segunda-feira, 17 de abril de 2017

Capítulo 88

Quando seus fardos pesam você para baixo
Como uma nuvem prestes a estourar
Ponha a cabeça no meu ombro
E eu vou carregar todas as suas feridas
Eu vou te amar até que o mundo pare de girar
(Till the world stops turning – Kaleb Jones)



16 de Outubro de 2016

A adrenalina tomava conta do meu corpo. Aquele domingo havia acordado tão radioso, assim como minha alma. Ninguém ainda tinha entendido a urgência do jantar ser hoje, mas Bruno afirmou a todos que era para comemorar o seu aniversário, onde não tinha feito nada. Ok, uma desculpa totalmente plausível.

Presley e Tahiti estavam no Havaí, disseram várias vezes que não poderiam vir e Bruno acabou aceitando, ainda sim com uma ponta de mágoa em seu peito, tenho certeza. Jaime acabou cedendo, disse que voltaria e acabou voltando ontem. Agora, Eric e Cindia que haviam ido pra lá para o casamento da Presley, não deram certeza se viriam e realmente não vieram. O importante foi que conseguimos muitas pessoas das quais amávamos junto de nós.

Meus avós se assustaram quando cheguei com meus pais na casa deles. Passamos ontem o dia inteiro juntos e conversando, matando a saudade. Fizemos até uma chamada de vídeo com a minha irmã por algum tempo.

Espreguicei-me assim que sai da cama e na mesa onde estava meu celular, havia uma bandeja. Abri o papel que estava fechado.

“Vista e use os acessórios para hoje à noite. A cor azul fica maravilhosa em você! Te amo”


E era aquilo. Uma caixa preta quadrada. Eu a abri e admirei as joias por algum tempo. Quanto eu não sei dizer. Eram lindas. Um lindo conjunto prata de colar e brinco.

Na cadeira ao lado estava o saco estendido da Versace. Passo a mão por cima antes de abrir o zíper. Lá estava um lindo vestido azul escuro. Era impossível não sorrir com toda a preocupação que ele teve.

Peguei meu celular e digitei uma mensagem perguntando onde ele estava, prontamente ele me respondeu.

“Estou arrumando as coisas para o jantar e vou passar no estúdio. Dormiu bem?”

“Dormi sim. Obrigada pelos presentes, são lindos. O que está aprontando para o jantar?”

“Arranjei um serviço de churrascaria italiana. Disseram que é maravilhoso. Estou esperando uma prova no restaurante.”

Bruno ficou dizendo tudo o que tinha para o jantar. Algumas coisas até poderiam parecer exagero, mas não iria reclamar de nada. Ele estava no comando de tudo e eu apenas esperando a hora exata de tudo acontecer.


Ele tinha planejado tudo mesmo. O pessoal foi chegando aos poucos e eu já estava arrumada com a roupa que ele mandou pra mim. Entrei no quarto dele bem antes dele entrar e mandei a mensagem pedindo para que ele viesse.

-Essa roupa ficou perfeita.

-Eu sei! – Olho para o meu corpo. – Obrigada. Você está fazendo dessa noite a mais mágica.

-Você ainda não viu nada. – Mexeu no meu cabelo.

-Eu só queria dar um beijo em você antes de tudo começar.

Suas mãos envolveram minha cintura e nossos lábios se encontraram. Daqui pouco tempo eu e ele seremos nós, seremos noivos, isso é ainda muito surreal.

-Vou sair primeiro, ok?

-Ok. – Deposito um selinho em sua boca e então ele fecha a porta do quarto.

Sento na cama e olho para o meu celular. A adrenalina e o nervosismo ainda tomam conta de mim. Ansiedade é a palavra certa.

Mais tarde fomos todos para a sala de jantar, o buffet começaria a ser servido. Sentamos em nossos lugares marcados e tivemos uma entrada maravilhosa.

O que falaram da churrascaria fazia total sentido. A comida era maravilhosa, e mesmo depois de satisfeita, eu queria muito mais apenas para satisfazer meu paladar – ou seria por nervosismo também?

E então Bruno levantou. Sabia que esse era o momento e meu coração se apertou, mesmo sabendo o que estava por vir, eu estava petrificada.

