, algumas até passaram bem perto de nós. Urbana foi cumprimentada por algumas mulheres que disseram amar a sua coleção de roupas para a estação outono/inverno.

A premiação começou e Bruno já ganhou um. Ficamos como idiotas gritando e fazendo festa, eu estava completamente feliz por ele e avisei que esse dia chegaria. Ele não tem nem um ano completo de carreira conhecida e já ganhou um prêmio desse porte, e Bruno ainda tem alguma dúvida de que ele será um sucesso mundial?

Ligamos para a sua mãe, recebemos mais algumas ligações. Estávamos eufóricos.

Bruno foi chamado para a preparação da apresentação e eu deixei que ele fosse – pois estava abraçando e berrando com ele de alegria -, antes dando um rápido selinho em seus lábios, a felicidade era tanta que eu precisava disso. Eu estava extasiada de orgulho e felicidade, sendo sincera.

Assisti a sua performance de perto e chorei o tempo todo. Sua voz angelical, seu entusiasmo, seu carisma. Se as pessoas pudessem conhecer ele como ele verdadeiramente é ao invés de apenas conhecerem o Bruno Mars famoso. Ele tem todos os seus defeitos, vários, como eu tenho, como minha mãe tem, como a mãe dele tem e como todos nós temos. Mas as suas qualidades... essas ele tem muitas também. Só de pensar que qualquer outra pessoa desistiria depois de anos tentar e vários “não’s” na cara tomar, a gente vê que ele é guerreiro e batalhador com o que quer. Sem contar no super pai que ele é para a Lana...

-You are amazing. – Colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha assim que retornou do palco e nos encontrou no backstage. – Just the way you are. – Deu um rápido beijo em minha boca e Urbana começou a rir.

-O que houve? – Phil perguntou.

-Esses dois achando que escondem algo.

-Mas não temos nada pra esconder. – Ele dá de ombros.

-Então estão namorando?

-Não. – Respondemos juntos e rimos.

-Jesus. – Ela balança a cabeça e Phil dá um tapa no ombro do Bruno.

-Nós estamos crescendo... Pouco a pouco vamos chegar lá!

Bruno puxou-me rapidamente pelo braço e avisou que íamos sair para comemorar apenas eu e ele, já que todos iam ter uma comemoração mais íntima. É claro que eu aceitei, e em instantes saímos do local.

Foi um alvoroço para conseguirmos pegar o carro. Um tumulto de pessoas na grade do lado de fora, muitas meninas gritando quando o viram e ele abanou. Pedi que ele fosse atende-las enquanto eu ia subindo no carro à sua espera.

-Vamos jantar num local especial. – Colocou seu cinto de segurança, pegando o blackberry com a outra mão. – Tira uma foto nossa, por favor.

-Você pedindo pra tirar foto? – Estranhei, tomando o celular de suas mãos.

-Hoje eu estou mais do que feliz, Lea. Quero aproveitar, quero registrar esse momento.

-Você merece. – Beijo sua testa e aproximo do seu corpo.

Estico meu braço para frente e giro o celular para tirar a foto. Fizemos várias caretas e registramos tudo assim como ele pediu. Bruno puxou meu rosto, meu pescoço esticando ao máximo, e beijou meus lábios. Tirei a foto na hora e ele riu, senti seu hálito em meu rosto e embriaguei-me.

-Quero te dar o meu melhor. – Sabia que essa era a letra de uma música, só não lembrava de qual e muito menos de quem era.

-Dê! – Dou um leve beijo nos seus lábios novamente. – Vamos pra onde?

-Um hotel! Tem um restaurante maravilhoso, cinco estrelas, um tratamento de realeza para nós dois.

-E a Lana?

-Ela estará com a Jaime, Tiara está lá. Não temos problema... – Girou o volante e acenou para alguém por ali pelo vidro da frente. – Já avisei elas por SMS, não se preocupe.

-Ela está em maravilhosas mãos. – Sorri para ele e puxei outro assunto.

