Ultimamente nada que eu faço parece te agradar
E talvez virar as costas seria muito mais fácil
Porque ofensas são as únicas coisas que trocamos
(Carry Underwood - I just can't live a lie)
30 de Julho de 2013
Bruno Pov’s
Nas vésperas de completar dois meses da morte da minha mãe, a dor ainda parecia morar em meu peito. A sensação é de que ela nunca mais sairá dali. Parece que sempre vai ter essa dor, essa angústia dentro de mim. Lembro como se fosse algumas horas atrás a notícia de que ela faleceu.
Isso detona comigo.
Mas a vida tem que andar. Todos dizem o mesmo, após muitos sermões de lições de vida e aprendizagem, de coisas que a vida dá, que esse é ciclo comum, que temos que nos adaptar. Mas como? Eles dão esse sermão e logo depois me incentivam a continuar. Eu quero e tento. Por mim, pela minha filha, meu pai, meus irmãos...Mas não é nada fácil.
Tenho que cumprir o contrato sobre minha turnê, não pude quebra-lo. Tive apenas uma semana de recesso e dia vinte e dois, mês passado, junho, dei início a turnê. Optei por não divulga-la, já que teria que faze-la de qualquer forma. Tive meus momentos mais só, repensando em tudo e vendo como a vida é curta.
Agora já consegui twittar sobre os shows, já consigo sorrir sem ser forçado. Isso é um progresso, sim? Tomara!
-Hey, cara. Vai acabar furando esse violão de tanto que bate o dedo nele.
-Ah. – Balanço a cabeça, aterrissando na Terra e suspirando fundo. – Estava pensando longe daqui.
-Deu pra perceber. Os caras desertaram daqui. Estão querendo ir dar uma volta na cidade.
-Nem ouvi.
-Estava desligado mesmo. – Respirou fundo e se ajeitou na cadeira. – Você está bem?
-Estou.
-Okay, cara, pode ser sincero comigo... Eu espero que seja.
-Eu estou levando Phil. – Dou um sorriso amarelado. – Estou com medo, tem uma dor no meu peito que parece não cessar nunca e um bolo na garganta que não desce. É difícil essa sensação.
-Eu devo imaginar. Mas com calma nós vamos caminhar juntos pra que essa dor amenize.
Dou uma risada nostálgica.
-Lea me disse o mesmo.
-Nós combinamos em dizer isso. – Rimos juntos e ele passa a mão sobre a cabeça. – Falando em Lea... Como ela está? Digo, como você e vocês estão?
-Eu estou bem e não há mais nós, apenas eu e ela amigos.
-Esse Richard chegou pra abalar com tudo de uma vez nela, hein.
É, foi bem assim que ele chegou. Maio foi o pior mês da minha vida, e começou com ele entrando no meio de nossas vidas e afastando aos poucos quem era pra ser somente minha. Até a minha pequena é toda dele, mal o conheceu e já ficou toda empolgada com a ideia do novo namorado da sua mãe.
Mas tudo bem, assim como aconteceu com o Kai, não dou muito tempo para eles terminarem. Lea não gosta de monotonias, de rotinas, e ele tem cara de quem não gosta de aventuras. Lea não se apega por muito tempo, ele irá ver que ele não é o cara certo pra ela e isso não irá demorar.
28 de setembro de 2013
Eleanor Pov's
Havia feito um acordo com o Ric, ele viria um mês para Los Angeles e no outro eu iria para Nova Iorque. Não nos vemos por muito tempo, geralmente quem pode ficar mais é ele por aqui. Como ele veio em maio, eu fui em junho para lá, então, como estamos em setembro, ele veio na semana do seu aniversário, que coincide com o aniversário de Tiara.
Não tínhamos muito clima para festas ainda, mas levamos nossas vidas em frente. Tiara veio do Havaí essa semana e estamos combinando uma pequena comemoração numa balada bem legal, e claro que antes terá um belo happy hour.
Bruno está em turnê, que está um sucesso pavoroso diga-se de passagem. Ele veio três vezes em casa e uma delas foi para buscar Lana pra viajar com ele. Tivemos uma pequena discussão, como é de praxe, mas seguimos em frente e acho que aprendemos a lidar com nossos problemas.
-Amor, levante. - Ric cutucou meu ombro e eu resmungo, mesmo que estivesse acordada já.
