Como as meninas já tinham preparado a casa, foi apenas abrir a porta, entrar e depois fechar, para ligar uma só luz, a da cozinha, o som bem alto, e tirar algumas bebidas do congelador. Os meninos já chegaram animados, e foram todos para a sala dançar, junto com uma parte das meninas.
-Vou pegar algo para bebermos. – Disse, tirando a mão de Kai.
-Não, vou pedir que não beba hoje. Sabe como é, quero aproveitar o tempo com você na festa, sóbria de preferência.
-Deixa de ser chato. – Diz Hayley, que por ali passava.
-Não é pra deixa-la beber, Kai! – Bruno passa logo em seguida da menina.
-Vocês são chatos. – Dei a língua, reclamando. – Ok, vou obedecer somente dessa vez.
-Obrigada. – Ele beija minha testa. – Quer beber algo sem álcool?
-Um refrigerante de uva, eu aceito.
-Ok.
Kai buscou um refrigerante na cozinha, enquanto eu estava encostada na parede vendo as besteiras que saía da boca de todos na sala. Bruno me olhava e atirava um beijo, super bobo! Já tinha arranjado uma companhia para a noite, e pelo jeito Ryan também.
Bebi duas latas de refrigerante, compensando o enorme tempo que não tomava nada derivado desse tipo. Bruno estava dançando como doido, fazendo alguns passos bem legais. Me chamou para uma dança, e lá foi eu, dançar com ele, me humilhando com seu jeito magnífico de se mexer. Assim que terminei de dançar com ele, tentei alguns passos com Kai, mas ele disse que não gostava de dançar, que preferia apenas me olhar. Então me soltei com as meninas e Bruno, claro, a maior parte do tempo com ele.
Quando passei para ir no banheiro, Kai me prensou na parede do corredor, dando-me um beijo em minha clavícula, apertando minha perna de leve. Segurei seus cabelos, espalmando minha mão em suas costas, me entregando aquele momento safado, mas carinhoso.
Bruno POV’s
Era meu baile de formatura, caramba. Essa noite é oficialmente a ultima noite que vou olhar para aquelas pessoas, depois apenas passará uma semana para recuperações, que eu não peguei nenhuma, e fim! Formatura! Los Angeles!
Los Angeles nem tão em breve assim, prometi que esperaria por Lea, e esperarei. Vamos juntos seguir nossos sonhos fora do Havaí, e quem sabe conseguir realiza-los? É o que eu espero.
Enquanto dançava com as meninas, cantei um trecho no ouvido de Hayley, essa noite a levaria finalmente para a cama, com certeza. Eu senti que ela se derreteu, assim como sempre se derrete com meus carinhos, mas desde que Lea a colocou em meu caminho, três semanas atrás, não demos uma rapidinha sequer. E, bom, eu não quero um namoro, eu quero diversão! Ainda sou novo para me prender com alguém.
Parei por alguns segundos procurando Lea, e não a achei. Olhei para onde Kai estava, e ele também não estava lá. Caminhei até a cozinha, precisava ficar de olho onde essa pequena encrenqueira estava, mas só encontrei Tay e seu amigo, conversando. Um dos amigos do Kai, com a jaqueta da escola, passa por mim com um copo de bebida na mão, não lembro o nome dele.
-Hey. – Ele me olhou, e deu um sorriso como comprimento. – Você viu por onde anda o Kai?
-E aí, cara. Eu vi ele subindo com a Eleanor. – Apontou para as escadas.
-Obrigada.
Caminhei até a ponta das escadas e pensei duas vezes antes de subir. Posso atrapalhar algo, e sou a última pessoa do mundo que quero isso, até porque não estou querendo flagrar minha melhor amiga, talvez pelada, junto com o namorado dela. Tomara que ela saiba o que esteja fazendo. Se ela está realmente fazendo algo.
Olhei de longe Hayley dançando com suas amigas, reviro os olhos, essa menina vai ser minha essa noite, nós vamos acabar entre lençóis, ou desisto de tentar com ela.
Lea POV’s
Abri meus olhos, esfregando a mão no rosto. E na mesma hora que me toquei onde estava, me toquei o que estava fazendo ali e de que não era um sonho. Kai estava atirado ao meu lado, parecia estar com o sono leve, mas fazia um barulho baixinho mostrando que estava em profundo.
