sábado, 8 de agosto de 2015

Capítulo 27



Bruno Pov's 

Uma maldita voz me acorda de manhã. Não entendi o que ela disse, e nem consegui ver quem era, mas ficou parada na porta durante um bom tempo. Esfrego meus olhos levemente e vejo que parte do corpo nu da Lea estava aparecendo, estava quase enroscado no seu corpo, nossas peles estavam se aquecendo durante a noite toda, na porta está Tiara, nos olhando com uma expressão bem surpresa.

Cubro o corpo da Lea ligeiramente.

-Tiara, vamos, saia! - Peço, falando baixinho.

-Bruno... - Ela ri, pondo a mão na boca. - Ok. Vamos descer, mamãe mandou chamar.

-O que ela quer às... - Procuro o relógio da minha parede, mas não acho. Talvez porque eu não esteja na minha casa.

-Nove da manhã. - Respondeu, prendendo o riso.

-É, tanto faz. Depois eu desço, vamos Tiara! Saia daqui. - Quero gritar, mas contenho para não acordar as meninas.

-A noite foi boa, hein. - Com o pé ela aponta para as roupas que estão espalhadas. Meu rosto fica pelando de quente.

-Deixe a Lea e a Lana dormir. - Levanto da cama, cobrindo minhas partes com a camisa que estava no chão. Vou até a porta e tento empurrar.

-Vocês dormem juntos assim, sempre?

-Cala a boca, Tiara. Dê o fora daqui. - A situação estava cômica. - Minha privacidade, caramba.

-Se você se importasse com privacidade, teria trancado a porta, irmãozinho. - Riu, se escorando. -Meu irmão está com vergonha, que lindo. - Tentou apertar a minha bochecha, mas esquivei.

-Deixa de ser chata, Iara. - Chamo-a pelo apelido, tentando mais uma vez fechar a porta. - Deixe elas dormirem.

-Lana está com a mamãe, lá embaixo.

-O quê? - Arregalo os olhos. - Mamãe entrou aqui?

-Claro, e provavelmente ela viu o mesmo que eu!

-Ok, eu sou adulto, ela também, não tem porque esse alvoroço. - Tento concentra-me. - Tchau, Tiara. Eu já irei descer!

-Tudo bem... Mas, antes confesse! Vocês transaram?

-Não é meio óbvio. - Sinalizo para o quarto, e bem na hora Lea se mexe.

-Ok, mas faz quanto tempo?

-Essa entrevista é para revista cara ou jornaleco barato? Porque tem que marcar hora. - Fechei a porta a francesa, deixando-a no vácuo.

-Vou falar com você depois, pequeno Peter.

-Vai à merda! - Me aproximo da porta para falar.

Sento-me na cama, olhando para ela que dormia tão tranquilamente. Quando foi que eu imaginaria que um dia nós estaríamos assim, nesse grau de intimidade, além da amizade? Quando foi que eu pensei que nós estaríamos transando por todas as partes da casa, e ela sendo a mãe da Lana?! Ter sua melhor amiga como uma amizade colorida é uma boa ideia, principalmente quando nosso sexo é saudável acima de tudo. E gostoso!

Fala sério, vou ter a oportunidade de tirar a virgindade daquela bunda! Eu sou um puta cara sortudo.

Revirei a mala tirando uma roupa confortável para pôr. Por mais que todos queiram, hoje negarei ir a praia, quero passear pela cidade, e garanto que a Lea vai ser parceira para isso. Quero que minha filha conheça muito além do oceano.

Penteei meus cabelos, agora baixinhos, e pus um chapéu. Sentei ao lado da Lea e balancei seu braço.

-Acorda, manhosa. - Assopro seu rosto, e ela faz careta, virando para o outro lado. - Não adianta se esquivar. - Passo meu dedo pela sua orelha e ela ri. - Viu! Eu sempre ganho. Levante, Dona Bernie já nos chamou.

-Meu Deus, eu pensei que dormiria até tarde nas minhas férias. - Pôs a mão na cabeça, sentando na cama. - Bom dia. - Fechou os olhos por causa do sol que adentrava o quarto.

-Bom dia. - Sorri.

-Me dá café na cama. - Se tocou pra trás novamente. - Estou tão cansada.

-Que mordomia. Para de preguiça, levanta dessa cama. Vamos lá.

-Onde está a Lana?

