quinta-feira, 23 de julho de 2015

Capítulo 24


Eleanor Pov's 

Lana estava quietinha com sua mamadeira de suco, puxando uma fraldinha de pano entre os dedos, enquanto eu almoçava. Estávamos no shopping, e a pequena havia acabado de ir ao pediatra, apenas para um check-up. Estava tudo bem.

"Já está vindo?"

Mando uma mensagem para Bruno.

Depois de alguns minutos, bufo, impaciente para sua resposta.

- Seu pai é um atrasado, Lana. - Puxo o paninho da mão dela, e ela reclama com uns grunhidos, sem nem tirar a boca da mamadeira.

- Falando mal de mim, Eleanor? - O ouço atrás de mim. - Não deixa ela falar do papai, Lana.

- Finalmente. - Levanto os braços exagerados, enquanto ele dá um beijinho rápido em minha cabeça e aperta levemente a bochecha da bebê. - Por que demorou tanto?

- Hmmmm. - Bruno se sentou na minha frente, todo sorridente, roubando uma batata-frita do meu prato. - Por causa disso.

Jogou na mesa um pequeno envelope, que pego com cuidado. Bruno ainda sorria feito um idiota enquanto brincava com a Lana. Abro o envelope e tiro o papel dobrado dentro. Leio com cuidado e riu.

- Sua carta de demissão? Está tão feliz assim porque está oficialmente desempregado, Peter Hernandez? - Pergunto, olhando para seu nome ali. Era estranho chamá-lo assim.

- Não, minha querida Lea. - Ele ainda sorri, quando apoia o cotovelo na mesa. - Essa é a cópia, a original está com a Ashley. E estou feliz porque simplesmente posso tirar meu tempo integral pra música. Finalmente.

Sorrio junto com ele, apenas por ver sua felicidade.

- Você sabe que é arriscado, não sabe?

- Sei. - Levanta-se. - Do mesmo jeito que foi arriscado vir pra Los Angeles beirando os vinte, do mesmo jeito que foi arriscado sairmos da casa dos seus avós... De criamos a Lana. - O sorriso dele se abre mais ainda. - E estamos aqui, não estamos?

- Estamos. - Gargalho. De repente pensando em tudo que aconteceu e da forma que aconteceu. Muita coisa planejada, e outras nem tanto, mas os sonhos prevaleceram, e nossa amizade também. - Meu Deus, Bruno. Você vai trabalhar com música!

Ele também ri, e me rouba um selinho rápido.

- Sim! Vou comer alguma frita pra comemorar. E açúcar.

- Gordo. - Chamo, e Lana solta uma risada, como se entendesse. Não canso de perguntar, quando foi que ela começou a crescer dessa forma.

-O que é isso, dona Lana? - Bruno finge estar bravo, balançando seu rostinho com cuidado. Ela se estica no moisés, agarrando seu braço. - É o complô das mulheres do papai contra ele, é?

Ela ri ainda mais, e Bruno sai para comprar a comida, todo bobo. Sorrio sozinha.

- Mulheres do papai. - Repito baixinho para Lana. - Uau. Progresso, sim? - Levanto o copo de suco a minha frente e dou um gole.

Demora alguns minutos para o Bruno voltar, com uma bandeja. E ele senta em minha frente.

- De qualquer forma, se dessa vez não der certo, Lea, a Ashley me disse que está de braços abertos pra me receber de volta.

- E de pernas também. - Ele gargalha quando eu falo. - Você comeu ela, não comeu?

- Ah... - Ele faz cara de safado. - Será?

- Bruno?!

O idiota ri.

- Eu já te disse que não, Lea. Ela só é legal demais comigo. Ciúmes?

- Eu? - Tento não sorrir para o sorriso inabalável dele. Bruno esta tão feliz em seguir o que tanto ama. E eu estou tão feliz por ele. Falho na tentativa. - Eu não.

Ele sussurra alguma coisa para Lana, olhando para mim. A nossa pequena o olha de testa franzida, provavelmente tentando entender o que ele dissera.

- O que ele disse, hein, Lana? - Pergunto, brincando com o cabelinho dela.

- Segredo. - Bruno implica. - Entre a princesinha e o papai.

-A rainha precisa saber. Rainha, que no caso, sou eu! - Coloco a mão no peito, vendo-o mastigar uma batata frita com ketchup.

-Só tem um lugar que você é rainha, Lea.

-Lá vem. - Balanço a cabeça. - Em que lugar, Bruno?