A noite de ontem foi uma das melhores. Fechei meus olhos para recordar de cada pedaço. Desde nossos amassos no corredor do banheiro, até nossa vinda ao quarto. Recordo dos detalhes de como ele foi carinhoso tirando minha roupa, e até dele colocando a camisinha. É, meu primeiro dia não sendo mais uma menina virgem. Mordi os lábios de leve, dando um sorrisinho sapeca, Bruno precisa saber disso!
Levanto da cama com cuidado para não acorda-lo. Visto minha roupa e assim que dou alguns passos para pegar meus sapatos, sinto uma enorme diferença. Começa a doer, e uma ardência chata, que remete meus pensamentos para a parte chata da noite: a dor. Senti dor do inicio ao fim, a cada toque, mesmo que delicado dele em mim, me causava uma dor enorme. Fisguei baixinho, me sentindo estranha.
Olho-me pelo espelho do quarto, nada parece diferente em mim. Caminho em direção dele e ainda estou normal, além da dor. Mas eu sentia diferente, é estranho de explicar.
Saí corredor a fora procurando o Bruno. A maioria dos quartos estavam abertos, e não havia muita gente por ali, a maioria deve ter dormido em suas casas, mas realmente estava tudo uma zona de bagunça. Desci as escadas, ainda vendo rastros da noite, pelo chão melecado de algo que derrubaram. Na sala há apenas três pessoas, Ryan agarrado com uma menina dormindo sentados, e Bruno, deitado no sofá, de barriga pra baixo e mão arrastando no chão. Uma cena bem engraçada.
-Hey, dorminhoco. – O balanço de leve. – Acorde.
Bruno resmungou algo que não entendi. Beijei a sua bochecha, falando baixinho para que ele acordasse, e ele deu um sorriso.
-Se eu continuar fingindo que estou dormindo, você vai embora?
-Pra que ser tão grosso assim? – Estico meus lábios, num beicinho que sempre funciona.
-Ah, ok. Bom dia, Lea. – Bruno se senta de mau jeito e esfrega as mãos no rosto, como eu.
-Bom dia.
-Você sumiu ontem. – Comentou, colocando a mão na cabeça, fazendo uma careta.
-Está sóbrio o suficiente para conversar?
-Claro.
O fiz levantar do sofá, e antes verifiquei as horas no relógio do rádio, e ainda eram oito e meia, Kai não acordaria no meio tempo em que estivesse conversando com o Bruno. Não que ele fosse ficar bravo, mas não queria que ele acordasse pensando que eu fugi dele pelo que aconteceu a noite passada.
Caminhamos num pedaço da costa que tinha logo perto da casa dela, e paramos em uma pedra escutando a batida das ondas, olhando a imensidão azul do céu miscelânea com o mar. Bruno parou ao meu lado, observando o longe juntamente comigo.
-Me acordou a essa hora pra que?
-Que mau humor, o que foi?
-Hayley, mais uma vez, me deixou apenas na vontade.
-Deixa ela pra lá, parte pra outra que ela vai ir correndo para o seu lado, vai por mim.
-Vejo sobre ela depois, não é tão importante assim. – Ajeito meu cabelo enquanto ele fala, virando para o meu lado. – O que aconteceu ontem?
-Aconteceu...
-Aconteceu?
-Sim... Ah, você sabe, Bruno! – Corei de vergonha, senti minhas bochechas arderem, assim como minha virilha ainda ardia.
-Vocês transaram?
-Sim! Faz favor de falar mais baixo.
-Lea, é domingo, são oito da manhã, a praia está mais do que deserta. Se há alguém que pode ouvir o que falamos, são os peixes. – Exageradamente, Bruno aponta para o mar.
-Faz o favor de ir à merda. – Rio dele, e ele segue meu embalo.
-Mas e aí, como foi?
-Maravilhoso. Ok, tirando as dores que senti o tempo todo, e a ardência que ainda tem, foi tão lindo. Você precisava ver o modo que ele foi gentil e carinhoso.
-Usaram camisinha?
-Sim!
-E preliminares?
-Nenhuma além de beijos, era minha primeira vez, não queria ir de cara fazendo tudo que um dia pode ser novidade pra ele vindo de mim, entende?
-Sei. Se você fosse minha namorada, exigia as preliminares.
-Ah é, e porque não exige da Hayley?
