segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Capítulo 57


Você sempre estava lá, você estava em toda parte
Mas agora eu queria que você estivesse aqui
(Wish You Were Here - Avril Lavigne)

Quando cheguei ao hotel uma hora após a ligação do Bruno, estavam todos dormindo. Ele dormia tão profundamente que roncava alto, seu peito subia e descia. Olhei pra ele ali, parecendo bem melhor.

Ao deitar na cama tudo que eu conseguia pensar era que aquilo foi surreal. Nunca iria conseguir acreditar que fui pra cama com um modelo, que transamos logo no primeiro encontro. Sorria, boba, olhando pro teto pensando em mil e uma coisas.

Pela manhã cedo estávamos de pé. Bruno arrumava suas coisas na mala e falava com a Umma, enquanto minha pequena grudou-se em minha pernas e brincava de não querer deixar arrumar a mala.

-Cadê minha blusa daqui? – Pergunto em tom de brincadeira e ela ri, já se entregando. – Ué, estão sumindo minhas coisas. Que estranho.

-Tem um fantasminha por aqui, Lea. – Ouvi Bruno dizer e rimos.

-Muito estranho. Esse fantasminha merece uns tapas na bunda. Não acha?

-Acho. Vou providenciar.

Rimos bastante por muito tempo, fazendo brincadeirinhas e palhaçadas. Eu amava quando estávamos assim, juntos e brincando com ela. Era uma das minhas horas favoritas.

Quando saímos para pegar o carro, Ric mandou-me uma mensagem de bom dia. Aí começamos a conversar e ele disse algo sobre não querer que eu fosse embora, pois ainda poderíamos nos ver mais. Falei para ele não se preocupar que eu poderia voltar e ele também poderia ir, e que não iríamos perder o contato.

Bruno Pov’s

E novamente estávamos nós, Lea sem largar a porcaria do celular, cheia de sorrisinhos e cara de quem estava satisfeita, sexualmente falando. Lana estava dormindo nos meus braços e Umma vinha tranquila ao nosso lado. Já estávamos no aeroporto prontos para voltar pra Los Angeles. Mais uma viagem vinha na segunda feira e eu já estava cansado só de pensar.

Ontem a noite foi legal. Tomei meu esquenta sozinho no bar do hotel, encontrei com os caras. Paquerei uma e outra menina, mas com quem fui para a cama foi com Grace. Quando vi que nada me agradava muito por ali, disquei seu número e marcamos um encontro diretamente num hotel. Não no mesmo que eu estava hospedado, até porque não queria nenhum tumulto sobre mim na mídia e nem prejudicar a Lana. Transamos e cada um foi para o seu canto.

Não adiantou muito ficar com ela, ela era boa demais, mas acho que meus pensamentos estavam acumulados demais para conseguir me concentrar profundamente com o sexo. Muita coisa acontecendo de uma só vez me deixa assim.

Agradeci quando entramos no avião e Lea teve que desligar o celular. Ajeitou-se na poltrona ao meu lado e falou algo com Umma que estava com Lana nas poltronas atrás de nós.

-Não vou perdoar a Megan por ir antes. - Emburrada, disse.

-Ela estava com aqueles problemas do restaurante. Difícil. - Torci os lábios. - Mas acho que ela resolveu tudo.

-Talvez. Caleb não colabora também.

-A única coisa que ele está com foco no momento é voltar com ela.

-E a única coisa que ela quer sair de foco é voltar com ele. Sem chances.

-Nunca vou entender.

-Caleb pintou e bordou quando estava com ela. - Lançou-me um olhar como quem falasse que sabe das coisas que Caleb me falava sobre como ela é gostosa, como sua bunda é curvilínea e que queria fazer espanhola com ela. Engoli um bolo que estava em minha garganta, mas não perdi um sorriso brincalhão do rosto. - Ela gostava dele e ele foi um idiota.

-Somos homens, Lea.

-Ratos. - Arqueou a sobrancelha. - Tudo cansa um dia, Bruno. O ruim é quando bate o arrependimento depois, quando não se pode fazer mais nada.

-Ai vem da mulher saber entender também.

-Entender o que? Que ao mesmo tempo que está com ela, quer estar com mais vinte, mas não permite que ela tenha o mesmo? Isso é machismo.

De repente sinto que não estávamos mais falando de Caleb ou de Megan, ou de qualquer outro casal do universo. Estávamos pondo nossas situações ali. Eu via isso, e tenho certeza que ela também.

-Não é isso! - Eu nem sabia o que era. No fundo, queria apenas acabar com aquele assunto. - Caleb e Megan são grandes, eles irão se entender.

