Eu só quero sentir amor verdadeiro
Sentir o local onde vivo
Porque eu tenho muita vida
Fluindo nas minhas veias
E sendo desperdiçada
(Feel - Robbie Williams)
Passei um sábado maravilhoso com minhas irmãs e minha filha. Ligamos para minha mãe através do Skype, que apesar de estar com uma leve dor de cabeça, ria e brincava conosco. Essas foram minhas distrações, pois quando cheguei em casa tive um enorme baque. Lembrei da Lea dizendo sobre seu novo namoro, mostrando seu anel. É errado ficar com esse remorso, mas eu estou me sentindo assim e nem sei como concertar.
Lana correu com o Liam para os fundos da casa para brincarem com o Gege. Fui até o estúdio com o Eric e Tiara. Ela posaria aqui novamente.
-Vocês não podem discutir assim sobre as músicas. – Eric dava um sermão em Tiara. – São irmãs. Se amam. Não é por uma música que irão brigar.
-Mas elas não me perguntam as coisas! – Gesticulou as mãos. – Simplesmente me tocam um papel e dizem “olha, você vai fazer isso”. Eu não sou capacho de ninguém. Tenho meus gostos e quero também opinar.
-Então diga isso pra elas. – Disse.
-Mas é aí que entra a questão maior, irmãozinho. Elas não me escutam. É só na briga e ameaça.
-Elas escutam sim! Mas eu garanto, te conhecendo como conheço, que você não chega numa boa. Já chega com quinhentas pedras em mãos. – Eric cruzou os braços e ela soltou a respiração.
-Eu não estou afim de estragar meu final de semana com isso. – Bufou.
-Pensa bem no que está fazendo.
-Odeio você! – Gritou, dando as costas. – E você também, nanico.
-Blá, blá, blá. – Revirei os olhos e nos entregamos para a risada.
-Está calado depois que chegamos aqui. – Eric me observa, sentando na cadeira da bateria.
-Cansado. – Deixo meus ombros caírem e me recosto na cadeira.
-Imagina quando chegar a turnê! Você morre.
-Nem quero imaginar. – Pego o violão preguiçosamente.
-Não está só cansado, né? – Nem vi que Tiara estava tocada no sofá do estúdio, pensei que tivesse saído dali. Virei-me pra ela.
-Estou.
-O que tem nesse meio que não estou sabendo? – Pergunta meu irmão.
-Tem nada. – Devolvo o olhar intimidador que Tiara dá em mim.
-Você está com ciúmes!
-Não estou. – Balanço a cabeça. – Cala a boca.
-Tá sim.
-De quem? – Pergunta novamente. Meu irmão está completamente perdido. Tiara já deve saber que ela está namorando. Idiota. – Da Lea?
-Dela mesmo.
-Fica quieta, Yara. Você não sabe de nada.
-Ela está namorando, Eric, aí ele está assim, morrendo de ciúmes. Garanto que pensa que poderia estar no lugar do Ric.
-É Richard!
-Viu, até me corrige. – Ela dá altas gargalhadas. – Mano, desencana. Você teve seu tempo.
-Teve tempo de sobra com ela.
-Dá pra vocês dois darem um tempo? Eu não ligo pra essas coisas. Não ligo pra ela ou pro namoro dela. Lea continua sendo minha melhor amiga e deu.
-Até ela começar a ser mais amiga do namorado do que de você, porque ele pode sentir ciúmes de você, aí pouco a pouco você vai perder ela.
-Por isso que as meninas brigam com você. Porque você é chata!
-Eu só estou falando a verdade. – Deu de ombros.
-Deixa ele, Tiara.
-Tudo bem. – Dedilhei umas notas desconexas no violão e mudamos o assunto rapidamente para música.
Treinamos um pouco e voltamos pra sala. Na hora, Lea chegou. Estava com uma sacola em mãos e um enorme sorriso. Esse sorriso me incomoda bastante. Ela deu um beijo em cada um de nós e disse que ia tomar um banho.