-Com licença. – Pigarreou, e em seguida um lindo sorriso. – Desculpem ser um pouco clichê. – Pegou a taça na mão. – Agradeço pela presença de todos vocês. Significa muito pra mim. Mas preciso falar sobre Eleanor Winters. – Senti os olhares dá mesa sobre mim, mas não mostrei nenhum momento de sabedoria, apenas espanto. Na realidade, acho que ainda estava um pouco espantada. – Há muitos anos eu a conheci naquela ilha do Havaí. Quem diria que seríamos tudo o que somos hoje em dia? Eleanor era uma adolescente com pensamentos além do normal. Sempre teve sua cabeça em frente e muitos planos. Então nós nos mudamos. – Ele suspira. – Chegar em Los Angeles não foi algo fácil, mas vocês foram essenciais e nos deram uma ótima hospedagem. – Bruno aponta para meus avós e mantém seu sorriso. – Então, Eleanor tornou-se minha maior amiga de todos os tempos. Ela foi minha amiga, minha irmã, minha mãe, foi tudo o que sempre precisei e quis. Foi minha inspiração muitas vezes. Vocês conhecem, então sabem a força que este corpo de um metro e sessenta tem! A garra e a persistência... Foi mãe da minha filha, foi presente até quando eu estava ausente, Eleanor, você nunca me abandonou e nunca cobrou nada de mim. – Seu olhar paira sobre o meu. Meus olhos estão marejados. – Não é à toa que as pessoas te amam. E que eu te amo.

-Bruno... – Tento falar algo, mas ele faz um sinal.

-Eu sei que por trás dessa casca grossa, há uma menina. E eu sei que essa menina quer algo dos sonhos. Talvez essa menina queira realizar um sonho junto a mim.

-Que? – Rio, envergonhada. Minha mãe coloca a mão sobre a minha. A primeira lágrima desce pelo meu rosto.

Isso não era apenas uma atuação.

Eu realmente não esperava todo este discurso. Achei que iríamos apenas dizer que estávamos juntos.

-Já passamos por tantas coisas, Lea. – Nós rimos. – E por isso eu acho que devemos pular um estágio e ir diretamente ao outro, porque não temos tempo a perder. – Bruno coloca a sua mão dentro do bolso da calça e vem até o lado dá mesa onde eu estou. Parou ao meu lado e eu ameacei a levantar, mas ele ajoelhou-se como um filme. Isso era demais pra mim. Tiara emitiu um alto e sonoro “não acredito!”. – Eleanor, você aceita passar por muitos mais momentos ao meu lado? Aceita ser chamada de minha esposa?

Suas mãos tremiam. Ele abre a caixa com dificuldade e eu ouço um coral de sensações e de expressões lindas.

-É... – Minha boca fica entreaberta. Eu realmente não imaginei que iria ser assim. Não consigo falar, apenas tremo como ele.

-Vamos, minha filha. – Eu pude sentir a emoção na voz de minha mãe.

-Como você esperava que eu dissesse não? – Sorrio pra ele. – É claro que sim. Sim por um milhão de vezes. – Aperto meus olhos e recebo seu selinho em meus lábios. Ouço os assovios em volta e até mesmo o choro dá minha mãe.

Estendo minha mão para que ele coloque o anel. Nós dois tremíamos como nunca.

-As meninas precisam saber disso! – Ouço Tiara dizer.

-Calma. – Bruno ri, enquanto beija minha mão. – Vamos fazer uma foto e mandar para eles. Todos nós. Quero me lembrar desse momento para sempre. – Ele olha em meus olhos.

-Eu também. – Sussurro baixinho.

Eu levanto da cadeira e recebo um beijo de cinema. Foi forte, aconchegante, como todos os outros eram. Era um beijo para se sentir em casa.

-Essa merece até um estouro de champanhe. – Phil grita.

Todos ali aplaudiram e nós começamos a receber os parabéns. Vieram de cada um. Minha mãe sabia apenas chorar e meu pai também, além dele estar tirando toda a glória falando que sempre disse que entre eu e o Bruno havia algo a mais.

Minha pequena estava dando pulos de alegria, literalmente. Ela saltava e fazia alguns barulhos e felicidade, nos abraçava e dizia tantas coisas.

-Você sempre foi minha mamãe, mas agora será a mulher do meu papai também. – Não preciso dizer a quantia de lágrimas que saíram dos meus olhos quando ela me disse isso.

-Agora venha cá! – Megan me puxa pelo ombro. – Você está noiva! Noiva. – Ela sorri. – Eu esperava ter mais palavras para dizer agora, mas ainda estou perplexa.

-Nem me fale. – Tiara chega atrás dela. – Você vai ser oficialmente minha cunhada.

-Até mesmo seu afilhado está fazendo festa em minha barriga. – Urbana também chega de surpresa, parando ao lado de Tiara. – Meu Deus, você não sabe o quanto eu torcia por vocês dois.

