Agora que te encontrei, meu coração bate mais rápido
Podemos ser felizes para todo o sempre
(Love is on the radio – McFly)
Logo já estávamos entrando em maio e eu nem senti o tempo passar. Foi tão rápido após o ano novo.
Nós passamos o ano novo em Nova Iorque, o Bruno em Vegas, mas no outro dia foi pra lá. Eu encontrei com o Richard, é claro. De inicio apenas tivemos conversas amigáveis, nada demais, mas no fim da noite nós ficamos. E ficamos durante os quatro dias que passamos em Nova Iorque.
Fevereiro e março foram meses inúteis, nada aconteceu. Abril foi quando Lana teve mais uma apresentação em um teatro, e agora estava começando a se acostumar com um grande público. Em abril também tivemos a mudança definitiva das irmãs do Bruno para cá. Passaram alguns dias na nossa casa, após foram pra casa da Jaime, que surtou com as meninas, mas elas conseguiram comprar a casa delas compartilhada. Até o namorado da Presley está aqui agora. Os meses foram uma loucura, elas lançaram sua primeira música em janeiro, mas estão trabalhando secretamente dentro dos estúdios para formar um CD. A convivência com elas quase que diariamente está sendo muito bom pra Lana e pra mim também, já que nem sempre tenho a Urb ou a Megan ao meu lado.
Bruno as apoia e incentiva, mas não passa a mão por cima de nada e nem ajuda com nada, já que elas mesmas querem ter fama por si e não por serem irmãs do Bruno Mars.
Definitivamente, essa família de talento me deixa muito orgulhosa.
E bem, a questão final... Eu e o Bruno não tivemos mais nada, como disse, e nem vamos ter, como eu disse também. Nós estamos muito bem como amigos, apesar de que às vezes acho que ele faz algumas coisas com o intuito de me deixar com ciúmes. Pode ser da minha cabeça também.
07 de Maio de 2013
Eu estava feliz por Richard ter ido até Los Angeles para me ver. Estava ansiosa e sentia meu suor correr pelo rosto, sentia minhas mãos ficarem geladas por sem motivo aparente. Mas tinha motivo, era ele.
Nunca tinha me sentido assim depois de Kai. Senti com o Bruno quando estava me apaixonando por ele, mas passou rapidamente. É diferente com o Ric, tudo parece ser mais intenso e real. Ele me tem de igual para igual, ele gosta de mim de igual para igual. Eu adoro isso. Adoro a forma com que ele me faz viver e sentir a adrenalina na pele. E mesmo passando a maior parte do tempo conversando por mensagens, computador e ligações, ainda sim me sentia viva e o sangue fervia em minhas veias. Adrenalina pura.
Releio nossas conversas no celular, quando já estou pronta e esperando dar certo horário para sair de casa.
01/05/2013
Ric-quik
“Wow. Ficou lindo em você. Deveria apostar numa carreira de modelo. Já pensou nisso?”
01/05/2013
Eleanor
“Obrigada, mas eu não acho que tenha porte pra isso. Deixa pra quem sabe e gosta.”
01/05/2013
Ric-quik
“Se eu fosse você, tentaria. Irei mostrar para meu agente essas fotos suas, com certeza ele irá amar. Se eles lhe chamarem, topa uma sessão de fotos? Experimental...”
01/05/2013
Eleanor
“Não insista nisso, Quik. Acho que não gostaria, mas tirar fotos é algo a se pensar.”
01/05/2013
Ric-quik
“Acho que devo ir à Los Angeles conversar com você pessoalmente. Que tal?”
01/05/2013
Eleanor
“Eu adoraria que viesse. Nunca veio me visitar. É sempre eu... Injusto isso”
02/05/2013
Ric-quik
“Mil desculpas, eu peguei no sono. Para ter noção minha televisão está ligada num canal de culinária. E quanto à mensagem de ontem... Sei que nunca fui aí, e agora mesmo estou comprando passagens para ir. Embarco dia sete ou oito? Qual seria melhor? Aliás, prepare-se para conversarmos.“
Foi aí que declarei minha morte. Meu corpo treme desde então só de pensar o que ele quer falar comigo. Pode ser algo banal, já que ele nunca mais tocou no assunto nas mensagens que trocamos após isto, mas mesmo assim me deixa nervosa. Queria poder ficar mais tranquila, mas acho que não tem jeito.
