quinta-feira, 18 de junho de 2015

Capítulo 14


Eram mais de nove quando jogo as cobertas pro lado, ainda no quarto do Bruno.

Agradeço mentalmente por ser final de semana e me sento na cama.

Bato os olhos no berço de Lana, minha primeira preocupação, e não a acho. Logo tenho certeza que Bruno já a levou para algum lugar da casa. E o pensamento em Bruno me faz lembrar da noite anterior. Passo a mão pelas minhas próprias coxas e balanço a cabeça, risonha. Ele parecia com medo de tocar em mim, mas mesmo assim, foi muito bom. Fecho os olhos relembrando de suas mãos quentes e sinto uma comichão percorrer meu corpo, Bruno está me deixando doida.

Levanto e preguiçosamente ando até o banheiro, ouvindo sua voz batendo papo com Lana na cozinha, como se ela pudesse o responder. Adorável.

Tomo meu banho e me enrolo numa toalha branca que mal cobre linhas coxas.

Sorrio com minha ideia.

Bruno Pov’s

Lana mordia um brinquedinho, no moisés, que eu havia colocado em cima da mesa.

Eu estava fritando um pouco de Hash-Browns, e a deixei no fogo enquanto quebrava dois ovos.

- Bom dia. - Ouço a voz de Lea e viro para olhá-la.

Tudo que desejei na noite anterior vem à tona de uma vez só.

Lea estava enrolada numa toalha branca, deixando suas coxas e boa parte de seu decote de fora. Os cabelos molhados estavam bagunçados e eu imagino que era assim que ela deveria parecer depois de uma boa sessão de sexo. O pensamento faz meu corpo esquentar rapidamente.

- Bom dia. - Ela repete, sorrindo. Sorrindo! Só de toalha! Na cozinha!

- B-Bom dia, Eleanor.

Ela ri.

- Eleanor? Há séculos você não me chama assim.

- É. - Viro de costas, tentando e não querendo vê-la. Preciso me controlar.

- Estava pensando se podíamos sair com Lana, para um parque. Fui colocar minhas roupas e pensei que você poderia querer sair.

Lea se inclina para mexer na bochecha gordinha de Lana, ficando de costas para mim, segurando a toalha com uma mão só e instintivamente desejo que o tecido caísse.

- Uhum. - Assinto, olhando para sua bunda. Puta que pariu.

- Vamos sair, então? - Pergunta, e na falta da minha resposta, ela vira e sorri ao ver para onde eu olhava. Posso jurar que é um sorriso safado.

Mudo o olhar para Lana rapidamente.

- Vamos. Claro.

- Então vou colocar minhas roupas. E venho cuidar a Lana para você se trocar, ok?

Penso na noite anterior. Nas minhas mãos em seu corpo e respiro fundo, tentando não amaldiçoar aquele pedaço de pano minúsculo.

- Certo. Não demore.

Ela assente e vira de costas novamente, me permitindo olhar para a obra de arte que seu traseiro é, e sai rebolando para a cozinha.

Meu olhar acompanha seu corpo, e eu só percebo o sorriso dela quando ela já tem a cabeça levemente virada para me encarar. Já estava fodido, mesmo, não faço questão de disfarçar para onde estava olhando.

- Bela bunda, Lea.

Ela apenas ri e diz:

- Está queimando, Bruno.

Volta a andar, e eu demoro alguns segundos a entender o que ela quis dizer. Xingo um palavrão alto, desligando o fogão rapidamente e me desculpo com Lana pela palavra feia.

Minha filha ainda mordia o brinquedo, completamente alheia ao meu desespero sexual.

Me encosto na parede, logo após ter certeza que teria que cozinhar tudo de novo, e murmuro alguns palavrões que ainda estavam presos em linha garganta.

Lea estava brincando com fogo. E ela também iria se queimar. Nesse jogo, dois podem brincar.

Mas a carne é fraca, e ela se aproveita disso.

Maldita Lea!

Eleanor Pov’s

Empurrava o carrinho da Lana, enquanto Bruno caminhava sincronizadamente ao meu lado. Conversávamos sobre muitas coisas, principalmente o duro que ele está dando com a canção e com as outras que anda escrevendo. Preferimos que ele não me mostrasse nada até ficar pronto, porque de acordo com ele, minha cara pode fazer ele desistir de tudo, sendo que eu sei que irei achar bom, porque tudo que ele faz fica bom.

Passavam das quatro da tarde, sentamos em um banco na sombra de uma árvore. A visão para o letreiro de Hollywood era incrível dali, e nunca me cansaria daquilo. Algumas pessoas observavam, alguns turistas, o que era mais do que comum, e outras se exercitando. Lembrei de quando coloquei a meta de que iria começar a correr para cuidar de mim, mas agora com a Lana, era impossível, somente quando ela ficar um pouquinho maior.

