Há uma luz no final de cada túnel, você grita
Porque está tão longe aí dentro
Como se nunca fosse sair
Esses erros que você cometeu, vai cometê-los de novo
Se continuar persistindo
(Breathe - Anna Nalick)
Entro no quarto e ele está esparramado, virado de costas para a porta. Largo a mochila sob o cabideiro e tiro meu celular de dentro, deixando todo o resto ali para amanhã arrumar. Coloco meu pijama de soft, prendo meu cabelo num coque e deito na cama ao lado dele.
-Foi bom o passeio? – Assustei-me com a sua voz.
-Estava sim. Não sabia que estava acordado. – Viro-me para o seu lado.
-Não consegui dormir ainda, a comida pesou no estômago.
-Precisa descansar, está saindo direto desde sexta e segunda já terá aula.
-Vou ter saída de campo segunda.
-Principalmente por isso. – Passo a mão no seu cabelo. Ele parecia ser ali aquele mesmo que eu me apaixonei, sem essas frescuras de cor de pele, de filhos e de família tradicional. – Dorme pra descansar.
-Estava com o Bruno?
-Sim, saímos eu, ele, a Tiara e a Lana.
-Meus pais ficaram perguntando de você. – Sua voz já estava mais abafada de sono.
-Peço desculpas, mas não queria interromper o momento de vocês.
-Você que sabe.
-Boa noite.
-Boa noite, Lea.
Viro de costas pra ele e pego meu celular, deixando com pouco brilho na tela e revirando por tudo. Respondi as mensagens das meninas, da minha mãe, da minha irmã e então a do Bruno.
“Não sabia que iria estar acordada.
O que acha de sairmos amanhã?
Quero levar a Lana para passear um pouco. Preciso sair também.”
“Já chamou a Tiara? Acho que ela vai gostar de sair amanhã.
E é claro que eu topo sair.
Qual é o roteiro?”
“Talvez no observatório?! Fomos lá quando ela era muito pequena, acho que agora ela vai saber melhor.
Aliás, eu adorei cada minuto do dia de hoje.”
“Eu também adorei. J
Vamos ao observatório então. Boa noite, Bruno. Tenha bons sonhos.”
Largo meu celular ao meu lado, bloqueio a tela e então fecho os olhos para enfim descansar depois de um longo dia.
π
Acordei com meu celular vibrando na mesinha. Pego-o e desligo a chamada do Bruno, entro no app e respondo suas mensagens dizendo que estará aqui em meia hora. Tenho meia hora pra me arrumar.
Levanto tomando todo o cuidado do mundo para Richard não acordar, mas ele roncava como quem está com um sono pesado demais. Visto uma roupa mais simples. Um macacão de pernas, sem braço, na cor preta e meus all star, pus algumas coisas numa bolsa qualquer e puxei minha jaqueta do armário. A única coisa que fiz em meu rosto foi passar um rímel e um batom mais nude.
Na hora em que pego o celular, Bruno diz que está esperando. Abro a porta do quarto e Richard faz um barulho, quando me viro pra fechar, já fora do quarto, ele está olhando pra mim.
-Não sabia que iria sair.
-Vou passear com a Lana. Combinei ontem e esqueci de te dizer.
-Poxa, Lea! – Ele senta na cama. – E meus pais? Eles vão embora hoje.
-Eu estarei aqui daqui a pouco.
-Não, você não estará, eu conheço você. O voo deles é a uma da tarde, íamos sair para almoçar e depois o levaríamos no aeroporto.
-Tiara trouxe meu carro, pode usar ele.
-Já está alegando que não virá.
-Richard!
-Tchau, Lea. Eles não podem esperar muito por você.
Fechei a porta sem querer pensar que ele estava magoado, porque quem está ainda verdadeiramente magoada sou eu. Sou eu quem não consegue pensar que eles estão embaixo do meu teto e me odiando ao mesmo tempo. Sou eu quem teve que aturar ouvir aquelas merdas. Não sentirei pena de não leva-los no aeroporto e nem me despedir.
A porta do carro já estava entreaberta.
-Bom dia. – Sorri para eles. – Bom dia, minha princesa. – Apertei a mão dela, virando-me pra trás.
