segunda-feira, 27 de março de 2017

Capítulo 85


Amor é a resposta pelo menos
para a maioria das questões no meu coração
Por que estamos aqui? E para onde vamos?
E por que é tão difícil?
Não é sempre fácil e às vezes a vida pode ser enganadora
Vou te dizer uma coisa
é sempre melhor quando nós estamos juntos

(Better Together - Jack Johnson)

Bruno Pov’s

Eleanor desceu antes de mim. Eu fiquei parado por um breve tempo no quarto, mas que parecia muito mais do que realmente era. Eu estava enfeitiçado, a ficha ainda não tinha caído, eu estava noivo. Ou melhor, eu iria ficar noivo e eu nem estava namorando até umas horas atrás.

Mas, mesmo parecendo precipitado, eu não posso deixar mais o tempo escapar pelas minhas mãos. Mesmo que eu vá morrer com setenta anos, digamos, eu ainda não terei tempo suficiente com ela.

Se estiver no meu destino ter mais filhos, que sejam com ela. Se tiver lá no livro do meu destino que eu devo casar, que seja com a Eleanor. Que tudo que aconteça em minha vida a partir de hoje seja com ela ao meu lado, com ela como minha companheira e não somente minha amiga. Que eu possa chegar da turnê e abraça-la com força, toma-la em meus braços, beijar seus lábios e saber que ela é minha e de mais ninguém.

Eu e Eleanor tínhamos passado do nada para tudo em segundos e aquilo estava sendo surreal. Necessitava contar para todos, mas por Deus, a surpresa seria tão melhor.

Controlei todos meus sentimentos que estavam a flor dá pele e desci pelas escadas. Ela estava lá, cuidando de todos os detalhes e meu sorriso se abriu, porque aquela era minha mulher, aquela era com quem eu queria passar o resto da minha vida. Fui tão tolo por tanto tempo, achando que a vida boa de várias mulheres me deixaria feliz – talvez tenha deixado até certo ponto, mas a felicidade é isso que eu sinto agora. Sentir que a família está completa.

É, mãe, tenho certeza que a senhora está orgulhosa de mim daí de cima.

Meu humor havia melhorado de dez para mil, então ajudei mais ainda no que podia e estava ansioso para começar tudo de uma vez.

-Acho que poderíamos largar a carreira e viver disso. – Eric fala chegando ao meu lado.

-Disso o que? Boemia? – Nós dois rimos.

-De decoração. Vamos montar uma empresa pra isso. Vai ser sucesso.

-Ah, claro que vai. – Reviro os olhos. – Já disse que temos que inventar uma empresa de algo que todos usem. Tipo, mães que usam muitas fraldas...

-O que quer inventar? Uma fralda que se limpa sozinha? – De novo, nós rimos.

-Sei lá, só algo que dê dinheiro.

-Vamos continuar na música que é o melhor que fazemos.

-Eu também acho. – Rio, pegando o engradado do chão e o colocando dentro do freezer.

Urbana chegou um tempo depois que tudo estava pronto. Ela estava emocionada, mas garanto que desconfiava de algo. Ela posicionou-se atrás dá mesa onde estava o bolo e sorriu para as várias fotos que Tiara tirava dela.

Nós nos juntamos também, cada um na sua vez. As crianças tomaram conta, rindo e fazendo palhaçadas que contagiavam todos.

Minha pequena me deu um forte abraço assim que me viu, e brincou mais um pouco, quando cansou, sentou-se em meu colo e repousou sua cabeça em meu ombro.

-Minha mãe está linda. – Ela diz, olhando para Lea que estava escrevendo coisas em um papel com Urbana e Megan.

-É verdade. – Concordo com ela.

-Você viaja quando papai?

-Essa semana ainda tenho umas coisas pra ver. Assim que o CD lançar o papai irá ter que sair por um tempo, OK?

-Ok. – Ela suspira. – Você me levará para onde for?

-Quando entrar nas férias de inverno dá escola, eu levo você em alguns lugares.

-A mamãe vai ir junto?

-Claro que vai. – Rio baixinho e ela sorri. Até lá a mãe dela já será minha noiva e eu espero que quando ela possa, ela vá pra qualquer lugar me visitar, assim como quando eu puder, estarei sempre aqui com minha família.

Dessa vez vai ser tudo certo, vamos fazer acontecer e deixar nossa família se completar de vez.

Quero que possamos visitar Paris sem termos aquela briga estúpida por motivos idiotas. Quero que possamos ir a Itália, a Inglaterra, Alemanha... Todos os lugares que perdemos de irmos juntos.

Claro, eu conheço Lea. Sei que ela terá o seu trabalho e não vai querer larga-lo e eu também não quero que faça isso, então, vou ter que respeitar e esperar suas férias para podermos tirar as nossas férias.

-Chama o padrinho. Esse desnaturado. – Urbana grita, me olhando e eles todos riem. Eu rio, apesar de nem saber do que estava se tratando.

-O que foi? – Pergunto.

-Chamar pra fazer o quadro dele. – Ela aponta para a mesa. – Você precisa assinar!

-Coloca aí: o dindo ama você! – Dou de ombros. – Estará ótimo.

-O dindo é o maior otario. – Urbana fala com a barriga. – Vou falar apenas verdades.