-Quero pular pra parte que eu já fico rico. - Bocejou, colocando a mão na boca.

-É uma luta até lá, mas imagine daqui uns anos...

-Cinco anos. - Me interrompeu.

-Quer estar onde daqui cinco anos?

-Com a carreira estourando! Lea, preciso decolar, preciso disso, sabe?

-Eu não sei, mas imagino! Sei que deve estar maluco com isso.

-Há anos, talvez. Meu sonho pode estar próximo com essa música do FloRida, como pode estar no fim.

-Fim? Pouca fé, hein! Bruno, pensa positivo. Uma música pra ele, é uma música pra ele. - Balanço a cabeça, dando uma espiada na Lana. - Quer dizer, ele tem nome, sabe? E se a música estourar, mais pessoas vão te procurar, mais você vai ser reconhecido.

-Sim, mas tenho que ter um plano B para caso a música não estourar.

-Bruno. - Passo a mão em meu cabelo, preciso me controlar pra não bater com a cabeça dele contra o banco e fazê-lo entender que ele é bom, e que não precisa pensar negativo. - Vai dar certo, ok? Só acredita.

-Eu sei que vai, mas...

-Para com esse mas, Bruno! Caramba. - Perder a paciência com certas coisas era muito mais do que minha personalidade, era meu sobrenome.

-Fácil falar, okay? Não é você que tá sentindo isso.

-Isso era pra ser um passeio legal. - Gesticulo com as mãos o parque. - Lana está esperando você para de se lamentar e acreditar no seu potencial. Pegar ela no colo e mostrar umas plantas pra ela, conversar com ela.

-Desculpa. - Bruno bufa, deve estar puto comigo, e eu não estou nem ai.

Ele pegou Lana no colo e falou algumas coisinhas, enquanto ela abria e fechava os olhos. Apesar do paninho que estava protegendo seu rosto, deveria estar calor demais, e sol demais, no seu rostinho.

-Bruno? Arruma o paninho do rosto dela. - Peço, e ele finge que não me escuta. Continua a olhar para o nada, deixando a pobrezinha com sol no rostinho. - Bruno! - O chamo mais alto.

-O que é? - Se segurou para gritar, mas apenas trovejou.

-Pedi que arrumasse o paninho do rosto dela. - Me acanho no banco.

-Eleanor, com licença, eu sei cuidar da minha filha!

-Tudo bem...só que ela está pegando muito sol forte, Bruno.

-Dá minha filha, cuido eu! - Urrou, lançando o pior olhar que poderia me dar.

Não, ele não pode estar querendo levar isso pra uma discussão, mas eu também não devo ficar ouvindo esse tipo de coisa como um panaca. Espero um casal passar, com água nas mãos, e levanto do banco. Como Bruno já estava de costas pra mim, foi somente encostar no ombro dele para que ele virasse.

-Está sendo um imbecil! Eu cuido dela toda a noite pra deixar você dormir. Eu que estou sempre me preocupando com coisas que não deveria!

-Se prestou pra isso por que mesmo? - A frieza do seu olhar não me deixou ficar pra baixo. - Se não quiser fazer, é só falar. É o mínimo...

-Cala a boca, será bem melhor se não falar nada. - Esbrevejo, vendo o seu semblante mudar completamente.

-O que é, hein? Tirou o dia pra me incomodar hoje? Isso é TPM?

-Eu incomodando você? É ao contrário! Minha única TPM de hoje é você.

-Me chamando de chato por tabela, quanta inconveniência, Lea.

Bruno se virou para por Lana no carrinho, e enquanto fazia isso, puxo seu ombro para que ele olhe pra mim.

-O que tem hoje, hein? Não transou? - Travei minha mandíbula, usando tudo o que passou na noite anterior contra ele.

-Não!

E por uns, talvez bem longos, segundos, ficamos nos encarando. Eu sei que ele queria falar muito mais coisas, e onde tudo isso começou? Era melhor que ficássemos calados do que acabássemos brigando feio. Esse tipo de coisa quase nunca acontecia, mas quando acontecia, era difícil de lidar.

-Vou levar minha filha pra casa. - Pegou o carrinho, dando a volta por mim e andando em frente.

-A bolsa dela. - Alerto-o sobre a bolsa sobre o banco.

Bruno larga o carrinho, pega a bolsa e põe nos seus ombros, andando em frente. Espero que ele vá alguns bons passos até começar a caminhar logo atrás. Ele diminuiu seu ritmo, então aproveito para prender o cabelo enquanto andava.