-Bom dia. – Eles disseram quase num coro.
-Vamos tomar um café antes de irmos. Ok?
-Ok. – Respondi.
-Me largue em casa depois, Bruno. – Tiara estava prendendo seus cabelos, com cara de cansada.
-O que houve?
-Não dormi a noite toda, muita dor de cabeça. Só quero a minha cama, minha casa, e mais nada.
-A tia tá um saco. – Lana diz, revirando seus olhos.
-Eu só não bato em você porque tenho testemunhas oculares.
-Você nunca bate em mim. – Ela oferece a língua para Tiara, que a pega de lado e brinca com cócegas em sua barriga.
Nós passamos em uma padaria, eu e Tiara descemos para pegar os cafés e algumas rosquinhas fofinhas e açucaradas para comermos no carro mesmo. Ela foi me falando que Bruno chegou depois que me levou embora e foi diretamente para o estúdio e ali ficou por um bom tempo. Era bom saber que ele teve alguma inspiração a mais.
-Tchau, Yara. – Dei um beijo em sua bochecha.
Nós seguimos com nossa viagem, não muito longe dali.
- Lana, você sabia que nós fomos nesse observatório quando você era só uma bebezinha?
- Eu não lembro, pai. - Assoprou seus cachinhos, que caiam por seu rosto. - Bebezinha tipo a Mila?
- Bebezinha tipo a Mila. - Bruno confirmou. - Você se lembra, Lea?
- Lembro. A gente brigou, não foi?
- Acho que foi, mas deve ter sido uma daquelas besteiras.
- É.
Olho pelo retrovisor, observando minha pequena, que já está gigante. De rabo de olho, encaro Bruno. Meu amigo está com um sorriso idiota na cara, o que me faz abrir um parecido.
- O que foi?
- Nada. - Ele gargalha.
- Bruno, te conheço. - Tento me manter séria, mas acabo dando uma pequena risada. - Não vai dizer o que foi?
- Se eu disser, você vai querer me dar uns tapas. - Ele mordeu os lábios, tentando esconder o sorriso. Não deu muito certo.
- Vamos, desembucha.
- Ah, Lea... – Ele encara sua filha rapidamente pelo retrovisor. - Estava lembrando das coisas que a gente costumava fazer naquela época.
Dei um tapa de leve em seu braço. Ele deu uma gargalhada.
- Bons tempos, huh?
-Foram ótimos tempos. – Me sentia culpada por passar todos os bons momentos na cabeça, mas não bons momentos apenas como bons amigos, e sim todos os bons momentos como amantes que tivemos. Eu lembro muito bem quando visitamos esse observatório, quando ele parou atrás de mim, pondo as mãos em minha cintura e me segurando de um jeito que eu não queria que ele me soltasse, nunca mais. Quando nós subimos caminhando, sem perder o fôlego, apostando quem chegaria primeiro.
Eu lembro de todos esses detalhes, e quando encaro seu rosto pelo canto de olho, seu sorriso me diz que ele está viajando naqueles bons momentos também. Ele não deveria estar pensando nisso, assim como eu também não. Nós somos outros na pele dos mesmos, temos outras prioridades. Um dia eu vou me casar, ele também, ele será meu padrinho de casamento, padrinho dos meus filhos, e eu definitivamente não posso estar pensando em quando nós nos despíamos e transávamos como se não houvesse um amanhã.
-A Tiara comentou comigo, quando nós não estávamos nos falando, que a Cindia convidou a Mia para ser madrinha da Mila, é sério isso?
-Ah. – Bruno solta uma gargalhada. – Eu sou o padrinho dela, mas não, a Mia não é e a Cindia nem quis convida-la. Minha família não é tão receptiva com ela assim.
-Também não é da noite para o dia...
-Vou fazer dois anos com ela, Lea. – Ele ri, parando o carro na sinaleira.
-Ninguém gosta dela, nem eu. – Lana intromete-se em nosso assunto.
-Assunto de adulto a senhorita não pode opinar, ouviu? – Bruno a olha pelo retrovisor.
-Desculpa, pai. Mas só queria dizer que eu não gosto dela.