Bruno mal falava sobre outra coisa, dava para perceber de longe a euforia e empolgação que ele estava, não era pra menos. Ele merecia aquilo, ele ganhou o prêmio máximo que algum cantor poderia ter ganho. Ele não tem um ano de carreira – mundial – ainda, e não ganhou prêmio como “Artista revelação”, ele ganhou como melhor música... Eu acho que ainda não tenho noção da dimensão que é isto.

O carro foi estacionado em frente ao Sofitel LA, o manobrista recebeu o carro e cumprimentou o Bruno. Entramos pela frente dando de cara com a sofisticação e luxo que apenas o Hall já nos oferecia de bandeja.

Muitas pessoas circulavam por ali. Empregados uniformizados corretamente e postura plena de todos. A organização era ponto alto.

Pedimos por um quarto, Bruno que o mais caro, era somente para essa noite e o café da manhã do dia seguinte. Deu bem caro, tirando a janta que ainda não tínhamos ido escolher, mas que seria pago separadamente.

Reservou uma mesa com isolamento de todos, com velas e luzes especiais, máximo conforto. Sentamos rente a ela e o pedido foi a sugestão do chefe. Seguramos nossas mãos sobre a mesa e eu estava sentindo, novamente confortavelmente, em casa. Uma sensação bem plena de que estávamos ali como um casal, agindo como um casal, sendo um casal, mas não sendo um casal ao mesmo tempo.

Eu sentia como se fossemos namorados... Sentia aquele frio na barriga e aqueles risos frouxos como eu senti com o Kai quando adolescente.

-Estava maravilhoso. Dê meus cumprimentos ao chefe. – Coloco novamente o guardanapo sobre o colo.

-Os meus também, por favor.

-Pode deixar. Com licença. – O garçom sai levando os pratos e Bruno passa a perna pela minha.

-Só consigo pensar no meu prêmio. – Mordeu levemente os lábios. – Mas antes quero mostrar uma coisa.

Senti arrepios em meu corpo, que começaram das minhas pernas descobertas até minha nuca. Levantei com ele e fomos até o balcão para anotar em nossa conta do hotel. Bruno seguiu ao meu lado, bem juntos. Pegamos o elevador e fomos até o último andar.

-O que estamos fazendo aqui? – Olhei a grade fechada e a placa onde dizia que somente pessoas autorizadas poderiam entrar. – Bruno? – Chamei sua atenção.

-Vamos a um lugar especial. – Puxou uma chave do seu bolso. Quando ele pegou aquilo? Só poderia ser no tempo que eu estava no banheiro durante o jantar. – Vem. – Ofereceu a mão para que eu subisse as escadas com ele.

Passamos pela grade, onde tinha um pequeno portão, e em seguida pela porta de segurança. Ele a empurrou e segurou para que eu passasse. Cuidei minha pequena bolsa para não prender e meu vestido para não levantar. Bruno guiou-me até a ponta e segurou minha mão.

-Olha essa vista. – Mostrou-me a vista ampla que tínhamos dali. Dava para enxergar Los Angeles toda, praticamente.

-É lindo. – Disse, apaixonada.

O vento que batia forte, fazia barulho em meus ouvidos. Estava ficando frio... Já estava friozinho a alguns pés abaixo, aqui em cima piorou. Bruno envolveu-me num abraço e beijou minha cabeça.

-Sou eternamente grato por ter você em minha vida.

-Eu igualmente. Sempre soube que você seria sempre o meu melhor amigo.

-Eu te irritava. – Riu, remetendo-me a lembranças antigas. – Você deveria ter nojo de mim.

-Digamos que eu não convivia com muitos amigos, era apenas eu e Laila. – Dou de ombros. – Ai minha irmã começou a namorar com o Eric, ela me falou de você de um jeito legal e eu já fiquei com raiva pensando que ela arranjaria um novo irmão e me deixaria de lado, sendo que, nós já não tínhamos uma bela relação.

-Coisas de irmão. – Gargalhou. – Fiquei com ciúmes do Eric quando começou a namorar com ela.

