Rick distribuía beijos pelos meus braços, afim de dar continuidade. Eu queria, talvez mais que tudo naquela hora, mas meu coração estava apertado. Rejeitei todas as ligações de Bruno, não me importava o discurso de como estava arrependido e que minha amizade valia ouro, que nada deveria ter acontecido como aconteceu. Mas aconteceu, não é? Eu sou um pouco idiota de sentir ciúmes um pouco, mas faltava-lhe respeito com Lana, e à mim, de certa forma.
-O celular está tocando, de novo. - Richard tem uma paciência incrível, mas sinto que ele está a perdendo comigo.
-Eu não vou atender. - Pego o celular que estava sobre a mesinha, e desligo-o. - Quer subir?
-Você está me instigando para depois negar fogo, Lea?
-Quando eu neguei fogo? - Mordo levemente os lábios e ele levanta, puxando minha mão para subirmos colados um ao outro.
Poderia passar horas listando todos as qualidade de Richard. Ele é realmente maravilhoso, e eu quero poder lhe dar toda essa atenção e carinho de volta. Quero mesmo.
Após o banho pós-sexo, deitamos na cama, ele fazendo carinho em minha cabeça, o que me deixava um pouco mais sonolenta, a televisão ligada em qualquer canal besta.
-Será que não era nada muito importante? - O olho, procurando entender. - O telefonema...
-Creio que não. Ele gosta de incomodar, acho que já percebeu isso. - Ri, passando as unhas de leve sobre o seu peito descoberto.
-Sabe o que eu percebi? - Pergunta-me, depositando um beijo na ponta do meu nariz. - Que estou com fome.
-Sabe que eu também.
Ouvimos a campainha, nos entreolhamos, e eu levantei. Richard pôs sua calça de abrigo, e ficou sem camisa, enquanto eu coloco meu hobby e o amarro na cintura. A campainha toca insistentemente no andar de baixo. Só poderia ser uma pessoa, Bruno, e o que ele quer na minha casa uma hora dessas?
Abro a porta, olhando para seu semblante desesperado, e suando frio.
-Lea. - Não aparentava estar bêbado.
-Oi, o que foi?
-A Lana... - Respirou fundo. - Eu tentei te ligar, mas você não ouviu...
-O que aconteceu com ela? - Olho para os lados.
-Ela está no carro. - Sai junto dele para fora da área, seguindo para o seu carro. O andar apressado dele, em frente ao meu, me faz pensar que boa coisa não pode ser. Ouço seu chorinho e ele abre a porta. - Ela está ardendo em febre, e chama pelo seu nome. Está delirando e o médico disse que é febre emocional.
-Porque não me avisou? - Me estiquei para ver minha pequena, dopada de remédios para se acalmar. - Oi, meu amor, a Lea está aqui!
-Mãe. - Ela balbucia, baixinho, vindo me abraçar. Não consigo mais a pegar no colo, afinal seis anos já é muito tempo. - Mãe.
-Shhh, eu estou aqui. - Passo a mão pelos seus cabelos, respirando fundo. Sinto suas lágrimas em meu pescoço, e meu coração se aperta. A ter me chamando de mãe é uma das melhores sensações.
A ter, sem dúvidas, é a melhor sensação. Ter seu envolvimento de menina, seus carinhos de filha. Mesmo não sendo uma.
-Eu tentei te avisar. - Bruno havia voltado com a sua voz normal, aquele tom de quem tem a razão na história toda. Irritante.
-Eu ouvi, vi suas ligações, mas não perdi meu tempo atendendo para ouvir aquele seu discurso estúpido. - Acaricio as costas da minha pequena, a puxando para fora do carro. - Calma, meu amor. A Lea está aqui agora, não tem porque chorar. - Ando alguns passos com ela, e Bruno ao nosso lado. - Ela ficará comigo essa noite. - O aviso.
-Tudo bem. - Ele continua a caminhar conosco.
Passo pela porta e ele dá dois passos para dentro, me olhando como se pedisse permissão.
-Vou ficar também? - Ele dá aquele risinho bobo, com vergonha.
-É que... Bem... - Tranquei! Não sabia explicar exatamente que Richard estava ali comigo. Mas, ele viu por si. Rick passou sem camisa, de calça, com um copo de suco, e duas torradas.
