Imagens na minha mente passando repetidamente
Vou tocar para afastar a dor
Sei como gritar meu próprio nome
Vou me amar, não preciso de mais ninguém
(Love Myself - Hailee Steinfeld)
Trinta de dezembro de dois mil e onze
Eleanor Pov’s
-Dá tchau pro papai e vem aqui pra terminar de ajeitar esse cabelo.
A vejo correr do seu quarto para a sala. Seus cabelos estavam indomáveis, realmente o shampoo novo que testamos não deu muito certo, seu cabelo é grosso, não é bem definido, nem cacheado nem liso, é um pouco dos dois.
-Manda ela me dar tchau, mas não vai se despedir de mim. – Ele aparece de mãos dadas com ela na porta. – Só irei te ver ano que vem.
-Meu Deus, como não pensei nisso antes? – Finjo estar chocada e largo a escova dela sobre sua penteadeira. – Quem está saindo é você, o certo é você me dar tchau.
-Como se você ligasse pra isso. – Abriu os braços para me abraçar. – Lana, ache a Umma e peça pra ela ajeitar as suas mamadeiras. Mas fique lá para ver o que ela irá por, ok?
-Ok. – Ela correu pra fora do quarto e eu dei um tapa nas suas costas, de leve.
-Não tem nem vergonha na cara de mandar a sua filha atrás da Umma.
-Precisava me despedir decentemente.
-Você é incontrolável.
-Só terei um beijo seu ano que vem.
-Irá usar essa desculpa pra tudo?
-Tudo. – Enlaçou seus braços em minha cintura. – Não podemos perder tempo.
Senti seus lábios sobre os meus e iniciamos o beijo. Sempre fico inebriada com eles, me sinto em outra dimensão, longe daqui, isso acontece a pouco tempo. Sua língua dançava com a minha num ritmo gostoso.
Sinto saudades dele.
-Até o ano que vem. – Diz-me, depositando um selinho em minha boca.
-Gostou mesmo de falar isso. – Reviro os olhos e ele segura minha mão, saindo pela porta.
Bruno e eu estamos num momento sem sexo. Porque? Nenhum de nós dois sabe. Desde que voltamos de Paris ele não tem parado em casa, e quando está, ou está aproveitando um pouco ou está com a Lana. Em sumo, estamos somente dando beijos e às vezes trocando algumas carícias.
Tinha pedido que minha mente esclarecesse as dúvidas que eu tinha perante nós dois, que me dessem uma luz, e me deram. Acho que o que eu senti foi apenas carência. Mas estou com saudades do seu corpo no meu, muitas saudades.
-Tchau. – O ouço gritar da sala, e isso que é um pouco longe, berrei de volta e logo Lana chegou, dando pulinhos e sentando na cadeira.
-Pode pentear, mamãe.
ზ
Às quatro e quinze da tarde embarcamos no avião diretamente para o Havaí. Chegamos ao aeroporto com a recepção da minha família, meu pai e minha mãe. Lana a estranhou durante os primeiros momentos, ao meu pai também. Ficou se escondendo em minhas pernas, escondendo o rosto, evitando responder, mas assim que passou mais ou menos meia hora que estávamos juntos, ela cedeu e ficou toda boba com meus pais.
-Ela me lembra de você. – Meu pai observa pelo espelho retrovisor. – Sua irmã ficava tentando conter a sua energia inacabável e você dava um baile em todos nós.
-Menos na sua avó, essa falava apenas uma letra e você já obedecia. – Minha mãe riu, olhando para frente, por onde meu pai dirigia.
Deixei de observar a Lana para prestar atenção em meus pais. Minha mãe havia retocado a cor do cabelo, deixado um pouco mais curto, na altura dos ombros. O cabelo do meu pai ainda continuava da mesma forma, mas havia algo em seu rosto que estava mais rejuvenescido.