-Hã... Uh, a minha mãe veio busca-la.

-Bruno! - Ela pôs a mão na cabeça. - Ela viu a gente nesse estado?

-Basicamente, você! Estava quase sem o lençol sobre seu corpo quando acordei a hora que a Tiara cham...

-Tiara? - Balançou a cabeça. - Agora elas sabem...

-Relaxa. - Dou de ombros. Não me importava se soubessem, desde que não fantasiassem.

-Difícil, né?! - Pulou da cama, prendendo o cabelo num coque todo errado somente para vestir a roupa.

Observo ela se vestir e vou para a cozinha um pouco antes dela. Dou bom dia para todos e aperto um pouco minha pequena, que comia um pedaço de mamão. Lana adora frutas, chás, é bem light, bem como a Lea, mas a diferença é quando ponho uma caixa de pizza na frente da Lea e um cesto de frutas, ela vai atacar a pizza. Mas tem o pequeno detalhe de que minha filha ainda não sabe o que é uma pizza, e vai amar descobrir.

Minha mãe lançava olhares, quando estávamos a sós, ou com ninguém olhando, de "eu sei o que vocês fizeram", mas em nenhum momento nos expôs. Nem ela, nem Tiara, e achei isso legal, elas respeitaram.

Mas, quando minha mãe foi para o jardim, inventou de levar a Lana, e eu acompanhei. Sabia que isso era um truque, mas eu sempre caio.

Ela estava em silêncio, apenas falando com as plantas e mostrando para a Lana, que, esfomeada, queria comer elas. Encantei-me por vê-la observar as florzinhas, e olhar admirada para tudo.

- Então, filho... - Ela espere que eu comece com o assunto. Dona Bernadette, a senhora está equivocada. - Finalmente.

-Finalmente?

-Lea e você! Achei lindo abrir a porta do quarto pela manhã e ver vocês dois.

-Minha privacidade foi por água abaixo. - Balanço a cabeça, com um riso bobo.

-Deixava a sua filha morrendo de fome? É isso que faz em casa?

-Está aí à prova do porque ela é magra. - Disse ironicamente. Lana não é magra, é bem fofinha.

-O fato é que vocês formam um belo casal.

-Sobre isso, mãe, melhor não falarmos nada. Não somos namorados.

-São o que?

-Amigos. Melhores amigos, que matam o desejo um do outro. - Era estranho falar isso pra minha mãe, mas além do Phil, pra quem mais poderia dizer isso?! Pra ela seria, no mínimo, estranho.

-Queria falar para a mãe dela. Não sabe como ela deseja que vocês dois fiquem juntos. Até o Frederich gostaria disso.

-Mamãe, vou abrir aquele pote de sorvete, ok? - Presley grita da porta.

-Tudo bem. - Responde tranquilamente.

- Mãe. - Olho-a, sério. - Não diga a eles. Ainda mais sem consultar a Lea antes. Nós...

- Vocês...? - Incentivou.

- Somos realmente só amigos. Estamos do mesmo jeito que estávamos alguns anos atrás.

- Vocês dormem sem roupa há quantos anos, meu filho?

- Mãe! - Rio, sentindo meu rosto esquentar. Realmente esse é o tipo de coisa que seria mais fácil conversar com meu pai. Mexo o bracinho de Lana. - Diz pra vovó que ela está sendo bem incomoda, L.

Mamãe pega na mão de Lana, brincando com ela.

- Não fuja do assunto. Diga-me. O que está havendo, exatamente, entre vocês?

- Mãe... - Rolo os olhos dramaticamente. - Nós estamos ficando. Continuamos nossa amizade. Lea não quer namorar. Ela gosta de ser solteira.

- E você?

- Eu o quê? - Arrumo o cabelo da minha filha, olhando de canto para ela.

- Quer namorar?

- Qual é, Dona Bernadette!

Ela tira uma flor da mão de Lana, que Lana tentava por na boca.

- Bruno. - Me olha seria.

- Mãe. - Rio novamente. - Estou bem como estou.

- Você é burro, filho?

- Mãe! - Eu gargalho. - Filha, olha pra isso. - Arregalo os olhos pra Lana, levantando-a na altura do meu rosto, e a bebê tenta morder meu nariz. - Não sou.

- Você está esperando o quê? Ela se interessar por mais alguém que coloque um anel no dedo dela?

Fico calado, olhando para o nada.

