sábado, 11 de julho de 2015

Capítulo 20



Com todos os momentos que passaram, e a conclusão que tomei, resolvi sair em dia de semana mesmo com um pessoal do trabalho. Estávamos na quarta feira. Patricia havia chamado seu namorado, um amigo dele, e mais duas pessoas do serviço.

Não tinha tanto contato com a Patricia como parecia, mas entramos juntas na empresa, e as duas foram aprendendo com os erros, e estamos lá até hoje. Pode se dizer que somos pessoas especiais para toda aquela equipe.

O pub estava completamente vazio. Ok, na verdade umas pessoas, poucas, espalhadas, entre casais, mas nada demais. O músico tocava algo relaxante, e o garçom mexia em seu celular, sem se preocupar, já que estavam praticamente sem serviço nenhum.

Na saída, Jimmy, o amigo de Patricia, estava conversando comigo. Não há nada de muito lindo nele, muito menos O gostoso, mas há algo que faz com que passamos a prestar atenção. Pode ser seu poder labial, já que ele é uma pessoa maravilhosa de conversar. Homens loiros não fazem meu tipo, e ele tem o cabelo castanho claro, os olhos negros, de queixo quadrado e lábios delineados.

-Prefiro assistir filmes. - Ele riu e comentou, quando disse que adorava sair para dançar.

-Também gosto, mas ver filme sozinha... É pedir para assistir uma comédia romântica, abraçada em um balde de pipoca, e tapada com um edredom bem fofo.

-É assim que é bom! Principalmente quando está chovendo.

A conversa fluía tão rapidamente, tão facilmente, que nem vimos o tempo passar. Quando me toquei de que era dez e meia, falei que precisava ir embora e ele se ofereceu para me levar no seu carro. Antes de aceitar, dei tchau para todos e perguntei à Patricia se ele era confiável, e ela disse que muito, então confiei nela.

Entrei no seu carro e continuamos a conversar, com uma música bem baixinha. Quando chegamos à frente da minha casa, Jimmy beijou-me. Eu sabia que isso iria rolar. Mas as coisas estavam esquentando demais para apenas um beijo. Nossas mãos já estavam bem espalhadas por nossos corpos, e o carro começava a não ter tanto espaço quanto parecia.

-Vamos entrar? - Pergunta, mordiscando minha orelha.

-Não posso, tem gente dormindo e eu compartilho o quarto. - Era mentira, eu não compartilho o carro, mas não carrego ninguém para o meu quarto, nem para minha casa.

-No carro?

-Motel. - Gemo entre seus lábios.

E lá fomos nós, ao motel mais próximo. Pagamos a per noite e subimos nas carícias para o quarto. Trancamos a porta e nos deixamos levar pelo momento.

Esqueci completamente de avisar ao Bruno que estava ali, mas o momento não estava propício para atrapalhar apenas para dizer isso, então deixei de lado esses pensamentos e me entreguei somente àquilo.

Jimmy retirou toda a minha roupa e elogiou meu corpo, passando a mão por todo ele, e encantado com a minha barriga. Deitei de bruços pra ele, já que ele queria olhar para minha bunda, e eu gostava de me sentir desejada. Afastei as pernas e deixei que ele me deixasse completamente a vontade, fazendo um dos melhores orais que já recebi dos homens com quem transei.

Não foram muitos, eu juro.

Coloquei a camisinha em seu pau, e me neguei a chupa-lo sem. Apenas com! Não sabia onde ele havia metido aquilo, se ele tinha a higiene correta, e eu sou chata para esse tipo de coisa. Então, como estava sem graça, o oral que fiz nele não durou quase três minutos, e já partimos para o finalmente.

Não era o melhor, nem o maior, nem o mais grosso que experimentei, mas era muito bom. Ele sabia usar, sabia o que fazer, e sabia equilibrar o meu prazer com o seu prazer.