-Claro.

Ela virou-se pra frente, ajustando a poltrona e recostando-se novamente. Seus olhos se fecharam e o comissário deu algumas instruções, além de falar sobre nossas luzes próprias nos assentos. Eleanor se mexeu e permanecia de olhos fechados.

-Bonita aquela foto na patinação.

Caralho, não consegui ficar sem falar algo sobre. Eu precisei dizer, mas saiu quase sem querer.

-Ah. - Seus olhos se abrem e acompanham a curva dos seus lábios. - Eu adorei patinar. É muito bom.

-É mesmo. - Concordo. - Na verdade, eu imagino. - Corrigi, já que nunca me atrevi a andar.

-Quando vier pra cá novamente, vá lá. Não irá se arrepender. - Olhou pra mim, por poucos segundos, e fechou os olhos novamente.

-Pode deixar. – Minha língua coçava de anseio para falar mais alguma coisa. Perguntar com quem foi, perguntar como foi, com quem foi novamente, se ela gostou mais do que os nossos passeios, com quem foi, porque ela não me convidou, e por fim, com quem ela foi. Soltei um pigarreio. – Poderia ter ido com você ontem se soubesse.

-Ah, poderia... Mas é que foi de última hora.

-Mas você foi sozinha? Digo, não é meio perigoso?

-Não. Lá é super tranquilo. Até fui numa cafeteria que tem na frente.

Ela fala tudo, mas não diz nada sobre com quem foi. Lea está fugindo do assunto ou realmente não quer que eu saiba? A vi se ajeitar novamente na poltrona e respirar profundamente, acho que estava com sono ainda. A deixei tentar dormir e fiz a nota mental de investigar melhor quando chegássemos em Los Angeles.

β

Fazia frio em Los Angeles. Precisei colocar meu moletom e pegar um casaco meu para cobrir Lana, que estava escutando música com a Lea e cantando. Pedi para Dre levar Umma para casa, ela precisava descansar e eu iria dirigindo para casa.

Lana foi na cadeirinha no banco de trás e Lea ao seu lado.

Peguei meu celular e entre um sinal e outro entrei nas redes sociais. Olhei a sua foto novamente, vi as curtidas, um comentário da sua mãe. Continuei a olhar e deixei escapar um grunhido estranho quando vi que ela havia começado uma nova amizade e começado a seguir a mesma pessoa: Richard Haskett. Isso lá é nome de gente?

Entrei no seu perfil e olhei suas fotos. Um modelo? Um modelo que por acaso estava no coquetel pós desfile. Larguei o celular, deixando aberto em sua página e estacionei dentro de casa.

As meninas desceram na frente e eu fiquei pra trás avisando que já levaria as malas. Pus o celular novamente em minhas mãos e olhei mais fotos suas. Um sorriso grande sempre estampado em seu rosto, cabelos com cortes variados, olhos expressivos. Lea o adicionou apenas por ele ser um semi-famoso ou o que?

Daria tudo pra entender os motivos.

-Papai, olha isso. – Lana me chama quando estou entrando na casa com a minha mala e última. – Aprendi a fazer. – Ela pôs a mão sob a sua cabeça e girou duas vezes seguidas, parando e fazendo uma reverência.

-Opa, que linda que minha princesa está. Quando irá apresentar o cisne negro para o papai?

-Não sei. – Mexeu o pé, olhando para ele. – Ainda tem muito pela frente.

-Muito o que, L? – Achava engraçado quando ela tomava algumas posições de adultos, com frases feitas por nós. Um espelho refletindo.

-Não sei, papai. – Saiu pirueta, rindo.

β

Eleanor Pov’s

Eram pouco mais de sete da noite quando desci do táxi, em frente ao pequeno teatro que seria a apresentação da minha pequena. Lana tinha ido para lá às cinco com Dre, para se arrumar, mas os responsáveis não podiam ficar com as alunas durante a preparação. Uma pena, porque eu queria tirar várias fotos dela se arrumando.

"Onde você está?"

Envio para Bruno.

Tirei o ingresso verde e vermelho que recebemos junto com o convite, mas antes que pudesse entrar, meu celular começou a tocar.

- Eu já saí da gravadora. - Bruno fala, antes mesmo de dizer "Olá". - Está tudo parado pelo Oaks. - Ouvi o barulho de buzina. - Não sabe dirigir, não sai de carro, porra!

- Hey, se acalme.

- Não quero perder a primeira apresentação em teatro da minha menina, Lea. - Outra vez a buzina. - Juro que tentei sair o mais cedo possível, mas ficamos vendo a agend...