-Vai à merda, Lea! Ontem fui dormir mal por causa dela, por isso estava de barriga pra baixo.
-Dói dormir assim?
-Dói não esvaziar o que tem pra esvaziar quando já se está em certo ponto! Me entende? – Fiz uma careta confusa, mas balancei a cabeça.
-Acho que sim.
-Mas foi bom?
-Sim! Aliás, estou com medo dele não ter gostado.
-Se ele não gostou, é um idiota. Tenho certeza que ele deve ter amado.
ზ
O vento entrava pela minha janela, enquanto eu ajeitava minhas folhas de trabalhos da escola para não caírem mais no chão, e não bagunçar mais a minha mesa do que já estava bagunçada. Tocava alguma música que Bruno gostava na rádio, enquanto ele ficava olhando fotos da minha família, e de mim quando pequena.
Três meses depois que perdi minha virgindade, tive coragem de dizer aos meus pais. Primeiramente para minha mãe, já que ela que era mais compreensiva, e depois ela me ajudou a contar para o papai, que ficou de cara emburrada listando mil coisas com as quais eu deveria tomar cuidado. Então aconteceu minha primeira visita a um ginecologista.
Eu morro de vergonha, mas a doutora foi tão atenciosa que me fez perder grande porcentagem da mesma. Minha irmã me levou na primeira consulta, e nas outras periódicas minha mãe que levará, pelo menos enquanto eu continuar a morar aqui.
Completando seis meses de namoro, Kai e eu tivemos uma grande noite, mas que acabou resultando em nossa primeira briga. Falei para ele dos meus planos de Los Angeles, o que ele já sabia, mas dessa vez falei que esses mesmos eram para sete meses, quando terminasse minhas aulas. Nunca vi ele tão furioso, dizendo que eu não poderia esconder dele esse tipo de coisa. Passou minutos depois quando disse que iria embora da casa dele.
Agora estamos com onze meses de namoro, e faltando dois meses para minha partida para Los Angeles. Minha mãe e meu pai acharam isso loucura, mas conversaram com meus avós que prometeram tomar conta de mim e de Bruno, o qual eles nem conheciam ainda. Pretendemos ficar por pouco tempo lá, já que queremos nosso próprio apartamento para nossa privacidade. Um quarto para cada, e o resto dividimos.
-O que aconteceu com a Laila, nunca mais a vi com você? – Bruno agora tinha um trabalho no shopping da ilha, apenas para juntar uma boa grana para podermos viajar. Ele passou a mão no cabelo, retirando o boné que o cobria.
-Ela terminou com aquele namorado, não te falei? – Ele balançou a cabeça em concordância. – E quando nos reunimos, nada era a mesma coisa, então fomos aos poucos afastando.
-É ela aqui, sim? – Mostra-me uma foto antiga, onde ela está ao meu lado, logo no nosso primário.
-Sim.
Bateu uma leve nostalgia, a vontade de ter minha amiga de volta. Mas, o tempo muda, e com ele as coisas também. Acho que amadureci nesse meio tempo que nos afastamos, e depois que iniciei meu namoro mais ainda. Não sou mais tolinha como era antes. Sei que não devo ficar guardando mágoas, nossa amizade não acabou, apenas congelou e o tempo ainda está frio demais para conseguir resfria-la.
O que me deixa animada é o agora, o agora que está próximo. O sonho de LA, minha formatura finalmente, e a saída do Havaí. Não pensei que deixaria a saudades de outras pessoas, além da minha família, mas já vi que vai ser duro abandonar o Kai. Com o tempo, o que antes era uma paixão adolescente, virou algo forte, algo com mais do que paixão. Não, não é amor, arrisco dizer isso porque ainda não experimentei tudo o que tinha que experimentar da vida, mas eu sei que é algo bem mais forte, e que quando eu abandona-lo aqui, vai doer, vai ser difícil demais.
-Hey. – Estava terminando de escrever a redação de um dos trabalhos finais, quando Bruno me chama. O olho, e ele prossegue. – Você não vai correr atrás de mim quando brigarmos?
-Depende, você vai aceitar quando estiver errado?
-Aceito todas as escolhas.
-Então, eu vou sim! Mas, por quê?
-Porque eu vejo que está tão nem aí para esse assunto da Laila, e, no entanto vi tanta foto de vocês, que devem ter histórias grandes.