Ric me causa reações assim. Estou chamando-o de Quik, pois em uma das nossas chamadas de vídeo, me bateu um soluço repentino e acabei tentando pronunciar o seu nome, mesmo soluçando, o que resultou nesse apelido. Tive um ataque de risos na hora e Bruno até veio me chamar no quarto, dizendo que Lana tinha que descansar e ele também. Por milagre ele estava em casa, já que estava mais ausente por conta dos lances do CD, mas já voltou pras suas correrias essa mesma semana. Agora não sei exatamente quando volta.
- Mãe! – Lana desvencilhou das mãos de Umma assim que chegou em casa. Correu até meus braços e beijou minha bochecha.
- Oi, meu amor. – Beijei o topo da sua cabeça e ela observa minha roupa.
- Que cheiro bom! Você está linda, mamãe. Vai sair?
-Mamãe tem que sair sim, mas volta a tempo de lhe por na cama, ok?
- Tudo bem. – Sorriu.
-E o que fez na escolinha hoje? – A vejo tirar sua mochila das costas.
- Nós desenhamos, depois tivemos aula de música, aí assistimos a uma peça de teatro de fantoches e eu fui para o balé de manhã.
-Que menina aplicada. – Pego sua agenda. – O que achou de hoje?
-Eu amei. – Ergueu os bracinhos.
Olhei a agenda para ver se não havia nenhum recadinho das professoras da escolinha dela. Lana é uma criança aplicada, só teve um bilhete até hoje, justamente por falar demais dentro da classe, mas ensinamos a ela e desde lá nada mais ocorreu. Seu relatório de aulas sempre é produtivo, assim como no balé, quando já agendaram a próxima peça que elas farão, onde todas tem papeis iguais, para que não haja atritos.
Meu celular vibra ao meu lado. Pensei que fosse Richard, mas era o nome de Bruno piscando. Lana já ficou eufórica só de ver o nome do seu pai. Estendi a mão pra ela esperar e atendi primeiramente.
-Alô.
-Buenos dias. – Forçou o sotaque espanhol, me fazendo rir. – Como está?
-Bem e você, Bruno?
-Ótimo. – Respondeu-me.
-Oi, papai. – Lana grita para que ele a ouça.
-Minha filha. – Riu, abafando o som. – Passe pra ela, por favor? Aliás, acho que vou esse final de semana pra casa, ficar um pouquinho ai, pois já tenho mais viagens. Não aguento mais, Lea.
-Viu, há seus prós e contras. – Rio e ele gargalha. – Mas está se divertindo?
-Foi como te falei pelo telefone. Nem tenho muito tempo. Se não estou envolvido com o trabalho, estou dormindo. Mas às vezes saio.
-Procure esvair a cabeça. Não quero que te prejudique.
-Hey, fique calma. Vou me cuidar. Depois nós nos conversamos, deixa eu só falar com a pequena rapidinho? Preciso ouvir a voz dela.
Concordei e entreguei o celular a Lana, que segura com todo o cuidado para não deixa-lo cair no chão – como já aconteceu. Ela aprende a usar tecnologias, sabe melhor que o Bruno, mas não deixamo-la mexer por muito tempo – ela tem um notebook, mas não tem um celular -, pois preferimos que ela viva do que se vicie nisso e não aproveite a melhor parte da vida.
-Vai levar umas palmadas quando chegar em casa, porque está demorando demais. – Começo a rir das coisas que Lana fala no telefone para o Bruno. – Mamãe não merece tapas, ela se comporta.
-Abusado. – Grito para ele.
-Não, papai. – Ela balança a sua cabeça e seus pés acompanham. – Ela vai sair agora. Papai quer falar com você.
Pego o telefone da sua mão.
-Você vai sair?
-Sim?!
-Onde?
-Tá querendo saber demais, querido. – Rio. – Vou deixar a Lana com as meninas e vou sair um pouco.
-Aonde vai?
-Por aí, Bruno.
-Por aí não me diz nada, Lea. E se acontecer algo?
-Nada vai acontecer. Eu sei me cuidar e as meninas sabem onde me encontrar.