- Eu entendo. De verdade. - Entrego meu ingresso. - Tome cuidado na pista, e tente chegar logo. Só isso. Ainda tem uns quinze minutos.

- Ok. Obrigado. - Ele solta uma risada baixa. - Eu vou me atirar de uma ponte se perder a Lana dançando, eu juro.

- Dramático. - Acuso, e ele gargalha.

- Um pouco. Tchau, Eleanor. Guarde meu lugar na frente!

Desligo o telefone ao mesmo tempo que dou um abraço de leve na professora de Lana, que está logo na entrada do teatro.

- Minha princesa se comportou? - Pergunto, logo depois de cumprimenta-la.

- Não há dúvidas quanto a isso. Uma perfeita lady. Adorou ser toda maquiada. - Parece tão orgulhosa dela quanto eu mesma. - Sr. Hernandez vem?

Era engraçado como chamava o Bruno pelo nome de cartório, provavelmente pelo sobrenome de Lana.

- Está a caminho. Quando vou poder ver as fotos da arrumação dela? Vocês têm previsão?

- Entram no site ainda este mês... - Deu um sorriso cúmplice. - Mas como você pediu, nenhuma da Lana vai ser colocada lá, chegarão no seu e-mail no mesmo dia. Uma pena, porque a garotinha de vocês é linda.

Agradeço e me afasto, para pegar um lugar bom.

Quando recebemos a circular, pedindo permissão para publicar fotos da Lana no site da escolinha, Bruno e eu entramos numa longa conversa. Porque, querendo ou não, Lana era uma criança pública. Bruno quase nunca postava fotos dela, apenas uma ou outra, bem raramente. Não gostava de sair com ela quando descobria a presença de paparazzi e evitava falar sobre nossa bebê em entrevistas. Nós dois concordamos que enquanto Lana não tiver idade para assimilar como as coisas são, ela deve ter a vida normal, como qualquer outra de sua idade. Quando ficar maior, se for sua vontade, pode acompanhar Bruno em eventos e essas coisas.

Bruno Pov’s

Como se não bastasse meu quase-atraso, eu simplesmente não conseguia achar a porcaria do ingresso para adentrar o teatro. Procurei rapidamente no porta-luva, nos bolsos e pelo chão do carro, já preocupado em perder ainda mais a apresentação, quando me lembrei que tinha colocado na carteira, já para não esquecer.

Chequei se realmente estava lá, e peguei minhas coisas, andando apressado para dentro.

Para meu alívio, a apresentação ainda não havia começado. As luzes já estavam apagadas e tudo mais, mas as cortinas continuavam fechadas.

Nem precisei desbloquear meu celular para ver a mensagem de Lea, que dizia apenas "4D", então segui para lá.

Pedi licença, meio atrapalhado, abaixando a cabeça e quase me escondendo embaixo do chapéu, para não ser reconhecido.

- Hey. - Lea olhou para minha mão e franziu a sobrancelha, confusa.

- São para a Lana. - Expliquei, depois de dar um beijo rápido em sua bochecha. Sentei ao seu lado, no único lugar vazio da fileira e pus o pequeno buque de flores, em vários tons de rosa, no meu colo.

- São lindas. Ela vai ficar toda boba.

- Eu vi como ela achou lindo aquele que você ganhou. - Eu falei, tentando não demonstrar nem um pingo de ciúmes na minha voz. Só de lembrar quando ela recebeu um enorme buquê em casa, com rosas e tulipas, daquele modelo de Nova Iorque, me arrepia tudo e me dá ânsia de vomito. O sorrisinho que ela ficou, toda boba com o agrado que ele deu. Garanto que deu para outras também. Iludida.

Ela balançou a cabeça rapidamente e eu a imitei, sentindo o clima pesar levemente com a menção daquele assunto.

- Por que atrasou?

- Eles disseram que estavam terminando de arrumar as meninas. - Me explica, ainda olhando para flores no meu colo.

- E eu me atrasei porque estava procurando uma floricultura aberta. - Estralo meus dedos. - Quero dar muito apoio para ela e incentivar. - Continuo. - Quero que ela seja o que quiser ser.

- Lana tem sorte de ter um pai que a incentive tanto. - Lea dá um tapinha incentivador no meu braço. - Ser pai é mais uma das coisas que você consegue fazer perfeitamente. Você é um herói para ela, um príncipe.

- Obrigado. - Respondi, meio sem jeito. Puxo uma flor do buquê de Lana e ponho na mão de Lea, para que fique para si. - Não sei o que seria de mim sem você. Teria desistido da minha carreira para cuidar da nossa bebê, sem dúvida alguma.