-Todos nós torcíamos. Fala sério. Se não fossem meus amigos, eu diria que é uma história de livro ou série de televisão. – Megan enlaça seus dedos nos meus e aproveita para ver o anel de perto. – Esse anel custa mais que a minha vida.

-Vocês merecem tanto serem felizes.

-É impressão minha ou isso nos olhos de Tiara são lágrimas? – Aperto os meus, fingindo que estou olhando mais.

-Talvez sejam. – Ela diz, passando a mão pelos olhos e as meninas rindo.

-Vocês estão deixando uma grávida mais emotiva que o normal. – Urbana abre seus braços e nós todas vamos para o seu aconchego.

Com elas eu me sentia tão bem, tão forte. Eu sentia que aquela vibração toda positiva não era algo apenas da boca pra fora. Era real. Elas estavam realmente felizes por mim. Eu as amava demais.

Em seguida abracei meus avós e pedi desculpas mais uma vez por ser uma neta assim, distante.

-Eu fico feliz em saber que você conseguiu achar o seu amor, minha querida. – Minha avó passa a mão sobre meus cabelos.

-Eu também, vovó. – Olho pra trás, onde Bruno está conversando com Phil e meu pai. – Eu também. – Meu coração até palpita mais forte quando o observo de longe.

Tiara chamou todos nós para fazermos a foto, porque já havia posicionado seu celular no lugar certo. Ficamos todos nós bem juntinhos, eu e Bruno na frente, abaixados. Um pouco antes de acabar a contagem, Bruno me olha e fala alguma coisa. Sei que nós dois rimos e a foto foi tirada.

A recordação era eu e Bruno rindo, por algum motivo, algumas pessoas com sorrisos e outras nos olhando, provavelmente se perguntando do que estávamos rindo.

Ficou tão linda.

Tiara mandou a foto pra mim e para o Bruno.

Combinamos de enviarmos juntos para as pessoas que queríamos.

Em menos de dois minutos depois, já recebemos a primeira mensagem de áudio vinda da Tahiti. Ela repetia por várias vezes que não conseguia acreditar, que era surreal, que se estivéssemos brincando com ela, ela nos mataria. Logo em seguida a da Presley, que veio um pouco escrita e um pouco por mensagem de voz. Pres repetia várias vezes o parabéns e nos desejou tantas outras coisas boas e lindas.

Bruno e eu acompanhamos juntos o modo com que demos a notícia e recebemos tantas mensagens lindas.

-E então, Mars, suas fãs vão me odiar para o resto da vida, sim?

-Bom... – Ele coloca a mecha do meu cabelo pra trás da orelha. – Elas a conhecem, sabem quem você é e muitas gostam de você. – Bruno parecia estar fazendo algum cálculo. – Talvez algumas queiram o seu pescoço, outras irão amar. Mas o importante mesmo é que nós estamos bem e estamos felizes. – Suas mãos entrelaçam minha cintura. – E que em breve você virará Eleanor Hernandez.

-Ou você virará Peter Winters.

-Não. – Seu rosto se retorce em uma careta. – Assim fica feio.

-Eleanor Alena Hernandez. – Penso bem. – Até que não soa mal, mas não quero perder meu sobrenome.

-Nem eu quero perder o meu.

-Então você quer começar uma discussão agora mesmo, Mars? – Semicerro meus olhos e ele ri.

-Não. Nunca. Isso é algo banal.

-Achei um champanhe! – Phil grita, chegando na sala de jantar.

-Agora sim que a festa vai começar. – Tiara grita pra ele de volta.

-Você não faz ideia, baby. – Caleb chega ao lado de Phil. – Eu sei que falei que não teria como vir. Me atrasei muito, porém, recebi a notícia e estou muito feliz por vocês. – Ele vem em nossa direção.

-Cara, pensei que não viria mesmo. – Bruno o cumprimenta.

-Eu fiz o possível e o impossível. – Ele beija minha bochecha. – Parabéns ao meu casal.

-Obrigada. – Não consigo nem tirar o sorriso de orelha a orelha que carrego.

Bruno abriu o champanhe em meio de risadas, assovios e gritos. Servimos nossas taças e a pequena taça da Lana que ainda tinha suco de limão suíço.

-Aos noivos! – Tiara gritou com a taça levantada.

E assim que entrelaçamos nossos braços e tomamos do champanhe, demos um beijo para selar tudo aquilo que estávamos começando. À uma nova era, uma nova vida.

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