Não podia acreditar que depois de todos esses anos sem uma briguinha - mais ou menos três anos sem nenhuma discussão, tirando a boba sobre qual marca de ketchup era melhor -, iríamos discutir logo agora e por um motivo tão bobo. Minha noite havia sido ruim, com aquela ausência do sono, melhorou quando as coisas quase esquentaram no quarto dele, mas agora pareceu que ele estava procurando motivos para poder brigar comigo, como se eu tivesse culpa dele não ter continuado, ou me perguntado. Se ele ao menos tivesse feito isso...

Era apenas transa, ele poderia ter insistido, e não saído da sua cama como se eu tivesse incomodando.

Caminhei, e ele diminuiu o passo ao bastante para que eu chegasse ao seu lado, ai sim pegou o meu ritmo. Lana chorou, a fome já deveria estar grande. Ele para, e eu paro junto, mesmo querendo continuar a caminhar e chegar em casa antes dele, antes de precisar trocar palavras.

Se enrolou completamente quando pegou a mamadeira do portador térmico. Não sabia se apartava o choro, ou se pegava a mamadeira antes. Não ajudei, tenho esse péssimo defeito de orgulho nessas situações. Se ele disse agora a pouco que eu ajudava porque eu queria, então talvez não ajudasse agora porque não quis. Mas o dó de deixar minha pequena chorando daquela forma afetou meu coração. A peguei no colo, e embalei.

-Mamadeira. - Peço, não na minha versão mais simpática.

Bruno me entrega a mamadeira e eu dou pra ela. Pessoas passavam por ali, como passavam antes, mas dessa vez parecia que éramos o foco. Não sei se não tinha percebido antes, mas todos pareciam nos notar ali parados e eu dando mama pra ela.

-Que lindo o casal. - Uma senhora baixinha comenta com a outra que estava ao seu lado.

Olho pra Lana, que mantinha seus olhos fixos em meu rosto, balanço a cabeça sorrindo pra ela. Eu entendia ela, entendia seus olhares, era uma conexão maior do que qualquer coisa.

-Lea? - Bruno me chama, mas não faço questão de olhar pra ele. -Eu não queria dizer aquilo...

O ignoro! Odeio discutir com qualquer pessoa, principalmente com ele. Continuei a dar o mama e quando ela terminou, entreguei a mamadeira em suas mãos e andei com ela no colo até ela arrotar. Aproveitou para vomitar minha blusa completamente.

-Porquinha. - Mexo na sua bochecha, e ela faz uma careta engraçadinha.

Ele ri do que aconteceu e eu permaneço da mesma maneira que estava antes. Não estou braba, estou chateada. Sei que falamos coisas que não pensamos às vezes, mas ele deveria medir um pouquinho mais o que falar e quando dizer. Magoou a forma com que ele falou que a filha era dele. Eu sei que é, ninguém precisa me dizer.

O caminho todo fedendo a vomito de leite, uma delícia, e aquele clima de gelo. Bruno já tinha baixado a sua guarda, estava mais recuado, com medo depois que eu o deixei falando sozinho.

Entramos em casa e ele cuidou da Lana enquanto peguei minhas coisas para um bom banho, que é o que eu precisava no momento.

Deixei com que a água corresse pelo meu corpo, assim como seus dedos correram em algumas partes ontem. Podia sentir o comichão nas partes onde ele tocou. Sentia falta disso, falta de sexo, falta de carne na carne. A água levava junto aquela pequena mágoa que ele me deixou à tarde. Conhecendo do jeito que eu conheço, sei que ele pedirá desculpas daqui a pouco. Envolvo-me na toalha e saio do quarto, em direção ao meu quarto no final do corredor. Quando fecho a porta, não o vejo, mas queria tanto que ele me visse dessa forma.

Visto-me já para dormir, não iríamos sair de casa então não tinha necessidade de colocar roupa mais requintada. Um short soltinho, cinza, uma blusinha de alcinha de cachorrinho completamente broxante. Passo creme em minhas pernas, meus braços, minha barriga, antes de vestir a roupa, a mão em meu corpo me faz lembrar das carícias que eu estou precisando. Fisgo meus lábios, fechando os olhos e balançando o pé.

Definitivamente, eu preciso de alguém.

Saio do quarto, já vestida, com meu celular em mãos. Ando mexendo mais nele do que achava que iria. A sala já estava escura, cortinas fechadas, a televisão ligada, um edredom, e o refrigerante na mesa de centro.

-Uh? - Franzo a testa tentando entender o que estava acontecendo.

-Vamos ver filme, comendo pizza, sim?! - O olho, tentando decifrar esse pedido de desculpas. - Lea, me desculpa, por favor! Eu juro que não queria falar nada daquilo.