-Você vai gostar dela um dia, Lana. – Era bom saber que minha pequena não gostava dela. Me senti melhor por dentro.
-É, é uma questão de tempo.
-Isso!
Ao chegarmos no observatório, estacionamos o carro e pegamos o que tínhamos de pegar. O resto faríamos a pé e o dia era bem longo. Lana colocou um chapéu, que provavelmente seu pai deu pra ela, porque era bem parecido com aqueles milhares de Fedoras que ele tem, e Bruno colocou um boné.
-Não gosto dessa coisa. – Digo.
-Quem está usando?
-Grosso! – Bato no seu braço.
Subimos metade e Bruno já estava pedindo pra parar um pouquinho para respirarmos. Lana deitou-se em cima dele de tanto chama-lo de gordo, que ele precisava se exercitar mais e que estava ficando pra trás. Bruno correu atrás dela por um bom pedaço e aí que eu peguei meu celular para tirar foto dos dois. Eu amo pega-los nesses momentos desprevenidos, eles ficam perfeitos.
-Papai! Olha como é alto aqui. – Lana estava próxima ao parapeito.
-Cuidado, meu bem. – O costume de achar que ela é pequena, que ainda não sabe os riscos, é grande demais pra lidar tão rapidamente quanto o seu crescimento.
-Olha isso, mamãe. – Ela aponta.
-Olha aqui então, L. – Bruno a chama para um dos telescópios. Olho para nossa volta e já percebo que algumas pessoas o reconhecem, possivelmente turistas que ainda não estão acostumados a darem de cara com artistas por essas voltas.
-Mãe, vem cá. – Ela me chama, fazendo gestos com as mãos, sem tirar seus olhos do telescópio.
-Olhe, Lea. – Bruno coloca sua mão em minhas costas. – Tudo isso que o sol toca é nosso reino.
Gargalho alto com a referência dele e seguro a sua mão, sem tirar os olhos daquela vista.
-Se as pessoas soubessem as tantas belezas que esse mundo guarda, será que elas seriam menos egoístas?
-Acho que não. – Ele dá de ombro.
-Bem... Mas e aquela parte escura lá? – Largo sua mão para apontar um lugar qualquer.
-É nosso reino também, anta. Deve ter dado alguma queda de luz.
Ríamos como crianças, nos divertíamos como há tempos não fazíamos. Entramos ao planetário e olhamos uma palestra, que deve ser o mesmo texto que vimos há anos atrás. Pegamos algumas coisinhas no café, comemos e voltamos ao museu que há ali. Muitas coisas sobre astrologia, sobre astros, curiosidades... Tantas coisas que me despertavam interesse.
-Se irmos embora daqui a pouco, podemos comprar algumas coisinhas e fazemos um pique nique. O que acham?
-Ótima ideia. – Concordo com ele.
Desci do carro junto com a Lana para comprar algumas coisas num supermercado. Compramos até uma cesta para fazermos um belo pique nique, que de acordo com ela, deveria ser como nas histórias. Comprei algumas borrachinhas para cabelo e antes de deixarmos o supermercado, passamos no banheiro e fizemos chiquinhas iguais.
-Estamos lindas.
-Só faltou uma coisa em você. – Peguei meu batom na bolsa e passei de leve em seus lábios. – Agora sim.
Pedimos que ele abrisse o porta malas e colocamos as coisas por lá.
-Posso saber o que é isso? – Ele toca rapidamente em nossos cabelos.
-Estamos lindas, huh?
-Ah sim, parece que eu estou saindo com duas personagens de animes japoneses.
-Não é pra tanto. – Ri dele. – Vamos lá?
-Claro.
Tiramos fotos no carro, tiramos fotos arrumando nosso local de pique nique, tiramos fotos de tudo quanto era jeito. Eu tinha esquecido todos meus problemas, tanto no serviço quanto com o Richard, tinha esquecido o que passei ontem, aquele episódio desnecessário com os pais dele, até ver uma mensagem dele em meu celular, dizendo que estava com Caleb, indo para o shopping e que deveria chegar um pouco mais tarde em casa.
Nem respondi, pois também chegaria tarde em casa e talvez até mais tarde que ela.
-Vou ir lá. – Lana apontou para o parquinho.