Não havia felicidade maior de estar com a Lana e com eles. Os ver depois de tanto tempo sem vir aqui, e com eles teimando sobre ir para Los Angeles, é muito bom. Estar com pai e mãe é confortável. Nunca tive muito do que reclamar dos meus pais por me sentir presa, eles sempre confiaram em mim e tinha minha irmã para me cuidar, mas estar livre é sempre bom, porém, depois de tempos, voltar pra casa no conforto e colo dos pais é uma sensação maravilhosa.
-Eu vejo muito do Bruno nela. – Respondi, depois de algum tempo olhando para eles e pensando longe. – Muito mesmo. – Olho para Lana que me encara.
-Eu sou parecida com o papai?
-É... E muito. – Passo a mão no seu cabelo.
-Você é louca. – Balança a cabeça, falando como gente adulta.
-Olha isso, que abuso! – Reclamo para os meus pais que riem, e eu também.
-Você é parecida com quem, Lana?
-Com a vovó. – Cruzou os braços, deixando a boneca cair no chão do carro.
-Qual vovó? – Pergunto e ela pensa, olhando para cima.
-Todas as vovós que eu tenho, oras. – Fez um movimento com a mão, como se dissesse o óbvio, descruzando os braços.
-Tem certeza que ela ainda não tem quatro anos?
-Eu tenho assim. – Mostrou sua mão aberta, com os cinco dedinhos.
-Não, amor. – Peguei sua mão. – Você tem assim... – Ajeitei seus dedinhos formando o três.
-Assim? – Olhou, desconfiada.
-Esse tipo de coisa ela aprendeu com você. – Eles começam a rir no banco da frente e eu me abaixo para pegar sua boneca.
Quando chegamos na garagem da minha antiga casa, veio novamente aqueles sentimentos loucos e a nostalgia contínua de sempre. Vi duas meninas e um menino andando de bicicleta pela rua e umas mulheres sentadas frente a uma casa.
-Você vai falar pra ela quando? – Pergunta minha mãe quando nós fomos pegar as malas no carro. Lana estava com meu pai, e ele estava lhe mostrando um vasinho de flor. – Digo, já pensaram sobre isso.
Não havia nem pensado nisso. Sabia que ela estava se referindo a sua mãe biológica, mas, sinceramente, nem pensamos mais nesse caso. Nunca mais falamos sobre isso...
-Ainda não conversamos sobre isso.
-Pois conversem. Expliquem pra ela desde pequena, para que quando ela cresça, ela tenha consciência. Imagina se ela descobre quando estiver naquela fase rebelde?
-Tem razão.
-Ela irá ficar com remorso, vai doer. É melhor conscientiza-la desde agora.
-Parei pra pensar nisso agora, e realmente tem razão. Preciso conversar com o Bruno sobre isso.
-Então nem pensou na possibilidade de aquela mulher voltar?
-Não. – Balanço a cabeça. – Ela não voltaria.
-Nem mesmo com o Bruno sendo famoso?
-Eu creio que não. A família dela já era de bom status, mamãe, mas ela nunca deu importância pra isso. Sempre foi mais simples no quesito dinheiro e vivência. Ela só queria ser feliz.
-Você entende o lado dela agora? – Olhou-me, espantada, diria eu.
-Entendo, mas não entendo. Acho que o amor de mãe é forte demais e querer ser livre e viajar pelo mundo não justifica ela ter abandonado a filha, mas cada um sabe dos seus problemas e a Lana está bem melhor ser ela.
-Mas e os pais?
-Eles eram mais doidos que ela, mamãe. – Balanço a cabeça rindo. – Meio hippies.
-Que demora. – Pôs a mão na cintura, dizendo em alto e bom som.
-Vê se eu posso com essa miniatura abusada, mamãe? – Corro para perto dela, e antes mesmo ela já começa a rir. – Esse abuso só passa depois de muitas cócegas. – Mexo meus dedos rapidamente em sua barriguinha e ela ri, gargalha alto, provocando o riso até mesmo dos meus pais.
Passamos o dia juntos. Liguei para Bernie avisando que já estávamos ali e ela disse que passaria mais tarde na casa. O dia todo não digo, pois já chegamos tarde no Havaí, mas deu pra aproveitar um tempinho com meus pais até a Bernadette chegar, junto da Presley e da Tiara.
