Você tem algo que preciso
Neste mundo cheio de gente, existe uma me matando
E se nós morremos apenas uma vez
Eu quero morrer com você
(Something I Need - One Republic)
Acordamos depois de um breve cochilo. Acordamos não, eu acordei. Bruno já estava fora do quarto, mas sabia que estava ali, pois sua camisa ainda estava no quarto. Tirei o lençol de cima do meu corpo e parei pra pensar como eu e ele dormimos numa cama meio-casal?!
Levantei da cama e senti logo um incomodo bem parecido com o que senti quando perdi minha virgindade, e o mais engraçado é que foi no Havaí também. Esse Estado me traz boas coisas, porque apesar de incomoda, é uma dor boa, digamos assim. Estou feliz por ter feito finalmente o que tanto queria e por ter sido bom.
Desci as escadas e Bruno estava batendo algo na cozinha. Olhei para o relógio da parede que marcavam cinco e meia.
-Boa tarde. – Atiro um beijo pra ele, com a voz sonolenta.
-Boa tarde, dorminhoca. Estou fazendo algo para comermos.
-Hm, o que é? – Sento-me no banco.
-Digo assim que você subir, pôr uma roupa e ajeitar as coisas para que eles não vejam que fizemos a festa enquanto os gatos saíam.
-Ah! – Olho para meu corpo, apenas a calcinha e o sutiã o cobriam, porque antes de cochilar, eu os pus com medo que alguém chegasse antes do tempo estimado. – Já volto.
-Ok.
Andei para subir as escadas, mas ouço a gargalhada do Bruno que me faz parar no meio do caminho.
-O que foi?
-Você está andando estranha!
-Não estou não. – Não me sentia estranha.
-Parece uma pata.
-Vai à merda.
-Não se preocupa que com a prática isso melhorará.
Fico rindo enquanto subo as escadas, Bruno é um bobo idiota.
Meus pais chegarão em pouco tempo, quer dizer, se o horário ainda continuava o mesmo, as seis e meia eles já chegam.
Arrumei o quarto da maneira que pude e coloquei minha roupa, mesmo sentindo-me estranha sem um banho, mas ou eu colocava a mesma roupa que estava ontem e o mesmo lingerie, ou deixava o banho para tomar na casa do Bruno. Também não iríamos demorar muito tempo aqui, já, já teríamos que ir ver a Lana e ver se ninguém morreu com a pequena terrorista.
Novamente desci as escadas e o cheiro estava invadindo a cozinha. Cheiro de bolo gostoso.
-Vantagens de ter um amigo que trabalhou numa padaria. – Sentei-me no banco prendendo meu cabelo aninhado.
-Aproveitadora isso sim.
-Não pedi para fazer nada. – Dou de ombros.
-Ah, é? Que bom, pois nunca mais irei fazer um agrado.
-Vai sim. – Peguei um sachê de sal e toquei nele.
-É, eu vou. – Balançou a cabeça. – Eu não canso de ser idiota.
-Não é idiotice agradar a melhor amiga, eu também faço isso por você.
-A diferença é que você é grossa na maioria das vezes.
-Grossa não! – Defendo-me. – Realista, talvez com pouca paciência para algumas situações. E você também é grosso.
-Sou mesmo. – Ofereceu-me o sorriso mais safado possível. – Tenho que perguntar o que você tanto odeia.
Fez a volta na bancada e parou ao meu lado, pois virei meu banco na direção do seu.
-Faça.
-Foi bom pra você? – Ia começar a rir, mas ele ficou sério. – Sinceramente, você gostou?
-Eu amei. – Disse rapidamente, olhando dentro dos seus olhos. – Foi muito bom.
-Gostaria de fazer mais vezes, ou foi trauma para um dia só?
-Não teve trauma algum! Faria mais quantas vezes fosse preciso. – Eu faria mesmo, por mim e por ele. – E você?
-Foi uma experiência maravilhosa, acredite, eu amei! Mas só repetiria se você quisesse.