-O que foi?
-Vá para o banho que eu lido com isso.
-Com o que? - Olhei para baixo e vi o que não desejava. Tinha um pequeno risco de sangue no lençol branco e provável que meu short esteja manchado. - Droga!
-Eu cuido disso, só vá para o banho. Bem quentinho, viu. - Beijou meu ombro. - Eu levo suas roupas e estará tudo bem.
-Me desculpa.
-Não precisa se desculpar, isso acontece e é normal. Agora vá lá, se cuide para não ficar com cólica.
-Você, definitivamente, não existe. - Levanto da cama, com vergonha, mas atiro um beijo pra ele e agradeço mentalmente por ele ser um cavalheiro.
Me despi no banheiro e entrei rapidamente para o chuveiro. Deixei que a água quente caísse sobre o meu corpo, levando embora uma sensação de cansaço.
Assim que sai, uma toalha estava estendida e minhas roupas penduradas, roupas quentes e confortáveis. Eu fico imaginando, pensando, quem faria isso por mim, sem ser a minha mãe?
Quando me vesti, voltei para o quarto. Ric estava lá, arrumando a cama, trocando os lençóis. Agradeço por ele ter aparecido em minha vida.
-Pronto! - Bateu sobre o travesseiro fofinho duas vezes. - Está quentinho e confortável.
-Hmmm. Deite comigo?
Caminho até a cama.
-Só depois que eu fizer algo. Aliás, a Lana volta que horas?
-Umas quatro. Ela está sendo paparicada pelas tias.
Richard voltou da cozinha com um belo café da manhã sobre uma bandeja. Aproveitei os mimos e me aninhei novamente, pretendia aproveitar o sábado na cama, até dar a hora de irmos para a comemoração de aniversário da Tiara.
§
Sentamos a mesa de um bar bem legal. Estávamos esperando por todos chegarem para começarmos a comemorar. Ric usava a camisa que dei de presente para ele e o relógio também, havia combinado bastante como suspeitei.
-Eu só quero devorar uma travessa inteira de batata frita.
-Gorda. - Tiara implica com a Presley.
-Não é gordura, apenas gosto do que é bom, aliás muito bom.
-Gosta de mim, é claro. - Kealoha mexe nos cabelos de Presley e ela o bate, dizendo que se ele estragar seus cachos e ela acabar virando um leão, ela o mata. É o amor.
-Boa sou eu! - Tocou seu cabelo para o lado. Caímos na gargalhada.
Nós começamos a comer mesmo sem a presença do Bruno e Jaime, que ainda não tinham chego.
A risada é algo que não faltava em nossa mesa, fotos e muitos vídeos legais, piadas internas e o que eu mais gostei da noite até então: elas consideram o Ric como cunhado delas. Ele, além de conquistar o seu lugar na amizade delas, conquistou a posição de cunhado, como se eu fosse irmã. Realmente, eu me sinto parte da família há muito tempo.
-Desculpem a demora. - Bruno chegou falando e dando um beijo em Tiara. - Jaime acabou ficando com a Lana e eu recebi umas ligações. Coisas da turnê. - Deu um beijo em Presley.
-E meus filhos? - Pergunta Tahiti. - Estão com ela, ao invés da Umma?
-Yep! Lá em casa.
Bruno sentou-se e me cumprimentou de longe, assim como fez com Ric. Acho que todos sentimos o clima que ficou pesado de repente.
Machucou meu coração ser ignorada assim. Acho que ele não fez por querer, eu sou melhor amiga dele e ele não faria isso, mas então porque me cumprimentar de longe, como se fôssemos meros conhecidos?
Nós continuamos a comer, saímos de lá, nos despedimos do pai de Bruno e de Tahiti, que voltariam pra casa e tiramos mais algumas fotos na rua, com brincadeiras. Nos dividimos em carros e fomos para a festa.
Ouvi Bruno dizer para Tiara que chamou uma pessoa para a festa e que esperava que ela não se importasse. Eu queria saber quem era, ainda tenho ciúmes do meu melhor amigo e sinto falta dele. Caramba, ele passou dois meses sem vir pra casa e quando vem não me da nenhum abraço?
Essa TPM também não me ajuda nenhum pouquinho.
