E eu não quero deixar isso ir
Eu não quero perder o controle
Eu só quero ver as estrelas com você
(The Fault In Out Stars - Troye Sivan)
09 de Outubro de 2016
Tanto tempo planejando e montando tudo que, nem parece que chegou o dia. Tiara, eu e Megan estávamos há tempos nas funções de deixar tudo muito perfeito para Urbana. Cindia foi pegar as comidas e o bolo junto com o Phil. Lonnie estava com as crianças, até mesmo com as de Urbana, para que Eric, Jaime e seu marido pudessem montar os brinquedos no quintal.
Ah, estava ficando tudo tão lindo, estava apaixonante.
-Oi. – Bruno abriu a porta da entrada.
-Olha quem resolveu aparecer! – Tiara vai em sua direção. – Estava com saudades, seu bosta. – Ela o abraça e eles riem.
-Eu também estava.
-Feliz aniversário. Já falei tudo que eu deveria ontem pra você, mas só pra não passar sem abraço. – Novamente eles riem.
Assim que Bruno saiu em agosto para passar uma semana na Inglaterra, ele não parou mais de sair. Foi para alguns outros lugares depois, não parou em casa, até que finalmente há três dias atrás lançou seu single novo do seu CD. Ele não estava em casa, estava em Denver, mas nós todos comemoramos através do FaceTime.
E ontem foi aniversário dele. O aniversário veio junto com o primeiro show após tanto tempo. Claro que nesse show ele não cantou nenhuma música do seu CD, que a proposito está maravilhoso, apenas seu novo single.
Vou em sua direção e o abraço. Seu cheiro estava inebriante.
-Falei muitas coisas ontem, acho que hoje é só feliz aniversário mesmo. – Nós rimos.
-Obrigada. – Ele sussurrou no meu ouvido e meu corpo inteiro respondeu.
-Como foi o show?
-Maravilhoso! Cara, é tão bom estar nos palcos novamente, mas eu fiquei cansado.
-Percebi. Todos vieram pra cá, menos você.
-Fui em casa, tomei um banho, tirei um cochilo e tomei uma aspirina.
-Ah sim.
-Onde está minha pequena?
-Com o Lonnie. Vai ver ela só depois que tudo estiver pronto.
-Que tortura. – Ele coloca o celular no bolso. – No que posso ajudar agora?
Bruno, mesmo de longe, estava ajudando em alguns detalhes que estávamos organizando. Ele optou em quase tudo. Essa criança será muito bem vinda e paparicada.
Ele estava quieto, parecia estar pensando muito ou em outro mundo. Acho que não percebeu a quantidade de vezes que eu o olhava e o admirava. Eu estava com saudades dele. Eu queria ele.
Senti um calafrio na barriga e continuei a alcançar as coisas para Tiara que estava sob o banco pendurando no teto.
-Eu não quero nem ver na hora de arrumar tudo isso. – Megan coloca as duas mãos na cintura. – Se eu ficar grávida um dia, quero toda essa produção também. Ok?
-Se eu for madrinha, será muito mais bonito. – Tiara grita do alto.
-Se eu for madrinha, será algo bem bolado, pode ter certeza.
-E o que me garante que eu vou ser madrinha dos filhos de vocês também? – Megan pergunta.
-Eu não quero filhos, então, pode ser madrinha de um cachorro que eu tiver, ou um gato, por ai. – Ti joga seus ombros nos fazendo rir. Megan me olha.
-Eu não tenho certeza de que quero ser mãe. Não agora pelo menos.
-Você já é mãe, Lea. – Megan me corrige.
-Você entendeu... É diferente quando você que é a gestante.
-Você é muito complicada. – Ela ri.
Bruno estava ali o tempo todo. Ele mexia em algumas coisas que eu não prestei atenção, mas tenho certeza de que um ouvido dele estava na nossa conversa.
O que estava me deixando mais intrigada era o fato de que ele estava com a cara fechada, parecia estar descontente com algo. Ele pode até estar cansado, mas ontem foi seu aniversário, antes de ontem o lançamento da sua musica...
Algo de muito estranho tá rolando com ele.
Quando o vi subir pelas escadas, fui atrás. Não deixei que notassem que eu estava sumindo ou que tinha parado de ajudar por alguns segundos, mas o que eu precisava fazer era naquele momento ou então eu não iria mais ter coragem.