Por instantes viajo para longe, longe mesmo. Agradeço por ele ser fofo assim comigo, mas o odeio porque não quero me apegar a ele. Somos amigos e acho que isso nada mudará ao menos que ele dê algum sinal um dia, mas pela demora que houve para termos nossa primeira transa, imagino o quanto demoraria para termos algo.
Não quero que ele pare de ser atencioso e fofo assim, mas eu sou mulher, além de carência de sexo, tenho carência de amor. Supro algumas necessidades como sexo, conversas, risadas, e às vezes um filme agarradinhos, mas nada é como passear de mãos dadas, ir ao cinema, a um restaurante...
Mas então a situação do Kai retorna na minha cabeça, porque ele se importou tanto que ficou com ciúmes daquela forma? Ok, não sei se foi ciúmes, mas me pareceu isso e é aí que começo a ficar preocupada.
-Lea?
-Oi. – Balanço a cabeça, aterrissando ali novamente. – Eu amaria repetir várias vezes.
-Então tudo bem. – Se esticou para frente segurando minhas mãos e beijando meus lábios.
Beijamo-nos por alguns minutinhos, literalmente. Gostaria de ficar assim nos braços dele por algum tempo, mas eu não quero me apegar dessa forma. Isso é só amizade, sem sentimentos, e eu sei disso há tanto tempo, porém hoje estou um pouco mais sensível.
Tiramos o bolo do forno e logo em seguida meus pais chegaram. Tomamos nosso café tranquilo e conversando sobre vários assuntos que nunca acabavam. Nosso tempo foi agradável, e chegou a hora de irmos para a casa do Bruno.
Chegando lá, Bruno correu para o encontro da Lana, que esticou os bracinhos com um beicinho de choro.
-É normal ela chorar assim, de saudades? – Bernie perguntou ao dar um beijo em minha bochecha.
-Ás vezes, sim. Ela é muito emotiva! – Mexo na sua bochecha e ela mal sorri. – Acredita que ela já teve duas febres emocionais?
-Não foi somente uma? – Questiona o Bruno.
-Uma quando ela teve otite e outra quando... Não lembro a outra vez. – Fiz um pequeno esforço para recordar.
-Acho que foi no dia... Aquele dia em que ela estava pra baixo, meio chorosa.
-Não, foi o dia em que nós fomos ao supermercado que ela chorou por muito tempo.
Bernadette começa a rir e arruma a roupinha da pequena, balançando a cabeça, deve estar achando que somos loucos.
-Não ri mãe. – Bruno saiu atrás dela.
-Vocês dois querem disfarçar que tem algo? Porque está estampado na cara de vocês, e nas atitudes. Isso é típico de casais, eu e seu pai éramos assim, com a diferença de que ele sempre soube as datas melhores do que eu.
-Não queremos disfarçar.
-Onde passaram a noite e o dia? – Perguntou pegando sua pequena planta e pondo em cima da mesinha.
-Na casa dos meus pais. – Respondi.
-Deve ter sido bom, sua pele está ótima e o sorriso do meu filho é inconfundível.
-Viu, transparecemos sexo. – Passou a mão em meus cabelos e Lana dá uma resmungada.
-Acho que ela quer o pai dela somente pra ela.
ზ
Lana passou a noite na cama, ela estava quietinha, e ninguém sabia o porquê. Preferimos deixar qualquer agarramento para depois e primeiro cuidar da pequena.
Ao acordarmos na manhã ensolarada e quente de sábado, a primeira coisa que fiz foi um banho bem gelado para tirar o suor do corpo. Vesti biquíni por baixo do vestidinho leve que pus, sabia que iria a qualquer momento pra piscina.
Aproveitei para ajudar a Bernie, que se empenhava em arrumar a sala e fazer o almoço, ao mesmo tempo. Disse para ela deixar o almoço para um pouco mais tarde, ninguém precisaria almoçar ao meio dia em ponto, quando acordassem, tomassem seus cafés e depois resolvessem suas vidas até a comida ficar pronta. Então somente a ajudei com a arrumação da casa.
Logo as meninas apareceram e a casa já se tornou a completa baderna. Lana estava no colo do Bruno, ainda meio tristinha, porém dava alguns sorrisos para nós.