-Chama ele! - Ric beija o topo da minha cabeça logo que entramos na balada. - Pergunta se ele está bem e como foi as viagens e os shows?
-Eu… - Olho para ele. - Se ele não veio falar comigo, ele deve ter seus motivos, então, deixa assim.
-Lea, não tem deixar assim. Ele é seu amigo e você sente falta dele. Vá lá.
-Mas… Ele nem olhou na minha cara direito. Não sou de correr atrás.
-Bom, você que sabe.
Ficamos em uma área reservada, com vista VIP de tudo e acesso VIP a tudo. Aproveitei para dançar e pegar umas bebidas, ainda eram uma da manhã e a noite era uma criança.
-Bruno! - O chamo quando vejo-o saindo do banheiro. - Tudo bem?
-Oi, Lea. - Me dá um sorriso aberto e abre os braços para um abraço. - Não te cumprimentei melhor porque senti que ele poderia ficar com ciúmes.
-Vá se catar! Desde quando eu te troco por alguém ou ele sente ciúmes? Pare de bobagem. - O abraço fortemente. - Senti sua falta.
-Eu também! Mas sobre o Ric… Sinto que ele sente ciúmes do nosso passado.
-Bobagem, Bruno! Ele adora nossa amizade, ele que pediu que eu viesse falar com você antes, mas tenho meu orgulho também.
-E eu tenho o meu.
-Então estamos quites!
-Ok! Estamos. Mas então… Não o vi dançar muito. Que houve?
-Estou esperando alguém.
-Hm. Me conta quem é?
-Não… Surpresa. - Riu. - Você não conhece ela.
-Mais uma para a coleção de bonecas de porcelana?
-Essa é um pouco mais legal que as sem utilidade pós sexo. – Nós rimos e ele abraçou-me de lado. – Será que levo uns tapas se Richard me ver assim em você?
-Talvez. – Torço a boca para o lado e logo complemento. – De mim! Se não parar de falar besteira.
-Pra que ser grossa assim?
-Eu não sou grossa.
-Porra, imagina se fosse.
Pelo menos fiquei mais aliviada em estar rindo com ele. Nós nos juntamos com o pessoal para curtir mais um pouco todos juntos, com as bebidas e risadas, mas quando Bruno recebeu uma ligação, distanciou-se de nós e voltou uns cinco minutos depois.
Ao seu lado tinha uma mulher, não era uma das mais lindas que ele já pegou, mas com certeza uma das mais nariz empinado. Tinha cabelos longos e lisos, provável que seja algo de salão, na cor preta. Seus olhos puxavam um pouco, lembravam de índias. Boca carnuda e corpo violão, baixinha como eu.
Bruno ficou com ela por lá e nós curtimos juntos, apesar de que as poucas palavras que ela disse, foram bostas.
-É só eu que não gostei dessa menininha? – Tiara para ao meu lado, segurando um copo de Martini em mãos. – Ela parece estar forçando a barra.
-Ela parece querer impressionar a todos. – Disse.
-Como é o nome mesmo? – Tiara pergunta. Faço um esforço para lembrar.
-Mia? Acho que é isso.
-Deus. – Revirou os olhos. – Ela que não queira bancar a amiguinha para o meu lado.
-Se Bruno adota-la como nova foda-certa, pode ter certeza que ela irá querer se apegar com uma de vocês.
-Você morre pela boca, hein. – Tiara deu um tapinha em minhas costas e riu. – Ainda bem que nós combinamos tanto.
-Sempre!
A festa estava boa, mas quando todos se distanciaram para fazer coisas sozinhos, passou a perder a graça, então olhei para o Ric e parece que nossos olhares se conversaram. Queríamos ambos ir embora dali.
Dei tchau para Tiara e peguei o carro para sair.
Ao chegar em casa, não havia ninguém. Lana provavelmente deve ter ido para a casa de Jaime, já que ela deve ter pensado que Bruno chagará bêbado em casa, ainda bem que ela está correta, porque não imagino menos.
∞
A parte pior é dar tchau ao Ric e saber que só o verei daqui um mês. Ele foi embora na tarde de domingo, logo que larguei-o no aeroporto, busquei Lana para ela voltar pra casa, achei uma babaquice Bruno não ter ido busca-la somente para ficar comendo aquela menina. Falando na tal de Mia, ele teve a audácia de leva-la na casa dele.
