quarta-feira, 20 de julho de 2016

Capítulo 74


Olá, anjo do meu pesadelo
A sombra no fundo do necrotério
A vítima menos suspeita na escuridão no vale
Podemos viver como Jack e Sally se quisermos
Onde você sempre pode me encontrar
Nós teremos o Dia das Bruxas no Natal
E na noite desejaremos que isto nunca acabe
Desejaremos que isto nunca acabe
Sinto sua falta, sinto sua falta
(I miss you – Blink 182)

Bruno Pov’s

A pressão que tinha sobre mim para lançar um single novo, para dar notícias sobre o álbum, pra fazer qualquer coisa relacionada à minha carreira, estava grande demais. Acho que isso que está me impedindo de ter uma criatividade melhor para escrever uma música, ter uma ideia para melodia diferente, para pensar em nomes... A pressão quando é demais chega a dar um nervosismo grande, uma ansiedade, e agora eu vivo em constante medo das pessoas estarem esperando algo grandioso de mim e eu não conseguir fazer nada muito bom. Tenho esse leve preconceito comigo mesmo, onde exijo que eu seja um pouco perfeccionista para não deixar rabo aos outros pisarem em cima. Preciso me concentrar e fazer um álbum digno de grammy, assim como foi o segundo. Uma música que emplaque e não saia da cabeça das pessoas, digna de grammy também. Quero algo bom!

Passei dois dias enterrado no estúdio, sem celular, sem notícias do mundo exterior. Apenas a procurar respostas para esse meu bloqueio. Nunca fiquei tanto tempo assim. Tenho músicas escritas, umas seis. Todas não tem finalidade, pois faltam algum pedacinho crucial, e eu não quero ter que encher elas de repetições só para coloca-las no álbum, quero coisas originais e legais.

Eu sou tão chato pra isso.

Philip ligou pra minha casa, ligou pra minha irmã, disse que eu não preciso me sobrecarregar dessa forma, que quando a criatividade vier, eu vou saber e estar preparado pra isso. Me lembra de quando mais novo eu andava com um caderno para cima e para baixo, onde quer que eu estivesse ele estava comigo, porque nunca sabia quando a criatividade fosse bater em minha porta, e muitas das minhas músicas foram feitas em momentos inusitados.

-Lana chegou! Vou servir o jantar. Venha! – Tiara falou, seguida de três batidas na porta.

-Um minuto.

-Um minuto nada, Bruno. Saia daí, pelo amor de Deus. – Ela bufa. – Tem bilhete da escola da sua filha, ela está com saudades suas. Para de dar uma de monge budista, que se isola de todos, e saia daí!

-Parece a mamãe falando.

-Às vezes eu incorporo ela. – Abro a porta dando de cara com ela, de cabelos presos e roupa para academia. – Fui buscar ela depois da minha corrida. – Ela dá de ombros.

-Foi correr sozinha?

-Hm. Vejamos, a Lea não foi hoje comigo, se é isso que quer saber. Ela teve uns problemas no serviço. Aliás, não é só você que tem problemas com serviço, viu só.

-Eu ouvi, Yara. – Seguimos pelo corredor.

-Papai. – Minha pequena, que já está quase do meu tamanho, corre em minha direção. –A escola deixou bilhete em minha agenda.

-O que você aprontou? – Pergunto, segurando a sua mão e indo na companhia das duas para a sala de jantar.

-Nada, eu juro. – Ela sorri. – É sobre o halloween.

-E ele está bem na nossa frente e nem preparamos nada. Você vai de capitão caverna, sim?

-Você vai ir de que? Olivia palito?

-Há. Há. Há. Como você está engraçadinho hoje, deveria ter te deixado preso naquele estúdio.

-Talvez eu tivesse criatividade. – Dou de ombros, sentando em meu lugar. Lana coloca sua agenda em minha frente e eu abro onde está marcada.

“ Loyola High School convida para a noite dos horrores! 

O Halloween nunca foi tão divertido quanto essa noite na escola. O projeto é criado por docentes e alunos do ginásio da escola e aberto aos familiares de alunos e alunos. Traga sua fantasia, seu espírito mais assustador e venha para a melhor noite do ano! 

O ingresso será um quilo de alimento não perecível para ser doado ao hospital de câncer infantil. 

Essa noite terá atrações, como:

- Casa do terror.
- Concurso de melhor fantasia para alunos.
- Concurso do casal com a melhor fantasia.
- Rei e rainha do terror!
- Comes e bebes horrendos para deixar tudo no clima.
- Presentes e sorteios.
- Dentre outros. 

Dia 31 de outubro, a partir das seis da tarde, na escola. Junte-se a nós!”

-Nós vamos, papai? – Lana pergunta quando termino de ler em voz alta.

-Claro que vamos! – Sorrio. – Vamos chamar a Lea para ir conosco, sim?

-Sim! – Ela levanta os braços. – Não sei que fantasia por!