-Ih, quando o Jaimo ficou assim na semana seguinte o primeiro dente começou a aparecer. – Jaime disse depois de ver a pequena meio molenga.
-Mas eu tenho todos meus dentes e não choro quando ele começa a cair. – Fez uma cara de mau, e Tahiti gargalha.
-Calma ai garotão, somente um dente seu caiu.
-Mas o que acontece quando todos caírem? Eu vou ficar que nem o tio Bill?
-Jaimo! – Todos nós gargalhamos. Tio Bill era um velho vizinho deles, que não tinha a maioria dos seus dentes na boca e também não se importava em coloca-los novamente.
-Acho que os dentinhos irão crescer, então! – Pego-a no colo.
Após nosso almoço e a tentativa de dar comida para Lana, que preferiu tomar leite, fomos para a piscina. Somente as mulheres e o pequeno Jaimo, já que o Bruno saiu para reencontrar uns velhos amigos.
-Será que ele vai ver o Ryan, Tiara? – Tahiti diz num tom sugestivo.
-Não sei porque está falando dessa forma. – Bebe um gole do suco de melancia.
-Ah, pobrezinha, ela não sabe, Jaime. – Atiram água nela, que ri, mas logo fecha a cara mostrando não gostar.
-O que tá rolando? – Pergunto.
-Se ousar falar uma piadinha sequer, eu conto para todas. – Virou ameaçadora. – Eu fiquei com o Ryan em uma festa, ai elas pegam no meu pé por isso. – Revirou os olhos.
-Wow! – Fiz rendição com as mãos.
-Melhor do que o seu!
-O meu o quê?
-Namorado.
-Ele não é meu namorado.
-Quem é o seu namorado, Lea? Porque não conhecemos?
-Porque ele não existe! – Rolo os ombros, olhando para os meus pés na água.
-Existe sim, e vocês conhecem. – Tiara coloca o copo sobre a borda e molha seu cabelo na água da piscina mais uma vez.
-Reencontrou aquele seu antigo namorado? – Jaime pergunta.
-Bruno! Tá tão na cara.
-Tiara! – Arregalo os olhos. – Ele não é meu namorado nem algo do tipo, somos apenas melhores amigos.
-Que transam. – Complementa.
-Como que eu não desconfiei? – Tahiti coçou a cabeça pensando em todas as coisas.
E meu rosto pegava fogo. Sabe aquele sentimento que eu estava ontem de não querer ouvir nada fofo dele para não me apegar? Passou! Acho que foi momentâneo, pois estávamos num clima legal, com palavras legais, e tudo se encaixou.
Depois da longa tarde de meninas, e de muitas perguntas sobre nós dois, das quais eu não respondi a maioria, pois não somos namorados. Eu me arrumei para jantar e já para sair. Bruno havia combinado com o pessoal da antiga um pequeno encontro, e todos toparam para a mesma noite.
Vesti uma saia que as meninas me emprestaram e uma blusinha curta preta que levei em minha mala. Uma rasteirinha e cabelo preso, somente isso estava bom.
-Melhor pegar um casaco. – Bruno abriu a porta do quarto enquanto eu ainda me arrumava. – A noite está quente, mas não sabemos que horas iremos voltar.
-Obrigada papai. – Agradeci, me inclinando para abrir a mala.
-Me chamar de papai enquanto se inclina dessa forma, é injusto, Lea. Não vou permitir que saia do quarto.
-O que faço pra sair? – Inclino-me mais e ele se posiciona atrás de mim. – Papai! – Tornei a repetir.
-Queria que me chupasse. – Puxou meu corpo bruscamente pra perto do seu. – Que deixasse gozar na sua boca. O que acha?
-Se me fizer gozar somente com a boca, porque não? – Deito a cabeça pra trás no seu ombro e ele beija meu pescoço descendo uma das mãos até minha saia. – Sabe que o Kai estará lá, não é? Preocupa-se com isso?
-Sei, e não me preocupo. – Procuro virar-me de frente pra ele e passo o dedo pelos seus lábios. – Eu estou viajando com você, saindo com você, e não com o Kai.
