Na manhã da segunda feira eu estava indisposta. Leves olheiras, cabelo de mau humor, meu rosto inchado juntamente com meus pés. Era o corpo avisando que a TPM estava chegando. Estava toda dolorida, realmente com um mal estar chato, já vi que o dia seria chato.
Acordei para ver a Lana no quarto do Bruno, e ela estava acordada, porém, quietinha. Bruno se mexia na cama, parecendo prever que daqui a pouco teria que acordar. Peguei-a no colo e fiz a sua mamadeira com ela junto comigo. Brincava um pouquinho com suas mãozinhas e ela ria, fechando os olhos de leve, parecia tão doce. Uma cópia doce do Bruno.
-Bom dia. - Ouço ele dizer.
-Um pouco bom, mas dia. - Torço o pescoço e ele tosse.
-Bom dia, minha pequena. - Ele beija o topo da sua cabeça e dá um beijo em minha bochecha. - Você está linda.
Ele só podia estar de sacanagem com a minha cara!
-Obrigada pelo comentário irônico.
-Não é irônico. Só é lindo ver você assim, ao natural... Mostrando que é humana.
-Achou que eu não fosse humana? Até onde sei, você que era o Mars.
-Pensei que fosse de lá, junto comigo.
-Não. Sou terráquea mesmo. - Dou Lana para ele. - Preciso tomar banho.
-Tudo bem.
Num dia como esse, minha mãe faria um chá, daria para mim na cama, e passaria a mão na minha cabeça, dizendo que eu poderia ficar em casa porque hoje todos seriam alvos meus.
Por esse motivo, quando saímos para trabalhar, evitei conversar com as pessoas do serviço, e ofereci meu melhor sorriso aos meus clientes. Todos os apartamentos que mostrei, e todas as casas, eram para casais. Até a cara deles eu queria ver longe de mim.
Eu precisava transar, precisava grudar meu corpo no de alguém, precisava beber algo em algum barzinho, e precisava de amigas solteiras.
Cheguei em casa sozinha, estava tudo fechado e escuro. Aproveitei para dar um jeitinho nas coisas e me desestressar. O que não adiantou muito.
-Olá. - Assim que ouço o barulho da porta, ouço a voz do Bruno adentrar o ambiente.
-Oi. - Me concentrei na televisão. - Porque demorou?
-Esperei Philip ir ao mercado, mas antes passamos no estúdio.
-Ah. - Levanto em sua direção, pegando a Lana do seu colo, que já sorriu. - Tudo bem, minha pequena?
-Trouxe uma coisa pra você. - Ele abre uma sacola, tirando uma caixa de bombons trufados. - Sei que não está no seu melhor humor... Espero que ajude.
Você não tem que ser fofo agora, Bruno! Queria ter ao menos um motivo para me fazer ficar brava com ele, além de não podermos ter continuado nossos amassos na balada. Me sentia completamente bipolar com toda essa história.
-Obrigada. - Olhei para dentro dos seus olhos, e dei um sorriso. Por mais difícil que tenha sido meu dia, ele sempre faz as coisas valerem a pena.
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No domingo, dia 18, Lana estava de mêsversário, e nós fizemos um bolinho em casa mesmo. Eu e Bruno fomos para a cozinha para prepararmos juntos.
Bruno me tratou tão normalmente essa semana, sendo um pouquinho mais fofo devido àquela minha TPM forte que me ataca algumas vezes. Mas não notei nada demais, em momento algum ele quis conversar algo sobre nós dois. Eu acho que o pouco que ele provou, ele se arrependeu, infelizmente.
Bruno Pov's
Mas pela primeira vez ela sorriu nesse período, justamente quando estava brincando com a Lana, que a chamava com os bracinhos esticados. Isso me fez parar pra pensar na pequena família que estávamos cultivando abaixo daquele teto. O que me fez ter inspiração, e mais força de vontade para não desistir.
Eu preciso dar tudo para a minha pequena.
Minhas pequenas!