-Papai tá em casa? – Pergunta Lana assim que chegamos na garagem.
-É para estar. – Dou de ombros.
-Estou com saudades dele, mas ele chegou e eu mau o vi. – Torceu seus lábios numa carinha tão triste. A peguei no colo com dificuldade.
-Você está pesadinha pra isso, mocinha. – Assopro de cansaço. – Seu pai esteve ocupado, mas ele também sente a sua falta. Aposto que quando ele chegar em casa, vai ir correndo te ver.
-Eu quero.
-Imagina se ele tem um enorme presente pra você?
-Não preciso de presente, mamãe. Quero apenas ele em casa.
Parte meu coração ouvir uma coisa dessas. Ela não merece estar passando por isso, mas filhos de pop star’s tendem a ter essa vida. Se não estão grudados em seus pais, estão em casa com saudades deles. Não queria que isso acontecesse com ela, mas nada posso fazer.
-Ele estará. – Abri a porta de casa e eu e minha boca santa. Ele estava lá, estava indo em direção ao seu quarto, com uma garota loira no colo, aos beijos. Ela nua e ele com cueca. Tapei imediatamente os olhos de Lana e gritei, mesmo sem querer alarmar tudo.
-Lana! – Ouço ele dizer.
-Bruno, vista-se! – Resmungo, com os olhos totalmente fechados. Não queria ter que presenciar essa cena.
-Oh meu Deus, é a sua filha? – Ouço a loira perguntar.
-Sim... Meu Deus. – Aposto que suas mãos estão sobre a cabeça ainda perguntando o que fazer. – Hã, Marie, vá para o quarto vestir-se, por favor. Já vou pra lá.
-Papai? – Lana se mexe em meu colo para tentar descer e ver seu pai.
-Largue ela, Lea. – Ele me pede. Largo Lana no chão e abro os olhos pouco a pouco. – Amor do papai. – Ele estava abaixado, de braços abertos para recebe-la.
Seria uma cena linda se não fosse pelo que vi uns minutos atrás. Passo por eles rapidamente e vou até o quarto dela largar a sua mochila, quando volto para a sala, eles estão vindo corredor adentro. Ela falando sobre o balé e ele escutando atentamente carregando-a no colo.
Passei por eles e fui até a cozinha, mexi nas coisas e reforcei um bom café para tomar. Liguei a televisão e sentei na cadeira para tomar o café e assistir algo por ali mesmo, evitando ver o Bruno e a sua loira.
-Hey. – Chamou minha atenção. – Desculpa pela cena.
-Hey. – Mexi em minha colher. – Não tem que pedir desculpas pra mim, é para a sua filha.
-Já me entendi com ela.
-E a moça? Já foi embora?
-Ainda não. Vou conversar com ela antes.
-Ok, vá lá. – Aponto para a porta.
-Está me expulsando?
-Não, só não quero que perca o tesão.
-Você me conhece, sabe que eu nunca perco.
-É – Ri, tentando não lembrar de nada. Não preciso mais disso. – E a Mia? Você disse que não era mais uma de suas bonecas!
-Ela não é! – Balançou a cabeça. – Mas a sua voz enjoa um pouco.
-Ih. – Balanço minha cabeça. – Volta quando para a turnê?
-Terça. Amanhã quero aproveitar ao máximo com a Lana, então cancele os compromissos dela.
-Você é quem manda. – Dou uma mordida da maçã e ele para ao meu lado, me olhando enquanto mastigo. – O que houve?
-Nada...
-Bruno? – O chamo e ele vira para me ver. – Só não traga tantas mulheres aqui, por favor.
-Está pedindo por você?
-Não... É pela sua filha. Não quero que a confunda.
-Ela sabe quem é seu pai.
-Mas ainda não tem consciência dessas loucuras que acontecem em sua vida.
-Ok, Lea... E você não a confunde com o Richard?
-Ele é meu único. – Respondo. – Não tem como ela confundir a única pessoa que está comigo.
-Mas você estava comigo.
-Tecnicamente não. – Dou um sorriso amarelo. – Nós nos pegávamos quando dava vontade.
-Ok, Lea. Vou ir ao quarto.
-Boa conversa.
-Obrigada, pode deixar que eu terei.
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