-Isso quer dizer que...
-Pensem o que quiserem, falem o que quiserem o que eu tinha com o Kai ficou no passado! – Passo minhas mãos pelos seus cabelos.
Curiosamente eu não estava com nenhuma expectativa sobre o Kai estar lá. Acho que nosso encontro a sós foi bem explicativo e eu consegui ver que não sinto mais nada por ele além de um carinho enorme e uma amizade bem grande. Fomos o que fomos no passado, coisa que ficou lá atrás, agora somos o que somos, no nosso presente, e dele eu sei que Kai não será parte.
Não na parte afetiva romântica da minha vida.
Tiramos fotos quando aparecemos na sala, com todos juntos, com apenas eu, Bruno e Lana, e assim fomos intercalando as fotos para guardarmos recordações.
Bruno dirigiu na estrada mais longa em direção ao fliperama, somente para podermos dar uma olhada no mar. Estava lindo, diga-se de passagem. Àquela lua iluminava tudo e fazia aquela linda imensidão se transformar em algo brilhante. As ondas, mais altas a noite, quebravam antes mesmo de chegar perto da praia, naturalmente evitando qualquer catástrofe.
-Já estou sentindo o peso de ter que voltar pra casa e deixar, novamente, tudo pra trás. – Digo, passando a mão pela janela e ainda encarando a paisagem.
-É triste e dói, mas não vamos pensar nisso ainda. Estamos aqui há somente quatro dias não completos.
-Amanhã irei para a casa dos meus pais, passarei uns dias somente com eles. Ok?
-Vou ter que dormir sozinho? – Fez um beicinho lindo.
-É, vai ter que ser. Por uns dias somente. – Ajeito-me no banco e seguro a sua mão que está no câmbio.
ზ
Ele estacionou o carro em frente e ai já vimos a enorme diferença. Com certeza estava maior, haviam aumentado e tirado a cor amarela queimada e branca das paredes, e substituíram por azul e branco. O nome continuava o mesmo, mas aquele letreiro neon fraco mudou para um letreiro de luzes, mas LED.
Andei ao lado do Bruno, que guardava a chave no bolso e cuidava da sua roupa. Isso tudo seria para ver todos novamente ou para impressionar alguém?! Cuidei da minha rasteirinha e ajeitei a saia também.
Entramos pela porta dupla e a música já invadiu nossos ouvidos e os garçons passando por nós de patins. Como tudo estava reformado, cores vivas como sempre, e o bar continuava na frente e a porta dando para os fundos como o fliperama de jogos.
Recebemos um aceno de mãos esvoaçantes sinalizando onde estavam. Bruno deixou eu passar na frente e todos da mesa levantaram.
-Lea! – Rachel estava bem diferente, com cabelos loiros e curtos, com rosto mais redondo, porém o mesmo lindo corpo de sempre. – Meu Deus, que saudades! – Abraçou-me fortemente.
-Oh, meu Deus! – Tami bateu palminhas, ela estava tão... Diferente! Não parecia a mesma que era antes, nenhum pouco. – Nunca reconheceria você na rua, como você está linda.
-Obrigada, gente. – Abraço ela também e dou um beijo no rosto dos meninos, inclusive de Kai que estava sentado ao lado do Ryan e do Jack. – Jack, onde está seu cabelo loiro lambido? – O questiono e ele ri.
-Nosso cabelo passa a ser pertence do casal quando casamos. – Dá de ombros.
-Comunhão de bens! – Explicou Rae.
-Como? Vocês estão casados? – Está ai algo que eu nunca imaginaria.
-Não brinca! Eu nunca imaginei isso. – Bruno repete que se passava pela minha cabeça.
-Três anos. – Mostram suas alianças e dizem juntos. – Dois. – Corrige Jack.
-Três!
-Agora vamos a noite toda com isso. – Ryan balança a cabeça impaciente.
-E você não mudou nada! – O olho e automaticamente bato meus olhos em Kai, que me encara o tempo todo.
Por baixo da mesa, Bruno encontra minha perna e a chuta, não com muita força, mas chuta e eu o olho irritada, mas sem querer transparecer nada demais.