-Então coloca que a Dinda é o máximo. – Lea arqueia a sobrancelha.

Teve muito mais risada e brincadeira. Houve tantos momentos lindos, tantas coisas pra se guardar na memória, e quando Phil chegava perto dá barriga e falava alguma coisa, meu coração se apertava de saudades que eu tenho de quando Lana era apenas um bebê. O que ainda me revolta. OK, ela sempre será o meu bebê. Mas o que me revolta é que aquela mulher nunca voltou atrás. Ela nunca procurou saber se a filha estava viva. Ela nunca procurou saber nada sobre a Lana. Isso me deixa triste, me parte o coração. Me dá raiva, ódio e tristeza ao mesmo tempo. Diana não sabe a linda menina que perdeu. Não sabe o quão maravilhosa a filha dela é. O quão inteligente...

Mas então a festa em si acabou. Ficamos apenas alguns de nós ali, bebendo e conversando. Lana dormiu e Lea a pós no quarto de Zayma.

-O parto está previsto para perto do Natal. Não vou com vocês pra Vegas. – Urbana lamenta.

-Se eu pudesse, não iria também. – Phil passa a mão por cima da barriga.

-Mas cara, fique aqui com a sua família. A gente pode fazer algo sem você duas noites. Não será o fim do mundo.

-Tá dizendo que eu não vou fazer falta?

-Claro que vai. – Rio. – Mas é seu bebê.

-Até lá eu irei pensar. – Ele pisca pra mim.

-Eu vou. Deixarei a Lana com você e vou. Te mando as fotos. – Lea atira um beijo para Urbana, que ri dá sua pose.

Eleanor Pov's

Era dez da noite quando terminamos de arrumar todas as coisas. Eu estava querendo um banho mais que tudo. Minhas costas estavam me matando e amanhã ainda teria que trabalhar de manhã cedo. Dava muito sono apenas de lembrar desse fato.

Bruno pegou Lana no colo e a colocou no carro, enquanto eu levei nossas sacolas para o porta malas. Nos despedimos de todos e Megan entrou no carro junto de nós.

-Eu vou na frente. - Digo, abrindo a porta.

-Ok. - Ela sentou-se ao lado de Lana, que ainda estava adormecida. - Vocês terão um grande trabalho em acordar ela e faze-la tomar banho. - Megan ri, passando a mão no braço de nossa pequena.

-Ela poderia enforcar o banho de hoje. Parece estar num sono tão bom. - Bruno diz, me olhando de canto de olho.

Somente esse olhar já arrepia todo meu corpo e me faz ter pensamentos bem impuros. Eu não via o momento de ficar a sós com ele, afinal, eu estava subindo as paredes há meses, e agora que está tudo ajeitado, eu só quero curtir um pouco do meu futuro noivo.

Largamos Megan no apartamento dela.

-Vai querer passar no seu também? - Perguntou, enquanto fazia o retorno.

-Quer que eu fique por lá?

-Quero que fique comigo está noite. - Discretamente ele coloca a sua mão sobre a minha. Mesmo a Lana dormindo, ela ainda estava ali e ela acorda facilmente. - E todas as outras noites também.

-Isso em breve se concretizará. - Mordo meu lábio inferior e ele ri, com a maior cara de safado.

-Vai morar com nós, sim?

-A gente conversa depois sobre isso, acho que no inicio eu vou ficar um pouco no meu apartamento.

-Você poderia colocar ele na imobiliária e alugar. O que acha? Aquela casa é enorme para nós todos.

-Eu vou pensar, juro. Nós temos muitas coisas pra ver antes de pensar em qualquer outro plano.

-Verdade. Precisamos pensar primeiro em nosso noivado.

-É tão estranho ouvir isso. - Rio. - Como vamos fazer? E quando?

-Acho que no próximo final de semana.

-Mas tenho que falar com meus pais, minha irmã, você tem que falar com a sua família também.

-Acho que esse final de semana não dá mesmo. A Presley irá fazer a cerimônia dela no Havaí, lembra?

-Sim... É um saco não poder ir.

-Verdade. Ela poderia fazer aqui em Los Angeles, até no quintal de casa, mas ela prefere o Havaí, então...

-Isso é. - Torço os lábios. - Então sem ser esse final de semana, o próximo, você tem algo na agenda?

-Acho que não. A maioria das entrevistas serão quando o álbum lançar. Tenho umas no meio da semana, mas a maioria é aqui em Los Angeles mesmo, nas rádios, nada demais.

-Então pode ser sem ser semana que vem, na outra. Assim podemos organizar bem direitinho.

-Mas será mais tempo em anonimo pra nós. Isso é um saco.

-Nós sobreviveremos à isso, sem sombra de dúvida. - Deito no seu ombro brevemente.

-Você não sabe o quanto estou louco pra chegar em casa. - Seu perfume ainda está grudado em sua camisa, aquele cheiro me deixa inebriada.

-Eu faço ideia. - Respiro fundo.

Bruno estaciona o carro pelo lado de dentro e pega Lana no colo. Levo todas as coisas para a casa e vou até o quarto onde fico. Separo meu pijama e minha roupa debaixo para finalmente tomar um banho.

Quando estava no banho, a porta abriu. Empurro o vidro para o lado e olho para Bruno, que carregava em sua mão um creme para massagens e a cara incrível de quem estava mais que pronto para entrar naquele box e beijar todo meu corpo.