Sentamos no sofá depois de toda a louça lavada, de lamentações pela água gelada no clima estranho que fazia em Los Angeles no dia de hoje. Me cobri com a mesma coberta que Lea, e ela pôs suas pernas sobre as minhas.
-Lana dormiu, eu nem posso acreditar. - Lea arrumava seu cabelo num coque no alto da cabeça.
-Finalmente. Ela ferveu bastante pra uma menina de quatro meses.
-Ela é impossível...
-Como o pai. - Repouso minha mão em sua canela, apertando de leve, e ela sorri de lado. - Algum plano de próximas saídas? - Pergunto.
-Não sei. - Pôs o dedo na boca, pegando alguma coisinha do esmalte. - Tá descascando essa porcaria. Barato sai caro!
-Estava pensando em algo pra semana que vem. Acho que preciso de outra festa daquelas. E de bebida.
-Você tem uma filha agora, seja um pouquinho mais responsável. - Ela dá um soquinho em meu braço.
-Ter filha não me amarra em nada. - Aperto um pouco mais a sua canela, subindo de leve para seu joelho.
-Exatamente, mas te faz um pouco mais responsável do que aquele meninão que saía todos os dias se fosse possível.
-Aquele ainda não morreu, está desmaiado aqui. - Me recosto um pouco para o seu lado, e ela dá um espaço.
-Ele que não acorde enquanto a Lana estiver com essa idade. Imagina, me deixar sozinha cuidando da sua filha, enquanto você está saracotiando na balada? Nem pensar!
-Nunca faria isso. - Subo até a sua coxa, e sinto ela endurece-la. - Se você ficasse aqui, eu ficaria com você. Iríamos cuidar da Lana até cansarmos e acabarmos dormindo na sala. - Eu podia ver na minha mente o que tinha dito. Podia ver eu e ela cansados, tomando um baile da energia da minha filha com pilhas inacabáveis, e então quando ela finalmente fosse dormir, nós caíssemos no sono, no tapete da sala mesmo.
-Seria um tanto quando bonito, mas você ficaria irritado com sono. - Lea cutuca meu braço.
-Tem algo que me deixa mais irritado quando eu fico sem. - Levemente, e novamente, subo minha mão em sua coxa e ela ri, espalhando o hálito de pasta de dente.
Optamos por ver um filme, e eu acabei deitando ao seu lado no sofá. De conchinha, como aquela noite. O filme começou a rodar e minha mão pairou sobre a sua barriga. Sentia sua bunda pressionar meu pênis, puta que pario, era difícil se controlar, e ela parecia não se dar de conta.
Já no meio do filme, eu já estava com o rosto no vão entre seu pescoço e seu ombro, minha mão ainda estava na sua barriga, mas agora apertando-a mais, e minha perna se entrelaçava com a dela. Lea parecia estar com medo, e eu ficando com medo de estar indo mais rápido do que deveria. Mas que culpa eu tenho se eu não sei o que as mulheres querem?
Até semana passada estávamos nos provocando, tirando casquinhas, e se agarrando no canto de uma boate. Hoje, estamos de conchinha num sofá, um filme rodando, um vinho na estante, o tempo propício á não se fazer absolutamente nada, e estamos aqui, olhando o bendito filme, eu agarrando-a e ela fingindo não saber, ou apenas não se dando de conta do que eu estou fazendo.
Quando tomo coragem o suficiente para beijar seu pescoço, seu celular toca. Lea se destapa e corre para pega-lo, enquanto eu passo a mão sobre o volume bem aparente das minhas calças, pensando que não será hoje que aproveitaríamos.
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Já em casa. Ontem não havia santo que fizesse eu e Lea termos algo. Ela se afastava de mim, mesmo que involuntariamente. Por várias vezes tentei algo, mãos, carícias, olhares, e até frases por meio de indiretas, e ela não reagia.
Parei para observar no meio da madrugada, quando ela acordou para ir ao banheiro e passou para ver a Lana. O jeito com que ela cuidava da minha princesa, que a olhava com ternura, com todo o carinho que pudesse passar. Mesmo que não fosse a sua mãe, infelizmente, Lana estava segura com a Lea.