-Tudo bem, se cuide.
-Às vezes eu perco a noção do tempo e do quanto passamos para estarmos aqui.
-Diz isso com um ar de nostalgia, Bruno. Os tempos foram ruins e bons, mas foram passados. Daqui pra frente só sopraram boas marés.
-Que maré de positividade. – Ele ri. – Mas olha a Lana... Quem diria que eu daria bem nesse negócio de ser pai? Quem diria que eu seria pai tão cedo.
-Quem conhecia sua fama antes, sabia que logo, logo você seria pai.
-Idiota. – Nós rimos.
-Deve ter mais uns dois perdidos por aí, sim?
-Só se estão bem escondidos e escaparam muito bem da segurança.
-Nunca se sabe.
-Mas e você, Lea... Sei que antes não queria filhos tão cedo, nós falávamos disso, mas algo mudou nesse ano que não nos falamos?
-Hmmm... Acho que não muito. Mas eu pretendo ter filhos, daqui uns dois anos, talvez.
-É um bom objetivo.
-Imagina a Lana com uma irmã... – Ele me olhou, parecendo estar com um ponto de interrogação no rosto com o que acabei de dizer. – Ah, digo... Irmã porque eu sou meio que a mãe dela, sim? Quer dizer... Minha filha será meia irmã dela, sim? Ah, vamos lá, Bruno, você me entendeu. – Reviro os olhos, minhas bochechas queimaram de vergonha.
-Sim, eu entendi. Mas penso em dar um irmão pra ela, talvez um pouco mais pra frente.
-É um bom objetivo.
-Use suas próprias palavras, Eleanor.
-Me obrigue.
Estava gostando daquele tempo, de voltarmos a ser praticamente como éramos antes. Talvez esse tempo que ficamos sem nos falar tenha sido crucial para nós aprendermos que no fim do dia, o que conta é nossa amizade.
Bruno Pov’s
Eu vinha cantando músicas com minha filha, enquanto ela intercalava em dizer o quanto amou o dia e folgar em mim.
-Você está ficando abusada, Lana. – Fechei a porta do carro e ela me esperou para entrarmos juntos.
-Tenho um colega na escola, o Josh, ele também fica pra trás nas corridas, porque ele é gordinho. Mas não tem nada demais em ter barriga, papai.
-Você está me chamando de gordo pela quinquagésima vez hoje, Lana. Eu deveria deixar você de castigo. – Mas eu estava adorando aquilo.
-Não, deveria não. – Ela sorri, colocando a mão na maçaneta.
-Então vamos mocinha, está tarde, você ainda tem que tomar banho porque amanhã tem aula.
-E balé também.
-Isso, e balé também. Mr. Millers não vai adorar ver você bocejando na aula dela. – Quando me dou por conta que iria ligar a luz da sala, percebo que ela já estava ligada. – Acho que o papai...
-Chegaram! – Mia vem com uma caneca em mãos. – Vim pra cá assim que desembarquei.
-Oi, Mia.
-Oi, Lana. – Ela dá um sorriso amarelado para minha filha, que pega sua mochila e vai para o seu quarto. – Oi, papai. – Segurou-me pela gola da camisa e deu-me um selinho nada gentil.
-Não sabia que viria hoje.
-Estraguei algo.
-Não. – Balanço a cabeça. – Só fiquei surpreso, e confesso que levei um susto.
-Não se assuste. – Ela senta ao lado da bolsa e liga a televisão. – Por onde andou hoje?
-Fomos ao observatório.
-E ontem? Tentei ligar pra você, mas não dava pra completar a ligação.
-Meu celular perdeu a bateria quando estávamos saindo para tomar café. Dei um passeio para aproveitar o tempo com a Lana. Como foi por lá?
-Foi bom, confesso que seria melhor ter você no meu quarto a noite, mas foi bom.
-Mmm, Mia. Preciso tomar um banho, me certificar que Lana está dormindo e ir dormir também. Vai ficar essa noite?
-Claro. Vá lá.