-Como éramos bobos. – Contagiei-me com seu riso. – Ainda bem que você entrou na minha vida.

-E eu não sei nem em qual momento exato viramos melhores amigos.

-Também não. – Tremi o queixo, com frio.

-Como seriam as coisas sem a Lana? – Pensou alto, abraçando-me com mais força.

-Não faço ideia. – Balanço a cabeça negativamente. – Teríamos ido pra cama?

-Eu teria tanta inspiração como tenho?

Ficamos ali por mais alguns minutos, não muito, pois o frio estava de fato incomodando bastante. Tinha adorado nosso momento fofo, momento amigo, coisa que estávamos precisando.

Quando descemos para o nosso andar, eu esperei na porta enquanto Bruno entregava a chave para a moça da recepção. Passamos o cartão e entramos no quarto luxuoso e enorme que o hotel nos oferecia.

-Dança comigo? – Tomou meus braços, puxando-me para o seu corpo.

-Danço. – Respondo baixinho olhando firmemente em seus olhos. – Música?

-O ritmo somos nós que fazemos e a letra, eu cantarei ao pé do seu ouvido.

Via seu sorriso reluzir enquanto falava, não conseguia parar de sorrir nem ali e isso me encantava. Sua felicidade, a felicidade da Lana, são os motivos principais da minha felicidade.

Fomos no embalo da melodia que ele cantarolava, passos para cada lado, seu braço segurando minha cintura firme. Repousei minha cabeça em seu ombro ficando inebriada com seu cheiro bom. Brinquei com seu cabelo em meus dedos, beijei de leve seu pescoço por força do hábito, pois estava gostando de como tudo estava, romântico...

Puxei seu rosto de frente pro meu e apenas selamos nossos lábios delicadamente. Ele não aprofundou nada, passou a mão somente pelas minhas costas, não desceu para minha bunda ou coxas. Foi respeitador e bem querido. Acariciou meus cabelos, empurrando-me para a cama. Deitou-me com delicadeza e deitou-se ao meu lado, dando beijos em minha boca e abraçando-me.

Acho que não era clima para uma foda, era clima para nós dois nos curtirmos de maneira que nunca havíamos nos curtido, sendo “românticos” pela primeira vez na cama, apenas carícias.

Bruno beijava meus lábios e tomou distância do meu rosto por alguns segundos. Mexeu no meu cabelo.

-Quero aproveitar você essa noite. Apenas eu e você. – Beijou minha testa. – Podemos adiar o sexo?

-Sempre. – Mexi no seu topete.

-Você me acalma, sabia? – Ajeitou-se com o travesseiro ao meu lado. Virei meu corpo para o lado, ficando de frente pra ele. – Não é atoa que esse grammy é seu.

-Meu? – Ri. – Deixe de besteira. Você o ganhou porque o merece. Seu talento é único.

-Eu fiz essa música pra você. Foi pensando em você! – O encarei, recebendo a notícia da qual nunca teria imaginado. – Por muitas vezes vi você dizendo que não estava bonita, ou não estava se sentindo sexy... Tem que deixar de besteira. Você é linda, Lea. Linda como você é.

-Você é um idiota. – Meus olhos marejam. É muito pra eu receber uma homenagem dessas. – O único que merece tudo de mim.

-Lea, você me deu tudo. Isso é o mínimo que eu poderia fazer. Não sou ingrato. – Tossiu para o lado e voltou a me encarar. – Me deu abrigo, apoio, cuidou de mim e da minha filha. Puxou minhas orelhas e aguentou minhas indecisões.

-Porque eu não poderia ter um melhor amigo melhor que você. Se eu fiz tudo isso, é porque você vale a pena. E por que eu te amo.

-Eu te amo, muito. – Passou a mão pelo meu rosto.

Claro que nosso “eu te amo” vem apenas da nossa amizade. Nunca tivemos algo sério para dizermos que daríamos certo, nunca nos prendemos de maneira que pudéssemos nos amar como homem e mulher. Paixão vai e vem, apaixonados poderíamos estar, mas esse amor, o de agora, é somente de amigo. De melhores amigos de anos. De duas pessoas que se amam incondicionalmente.