-Ah. - Bruno o olhou, em seguida pra mim, procurando talvez alguma resposta. Mas não há uma. - Não sabia que tinha visita.
-É...
-Pequena! - Rick larga o prato e o copo sobre a mesinha e se abaixa para receber o abraço de Lana.
-Ela está doentinha, Tio Rick. - Beijo o topo da sua cabeça. - Vai dar um abraço no tio, amor.
Lana andou ao seu encontro, e logo riu de algumas cócegas que Richard deu nela. Ele cumprimentou Bruno, que foi simpático do seu jeito, e tornou a olhar pra mim.
-Você tem as coisinhas dela aqui?
-Tenho o que ela precisa. - Sorrio, olhando de canto para os dois. - Não se preocupe, ela ficará bem.
-Eu sei que sim. Amanhã à noite passarei aqui.
-Tudo bem. - Seguro a porta e ele se toca que é hora de ir embora.
-Boa noite, desculpa pelo horário. - Seu sorriso triste acabou comigo. - Lana, vem dar tchau para o papai.
-Boa noite, papai. - Ela corre ao seu encontro e o abraça. - Eu amo você.
-Papai também te ama. - Ele beija sua testa, e encosta seus narizes. Lembranças me vem a mente, e mais uma vez meu coração se aperta dentro do peito. Como é difícil me desapegar completamente.
Difícil, quase impossível. Ele se despede e sai, o olho enquanto ele caminha até o carro. Nosso olhar se cruza mais uma vez, de longe, e eu posso sentir aquela sensação estranha voltar.
Nada poderia ter acontecido desse jeito.
FLASHBACK
Púnhamos os pratos à mesa. Seis deles. Papai terminava de ler seu jornal, acompanhando seus times e esportes favoritos, enquanto minha irmã e seu namorado estavam sentados no sofá, de mãos dadas. O irmão dele estava sentado na poltrona, todo espiado e parecia nervoso. Nunca dei uma palavra sequer com meu cunhado, quanto mais com o irmão dele.
-Filha, pegue a torta de maçã no forno, por favor! - Ordena minha mãe, distribuindo os talheres.
Caminhei para a cozinha, ajeitando o short curto que o calor do Havaí nos faz usar. Tirei a torta de maçã e pus sobre a mesa da cozinha, com uma tampa de tela sobre ela para não ter perigo de insetos passarem por ali.
Minha mãe estava feliz. Finalmente minha irmã estava namorando em casa, com alguém que ela julga ser digno.
A diferença entre eu e minha irmã é total. Somos até um pouco parecidas na fisionomia, e tudo mais, mas ela é completamente o oposto de mim em muitos aspectos. E implicante. Deve ser coisa de irmão, ser implicante, porque pelo que vi, Eric e Bruno também implicam-se bastante, e isso que eu os conheço há apenas uma hora.
Minha irmã acha, que por eu ser mais nova que ela, devo obedecer suas ordens, e seguir as suas tendências. Coisas que é óbvio que não faço. Nunca fui de seguir tendência de pessoas influentemente famosas, quanto mais da minha irmã mais velha e narcisista. Mas, apesar de uma montanha de diferenças, nós nos amamos.
Somos uma família pequena, literalmente. Meu pai está sem família há anos, era filho único, e meus avós já faleceram. Já meus avós maternos estão vivos, e muito bem. Moram em Los Angeles, Califórnia. Meu sonho de consumo. E tenho um tio, irmão de minha mãe, que mora aqui mesmo no Havaí, mas não é casado e nem tem filhos. Resumindo minha família, é isso.
Gostaria de ter família grande. Vejo na televisão e em algumas fotonovelas, as famílias enormes no dia de Ação de Graças, no Natal, e a nossa assim, pequena.
-Você poderia, pelo ou menos, fingir que está feliz. - Diz minha mãe, num tom calmo e baixo. - Sei que ontem você e sua irmã brigaram novamente, mas finja que está alegre no jantar. Ok? - Passou a mão sobre meu ombro e depositou um beijo em minha testa, largando a jarra de suco de abacaxi com menta sobre a mesa. Eu e minha irmã discutimos ontem à noite, por conta de um programa estúpido que ela queria olhar na televisão, e eu estava assistindo filme.
-Eu estou feliz por ela. Tão feliz que quero que ela case amanhã mesmo, e vá embora dessa casa. - Sorrio, irônica.