-Tínhamos! Nós éramos unha e carne, mas a nossa amizade já estava desgastada faz tempo. Principalmente depois que ela me deixou de lado pelo namoro. Eu faço de tudo pelos meus amigos, e você sabe disso, mas não deixe eu saber que você não está nem aí, porque quando eu ligar o meu “nem aí”, não consigo mais desligar.
-Sabe por que é minha melhor amiga? – Pergunta, levantando da cama.
-Porque eu sou maravilhosa?
-Também. – Ele beija o topo da minha cabeça. – Mas porque você não deixa se abalar por pouca coisa, é um exemplo.
-Adorável. – Acaricio seu braço.
ზ
Vestia minha roupa, um vestido lindo que minha mãe comprou no centro da ilha, enquanto cuidava para que minha maquiagem permanecesse no lugar. Estava mais emocionada do que nunca, hoje era minha formatura, e daqui uma semana minha viagem para Los Angeles. A sensação de dever cumprido está tomando conta do meu ser.
Olho meu semblante no espelho do quarto, devo reconhecer que estava linda.
-Está pronta? – Ouço a voz da minha irmã vir do outro lado da porta.
Ela foi morar em Chicago, tentar uma vaga por lá e conseguiu, Eric seguiu o rumo para Nova Iorque, e eles acabaram, mas continuam se falando. Hoje ela voltou para o Havaí somente para minha formatura.
-Quase. – Digo ficando na ponta dos pés, pegando uma caixinha pequena em meu guarda-roupa.
Pego o colar que ganhei da minha mãe, em meu aniversário de 14 anos. Diz ela que ganhou um quando completou 14 anos, pois minha avó também ganhou, e deu um para a minha irmã também. Não tem um significado, quer dizer, não na joia em si. É apenas uma linda corrente dourada com um pingente em formato de círculo pequeno. Mas tem um significado sentimental, algo que passou de geração em geração, e eu quero cultivar comigo. Não é o mesmo colar, até porque minha irmã ganhou um prata com um pequeno coração, mas a intenção ainda é a mesma. Seja lá o que minha avó ou bisavó estava pensando quando deu para a próxima.
Desci as escadas encontrando meus pais e minha irmã na sala. Eles elogiaram minha roupa, frisando o quanto eu estava linda, e o quanto parecia com a minha mãe mais jovem. Fiquei feliz, pois a acho linda, e ser comparada com ela, é uma honra.
Ganhei flores do meu pai, que me acompanhou até o carro, deixando eu sentar no banco da frente. Balançava minhas pernas, com um péssimo tique nervoso que herdei de minha mãe. Ela repetia o mantra de que estava tudo certo, e dava um choramingo dizendo que seu único bebe estava realmente crescendo rápido demais.
Encontrei com Kai e seus pais na frente do salão de celebrações, e entramos juntos para onde o resto de nossas turmas estavam. Os formandos, usando roupas bonitas, penteados chiques, e todos com tramas para suas vidas.
-Hey, me promete algo? – Pede Kai, me interrompendo de olhar para as outras pessoas.
-Ah... claro. – Dou de ombros.
-Promete, que mesmo que saibamos que irá acabar, você irá lembrar de mim.
-Você irá lembrar de mim? – Arqueio levemente minha sobrancelha, e ele me encara, confuso.
A resposta não foi obtida, tivemos que ficar separados por algum tempo, e a colação chegou. Nossos nomes chamados, e diplomas entregues. Abraços nos ex colegas, e choro de alguns por nunca mais se verem. O clima estava triste, mas tão alegre. Pessoas que talvez vão perder o contato totalmente fazendo planos para se encontrarem, outras dizendo que irão se mudar, mas que talvez voltem para suas casas ao descobrirem que seus futuros estão no Havaí. Como pode ser o meu caso.
Tivemos uma janta, onde o tempo todo fiquei de mãos dadas com o Kai, querendo que eternizasse aquela última semana como se fosse um ano. O ruim de saber que vai acabar, é que eu não posso fazer muita coisa para resgatar meu namoro, pois queremos futuros diferentes, e como tudo na vida tem um fim, esse pode ser o nosso.
Bruno conversou horas a fio comigo sobre isso, falou que eu deveria ter forças, e que não seria mais fácil desapegar da família do que do Kai, e eu acredito nele. Sentirei falta do Kai por algum tempo, mas depois vou me acostumar com a sua ausência, e quanto aos meus pais, esses me farão falta todos os dias.
Quando chegou o grande dia, acordei mais cedo para que certificasse que tudo estava pronto e arrumado. Chequei cada pedaço de minhas malas, mesmo sabendo que algumas não iriam hoje, e meus documentos, livros, entre outras coisas.
Desci para o café, onde até chorar minha mãe chorou, dizendo que esse seria o último café da manhã juntos durante um tempo, e meu pai filmando, pois queria registrar meu último dia no Havaí.
Nosso voo estava marcado para as seis da tarde, estaríamos as cinco horas no aeroporto para o check in e afins, então as duas iria passar na casa do Kai para irmos juntos a praia andar por alguns minutos, e depois para o aeroporto.
Já tinha colocado minha roupa, quando mamãe avisou que iria me dar a carona até a casa dele. Ajudei a descer as malas que já ficariam no carro, e peguei minha bolsa, novamente verificando tudo.
-No dia da formatura, quando perguntei se você iria me esquecer, porque não me respondeu? – Perguntei, enquanto espalhávamos nossos pés na areia da praia.
-Fiquei com medo! Não queria que isso tivesse acontecendo.
-Mas está, e estamos conseguindo levar isso numa boa. Nossa amizade sempre vai prevalecer.
-Então quando nos vermos novamente, daqui alguns anos, estaremos amigos?
-Sempre. – Toco no seu rosto com a mão contraria da que estou o segurando. – Eu queria que soubesse que todo esse tempo que passamos, me fez crescer. Você foi a melhor experiência que já tive.
-Sou apenas uma experiência? – Deu uma risada, sem graça e leve.
-Sabe que não. Mas, isso foi algo, foi uma experiência pra vida, então vou poder olhar com orgulho pra trás e poder dizer que você já foi meu namorado.
-Mas quem sabe nós não nos encontramos no futuro?
Beijo sua testa, logo em seguida a pontinha do seu nariz. Encosto nossos rostos.
-Isso só o tempo vai dizer, mas vamos levar nossas vidas em frente, ok? Nada disso, de esperar o outro, pois sabemos que isso pode não acontecer, ok?
-Ok.
Durante o percurso até o aeroporto, Kai segurou minha mão firmemente, e minha mãe vinha chorando, com meu pai dizendo para ela se acalmar. Encontramos com uma parte da família do Bruno lá também, cumprimentei todos e deixei minha mãe chorar junto a sua.
O check in estava pronto para ser feito, e precisávamos ir. Talvez tenha sido a pior parte de todas, dar o adeus. Abracei todos, com lágrimas nos olhos, e já deixando a saudade tomar meu peito.
Peguei o braço de Bruno e andamos em direção ao portão.
Agora éramos eu e ele, uma nova vida.
Entramos no avião, ajeitando nossos lugares, e antes de decolar, Bruno segurou minha mão.
-Uma vida nova para nós dois.
-Nova! – Repito. – Será que vai ser fácil? Legal?
-Quem sabe!
O último adeus ao Havaí foi dado através de uma janela de avião. Deixando meu Estado pra trás, dando oi para um novo, uma vida nova, oportunidades novas. Quando fui verificar se Bruno estava chorando, ele sorriu pra mim, sinceramente. Eu sabia que estava bem enquanto estivesse ao seu lado.
ზ
Passei muito tempo com a mão grudada na de Bruno. Ele estava tão mais relaxado que eu, no entanto eu estava roendo unhas de medo, ansiedade e já, a saudades. Não há um único segundo que eu não lembre de tudo que está ficando pra trás, inclusive minha vida antiga.
Minha avó já me explicou, lá temos a sua casa para ficarmos, mas como queremos ter um apartamento, ela disse que teremos que trabalhar duro pra isso. Os imóveis são bem mais caros que no Havaí, ou qualquer outra parte dos Estados Unidos, tirando Nova Iorque. Apesar do Havaí ser um ponto turístico, acho que Los Angeles é ainda mais reconhecida por causa de Hollywood e a quantia de famosos que moram por ali, e todas as coisas que por ali tem, como museus, teatros, cinemas, restaurantes. Uma porção de coisas, literalmente, para agradar tudo e todos.