Fecho o box e continuo com meu banho.

-Você só pode estar me testando, Lea. - Eu podia apostar que ele estava revirando seus olhos.

-Estou saindo do banho. - Fecho o registro.

-Vou ir até meu quarto, já volto.

-Ok.

Seco meu corpo e olho para a roupa que iria colocar. Seria um trabalho a mais se eu a botasse e daqui a pouco a tirasse, então deitei na cama nua, de bruços. Jogo meus cabelos para o lado e somente espero ele entrar pela porta.

-Sua bunda sempre será meu ponto fraco. - Ele deita-se sobre meu corpo. - Seu pescoço me convida pra dar beijos e ir deixando minha boca descendo pelo seu corpo. - Bruno beijou meu pescoço de leve e foi traçando um caminho pelas minhas costas com beijos leves e macios. - Você tem um cheiro único, Lea. - Seus lábios chegaram nas minhas nádegas.

Bruno afastou minhas pernas de leve e introduziu sua língua entre minhas nádegas, me fazendo contorcer. Ela trabalhou arduamente descendo aos poucos para a entrada de minha vagina, que estava esperando por ele há tempos, e agora mais molhadinha do que em qualquer outro momento. O oral dele sempre teve algo que nenhum outro teve. Ele brincou com a língua em meus lábios inferiores, meus olhos não conseguiam se manter, ou eles se fechavam e eu mordia meus lábios, ou eu revirava-os insistentemente. Gemia com seus movimentos. Sua mão afastava minhas nádegas, dando a ele um total acesso as minhas partes íntimas, sem contar na visão close que ele tinha dali.

-Eu sei exatamente o que está em sua mente. Ah querida, vamos nos divertir hoje à noite. - Pra qualquer outra pessoa aquele poderia ser um momento de risadas, mas naquela hora, aquela música que ele cantarolou, só me fez ficar com mais tesão por seu corpo.

-Bruno. - Sussurro seu nome. Seu dedo indicador pressionou a entrada de meu bumbum. Dei um gemido alto e liberei o que estava segurando.

Minhas pernas tremeram e ele não tirou seu rosto do meu delas, ficou ali apreciando todo meu néctar.

-Preciso que entre em mim. - Cerro meus dentes e seguro o lençol.

Espio pelo lado quando sinto que ele levantou. Bruno arrancou sua bermuda com rapidez, mordia seus lábios enquanto me olhava naquela posição completamente vulnerável à ele. Sua camisa foi tocada para o lado e ele masturba-se por segundos.

Usou suas mãos para não por seu peso sobre mim e seu pênis soube exatamente o caminho que deveria percorrer. Entrou em mim com facilidade e minha boca abriu-se em um "o". O sexo com ele não tem como ser ruim, ele era extremamente bom no que fazia. Aqueles movimentos de vai e vem e sua respiração próxima de meus ouvidos. Ah, sim, aquilo me deixava louca.

Bruno puxou meu quadril pra cima, e eu fiquei de quatro pra ele, sem nem precisarmos nos desencaixar. Com carinho ele foi mudando o local. Era tão diferente quando ele introduzia em minha bunda. Nunca pensei que sentiria tanto tesão em anal como sinto com ele.

Suas mãos se perdem nos meus cabelos e ele os puxa com leveza, causando uma sensação muito gostosa. Gemo perante seus atos sobre mim e entrego-me mais ainda. Rebolo para ele e o ouço gemer alto. Ganhei alguns tapas em minha bunda, o que fazia eu rebolar ainda mais para vê-lo mais doido.

-Vem por cima de mim. - Ele tocou-se para o lado, ofegante e cansado.

Subo sob seu corpo, dou um beijo em seus lábios enquanto coloco seu pênis em mim.

Me sinto livre para cavalgar nele. Suas mãos vão para minha cintura, para os meus peitos e seus olhos reviram assim como os meus reviraram quando ele estava fazendo aquele oral maravilhoso.

Quando sua respiração começou a ficar mais descompassada, desci do seu colo e peguei-o com as duas mãos. Passei a língua sob suas bolas e o masturbei, até coloca-lo todo em minha boca. Bruno estava pronto para gozar, então me concentrei na sua cabeça. Seu membro pulsou em minha mão e eu senti todo seu gozo em minha boca. Eu engoli e deixei meu nojo de lado. Ele gemeu alto e segurou em meu braço.

-Eu... - Ele respirava para tentar falar. - Nossa!

-Nossa. - Mordo os lábios enquanto olho para os seus. - Preciso de um banho. - Rio.

-Nós precisamos. - Ele passa a mão em minha cabeça, olha em meus olhos e minha boca, e me beija. - Você é maravilhosa.

-Nós somos maravilhosos. - Bato em sua mão. - Só precisamos de um banho.

-Acha que aguenta uma no banho também?

-Eu aguento. - Levanto da cama. - Não sei você.

-Lea, não me provoque. - Ele levanta e eu corro para o banheiro.

-Sai. - Rio, tentando afasta-lo.