No final, quando ele gozou, recebi mais um oral, mas não cheguei no orgasmo, então fingi algo e ele deitou ao meu lado para descansar. Estávamos ofegantes, e enquanto ele passava a mão no meu braço, fazendo a pergunta mais idiota que qualquer homem pode fazer depois do sexo "foi bom pra você?", pensei apenas em que posso ter matado a vontade de fazer sexo, mas, foi apenas isso. Não consegui chegar nem no orgasmo, não consegui completar toda a missão.

Tomamos banho separadamente, e nos vestimos para irmos embora. Passava da meia noite quando pego meu celular. Três ligações do Bruno, e uma mensagem.

"Fomos dormir. Deixei comida na geladeira, caso estiver com fome.
Com amor, Bruno e Lana."


Fui para o carro dele, enquanto Jimmy pagava a conta, era o mínimo. Ajustei o som, mesmo sem a permissão dele, aumentando um pouco mais, e no caminho fomos conversando coisas aleatórias. Ambos sabíamos que nada do que aconteceu iria para frente. Foi apenas mais uma transa casual, pessoas matando a vontade, e fim.

Despedi dele com um beijo de leve, e entrei em casa. Meu coração partiu quando vi a sombra do Bruno refletindo no chão. Ele estava dormindo de mau jeito no sofá, provavelmente algo que agregaria uma puta dor nas costas no outro dia.

Senti-me mal, porque de certa forma, eu acho que ele está ali por mim, preocupado comigo, e eu idiota o deixei assim, sem notícias, por uma transa que não valeu por muita coisa.

-Bruno. - Balanço seu braço. - Me ajuda a te levar para o quarto.

-Hã? Lea? - Ele ficou confuso ao olhar meu rosto, sorri para ele que foi lindamente retribuído.

-Vamos para o quarto! - Pego seu braço e passo por cima do meu ombro.

-Uh. - Eu acho que ele tenta falar algo, mas está tão no automático que a voz falha, e ele não consegue falar nada. Apenas me ajuda para que seguíssemos até o quarto.

Lana dormia tranquilamente, então tomei cuidado para não acorda-la, e nem o Bruno fazer nenhum barulho. Ele tocou-se sobre a cama, e eu puxei a coberta para tapa-lo.

-Você demorou... - Tentou terminar de dizer algo, mas passou a língua nos lábios e os olhos se encostaram para valer.

-Boa noite, Bruno. E me perdoa. - Dou um beijo em sua testa, quase na lateral próximo ao seu olho, e ele franze, dando um sorriso terno.

Ajeito a cobertinha da Lana, e vou para o meu quarto. Enquanto mudava a roupa, meu peito se enchia de algo que eu desconheço. Dó, talvez? Bruno estava preocupado e me esperando na sala, até que pegou no sono ali mesmo - pelo ou menos é isso que eu deduzo, o porquê dele estar ali. E eu aproveitando, sem sequer pensar em pausar o que fazia para avisa-lo.

Sou uma bosta de amiga.

Depois que dormi, acordei no automático e fui trabalhar no automático. A única coisa que pensava era em comida, e minha cama, além do sorriso bobo que sempre colocamos no rosto quando fizemos algo que gostamos, por exemplo, sexo.

Ao retorno de casa, liguei para o Bruno, disse que iria passar na sua padaria junto com a Megan, e que ela nos largaria em casa, porém, ele iria pro estúdio, e pediu que eu fizesse a janta. Não tive coragem de negar, minha consciência ainda pesa com ele dormindo na sala.

Bruno Pov's

Minhas costas doíam, quebrei um copo. No estúdio, estava sem vontade nenhuma de pegar meus instrumentos. Meu dia estava péssimo e eu só queria ir pra casa e relaxar.

Peguei no sono no sofá da sala mesmo, por estar esperando a Lea na noite passada. Foi um mau jeito que me resultou nisso, e acredito tanto na Lei de Murphy, que já estou com medo do que virá para o resto. Ainda bem que o dia está acabando, e a Eleanor aceitou numa boa fazer a comida.