Nós estávamos seguros.
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Faltava apenas uma semana para acabar outubro e a música já estava pronta, ainda bem. Estregaríamos na segunda feira, e eu aproveitaria o final de semana tranquilo para tentar fazer algo novo, quem sabe mais uma música para vender ao estúdio, vá que mais alguma pessoa se interesse e queira gravar.
Estava nervoso, e quando sentei em frente ao teclado que levei pra casa, tremia as pernas para conseguir fazer algo. Lana estava com a Lea, olhando televisão, mas Lea já queria que Lana fosse dormir, afinal já eram quase meia noite.
Deslizei o dedo pelo teclado, tentando cada mísera sintonia que fosse, para depois montar algo mais especial. Anotava, apagava, amassava, tentava novamente, e assim por diante. Lea já bocejava quando levou Lana desmaiada em seus braços para o quarto, e retornou para a sala.
-Televisão desligada para melhor concentração. - Largou o controle sobre a mesa.
-Obrigada. - Agradeço e lhe dou um sorriso.
Espio pelo canto do meu olho a roupa que ela vestia, aqueles pijamas provocativos. Caralho, quando ela começou a fazer isso que me incomoda tanto? Bufei, passando a mão no rosto e ela ri baixinho, comentando algo sobre não estar conseguindo me concentrar por ela estar ali. O que de fato pode se considerar verdade, em termos.
-É tão mágico conseguir fazer isso. - Ela toca na base do teclado, assim que digo que ela não está interrompendo.
-Se quiser aprender terá um professor maravilhoso! - Não só de teclado! Pensei comigo.
-Parece ser demais pra mim. - Não é, vai preencher cada pedacinho seu. Meus pensamentos me matavam aos poucos.
-Quer tentar? - Ofereço.
-Vou atrapalhar?
-Não vou tentar fazer nada mais por hoje, esgotei o estoque.
-Então tudo bem.
Abri as pernas na cadeira, deixando um espaço para que ela sentasse na minha frente, no meio delas, era de propósito. Óbvio. Ela poderia muito bem sentar ao meu lado e aprender, mas disse que assim poderia guiar as mãos dela caso fosse preciso.
-Primeira coisa para saber tocar é não tocar apenas por obrigação, tem que sentir. - Pego a sua mão e posiciono seus dedos da maneira correta para os primeiros passos que aprendemos. -Tem que sentir, Lea. - Empurro levemente meu corpo pro seu.
-Ok. - Ela respira fundo.
-Agora, controle a sua respiração. Postura! - Coloco a mão em sua barriga e outra em suas costas, a deixando erguida, e me aproveitando da situação. - Respira fundo, e pensa que as teclas são estrelas do mar, e o teclado é o mar Havaíano.
-Vai me dar é saudade. - Lea balbucia, bem baixinho mesmo.
-Esses são o Dó, Ré... - Fui mostrando um à um, qual era qual, e pedindo que ela repetisse até saber de cor. Depois peguei a sua mão e fui controlando, sussurrando a canção, enquanto teclava com sua mão, mas usando meus movimentos. - É simples, Lea. - A incentivo.
-Que paciência, hein. - Sua risada nasalar me contagia, e eu apóio minha cabeça em seu ombro.
-Tecla nessa sequência. - Dei a sequência para ela seguir, e Lea erra algumas vezes, até conseguir bem devagar. - Isso mesmo. Perfeito!
-Êh, eu estou conseguindo. - Ela bate palminhas alegres, que acompanham seu sorriso, e sua risada faz seu corpo tremer, e consequentemente tremer o meu também por estar encostado no dela.
-É claro que está. - Seguro a sua barriga, espalmando minha mão. - Agora sente, se concentra no que quiser e deixa a sua criatividade te guiar. Sem medo de errar!
Lea se contorce, suas mãos estavam levemente trêmulas. Ela estava com medo de errar, assim como eu quando aprendi a tocar piano, violão, andar de bicicleta. Eu queria sair sabendo fazer tudo de uma vez, sem errar, mas com a prática aprendi a fazer, e a errar, e a me aperfeiçoar errando. É assim que ela vai começando.