-Papai. Titio. O Liam pode dormir aqui hoje? – Chegam os dois ofegantes de tanto correrem.
-É com o seu tio, porque por mim esse carinha morava aqui em casa. – O peguei no colo.
-Eu posso, papai?
-Sua mãe... – Pareceu pensar bem no assunto, deu um sorriso que eu pude entender que era mais tempo sozinho com ela. – Ela não verá problema. Claro que pode.
-Eeeeeh! – Lana gritou em comemoração. – Solta ele. – Puxou minha perna.
-Porque mocinha?
-Ela está com ciúmes de você, assim como você morre de ciúmes...
-Calada. – Falei para Tiara, que se deita rindo de mim. – Vá brincar com a sua prima enquanto podem. Daqui a pouco vamos dormir.
-Tá.
Sentei no sofá e continuei a conversar com eles enquanto estava uma atualizada nas minhas redes sociais. Curti algumas fotos e senti o perfume dela chegando à sala. Sorri pra ela, mas ela nem me olhou direito. Será que já começou a troca do Richard por mim?
Meu irmão foi embora assim que tomamos um sorvete. Tiara brincou com os dois, deu banho neles e pôs para dormir. Lea e eu fomos pra rua. Sentamos na beira da piscina, sentindo aquela brisa da noite, um clima bem legal.
-Vai voltar amanhã pras suas viagens? – Me pergunta.
-Não. Segunda à tarde. À noite temos que estar em Nova Iorque, novamente. – Respiro fundo.
-Ah.
-Porque?
-Richard voltará amanhã de noite para Nova Iorque. Queria fazer o almoço amanhã, tudo bem por você?
-Claro. – Dou de ombros, fingindo não me importar. Mas, quando a ficha caiu... O almoço seria na minha casa? Mas de jeito nenhum! – O almoço será aqui ou nos seus avós?
-Aqui. – Me segurei pra não gritar. Quer dizer que ela, além de me trocar, vai trazer um macho para debaixo do meu teto? Não... Nunca.
-É que... Sei lá. Não irá ser estranho?
-O que?
-Eu e ele... Ou melhor, ele aqui em casa.
-Porque seria?
-Porque nós ficávamos antes, Lea.
-Relaxa, ele é tranquilo sobre isso. Nem deve se lembrar de que nós ficávamos.
Ele ou ela que não se lembra? Porque não faz muito que isso acabou! Idiota. Se acha mesmo que eu vou deixar aquele pivete modelo pisar dentro da minha casa, ela está enganada.
-Mas se você não se sentir a vontade, posso fazer em outro lugar, mas daí você não iria.
-E porque não? – Perguntei um pouco mais alto.
-Porque não faz sentido você estar reclamando que ele irá achar estranho o fato de nós termos um caso no passado, e ir no almoço amanhã e ver ele. Então poderia ser aqui. Mas aí é que entra a questão. Você não quer que ele venha aqui! Certo?
-Nada a ver. – Reviro os olhos.
-Bruno, acha que eu não conheço você? – Ela ri. – Tudo bem que você não o queira aqui.
-É que Lea... – Imaginei uma cena idiota na minha mente, onde ela está vestida de donzela e eu e Richard duelamos com espadas por ela e o castelo é minha casa. Eu sou infantil demais. Reconheço.
-Tudo bem, vou perguntar pra minha avó.
-Não. – Chamo sua atenção. Qual é, eu não posso ser um imbecil e magoa-la justamente agora, apesar de não querer realmente que seja aqui, mas a felicidade dela me importa... – Pode ser aqui sim. Faremos uma lista do que cozinharemos.
-Nós, eu e ele, faremos a comida.
-Ah, ele cozinha?
-Sim! Ama cozinhar e é super boa a comida dele. Verá amanhã.