O comandante nos avisou, estávamos perto de pousar, porém havia uma nuvem carregada que poderia dar uma turbulência. Minhas pernas tremeram e apertei a mão dele fortemente, que riu baixinho da minha atitude.
Apertei o chiclete que a doce aeromoça me deu, já que comecei com uma terrível dor por causa da altitude, algo eu precisava mastigar para me acostumar, então ela me cedeu um dos seus.
Haviam passado simplesmente cinco horas e alguns minutos e eu não havia sentido nada? Nem Bruno, pois estava com seus olhos esbugalhados, bem alerta com tudo, e o sorriso no rosto. Sim, era uma nova vida, para nós dois.
Esperamos pela tubulação, da qual pensei que seria um bicho de sete cabeças, mas que no entanto foi bem tranquila. Daí então não tirei mais os olhos da pequena janela que restringia a imagem. Bruno estava praticamente jogado por cima de mim, deslumbrado também com tudo que estava abaixo de nós. Apesar de ser noite, não fazíamos muita noção de que horas exatas eram, tudo estava iluminado. O título de “cidade que nunca dorme”, que foi dado à Nova Iorque, pode muito bem ser colocado para Los Angeles.
As luzes nos confundiam, o céu bem estrelado mostrando que quando amanhecesse seria um dia lindo.
O avião pousou e finalmente podíamos dizer que estávamos em nossos sonhos. Bruno segurou minha mão firmemente quando saímos do avião. Na minha bolsa, procurei o endereço certo de qual terminal encontraríamos meus avós.
Parei por alguns segundos de mexer na bolsa e apenas me concentrei na respiração. Inalei fortemente o ar, o novo ar, e olhei para o Bruno logo em seguida, pisquei os olhos firmemente e olhei para a mesma direção que ele, a do céu estrelado que estava lá fora. Andamos em direção do terminal 3, antes parando para pegar nossas malas.
-Lea, nós chegamos! – Dava para identificar o quão sua voz estava desesperadamente feliz. – Nossos sonhos, na Cidade dos Anjos.
-Eu falei que em questão de tempo tudo vai dar certo.
Bruno me abraçou de lado, beijando minha bochecha rapidamente.
-Onde vamos encontrar seus avós?
-Eles nos esperarão em frente ao Starbucks.
-Legal! Nós vamos tomar café lá?
-Se meus avós forem legais e pagarem, sim.
Olhamos ao fundo do imenso e largo saguão. Era impossível dizer que eu os avistei em seguida, por causa da grande quantidade de pessoas que por ali circulavam. Isso que eram três horas da manhã. Não quero nem imaginar como é a luz do dia. Caminhamos mais um pouco, observando lado por lado. Claro que o satrbucks era fácil de achar, até por conta de sua faixada, mas estávamos tão deslumbrados, observando as lojas, as coisas, as pessoas, e como tudo parece ser diferente. Mas ao mesmo tempo era estranha a sensação de que eu estava me sentindo em casa.
-Ali, não são eles? – Bruno aponta para o longe. Avisto meu avô, com suas calças bege claro e um cardigan preto, como sempre elegante, com sua postura firme, olhando para uma televisão do estabelecimento em frente. E minha avó ao seu lado, corpo pequeno e esguio como sempre, cabelos presos nos famosos rabos de cavalo com presilha de laço preto.
Não contive o sorriso quando os vi, passaram-se alguns anos desde a última visita deles ao Havaí, e meus pais nunca cogitaram viajar pra cá quando eu era menor, até porque não iriam deixar minha irmã livre, leve, e solta no Havaí, e ficarem preocupados aqui. Corri um pouquinho mais, deixando Bruno pra trás. Minha vó me viu primeiro, cutucando meu avô de leve e abrindo um sorriso grande pra mim.
Nosso primeiro abraço depois de muito tempo. O cheiro aconchegante que só eles tem. Aquelas lembranças que vieram automaticamente, junto com algumas lágrimas fujonas que escaparam, ao lembrar que agora que tenho eles, não tenho meu pai e minha mãe. Vai ser difícil acostumar assim.
*Até uma certa parte da fanfic eu não irei entrar em detalhes sobre a carreira do Bruno. E também até mais ou menos o capítulo 10, as passagens de tempo serão em abundância, porque não quero encher o saco de vocês, mas preciso mostrar algumas partes de agora que serão importantes para o futuro.

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