-Vamos sair para comprar a sua fantasia, vou comprar a minha também e a Lea vai com a gente. Que tal? – Pergunto para Lana.

-Eu também quero ir. – Tiara reclamou. – Posso?

-Claro, tia.

-Temos que avisar a Lea.

-Tira uma foto e manda pra ela. – Digo.

-Boa ideia.


-Que papel é esse? – Mia se estica sobre o sofá até a mesa de centro e pega o papel da escola da Lana. – Halloween na escola da Lana. Interessante.

-Sim, demais.

-Concurso de melhor fantasia. Rei e rainha! Vamos ir, não é amor?

-Ah... Eu vou ir. – Dou de ombros.

-E eu também.

-Na verdade, eu vou com a Lana, Lea e Tiara.

-E eu, onde fico nisso? – Ela cruza seus braços na altura do peito.

-Tem tantas outras festas para ir no dia de halloween, Mia. Não irá chorar por causa de uma festa na escola da Lana.

-Ah claro, eu que sou sua namorada que procure outra festa pra ir, mas aquela mulherzinha que não é nada sua, que vá com você na festa da sua filha.

-Nossa filha! Ela é minha filha e filha dela também. Essa é uma festa para a Lana, nós vamos por ela, e é evidente que ela prefere estar com a mãe dela ao lado do que com qualquer outra pessoa.

-Mãe? Ah sim, mãe! – Ela gesticula as aspas.

-O que foi, hein, Mia?

-Desde que você voltou a falar com essa mulher tem colocado tudo sobre ela. É tudo com ela, tudo você conta pra ela, tudo você pergunta pra ela. Não sabe dar um passo sozinho, porque tem que saber o que a Eleanor vai achar disso. Estou errada? Porque é só isso que eu vejo acontecer nessa casa, Bruno. Eu estou farta de Eleanor!

-Não sei por que está se exaltando. Você sempre soube que ela é minha melhor amiga, e sempre soube que eu boto qualquer coisa abaixo dos meus amigos e da minha família.

-Eu sou sua amiga também!

-Não é! – Falo mais alto. – Não é, porque você só me procura para falar dos seus problemas, nunca me escuta e nunca quer saber como eu estou lidando com os meus. Passei dois dias sem dar notícias pra ninguém, sem meu celular, trancado dentro do estúdio e você não ligou nenhuma vez pra mim, Mia! Isso é amizade? Porque eu tenho uma concepção bem diferente desta palavra!

-Você nunca fala suas coisas pra mim, Bruno!

-Claro, você nunca deixa! – Me afasto um pouco dela. – Ou está falando do seu cabelo, ou de como suas amigas fúteis são bobas, ou de como gastou calorias correndo hoje. Até de como está sua pele você fala comigo, mas nunca me escuta. Nunca procura saber como foi meu dia. E quer que eu considere você minha amiga? Você é minha namorada, mas não minha companheira. Companheirismo não significa isso!

-Eu esqueci como você é sentimental. Parecendo uma menina!

-Essa é sua única defesa? – Rio. – Me poupe, Mia. Por favor.

-Você deveria agradecer por me ter ao seu lado, isso sim. Eu sou tudo o que os homens pedem, Bruno! Eu sou linda!

-Beleza não é tudo, Mia. Você é vazia por dentro, acha que só a beleza ajuda quando não tem um pingo de conhecimento.

-Você está achando que sou fútil, como minhas amigas?

-Estou dizendo que é, e acho que até pior.

-Pior? – Ela me olha incrédula.

-Me diga algo inteligente, alguma informação que não precisa saber, mas que você sabe porque algum dia você se informou sobre isso, estudou, leu... – Ela permanece calada, me olhando com a mesma cara de espanto. – Me diga quantos livros você leu esse ano, Mia?

-Diga quantos você leu?

-Se vocês querem discutir, beleza! Mas a Lana está tentando dormir para ir pra escola amanhã e eu também quero dormir! – Tiara apareceu, com o pijama amarrotado. – E você Bruno, leu mais matérias de jornais do que livros.

-Viu! Até a sua irmã sabe.

-Coisa que nem isso você faz, Mia! – Tiara vira de costas. – Valar readsomebooks.

Nós rimos, pois nossa piada era interna. Isso é de Game Of Thrones, coisa que eu e minha irmã assistimos, Lea e Megan também. Ela apenas caracterizou uma frase da série para o momento em que estávamos. Aproveitei a deixa para levantar do sofá.

-Sinta-se a vontade. – Gesticulo com a mão. – Vou dormir. Boa noite.

-Você não vai me deixar falando sozinha, Bruno!

-Ah, eu vou!

-Eu te odeio!

-Boa noite! – Grito de volta enquanto caminho para meu quarto.

Ao abrir a porta, olho para Tiara que está entrando no quarto dela. Balbucio um muito obrigada e ela sorri pra mim. Sempre essa coisa de parceiros em qualquer momento. Essa que é uma boa irmandade.

