Tinha certeza que deixaria alguma marca em seu pescoço. O beijei com tanta voracidade que nem eu me reconheci.
Eu precisava daquilo, em definitivo.
O casal que estava por ali, saiu, talvez ficaram acanhados com o que eu e Bruno fazíamos. Gemia no seu ouvido, e ouvia tantas outras besteiras no meu, como o quão eu era gostosa, e a vontade que estava de me foder. De me por de quatro, e meter em minha bunda até me fazer gozar. E é dessa forma que talvez ele me faça gozar, sem nem precisar mostrar o que quer, apenas pela rouquidão da sua voz, os movimentos pélvicos em mim, e sua mão me masturbando.
-Quero te foder aqui mesmo. Agora. – Ele estava quente, ofegante, parecia estar se segurando ao máximo.
Fiquei de olho nas pessoas, que se divertiam ainda mais com a introdução do DJ na música, falando algumas coisas que faziam todos se mexerem. Aproveito para abrir a braguilha da sua calça e colocar minha mão dentro.
Seus olhos se fecham, e ele arqueia as costas, abrindo o botão da calça. Enfio a mão dentro da sua cueca e sinto aquele volume todo. Pulsante, grosso, grande, do jeito que eu quero, e do jeito que posso suportar. Do jeito que vai me preencher. Faço alguns movimentos, e vem mais palavras ao meu ouvido, com gemidos.
-Philip está vindo. – Ele tira sua mão da minha calcinha e rapidamente faço o mesmo tirando da sua calça.
Me encosto no seu corpo, virando-me de frente e ele me abraçando por trás, fechando suas mãos em frente.
-Casal. – Phil faz um gesto com a cabeça. – Desculpa, mas acho que temos que ir embora.
-Porque? – Pergunto.
-Megan bebeu demais, está discutindo com o Caleb, e estamos com medo que ela acabe fazendo outra besteira.
-Ah. – Arregalo os olhos levemente. Porque algo tinha que interromper? – Já vou indo.
-Ok. – Assim que o Phil nos deu as costas, me viro para o Bruno e cubro ele para que feche a sua calça.
-Não vai ajudar ela, fica comigo. – Colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
-Ela precisa de ajuda! – Seguro a sua mão, quando contesto que ele já fechou.
-Vai me deixar na vontade? – Bruno pergunta enquanto eu o arrasto pela boate.
-Bruno... – Parei bruscamente, olhando para o seu rosto. Ele larga minha mão, fica me encarando com a expressão mais séria possível. – Escuta, ela precisa de ajuda agora, depois podemos continuar.
-Ok. – Ele não me pareceu nenhum pouco satisfeito.
Já estava num ponto que não senti meu corpo. Broxar dessa forma não me fez bem! Encontrei Urbana dando um copo de água para a Megan, que mexia as mãos como se quisesse falar algo para o Caleb, que passava a mão na cabeça.
-Vamos levar ela pra fora. – Obedeço a ordem da Urbana, e a carregamos para fora da boate.
Não sei se ela sabia que já estávamos fora, mas assim que colocamos o pé para fora, Megan regurgitou tudo o que tinha bebido. O líquido nojento que saiu da sua boca, com cor estranha, fedeu na hora. Olhei para o outro lado e segurei seus cabelos.
-Ela não está bem. – Urbana diz para Caleb assim que ele chega na rua.
-Vou leva-la pra tomar um soro, tomar uns comprimidos.
-É uma boa. – Diz Phil.
Deixei que Phil levasse Megan e Caleb até alguma farmácia 24hrs e os esperamos ali na frente. Sentamos em uma mureta, e ficamos esperando.
-Falei pra ela não beber tanto daquela vodca. – Ouvia Urbana falar o que aconteceu exatamente, mas meus olhos estavam encarando o Bruno, estava sentado ao seu lado, então o observava encarar o nada, enquanto ouvia.
-Isso acontece. – Dou de ombros. – Meu primeiro porre, quem me curou foi o Bruno, e a partir daí aprendi a dosar um pouco mais.
-Nunca bebi dessa forma, o máximo que ficava era com uma tontura. – Ela olha para o que eu estava encarando. – Bom, vou perguntar se posso usar o banheiro.
Ela se levantou nos deixando ali, obviamente porque se tocou do clima que estava. Bruno nunca fica completamente calado assim.
-Oi? – Me aproximo dele.
-Oi. – Me responde de maneira seca.
-Estou braba por terem nos interrompido, mas não é nada que não possamos continuar depois, claro, se quiser. – Dou de ombro.