-Ah... – O panaca além de ser alto, boa pinta, modelo, amigão e um caralho a quatro, ainda cozinha? E daí, eu canto! Isso é um dom. Modelar não é um dom!
Eleanor Pov’s
Parecia que então a vida tinha sorrido pra mim. Foi naquela quinta feira de novembro que ele apareceu em minha vida, justo quando tinha decretado que só me entregaria para quem me transbordasse. Descobri que Ric não só me transborda, mas me faz ir além.
Passar um dia inteiro com ele fazendo programa de namorados, sem precisar se esconder de ninguém, podendo beija-lo e acaricia-lo quando bem entendesse.
Nós tomamos café num quiosque na beira da praia, depois fomos ao shopping, passeamos e nos divertimos, além de comermos alguma guloseimas e comprarmos coisinhas para nós. Final da tarde pegamos uma sessão de cinema. Não preciso dizer como fiquei encantada pelo meu dia.
Nós combinamos de fazermos o almoço amanhã e quando disse isso ao Bruno, ele estava inventando coisas para não quere-lo dentro da casa dela. Uma baboseira chamada: orgulho de macho. Interpretei essa urgência dele de não trazer o Richard aqui como um alerta de que ele se sente ameaçado por ele. O porquê eu não sei, mas acho que é aquela coisa idiota de um tentar ser melhor que o outro. Bobagens.
∞
Quando o busquei na cidade baixa de Los Angeles, não imaginei que ele estaria tão lindo. Segurava uma mochila nos seus ombros fortes e tinha um sorriso aberto em seu rosto. Conseguia me fisgar somente com o jeito em que andou até chegar ao carro. Nós nos beijamos e nos abraçamos brevemente e então entramos, para que não nos atrasássemos.
Meus avós iriam mais para perto do horário do almoço. Eric e Cindia foram convidados, já que Liam estava lá e eles iriam de qualquer forma. Liguei para Jaime, mas ela e as meninas terão outro compromisso. Mas, no final da tarde, quando Ric estiver indo embora, o pai de Bruno chegará para ficar uma semana por ali.
-Estou nervoso. – Pôs a mão, que estava gelada de suor, sobre minha coxa.
-Não fique! Nem são meus pais ainda, são meus avós.
-Quer dizer que eu tenho que ficar nervoso quando forem seus pais? – Sua voz deu um tranco, quase não entendi o que disse, pois depois começou a falar rapidamente.
-Não, de jeito nenhum. Meus pais são legais. Talvez minha mãe te encha de perguntas, mas isso é comum, não? Afinal, eu sou a caçula.
-E eles não têm nenhum neto para se preocupar, então o peso vai pra você.
-Exatamente. Eu sou o bebê da família.
-Agora sim que tenho mais medo. Imagino seu pai puxando uma espingarda de cima da lareira e me correndo da casa dessa forma.
-Primeiramente... Não existem motivos para ter uma lareira no Havaí.
-Droga. Às vezes esqueço que você é de lá.
-Tudo bem.
-Enfim, como o Bruno está? Finalmente vou conhecer a Lana, que você tanto fala.
Como o Bruno está? Bem?! Pelo menos é para estar bem. Eu vi que ontem ele não aceitou tão bem assim sobre o almoço com o Richard. Eu sinto muito por ele, até ia desistir de fazer lá, mas ele me convenceu dizendo que não tinha nada a ver. Eu espero realmente que não tenha nada a ver.
-Ela vai adorar você.
Assim que estaciono o carro no na estrada do pátio de casa, a porta já se abre. Umma estava saindo para algo. Pedi que ela deixasse aberta e me aproximei.
-Umma! – A abraço. – Esse é Richard.
-Prazer. – Esticou a mão para ele apertar, mas Ric a pegou e deu um beijo sobre ela.
-Encantado. – Deus, como ele pode ser tão cavalheiro.