Deixamos que nossa conversa chegasse até a madrugada. Horas a fio conversando como não fazíamos a tempos. Após isso dormimos agarrados, como não tínhamos dormido sem antes transar. Abri-me para ele assim como ele fez pra mim, tivemos conversas de melhores amigos novamente e eu estava me sentindo leve por isso.

E acima de tudo muito feliz por Deus ter o posto em minha vida.


Nove horas da manhã acordei a Lana e o Bruno. Já que seria eu a mostrar a casa, não precisei sair no horário de sempre. Ouvi resmungos dos dois sobre acordar cedo, coisa que ela puxou a ele, pois os dois, dependendo, podem dormir o dia todo sem problema algum.

Elétrica, dei banho na Lana, que me molhou toda. Arrumei-a e deixei um desenho passando para ela assistir. Já tinha ajeitado minha roupa e minha bolsa, então fui pro banho e Bruno foi junto comigo. Amassamo-nos e beijamos como doidos, parecia que não tínhamos transado na noite passada, mas nosso fogo acaba nunca. Só não demos continuação pois tínhamos horário e Lana não poderia ficar muito tempo sozinha.

Arrumei-me no meu quarto e ele no dele, mas antes de terminar de por minha blusa, ele apareceu e beijou meus lábios, descendo para meu pescoço e indo aos meus peitos cobertos pelo sutiã.

-Papai. – Ouvimos a Lana e logo nos distanciamos, e eu pus minha blusa rapidamente, resultando nela estar no lado errado.

-Oi, princesa. – Ele beijou sua testa.

-Acabou o mama. – Entregou a mamadeira para ele. – Quero mais.

-Mas que fome toda é essa?

-Foi só uma mamadeira, mamãe. Isso não basta. – Sacudia a cabeça, enquanto dizia todas as palavras de um jeitinho errado, mas muito mimoso.

-Essa menina é sua filha mesmo, não nega. – Balanço a cabeça para ele, rindo e indicando a saída. – Mamãe vai terminar de se arrumar.

-Tudo bem. – Ela saiu na frente com um andar elegante. Desde pequena ela desfila ao invés de andar, tem todos os jeitos delicados e eu não sei a quem puxou.

Saímos por volta das dez e meia. Tinha outra casa para mostrar a uma hora da tarde e esperava que desse tempo para tudo. Bruno dirigiu até a casa e antes mesmo de chegar, já disse que queria, por ter amado o local. Escolhi ali por que sabia que ele queria uma boa vizinhança, um local de fácil locomoção e seguro.

Abri o portão preto automático para ele entrar com o carro e estacionar em frente a grande garagem.

Já de cara percebi o quanto ele tinha se encantado. O pátio extenso na frente, com uma pequena pracinha para Lana aproveitar, espaço o suficiente para dar festa se for preciso, garagem bem ampla.

Ao abrir a porta da frente e entrar, Bruno disse mais uma vez que era aquela que ele queria. Um lindo hall de entrada nos esperava, com um corredor para o lado direito, um reto, e ao lado esquerdo uma grande abertura curvada.

Mostrei cada detalhe da casa, as salas, a cozinha, as áreas não especificadas, a adega, o banheiro e tudo mais. Os quartos começaram dos mais simples até o mais sofisticado. Ao total seis quartos. Um deles já é pintado de cores suaves, em tonalidade de azul e verde, com dinossauros e uma lamparina bem legal para criança, esse Lana se encantou, até com os dinossauros do papel de parede.

O quarto antes do principal foi o que eu mais gostei. Era amplo e com uma janela bem grande com vista para os fundos, um pequeno closet e um pequeno banheiro próprio. Era confortavelmente bom.

Chegou o quarto principal e o quarto que o Bruno se encantou. Era grande! Um closet grande, um banheiro grande, uma banheira grande, uma janela grande, e um espaço em vazio, grande também. A casa toda dava dez da nossa pequena casa atual. Só esse quarto dava uma da nossa casa. Era maravilhoso.