-É, talvez.
Estava na cara que ele não estava somente brabo pelo que aconteceu, mas tinha algo a mais em sua cabeça. Será que ele pensou melhor sobre o amasso que demos, e viu que é bobagem? Por que eu não achei nenhuma bobagem, inclusive agora o desejo mais do que antes. Aperto minhas mãos e olho para o céu estrelado.
Urbana retornou com nossas bolsas e casacos que estavam guardados no guarda-volumes. Pego meu celular e digito uma mensagem, mas não a envio.
“Você está brabo comigo? Ao menos me dê um sorriso! ”
Espero que ele sorria, mas ele olha o celular, depois meu rosto e volta ao que estava encarando. Ogro, nojento.
“Vai à merda, então. ”
Ai ele riu, balançando a cabeça e continuando ao que estava antes. Levantei-me da mureta e fiquei em pé, um pouco distante deles. Urbana disse algo para o Bruno e levantou na minha direção.
-Algo aconteceu... – Afirmou, chegando perto de mim.
-Poderia ter acontecido mais, se não fosse essa interrupção.
-Vocês ficaram?
-Quase mais do que isso.... Estava maravilhoso, até tudo acontecer e ele virar a cara pra mim, como uma criança emburrada.
-É um idiota, você o conhece. Ele só está pensando.
-Pensando melhor, e vendo que fizemos bobagem. – Reviro os olhos. – Eu preciso de alguém, porque minha vontade triplicou.
-Aí dentro devem ter muitos. – Gesticula para dentro da boate.
Bruno Pov’s
Acordo com o toque chato do meu celular. Murmuro um palavrão, sem nem abrir os olhos, e atendo no tato.
- Alô.
- Bom dia, Bela adormecida. - A voz de Phil, irônica, soa do outro lado. - Estou aqui. Você vem buscar a Lana ou não?
- Porra. Que horas são? - Me sento, sentindo o corpo todo reclamar.
- Nove.
- Já estou indo. Um minutinho.
Phil estava ali para me dar uma carona para buscar Lana, já que sempre passava em frente à minha casa para ir à padaria. Ele precisaria passar um pouco mais para ir à casa dos avós de Lea, mas ele nunca reclamava.
Menos de cinco minutos depois, já estou vestido. Pego a chave sobre o centro da sala, mas antes de sair, resolvo avisar a Lea.
- Lea? - Abro a porta de seu quarto.
As lembranças da noite anterior veem de uma vez só. Vejo minha melhor amiga, toda esparramada sobre a cama, vestindo apenas um blusão e calcinha. O lençol estava todo enrolado e eu não pude deixar de olhar. Lea é muito, mas muito, gostosa.
- Lea. - Balanço-a. - Eleanor.
- Hmmm?
- Estou saindo para buscar a Lana. - Balanço-a novamente, só de pirraça. - Lea!
- Hm, ok! Já ouvi.
Rio, saindo do quarto. Cumprimento Phil, que logo me pergunta sobre a noite anterior, antes mesmo que eu colocasse o cinto.
- E então? O que resolveram?
- Eu e Lea? Nada.
- Qual é. Vocês estavam...
- Nós nos pegamos. Uns beijos e umas mãos bobas. - Explico, enquanto ele dirige. - Foi só isso. Poderia ter sido mais, se Megan não tivesse colocado as tripas para fora...
- Não é de sexo que eu estou falando! É vocês! Vocês estão o quê?
- Amigos? Como sempre fomos.
- Amigos não se pegam!
- Foi só uma vez.
- Você vai ver.
- Eu não vou entrar na coleira, Phil. - Rio, descontraído. - E sabe o que é o pior disso tudo?
- O quê?
- Só me deixou com mais vontade.
- Ela é boa?
- Naturalmente safada. – Levo minha mão a testa, chacoalhando o corpo para afastar os pensamentos da noite anterior. - Megan realmente tinha que ter bebido tanto?
Jogamos um pouco de conversa fora e logo já estávamos na casa da avó de Lea. Pego minha filha e agradeço por terem ficado com ela, antes de voltar pro carro.
Passamos na padaria, e logo Phil me deixou de novo em casa.
- Valeu pela carona.
- Que isso, cara. - Phil mexeu com a mãozinha de Lana, que praticamente dormia no meu colo. - Cuidado com o que vai fazer com a Lea.
- Eu não sei como vai ser. - Sorri. - Mas vou descobrir. Tchau, Phil.