- Esse clima de fim de ano deixa todo mundo muito emotivo. - Lea ri, brincando com a flor que lhe dei. - Nem faria essa diferença toda.

- Eleanor? - Uma professora, vestida de vermelho da cabeça aos pés, chama Lea, ao lado de sua cadeira. Sem muito alarde, avisa: - É a Lana.

- O que aconteceu com ela? - Interrompo, me adiantando.

- Oh! Sr. Hernandez, é uma honr...

- Obrigado, senhora. E pode ser só Bruno. O que foi com a Lana?

- Não foi nada sério. Ela só está assustada de entrar no palco... A apresentação dela é a primeira. Não queremos forçar nada mas achei que... Se algum de vocês pudesse ir falar com ela...

- Você quer que eu vá? - Lea dá de ombros.

- Vá. Você sabe essas coisas de subir em palcos melhor que eu.

Deixo-a para trás, e sigo a professora para a lateral do teatro, e rapidamente passamos para trás da coxia.

Aceno para um grupo de meninas, com uns 13 anos de idade e, continuo-o seguido-a até paramos em frente um grupo de bem umas 20 crianças, da idade de Lana.

- Cadê ela?

- Ali. - Aponta para o cantinho, e vejo os cabelos da minha pequena presos em um coque.

Ela estava de costas, meio escondida, encostada na parede.

Me aproximo dela e me agacho no chão, para ficar de sua altura.

- Oi, L.

- Papai! - Ela praticamente se joga no meu colo. Soluça, agarrando meu pescoço. - Quero ir pra casa, papai. Vamos pra casa.

- O que foi, meu amor? - Aliso suas costas, e ela esconde o rosto na minha camisa. Me levanto do chão, trazendo-a nos meus braços e tento não babar na forma que ela está linda, de ajudante de papai Noel.

- Não quero mais me apresentar, papai. Por favor, vamos pra casa. O Gege tá me esperando.

- Hey, olha pro papai, L. - Sorrio, incentivando-a. - Por que você não quer mais, princesa?

- Tem muita gente lá fora... E a tia disse que estão esperando pela gente...

- E o que tem de errado nisso? - Pergunto, baixinho.

- E se eu errar? Todo mundo vai rir de mim, papai.

- Oh, L... Não fica assim. - Beijo seu rosto, enxugando suas lágrimas. - Você sabe quando o papai vai cantar naqueles palcos cheio de luzes? Com o tio Eric e o tio Phil? - Ela balança a cabeça de forma afirmativa. - Todos às vezes, o papai tem medo de errar, de fazer feio e do pessoal não gostar, sente esse friozinho na barriga igual a você, meu amor. Mas toda vez que eu subo lá... Eu erro e amo isso. Não adianta, faz parte do show. Nada é perfeito, L. O papai não é. E você também não. E nem precisa ser! Não existe essa de não errar. - Coloco-a no chão. - O papai só quer que você vá lá e se divirta, certo? Dance, cante as músicas... Só precisa fazer com amor, L, que ninguém vai rir de você. Funcionou para mim, e para você também vai. Não precisa ter medo. - Beijo sua cabeça. - Mas se quiser ir para casa... Papai te leva. Você só precisa fazer isso se tiver vontade.

Por mais que eu queira que ela ame os palcos como eu, não quero lhe forçar a nada. Lana me encarou com um biquinho por alguns segundos, e depois pareceu mudar de ideia.

- Tudo bem, papai. - Franziu a testa, igual Lea diz que eu costumo fazer. - Mas você vai ter que me contar mais sobre esse friozinho na barriga depois, certo? É estranho.

Eu ri, do jeito lindinho que a minha pequena artista falava.

- Conto tudo, L. - Dou um último beijo em seu rosto. - Vai lá e se divirta. Eu e Lea estaremos te vendo, ok?

- Aham

- Me beija de volta. - Te amo, papai. Obrigada.

- Meu Deus, como você cresceu. Te amo também, filha. - Rio, mandando um beijo no ar e me afastando.

Vejo ela correr para um grupo de amiguinhas, todas naquele vestidinho vermelho e sapatilha preto e me tranquilizo, sabendo que ela está bem.

Volto pro meu lugar e Lea pergunta se está tudo bem com Lana, respondo que ela estava apenas com um pouco de nervosismo, o que a faz se tranquilizar também. Iria falar da roupa que Lana vestia quando um narrador começou pedindo atenção, e pouco menos de dois minutos depois, a cortina se abriu.

Uma bailarina, que eu acreditava ser professora, estava vestida de fada e sua voz deu início ao espetáculo, falando de amor e união no Natal.

Não demorou muito para minha menina entrar, de mãos dadas com outra.

As duplas se espalharam pelo palco e dançaram lindamente, ainda que algumas vezes olhando para a professora no canto do palco, que mostrava os passos caso se esquecessem de algum.

Lea secava as lágrimas ao meu lado, toda derretida, murmurando o quão linda Lana estava, com o celular filmando algumas partes da dança. E eu, claramente, não estava menos emocionado do que ela.

Lana retornou no final da peça, quando todos os números foram colocados juntos para cantar Jingle Bells enquanto se balançavam para cá e para lá.

E realmente bem no final, logo antes da cortina cair, uma menina de casa número, foi para frente do palco, formando uma linha com todas as fantasias da apresentação.

Passei os olhos por uma fantasia de árvore de natal, de elfo, mas parei quando vi quem das ajudantes de natal estava ali, na frente de todos.

Minha menina.

Sorriu lindamente e se abaixou, em uma mesura, com as mãos dadas com as outras, ouvindo os aplausos.

Enxuguei uma única lágrima que caiu dos meus olhos e olhei para Lea, que se derretia toda.

- Bruno. - Passou as mãos por debaixo dos olhos. - Ela vai ser uma artista igualzinha a você.

Vinte e Quatro de Dezembro de Dois Mil e Doze

Eleanor Pov’s

Finalmente o natal havia chego. Depois de uma semana longa que parecia não passar nunca, ele veio. A casa do Bruno estava lotada. Crianças, adultos, brinquedos, bebidas, comidas e tudo que dá para imaginar. Ele abusou da festa, fazendo algo bem grande e especial, pois disse que sentia necessidade de fazer esse natal mais do que especial. Quem seria eu para tirar isso dele?

Meus pais, para minha felicidade vieram, e estarão em breve aqui, já que estão vindo com meus avós. Minha irmã ligou, está no Canadá com uns parentes do Kyle e passará por lá mesmo.

-O que está fazendo no quarto ainda? – Tiara para na porta, com as mãos na cintura e segurando o seu celular com uma delas.

-Ah. – Olhei para meu quarto e logo depois para meu próprio corpo. – Vou tomar um banho ainda para me arrumar.

-Ainda não tomou?

-Na verdade, não. – Ri, passando a mão sobre o cabelo. – Estava no celular com Elisa.

-Maravilha. – Revirou os olhos. – Como ela está? Vindo pra cá?

-Ela está bem, graças a Deus, mas passará com o marido em Vancouver.

-Chique! Porque?

-Tem uns parentes dele por lá, parece que a avó dele também e ela está bem velhinha... Essas coisas.

-Eu entendo. Ok, se arrume e desça para começarmos com a nossa festa.

-Ok.

Entrei para o banho e não demorei muito. Assim que saí, tomei meus cuidados de sempre, passei uma maquiagem super de leve e vesti minha roupa. Um jeans básico, uma blusa de manga comprida e botas fofas. Claro que não poderia faltar um belo suéter por cima com algumas renas.

Quando estava vestindo meu gorro de papai noel, meu celular apita loucamente. Era o Skype. Uma chamada com o Ric.

Atendi e esperei estabilizar.

-Oi, mamãe noel.

-Oi. – Coloco a mão sobre o gorro para retira-lo e ele ri, dizendo que não precisava. Que vergonha. – Estou um caco.

-Tá nada. Está linda, diga-se de passagem.

-Obrigada. Mas e aí, como está o natal?

-Maravilhoso. Estou em Ohio com a família.

-Mas vocês não são do Texas?

-Sim, mas meus avós paternos moram aqui... História longa! Esse ano resolvemos juntar a família toda, mas reservei um tempo da loucura para poder ver você.

-Nós mal nos falamos esses dias. – Faz uns dois dias que não nos falamos direito, já que ele estava nuns trabalhos e eu empenhada em ficar com as crianças e dar atenção aos meus pais e a família do Bruno.

-Esse é um dos principais motivos que chamei você por aqui. Queria ver você.

-Pena que não é pessoalmente.

-Logo, logo, será! – Ofereceu-me um sorriso lindo.

-Uhuh. – Bruno tosse forçadamente e percebi que ele estava na porta do meu quarto.

-O que faz aí? – Estranhei.

-Que? – Ric pergunta.

-Estou buscando você! Ordens expressa de todos que estão lá na sala comemorando o natal.

-Eu já vou lá.

-A onde? Tá doida? – Ric pergunta, rindo.

-Desculpe, Ric, estava falando com o Bruno.

Escuto Bruno dizer um AF com toda a altura e fechar a porta.

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