-Mãe! – Vejo somente um vulto correndo em minha direção e uma risada gostosa, que abraça minhas pernas e me faz sempre sentir em casa.
-Amor. – Me inclino para beijar o topo da sua cabeça. – Cumprimente o tio Ric.
-Ric? – Ela o olhou. – Você é o namorado da mamãe? – Richard me olhou sem saber o que responder, talvez tivesse medo do que falar, mas assenti para ele disser o que tivesse vontade e se sentisse bem.
-Sim. – Baixou-se para ficar do tamanho dela. – E você deve ser a Lana, a princesa da Lea, sim?
-Sim, sou eu. – Lana oferece um grande sorriso.
-Você é mais linda pessoalmente. E muito inteligente.
-Obrigada. – Ric a abraçou e ela não desviou, o abraçou também e Liam vem em nossa direção. – Liam. Esse é o Richard, namorado da mamãe!
-Você tinha me dito que era somente ela. – Ficou confuso vendo Liam vir em nossa direção, mas disse baixinho perto do meu ouvido.
-Ele é sobrinho do Bruno, filho do seu irmão, veio passar o final de semana aqui.
-Que susto.
Liam ficou meio acanhado, por ter seus três aninhos ainda, ele é tímido. Bruno disse que ele mudará daqui uns dois anos, mas acho que ele tem tendência a ser mais tímido do que mais extrovertido, como a Lana.
Entramos dentro da casa e lá no fundo vi o vulto do Bruno, ele passou para o lado do corredor, com o celular pendurado na orelha. Levei Richard até a sala e ofereci coisas para ele beber, aceitou um suco então eu o busquei e quando estava voltando, topei com o Bruno mexendo no celular.
-Bom dia, garanhão.
-Bom dia. – Disse, parecendo meio nervoso.
-O que houve?
-Nada. Estava falando com o Brandon.
-Algum problema?
-Não, nenhum. Está tudo bem. E aí, o seu namorado não veio?
-Veio. Está na sala, vamos lá.
-Eu vou depois.
-Bruno!
-Sério... – O olhei, não acredito que ele faria essa desfeita de ir até a sala dar pelo menos um oi para o Richard. – Ok.
Bruno chegou mais acanhado atrás de mim, parecia estar querendo se esconder. Richard levantou prontamente e sorriu de primeira, parecia que era uma honra estar perto dele.
-Ric, este é o Bruno, meu melhor amigo.
-Bruno, que prazer conhecer você!
-Opa, cara. Prazer é o meu. Richard, isso? – Deram um aperto de mão, desses que os homens dão.
-É isso mesmo!
Não senti clima estranho na sala, nenhum, até eles conversaram um pouquinho, quatro ou cinco frases. Bruno disse que iria pedir o almoço e que precisava saber quantas pessoas estariam ali.
-Mas já tinha dito que eu e Richard iríamos cozinhar.
-Não quero dar trabalho pra vocês. – Senti tanta ironia nisso.
-Não irá dar. Eu amo cozinhar. Aliás, acho que já temos que começar. – Richard olha para o seu celular para ver a hora.
-Então vamos. – Levanto e ele também.
Seguimos para a cozinha e suas mãos seguraram as minhas. Um arrepio percorreu minha espinha, era tão mágica a sensação de estar com ele que eu me sentia tão segura.
O desandar do almoço foi bom, nós nos dividimos para fazermos as coisas. Richard era um palhaço e sempre estava me sujando no rosto, depois limpava com a boca e ríamos como uns idiotas.
-Você quer um avental?
-Querer eu até queria, para não sujar a camisa, mas odeio aventais. Eles me sufocam.
-Droga, eu só tenho os que amarram no pescoço também. – Torço os lábios.
-Eu posso ficar sem camisa. Não tenho problema nenhum com isso!
-Eu também não.
-Mas Bruno não acharia anti-higiênico?
-Não. – Passo o dedo pelo seu peito.