-A gente nunca quer. - Agora o vejo encarar meu corpo e minha roupa como quem as tirasse.

-Então! Me desculpa, só isso! Nunca quis falar aquilo, apenas saiu.

-Tá.

-Tá?

-É, tá, tá desculpado. - Dei de ombros, pegando o telefone da casa.

-Vai ligar pra pizza?

-Exato.

Peço a pizza, metade do meu sabor, metade do sabor dele. Quando ia me sentar no sofá, ele me abraça por trás. Sem querer suspiro alto, quase gemido, não queria ter feito isso, mas ele me pegou completamente desprevenida.

-Me desculpa. - Disse um pouco mais próximo do ouvido.

-Já está desculpado. - Pego a sua mão que me abraçava. - Onde está a Lana?

-Dormindo por enquanto. O dia foi cansativo pra ela.

-É pra nós também. - Desvio do seu abraço e sento no sofá. - Você atende o entregador, você paga.

-Eu? - Rindo, ele pergunta.

-Claro, mais justo quem deu a ideia, correto?

-É injusto! Vou querer algo em troca!

-Um copo de refrigerante. - Aponto para o refrigerante. - Que filme temos?

-Muitos.

A guerra de escolher qual filme iríamos olhar começou na hora, e terminou quase vinte minutos depois, quando a pizza chegou. Decidimos algo mais leve do que filmes de terror, então pegamos qualquer comédia e colocamos, menos aquelas pastelões, que me tiram do sério.

-E no final, ele vai ficar com essa menina. - Bruno tenta concluir o filme todo apenas olhando a capa, enquanto introduzia o DVD.

-Aham. - Reviro os olhos. - Senta, porque eu quero comer.

-Desculpa. - Ergueu as mãos.

O filme já tinha começado há um tempo. Bruno estava praticamente dormindo, o filme era chato demais, então optemos por tirar. Qualquer programa na televisão estava de bom tamanho. A pizza esfriava sobre a mesa, e o refrigerante esquentava, o assunto entre nós não parava.

Minhas pernas estavam sobre as suas, estava atirada no sofá, enquanto ele apenas sentado, mexendo em minhas canelas.

-Não seria problema isso. – Conversávamos sobre menstruação. Como o assunto foi parar aí? Comercial de absorvente.

-Bruno, fala isso porque nunca teve que passar por isso, é horrível!

-É apenas sangrar por alguns dias.

-É, e ter dores horríveis, não poder transar.

-Não poder transar?

-Vai dizer que já transou com alguma mulher menstruada?

-Não...

-Então, poder até podemos, mas é extremamente nojento.

-Quanto tempo não transa com alguém? – O tipo de pergunta que eu mesmo me faço. O encarei bem antes de responder, pensando no que aquela resposta serviria pra ele.

-Um ano e meio, talvez. – Dou de ombros.

-Como aguenta tanto tempo?

-Ah, Bruno... sei lá. Algumas vezes não nos aguentamos...

-Como assim?

-Você quer saber se eu me masturbo? – Pergunto de uma vez o que ele não tem coragem de falar. – Sim, muito já fiz disso.

-É estranho mulher admitir isso.

-Mas o que eu posso fazer, preciso matar minha vontade. E você, quanto tempo sem uma mulher?

-A última foi a Diana, ela estava grávida da Lana, estávamos aqui em casa, sozinhos, acabou rolando. Uns seis meses atrás, sete.

-Quanto tempo, hein! – Seu olhar sobre o sofá me fez pensar em coisas que talvez não quisesse imaginar. – Não.

-O que? – Já perguntou se rindo.

-Não! Bruno, que nojo. Você transou com ela em cima do nosso sofá?!

-O que que tem?

-Lana irá brincar nele um dia. – Faço uma cara de nojo e imito o som do vômito. – Nojento.

-Normal. Um dia vai ser você!

-Sabe que eu não trago pessoas pra dentro de casa, e bem, espero não começar a namorar tão cedo.

-Mas não precisa ser uma pessoa desconhecida.

Foi o momento mais embaraçoso, tirando o da noite passada, que eu olhei para o seu rosto fixado no meu. O olhar sugestivo dele me fez engolir a saliva a seco, querendo enfiar a cara num buraco, simplesmente por não ter nenhuma resposta ao que ele falou.

-Quem sabe. – Tiro a coragem de algum lugar que não reconheço, e ele dá um sorriso sacana, de canto, apertando a mão na minha canela, e com a outra dando um tapinha.

Não quero imaginar o quanto ele pode ser gostoso na cama. Não posso, Jesus.

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