- Está esperando isso, Bruno? - Repete.

- Mãe... - Eu finalmente olho em seus olhos. - Eu e Lea estamos ótimos desse jeito. Moramos juntos e tudo mais... Além do mais, eu tenho a Lana. Quem em seus vinte e poucos poderia querer namorar alguém que já tem filho? Que não pode sair todos os dias, dar toda a atenção... - Beijo a cabecinha de Lana. - Coisa mais preciosa pra mim essa gordinha.

- Acha a Eleanor boa demais pra você? É isso?

- Não! Não. Eu só... Estamos bem como estamos, mãe.

- Escute o que eu digo. - Ela olha pra mim com carinho. - Você e a Lea... São uma família. Você precisa mostrar pra ela que quer algo mais sério. Antes que ela arrume outro alguém.

Eu sorrio, sem graça.

- Ainda sou muito novo para isso, mamãe.

- Ah, Bruno, não me venha com essa. Eu escuto isso desde que você aprendeu a falar.

Passo um braço por seus ombros, rindo.

- Vamos falar de música?

Ela ainda resmunga um "Depois diga que foi falta de aviso", no mesmo tom que eu costumo resmungar.

Falei para ela todos meus planos, sobre tudo o que acontece no estúdio, todas as pessoas que conheci e estou conhecendo, e que tudo que eu sonhei irá se tornar realidade, mais cedo possível. Eu sei disso, sinto isso, e de certa forma ela sabe que é verdade.

Aprendi a confiar mais em mim depois de tantas vezes que chorei nos ombros da Eleanor, dizendo que nada daria certo.


Apesar da melhor maneira de se andar no Havaí seja a pé, nós pegamos o carro para nos guiarmos. Lana está pesada para passar tanto tempo no colo, e mesmo com o pequeno carrinho de passeio, uma hora cansaríamos de empurrar, então fomos até uma das ruas mais movimentadas da ilha, estacionamos o carro do meu pai e andamos em algumas lojas.

Lea estava enchendo uma pequena sacola de presentinhos para ela, para a Lana, e algumas lembrancinhas para o pessoal da Califórnia. Lana estava acordada, e batia um papo sozinha, rindo e apertando os olhinhos quando uma fresta de sol batia no seu rostinho. Doce e linda, minha pequena.

-Quero entrar naquela loja. - Apontei para a loja no outro lado da rua. - Adorei aquela camisa.

-Que estampa mais... - Tentou achar uma palavra menos agressiva e que não me machucaria tanto, no mínimo.

-Estranha?

-Também! - Arqueou uma única sobrancelha, pegando o carrinho das minhas mãos. - Pense que você é Havaiano, pode usar essas estampas sem ninguém te julgar. - Dá de ombros.

-Vamos, venha. - Vou atravessando em frente e ela vem em seguido com a pequena no carrinho. - Eu seguro. - Pego a sacola de suas mãos.

-Obrigada. - Agradece a mim.

Entro na loja seguido da Eleanor. Experimento duas camisas e uma bermuda, mas acabo ficando somente com uma das camisas, uma regata verde com estampa. Assim que saímos, Lea reclama de estar com algo lhe incomodando por baixo do calçado, ajudo-a a ver o que era, e apenas uma pequena pedrinha que havia cravado no solado.

A tarde estava chegando na metade-final quando decidimos ir ao supermercado abastecer o estoque de besteiras para comer a noite, e no dia, e em qualquer outro horário!

Pego o carrinho com acento para crianças e deixamos o carrinho de passeio no carro.

Eleanor Pov's 

Bruno carregou o carrinho com a Lana enquanto eu ia pegando o que queríamos.

-Pegue aquela pipoca. - Sinaliza para a de bacon. - E aquela também. - Uma de caramelo.

-Vou voltar pra Los Angeles pesando 200kg. - Reviro os olhos, colocando as pipocas no carrinho.

-Vai emagrecer, então?

-Você deveria fazer o mesmo. O que acha? - Entro na sua brincadeira.

-Sua mãe é um lixo de pessoa. - Me difama para Lana, que olha pra ele fazendo mais um dos grunhidos que tanto amo. Ela está começando a formar pequenas silabas, mais um puxão de ensinamentos e ela começa a falar.

-Não minta pra ela. - Bato no braço do Bruno. - Seu pai é um broxa. - Ela me olha, curiosa.