Abro a porta do apartamento e logo sinto cheiro de comida. Ando até a cozinha e Lana dá um gritinho animado quando vê Lea de costas.
- Oi! - Ela vira apenas a cabeça. - Foram rápido.
- Fomos. - Digo, mesmo que não fosse uma pergunta.
- Aliás, obrigado por me acordar. As nove da manhã. Em pleno domingo!
Rio.
- De nada. Eu trouxe pão.
- Deixa aí em cima. Eu estou fazendo ovos e bacons.
- Gorda.
- Vai tudo pra bunda.
Abaixo a cabeça, rindo bem baixinho.
- Quer que eu termine aí?
Ela aceitou, e enquanto eu pego controle do fogão, ela senta, com Lana no colo.
- Então. Como foi com meus avós?
- Bem. Eles disseram que a Lana é um amor e não deu trabalho nenhum.
- Não é novidade. - Fez uma caretinha que fez minha menina rir.
Continuamos a conversar qualquer besteira, enquanto tomávamos café-da-manhã. Lana, que continuava em seu colo, parecia fascinada com um mordedor de borracha.
Eu só observava aquela cena, pensando em tudo. Em mim e em Lea, onde chegamos, os anos que estamos passando juntos. Penso em nossa adolescência, o quanto amadurecemos e mudamos. Penso em Kai e das vezes que a Lea dizia estar sentindo falta dele. E sinto um ciúme leve ao pensar o tanto de amor que ela cultivou por ele. Penso nas risadas e nos momentos difíceis, de como ela foi minha família e eu fui a dela quando estávamos sozinhos em uma cidade nova.
Olho para Lana, que ria gostosamente para Eleanor e tenho certeza que ainda quero passar muitos e muitos anos com ela.
Penso como seria se namorássemos. Penso nela como uma verdadeira mãe para Lana, de como nos uniríamos ainda mais, dos carinhos que poderíamos trocar... Suspiro.
- Sonhando acordado? - Ela brinca.
Tenho vontade de perguntar se ela realmente quer agir como se a noite de ontem nunca tivesse acontecido mas guardo a indagação pra mim. Talvez ela esteja um pouco assustada, assim como eu estou. Assustada por esses novos pensamentos e vontades, que sinto que vão além do carnal. Não sei se é isso que realmente quero. Talvez tenhamos ido com muita sede ao pote. Nunca cortejei Lea, nunca deixei claro que a pudesse querer além da amizade. Talvez eu precisasse fazer isso, com calma e paciência, para que pudéssemos repetir a noite de ontem, sem bebidas. Para que pudéssemos conversar sobre isso.
- Bruno? - Ela ri. - Lana, diz pro papai que hoje ele está em outro planeta.
Eu rio, tentando descontrair.
- Só estou cansado, Lea. Megan está bem? - Tento puxar assunto da noite anterior, só para ter certeza se ela realmente não iria falar sobre nós.
- Está. Caleb disse que ela está bem, mas que vomitou ainda mais em casa.
- Uhum.
- E como estão as músicas? Tem feito algo a mais?
Quando começamos a falar sobre música, e derivados, eu tenho a certeza que ela não falará de nós dois tão cedo.
Eleanor Pov’s
Bruno agiu estranho durante todo o domingo. Fizemos todas nossas refeições juntos, passamos um tempo brincando com a Lana, fazendo-a prestar atenção em muitas coisas, e conversando também sobre um futuro pra ela. E durante todo o dia ele ficou assim, monossilábico, estranho, pensativo.
Ele estava me tratando normal, apenas estava aéreo demais. Isso era esquisito.
Pensei em perguntar se era pelo que aconteceu na boate, mas não quero tocar no assunto, tenho quase certeza que ele não quer falar sobre isso porque ainda deve estar um pouco bravo por eu ter o abandonado daquela forma e ter apartado uma briga entre Megan e Caleb.
Eu também estava brava por ter que interromper aquilo daquela forma. Como eu queria ter dado continuidade ao que aconteceu, e como eu queria poder fazer isso agora.
Bruno acabará de passar por mim sem camisa, com uma bermuda para dormir. Coçava a cabeça enquanto parecia se concentrar em algo. Quando ele fica dessa forma, coçando a cabeça, posso apostar que ele está pensando em algo sobre sua música, ou algo sobre melodias novas.
O observei, desejando-o. Minha carne precisava da dele. Bruno era naturalmente safado, e depois de ter uma amostra grátis noite passada, a vontade triplicou, e o desejo por ele também.
Já vi que essa seria uma longa história ainda.

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