-No meu fã clube! Pode dizer, você é minha primeira fã!

-Menos, bem menos. - Faço os gestos com a mão e ele continua a rir, enquanto come.

De certa forma não deixava de ser verídica a informação. Eu era sim uma grande fã dele, do trabalho dele mais precisamente, e sim, uma das primeiras, já que vi ele várias vezes cantando, tocando, compondo, produzindo. O vi perder noites de sono, tendo que acordar cedo para trabalhar no outro dia, somente para ter um controle sobre suas músicas e suas produções, para treinar e escrever, ensaiar e se desesperar por achar que estava ruim.

Bobagem dele, sempre diz isso, tudo que ele faz ou coloca a mão para ajudar a produzir, fica bom! Ele só não tem o reconhecimento do mundo, ainda. Tenho certeza que esse momento irá chegar, ele irá ficar famoso, e seus sonhos vão se realizar, um por um.

-Será que ela passa mal se eu der um pedacinho pequeno de batata pra ela? - Ele já estava despedaçando-a na mão, um micro pedaço.

-Bruno... Isso é fritura, tem gordura trans... Não deve dar isso a crianças de cinco anos, imagina para ela que tem meses. - O repreendo e ele me olha, baixando os olhos com aquela cara de cachorro pidão.

-Mas ela está me olhando, encarando a batata.

-Ela nem sabe o que é uma batata direito, quanto mais uma batata frita. - Roubo uma batata do seu prato e passo na pequena poça de ketchup em seu prato. - Nem nós deveríamos estar comendo essas porcarias.

-Às vezes você é light demais, Lea... Relaxa!

-Relaxa vai dizer quando chegar aos quarenta anos, pançudo, com acnes e outras coisas, enquanto eu estarei magra, linda e rica.

-Estará usando meu dinheiro, só pra constar. Pagarei uma lipoaspiração se for preciso um dia.

-Precisa agora! E eu não estarei usando seu dinheiro, sou mulher criada e responsável.

-Calma feminista! - Bruno rende suas mãos, me fazendo rir. - E eu não preciso de uma lipo. Pelo menos ninguém reclama do meu corpo, nem mesmo você! - Ele arqueia levemente suas sobrancelhas, passando a imagem mais sugestiva possível. Arfei e roubei novamente uma batata, mas ele segura minha mão e a leva até sua boca, comendo a batata e olhando para os lados, passando a língua no meu dedo.

-Nojento. - Ofereço a língua pra ele.

-Se você chupar o dedo que eu lambi, como se estivesse chupando meu pau, ganhará um oral quando chegar em casa. - O ouço falar baixinho.

-Nunca duvide de mim. - Semicerro os olhos, levando o dedo até minha boca, dando uma breve olhada para a praça de alimentação do shopping, que não estava lotada por ser dia de semana e a maioria das pessoas normais trabalharem à tarde, e crianças estarem na escola.

Chupei o dedo, no final dando um beijinho na ponta. Peguei o guardanapo e roubei a batata que queria antes. A mastiguei e quebrei o silêncio.

-Aviso que terá que me fazer gozar.

-Você está me deixando armado, Lea. Nada legal. - Passa a perna pela minha, e Lana ri, de novo com o paninho na boca e nas mãos.

Começou a fazer os barulhinhos de sempre, tentando falar da maneira dela, e dando alguns gritinhos mais altos. Era simplesmente encantador a ver assim.

Bruno Pov's 

Lea me observa enquanto eu dou uma mamadeira para Lana, no sofá, iluminados apenas pela luz da TV. Meu bebê tem uma mãozinha torcendo minha camiseta, e os olhos fechados, praticamente dormindo.

Lea abaixa ainda mais a TV, colocando praticamente no mudo, e eu me levanto para levar a Lana para o berço. Troco sua fralda e verifico se sua cama está aconchegante.

Ela reclama um pouco, mas eu a balanço levemente e ela volta a dormir como o anjinho que é.

Ando de volta para a sala, e vejo Lea muito concentrada na televisão. Inclino-me nas costas do sofá e beijo sua nuca, fazendo-a levantar os ombros.

- Lana dormiu? - Pergunta-me, alisando meus cabelos, sem nem tirar os olhos do filme.

- Uhum. - Respondo, ainda beijando ali.

- Tomou a mamadeira toda?

- Uhum. - Respondo de novo, puxando o elástico de seu cabelo para soltá-lo. - Adoro seu cabelo solto.