“Chegaram bem? Já estou com saudades! Como ela está?”
Recebo a mensagem do Bruno enquanto estou arrumando as coisas da Lana para Bernie leva-la para sua casa. O combinado era ela passar essa noite com eles e amanhã durante o dia nós irmos pra lá ajudar a arrumar a casa para a virada da noite.
“Sim, chegamos. Ela está ótima, desinibida e sorridente... Estamos com saudades”
-Mamãe. – Me chamou indo para frente da porta do banheiro. – Xixi.
-Eu levo você, princesa. – Presley a pegou no colo, carregando-a para dentro do banheiro e reclamando do peso.
“Eu imagino. A família está bem?”
“Estão todos ótimos. Mandarei algumas fotos mais tarde pra você no twitter. Aliás... Minha mãe perguntou sobre o assunto da mãe da Lana... Teremos que ir preparando o terreno para que ela saiba.”
“Quando nos vermos conversaremos sobre isso.”
“Temos que falar com a Umma também, explicar para ela a história.”
“Novamente, veremos isso depois.”
“Tudo bem!”
Grosseiro. Não entendo se estou sensível ou se realmente ele fugiu do assunto. Não tem nada demais nisso. Sei que é melhor conversarmos pessoalmente e que não é algo com extrema urgência, mas poderíamos dar uma introdução.
Ok. Prometi que não iria me estressar.
Larguei o celular e desci as escadas com a mala da Lana e dois brinquedos em mãos.
-A mala dela é maior que as minhas. – Tiara olha para a minha mão.
-Ah, não é mesmo! – Bernie a interrompe. – Você tem que sentar em cima pra fechar.
-Ninguém precisa saber, mamãe. – Disse entredentes, dando um sorriso para disfarçar.
ზ
Fomos pela manhã para a casa da Bernie, almoçamos todos juntos e fomos para a piscina de tarde. Jaime chegou a tarde com seus filhos, o marido e Cindia veio junto com o Liam. Eric irá vir com o Bruno no dia de amanhã.
A farra estava certa na piscina. Brincamos mais do que as crianças, mas logo deixamos de lado e começamos o trabalho. Fizemos as comidas, reservamos as coisas, enchemos algumas bolas para pôr na piscina e uns detalhes de enfeites, como tiaras, faixas, e acessórios, com o tema de ano novo.
Bernie ligou para umas amigas dela que viriam pra casa dela e Tiara falou com seus amigos que também viriam. A virada seria exatamente na prainha reservada que tem nos fundos da casa, com fogos e tudo mais, depois voltaríamos para a casa e faríamos a festa.
Não demorou muito para a família dele começar a chegar. Sua avó, seus tios, primos, filhos dos primos, e tudo mais. Era muita gente. Tanta gente que, a música posta foi tapada por zunidos e conversações paralelas. Risadas e longas histórias.
Já estava tudo finalizado, minha irmã havia chego com o meu cunhado e enturmando-se com grande parte da família do Bruno, inclusive com a Cindia, e não houve nenhuma parte estranha. Elas se aceitaram bem, já que o que aconteceu no passado, ficou no passado. Ficaram conversando por muito tempo.
Lana estava com seus primos, tendo cuidado deles mesmos que estavam sendo atenciosos com ela. Me entrosei com os demais amigos da Tiara e para minha surpresa, ela tinha convidado o Kai, mas ele estava com outros planos.
-Seu celular está tocando. – Gritou Kyle.
-Atende pra mim. – Respondo, passando rapidamente para ir ao banheiro.
-Lea. – Chamou Debra, com um copo de bebida na mão, uma das meninas amigas de Tiara.
Fui ao banheiro e voltei, sendo arrastada por Jonah até o nosso grupinho. Debra falava sobre alguns micos que pagou quando tinha bebido demais e eu somente me perguntei porque ela não para de beber então. É meio óbvio que, quando algo te traz problemas, você elimina ele da sua vida. Assim resolve quase sempre.