-Você não tem jeito. - Minha mãe ri.
Somos bem parecidas. Bem mais do que ela imaginou que fossemos um dia.
Eu não fui planejada, então até o quinto mês de gestação, minha mãe ainda pensava em me tirar. Não a culpo. Era somente ela, meu pai, e uma criança de seis anos, que necessitava de carinho e atenção.
Digo que sou parecida com ela, e que também ela é minha melhor amiga. Posso conversar sobre tudo com ela, desde aquela revista que vimos na banca, até sobre o esporte do papai. Somos teimosas igual, somos sinceras e acima de tudo, honestas. Puxei muito mais à ela do que ao meu pai, Frederich. Talvez seja esse o maior motivo de eu e minha irmã termos brigas constantes, ela é parecida com o nosso pai, e eu com a nossa mãe. Minha mãe e meu pai se dão muito bem, porque são um casal, e de acordo com eles, o que os faz felizes e completos, e que mesmo diante de todas as brigas, mal entendidos, e problemas da vida, à noite quando vão dormir, se olham e dizem que se amam.
Sonho bobo de menina de 16 anos, além da família grande, é ter algum amor assim.
-A janta está na mesa, pessoal. - Diz ela, retirando o avental de seu corpo.
-Opa, vou lavar as mãos. - Papai levanta da poltrona, largando o jornal.
-Onde posso lavar as minhas? - Pergunta, Eric.
-Tem outro banheiro no andar de cima. - Digo.
-Vou levar você lá.
-Aproveite e lave as mãos também. - Implico com ela, que coloca o dedo do meio pra mim.
Bruno, o irmão de Eric, estava levantando do sofá, e ri do que eu digo para minha irmã. Rio de volta. Dou licença para que ele sente na mesa, e minha mãe aponta a cadeira ao seu lado para que eu sente, peço licença pra ele e ele sorri novamente. Até agora só o ouvi dizer "obrigada", e falar com seu irmão. Minha irmã e meu cunhado sentaram a nossa frente, meu pai na ponta, e minha mãe na outra, como sempre é.
Durante o jantar o assunto era variado, mas quase sempre se focava no namoro de Eric e Eliza. Ele é o primeiro homem que presta com o qual ela se relaciona, ele é o primeiro que quis vir conhecer a família dela, por isso meus pais estão dando tanta importância, pois após isso eles acham que ela se ajeita. E ele também quer seguir uma carreira fora do Havaí, assim como ela quer sair daqui.
Após o jantar, tiramos a mesa, eu e mamãe, e deixei ela ir para a sala conversar com o pessoal. Ajeitei a louça para começar a lavar.
-Olá. - Ouço a voz de Bruno, o menino quieto, entrando na cozinha.
-Oi. - Digo, olhando rapidamente para ele, que se escorra na parede.
-Não quis ficar na sala, espero que não se importe que eu fique aqui. - Dei de ombros.
-Tudo bem, eu também não aguentaria muito tempo com a minha irmã. - Ele riu de minha piada sem graça.
-Você quer ajuda? - Perguntou, estendendo a mão para o pano de prato.
-Claro! Sempre bem-vinda. - Sorrio, mordendo o lábio de leve.
A presença dele durante a arrumação da cozinha, foi maravilhosa. Não teve aquele clima chato que sempre tem quando eu não conheço alguém e não tenho assunto. Foi tranquilo e se desenvolvendo pouco a pouco.
Descobri algumas coisas sobre ele, que é um ano mais velho que eu e estuda do outro lado da ilha, enquanto eu, quase na mesma rua da minha casa. Falou que, assim como o irmão, quer sair do Havaí e tentar a vida no urbano, ao invés do paradisíaco. Minha vó costumava falar, que se mudou do Havaí porque não era velha o suficiente para viver num lugar de turismo. Aqui é bom, maravilhoso, mas concordo que não é o melhor lugar para construir uma carreira. Uma família? Talvez.
Estamos no meio de setembro, logo Bruno disse que seu aniversário chega, e que irá mandar um convite para eu ir.
Nunca tive dificuldade de ter amizades novas, mas tenho dificuldade de ter confiança rapidamente. Então, hoje consegui mais um amigo. Mas ao total, confio somente em minha mãe, minha fiel escudeira e que me escuta em todas as horas, meu pai, pra quem não conto algumas coisas porque envolvem meninos, e ele morre de ciúmes. Minha amiga, Laila, minha vó e meu avô, e, por fim, mesmo que com muitos arranca rabos, minha irmã.
Uns dias após o jantar, calculo por cima uns 5 dias, Bruno mandou-me o convite. Agora teria que pedir para minha irmã me levar, porque minha mãe deixaria, mas não deixaria eu ir sozinha. Seria dia 8 de outubro, exatamente no dia do seu aniversário. Aliás, o que damos de presente para meninos?
-E ele é bonito? - Laila dava mais uma mordida em seu tablete médio de chocolate.
-Ele é legal. - Estico os lábios, em uma linha reta, e ela ri, mostrando os dentes sujos do doce. - Nojenta!
-Eu sou mesmo. - Mostra-me a língua, suja igualmente. - Como ele é?
-Ele é simples. Pele amorenada, olhos grandes, afro...
-Parece esquisito.
-Ninguém supera o Kai. - Respiro fundo, lembrando da minha paixão colegial. Daqui a um ano sairei da escola, e ele também, mas temos apenas uma aula juntos, e essa ele nunca me notou. Não faço nada para ser notada.
Também não tenho nada que seja alvo para bullying. Mas não sou legal o suficiente para ser popular.
-Largue o Kai de mão. - Laila balança a cabeça, guardando o pacote do seu doce em sua bolsa cheia de bottoms. - Você tem que investir no Glenn.
-Eu não gosto dele.
-Eu não gostava do Uriah, no entanto hoje, eu não consigo me ver sem ele.
-Laila, você está há três semanas com ele. - Ri de sua careta.
-Mas ele é bom no que faz, se é que me entende. - Revirou seus olhos, me fazendo ter a visão deles juntos e... não! Nojinho!
-Eca. - Balbucio.
-Fala eca porque nunca experimentou, mas eu digo, é uma das melhores sensações.
-Um dia eu saberei se é mesmo.
-Assim vou achar que você é homossexual. - Cochicha. No ano que estamos, qualquer boato sobre isso se espalha de uma forma inacreditável, e depois a língua do povo não tem osso.
-Pode apostar, eu sou. - Gargalho, me apoiando para descer da mureta onde estávamos sentadas.
Na manhã do sábado, final de semana que antecede a festa do Bruno, peguei minha irmã olhando seu programa de moda favorito, com uma revista ao seu lado, ela parecia levemente feliz. E isso me encorajava a falar com ela.
-Bom dia. - Dou um beijo no topo de sua cabeça, que a faz virar, confusa, e eu sair serelepe até o outro sofá menor para sentar.
-Eu não tenho dinheiro.
-Nossa. Que pensamento ruim sobre sua irmã. - Balanço a cabeça, forçando uma decepção inexistente.
-Uh, o que você quer, Lea?
-Preciso que me leve na festa do Bruno, sábado que vem. - Entorto os lábios.
-Mmm. - Ela olha para a televisão, pensativa.
-Por favor, será na casa do Eric, você sabe o caminho...
-O que?
-O que?
-Onde será? - Eliza me olha, parecendo se interessar.
-Na casa do Eric, no caso, do Bruno também.
-Mamãe deixou você ir?
-Sim. - Respondo convicta, lembrando que nem havia falado com minha mãe ainda.
-Eu vou falar com o Eric, mas a principio te levarei.
Claro que ela não iria dizer que não. A casa estará praticamente abandonada porque todos vão estar no pátio, ou seja, ela poderá aproveitar a vontade com o Eric.
-Obrigada, obrigada. - Comemoro, atirando um beijo pra ela e indo de encontro com minha mãe, que ajeita o jardim da casa.
-Mamãe. - Chamo sua atenção pra mim. - Tem um minuto?
-Claro, amor. - Ela passa a mão na lateral da sua calça. - Ligue a água, por favor.
Ligo o springle pra ela, e vou em sua direção. Falo sobre a festa e a faço lembrar do Bruno. De inicio ela ficou meio desconfiada, mas disse que Eliza iria me levar, e então ela deixou, contanto que eu tome todos os cuidados prescritos por ela, e eu sempre tomo.
Passava uns depoimentos, de pessoas que viram o ataque as torres gêmeas de Nova Iorque, enquanto eu terminava de me arrumar. A roupa já estava sobre a minha cama, mas ainda estava centrada em passar um rímel sozinha. Nunca passo maquiagem, dona Jude, minha mãe, não deixa de forma alguma. Diz que eu sou nova, minha pele ainda é muito limpa para encher de "remendos".
Deixei meus lábios com um gloss clarinho, e vesti o vestido clarinho, com um chinelinho enfeitado delicadamente, um colar e pulseiras.
A festa já rolava a hora em que cheguei lá. Minha irmã me abandonou no meio para subir com o Eric, e então comecei minha busca pelo Bruno, para lhe felicitar, falar que vim, e dar meu presente.
Não conhecia ninguém por ali. Rostos estranhos, a maioria mais velho que eu. Um ano, dois, ou até três, mas me olhavam como se eu estivesse pelada, com fraldas e uma chupeta gigante pendurada. Uma menina, de sorriso grande, colocou-me uma Lei muito linda, e eu aproveitei para perguntar sobre o Bruno.
-Ele está com os meninos, se preparando para cantar. - Ela aponta para ele, num canto perto da piscina.
-Irei atrapalhar se for até lá?
-Acho que não, vá lá.
Super simpática, me pediu licença e falou com outra pessoa que estava perto de mim. Andei até ele, timidamente. Não é meu costume ficar assim, sou extrovertida até demais, mas não conhecia absolutamente ninguém por ali, e começava a me perguntar o porque exatamente eu vim.
-Oi. - Encosto a mão sobre o seu ombro.
-Olá, Eleanor. - Sorriu, dando-me um beijo na bochecha. - Tudo bem?
-Maravilhosamente. - Devolvo-lhe um sorriso. - E com você?
-Ótimo.
-Feliz aniversário. - Estico a sacola para ele. - Eu quem escolhi, se por acaso não gostar, ou não for seu número, eu posso trocar.
Aparentemente ele ficou feliz pela camisa que lhe dei. Recebi um abraço e novamente fui deixada sozinha, pois ele iria cantar. Não sabia que ele cantava, aliás, não sei de muita coisa. Foi chegando mais pessoas, e eu me servi um ponche, e peguei uma pequena rodela de abacaxi com gotas açucaradas, e o comi. Vi pessoas dando alguns goles de tequila, escondidos, e rindo sozinhos. Fiquei me sentindo deslocada, e então quando vi aquele menino, de pele clara, sorriso grande e sempre aberto, olhos claros e cabelos escuros, meu corpo se arrepiou. Não sabia como agir, fiquei como uma idiota apaixonada.
Fui mais para a lateral de onde os meninos iam cantar, e com um copo de bebida, assisti eles dançarem e cantarem. Muito bem por sinal. Bruno cantava angelicalmente, uma voz encantadora, e assim que desceu, já recebeu vários paparicos.
Peguei mais uma bebida, e dessa vez com um espetinho de abacaxi com fruta-pão. Abacaxi meu preferido, sempre.
-Cuide para não beber muito. - Ouço a risada, meu corpo congela. Espio de canto de olho, Kai, segurando um copo de Blue Hawaii e pegando um morango.
-Ah, tudo bem, acho que meus pais se importariam se eles estivessem aqui, mas como não estão. - Levantei o copo, e ele gargalha.
-Você faz inglês comigo, isso?
-Na verdade, Literatura. - Me surpreendo por ele saber, e ter me reconhecido.
-Isso! - Estalou o dedo, com o qual tinha segurado o morango que estava engolindo. - De qualquer forma, não gosto de nenhuma das duas.
-Já dizia alguém, que eu não sei quem é, que quem gosta de tudo é sinal de burrice. - Pego mais um pedaço de abacaxi do meu espeto.
-Posso me considerar bem inteligente, então?
-Talvez. Se não gostar de muita coisa, quer dizer que você é bem chato. - Ele acompanha meu riso.
-Eu gostei de você, por exemplo.
Estou em frenesi. Meu corpo congelou completamente. Kai roubou um pedaço de fruta-pão, do meu espeto e sorrio pra mim, saindo do meu lado e indo encontrar a sua turma. Tomei o resto do meu ponche em 2 goles e servi mais. Eu, definitivamente, precisava falar isso para Laila, antes que surtasse.