Bruno Pov’s
Queria ficar em algum lugar da casa que não desse para pensar naquele nojo que estava a cozinha. Ouvia a risada deles de qualquer canto que estivesse, até dentro do estúdio. Estava estagnada na minha cabeça e não saía por custo nenhum.
Irritado, sentei na sala e pus música para as crianças. Liam adorava um DVD de criança, com bichinhos animados e cantorias, Lana já sabia de cor e salteado. Coloquei e me diverti com eles.
-Papai, estou com sede.
-Eu também. – Disse Liam.
-Vou pegar água pra vocês. – Andei em direção da cozinha e vi o que mais me deu raiva e nojo no dia. Ele estava sem camisa, dizendo para ela o que fazer e volta e meia se davam sorrisos e atiravam beijinhos. E eu tenho paciência pra esse tipo de coisa? Voltei para a sala, sem pegar água. – Que tal vocês irem pedir pra tia Lea fazer um suco bem gostoso pra vocês?
-Vamos! – Lana pegou a mão de Liam e saiu praticamente o arrastando.
Peguei meu celular para futricar em minhas redes sociais. Postei alguns tweets, respondi alguns e quando me cansou, larguei o celular e percebi que Lana e Liam não tinham voltado da cozinha.
Fui até a porta da cozinha e vi a seguinte cena: Lana estava sentada no colo do Richard, tomando suco em uma garrafinha, haviam bagaços de laranja sobre o balcão. Era isso que ela estava tomando. Liam estava sentado na cadeira com recosto, eles riam e se finavam do que Richard ia falando e Lea tinha um sorriso largo e sincero em seu rosto.
Não era isso que teria que acontecer. Lana tinha que interromper eles e não ficar no meio e os dois rindo como idiotas. Do que tanto riem? Parece um circo, um stand-up.
Volto para a sala e rezo para que meu irmão chegue de uma vez, e parece que pelo menos essa reza deu certo. Em cinco minutos Cindia chegou com Eric. Fomos para a área dos fundos, sentamos nas cadeiras e conversamos sobre a turnê. Liam e Lana ficaram agora em nossa volta, mas mal podia pensar no que acontecia lá dentro.
Os avós de Lea chegaram e conheceram Richard. Pareciam estar encantados com ele e até Cindia estava toda para o seu lado, dizendo que ele era lindo e simpático.
O almoço foi servido e nós comemos. Não queria admitir, mas a comida estava um espetáculo. Bem temperada e saborosa. O
Após isso ficamos sentados na mesa, conversando. O foco era Richard e eu senti até inveja de tanto que falavam dele e babavam seu ovo. As mãos deles estavam entrelaçadas sobre a mesa e riam sem parar. Era a inveja misturada com o ciúmes, tenho que confessar.
-Você canta que nem o papai?
-Não. Não queiram me ouvir cantar. Se tem algo para o qual eu não nasci, foi para cantar. – Ainda bem que não, né, senhor Perfeitão.
-Então o que você faz?
-Eu sou modelo. – Sorriu e a avó de Lea pareceu ficar mais encantada.
-Eu sei desfilar, sabia?
-É? Como você desfila?
-Assim.
Minha filha levantou da cadeira, colocou as duas mãos na cintura e olhou para frente, forçando um olhar matador. Andou em frente, toda pomposa e lindinha. Se fosse em outro momento estaria super orgulhoso da minha pequena, mas agora estava com ciúmes. Essa é a minha filha.
-Mas você quis ser modelo desde pequeno? – Eric pergunta.
-Não. Modelo veio como paraquedas em minha vida. Queria fazer odontologia. Amo sorrisos.
“Amo sorrisos”. Sério? Que legal! Ninguém quer saber, ninguém se importa.
-Área da saúde, admiro quem se dedica à ela!
-É, eu ainda pretendo terminar a faculdade, até o fim do ano que vem, talvez.