Consegui ir até onde minha irmã estava e Kyle me entregou o celular.
-Bruno ligou! – Avisou. Olhei seu número nas discagens.
-Ah, obrigada. – Agradeço. – O que ele queria?
-Dar feliz ano novo. Lá já é meia noite.
-Nossa.
Tentei retornar a ligação, quatro vezes, mas não deu certo. Só chamava e ninguém atendia. Ele deve estar comemorando e continuando seu show, já que é o show da virada.
Retornei aos meus amigos, procurei a Lana, dei atenção a ela. Me dividi em muitas para estar sempre entrosada com um e com outro. Não queria ser mal vista por ninguém ali.
Olhei para um dos amigos da Tiara que chamou minha atenção. Usava óculos, cabelos pretos bagunçados, roupa nada extravagante e um sorriso encantador. Lindo e chamava a atenção. Pelo menos a minha atenção sim.
Fiquei encantada por ele por algum tempo e, pode ser da minha cabeça, mas ele olhava pra mim em alguns momentos.
Peguei Lana pela mão e caminhamos todos para a praia. Estava vestindo um vestido listrado, preto e branco, e por baixo um biquíni preto. Lana estava de short jeans e blusinha de alcinha rosa. Chegamos à beira da praia e preparamos o resto dos fogos para a queima. Algumas pessoas já estavam fazendo isso, o céu ajudava porque estava bem estrelado. Do mar vinha a calma e a tranquilidade, assim como tem que ser, mas um ventinho chato batia de vez em quando, porém nada com que se preocupar.
Quando deu meia noite e os fogos foram acessos, abraçamos nossos entes queridos. Fiquei abraçando minha família, Lana e a família toda do Bruno. Bernie parou-se ao meu ombro para desejar-me coisas tão bonitas que eu chorei de emoção. O primeiro choro de 2012.
-Não chora. – Riu e me descontraiu. – Sabe que eu sou grata por tudo que você fez. Eu amo você, Lea! – Beijou minha testa. – Você é a mãe da minha neta e a nora que pedi a Deus.
-Nora? – Ri, passando o dorso da mão em meu rosto. – Obrigada por todas as coisas que fez por mim e por ser uma mãe maravilhosa pro Bruno. Você não tem ideia do quanto ele te ama e te venera. Ele mata e morre por você.
-Faria o mesmo por ele. – Sorriu e eu senti todo o peso da saudade no seu olhar.
-Amanhã ele estará aqui. – Beijo sua bochecha.
-É. – Balbucia baixinho. Acho que se parar pra falar algo, ela chorará.
Me ausentei do burburinho e fiquei um pouco distante para conseguir falar com o Bruno, e assim que conseguisse, chamaria a Lana. Disco seu número, que sei de cor, e ligo por uma vez. Duas, três, quatro e na quinta alguém atende.
Há muito barulho em volta e não escuto a pessoa me dar oi, mas digo oi.
-Bruno? – Pergunto.
-Lea? Oi, aqui é o Kenji.
-Oi Kenji. Feliz ano novo, japinha.
-Feliz ano novo pra você também. Que venham muitas conquistas por ai, hein.
-Se Deus quiser, irão vir. – Sorrio. – Bruno está no show?
-Oi?
-Bruno? Está no show?
-Ah. – Ele pigarreia e ouço várias risadas juntas. – O show já acabou.
-E como foi?
-Muito bom. Energia tão positiva e, nem sei explicar. – Respira fundo e ouço a voz do Phil.
-Posso falar com o Bruno?
-Ele está no banheiro...
-No banheiro? Sem o celular?
-É...
-Kenji! Desculpa, mas, você é péssimo em mentiras. – Rio para descontrair, mas estou curiosa pra saber onde ele anda.
-Lea... Não fica brava... Ele está no quarto. Estamos na festa, numa área reservada. Ele estava aqui dançando com umas meninas que ganharam os passes, não sei como, e sumiu com elas.
-Deixou o celular? – Arregalei levemente os olhos.