Ele entrou no quarto de hospedes e eu fiquei parada ao lado da porta. Eu tinha que entrar, precisava estar ali, mas meu corpo estava trancado ali e eu não poderia me mover.
-Entra, Lea. – Ouço seu suspiro após ele convidar-me para entrar. Dou um sorriso amarelo, fui descoberta, na porta e ele nem sorri. O humor realmente não está dos melhores hoje. – Entre. – Fecho a porta e dou três passos a frente. Bruno está próximo da janela, intercala olhares com a rua e comigo.
-Desculpa espiar você.
-Eu vi que queria falar comigo, por isso vim pra cá.
-Como você...
-Lea, você não passa tanto tempo me encarando assim desde que brincamos de sérinho com a Lana. O que houve?
Soltei uma gargalhada e caminho para perto da cama. Disfarço, olhando o quadro que ali tem pendurado.
-Devo desculpas pra você, Bruno.
-Pelo que?
-Por tudo. Tudo mesmo. Eu sou uma idiota e você já deveria ter percebido isso. Não sei exatamente do que estava com medo...
-Está falando do que, Lea?
-Estou falando de nós. De você. De mim. De quando eu terminei com o Richard e dei esperanças pra você. Esperanças que eu sabia que poderiam não ser reais, tudo porque eu estava com medo. – Dei um tempo para respirar. Agora Bruno olhava somente pra mim. Suspirei profundamente e quando ele fez menção em falar, continuei. – Eu estava errada. Mas minha cabeça estava num turbilhão de pensamentos. Não sabia se você iria fazer comigo como fez antes, não sabia se você queria assumir algo comigo ou sermos apenas aqueles amigos coloridos. Eu queria estabilidade, mas você sempre me deu a mão para loucas aventuras. Eu queria romance de cinema, mas você me ofereceu sempre aquelas histórias de finais tristes. Eu queria uma família, mas você já tinha a sua. E quando eu terminei com aquele que pensei por um tempo que iria ser o único para o resto da vida, fiquei com medo de tudo retornar e eu entrar em transe. Te evitei. Evitei beijar você. Evitei passar muito tempo a sós.
-Eu percebi...
-Então. A culpa não era sua. Era minha, e ainda é. Eu sou uma mulher, com quase trinta anos, mas que ainda deixa habitar nela a alma de uma criança de dez, com medo de escuro e dos valentões da escola.
-Lea...
-Eu tenho mais coisas pra falar. – Respiro fundo novamente, dou dois passos a frente, mas vacilo. Retorno um passo e sinalizo pra ele falar.
-Eu nunca, desde que éramos adolescentes, senti que precisasse proteger você, porque você sempre foi quem me protegeu, sempre forte. Arrependo-me do que fiz, mas como você disse que em você habita aquela criança com medo, em mim habitou por um tempo o adolescente que só queria aproveitar a vida. Mas ele foi embora, Lea. Ele foi embora há muito tempo. Ele foi embora antes do Richard entrar na sua vida. E você não sabe o quão doído foi passar por tudo isso sem ter ele dentro de mim. O quão doído foi fingir que eu não me importava, quando na verdade tudo o que fazia era escrever e cantar sobre você e sobre o amor que sinto por você.
O silêncio deixou com que nós dois ficássemos apenas conversando por olhares. Minha cabeça pesou, sentei na cama e fiquei encarando o chão, ainda digerindo tudo o que ele acabará de dizer.
O colchão pendeu um pouco. Bruno estava sentado ao meu lado, ainda com um espaço entre nós.
Ele sofreu por mim por um tempo mais ou menos parecido pelo qual eu sofri por ele. Bruno estava guardando aquilo com ele e o tempo todo eu pensei que ele realmente não se importava tanto assim, tanto que nós nem nos falamos por muito tempo.
Minhas mãos estavam suando. Encontrei uma com a outra e esfreguei, logo depois eu esfreguei na calça jeans que usava. Bruno batuca com seu pé.
É hora de dizer algo.
-Eu... – Falamos juntos e rimos. – Pode falar. – Ele dá continuidade.
-Não sabia que tinha passado por isso.
-Todos sabiam. Acho que até seu namorado sabia. – Dá um riso nervoso, contido. – Você não fazia ideia do quão ruim era eu olhar todos os dias para a Lana e ver você, ver a sua personalidade, ver a nossa filha, e não pensar em você.
-Bruno...
-Parte do meu bloqueio criativo era por isso... – Ele ri. – Eu passava tempos pensando em você, e quando precisava trabalhar, escrevia sobre você. Você, Lea, é a minha ruína.
Eu rio, colocando a mão sobre sua coxa.
-Me desculpa, de novo. – Torço meus lábios e ele vira sua cabeça para o meu lado. – Eu não queria fazer você sofrer, nunca foi minha intensão. Eu não queria fazer você esperar por mim também, mas eu não podia conversar com você sem antes ter certeza do que dizer, sem antes repetir para mim diversas vezes e ver que está tudo certo.
-E esse é o momento?
-Sim.
-Esse é o momento que vai falar o que quer de mim, o que quer de nós?
-Sim, Bruno.
-E o que quer de mim, Eleanor Winters?
Novamente, eu congelei. Sorri nervosamente pra ele, tirei minha mão da sua coxa, bati meu pé algumas vezes no chão e aquilo parecia um looping. Parecia que eu não conseguia fazer mais nada além daquilo.
Eu sou uma idiota. Eu sou adulta e ainda ajo como criança em situações assim?
Eleanor, não é o amor do jardim de infância que está ao seu lado. É o amor da sua vida!
-É esse o momento, Bruno, que eu digo que quero tudo de você. Eu quero suas falhas, seus humores, seus sabores, suas luas. Seus sorrisos pela manhã, suas resmungas pela tarde, seu boa noite quando anoitecer. – Meus olhos marejaram e eu não quis encara-lo. Olhei para suas pernas. – Eu quero você. – Sua mão encontra a minha. – Eu sou a mãe da Lana, mas quero ser mãe do próximo. Quero estar junto quando adotarmos outro cachorro. Quero que possamos caminhar de mãos dadas, que quando me perguntarem sobre o que somos, eu possa dizer tranquilamente que somos uma família.
Assim que despejei as palavras, nada dele foi dito. Não havia nenhum barulho ali além da nossa respiração. Mas eu conseguia sentir que o peso de minhas costas não existia mais.
-Eu te amo.
Aquele silêncio estava falando por si. Se ele tinha no que pensar, então é provável que, nada que eu sinta, seja recíproco hoje em dia.
-Bruno?
-Eu estava calculando.
-O que? – Porque ele estava mudando de assunto? Me sinto mais idiota a cada segundo.
-Calculando que teríamos exatos oito anos juntos se nós deixássemos nossos corações falarem por si, como estamos fazendo agora.
-É.
-Eu não quero perder mais tempo, Lea. Eu não quero passar mais segundos sem você ao meu lado, não quero ter que explicar mais vezes sobre nós dois.
-Eu também não.
-Então, se for pra ficarmos juntos, vamos partir direto do ponto que nós já deveríamos estar, ok?
-E qual seria?
Bruno levanta e estende a mão pra mim. Pego sua mão firme e fico parada em sua frente.
-Eu te amo. Eu, Bruno, quero passar a vida toda ao seu lado. – Ele massageia meus dedos e pega meu anelar da mão direita. – Se nós formos fazer isso, só iremos contar para todos semana que vem, quando eu fizer um jantar e por um anel nesse dedo e chamar você de minha noiva!
Não consigo nem controlar minhas ações. Eu sorria abertamente, mas as lagrimas rolavam pelo meu rosto e eu sentia fogos de artificio no meu peito, pronto para serem explodidos.
-Sim. – Beijo sua boca rapidamente. -Sim!
-Sim?
-Sim!
-Nós vamos nos casar, Eleanor. – Ele abriu um enorme sorriso também.
Não teve aquele beijo de cinema de primeira. Teve um abraço, sincero, que durou um bom tempo. Seus olhos estavam marejados quando nós nos desvencilhamos. A emoção era tão grande.
Bruno passou o dedo por debaixo de meus olhos e secou minhas lágrimas.
-Vai ser uma grande surpresa, ok?
-Ok! – Respondo.
-Não conte nem para a Tiara, nem pra Lana, nem pra ninguém. Vou providenciar todo o jantar e você mande passagem para seus pais e chame sua irmã. Quero toda nossa família junta.
-Ok. – Respondi, empolgada.
-Temos uma semana para organizarmos nosso jantar de noivado surpresa. – Nós nos beijamos rapidamente. – Eu te amo hoje, amanhã e sempre. – Beija o dorso de minha mão.
-Eu te amo. – Deposito um selinho em sua boca. – Sabe que vamos matar todos do coração, sim?
-Sim! Mas estou ansioso por isso.
-Eu também.

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