Pedimos alguns aperitivos e bebidas, comemorávamos e ríamos de como o tempo passou e as coisas mudaram demais. Falamos sobre a nossa vida fora da Ilha, de como foi no inicio e como está sendo agora. Todos babaram sob a foto da pequena Lana, e chegaram a perguntar sobre a mãe da criança, mas Bruno apenas fez questão de responder que era eu a mãe, e não quem pariu.
Falávamos de tudo que já fizemos e coisas proibidas. Falávamos até de como as pessoas estão hoje em dia, e recebemos elogios por estarmos lindos. Eu por manter um corpo legal e por meu rosto continuar “angelical”, e Bruno por ficar com cara de homem, o que gerou mais uma sessão de piadas.
-Mas naquela época fazíamos tudo que era proibido mesmo. – Jack dá de ombros.
-Inclusive festa na casa dos amigos enquanto os pais viajavam. – Rae se lembrou de quando seus pais viajaram para uma pequena cidade e nós aproveitamos para fazer uma festa em sua casa sem o seu consentimento.
Ela ficou braba por um tempo, depois curtiu a festa, e depois voltou a ficar brava conosco, mas levávamos tudo na brincadeira. Eram bons tempos!
-Ah, como as coisas mudam. – Ainda estava abismada em como Tami mudou nesses anos, e foi mudanças radicais.
-Mudam mesmo! – Rachel pega uma batatinha e põe na boca. – Eu nunca achei que fosse casar com o Jack.
-Já falei que não tem devolução. – Alertou.
-E eu nunca pensei que fosse ver vocês novamente, sabia? – Tami confessou.
-Eu pensei naquela época que Kai e Lea iriam casar, assim como nós! – Gesticulou a mão e Kai começou a rir.
-Todos nós pensamos. – Ryan pronunciou-se, bebendo dois goles escassos da bebida. – Combinavam tanto que nem pareciam reais.
-E nós éramos. – Kai falou baixinho. A perna do Bruno afastou-se um pouco da minha.
-Ao contrário de vocês, eu sempre achei que o Bruno e a Lea fossem acabar juntos. – Mexeu-se na cadeira, Rachel, que opinou sobre o que achava.
-Obrigada. – Disse Bruno. – Ainda vamos, não vamos, Lea? – Passou seu braço por cima do meu ombro e olhou nos meus olhos por alguns segundos que pareciam bem mais do que isso.
-Claro que vamos. Depende de você. – A lei da vida é que devemos receber provocações devolvendo com provocações.
-Voltaremos para o Havaí daqui uns anos casados. – Bruno virou-se para a mesa, com o braço ainda por cima de mim.
-Depois que ficar famoso. – Entiquei com ele, que ri e da um soco de leve no meu braço.
Pensei que ficaria um clima chato depois daquilo, mas Kai não disse nada e também não se acanhou. Eles falaram sobre uma namorada que Kai teve, e que de acordo com ele não teve muita importância. Ele nem havia comentado comigo sobre ela, que foi ela que o influenciou na carreira de professor e ele seguiu. Que bom que ele achou alguém que fosse legal assim com ele, mas fiquei pensando que o destino pode ser um pouquinho cruel com o coitado, afinal essa menina também largou dele por estar indo embora do Havaí. Brincamos que a próxima ele tem que amarrar nos pés da cama e não deixar ela sair nem de casa para não escapar.
Não entendo porque pessoas tão boas e legais – e lindas -, não conseguem alguém para compartilhar suas vidas. Ok, eu não tenho namorado, mas ele é um cara completo, e ainda um ótimo namorado.
Bruno permaneceu agarrado comigo desde a hora da pequena revelação da Rachel, suas mãos ficavam em meus ombros, ou em minha cintura, ou segurando uma das minhas. Não importava como, apenas que ele estivesse comigo. Sentia que aquilo, de certa forma, era para provocar o Kai, ou qualquer outra pessoa que me olhasse. Mas isso poderia ser da minha cabeça, afinal, eu também estava me aproveitando da situação para evitar que qualquer mulher olhasse para ele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário