quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Capítulo 52


Apenas uma ligeira mudança
Pequena, só pra começar
Ambos um pouco assustados
Nenhum dos dois preparados
(Beauty and the beast - Celine Dion)


O sábado chegou e finalmente ficamos todos em casa. Bruno não foi para o estúdio, pois já tinha combinado com os caras que iria passar o domingo todo lá, ele queria recompensar um pouco o tempo devido ao meu aniversário. Falei que não tinha um porquê ele fazer isso, afinal, eu tinha ficado triste por ele não estar comigo no dia do meu aniversário, mas depois eu entendi que ele estava no estúdio e ele vive disso, precisa de compromisso com seu trabalho. Porém ele insistiu, dizendo que devemos fazer algo em família e uma pequena comemoração do meu aniversário.

Fiz o café da manhã, com ovos e bacon, e chamei-o para tomar. Lana já estava sentada na cadeirinha da mesa, brincando com uma boneca, mas de olho na televisão que passava um desenho animado.

-Bom dia. - Beijou a testa da sua filha e me encontrou no meio do caminho enquanto levava a travessa para a mesa. - Bom dia.

-Bom dia. - Dei um beijo de leve em sua boca.

-Quais são os planos de hoje?

-Pensei que tivesse planejado tudo. - Puxo a cadeira.

-Na verdade, apenas uma parte. - Começou a rir. - Assim, vamos a feira de filhotes no shopping, começa as dez da manhã. Então vamos almoçar no shopping e procurar um filhote para nós.

-Um cachorro, papai? - Os olhos de Lana brilham.

-Isso fica pra depois. - Recolhi seus brinquedos de cima da mesa e ela me olha atravessado.

-Um cachorro bem lindo e inteligente para combinar com nós. - Sorriu pra ela.

-Apesar que eu acharia mil vezes melhor adotarmos um. - Dou de ombros, largando o copinho de Lana na sua frente.

-O que é isso mamãe?

-Suco de laranja. - Respondo.

-Tenho medo de adotar... - Torceu os lábios.

-Medo de que, Bruno? - Pergunto e ele não me responde nada. - O cachorro não virá pesteado. Há muitas casas de adoções por aí. - Gesticulei com minhas mãos. - Só queria dar a chance de um desses cãezinhos ter um lar.

-Lana...

-Não a meta nisso. - O impedi. É claro que ela, como ainda não sabe a importância, irá preferir um peludinho comprado, do que um mesclado adotado. - Sei que você que irá comprar...

-Lea, nós adotaremos um, ok? Não sei se hoje, pois já planejei irmos lá, mas vamos escolher um. E ele será seu!

-Tudo bem.

Dei de ombros e não falei mais nada. Bruno é teimoso, se ele quer comprar um cachorro ao invés de ajudar os que precisam, tudo bem. Não irei brigar com ele por causa disso, supostamente é pra ser um dia muito feliz.

-Você ficaria feliz se eu desse isso a uma casa de cães abandonados? - Bruno chegou ao meu lado quando estava lavando a louça. Em sua mão balançou um cheque de mil dólares.

-Isso é muito. - Entreabri minha boca. - É claro que ficaria muito feliz, mas estará fazendo isso pelos animais abandonados e não por mim, não?

-Sim. - Olhou bem em meu rosto e brotou um riso da sua boca. - Por você e por eles.

-Bruno...

-Escuta. Eu sei a importância disso, ok? Sei que é lindo adotar, e assim que a Lana saber disso, também sei que amará esse gesto, mas eu nunca tive um cão... Nunca! E eu queria apenas poder escolher ele.

-Eu entendo.

-Então vamos lá, temos que tomar banho e nos arrumarmos.

-Vou dar banho na Lana ainda, vá se arrumando.

-Quero tomar banho com você. - Beijou meu pescoço.

-Nem pensar. - O afastei. - A Lana está sozinha, não deixaremos ela assim só pra transarmos no banho. - Usei um tom mais baixo.

-Não iríamos transar, era apenas umas carícias... - Pôs a mão nas minhas costas, logo acima do meu bumbum. - Ok, ok. - Fez uma rendição com as mãos e saiu rindo. - Na volta, dona Eleanor.

-Vá tomar seu banho, Mars.


O shopping estava lotado, que novidade. Pessoas olhavam para nós como se fossemos estranhos, porém, nos reconhecendo! Dá pra entender? Era aquele olhar meio “será?”. Foi bem legal ver as pessoas com essa dúvida.

Entramos num outback e fizemos nosso pedido. Lana ganhou, como cortesia da casa, um chocolate em forma de coração, o que definitivamente fez a alegria dela.

-Vai comer somente quando chegar em casa, ok? – Tomei o chocolate de suas mãos, falando com carinho.

-Não. – Falou um pouco mais alto. – Quero agora.

-Nós vamos comer sobremesa. – Disse Bruno.

-Você não vai comer agora. Nós temos que passear ainda e não quero que suje a roupa. – Tendo em vista que ela se suja mais do que qualquer outra criança comendo chocolate.

-Mas eu queria agora. – Baixou a cabeça, fazendo uma voz fina e baixa.

-Não sinta pena. – Somente mexi meus lábios, falando para o Bruno. Ela não pode se acostumar assim, de tudo o que quer têm na hora. – Se reclamar, não irá ganhar nem depois. – Disse firmemente.

-Mas papai. – Ela olhou para o Bruno, que manteve o semblante sério. – Tudo bem.

-Obrigada.

Não estava estragando o clima, mas desde pequena tento fazer com que ela não seja mimada. Imagina, ela já é filha de famoso, daqui a pouco irá para a escola, tem as aulas de balé, se ela for uma menina mimada não pegará bem para o Bruno, nem pra ela porque irá ser insuportável.

Após comermos a sobremesa, tivemos um tempinho para o descanso. Tiramos algumas fotos e rimos bastante. Bruno parou um pouco para tweetar e eu checar algumas coisas no celular. Lana estava se entretendo ao meu lado, apontando para algumas coisas que eu via e rindo

Saímos dali e fomos para a feira que ficava perto do centro do shopping. Há uma grande cerca armada com uma entrada bonitinha com algumas patinhas no tapete de entrada. Segurei Lana pela mão e entramos no local.

Uma moça nos instruiu até um cercado com filhotes recém desmamados. Falou sobre os cuidados que eles tem com os animais, quais são as procedências até eles chegarem ali e tudo mais. Falou sobre vacinas que já foram dadas em alguns e sobre a castração que, dependendo da nossa escolha, poderá ser anexada a compra do filhote.

-Mamãe. – Lana apontou para um dos filhotes, no cantinho, quietinho. – Olha que bonito.

-Lindo. – Observei o cãozinho, passando a mão sobre a sua cabeça.

-Olha esse. – Ela esticou-se na cerca para amaciar o cachorro.

-Hey. – Chamo a sua atenção. – A moça não gosta que faça isso. – Apontei para a moça que nos instruía.

-Desculpa. – Disse de cabeça baixa. – Eu quero ver aquele. – Falou quando viu outra menina fazer o mesmo.

-Olha esse que lindo, filha. – Bruno se abaixou do lado dela, apontando para o cão que fazia folia com o outro.

-Meu Deus. – Começo a rir das besteiras que saía dali.

Bruno apontava pra um, Lana fazia festa. Lana apontava pra outro, Bruno fazia festa. E assim foi indo uns longos minutos deles se divertindo com os filhotes.

Passaram uns quatro filhotes em nossas mãos.

-Eu odeio essa raça. – Bruno revira os olhos para um Pinscher que Lana pegou de mal jeito. – Já ouviu o latido disso? É terrível.

-Não gosto também.

A moça que estava conosco nos instruiu a outro cercado, onde tinha uns maiores, não muito também. Falou que esses tinham desmamado há uns dois meses pra mais, e que todos tinham sua ficha de procedência para nós olharmos.

-Esse é especial. – Pegou um workshiner na mão. – Ele nasceu dentro da nossa clínica.

-Como que ele nasceu? – Pergunta Lana. Por um instante olho para o Bruno, como iremos explicar isso?!

-A mamãe dele recebeu a visita da cegonha. – Vanessa, a moça que estava conosco, abaixou-se para explicar. Não pude deixar de notar o olhar do Bruno para o decote que ela usava. – Ela veio voando de longe para entregar ele a ela.

-E vocês estão tirando ele da mamãe dele? – Ergueu a sobrancelha, expressando a sua dúvida.

-Lana, olha esse daqui. – Peguei um filhote, mesmo sabendo que não podia, mas não poderia deixar a moça dizer algo que depois possa complicar a nossa explicação pra ela.

O melhor de tudo é que criança não se prende muito tempo a muita coisa. Lana ficou acariciando o filhote e Bruno engatou uma conversa com a Vanessa. Ele parecia muito empolgado com tudo, ficava olhando para os filhotes sem parar, e eles também não paravam. Uns faziam festa para nós, outros estavam mais acanhados e outros nem percebiam que estávamos ali pois faziam folia uns com os outros.

-Eleanor! – Ele se apoia na cerca, estende a mão e afaga um cãozinho. O pequeno balança o rabo curto de um lado para o outro. – Lana! Lea! Vejam! – Apontou para ele com um sorriso que preenchia toda a extensão do seu rosto.

-Que lindo! – Os olhos da pequena brilham como estrelas. Ela para ao lado do pai e Bruno chama o cão para mais perto da cerca. Ele vem de mancinho, brincando e parecia sorrir também. – Venha. – Disse ela, tentando imitar o gesto do pai.

-Oi garotão! – Bruno passou a mão em sua cabeça e o cão grunhiu como se estivesse cumprimentando ele também. – Eu gostei de você! E vejo que também gostou de mim.

-Oi. – Lana pôs a mão nele sem medo e ele esfregou-se na sua mão, fazendo ela rir.

Era uma cena tão linda.

-Vamos ficar com ele!

-Bruno, ele vai ficar enorme! – Não queria cortar o barato de ninguém, mas caramba, esse cachorro é capaz de ficar maior que eu. O que eu demorei mais de vinte anos pra crescer, ele crescerá em três meses.

-E daí? A Lana vai estar familiarizada com ele. Temos a Umma para ficar de olhos em alerta... – Ele ia continuar a falar, quando o cão lambeu a sua mão. – Por favor!

Suplicou, e eu me senti sua mãe, negando algo que ele quer tanto.

-Por favor, mamãe. – Lana me olha.

Os dois com carinha de cachorros pidões, mais o cãozinho preto do outro lado da cerca. Olhei para ele e fiquei encarando seu olhar de “me leva, por favor”. Eu sei que vou amar esse cachorro mesmo que ele cresça dois metros a mais que eu. E eles já o amam, então, eu não tenho que liberar nada.

Apenas abri um sorriso assentindo com a cabeça.

-Ehhh! – Comemorou Lana.

-Vou levar esse. – Bruno avisou para a moça.

-Ele é lindo. Todos se encantam por ele. Dócil e lindinho, coisa fofa. – Ela o balançou no colo. – Passem comigo. Irei fazer os procedimentos.

Bem, ficamos mais ou menos dez minutos fazendo uma ficha de cadastro, lemos alguns termos de responsabilidade sobre amar e cuidar do filhote. Me senti num casamento ou, sei lá, assinando a venda de uma das casas.

-Qual vai ser o nome dele? – Bruno perguntou quando estávamos indo para o nosso carro no estacionamento.

-Não sei. – Lana pareceu pensar bastante. – Shrek!

-Não. – Bruno fez uma careta e Lana deu a língua pra ele. – Arthur?

-Isso é nome de gente. – Resmungo.

-Qualquer nome pode virar nome de gente, Lea.

-Mas tem uns nomes que são mais pra cachorros... Tipo Bob, Toby, Spike, Geronimo...

-Geronimo. – Bruno repetiu.

-Gege. – repetiu a pequena papagaia.

-Geronimo? – Perguntei, mas ambos ficaram em silêncio. – Geronimo? – Retomei a pergunta.

-Geronimoooooooo! – Num gesto exagerado, me tocou para o lado dando a impressão de que iria cair, mas me segurou como se estivéssemos dançando tango ou valsa, ou sei lá o nome de alguma dança que tenha essa caída. – O que achou, L?

-Eu gostei. Vou chama-lo de Gege.

Ele vinha atrás de nós, segurado pela Lana, numa coleira azul. Bruno já estava planejando em passarmos numa clínica veterinária de confiança. Jaime nos indicou a que ela vai, onde também tem um petshop e poderemos comprar as coisas dele lá.


Eu não sei quem era a criança ali no carro. Bruno ou Lana? Porque os dois pareciam ter a mesma idade.

Minha pequena estava finalmente completando 4 anos, e estávamos indo para a Disneyland com ela. Bruno até pensara em levá-la para Orlando, para irmos para o Disney World, mas uma viagem não encaixava no nossos planos agora. Eu não tinha férias sobrando, e ele estava correndo atrás do seu próximo CD.

- Canta com a gente, mamãe! - Lana quase gritou, gargalhando da voz que Bruno fazia para imitar algum personagem da música da Pequena Sereia.

- Canta, Lea! - Bruno deu um tapinha na minha perna, todo brincalhão. - O que você quer, L?

- Wish I could be... - Lana começou, toda enroladinha, então continuei com ela. - Part of that world!

- OWWWW! - Bruno comemorou. - Agora estamos entrando no clima, minha querida Eleanor.

- Papai! Coloca do Rei Leão!

- Só se a sua mãe prometer não chorar. - Cutucou meu ombro, gargalhando, com a outra mão no volante mesmo.

- Coloca logo. - Cutuco-o de volta.

- Falta muito, papai?

- Hmm... - Bruno olha o GPS. - Não, meu amor. Umas dez milhas.

Não demorou muito para que nos aproximássemos do local. Eu, Bruno e Lana comemoramos quando atravessemos o arco de entrada do complexo, e ele guiou o carro pelas placas para chegar a Disneyland, prometendo-me que viríamos um dia sem Lana para irmos no Disney Adventure, que ainda é muito radical para nossa pequena. Eu não coloquei muita fé. Ele não tem tempo para nada ultimamente.

As filas já começam no estacionamento mesmo, apenas para pagar o ticket de estacionamento. Bruno paga o local e dirige, ainda cantando animadamente com Lana.

Poucos minutos depois, estacionamos o carro e Bruno foi tirando-a da cadeirinha, enquanto eu pegava sua bolsinha e as coisas que poderíamos precisar.

- Repete o que o papai disse, L? - Escuto-o falando com ela.

- Não é pra se afastar de você ou da mamãe. - Ela repete, agarrando sua mão, já louca para entrar no parque.

- E se você se perder, Lana?

- Não sair do lugar, papai. Esperar vocês me acharem. - Ela balança a mão dele. - Vamos? Por favor?

- Você ainda mata essa criança de medo de se perder. - Beijo a cabeça da pequena enquanto Bruno a coloca no colo.

- Meu tesouro, Lea. - Ele ri e e estica a mão em mim direção. Penso que ele quer que eu a segure, mas me lembro que estamos em público. Então apenas o entrega o mochila dela.

- Eu quero me vestir de princesa, papai. - Ela já começou falando, enquanto íamos andando pela calçada, ao lado de várias outras famílias. - E a Lea também. E levar uma coroa pro Gege!

- Você quer vestir o Gerônimo de princesa, meu amor? - Pergunto, segurando o riso.

- Sim. Será que tem vestido pra ele? - Parece pensar, apoiando a cabeça no ombro de Bruno, cobrindo o rostinho do sol forte com a mão. O pai dela gargalhou.

- Tenho certeza que ele vai adorar.

Não haviam muitas filas para comprar o ingresso, ainda bem. Bruno foi para a fila sozinho, praticamente se escondendo embaixo do boné que estava usando e eu me sentei num banquinho de praça, rosa e azul claro, para passar protetor solar na Lana.

Menos de quinze minutos depois, ele voltou. Colocou um porta-cartões no pescoço da pequena, com o cordão verde limão, cheio de pequenos Pateta's. Logo vi o nome de Lana escrito ali, junto com o número de celular dele.

Pegou uma das mãos de Lana e fomos, finalmente, para dentro do parque.

Passamos os cartões-ingressos e guardamos no cordão no pescoço da pequena Lana, e ingressamos dentro do parque, nos dando com uma placa que dizia "Aqui você deixa o hoje, e entra no mundo do ontem, do amanhã e da fantasia."

Ouvi as duas crianças ao meu lado conversarem entre si, e sorri, desejando que pudéssemos não brigar hoje e dar um belo aniversário para minha bebê.

A primeira coisa que fizemos foi comer. Bruno tinha reservado um café-da-manha com os personagem, e comemos panquecas em formato dos personagens na companhia do Pateta, Mickey e Minnie.

Lana se lambuzou toda de mel, o que nos fez ir logo numa lojinha, logo no começo do parque.

- Mamãe, leva essa pra você! - Lana balançou uma fantasia de Branca de Neve na minha frente, em tamanho de criança.

- Leva, Lea. - Bruno brincou, segurando uma fantasia de Cinderela para a Lana. - Tenho certeza que cabe em você!

- Deve caber em você. - Pego da mão dela e finjo analisar se cabe nele. - Acha que o papai combinaria de Branca de Neve, L?

- Não, mãe. - Ela franze a testa, fazendo uma caretinha, e Bruno ri, dando língua pra mim. - Ele tem que ser a Aurora!

- Filha!

- Isso aí, bebê! - Pego-a no colo, fazendo-a dar uma gargalhada gostosa e beijar meu rosto. - Papai vai ficar ótimo de rosa.

Fomos em vários brinquedos, antes e depois do almoço. Praticamente todos que a Lana podia entrar. Tiramos fotos com alguns personagens. O favorito do Bruno foi o Jungle Cruise, que basicamente era um passeio de barcos por um safári abandonado, cheio de piadinhas dos guias e detalhes de animais por todo o caminho. Lana ficou toda sapeca, tentando pôr a mão na água, quando passamos pelo "Old Smile", que, segundo o guia do brinquedo, sempre está esperando para puxar alguém com o pé para fora do barco.

Na saída, posamos com um Pato Donald vestido no estilo selva, e Bruno comprou lembrancinhas para seus sobrinhos na lojinha daquele brinquedo.

Eu fiquei doida para ir na Mansão Mal-Assombrada, e Bruno também, mas resolvemos não ir por causa da Lana. Meu favorito foi, provavelmente, o submarino do Nemo, mas o meu amigo não gostou muito.

Lana adorou todos. Ficou animadíssima com a do Peter Pan, e seu pai comprou o DVD para que ela pudesse assistir depois. Adorou um passeio de trem pelo parque todo, mas eu e Bruno ficamos meio entediados nesse porque era muito lento, o que deu numa longa brincadeira entre nós dois, que era basicamente olhar para algum objeto ao redor e dizer uma palavra que começasse com a mesma letra. Aliás, eu ganhei.

- Eu tenho uma surpresa para ela. - Bruno comentou, enquanto nos dirigíamos para o castelo da Cinderela, o maior símbolo dali. Lana estava um pouquinho mais para frente de nós.

- Mais? - Ia continuar falando, mas me senti desconfortável quando uma menina no nosso lado esticou o telefone em nossa direção, para bater uma foto.

Bruno não tirou fotos com ninguém hoje, mas foi muito simpático com todos e pediu desculpas, pois disse que se parasse para um, teria que tirar foto com todos. Mas isso não impedia das pessoas tirarem fotos da nossa movimentação uma vez ou outra. Bruno nem sentia mais, acostumado. Eu não.

- É só fingir que não tá vendo, Lea. - Ele disse.

- Como?

- As fotos. Fingir que não está notando. Eles não precisam de muito para parar.

- Ah, eu não...

- Está incomodada sim. Ainda te conheço bem. - Deu uma risada nasalada, chamando por Lana. - Continua para frente, filha!

- Quero sorvete. - Pediu, mostrando o carrinho ali.

Bruno perguntou se não estava tarde para isso, já que estava começando a escurecer, e eu disse que ela podia ficar a vontade no aniversário dela.

Bruno comprou picolés em formato de Mickey para nós três, e nós tiramos uma foto. Ele passou um dos braços por meus ombros e me puxou para perto, segurando a Lana com o outro.


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