-Vem aqui que eu vou mostrar como aguento. - Ele tentava me puxar ao meio de risadas e arreganhos.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Capítulo 84



E eu não quero deixar isso ir
Eu não quero perder o controle
Eu só quero ver as estrelas com você
(The Fault In Out Stars - Troye Sivan)



09 de Outubro de 2016 

Tanto tempo planejando e montando tudo que, nem parece que chegou o dia. Tiara, eu e Megan estávamos há tempos nas funções de deixar tudo muito perfeito para Urbana. Cindia foi pegar as comidas e o bolo junto com o Phil. Lonnie estava com as crianças, até mesmo com as de Urbana, para que Eric, Jaime e seu marido pudessem montar os brinquedos no quintal.

Ah, estava ficando tudo tão lindo, estava apaixonante.

-Oi. – Bruno abriu a porta da entrada.

-Olha quem resolveu aparecer! – Tiara vai em sua direção. – Estava com saudades, seu bosta. – Ela o abraça e eles riem.

-Eu também estava.

-Feliz aniversário. Já falei tudo que eu deveria ontem pra você, mas só pra não passar sem abraço. – Novamente eles riem.

Assim que Bruno saiu em agosto para passar uma semana na Inglaterra, ele não parou mais de sair. Foi para alguns outros lugares depois, não parou em casa, até que finalmente há três dias atrás lançou seu single novo do seu CD. Ele não estava em casa, estava em Denver, mas nós todos comemoramos através do FaceTime.

E ontem foi aniversário dele. O aniversário veio junto com o primeiro show após tanto tempo. Claro que nesse show ele não cantou nenhuma música do seu CD, que a proposito está maravilhoso, apenas seu novo single.

Vou em sua direção e o abraço. Seu cheiro estava inebriante.

-Falei muitas coisas ontem, acho que hoje é só feliz aniversário mesmo. – Nós rimos.

-Obrigada. – Ele sussurrou no meu ouvido e meu corpo inteiro respondeu.

-Como foi o show?

-Maravilhoso! Cara, é tão bom estar nos palcos novamente, mas eu fiquei cansado.

-Percebi. Todos vieram pra cá, menos você.

-Fui em casa, tomei um banho, tirei um cochilo e tomei uma aspirina.

-Ah sim.

-Onde está minha pequena?

-Com o Lonnie. Vai ver ela só depois que tudo estiver pronto.

-Que tortura. – Ele coloca o celular no bolso. – No que posso ajudar agora?

Bruno, mesmo de longe, estava ajudando em alguns detalhes que estávamos organizando. Ele optou em quase tudo. Essa criança será muito bem vinda e paparicada.

Ele estava quieto, parecia estar pensando muito ou em outro mundo. Acho que não percebeu a quantidade de vezes que eu o olhava e o admirava. Eu estava com saudades dele. Eu queria ele.

Senti um calafrio na barriga e continuei a alcançar as coisas para Tiara que estava sob o banco pendurando no teto.

-Eu não quero nem ver na hora de arrumar tudo isso. – Megan coloca as duas mãos na cintura. – Se eu ficar grávida um dia, quero toda essa produção também. Ok?

-Se eu for madrinha, será muito mais bonito. – Tiara grita do alto.

-Se eu for madrinha, será algo bem bolado, pode ter certeza.

-E o que me garante que eu vou ser madrinha dos filhos de vocês também? – Megan pergunta.

-Eu não quero filhos, então, pode ser madrinha de um cachorro que eu tiver, ou um gato, por ai. – Ti joga seus ombros nos fazendo rir. Megan me olha.

-Eu não tenho certeza de que quero ser mãe. Não agora pelo menos.

-Você já é mãe, Lea. – Megan me corrige.

-Você entendeu... É diferente quando você que é a gestante.

-Você é muito complicada. – Ela ri.

Bruno estava ali o tempo todo. Ele mexia em algumas coisas que eu não prestei atenção, mas tenho certeza de que um ouvido dele estava na nossa conversa.

O que estava me deixando mais intrigada era o fato de que ele estava com a cara fechada, parecia estar descontente com algo. Ele pode até estar cansado, mas ontem foi seu aniversário, antes de ontem o lançamento da sua musica...

Algo de muito estranho tá rolando com ele.

Quando o vi subir pelas escadas, fui atrás. Não deixei que notassem que eu estava sumindo ou que tinha parado de ajudar por alguns segundos, mas o que eu precisava fazer era naquele momento ou então eu não iria mais ter coragem.

Ele entrou no quarto de hospedes e eu fiquei parada ao lado da porta. Eu tinha que entrar, precisava estar ali, mas meu corpo estava trancado ali e eu não poderia me mover.

-Entra, Lea. – Ouço seu suspiro após ele convidar-me para entrar. Dou um sorriso amarelo, fui descoberta, na porta e ele nem sorri. O humor realmente não está dos melhores hoje. – Entre. – Fecho a porta e dou três passos a frente. Bruno está próximo da janela, intercala olhares com a rua e comigo.

-Desculpa espiar você.

-Eu vi que queria falar comigo, por isso vim pra cá.

-Como você...

-Lea, você não passa tanto tempo me encarando assim desde que brincamos de sérinho com a Lana. O que houve?

Soltei uma gargalhada e caminho para perto da cama. Disfarço, olhando o quadro que ali tem pendurado.

-Devo desculpas pra você, Bruno.

-Pelo que?