-Sim, ele tinha deixado antes porque estava com medo de perder e acabou esquecendo aqui, depois de beber e estar com elas.
-Elas?
-São duas garotas. Estou falando porque sou seu amigo, mas sou amigo dele também, porém não é certo ele estar com você e....
-Nós não estamos e nem nunca estivemos. – Respondo e percebo que pareci um pouco ríspida demais. – Desculpe, mas nós não temos nada.
-Não? Bem...
-Tudo bem, irei deixar você aproveitar um pouco a sua noite.
-Que isso...
-Kenji, vá se divertir. – Ri. – Vou continuar a dar feliz ano novo para as pessoas e comer, porque estou morrendo de fome.
-Tudo bem então.
-Boa noite e feliz ano novo.
-Pra você também.
Quando desliguei o celular, a única vontade que tive foi de gritar e jogar ele na areia. Dramático, sim, mas foi o que senti. Só queria poder falar com ele e desejar um ótimo ano, mas ele está cheio de vadias num quarto, fazendo o que eu sei muito bem, e pouco se ralando pra mim.
Respirei fundo e voltei ao meu normal em instantes. Guardei o celular e voltei a curtir o meu tempo com a minha família e amigos, se ele quiser, depois ele me liga.
ზ
Dia primeiro de janeiro de dois mil e doze já começou errando tudo. Passou das oito horas da noite e Eric chegou, felicitou todos, ficou com o seu filho e falou com a sua mãe a sós. Lana perguntou-me sobre seu pai, cujo não atendeu nenhum telefonema meu, então perguntei para o Eric.
Ele falou-me que Bruno escolheu ficar mais um tempo lá, aproveitar o descanso de uma semana e vir pra cá quando quisesse. Minha raiva só aumentou.
Quer dizer que, ele ficará em Vegas, se divertindo, jogando, comendo vadias e comida encomendada e eu ficarei aqui, responsável pela Lana, sem poder dar um passo sem estar me preocupando? Não! Não irei sequer permitir.
Naquela mesma noite comprei minha passagem online e avisei minha mãe que voltaria para o Havaí em dois dias.
Disse para Bernie o que aconteceu e, apesar dela achar uma ideia meio doida, apoiou-me. Deixei Lana com ela na noite para que pudesse se despedir e fiquei na minha casa com meus pais e minha irmã.
Pela manhã, meu pai levou-me ao aeroporto e encontrei com a Bernie lá. Lana veio para o meu colo, ainda com sono e embarcamos somente eu e ela.
-Seu pai é um idiota. – Bufei, olhando para a foto do meu celular. Ela estava dormindo, então não sofria o perigo dela repetir.
ზ
-Obrigada por me buscar. – Agradeço ao Dre.
-Você sabe que sempre que precisar pode me chamar.
-Sei, e muito obrigada. – Sorrio. – Ele sabe de algo?
-Não. Disse que iria fazer umas coisas pessoais... Você tinha dito que era surpresa.
-Sim, sim. É surpresa mesmo. E a Hannie?
-Está com a irmã e a mãe. Foram embora de Vegas ontem e retornaram pra Los Angeles.
Conversamos durante o caminho do hotel e ao chegarmos, ele entregou-me um cartão para a entrada do quarto e pedi que entregassem a mala no quarto dele. Não trouxe a minha por motivos que passarei somente essa noite aqui.
Escutava alguma música quando cheguei em frente a porta. Pedi que a Lana fizesse silêncio enquanto abria a porta. Passei o cartão e a primeira visão que tive foi dele, sem camisa e de calção, ajeitando o cabelo. A música tocava e ele cantava baixinho.
-Bom dia. – Puxei a mala e a Lana pelo outro braço. Ela correu para frente do seu pai que olhou assustado para nós.
-Bom dia? – Abaixou-se, ainda com dúvida, para abraçar a sua filha.
-Que fome. – Reclamou depois que o abraçou. Ri da cena, e me aproximei.
-Feliz ano novo. – Sorri, cinicamente.