31 de Outubro de 2015

Eleanor Pov’s

-Eu me sinto um saco de batatas com isso! E está frio, por Deus. – Bruno reclamava da sua fantasia, um lindo vestido, inclusive.

-Você está de calça por baixo, e eu, com essa coisa decotada e curta, sem calças por baixo? – Aponto para meu vestido.

-Vocês acham que vão sentir frio? – Tiara chama nossa atenção para sua fantasia. Definitivamente, meu vestido era quase do tamanho dela. Nós sentiríamos frio e não eles.

-Eu estou incomodada com esse osso em minha cabeça, mas não estou reclamando. – Lana coloca a mão em cima dele, e fica pensativa por alguns segundos. Parecia uma adulta em conflito interno.

Eu não iria me fantasiar. Estava contente apenas com um chapéu de bruxa que usei ano passado e uma roupa qualquer para caracterizar. E então fui repreendida pelo Bruno, Lana e Tiara, com uma tarde no shopping procurando por fantasias. Nada os agradava. O que Lana queria, Tiara não gostava e Bruno achava sem criatividade. O que Tiara queria, Bruno achava feio e Lana batia o pé. Eu estava apenas como figurante lá, não queria opinar em nada para também não acabar sem amigo, já que a disputa estava grande.

Dois dias depois Tiara apareceu na minha casa com as fantasias em mãos. Mandamos para uma costureira porque finalmente havíamos entrado em um acordo e não iríamos mudar por nada. Experimentamos diversas vezes até Bruno dizer que estávamos legais. E aqui estamos, vestidos de Os Flintstones para o halloween na escola da Lana.

Dirigimos até lá e quando arranjamos um lugar no estacionamento, vimos o pessoal chegando ao jardim da escola. Havia tantas fantasias que dava pra claramente se perder por ali. Eram bruxas, zumbis, vampiros e tudo mais o que dá para se imaginar. Esse pessoal tem uma criatividade fora de série.

-Olha pai, é a Khaleesi! – Lana apontou para uma menina de vestido longo e azul.

-Amor, eu creio que essa seria aquela princesa. – Ele olha para nós. – Como é a princesa loira do gelo?

-Elsa? – Respondo.

-Sim. Elsa, filha. Eu acho que é ela.

-Parece a Khaleesi. – Ela dá de ombros.

-Desde quando ela assiste Game Of Thrones? – Pergunto para Tiara.

-Eu também fiquei curiosa.

-Não sei se ela assiste, mas ela tem um tablet, conexão com a internet e colegas na escola. – Ele dá de ombros. – Ela está há mil anos luz a frente de nós, garotas.

Nós demos nossa entrada e já fomos muito bem recepcionados por gladiadores que nos guiaram, falando os horários de atrações e shows de alunos e mostrando onde eram os lugares que podíamos ir.

Lana acabou nos guiando pela escola, mostrando onde era cada lugar em que podíamos ir.

Acabamos por entrar na casa dos horrores. Dois monstros estavam na porta e tinha uma fila de vinte pessoas, por aí, entravam dez por vez. Ouvimos os gritos das pessoas que estavam lá dentro e Lana já ficou mais ansiosa por entrar de uma vez.

Uma menina de camisa branca que tapava até metade de suas coxas, manchada de sangue de mentira, com seus cabelos pretos a frente do seu rosto e uma faca fake em mãos, veio até a porta e chamou a próxima leva de pessoas, onde estávamos incluídos. Ao entrarmos, disseram que havia regras. Não podíamos correr lá dentro, gritar era permitido. Nada de fotos e vídeos e nem tocar nas criaturas. O discurso era sobre dez demônios que foram soltos na Terra na época dos escravos e que estavam presos em caixas douradas, que pessoas curiosas abriram e os libertaram novamente.

Eu gritei, Tiara gritou, Lana gritou e Bruno estava dizendo que era bobagem. Até entrarmos em um dos repartimentos, ficar absolutamente tudo escuro e começarmos a ouvir risadas de crianças. Uma cama cai da parede e uma luz é ligada nela, com uma mulher exorcizada em cima. Tapei os olhos de Lana que parecia nem se importar com aquilo, e foi ai que Bruno se assustou e gritou. Eu só consegui rir e perguntar onde estava o macho que estava ali minutos atrás.

Aproveitamos mais algumas atrações da festa. Comemos algumas coisas que pareciam nojentas, tomamos um ponche cor de sangue e sabor de framboesa. Haviam ovos cozidos e partidos ao meio, com aranhas feitas de azeitonas por cima.

Estava impressionada com tamanha festa que eles haviam preparado, com tamanho esforço que os alunos estavam dando. Doamos dinheiro para ajudar no baile de formatura das turmas finais e descansamos um pouco.

-Posso tirar uma foto da família? – Chegaram dois meninos, um com uma câmera e vestido de Frankenstein e outro com os equipamentos de auxilio, com a roupa de um doutor.