-Por tudo. Tudo mesmo. Eu sou uma idiota e você já deveria ter percebido isso. Não sei exatamente do que estava com medo...

-Está falando do que, Lea?

-Estou falando de nós. De você. De mim. De quando eu terminei com o Richard e dei esperanças pra você. Esperanças que eu sabia que poderiam não ser reais, tudo porque eu estava com medo. – Dei um tempo para respirar. Agora Bruno olhava somente pra mim. Suspirei profundamente e quando ele fez menção em falar, continuei. – Eu estava errada. Mas minha cabeça estava num turbilhão de pensamentos. Não sabia se você iria fazer comigo como fez antes, não sabia se você queria assumir algo comigo ou sermos apenas aqueles amigos coloridos. Eu queria estabilidade, mas você sempre me deu a mão para loucas aventuras. Eu queria romance de cinema, mas você me ofereceu sempre aquelas histórias de finais tristes. Eu queria uma família, mas você já tinha a sua. E quando eu terminei com aquele que pensei por um tempo que iria ser o único para o resto da vida, fiquei com medo de tudo retornar e eu entrar em transe. Te evitei. Evitei beijar você. Evitei passar muito tempo a sós.

-Eu percebi...

-Então. A culpa não era sua. Era minha, e ainda é. Eu sou uma mulher, com quase trinta anos, mas que ainda deixa habitar nela a alma de uma criança de dez, com medo de escuro e dos valentões da escola.

-Lea...

-Eu tenho mais coisas pra falar. – Respiro fundo novamente, dou dois passos a frente, mas vacilo. Retorno um passo e sinalizo pra ele falar.

-Eu nunca, desde que éramos adolescentes, senti que precisasse proteger você, porque você sempre foi quem me protegeu, sempre forte. Arrependo-me do que fiz, mas como você disse que em você habita aquela criança com medo, em mim habitou por um tempo o adolescente que só queria aproveitar a vida. Mas ele foi embora, Lea. Ele foi embora há muito tempo. Ele foi embora antes do Richard entrar na sua vida. E você não sabe o quão doído foi passar por tudo isso sem ter ele dentro de mim. O quão doído foi fingir que eu não me importava, quando na verdade tudo o que fazia era escrever e cantar sobre você e sobre o amor que sinto por você.

O silêncio deixou com que nós dois ficássemos apenas conversando por olhares. Minha cabeça pesou, sentei na cama e fiquei encarando o chão, ainda digerindo tudo o que ele acabará de dizer.

O colchão pendeu um pouco. Bruno estava sentado ao meu lado, ainda com um espaço entre nós.

Ele sofreu por mim por um tempo mais ou menos parecido pelo qual eu sofri por ele. Bruno estava guardando aquilo com ele e o tempo todo eu pensei que ele realmente não se importava tanto assim, tanto que nós nem nos falamos por muito tempo.

Minhas mãos estavam suando. Encontrei uma com a outra e esfreguei, logo depois eu esfreguei na calça jeans que usava. Bruno batuca com seu pé.

É hora de dizer algo.

-Eu... – Falamos juntos e rimos. – Pode falar. – Ele dá continuidade.

-Não sabia que tinha passado por isso.

-Todos sabiam. Acho que até seu namorado sabia. – Dá um riso nervoso, contido. – Você não fazia ideia do quão ruim era eu olhar todos os dias para a Lana e ver você, ver a sua personalidade, ver a nossa filha, e não pensar em você.

-Bruno...

-Parte do meu bloqueio criativo era por isso... – Ele ri. – Eu passava tempos pensando em você, e quando precisava trabalhar, escrevia sobre você. Você, Lea, é a minha ruína.

Eu rio, colocando a mão sobre sua coxa.

-Me desculpa, de novo. – Torço meus lábios e ele vira sua cabeça para o meu lado. – Eu não queria fazer você sofrer, nunca foi minha intensão. Eu não queria fazer você esperar por mim também, mas eu não podia conversar com você sem antes ter certeza do que dizer, sem antes repetir para mim diversas vezes e ver que está tudo certo.

-E esse é o momento?

-Sim.

-Esse é o momento que vai falar o que quer de mim, o que quer de nós?

-Sim, Bruno.

-E o que quer de mim, Eleanor Winters?

Novamente, eu congelei. Sorri nervosamente pra ele, tirei minha mão da sua coxa, bati meu pé algumas vezes no chão e aquilo parecia um looping. Parecia que eu não conseguia fazer mais nada além daquilo.

Eu sou uma idiota. Eu sou adulta e ainda ajo como criança em situações assim?

Eleanor, não é o amor do jardim de infância que está ao seu lado. É o amor da sua vida!

-É esse o momento, Bruno, que eu digo que quero tudo de você. Eu quero suas falhas, seus humores, seus sabores, suas luas. Seus sorrisos pela manhã, suas resmungas pela tarde, seu boa noite quando anoitecer. – Meus olhos marejaram e eu não quis encara-lo. Olhei para suas pernas. – Eu quero você. – Sua mão encontra a minha. – Eu sou a mãe da Lana, mas quero ser mãe do próximo. Quero estar junto quando adotarmos outro cachorro. Quero que possamos caminhar de mãos dadas, que quando me perguntarem sobre o que somos, eu possa dizer tranquilamente que somos uma família.