-O que estão fazendo aqui?
-Vim trazer a Lana. – Dou outro sorriso.
-Que? – Alterou a voz e olhou a pequena curiosa mexendo em algumas coisas do hotel. – Não mexe ai filha!
-Que isso? – Perguntou, pegando uma camisinha fechada.
-É sujeira, filha. – Tirou da mão dela, praticamente com um tapa. – O que é isso, Eleanor?
-Pede pro Dre levar ela pra comer algo. Não tomamos café da manhã ainda. – Pus a mão sobre o estômago e ele ri, enfurecido.
Pegou seu celular e ligou pra ele, que em minutos chegou. Avisou que era pra levar a Lana em algum lugar para tomar o café e que voltasse somente depois que ele avisasse que poderia.
-Agora me explica, que merda está acontecendo? – Fechou a porta, se virando pra mim com raiva nos olhos.
-Calma, é simples. – Sentei-me na poltrona. – Trouxe a Lana para ficar com você, já que não quer ir ao Havaí. Não achei injusto traze-la. Ela estava com saudades suas.
-Conta outra!
-Eu trouxe porque não sou obrigada a cuidar dela enquanto você fica por ai, solto, sem compromisso com nada. Eu não nasci ontem.
-Que coisa mais adolescente! Eu disse que irei pra lá assim que puder.
-E você pode, só que não quer. Iria ficar me ignorando até quando?
-Eu nem estou mexendo no meu celular direito...
-Ah sim, não está, mas está sempre no twitter.
-Pra que queria que eu te atendesse? Uh? Pra ouvir um macho falando que você não poderia falar comigo porque estava ocupada... Ocupada chupando ele?
-Como você é baixo, meu Deus. – Ponho as mãos na cabeça. – Quem atendeu meu celular foi o Kyle. Não sei se lembra algo de mim, mas ele é meu cunhado. E outra, não sei se lembra mais, mas estávamos numa festa de família, com a minha e com a sua. Eu não desrespeito ninguém!
-Kyle? – Ficou calado por uns instantes e respirou fundo.
-Eu te liguei em seguido.
-Eu estava voltando pro show. Apenas liguei para a mãe, pro pai e pra você!
-Eu te liguei quando lá deu meia noite...
-Eu sei.
-Você não atendeu porque estava com duas mulheres no seu quarto. Sua filha queria falar com você!
-Quem atendeu meu celular?
-Isso não importa. - Dou de ombros. - O que importa é que eu liguei e queria que tivesse apenas um momento para falar com a sua filha.
-Eu estava me divertindo.
-Estava querendo se livrar dos problemas. E não me atendeu porquê? Ontem quando te liguei mais de dez vezes durante o dia. Precisou seu irmão chegar lá pra dizer que você iria ficar aqui. Você perdeu a língua enquanto fazia oral numa daquelas mulheres? Quais delas tinham dentes lá embaixo?
-Pelo amor de Deus, Lea. Como você é dramática, credo.
-Eu? Só eu? – Levanto. – Seja homem uma vez na vida. Não iria cair seus dedos avisar que iria ficar aqui. Sua mãe estava esperando você, ela fez um café do jeito que você gosta, e você não foi e não deu à mínima. Sinto muito, mas não estou dramatizando, estou falando à realidade que precisa ser dita na sua cara.
-Ok. – Bruno fica em minha frente, não dando espaço nem para eu questionar qualquer outra coisa. Segura meus braços com leveza e olha em meus olhos. – Me desculpe, ok? Eu errei.
-Uh.
-Todos erram, Lea.
-Você está errando tanto que eu me pergunto se não é de propósito.
-Acha que eu estou fazendo isso pra magoar você? – Revira os olhos, soltando meus braços. – Por Deus, Lea. Eu apenas queria me divertir um pouco antes de voltar.
-Tudo bem, Bruno. – Me esquivo da sua frente, olhando para minha bolsa. – Nos vemos.
-Vai ir pra onde?
-Passarei o dia aqui, até amanhã. Meu voo está para amanhã.