-Mas o que te impediu de continuar? – Pergunto.
-Dinheiro.
-Não conseguiu bolsa?
-Consegui meia bolsa, em Nova Iorque, mas como ainda é caro a metade da bolsa, mais as despesas para viver longe de casa. Ficou difícil. Foi aí que consegui essa coisa de modelo emergente.
-De onde você é?
-Texas. Minha família toda é de lá, só eu por aqui.
-Deve ser difícil estar longe da família. – Cindia lamentou.
-Mas eles não ajudaram você? – Tinha que especular mais.
-Ajudaram significativamente. Foi bem pouco, somente para minha mudança. Nunca quis depender deles.
-A família dele é dona de uma grande fábrica de calçados. – Eleanor se vangloria, com sua cabeça repousada sobre seu braço.
Tentei me desligar daquela babação de ovo que estava sendo após o almoço. Servimos a sobremesa e decidimos dar um mergulho. Eu dei um pouco e deixei as crianças lá aos cuidados de Eric e Cindia. Richard não iria entrar, então Lea preferiu não entrar também. Agora se ele se atirar de um penhasco, ela se atira também?
Quase pro fim do dia, um pouco antes de Richard ter que ir embora para Nova Iorque, inventaram de jogar basquete. Philip foi lá pra casa, pois à noite tínhamos coisas para tratar e eu alguns arranjos pra mostrar pra ele.
O time era, eu e Eric contra Phil e Richard. Começamos a jogar numa boa, dei o meu melhor logo de inicio para mostrar pra ele que em certas coisas uns são melhores que os outros.
Eleanor Pov’s
Estava na tardezinha quando o basquete começou. Ficamos na plateia e as crianças também.
Bruno estava dando o melhor de si e Richard ainda meio acanhado, mas foi quando Eric fez um ponto, Richard bateu nas mãos de Philip e disse algo. Estalou os dedos para frente e enfim, começou a jogar.
Não sabia que ele jogava tão bem. Somente a sua altura já tinha alta vantagem com o Bruno, mas a marcação dele, os passes, tudo era bom demais. Diria até que seria um semi profissional.
O jogo começou a ficar sério demais. Os pontos vinham como água corrente para Phil e Ric e Bruno começava a espumar pela boca.
-Seu merda. – Esbravejou, raivoso por ter mais um ponto para a dupla de Phil e Ric.
Assim começou os seus palavrões, até que ele empurrou Ric no peito. Levantei na hora, fiquei com medo do que pudesse acontecer. Phil colocou a mão no peito de Bruno e disse algo.
-Cara, calma aí, é só um jogo. – Richard disse rindo. Para ele tanto fazia ganhar ou perder.
-Bruno não aceita perder, de jeito nenhum. – Cindia balança a cabeça.
-Se é só um jogo não precisa agir como um profissional em quadra. – Bruno esbravejou, andando em nossa direção, mas passando reto para pegar água na mesa.
-Cara, isso é um jogo apenas. – Ouvi Phil falar e fui em direção do Richard.
-Você está bem?
-Claro. – Ele ainda ri. – Só não entendi o que aconteceu pra ele me tratar assim.
-Bruno não aceita perder.
-De nenhuma forma. Pois ele está me tratando assim desde que cheguei aqui.
-Ele está apenas...
-Com ciúmes. – Complementou. – Mas tudo bem, eu entendo. Também estaria se tivesse perdido uma garota de ouro. – Beijou o topo da minha cabeça.
Não é por mim esse ciúmes todo, ou só se ele é idiota o suficiente para aprender depois que perde, mas Bruno teve todas as chances possíveis. Teve tudo para ser feliz e me deixar feliz também, mas ele sempre fica em cima do muro. Agora, eu não quero me importar com isso. Me importo apenas com o meu amigo, meu melhor amigo, o Bruno, e não aquele que transava comigo em qualquer cômodo, que me beijava.

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