Assim que despejei as palavras, nada dele foi dito. Não havia nenhum barulho ali além da nossa respiração. Mas eu conseguia sentir que o peso de minhas costas não existia mais.

-Eu te amo.

Aquele silêncio estava falando por si. Se ele tinha no que pensar, então é provável que, nada que eu sinta, seja recíproco hoje em dia.

-Bruno?

-Eu estava calculando.

-O que? – Porque ele estava mudando de assunto? Me sinto mais idiota a cada segundo.

-Calculando que teríamos exatos oito anos juntos se nós deixássemos nossos corações falarem por si, como estamos fazendo agora.

-É.

-Eu não quero perder mais tempo, Lea. Eu não quero passar mais segundos sem você ao meu lado, não quero ter que explicar mais vezes sobre nós dois.

-Eu também não.

-Então, se for pra ficarmos juntos, vamos partir direto do ponto que nós já deveríamos estar, ok?

-E qual seria?

Bruno levanta e estende a mão pra mim. Pego sua mão firme e fico parada em sua frente.

-Eu te amo. Eu, Bruno, quero passar a vida toda ao seu lado. – Ele massageia meus dedos e pega meu anelar da mão direita. – Se nós formos fazer isso, só iremos contar para todos semana que vem, quando eu fizer um jantar e por um anel nesse dedo e chamar você de minha noiva!

Não consigo nem controlar minhas ações. Eu sorria abertamente, mas as lagrimas rolavam pelo meu rosto e eu sentia fogos de artificio no meu peito, pronto para serem explodidos.

-Sim. – Beijo sua boca rapidamente. -Sim!

-Sim?

-Sim!

-Nós vamos nos casar, Eleanor. – Ele abriu um enorme sorriso também.

Não teve aquele beijo de cinema de primeira. Teve um abraço, sincero, que durou um bom tempo. Seus olhos estavam marejados quando nós nos desvencilhamos. A emoção era tão grande.

Bruno passou o dedo por debaixo de meus olhos e secou minhas lágrimas.

-Vai ser uma grande surpresa, ok?

-Ok! – Respondo.

-Não conte nem para a Tiara, nem pra Lana, nem pra ninguém. Vou providenciar todo o jantar e você mande passagem para seus pais e chame sua irmã. Quero toda nossa família junta.

-Ok. – Respondi, empolgada.

-Temos uma semana para organizarmos nosso jantar de noivado surpresa. – Nós nos beijamos rapidamente. – Eu te amo hoje, amanhã e sempre. – Beija o dorso de minha mão.

-Eu te amo. – Deposito um selinho em sua boca. – Sabe que vamos matar todos do coração, sim?

-Sim! Mas estou ansioso por isso.

-Eu também.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Capítulo 83



Diga boa noite e me beije
Apenas me abrace forte e me diga que você sente falta de mim
Quando eu estou sozinho e triste como pode ser
Sonhe um pequeno sonho comigo
(Dream a little dream of me – Ella Fitzgerald)

Acordei tarde, com uma leve dor de cabeça. Meu corpo estava pesando e a única coisa que eu pensava era que eu não preciso de uma gripe. Levantei da cama e peguei uma aspirina dos meus remédios.

No caminho da cozinha, não ouço barulho nenhum. Quando chego lá, Umma estava na rua com a Lana, brincando de alguma coisa. Cindia estava lá também com as crianças e eu nem sabia. Tomei aquele comprimido grande, lavei o copo e sai na rua. Fechando meu hobby, vou andando em direção deles.

-Bom dia, dorminhoca. – Cindia sorri pra mim. – Como está?

-Bom dia. – Torço os olhos para o sol. – Estou bem, um pouco de dor de cabeça, mas passará logo.

-Tomou algo?

-Uma aspirina. – Aponto para trás de mim com meu polegar sobre o ombro. – Como está?

-Bem. Eric resolveu sair com as crianças, ai passamos aqui pra ver se a Lana queria ir conosco.

-Bom dia, mãe! – Ela corre para meus braços, aconchegando-me num abraço.

-Bom dia, bebê. – Dou um beijo em sua testa. – E os amores da tia nem deram um beijo em mim, hein.

Quando percebi o que disse, “tia”, olhei rapidamente para Cindia, que lançou-me um olhar trezentos e sessenta matador. Sorri e balancei a cabeça vendo que tinha feito bobagem, mas não significava nada.

Eles me abraçaram, me deram beijos e voltaram a brincar. Umma me deu bom dia e elogiou meu cabelo, eu ri, pois ele estava um ninho de pomba. Ela ficou conosco por alguns minutos e entrou.

-Foi força do hábito.

-Hábito. Sei. – Cindia ri, colocando a mão sobre meu ombro. – Não leva a mal, também chamo meus filhos de filhos, mas acho que é hábito também, não é?

-Vai se catar. – Rio. – Nós brigamos ontem à noite.

-O que? Porque?

-Porque ele é idiota. – Reviro os olhos.

-Ah sim, só por isso. – Ela também revira os seus. – O que houve?

-Richard me ligou. Nós conversamos civilizadamente, sabe. Foi ótimo. Em nenhum momento ele mencionou em voltarmos, apenas está feliz e isso me fez feliz. Mas Bruno ouviu alguma parte e interpretou de má fé...

-Resumindo a história, ele ficou com ciúmes de vocês!

-Não. Não foi ciúmes.

-Claro, não foi.

-É sério, não foi.

-Então foi pelo que, Lea?

-Não foi nada demais.

Nós entramos. Ajudei a Lana a vestir algo e ela foi falar com seu pai antes de ir. Ele estava num quarto ao lado do estúdio e assim que eu fechei a porta para eles todos e Umma, andei até o quarto e bati de leve na porta.

-Bom dia. – Digo baixinho. Ele estava concentrado em algumas coisas, no chão estavam duas caixas grandes de madeira, parecidas com baús.

-Bom dia. – Disse, emburrado.

-Eu vim em missão de paz. – Bruno não disse nada, apenas balançou a cabeça. Espiei por cima de uma das caixas e tinha uma roupa. – Mas eu vou deixar você em paz. Vou me trocar e ir pra casa.

Andei dois passos até a porta e ele pigarreou.

-Minha mãe adorava esse vestido. – Ele apontou para a roupa que vi. Na hora em que ele falou isso veio-me à mente algumas imagens dela o usando. – Aqui dentro tem algumas coisas dela. – Bruno apontou para a caixa e eu tomei liberdade de adentrar mais o quarto.

-Eu não sabia que estava vendo essas coisas, desculpa.

-Essa caixa aqui são outras coisas que me remetem tempos antigos. – Com cuidado, ele retira a tampa da outra. – Essa foi minha primeira Lei. Os primeiros sapatinhos da Lana com a roupinha que ela saiu do hospital. Um álbum de fotos nossas, até com o pessoal do Havaí.

-Nossa! – Fiquei impressionada. – Deixa eu ver isso? – Peço para ele o álbum.

-Claro.

Tinha fotos nossas logo que começamos a ficar bem amigos. Nós com nossos irmãos que na época eram namorados. Nós com o pessoal do Fliperama. Até o Kai estava em uma delas. Foram tantas lembranças aplicadas nessas fotos que meu coração até apertou. Tinha até foto dos meus pais conosco. Eu estava morrendo de saudades deles.

-Você tem relíquias aqui. – Entrego o álbum.

-Muitas. – Ele puxa uma pequena caixinha. – Aqui tem o meu primeiro dente e o primeiro dente que caiu da Lana. – Bruno a abre. – Coisa de pai babão. – Ele ri.

-Isso é lindo. – Balanço a cabeça.

-Minha primeira demo! – A capinha do CD estava toda arranhada, era de muitos anos atrás mesmo. – Eu tentei entregar pra uma gravadora e ela não quis.

-Eles devem se arrepender demais hoje em dia.

-E eu agradecer. – Ele ri.

-Acordou nostálgico?

-Um pouco. – Com cuidado, ele fecha a caixa. – Eu vou viajar amanhã por quatro dias, e estava lembrando apenas porque eu faço tudo isso.

-Você é incrível. – Coloco a mão sobre seu ombro assim que ele levanta para guardar uma das caixas.

-Obrigada. – Responde sem graça.

-Lembra das nossas danças quando éramos adolescentes?

-Claro que lembro. – Ele ri. – Nós éramos ótimos.

-Ainda somos.

-Vamos ver. Uma música bem lenta para dançarmos.

-Não precisamos de música, somos maravilhosos mesmo assim.

-Então, te convido pra dançar. – Sua mão se estende em minha direção.

Nossos corpos se encaixam ligeiramente. Um arrepio sobe minhas costas. Nossos pés sabiam exatamente qual era a sincronia perfeita. Um pra lá, dois para cá, assim nós íamos.

-Desculpe por ontem. – Ele diz quando repouso minha cabeça em seu ombro, ainda dançando.

-Não foi nada. – Sorrio.

-Eu tive uma crise, não sei. Medo de perder você novamente.

-Você nunca me perdeu, Bruno.

-Perdi sim.

-Não perdeu, nós apenas nos escondemos por um tempo. – Respondo. Ele vira-me e me toma em seus braços.

-Não quero que isso aconteça, nunca mais.

E foi ali que seus lábios tocaram nos meus. Meu corpo se arrepiou por inteiro. Eu correspondi para sua língua que queria se juntar em nossa dança, correspondi para suas mãos que queriam percorrer minhas costas. Correspondi tudo.

Até cair em si.

-Posso abrir os olhos quando você não estiver mais no quarto? – Bruno perguntou assim que eu sai dos seus braços e seu beijo. Permaneci sem responder. – Assim eu posso achar que foi coisa da minha cabeça e a decepção será menor.

Eu sai do quarto e fechei a porta. Fui até onde estava minhas coisas. Eu sou medrosa, tenho medo de tudo acontecer como aconteceu anos atrás, ou medo de me entregar e o destino insistir em dizer que nós não éramos pra acontecer.

Mordi meus lábios e olhei-me no espelho. Tudo que eu queria mais nesse momento era não pensar muito, era apenas viver. Mas eu insisto em pensar. Insisto e insisto e assim desisto.

Está pra voltar o tempo que ele irá sair por dias, semanas e até meses. Tempos que nós não nos víamos direito. Meu peito se retorce só de pensar em ficar muito tempo distante dele novamente. Não será o mesmo de quando nós ficávamos, acho que a saudade agora irá ser maior. E ele irá aproveitar bastante. Irá ficar com mais garotas de outros países, irá curtir uma noite, outra noite, outra garota.

Devo parar de pensar nessas coisas.

-Hey. – Tomo um susto quando ele me chama. Olho pra trás e ele está com um meio sorriso. – Vamos sair para tomar algo?

-Ah... Vamos. Claro. – Pigarreio. – Vou me arrumar, me dê alguns minutos.

-Todos.

Tomei meu banho e enquanto me arrumava pus minha playlist aleatória no spotify, músicas que me remetem lembranças, lugares, músicas que eu simplesmente amei sem motivos. Cantava enquanto me arrumava.

Meu telefone me interrompe a linda performance que eu estava fazendo de Elvis Presley para uma ligação de minha mãe. Bom, essa eu deixo passar.

-Alô?

-Mãe. – Aceno pra ela através da câmera do celular. – Pai! – Aceno novamente.

-Oi filha. – Minha mãe olha para a parte de baixo do celular.

-A câmera está aqui. – Meu pai aponta e ela ri.

-Como estão as coisas meu bebê? Estamos com saudades!

-Estão ótimas, está tudo bem por aqui. E ai? Soube que está lotada a ilha.

-Turistas em tudo quanto é canto. – Ouço a risada de meu pai e meu coração parte-se em pedaços. – Aqui está tudo bem.

-Que coisa boa. Estou com tanta saudade de vocês também. Preciso de vocês. – Faço beicinho para eles e minha mãe dá um riso de canto.

-Quando será suas férias?

-Acho que conseguirei para janeiro ou fevereiro, ainda não tenho certeza. Mas queria ver uma coisa com vocês.

-O que? – Pergunta meu pai.

-Eu estava pensando em vocês virem pra cá, ficarem conosco aqui. Nós poderíamos nos planejar e visitar a Eliza também.

-É uma boa ideia. – Logo meu pai já concordou, mas mamãe fez aquela cara de que precisamos conversar depois com mais calma.

-Não vem, mãe.

-É que não podemos deixar a casa sozinha por muito tempo.

-Mas mãe! Vocês podem pedir para os vizinhos cuidarem de vez em quando, e ai nem é perigoso. Venham, por favor.

-Vamos pensar.

-Pensem com carinho. Pensem em mim. – Pisquei meus olhos por diversas vezes e eles riem.

-Eleanor Alena Winters, você não mudou nada.

-Vocês que me ensinaram a ser assim. – Nós caímos na gargalhada e de repente eu senti que aquilo, que aquele momento, era importante. Que meus pais estando ali, falando comigo diretamente do outro lado do país, era importante. Eu precisava que eles viessem pra cá, sinto falta deles todos os dias da minha vida.

Nós conversamos por um breve tempo, logo Bruno entrou no quarto e já entrou no assunto também. E meu pai não perdeu tempo de fazer alguma brincadeirinha sobre nós dois juntos.

Terminei de colocar meus sapatos e fomos para o carro.

-Não vá partir meu coração. Eu não poderia nem se eu tentasse. Querida, se eu ficar inquieto. Baby, você não é desse tipo! – Bruno começou cantando a canção que estava em primeiro na sua playlist.

-Não vá partir meu coração. Você tira o fardo de cima de mim. Querida, quando você bate na minha porta, eu te dei minha chave. – Dei continuidade a música.

-Ninguém sabe que quando eu estava para baixo, eu era o seu palhaço. Ninguém sabe que desde o início eu te dei meu coração. Eu te dei meu coração. – E então cantamos o refrão juntos. Eu, de longe não era uma boa cantora, nunca foi, mas com a voz potente do Bruno, até enfeitou a minha e deu um bom som.

Don’t go breaking my heart não era a música mais propícia para o momento. Então nós apenas cantamos, sem nos olharmos, enquanto ele ia dirigindo por Los Angeles.

Deu uma sequencia de músicas que nós dois amávamos. Cantamos e rimos, e por momentos parece que aquela briga de ontem não aconteceu, por momentos parece que aquele momento constrangedor do meu pai não aconteceu. Por momentos eu senti como se o beijo tivesse acontecido, mas tivesse sido a melhor coisa que aconteceu em tempos e que não era errado.

Bruno me faz rir, me faz sentir bem. É como se eu estivesse em casa em qualquer lugar do mundo. Ele fez moradia em meu corpo, habitou e viajou. Quem estou querendo enganar? É com ele que eu gostaria de ficar, é com ele com quem eu gostaria de passear de mãos dadas. Eu sei que depois que terminei com o Richard dei pra trás, fiquei com medo.

Mas, alguém precisa me entender.

E se ele simplesmente desse pra trás também? E se ele não quisesse nada sério e eu fosse cair de boca no pote com toda a sede.

Eu quebraria a cara novamente pela segunda vez e isso não seria legal.

Parei de pensar tanto e me concentrei em olhar seu rosto. Sua voz saindo de sua boca soa como um coral de anjos. Seus olhos completados por uma bolsinha inchada na parte inferior, é um charme! Seus lábios são convites para uma ópera.

Eu não estou apaixonada pelo Bruno.

Eu sou apaixonada por ele.

E eu tenho até medo de saber desde quando esse sentimento toma conta do meu peito.