-Voo para Los Angeles?
-Não, vou pro Havaí. Negociei com o Ian para pegar uns dias de folga e depois eu recompenso. Quero ficar com a minha família.
-Vamos juntos amanhã, tudo bem? Você pode dormir aqui. Nessa cama cabe eu, você e a Lana, tranquilamente. – Apontou para a enorme cama atrás dele.
-Com certeza. – Olho pra ela também. – Mas irei ficar sozinha. Preciso de um espaço.
-Eu entendo...
-Então amanhã não iremos juntos, ok? – Se ele entendeu realmente que eu estou querendo espaço, irá entender que eu não quero ir com ele pro Havaí.
-Você veio com que roupa?
-Trouxe uma muda de roupa na mala da Lana.
Não trocamos muitas palavras enquanto eu esperava a mala. Ela chegou, eu apenas peguei minha roupa e me despedi dele, de longe. Liguei para o Dre quando entrei no elevador e pedi que ele me encontrasse no hall de entrada, queria me despedir da minha pequena.
Fiquei esperando ele por mais ou menos vinte minutos, até ele chegar e Lana correr para minha frente, dizendo que ele mostrou umas coisas legais pra ela. Escutei tudo que ela tinha para me falar, para somente depois me despedir. Não sabia ao certo se iria vê-la no Havaí. Passaria apenas mais três dias lá, e Bruno irá passar mais tempo, e quando estiver lá quero estar com meus pais e aproveitando o tempo.
-Lea? – Kenji está ao lado de Kameron, rindo. – Que bom ver você aqui, não sabia que iria vir.
-É. – Levanto, sem graça. – Vim resolver uma coisinha e amanhã já retorno.
-Lana, seu papai quer ver você. – Dre olhava para o celular.
-Vamos lá, mamãe?
-Lembra que eu disse que nos vemos daqui uns dias? – Pergunto e ela assente. – Então, a Lea está indo agora. – Fiz um beicinho e ela acompanhou-me, esticando os bracinhos para me dar um abraço.
Recebi um beijo na bochecha e a vi sair com o Dre diretamente para os elevadores.
-Ficará onde? Desculpa me meter assim. – Dei um beijo em sua bochecha e outro na do Kam.
-Ainda estou vendo. Quero aproveitar um pouco de Las Vegas.
ზ
Passava da uma da manhã quando saímos do segundo cassino. Kenji reservou sua noite para me mostrar alguns lugares que gosta em Vegas, e eu estava amando aquilo. Consegui até ganhar um pouco de dinheiro em alguns jogos. Nada demais, mas dinheiro é dinheiro.
-Você viu aquela mulher? Ela estava me olhando como se eu fosse um pedaço de carne. – Ri, lembrando da mulher morena que estava parada perto da mesa de dados.
-Se você dissesse que gosta da fruta, ela daria em cima de você.
-Não tenho nada contra. Inclusive, já tive curiosidade de beijar uma mulher, saber como é. – Parei no parapeito, me debruçando pra frente. – Esse lugar é lindo.
-É demais. – Parou ao meu lado. – Se tem curiosidade, porque não tenta? Não é algo que irá comprometer um membro do seu corpo ou sua integridade...
-Talvez um dia. – Olho pra ele. – Prefiro homens.
-Eu prefiro você. – Ouvir aquilo causou uma sensação diferente. Adrenalina.
-Eu também. – Sorrio.
Nos aproximamos um pouco mais para partirmos diretamente ao beijo. A primeira coisa que veio em minha cabeça foi: a vez que o Bruno disse que se eu dissesse que queria ficar com ele, ele ficaria comigo. Não é que era verdade? E não é que o beijo era bom e eu perdi isso há tanto tempo?
Sou uma idiota por me importar. Uma idiota maior ainda por pensar que o Bruno poderia saber disso e ficar bravo. Seria um troco, uma vingança, mas eu odeio vinganças, odeio dar trocos com a mesma moeda. Ele não poderá saber disso. Nem mesmo se passar de apenas uma noite.

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