-Faça o que quiser.
-Ué, eu não estou te entendendo.
-Boa saída, Lea. Manda um beijo pra minha pequena.
-Boa noite, querido. Um beijo.
Ele nem me respondeu e desligou o telefone. Nunca vou entender esses ataques que ele dá. Nunca! Bruno tem uma bipolaridade incrível, está sempre em cima do muro, nunca dá pra entender o que ele verdadeiramente tá querendo se ele também nunca fala.
A verdade é que nem ficarei muito tempo fora de casa, apenas encontrarei ele e voltarei aí amanhã nos encontraremos novamente. Tiara realmente virá pra cá, já que Umma tem que ir pra sua casa também.
Dou uma ajeitada na roupa, retoco meu batom e passo as últimas instruções para Umma, em pouco tempo Tiara chegaria. Saí de casa pegando um dos carros do Bruno, o mais básico que usamos diariamente e dirigi pelas ruas afora até chegar ao restaurante que combinamos.
O restaurante não estava tão cheio, era praticamente proposital, já que quando pensei que iríamos nos encontrar queria mesmo algo mais reservado, mas não tão íntimo. Toda a vez que eu e Ric nos vemos, nós transamos. Talvez eu possa fazer diferente dessa vez mostrando o meu eu normal, meu eu do dia a dia.
Como cheguei antes dele, sentei-me a mesa e tamborilei meus dedos, enquanto os outros digitavam rapidamente uma mensagem para ele avisando que já havia chego.
-Calma, não ia me atrasar tanto assim. – Richard soprou em minha nuca fazendo cada pelo do meu corpo se ouriçar. O olhei com um enorme sorriso estampado na boca, levantando-me para cumprimenta-lo.
-Vá que seu plano fosse deixar-me plantada aqui... Já iria saber o quanto antes e ir embora mais rápido para não ser tão trouxa.
-Olha minha cara de quem te deixaria assim.
-Desculpe. – Rio, colocando a mão na boca.
-Já pediu algo?
-Ainda não, mas estava pensando já no que pedir.
Ric levantou sua mão, mostrando seu relógio de pulso com seu antebraço forte, coberto por pelos quase invisíveis e a camisa social remangada até seu cotovelo.
-O cardápio, por favor. – Gentilmente pediu ao garçom e lhe deu um sorriso, tão simpático. – Bom te ver. Só mensagens dão agonia.
-É ruim querer falar com uma pessoa e ficar com medo de estar incomodando. Bom te rever, Ric.
-Você nunca me incomoda, por favor! – Esticou seu braço sobre a mesa, tive receio de pega-lo e ser rápida demais. – Está nervosa, Lea?
-Não... Ou sim, não sei. Estou confusa.
-Calme... Eu estou aqui e tenho certeza que meus pensamentos estão pareados com os seus.
-Será?!
-Claro. – Piscou e sua mão tomou a minha.
Eu estava nervosa em fazer algo errado, parecia que se eu pisasse fora da linha, estaria me crucificando. Não queria dar mancada logo com ele e logo depois de tanto tempo sem nos vermos. E ele estava tão lindo. Seus cabelos bagunçados propositalmente, seus olhos bem vivos, cheios de cor e brilho. Havia algo especial nele e não sabia decifrar o que seria.
Nós fizemos nossos pedidos e enquanto esperávamos, papeamos sobre as coisas da vida. Sobre nossos trabalhos, nossas famílias, a pequena briga que ele teve com seu amigo e etc. Assuntos banais, coisas mais corriqueiras, nada de muito urgente, mas que eu amava saber.
- Vamos pedir uma sobremesa?
-Claro.
Quando pegamos o cardápio escolhemos três coisas para votarmos, e por coincidência eram as mesmas. Tínhamos os mesmos gostos para doces também e isso foi motivo de risadas.
-Podemos dividir algo então. Tenho alguns biscoitos no carro, aposto que irá ama-los.
-Biscoitos?
-Sim, biscoitos da sorte. Não sei se gosta, mas tenho vários.
-Claro, eu amo. – Sorrio.
Optamos por um musse de chocolate com sorvete. Estava maravilhoso e foi bom dividir com ele já que era um recipiente bem grande – apesar de que, se eu quisesse, teria comido tudo sozinha, mas também não quero assusta-lo.
-Quer dar uma volta? – Perguntou-me quando saíamos do restaurante.
-Podemos dar sim, mas não quero demorar muito. A Lana me espera para ir pra cama.
-Que linda.
-Meu carro está pra cá. – Aponto para o outro lado do estacionamento.
-Eu também estou de carro. Consegui pegar o do meu agente emprestado.
-Que legal. – Ofereci mais um sorriso para ele, que esticou a mão e tomou a minha. O contato já me fez ver estrelas. – Nós podemos estacionar lá no alto. Eu vou no meu carro e você no seu, assim quando chegarmos podemos ficar apenas apreciando a visão.
-Hm, podemos deixar esse programa pra amanhã? – Tirou a mão da minha para abrir a porta do carro. – Hoje queria apenas entregar isso pra você.
Ric deu em minha mão um lindo buquê de rosas vermelhas, bem vivas e lindas. Engoli minha saliva com dificuldade ao ver aquilo. Estava sobre o banco do carona com uma sacolinha ao lado.
-Isso é pra você. – Tomei-o em mãos. – Por ser uma amiga que eu não tinha e estava precisando. Por se tornar tão especial em tão pouco tempo.
-Obrigada. – Apertei meus olhos controlando para não chorar. – Acho que nunca ganhei um buque assim!
-Mas o... – Balançou sua cabeça parecendo pensar melhor, mas sem tirar o sorriso do rosto. – A gente pode apenas sentar aqui no carro e ficar mais um tempinho, aí amanhã nos vemos. O que acha?
-Ótimo.
Sentei no banco do carona, pondo a pequena sacola nos meus pés e apreciando o buque em meu colo. Tirei algumas fotos dele e uma selfie com ele. Estava tremendamente apaixonada por ele. Pelo buque e talvez ficando pelo Ric.
Não queria ficar apaixonada, mas é inevitável quando um cara é fofo, lindo e bom de cama. Ele é basicamente tudo o que pedi para Deus e um dos únicos que sabem como agradar e o que falar na hora certa.
Tenho medo de me apegar em alguém depois do Bruno. Bruno foi uma decepção que eu tive sozinha, porque sabia que não deveria me apaixonar, me envolver, mas mesmo assim fui pega por ele e eu mesma tive que por um ponto final. O que foi mais fácil que eu pensava, pois logo chegou o Ric.
Richard abriu a sacolinha e tirou três biscoitos pra ele e deixou mais três pra mim. Peguei um e abri. Uma frase um pouco desconexa apareceu, a dele também não fazia sentido algum, mas riamos e nem nos importávamos com isso.
Comi o último biscoito e juntei todas as frases.
-Nenhuma delas fez sentido. – Curvei os lábios.
-Falta essa! – Ele abriu o seu último biscoito. O comeu e entregou o papel fechado pra mim. O abri e fiquei chocada com o que li.
Em letras garrafais, feitas em computador, estava escrito com todas as letras: “ Lea, namora comigo?”
-Porra, Ric. – Passo o dedo por debaixo dos meus olhos, onde uma lágrima estava prestes a escorrer.
-Se eu fosse você tentava juntar todos os papeis.
Fui lendo, tentando montar o quebra cabeça. Tinha muitas frases que pareciam desconexas, mas parando pra pensar, depois de lê-las mais de uma vez, se completavam. Indiretamente.
-Achei. – Pigarreio. – Vou ler em ordem. – Respiro fundo. – O mundo está tão cheio de coisas ruins, que parece surreal quando encontramos alguém com quem possamos compartilhar as alegrias. – Parti para o segundo e assim por diante. – O seu sorriso é iluminado. Você tem um brilho próprio e um grande coração, qualquer um se apaixonaria por você. Rir é o melhor remédio sempre, dizem que o único ataque que deveríamos ter é aquele de risadas. Dizem que a distância serve para esfriar relações, esquecimentos, mas quando gostamos de verdade, não há nada que nos impeça, nada que nos pare, ela acaba servindo para intensificar mais o que sentimos e apreciarmos mais o que temos longe. Lea, namora comigo?
Comecei a rir de nervoso enquanto sentia as lágrimas escorrerem em meu rosto. Estava nervosa e feliz ao mesmo tempo, queria agarra-lo, mas e se fosse apenas um sonho? Não tenho experiência com coisas muito fofas quando se trata de namorados, apenas o Kai há muitos anos atrás. Meu coração parecia querer correr do meu peito.
Coloquei os papeis sob o painel do carro e virei o rosto para o dele.
-Ric, onde você se escondia todos esses anos?
-Eu não estava me escondendo, estava, talvez, esperando por você.
-Ric... Eu. Eu estou sem palavras!
-Você pode começar respondendo um sim ou não, depois nós conversamos.
-Com certeza sim. Quer dizer, se isso não é uma pegadinha, porque... Desculpa, estou nervosa.
-Não é pegadinha. – Deu um beijo em minha mão e colocou a língua pra mim. – Será uma honra te ter como namorada.
-Ai meu Deus.
Eu não estava nem acreditando pra dizer a verdade. Estava com uma felicidade que mal podia segurar dentro de mim, era algo inexplicável. Sentia borboletas no estomago. Como que ele foi querer logo eu?
Ficamos por ali algum tempo ainda, nos namorando e conversando. Do seu bolso ele puxou uma caixinha simples e tirou um singelo anel. Ele não tinha nada de especial, era apenas um anel, mas que valia muita coisa pra mim. O colocou em meu dedo para simbolizar nossa nova relação e nos despedimos para que no outro dia nos encontrássemos.
Fui pra casa sem conseguir segurar os sorrisos bobos. Tiara estava na sala com a Lana brincando e gravando algumas coisas no celular. Lana girava sem parar e parou quando me viu.
-Não precisava de rosas pra mim. – Tiara abriu os braços.
-Mas eu fiz questão. – Ri.
-Que lindas!
-Não é?! Estou apaixonada por elas.
-Só por elas, uh? Ok... De quem ganhou?
-Do Ric... Aquele cara que falei pra você, o modelo de Nova Iorque.
-Foi se encontrar com ele hoje?
-Sim!
-E nem me avisou? Eu poderia ter posto a Lana para dormir para você aproveitar mais.
-Mas está tudo bem, amanhã nós nos vemos novamente.
-Opa, está ficando sério assim?
-Digamos que passou para sério hoje. – Ergui a mão com o anel.
-Que isso, mãe? – Lana curiosa aponta para o meu dedo.
-Que lindinho. Você está namorando. – Tiara abriu um grande sorriso.
-O papai voltou?
Nós rimos.
-Não é o seu papai, L. Eles são amiguinhos. Agora a Lea tem um namorado bem lindo.
-Mas o papai é lindo.
-Sim, mas é só amigo da mamãe. – Respondo.
-Meu Deus, posso ficar essa noite aqui para poder ver o escândalo que Bruno irá armar?
-Por mim você moraria aqui, mas não há motivos para escândalos. Não irá acontecer nada.
-Você verá que acontecerá sim. Ele ficará muito bravo. Puro ciúmes.
-O problema será todo dele, Ti.
Ainda conversamos por um tempo. Contei para ela como foi e ela se encantou. Mandei mensagem para Urbana e Megan, avisando a novidade. Pedi que não contassem para ninguém por enquanto, até eu falar com o Ric e ver se podemos nos divulgar para mais pessoas que não sejam as próximas, pois as notícias correm.
Tomei meu banho e já senti o peso do cansaço. Vesti apenas minha lingerie e deitei na cama, com o buque na mesa ao lado. Adormeci olhando para ele.
Bruno Pov’s
Cheguei em casa muito cedo, muito mais do que previa. Não pegamos nenhum tipo de tranqueira e saímos antes do previsto de onde estávamos. Estavam todos dormindo, então para não acordar ninguém, resolvi fazer o mesmo, mas antes chequei minha filha em seu quarto.
Ao acordar duas horas depois do que fui dormir, às nove da manhã, minha filha pulava em minha cama me dando beijos e Tiara estava na porta com a cara de quem estava gostando de me ver sendo acordado. Lancei a língua para ela e brinquei com a minha filha, fazendo cócegas e beijando-a.
-Estava com saudades, papai.
-Papai também estava. Comportou-se com a tia e com a mamãe?
-Sim! – Abriu um largo sorriso.
-Muito bem, é assim que tem que ser.
-Vamos tomar café?
-Não estou com fome. – Sentei-me para deixar a Lana se acomodar no meu colo. – Mas faço companhia pra vocês.
-Tem que chamar a mamãe! – Avisa Lana.
Lembrei-me diretamente da Lea e da saída que ela deu ontem à noite. Não sei o que dá em mim, mas desde que ela decretou que entre nós seria apenas amizade, eu tenho raiva quando ela sai e eu não estou junto. É raiva, não é ciúmes.
-Ela está em casa?
-Sim. – Responde Tiara de imediato. – Deixa que eu chamo ela enquanto você vai se arrumando para tomar café.
-E não demora, papai.
Minha pequena abusada desceu da cama e saiu atrás da sua tia. Começo a rir dessa pequena figura, às vezes é difícil de acreditar que ela é minha. Que ela tem meu sangue, meu DNA. Tão esperta, tão linda... Me pergunto como aquela bruxa teve coragem de largar alguém tão especial.
Tomei um banho rápido e vesti uma roupa qualquer de ficar em casa. Quando saio do meu quarto, espio o de Lea que está com a porta aberta e ela surge com uma toalha na cabeça, um vestido florido e rodado, chinelos e com um olho maquiado e outro não.
-Onde vai com tanta produção? – Dou um beijo em sua bochecha.
-Vou sair. – Sorrio, andando novamente para frente da sua penteadeira.
Entrei logo atrás dela e a primeira coisa que me deparo é com um grande buque de rosas sobre a sua cama.
-Wow, são lindas.
-Obrigada. Estou apaixonada por elas.
-Ganhou dos seus avós? De aniversário antecipado. – Eles que costumavam gostar de flores e agrada-la com elas.
-Tenho que te contar algo. – Virou-se, mostrando uma grande empolgação. – Senta aqui. – Apontou para seu pequeno sofá.
Sentei e ela sentou ao meu lado.
-Olha. – Mostrou sua mão, com o anel. – Lembra daquele meu amigo, o Ric?
-O modelo ala Victoria Secrets masculino?
Ela riu.
-Esse mesmo. Foi com ele que saí ontem à noite.
-Mas ele não mora em Nova Iorque?
-Sim, mas veio pra cá. – Fechei minha mão numa figa só de imaginar o que viria pela frente. – Nós saímos num restaurante bacana, depois ficamos comendo biscoitos da sorte e ele me entregou o buque.
-Que legal. – Não consegui falar nada além disso.
-Foi então que percebi que por dentro dos biscoitos havia uma mensagem. Ele me pediu em namoro. Não é lindo?
-Você aceitou? – Pergunto de imediato. Não pode ter aceitado.
-Sim. – Mostrou o anel novamente.
Senti socos acertarem meu estômago. Há tempos não sentia o peso que senti agora. Meu coração ficou, mais uma vez, pequeno dentro do meu peito, apertado. Abruptamente pensei que ele iria parar quando ela tocou-me.
Não sei qual foi a pior coisa daquele dia: a notícia ou o sorriso feliz assim que me deu a notícia. Ela estava radiante com aquilo, ela gostava dele com muita intensidade. Ela havia esquecido que gostava de mim, nesse mesmo mês, ano passado, é por mim que ela estava apaixonada.
A ideia de lembrar e pensar nisso fez meu estômago revirar. O que eu falaria pra ela, que estava em minha frente, com um grande sorriso estampado em seu rosto, com um anel simples em seu dedo anelar da mão direita, olhos brilhantes como o de quem recebe uma maravilhosa benção.
-Eu... – Respirei profundamente, tentando achar um modo de sair daquela situação. Ela continuava com seu olhar radiante perante a mim. Como iria dizer que eu estava com ciúmes dela? Ou raiva? Já nem sabia mais. Mas eu sou egoísta. Eu estou com ciúmes e não quero que ela arranje outra pessoa.
-Parece recente, não? – Riu. – Mas se pararmos pra pensar, faz seis meses que nos conhecemos.
-Eu... Eu desejo que você seja feliz. – Não ao lado dele, de preferência do lado de ninguém, ninguém que não seja eu. Eu iria falar que estava feliz por ela, mas essas palavras se trancam em minha boca, já que não é isso que eu estou sentindo.
-Eu estou muito feliz. – Passou seus braços em volta do meu corpo, me envolvendo num abraço de urso, de irmão carinhoso. Demorei em assimilar o que fazer. Envolvi meus braços em sua volta e aos poucos fui dando tapinhas, com meus olhos vidrados no meio do nada daquele quarto. – Obrigada por ser um amigo maravilhoso e sempre estar ao meu lado.
Algo me dizia que aquele não era meu dia. Eu sou normalmente um cara confuso, sou um cara indeciso. Por isso não sabia ao certo como reagir, então preferi agir roboticamente e me adaptar a tudo com o tempo.
Eu sei que sinto ciúmes dela agora, já que o que tivemos foi recente e por muito tempo ela era somente minha e também é minha melhor amiga. Eu tenho o pleno direito de sentir ciúmes disso. E tenho quase certeza de que isso irá acabar em pouco tempo. Acabarei esquecendo que ela está namorando, principalmente agora quando a turnê começar, as coisas voltarão ao normal.
Mas em compensação me aterroriza pensar que ela poderá falar comigo sobre seu namorado. Me deixa nervoso só de imaginar ela o levando em minha casa. Meu Deus. Não a quero com outro cara.
Beijo o topo da sua cabeça e a tiro de perto de mim, mas quando vejo a dúvida em seu rosto, volto a abraça-la rapidamente. Ela é minha melhor amiga e merece viver e eu estou sentindo isso apenas por idiotice. Vai passar.
-Que você seja feliz, Lea. Eu desejo o melhor, sempre.
-Obrigada. Quero que você o conheça, adequadamente e apresentavelmente. Quero marcar um jantar. Estou pensando em chamar minha irmã e o Kyle, minha avó e meu avô...
-É cedo demais pra isso. – Digo, interrompendo a sua fala. – Desculpe. Claro que você que sabe, mas acho que deve esperar um pouco mais pra isso. Apresentar oficialmente logo de inicio pode ser um balde de água fria. Pode assusta-lo.
-Tem razão. – Suspirou. – Me sinto uma adolescente.
Lembro de qualquer coisa que convenha a ela e a nossa amizade. Lembro principalmente quando ela dizia que a única pessoa que a fazia sentir como se vivesse um sonho adolescente foi o Kai. Apenas ele. Ela acabou de dizer que Richard a faz sentir da mesma forma. E eu, nunca a fiz se sentir assim?
Isso me deixou, de certa forma, com raiva e nojo ao mesmo tempo.
-Você dizia isso sobre o Kai.
Eu precisava tocar em alguma coisa sobre ele.
-Por isso mesmo, eu era uma adolescente e precisava sair de lá. Éramos inocentes nessa história, mas aposto que se eu continuasse no Havaí, estaríamos um bom tempo juntos.
-Ah. – Fiquei sem respostas para dar a ela.
-Por falar em Kai... Quando pretende viajar para o Havaí?
-Acho que até outubro não irei. Como as meninas estão morando em Los Angeles, a mamãe está quase sempre aqui, o papai também. Acho que não irei por um tempo.
-Hm. Ok.
-E você? Quando vai ir ver seus pais?
-Estou tentando ver se consigo ir em julho ou agosto. Queria ir para o dia dos pais, fazer uma surpresa para o meu velho. – Ela tocou seu corpo sentado na cama e jogou o tronco pra trás.
-Se eu não estivesse com a agenda dos shows lotadas para esses meses, iria junto com você. Mas as meninas estão indo pra lá no fim do mês, perto do aniversário da Tahiti. Porque não vai com elas?
-Mas meu melhor amigo é um popstar e não pode. – Deu a língua pra mim e eu me toquei ao seu lado. – Talvez eu vá. Tenho que ver quando recebo férias ou folgas.
-Ok... Vamos tomar café? Estou com muita fome e saudades de casa.
-Irei terminar de me arrumar, tenho que sair daqui a pouco.
-Ah... – Não! Vai começar assim e daqui a pouco perderei minha melhor amiga para esse cara. Eu não posso deixar isso acontecer. – Passe na cozinha para se despedir.

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