-Claro. – Respondemos nos ajeitando para posar.

-E uma só da Pedrita, podemos? – Perguntaram novamente.

-Sim. – Bruno disse e ela prontamente se ajeitou sozinha.

-Se não for incomodo, posso tirar uma do casal? – O cara de Frankenstein pergunta.

-Nós não... – Eu iria terminar de falar quando Bruno me interrompe.

-Com certeza. – Laça minha cintura de lado e sorri para a foto. – Mostre seu instrumento, Wilma. – Ele diz entre seu sorriso.

-Nós não somos... – Novamente, ele me interrompe.

-Estão ficando perfeitas.

Quase nem percebo quando Bruno rouba-me um selinho em frente aquela câmera. Fico estática, olhando para a câmera e sem reação. Não consigo nem sair da mesma pose que estava.

-Podemos publicar essas fotos no jornal da escola? – Não ouço o que Bruno responde. – Apenas preciso que assinem aqui. Você é responsável por ela, então assine aqui também. É apenas um direito de imagem, para não dar futuros problemas.

Assinamos o papel e eles saíram. Então tudo voltou ao normal, pra eles. Eu ainda estava sem saber exatamente o que aconteceu e o porque daquele beijo. Ok, não foi um grande beijo, foi apenas um selinho, coisa que dou até em meus pais, mas... Eu não conseguia digerir aquilo.

Nós fomos até o centro do evento onde eles anunciariam as fantasias vencedoras do concurso e o rei e rainha do halloween. Como melhor fantasia de alunos ganhou um representante masculino e uma feminina, ambos estavam incrivelmente lindos. Como rei e rainha ganhou um casal que estava de caveira mexicana. Acho que ganharam pela maquiagem, porque estava perfeita! E na categoria de casal com a melhor fantasia...

-Chamamos em terceiro lugar, o casal vestido de The Purge, números 62 e 63! – Nós aplaudimos o casal que seguiu até o palco. – Casal número dois foi, vocês, Os Flintstones! Venham cá número 48 e 50! – Olhei para o Bruno e ele me olhou com um sorriso grande no rosto, pegou minha mão e saímos andando.

-Eu queria ter ganhado o primeiro lugar, como rei, mas segundo está bom, não está, Lea?

-Eu pensei que não ganharíamos nada. Nem sabia que estávamos concorrendo. – Disse ao subir as escadas.

-Eu coloquei nossos nomes na entrada. Agradeça-me depois.

-Bruno! – Bufo. Observo as pessoas, uma multidão delas. Uma moça, curiosamente vestida de enfermeira, entrega-me uma rosa e ao Bruno uma tulipa. Colocaram as faixas em nós enquanto anunciavam os vencedores do primeiro lugar. Nunca senti tanta vergonha em minha vida desde que cai na escada da escola!

Descemos do palco depois de algumas fotos e quando a música começou a rolar novamente.

-Meus pais são os príncipes desse lugar! – Lana abre os braços para nos abraçar.

-Seu pai aprontou pra mim. – Balanço a cabeça.

-De nada, mano. – Tiara bate na mão dele.

-Você está metida nisso, Tiara?

-Claro! Precisava assinar o papel, eu me passei por você! Não me mate, você está linda como princesa.

-Se a rosa não fosse tão bonita e cheirosa, eu bateria em vocês com ela. Eles não prestam Lana.

-Foi bom, mamãe. – Ela ri.

Aproveitamos a festa um pouco mais e logo fomos embora. Bruno parava para todo as crianças que estavam andando juntas pela rua e distribuía os doces que havia comprado. Eles decidiram por mim que eu iria dormir na casa do Bruno, concordei em assistirmos filmes de terror de noite e comermos pipoca.

O dia valeu a pena e com certeza esse final de semana ficará em minha cabeça pra sempre.

Pedimos pizza para o jantar e a comemos assistindo um filme de zumbis. Sabíamos que Lana não aguentaria muito tempo, então Bruno a levou para o quarto. Quando ele voltou, fizemos pipoca e colocamos mais um filme. Acho que todos estavam caindo de sono no meio do filme, até Tiara dizer que iria dormir.

-Boa noite. – Ela deu um beijo em minha testa.

-Vai continuar assistindo? – Ele perguntou com o controle em mãos.

-Sou forte. – Nós rimos. – Quer ir dormir?

-Não, eu estou tranquilo. – Ele dá de ombros.

-Ok.

O filme acabou pior do que imaginamos e no fim estávamos falando sobre os filmes idiotas que andam produzindo ultimamente. Parece que a criatividade dos roteiristas não é mais a mesma, porque todos os filmes são clichês, e se eles fogem dos clichês, eles ficam parados e dá sono. É sempre a mesma coisa.

Fomos para a cozinha reclamando. Lavamos o que tinha sujo e ele apagou a luz.

-Agora sim, está tudo escuro. – Ele ri.

-Me lembra daquela casa do horror, em que você ficou se cagando de medo.