- Uhum. - Foi a vez dela responder, praticamente fazendo um biquinho para o filme.

Definitivamente, não iria perder sua atenção para uma comédia romântica qualquer. Faço a volta no sofá, tirando minha camisa. Lea nem percebe que estou só de cueca.

Sento no sofá, logo deito minha cabeça em seu colo.

- Fica quietinho. - Ela me pede. - Já está acabando.

Sua mão alisa meu rosto, mas eu não estou disposto a deixá-la assistir. Coloco minha mão sobre a dela e vejo seu sorriso frouxo.

Escorrego lentamente pelo meu pescoço, e sei que tenho sua atenção. Desço pelo meio peitoral e ela morde os lábios, tentando não olhar. Dou uma risada baixa, descendo pela minha barriga. Suas unhas me arranham de leve, e seus olhos me espiam pelo canto.

- Vem, Lea. - Chamo. - Vamos aproveitar um pouquinho.

Ela olha pro meu rosto e então para a TV. Rola os olhos de forma exagerada, desligando-a.

Inclina-se sobre mim e deixando nossos lábios a milímetros de distância.

- Tá carente?

- Quero atenção. - Seguro a mão dela levemente, empurrando para dentro de minha cueca. - Em um lugar específico.

Ela ri, enquanto eu tento beijá-la. Continuamos o beijo desajeitado, e Lea vai deitando no sofá, permitindo-me ficar por cima dela. Apoio meu peso em dois braços e ela afasta as pernas para me acomodar. Pressiono nossas virilhas e Eleanor arranha meu peito, pedindo por mais. Beijo seus lábios com vontade e ela chupa minha língua.

- Quero que chupe meu pau, Lea. - Digo, puxando seu lábio inferior. - Do jeitinho que só você sabe fazer.

Ela sorri, safada, tentando abaixar minha cueca com os pés. Apressada! Beijo seu pescoço com voracidade, e seguro o impulso de deixá-la uma marca, porque sei que ela ficaria muito puta. Mordo sua orelha e seu ombro, lambendo sua pele.

Desço por seu decote e ela mesma joga a blusa de pijama por cima de nós. Delicio-me com a visão de seus peitos e a digo o quão adoro a mania que ela tem de ficar sem sutiã em casa. Eu realmente amo isso.

Passo minha língua lentamente e ela agarra meus cabelos, puxando com força. Levanta o quadril ao encontro com o meu e eu caio de boca, chupando e lambendo seu seio esquerdo.

Lea sussurra, com uma voz maravilhosamente sexy, pedindo para deixá-la me dar a atenção que eu queria. Sento-me, com as costas no braço do sofá, e Lea monta em meu colo. Ela morde meu pescoço, rebolando no meu pau, mesmo que por cima da cueca.

Seguro seu quadril, vendo sua expressão de desejo e ajudo-a nos movimentos, enquanto tento tirar sua calcinha para longe de suas pernas.

- Bruno... - Gemeu gostosamente em meu ouvido, baixinho.

Estava mais que preparado para ir para a melhor parte quando o choro de Lana invade a casa toda. É alto e Lea começa a rir, provavelmente para não chorar, ainda em meu colo. Não posso acreditar nisso, sinceramente.

- Meu Deus. - Ela respira fundo, levantando-se para vestir a blusa.

- Pais de bebê não fodem? - Pergunto, e ouço apenas a risada dela.

Coloco a mão sobre minha calça e aperto de leve o volume ali.

Jogo minha cabeça para trás, no braço do sofá, tentando me acalmar. Penso em coisas broxantes, e logo Lea volta, com a Lana apenas choramingando.

- Olha quem acordou assustada, papai. - Lea volta, e eu nem me dou o trabalho de abrir os olhos.

- Papai. - Repito, incrédulo. - Eu tô tentando me acalmar aqui. Não dá pra chamar de papai.

- Desculpa. - Ela ri, e eu me levanto.

- Você, acabou com o clima. - Dou um beijo na cabeça de minha filha. - E você, Eleanor, vá colocar uma calça. Que cubra até seus tornozelos. - Peço, beijando sua cabeça também, e ela ri alto.

Sigo para o banheiro, mas volto e dou um tapa de leve em sua bunda. Gostosa, e vai ser toda minha.

- Estou falando sério. Cobre essa bunda, Eleanor. - Dou uma corridinha para o banheiro.

- Você não gosta? - Me pergunta, um pouco alto.