Me concentro em seu rosto, olhando atentamente as teclas e dizendo o nome de cada sem emitir som.
-Sinta, Lea! - Encosto mais meu corpo no seu.
Qual é, eu estou dando tudo para ela entender que eu quero, mas já não sei mais se ela não entende, ou se ela entende, mas se faz de doida, porque no final não quer nada comigo. Será que eu a decepcionei àquela noite? Não foi culpa minha! Estava bravo por ela ter me largado daquela forma, e mais ainda porque ainda não sabia se realmente era o certo.
Acordei atrasado no outro dia, culpa da Lea! Ficamos muito tempo na frente do teclado, ensinei várias coisas à ela, mas não ganhei nenhum carinho necessário. Fui dormir mal, e acordei pior ainda. Meu saco parecia pesar 5 quilos, e eu precisava esvaziar, e esvaziar minha bexiga também. Porém, ereção matinal é uma droga.
Entro no banheiro e ouço o gritinho esganido dela. Lea está do outro lado, dentro do box? Não pode ser. Isso é sacanagem, Senhor.
-Desculpa. - Já vou me antecipando.
-Bruno, o banheiro está ocupado! - Ela bufa.
-Eu sei, só preciso fazer uma coisa rapidinho. - Abro a calça e me posiciono em frente ao vaso.
Eleanor Pov's
Depois do esforço que foi levantar da minha cama, quando abro o chuveiro para finalmente tomar banho para me arrumar, Bruno entra no banheiro todo necessitado. Fico esperando que ele termine, mas parecia não estar dando muito certo.
-Bruno! Quero tomar meu banho. - O alerto, com a mão no registro do box.
-E eu quer fazer xixi.
-Mas que complicação! - Bufo.
-Tá complicado mesmo, Lea. Você está nua atrás dessa cortina fina, que por Deus, poderia ser transparente, e eu estou quase impossibilitado. - Ouço um gemido de dor. Tive vontade de rir com o comentário dele sobre eu estar nua ao seu lado. Talvez fosse mesmo difícil se concentrar assim.
-O que houve? - Ele não responde e mais uma vez geme.
Ponho a cara para fora da cortina, somente o rosto, e olho o que ele faz. Bruno estava ereto, tremendo o corpo para conseguir fazer xixi. Sempre ouvi falar que é horrível fazer dessa forma, e que dói, e é isso que ele deve estar sentindo.
Fico praticamente babando sobre o tamanho do seu pênis, e já viajo para longe dali, imaginando o que aquilo não deve fazer com uma pessoa. O que aquilo não deveria fazer comigo. O sinto em minhas mãos, como no dia da balada, e a única coisa que tenho vontade é de pega-lo de uma vez. Mas, eu posso estar criando toda essa cena dentro da minha cabeça.
Vejo ele fazendo algumas coisas, às vezes penso que ele pode estar dando em cima de mim, mas em nenhum momento ele foi direto ao ponto, e é aí que a dúvida vem na minha cabeça... E se for tudo da minha cabeça, e nada real? E se eu apenas estiver criando que o que ele faz é pra me provocar, que é porque ele me quer?
-Porra, Lea! - Ele esbraveja, apertando seu pau com um pouco mais de força. - Ignora que eu estou aqui.
-Simplesmente não dá. - Ok, agora eu poderia estar provocando-o um pouquinho, mas já posso tirar a prova real de que ele quer, ou não.
-Esquece, eu tento fazer depois, porque agora não tá dando. - Sua voz decepcionada se afasta. - Pode voltar pro banho. - Diz, antes de fechar a porta.
Eu falei que era coisa da minha cabeça. Se não fosse, ele teria me agarrado aqui mesmo, e aproveitaríamos a minha nudez, e a pouca quantia de roupa dele, e transaríamos aqui. Mas Bruno não está pensando nisso, e eu sou uma idiota.

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