-O quê? Eu? Você está equivocada.

-Aham, eu estou equivocada. – Nós rimos. – O dia foi maravilhoso e confesso que a festa da escola da Lana foi melhor do que eu imaginava.

-Eu estava com boas expectativas para a festa.

-É?

-Sim.

Ficamos calados.

-E quanto a noite também?

-Hã... Por quê?

-Porque algo me dizia que iria ser boa!

-E foi só os filmes que não ajudaram. – O faço rir e ele se aproxima. A luz da rua que ilumina a casa. – Bruno?

-Oi?

-Sobre hoje...

-Shhh... – Seu indicador paira sobre a minha boca e sua outra mão puxa-me pela cintura ao encontro do seu corpo.

Seus olhos penetraram nos meus como há tempos atrás ele fazia, aquela faísca foi posta em palha seca, nós arderíamos em fogo. Quando olho em seus olhos, meu mundo se dispersa e eu esqueço qualquer coisa.

É errado admitir isso e pensar nisso, mas talvez esse seja um dos momentos mais aguardados por mim. O momento em que eu me entregaria, porque eu sabia que isso chegaria, por mais errado que seja, eu sou humana e eu tenho sentimentos, sejam bons ou ruins, eu os tenho. Eu sabia e não estava fazendo nada para evitar isso.

-Eu vou beijar você, como eu quero há tempos e não posso. – Seu rosto se aproximou mais ainda. Estávamos estrábicos de olharmos para a boca um do outro.

Seus lábios encostaram-se aos meus, senti aquela mesma coisa de adolescente quando beija pela primeira vez, a mesma sensação de quando beijei Kai, de que o mundo poderia acabar ali que nada mais importaria. Porém, uma dor de leve em meu peito me fez despertar e abrir meus olhos rapidamente. Deixei de corresponder o beijo e ele entendeu o recado.

-Pensei que eu tinha liberdade para fazer isso.

-E tem. – Balanço a cabeça rapidamente, sem saber o que estava falando. – Quer dizer, não tem. Isso... – Gaguejo. – Isso é mais que errado. – Respiro fundo.

-Não é errado quando duas pessoas querem. – Segurou minha mão.

-É errado quando se tem mais pessoas na jogada. Você não iria gostar de magoar a Mia, sim?

-Ela não me interessa. – Ele esfrega a outra mão no rosto e eu me desvencilho da sua.

Dou dois passos para o lado e paro. Passo a mão nas laterais do meu vestido e respiro fundo. Sinto meu peito estranho por dentro e olhar para ele ficou pesado pra mim! Minhas mãos suam e estão trêmulas. Ele encosta-se a meu ombro e eu vacilo ao continuar andando.

-Lea...- Meu coração se aperta. -Eu vou consertar tudo isso, eu prometo. Será apenas eu e você.

-Não há o que consertar Bruno.

-Sim, há! Nós dois. Sabemos que nunca foi um fim e nunca será.

-Pare de mexer comigo, por favor. Você não sabe o que isso faz em minha.

-Me conserte! – Respirou fundo. – Me leve pra casa e me tome como seu.

-Boa noite, Bruno! – Sorrio pra ele e vou em direção do quarto, esbarrando na primeira coisa que vejo pela frente.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Capítulo 73


Eu estava pensando nela, pensando em mim
Pensando em nós, o que vai ser?
Abro os olhos, sim, era só um sonho
Então eu viajo de volta por esse mesmo caminho
Ela vai voltar? Ninguém sabe
Eu percebo, sim, que era apenas um sonho
(Just Dream – Nelly)

08 de Outubro de 2015

O lado ruim de não ter um dia certo para trabalhar é exatamente esse: não se tem um dia certo para trabalhar. Finais de semana, feriados, de manhã, de tarde, de madrugada e a noite, qualquer dia é dia. Até o dia do meu aniversário é dia de reunião.

Fui de carro para o prédio e assim que estacionei, fui recebido por Dani, que estava com um pequeno balão em mãos. Agradeci seus dizeres e subimos. Na sala de reunião já tinha uns salgados e doces espalhados por uma das mesas ao canto, com alguns sucos, e na mesa do meio, a principal, o pessoal levantou para me cumprimentar.

A pauta era sobre o super bowl. Nada poderia ser divulgado ainda, a mídia poderia saber apenas em dezembro. Mas eles já tinham sua estrela principal: Coldplay. E foi o Chris quem pediu que nós, hooligans, participássemos da edição número cinquenta. Era uma notícia maravilhosa, um presente de aniversário, mas eu não poderia dizer pra absolutamente ninguém, incluindo minha família. Esse era o lado ruim.

Eleanor Pov’s

Demos uma sorte tremenda quando Bruno avisou que precisava sair de tarde para uma reunião. Nós já estávamos fazendo mil e um planos para despistarmos, mas nada parecia que iria dar muito certo.