- Até demais. - Respondo, antes de entrar no banho.

Demoro um pouco, e vou pro meu quarto logo depois. Vejo uma cena linda, onde eu poderia ficar olhando por séculos.

Lana está toda cheia de travesseiros ao redor, de barriga para baixo, na minha cama. Lea a balança, quase que por instinto, deitada ao seu lado, enrolada da cintura para baixo num edredom.

Puxo o edredom para cobri-la até os ombros e pego Lana, levando para o berço. Não me confio em deixá-la dormir na cama, tenho medo de me esparramar por cima dela ou que ela caia. Mexo-me muito durante a noite, e se algo acontecesse à ela por causa de um descuido meu, não me perdoaria.

Volto para a cama, puxando a lateral do edredom e rio baixo, aproximando meu corpo do de Lea.

- Que desaforo. Você nem colocou uma calça. - Murmuro em seu ouvido, já sonolento, colocando meu braço ao redor de sua cintura.

Seu corpo quente é confortável e incrivelmente familiar, mas o sono é maior.

- Só dorme Bruno. - Ela resmunga, sonolenta.

- Boa noite, Lea. - Beijo atrás de sua orelha.

Eleanor Pov's

Já tinha visto Bruno verificar os passaportes, o dinheiro, o atestado da Lana, tudo o que pudesse imaginar. Estava ficando tonta com tanta voracidade e que ele estava para irmos de uma vez, mas o problema estava em: o voo é às 21:35, e a recém é 17:20. Ele está pirando!

Nossas coisas já estavam prontas, e Phil nos buscaria em pouco tempo para nos dar carona até o aeroporto. Peguei minhas férias dia 9 de fevereiro, e dia 9 de março retornaria a trabalhar, e como Bruno estava tranquilo em casa, sem trabalhar, apenas ganhando um retorno de dinheiro da música, e produzindo coisas novas e boas, então pegamos duas semanas para passar no Havaí, para matar a saudades - dentro do possível -, e mostrar a Lana de onde viemos e como é lindo.

Hoje, terça, dia 10 de fevereiro, eu estava no período da TPM chamado pós-menstruação. Estava arisca, porém pegando fogo.

-Se você pegar essa mochila mais uma vez, eu vou fazer a sua passagem de ensopado e enfiar goela a baixo! - Puxo a mochila de suas mãos. - Chega.

-Só estou um pouquinho ansioso. - Tentou puxar a mochila de mim, sem usar muita força, não obtendo sucesso. - Vamos jantar no aeroporto!

-Sim?! Nós já tínhamos combinado isso. - Digamos que impaciente eu também estou.

-Eu sei, só estou repassando o roteiro para não ter problemas.

-Bruno, essa não é a sua primeira viagem de avião, nós não estamos indo para um lugar que não conhecemos, não estamos nos mudando, então calma, paciência.

-Ok, estou brincando. - Rendeu seus braços. - Podemos aproveitar que a Lana está dormindo, não é mesmo? - Passou a língua nos lábios, umedecendo-os.

-Bruno... - Gemo baixinho. - Temos tempo...

-Temos, de sobra. Ficamos quase uma semana sem nada, Lea. - Aproximou-se de mim, cravando sua boca em meu pescoço. - Será que no Havaí eu ganharei algo especial?

-Ainda não desistiu disso?

Na semana passada conversamos após o sexo, o último antes de eu passar quatro dias menstruada e ontem e hoje foi uma grande correria e não teve como fazer nada. Não que vivemos somente de sexo, mas é o que nós gostamos de fazer, é bom, gostoso, saudável. Era saudável fazer isso, conversar pós sexo, éramos amigos acima de tudo e colocamos as cartas na mesa. Tivemos um bom e longo diálogo sobre o sexo, e sobre o anal, que eu queria experimentar, ele queria tentar, então combinamos de fazer isso um dia. Mas um dia é algo amplo, vago, não quer dizer que irá ser hoje ou amanhã, então ele vai tentando todos os dias, principalmente quando eu estava sangrando como doida.

-Compraremos o KY! - Cedi quando seus lábios deram uma leve chupada em minha pele sensível do pescoço. - Quando chegarmos no Havaí, Bruno.

-Vamos passar quatro horas na cama, só para recompensar esse tempo perdido.

-Os orais não foram bons?

-Claro que foram ótimos, não tenha dúvida disso, mas fazer o que se eu amo quando você senta em mim.

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