-Podemos transar aqui. – Bruno disse ao meu ouvido, quando Lana se afastou para colocar a sua boneca na banheira vazia. – Naquela banheira. E aquela janela? Podemos deixar aberta enquanto eu como você.

-Podemos transar na piscina. – Forço a rouquidão da minha voz e ele fisga os lábios. – Aquela cozinha? Com aquele balcão enorme... – Mordo meus lábios de leve.

-Poderíamos transar na garagem, ou também...

-Papai! – Lana veio correndo para o nosso lado. – Vamos na pracinha?

-Agora? – Falou de má vontade, arrastando a voz. – Vamos!

-Êeeh! – Comemorou levantando os braços.

Enquanto Lana se divertia a nossa supervisão, eu falava sobre todos os detalhes importantes da casa. Como contas, acesso, modos de pagamento e etc. Eram muitos pequenos detalhes de várias cláusulas do contrato extenso.

-Vou ficar com a casa, Lea.

-Sério mesmo?

-Sim!

-Não brinca... É sério? – Fico espantada.

-Muito sério.

-Eu vou ganhar uma comissão muito gorda em cima disso. – Meus olhos brilham.

-Além de morar nessa casa maravilhosa... aquele quarto será seu também.

-Meu Deus. – O abraço. – Você não existe...

-O que é um quarto perto do que já fez por mim, Lea? – Beijou meu rosto. – Mas vou querer inaugura-la.

-Talvez num dia que eu esteja trabalhando... – Falei baixinho em seu ouvido. – Vamos fechar o contrato hoje? Assim posso até sair mais cedo.

-Porquê ainda não fechamos? – Mordeu os lábios. – Você judiou de mim essa manhã.

-Eu? – Ri próximo ao seu ouvido. – Não mesmo.

-Nós nos judiamos. – Balançou a cabeça colocando a mão pela minha perna.

-Eca. – Lana fez uma cara de nojo enquanto chegava perto da gente. – Mamãe, quero ir na praia.

-Hoje meu amor? Hoje estou trabalhando... Pode ser no final de semana?

-Tudo bem.


Um mês após a visita, Bruno conseguiu, finalmente, fechar o contrato com a nossa imobiliária. Ele foi lido e esclarecido várias clausulas juntamente ao advogado dele, para que não restassem dúvidas. Assim que a entrada do pagamento foi registrada, mais da metade do valor, a casa era oficialmente dele.

A chave lhe foi entregue, juntamente com quatro cópias do contrato, um manual de boas utilidades – o que particularmente é sem noção, pois cada um faz o que quer da sua casa. E no final de Abril nos mudamos para a casa nova.

Arrumei toda a casa antiga, toda. Para que pudesse fecha-la e deixar tudo em ótimo estado. Pensei em coloca-la para alugar por enquanto, ganhar um dinheiro com ela já que irá ficar trancada por um tempo, mas ainda estou pensando, já que as meninas querem vir morar em Los Angeles, quem sabe elas não passem um tempo na casa ao invés de atrapalhar a Jaime na sua casa com seus filhos e marido.

Bruno não deixou que fizéssemos nada. Contratou o pessoal da mudança e dois dias depois – depois de comer comida congelada ou pedida de restaurante, com refrigerante -, criamos coragem para arrumar tudo. Se somos preguiçosos? Talvez, mas já havíamos arrumado a antiga casa de forma que ficasse impecável, eu estava podre de tanto faxinar cada canto da casa e o Bruno de carregar coisas de um lado para o outro. Tínhamos direito dessa folguinha.

As duas primeiras semanas foram de adaptação, para nós e para a pequena Lana, que estranhava ao acordar, muitas vezes. Chorou bastante e foi difícil deixa-la no seu quartinho, mas com o tempo ela acostumou-se e adorou ficar ao redor dos seus brinquedos. Será bom ela ter essa privacidade de ter seu quarto sozinha, desde pequena. Cria certa independência.

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