-Nossa, que xingamento horrível! Vou ligar para minha mãe e dizer que está me ofendendo. - Tira uma onda com a minha cara.

Murro seu braço mais uma vez, recebendo outro soco de leve, e gargalhamos. Saímos daquele corredor conversando e rindo, procurando mais coisas para comprarmos.

-Bruno? - Ouço uma voz familiar. - Eleanor? - Viro-me de costas.

Vejo Laila, completamente diferente do que eu pudesse imaginar, com um pequeno bebê nos braços e uma menina, que se esconde atrás de suas pernas. Observo-a completamente diferente.

-Laila? - Sorrio indo ao seu encontro. - Como está? - Beijo seu rosto num abraço rápido.

-Muito bem.

-Oi, Laila. - Bruno a cumprimenta.

-Estão morando aqui? - Brilha seus olhos olhando para mim e para ele, até para a Lana no carrinho.

-Não, estamos na Califórnia. Só viemos passar as férias aqui. - Respondo, dando um sorriso gracioso.

-E essa pequena, quem é?

-Lana. - Bruno balança sua perninha.

-Filha de vocês? Que beleza! Nunca pensei que isso pudesse acontecer.

Solto um riso sem graça, e ele fica me encarando.

-Não, ela é filha somente do Bruno! - Ergo os braços.

-Que maravilha. Ela é linda!

-Obrigada. - Responde com total orgulho.

-Esses são meus! Sarah, dê oi para eles, filha. - A menina se esconde mais uma vez nas pernas dela, somente espiando nós como se fossemos as piores pessoas possíveis. Deu meio sorriso, morrendo de vergonha. - Ela é tímida demais, e esse é meu pequeno, que já está enorme, Ray.

-Que lindos! Está casada? - Claro que perguntei isso ao reparar a aliança em sua mão.

-Sim! Casei um ano após nossa formatura. Nós nunca mais nos falamos, senti muitas saudades. - Pareceu ser sincera. Dou licença para um homem passar com o carrinho e grudo-me ao lado do Bruno.

-Pois é. - Dou o típico riso sem graça. - Como está o pessoal?

-Ainda vejo algumas pessoas da escola, alguns moram perto da minha casa. Até mesmo o Kai. - Ofereceu-me um sorriso meio malicioso.

-Vou pegar a bebida. Tchau, Laila, foi um prazer te ver novamente. - Bruno deu as costas para nós e saiu com o carrinho.

-Desculpa, acho que fiz besteira. Eu não sabia que vocês estavam namorando. É que eu vi a pequena, e quando você me falou que ela era somente filha dele, eu deduzi que vocês não estavam juntos... - Há quanto tempo ela não falava com alguém? Meu Deus, Laila metralhou-me de desculpas em vão.

-Tudo bem, nós não somos namorados. - Dou de ombros. - Mas, e o Kai? Como está? - Meu peito se aperta, não como antes, bem menos, apenas com vontade de vê-lo novamente.

-Está bem. Não falava muito com ele antes, mas quando se mudou para o mesmo lugar que eu, passamos a nos falar. Ele está trabalhando de professor na antiga escola, professor de Educação Física.

-Sério? Fantástico. - Fico feliz por ele. - E seu marido? Você? O que anda fazendo?

-Meu marido é um pouco mais velho que eu, cinco anos, ele é empresário, dono do próprio negócio. Eu apenas cuido das crianças, da casa, e tudo mais. Sem serviço pra mim. - Ri, como se cuidar de crianças e ficar com a barriga no fogão, sem ter seu próprio dinheiro e conquista pessoal, fosse legal. Pra mim não é.

-Que legal. - Não iria contagiar ela com meus pensamentos.

Laila e eu conversamos por um tempinho. Suficiente para o Bruno entrar na fila da padaria e pegar pães, sendo que isso não estava na lista. Mas fiquei sabendo de tantas coisas que aconteceram por aqui, com ela, com nossos antigos colegas, com algumas meninas que conversávamos, com todos na verdade. Falou bastante sobre o Kai, que ele está solteiro, que poucas vezes se vê ele com alguém, que dedica sua vida ao seu trabalho na escola e comunitário, o que achei lindo de saber.

Prestei atenção em muita coisa da Laila, em como ela mudou em tudo. Seu cabelo está mais curto, continua liso, porém com uma tonalidade mais escura, seu corpo perdeu as formas bonitas que tinha, agora ela aparentemente se cuidava menos, mas não estava acima do peso, somente um pouco mais desleixada consigo mesmo.