O cheiro estava delicioso quando adentrei a casa. Lea estava com uma roupa confortável. Uma calça larguinha e blusinha de alcinha. Minha filha quando me viu deu seu gritinho de costume e esticou os bracinhos para que eu a pegasse. Babei sob ela por muito tempo, acariciando e fazendo-a rir. Cumprimentei Lea que estava estranhamente feliz. Sorriso de quem teve um bom dia.

Pelo menos alguém teve.

-Meu dia foi uma desgraça! - Comento, quando sentamos à mesa.

-Sério? - Ela pega os talheres e dá um par pra mim. - Porque?

-Uma dor nas costas, quebrei um copo do serviço, não produzi nada porque simplesmente estava com bloqueio. - Respiro fundo. - Ainda bem que a noite está aí, e não tem mais o que acontecer de ruim.

-Ao não ser que caia um meteoro aqui. - Lea ri da própria piada.

-Do jeito que está? Eu é que não duvido. - Passo a mão na testa antes de começar a comer.

Dei mama para a Lana e a pus para dormir, enquanto Lea lavava a louça que sujamos. Apesar de tudo ter dado errado hoje, só sou grato por tê-las em minha vida. E ontem eu vi o quanto me preocupo com a Lea. O quanto queria saber o que ela estava fazendo e o porquê da demora, mas não por cobrança, apenas por saber se ela estava em segurança.

Sentamos na sala, como de costume, e ligamos a televisão, como de costume também.

-Iria perguntar se não iria tocar hoje, mas esquece. - Ela ri como se tivesse pensado bobagem.

-Eu queria, e precisava, porém não vai dar hoje.

-Tô sabendo. - Lea estala os dedos das mãos, com um meio sorriso na boca. - O que houve além de estar com esse azarão?

-Precisa de mais? - Arregalo os olhos. - Não sei... E essa felicidade? Estava onde ontem?

-Fui ao pub com a Patricia, como tinha te dito. Ai foram mais uns colegas, o namorado dela e o amigo dele, Jimmy. - Ela faz uma pequena pausa, e só de imaginar o porquê ela sabe o nome dele e deixou para falar por último, já posso criar o que aconteceu com minha mente. - Nós conversamos, eu e o Jimmy. Ele é bem legal, bom de papo, nem tão bonito do meu gosto, mas... Nós saímos e conversamos, até que fomos para um motel. Ai bem, você já sabe o resto.

-Motel?

Engulo a seco o que ela diz. Quer dizer que ela pode transar com um homem que conheceu em menos de vinte e quatro horas, mas não pode transar comigo? Não sei o porquê fiquei com raiva, queria bater nela até ela ficar comigo e dizer que foi mentira, e que ela não transou com ninguém.

Mas, era verdade. Ela estava sorrindo! Ainda contou que não foi tudo isso, mas que matou parcialmente a sua vontade. Sempre soube dos detalhes das suas transas, mas nada é como agora, que fiquei irritado com isso, e não quero nem ouvir falar nesse Jimmy.

-Por isso cheguei àquela hora.

-Deveria ter avisado, poupava boa parte das minhas dores de hoje.

Claro, se me avisasse vacinaria a dor sobre ela estar com outro alguém, e eu não estaria com essa puta dor nas minhas costas. Agora sim aplico a lei de Murphy. Se algo pode dar errado, ele vai. E vai mesmo, porque não dá pra crer o quanto eu estou azarado hoje.

O resto da conversa ficou com cara feia. Não conseguia fingir quando não estava gostando de algo, sou expressivo ao extremo, assim como Lea também é. Ela identificou que eu não estava contente e disse que ia escovar os dentes para dormir, então arrumei minhas coisas para o outro dia e fiquei esperando para usar o banheiro também.

-Boa noite, Bruno. - Eleanor veio para dar um beijo em meu rosto, e sem querer, não o retribuo. Apenas dou um sorriso falso, sem vontade, e viro-me para o banheiro.

Entender o que estava acontecendo comigo era prioridade, por isso refleti quando me deitei na cama. Fiquei pensando quando que isso começou, e o porquê eu a tenho assim pra mim. Talvez eu esteja carente de amor, aquele aconchego, ou talvez eu apenas queira que a Lana tenha uma família assim como eu tive. Ou apenas eu queira porque queira, porque é a minha vontade e eu preciso satisfazê-la.

Não mais. Depois do dia de hoje, pode ser meio radical, mas não quero pensar nesse tipo de coisa. Não com ela. Talvez tenha razão, nós somos apenas amigos. Amigos que talvez se pegue um dia, porém, sem emoções, como eu que já estava confundindo tudo.

Quando acordei, um pouco mais cedo do que de costume, com a Lana chorando, ela estava se mexendo, com o rostinho vermelho. A peguei no colo e levei até minha cama para ver se era a fralda suja, mas estava apenas com xixi, e isso não era motivo dela chorar daquela forma. A embalei mais um pouco, levando-a junto comigo para fazer sua mamadeira. Ela continuava a chorar, e eu não fazia ideia do que estava acontecendo, só sei que meu bebê não estava bem.

Olhei para a porta do quarto da Eleanor, que estava fechada, e mantive meu orgulho. Eu vou tentar saber o que minha filha tem, não preciso que ela venha me dar toques, ou um pré-exame dela. Lea que continue dormindo, já que ela teve uma noite muito puxada ontem, dormiu pouco porque simplesmente estava se esfregando com um completo desconhecido.

Se eu estava brabo? Não! Estava puto ainda. Preciso de alguém para transar também. E esse alguém não vai mais ser ela, tem que ser outra pessoa.

Minha filha puxa minha camisa com força, seus olhinhos inchados dizem que ela está há tanto tempo chorando, que eu preciso fazer alguma coisa. Preciso deixar meu orgulho de lado e cuidar da minha pequena, ela sim é a única digna de algo dentro dessa casa.

Bato na sua porta, e ela não atende. O sono foi bem profundo, não é mesmo?! Abro, sem me importar em ser devagar, e a porta faz barulho. Ela de mexe, olhando para o lado, ainda muito sonolenta, e nos seus olhos eu não consigo sentir a mesma raiva que estava quando não a olhava. De repente tudo desaparece e minha filha aponta para ela, que senta rapidamente na cama.

-Não sei mais o que fazer. - Estico os braços para entregar Lana. - Ela não para de chorar.

-Você já...

-Já. - Não a deixei terminar. - Já verifiquei fralda, dei mama, tudo! E ela está dessa forma.

-Bruno, ela está com febre! - Lea levanta desesperada até seu guarda roupas, com a pequena no colo. - Como não viu isso?

-Eu não sei. Me julgue por não saber esse tipo de coisa.

-Você... - Ela pareceu pensar bem antes de começar a falar, e mudou seu prumo. - Levamos no hospital?

-Não sei! - Passo a mão pela cabeça. - Quanto está a febre dela?

-Isso não é instantâneo, Bruno! - Usa o mesmo tom de voz que estou usando, de desdém.

-Meu amor. - Aproximei-me dela e por instantes eu tenho a impressão que ela pensa que falei isso a ela. Porém, toco no braço do meu bebê. - Você já vai ficar boazinha. - Beijo o bracinho e vejo seu beicinho pequeno, olhos inchados. Meu coração se despedaça por completo, se enche de pena e remorso.

No final, minha filha apresentava mais do que o normal da febre, em torno de 38°, e com isso corremos para o hospital, avisando nossos serviços que chegaríamos um pouco atrasados no dia de hoje. Ashley acabou me dando o dia para tratar da minha filha, e Lea combinou de ir trabalhar após o meio dia.

Lana estava com otite. O médico disse que eu não deveria me preocupar, e que a febre atacou por algum problema emocional, que não tinha nada a ver com a otite. Deu-me um remédio que deveria pingar em sua orelha, alguns cuidados que deveríamos tomar, e ainda perguntou se ela passou por algo desagradável esses dias. Mas, nem eu e nem Lea notamos nada que pudesse afeta-la emocionalmente.


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