As meninas cuidaram da decoração, enfeitando com balões prata e dois grandes balões com a idade dele. Fizeram mil e uma piruetas, mas eu e Lana estávamos comprometidas com outras coisas, como o bolo. Fiz um bolo grande, recheado, deixei que Lana o decorasse como quisesse.

-Que horas ele chega?

-Por volta das oito horas, creio eu. – Philip disse, enquanto carregava uma caixa de cerveja para o canto.

-Eu quero ver como vocês vão estar amanhã. – Jaime balançou a cabeça.

-Vou poder beber, sim? – Marley estava com alguma coisa em mãos.

-Vai, claro que vai. Água e refrigerante. – Ela passa a mão na sua cabeça. – Vocês precisam de ajuda? Acho que terminamos tudo por lá.

-Tudo? – Arregalo os olhos. – Já terminamos tudo também.

Ficamos sentados na sala com as luzes apagadas já, mas como o dia estava claro do lado de fora, iluminava tudo ali dentro. Conversávamos muito bem, até que a sem noção da Mia começa a falar no telefone numa altura que parecia ser uma velha surda. Tiara estava por um fio de mandar ela embora dali, mas tecnicamente não podíamos, ela ainda era namorada do Bruno e sabia o que estava rolando ali, então poderia dizer pra ele e fazer com que nós ficássemos sem surpresa nenhuma pra ele.

-Mia! – Tiara chamou sua atenção. – Estamos tentando não fazer barulho para não ter alarde nenhum, para que seja uma surpresa. Uma real surpresa. Então, por favor, fale mais baixo.

Ela foi extremamente educada, quando eu esperava que ela fosse socar a cara da Mia. Phil ligou para o Bruno, para saber sobre a reunião, e Bruno disse que não tinha rolado nada demais e que foi quase uma perda de tempo. Bem, para ele foi, pra nós não. Disse que estava a caminho e que chegaria em poucos minutos.

E em poucos minutos mesmo o portão se abriu e nós nos preparamos, todos bem escondidos. As crianças faziam dedinho do silêncio para nós, e segurávamos as risadas para não entregar nada.

-SURPRESA! – Gritamos juntos quando a porta da frente se abriu. Bruno estava tirando o óculos com a outra mão e com cara de espanto, veio caminhando até nós. Usamos língua de sogra e assovios para comemorar.

Num abraço coletivo, envolvemo-lo. Sua feição dizia que ele não esperava por aquilo e que estava emocionado. Também, como não estar. Um por um ele abraçou, agradecendo por tudo. O bolo chegou às mãos de Jaime e Tiara, e cantamos o parabéns todos juntos. No soprar das velinhas, tenho certeza que ele fez um pedido, parou por alguns segundos, ao lado da sua filha e fechou seus olhos, assoprando todas as que tinham ali em cima daquele bolo.

-Isso parece uma delícia. – Ele passa a língua pelos lábios.

-Foi pensando em você. – Mia comenta, mas ninguém dá bola pra ela, apenas continuamos a falar como se ela nem estivesse ali.

O abracei depois que a maioria já tinha ido.

-Porque eu acho que isso foi uma coisa sua e das minhas irmãs?

-Por que foi. – Rio. – Você merecia algo especial e não queria fazer nada, então mexemos nossos pauzinhos.

-Vocês são de ouro. – Beijou minha testa. – Tenho que dar atenção a minha festa, conversamos depois.

-Claro.

Enquanto amparava as crianças com algumas bobagens, fazendo-as rir, observei ele de longe, mesmo sem querer. Mia estava todo o momento em seu redor, parecendo aquelas moscas que pairam sobre as coisas fedorentas.

Afasto-me para ver a mensagem de Richard.

“Não faz ideia do que esse estágio está me fazendo. Minhas costas vão me matar e eu só vi aberrações hoje. Como está ai, amor?”

Preferi ignorar a parte das aberrações, porque é muito provável que ele irá falar de um dos seus pacientes de hoje do estágio, então respirei fundo e respondi um singelo: “está muito bom... não force muito suas costas, isso é apenas o estágio, imagina quando tiver seu próprio consultório? Hahaha”

-Com quem está falando? – Tiara chega ao lado de Urbana e Megan.

-Richard, ele estava...

-Falei! – Tiara estica a mão. – Quero um dólar de cada por isso.

-Deveria falar que era com outra pessoa. – Megan revira os olhos. – Te pago depois. Ok?

-Ok.

-Vamos ir lá fora? Aqui dentro está muito cheio, se é que vocês me entendem. – Urbana circula seu dedo no ar, presumo que está muito cheio por causa da Mia, ela não a suporta e não finge gostar para agradar ninguém. Eu imagino se ela não gostasse de mim.

-Essa mulher transpira falsidade. Como que ele ainda está com ela? – Megan balança a cabeça, sentando primeiro no banco.

-Ninguém sabe. – Dou de ombros.

-Eu achei que depois que ele voltasse a falar contigo, as coisas melhorariam e ele largaria dela finalmente, mas nem isso! – Tiara bufa, olhando para suas unhas.

-Acho que ele não acaba com ela porque a Lea ainda está com o Richard.

-Tá esperando o que pra largar dele? – Revirando seus olhos, Megan dá a sua opinião.

-Vocês. – Rio. – Sabem que não é assim. Eu gosto do Richard!

-Gosta da forma com que ele trata as pessoas também? – Tiara pergunta.

Sei que nada justifica o comportamento infantil, machista, racista, que ele teve. Nada mesmo. Nem por ele ser do Texas, nem por ter sido criado por uma família bem tradicional, nem por ele não gostar de crianças adotadas. Nada justifica seu comportamento. E eu odeio isso nele, odeio pensar que seus pais me odeiam por eu ser negra, por eu ter uma filha adotiva e negra. Mas existe um pacote, onde ele veio. Desde o inicio eu sabia que nem tudo seriam flores, eu sabia que o conto de fadas tinha realidade, então já estava me preparando.

Mas ele nunca me distratou, ele nunca foi rude comigo e nunca fez mal a minha filha, pelo contrário, ele gosta dela. Ele nunca faltou com respeito comigo, nunca forçou algo que eu não queria, nunca precisei ter que recolher ele bêbado pela noite, porque ele evita sair sem mim. Ele nunca me disse nada sobre minha cor, nunca disse nada sobre a cor da minha filha. Ele sempre me respeitou e isso conta muitos pontos na minha percepção. Todo mundo está enxergando apenas os defeitos dele, mas se soubessem que ele é o tipo de homem que levanta de madrugada se precisar fazer um chá para a Lana, o homem que se eu não estiver disposta, vai assumir a cozinha e vai continuar sorrindo porque não se importa com esses pequenos detalhes. O homem que eu nem preciso pedir, por que ele já lava a louça e arruma todas as suas coisas.

Eu sou feliz com ele, apesar de ter esse defeito interno dele. Mas agradeço por ele não ser uma pessoa invasiva, uma pessoa má, um tarado ou sei lá o que.

-Vocês não vão dançar? – Philip apareceu nos fundos, distante de nós.

-Vamos! – Megan levanta primeiro, e sai cantando junto com o Phil.

-Quer entrar? – Urb pergunta pra mim.

-Quero sim. Vamos lá dançar, nos divertir. – Sorri, esticando minha mão para ela pegar.

Deixei que os devaneios de minha cabeça fossem embora por um tempo e aproveitei somente aquele momento, aquela música e aquelas pessoas com a energia tão boa. Nós nos reunimos em volta de Bruno e pulamos, gritando o nome dele, e as crianças da volta faziam folia junto.

Nem sei em que momento eu e ele nos abraçamos para dançar, eu sei que o momento parou, como se todas as pessoas dali tivessem congelado e a gente continuasse a dançar. Suas mãos pararam em minha cintura, e eu pulava como uma adolescente feliz. Quando nossos corpos se chocaram pra valer, não fiz nada para descolar, o choque foi tão bom e deu uma energia que eu não sentia há tempos, que eu não tive coragem de fazer isso. Sorríamos enquanto nos olhávamos dançar, seus olhos sorriam para os meus e nossos pés estavam sincronizados como máquinas programadas.

-Há quanto tempo não dançamos assim? – Perguntou ele, com a voz elevada.

-Uns bons anos. – Respondo em voz alta. – Talvez mais de cinco?

-Por ai. Senti saudades dessa energia. – Ele me fez girar em seus braços.

-Estão todos olhando pra nós. – Quando dei-me de conta do que acontecia por volta estavam praticamente todos dançando, mas não deixavam de nos observarem.

-Deixem que olhem, somos os melhores por aqui. – Nós gargalhamos juntos.

Me perdi na sua gargalhada. Olhei em seus olhos e depois que desci meu olhar pra sua boca, não consegui desviar. Apertei sua mão que segurava a minha para dançar, e mesmo sendo um ritmo balada, eu senti a música ficar lenta.

Lembro muito bem quando eu podia beijar seus lábios sem pedir, quando nós deitávamos na mesma cama com a energia a todo o vapor, ou quando brincávamos pós sexo.

Eu ouvi quando a música trocou, então aproveitei para me desviar um pouco dele dizendo que precisava tomar alguma coisa. Logo que dei as costas, ele foi dançar com o resto do pessoal e eu fiquei meio desnorteada, procurando uma das meninas para quem eu pudesse perguntar que diabos acabou de acontecer.

Vou direto para a cozinha e pego uma garrafa de cerveja. A abro e tomo dois goles bem escassos.

-O que foi aquilo? – Megan entra acompanhada de Tiara.

-Eu não sei.

-Pois eu digo: tensão sexual. Os olhos de vocês pingavam desejo. Acho que todos perceberam. – Tiara dá de ombros. – Eu vivo dizendo!

-A cara da Mia estava impagável, você deveria ter visto.

-Gosto daqueles olhos que ela faz, revirando e aquela sobrancelha falsificada arqueada. Nojenta. – Fazemos cara de nojo e Tiara tenta imita-la.

π

A festa já tinha acabado todo mundo foi embora, as meninas foram em seguida por que me ajudaram a limpar a bagunça que estava. Era quatro da manhã e eu ali estava, a recém-indo me arrumar para dormir, já que todos já estavam dormindo.

Acordei às dez da manhã, fiz o café e arrumei a mesa. Dormi na casa do Bruno, já que na minha casa não tinha ninguém e eu bebi, então não podia dirigir.

-Bom dia. – Bruno chegou com a cara amassada de dormir e os olhos pequenos. – Cheiro bom!

-Tomei banho. – Dou a língua pra ele. – Dormiu bem?

-Dormi. – Coçou a cabeça. – O que é isso?

-Torta de maça, estava na sua geladeira e está uma delícia.

-Aparecem umas coisas na minha casa que eu não sei nem de onde vem. – Ele ri, sentando-se comigo.

-Gostou da festa ontem?

-Eu amei. Nem estava planejando alguma coisa. Estava bem desanimado, pra falar a verdade.

-Ainda bem que você tem uma amiga e umas irmãs que são inteligentes e eficientes.

-E se acham.

-Detalhes.

Bruno Pov’s

Estava tomando meu café e a televisão estava ligada. Ninguém mais tinha acordado além de eu e Lea. Ela foi ajeitar o Geronimo, por comida e ver como ele estava para ser solto no pátio, já que já tinha terminado sua refeição.

Seu celular começa a vibrar e na tela aparece o nome “mãe”, junto de um coração. Chamo ela, mas ela não houve. Tomo a liberdade de atender ao telefone.

-Alô.

-Alô. Quem fala? – Ela pergunta.

-Há quanto tempo que não nos falamos que a senhora esqueceu até minha voz? – Rio. – É o Bruno.

-Bruno?

-Sim.

-Oh! – Ela fica uns segundos calada. – Eu achei que vocês estavam brigados.

-Não... Faz uns meses que voltamos a conversar, uns quatro meses, eu acho.

-Ela nem falou para nós. – Limpou sua garganta.

-Engraçado. – Fiquei pensando nos motivos do porque ela não falaria para sua mãe que voltamos a nos falar.

-Engraçado é você, sim? – Fiquei quieto. – Largou a amizade de anos, o apoio que sempre precisou, por causa de uma calcinha, Bruno? Nunca pensei que você fizesse esse estilo de homem, de moleque, na verdade. Essa definitivamente não foi uma coisa que a Bernie te ensinou.

Ela nem deixou eu me defender e deu-me um sermão, nada do que eu não precisasse ouvir, já que eu mereço.

-Desculpe. – O que eu consegui falar foi isso.

-Desculpas você deve a minha filha. Sabe o quanto ela sofreu quando você começou a priva-la de estar na presença da sua filha? Não entendo porque fez aquilo com ela, mas tenho certeza que não irá fazer de novo, porque sabe como a Lea é. Sim?

-Eu sei sim, senhora. – Respiro fundo.

-Eu precisava falar isso pra você, desculpe, Bruno!

-Tudo bem. – Dou de ombros. – Eu acho que mereço ouvir.

-Como você está? E a carreira?

-Estou bem, agora estou ainda produzindo algo para lançar assim que puder. Daqui a pouco ficarei apagado da mídia.

-Impossível. É só lançar algo que já emplaca sucesso.

Nós rimos juntos, e depois daquele momento constrangedor do sermão, embarcamos em uma boa conversa onde me fez até ter saudades da minha mãe, que Deus a tenha. Me fez sentir saudades de quando ela dava-me sermões grandes, que usava metáforas para me ensinar.

-Oi. Você estava me chamando? – Pergunta ela, passando a mão nas laterais do corpo para secar.

-Chamei, mas você não ouviu. Espero que não se importe, mas atendi a ligação.

-E quem era? – Ela pegou o celular.

-Sua mãe. Ela me deu um sermão e disse que liga mais tarde.

-Como? – Perguntou, sentando e mexendo no seu aparelho.

-Por quê não falou pra ela que estávamos nos falando novamente?

-Bruno...

-Ela me deu um sermão porque paramos de nos falar e etc. Mas ela não sabia que havíamos voltado a nos falar, e já fazem uns quatro meses, sim?

-É que é complicado. – Ela torce seus lábios. – Você é inconstante, tenho medo do que pode acontecer no amanhã. Não falei porque achei que você pudesse parar de falar comigo novamente por causa da sua namorada.

-Mia. – Olho para a porta e pego a sua mão. – Eu não vou fazer essa besteira de novo. Já fiz uma vez e me arrependi amargamente. Acha que eu vou deixar você sair da minha vida novamente? Jamais!