Combinei com ela de ir visitar sua casa antes de voltar para a Califórnia, e me despedi. Encontrei com o Bruno, que estava assoviando controladamente.

-E aí. - Fico ao seu lado, andando em frente.

-E aí! Peguei mais algumas coisas da lista. Precisa de algo?

-Não. - Respondo. - Porque saiu dali?

-Nunca tive muito contato com ela, e senti que vocês tinham bastante para conversar. - Mexeu no paninho que estava no colo da Lana. - Colocaram o papo em dia?

-Deixamos para conversar outro dia, mas sim, conseguimos falar sobre várias coisas.

-Pegue esses pães e deixe em qualquer estante, por favor. - Pediu e eu obedeci. - Precisava fazer algo enquanto estava te esperando.

Rimos juntos, indo para a fila do caixa.

Quando colocamos todas as coisas no carrinho e ajeitamos a Lana na pequena cadeira que era de Jaimo no banco de trás, partimos na ida de volta a casa dele.

-Fiquei abismada com ela.

-Por quê?

-Filhos... Acredita que ela não tem um emprego? Fica somente em casa, sendo sustentada pelo marido. Acho o cúmulo quem faz isso. É vergonhoso. - Balanço a cabeça. - Nem quero imaginar se eu continuasse no Havaí o que seria de mim. Provavelmente o mesmo, com um filho nos braços aos 21.

-O que tem demais nisso?

-Tudo demais, não é! Perder todo o precioso tempo carregando um filho e sendo submissas as vontades de alguém, sem ter um emprego... O tipo de vida que não serviria pra mim.

-Se quiser jogar na minha cara que eu tive uma filha com essa idade, e se quiser dizer que está odiando ser a única pessoa a trabalhar dentro da casa, eu prefiro que seja direta e objetiva, Eleanor. Não dê rodeios.

-Do que está falando? - Começo a rir, até notar que ele realmente estava falando sério. - Ta brincando, né? Acha que eu disse isso por você? - Esperei uma resposta. - Bruno? Sabe que eu nunca faria isso. Eu não...

-Você não quis dizer aquilo, foi uma besteira, nem tinha se tocado, e blá blá blá. - Ironiza, revirando os olhos e soltando aquele riso sarcástico. - Eu arranjarei outro serviço logo, não se preocupe, aí sairei da casa.

-Para de besteira. - Fecho minha expressão, mostrando-me desconfortável. - Eu estava comentando sobre ela, e não sobre você.

-Eu duvido. Porque não fala de uma vez?

-Porque eu não quero dizer merda nenhuma à você, que saco. - Lana faz alguns barulhos, mas permanece atenta a nossa pequena discussão. -O que foi isso?

-Não fala comigo. - Pediu, esticando a palma da mão para mim.

Coisa de criança.

Fomos calados o tempo todo até chegarmos na casa dele. Todos estavam na piscina, Presley correu para pegar a Lana, e já pegou a fralda dela para trocar.

Vou atrás do Bruno no seu quarto, carregando as sacolas. Ponho todas em cima da cama e corro até a porta, trancando-a.

-Hey? - Chamo-o. - O que houve?

-O que houve? Você que acha errado ter filho nessa idade, você que acha errado eu não trabalhar, mas o engraçado é que você que pediu que eu me dedicasse à música. Mas assim que eu conseguir dinheiro, irei compensar tudo isso, Eleanor. - Praticamente gritou em minha frente, soltando a mão no ar, parecendo querer explodir em mim.

-Jesus! - Passo as duas mãos no rosto, de forma dramática. - Aquilo não foi pra você! Não foi!

-Hipócrita. - Disse baixinho, ficando perto da janela.

-O quê? - Queria que ele repetisse olhando nos meus olhos.

-Nada, Lea. Abra a porta, quero tomar um pouco de ar.

-Vá! - Abro a porta, o deixando passar.

Escoro-me na parede, deslizando para baixo, sentando no chão. Se ele ao menos quisesse me ouvir que aquilo não foi pra ele, eu nem pensei nisso, nem cogitei no nome dele entre meus pensamentos. Nada a ver essa coisa toda, foi apenas um comentário sobre o que eu achava da Laila naquela situação e ele por algum motivo desconhecido, tomou as dores dela.

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