Fui para o meu banho e esqueci que Mia estava ali de volta e foquei somente no final de semana maravilhoso que tive. Por mais que eu fiquei distante todo esse tempo, onde a gente nem olhava um pra cara do outro, foi como se nunca tivéssemos nos distanciados, e eu amei isso. Amei a forma com que me senti completo de maneira especial.
Saí do banho, com a roupa vestida e fui diretamente no quarto da Lana. Ela estava se tapando, somente com a luz do abajur.
-Boa noite, Lana. Até amanhã.
-Boa noite, papai.
Fechei a porta e fui para meu quarto. Mia estava sentada na ponta da cama, com meu celular em mãos e a televisão ligada num canal qualquer. Fechei a porta e tomei meu celular da mão dela.
-Que diabos...
-Porque não me disse que o passeio era com a Lea? Esperava que eu fosse xingar você?
-O que está tentando fazer? Foi com ela, a propósito, foi muito bom. Aproveitamos muito.
-Ah, claro. Lá vem a pobrezinha se enfiar na minha família de novo. Escuta, Bruno. Essa mulher quer apenas seu dinheiro, você não vê isso? Onde ela estava quando você terminou a turnê? Ela quer pegar a sua fama junto e você não percebe isso.
-Mia, cala a boca. Você está falando merda atrás de merda. Conheço a Lea há muitos anos, mais do que você imagina. Sei quando alguém está se aproveitando de mim, e não é ela.
-Está insinuando algo, Bruno?
-Não, Mia. Não estou.
-Pois parece.
-Parece que você está com ciúmes também!
-Eu não estou com ciúmes da pobrezinha. Eu só quero me certificar que você é meu.
-Está insegura de si, Mia? – Dei uma risada para provoca-la mais. – Coloque mais força nesse taco, jogadora.
-Eu entendi... Você nunca pergunta se eu vou dormir aqui, pois sabe que sempre que passa das dez da noite, eu fico. E ultimamente nem precisa passar desse horário, por que vivo mais aqui do que no meu apartamento. Você iria chamar essa mulher pra cá, Bruno?
-Melissa, chega! – Passo a mão pelo cabelo. Antes eu estava me divertindo com a discussão de ciúmes, mas ela está levando a sério demais.
-Melissa não, Mia! É Mia, Bruno. Sua namorada, e não aquela carniça.
-Se é minha namorada, como diz, honre seu título e respeite meus amigos. Principalmente a Lea, nunca ouse a falar dela.
-O que mudou? Há um ano atrás você mesmo falava dela.
-Nunca falei nada de mentiras sobre ela, nunca pus apelidos nojentos. Você está insultando-a e ela nem está aqui pra se defender.
-Então você defende ela, porque está transando com ela novamente, sim?
-Sim, Mia. Estou transando loucamente novamente com a mãe da minha filha e minha melhor amiga. Será que você não entende que as pessoas podem ser amigas sem terem segundas intenções? Ou então vou passar a desconfiar de você e dos seus trabalhos, seus negócios e etc.
-Não tem o que desconfiar de mim, meu amor. – Ela se aproxima.
-Mia... Ainda não passou das dez, dá tempo de você ir embora. O que acha?
-Como? Está me expulsando?
-Eu estou pedindo para que saia da minha casa, pra que eu possa ter um sono tranquilo sem pensar que daqui a pouco irá me estrangular ou algo assim, apenas porque está com raiva.
-Bruno? – Eu olhei pra ela, da mesma forma com que olho sempre, sem expressar nada demais. Ela me mirou, fitou-me de cima a baixo, pegou o celular dela sobre a cama e saiu batendo a porta se falar nada.
Não deu um minuto e ela voltou, pegou sua bolsa e saiu novamente. Eu estava rindo naquela altura da situação, porque não tinha motivos para estar triste ou magoado, ela sentiu ciúmes de mim e da Lea, brigou por isso, mandei ela embora porque não quero estragar toda essa minha felicidade que pode virar alguma forma de inspiração daqui a pouco.
-Foi um longo dia. – Deito-me na cama, pegando meu celular e abrindo onde ela parou de ver.
Uma foto nossa. Lea estava tirando a selfie e eu ao lado de Lana, mais para o fundo. Era só sorrisos, assim como foi nosso dia. Isso estava me fazendo sentir-me mais vivo que nunca.

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