sábado, 14 de maio de 2016

Capítulo 67



Olá do outro lado
Devo ter ligado umas mil vezes
Para lhe dizer que sinto muito
Por tudo o que fiz
Mas quando eu ligo você parece
Nunca estar em casa
(Hello - Adele)

02 de Julho de 2014

-Papai, eu não quero ir. – Lana olhava para a mala posta perto da porta do seu quarto.

-Você precisa ir com o papai, ou prefere ficar sozinha em casa?

-Prefiro ficar com a mamãe. Ela vai fazer almoço com meus amiguinhos.

-Você não pode ficar com ela. Não no quatro de julho, Lana. E deu com esse assunto, ok? Não quero mais ouvir falar disso.

Só a vejo sair de perto de mim, birrenta, com um beicinho de dar pena, o rosto coberto de lágrimas. Ela chora em silêncio perto da janela. Deixo o quarto com o peito estufado, estou cansado de ter que ouvir minha filha falar que precisa estar com a Lea, que precisa ficar com ela, que quer estar lá. Eu estou simplesmente cansado. Na reta final da minha turnê, o que já me deixa triste de certa forma, só para ajudar tem essa barra de aguentar meu bebê preferindo estar com outra pessoa além de mim.

No feriado combinei com minha irmã, Tahiti, e seu namorado e meus sobrinhos, de irmos para Washington. Vamos ter uma ótima hospedagem lá, já conversei com uns conhecidos e vamos participar de uma grande festa. Queria poder passar esse tempo com a minha pequena e consequentemente com Mia, que está mais ao meu lado que minha filha, já que ela pode me acompanhar em alguns lugares da tour.

Já Eleanor – falando o que ouvi através da minha irmã e do meu melhor amigo -, irá dar um almoço num quiosque que locaram juntos. Um almoço com direito a fogos e tudo mais. Urbana e Tiara estão planejando com ela, minha irmã e meu melhor amigo já irão nisso, agora minha filha quer me abandonar por causa disso também. Eu não posso sair perdendo, por isso estou sendo egoísta ao dizer que minha filha não vai para lá e vai ir comigo para Washington somente para alimentar minha vontade. Sei que ela não ficará completamente feliz, mas farei o possível para que ela sinta-se em casa.

-Amor. – Mia aparece na porta do meu quarto, com a camisa da minha turnê e uma calcinha preta, bem pequena. Qualquer momento que fosse eu a atacaria, mas estou sem cabeça pra isso. – Preciso de ajuda com a mala. Não sei o que levar.

-Dizem que está marcando chuva, mas vai estar calor, então balanceie suas roupas entre confortáveis, quentes e fresquinhas. – Ando em direção da sala.

-Onde vai?

-Pegar um ar fresco. – Passo a mão pela cabeça, fecho meus olhos e me guio pelo conhecimento da casa.

Pensei que tudo mudaria quando Lea saísse daqui. E mudou.

Minha filha está mais distante de mim, prefere estar com ela do que comigo. Minha irmã virou sua melhor amiga, meu melhor amigo está sempre comentando algo sobre ela, e ela não sai dessa casa mesmo que eu queira. Parece que em cada canto, ela está lá. Parece que quando eu vou dormir, ela aparece para me dar boa noite e dar algum lembrete de algo importante que eu tenho que fazer no outro dia. Quando eu acordo no sábado, de folga, ela tinha um café pronto e um plano para me fazer descansar e ao mesmo tempo aproveitar o dia com minha família.

Isso enche o saco, ter que lembrar dela a cada segundo enquanto estou aqui ou quando tocam no seu nome, mas é inevitável. Por isso preferi cortar as relações com ela.

Não a procuro mais, quem leva Lana e busca ela é o Phil, Tiara ou Umma.

É uma atitude infantil? Sim! Se eu me arrependo? Não! Se eu acho que está melhor assim? Talvez! E ela também acha que deve estar melhor, pois em momento algum ela correu atrás. Ninguém diz que ela perguntou de mim, nem mesmo Phil que vivia me falando quando ela tocava no meu nome antes. Se ela me esqueceu, eu posso esquece-la, sim? 
04 de Julho de 2014

Eleanor Pov's

O campo aberto que locamos para nosso feriado estava cheio. Chamamos amigos, família e até alguns conhecidos. O churrasco estava por conta dos homens, enquanto nós mulheres fazíamos algumas outras coisas e as crianças brincavam no pequeno parquinho. Estava sentindo falta da minha pequena por ali, sentindo falta dos seus gritos e risadas e do seu sorriso puro de felicidade. Ela deve estar se divertindo com o pai dela em outro lugar. Mas não queria pensar sobre. Nada que estrague meu dia!

-Amor, onde está o outro culler?

-Ficou na camionete do Taylor. - Aviso a Ric.

-A cerveja daquele já está acabando.

-Nada de abusos. - Bato com o pano em seu braço. - Urb, me passa esses pêssegos, por favor. - Estendo o braço pra ela.

-Vai usar no que? Porque pretendo usar alguma parte para o doce.

-Eu ia ajeita-los pra isso. - Começo a rir. - Posso ir ver a piscina, então. O que acha?

-Acho uma boa. Preciso pegar uma cor. - Ela ri.

-Trouxe biquíni para a Zayma?

-Trouxe tudo para todos. Não queria que faltasse nada.

-Então está ótimo.

Me afastei de todos, caminhando com meus chinelos em direção a grade que cerca a piscina. O pagamento dela é separado, mas pagamos igual para caso tivesse sol, e como sol é o que não está faltando, tivemos sorte.

Abro a grade e dou uma olhada na piscina, ela estava mais do que convidativa. Pego a sacola que está ao lado e levo-a ao banheiro, colocando os papéis higiênicos, toalhas, sabonete e até um shampoo. Após ajeitar tudo, volto para o redor da piscina e vejo Liam subindo com o filho de Taylor, amigo de Caleb e Eric.

-Onde vão, garotos?

-Queremos ir na piscina, Lea. - Liam disse.

-Piscina somente depois do almoço. Ainda temos a queima de fogos e tudo mais, e não queremos perder nada, não é?

-Sim!

-Então vamos lá. Ainda temos a tarde toda para aproveitar a piscina.

Eles saem correndo em minha frente e eu retorno devagar até o quiosque. As mesas já estavam arrumadas.

-Seu celular estava tocando. - Richard disse.

-Quem era?

-Não sei, não vi. Só o vi vibrando e tocando aquela musica chata. - Ele se referia a Umbrella, da Rihanna.

-Não é chata. - Reviro os olhos e vou até a mesa onde estão os celulares.

-Era o Bruno. - Cindia falou antes mesmo de eu tomar o celular em mãos. - Ligou umas três vezes. - Fez uma cara meio incompreensível.

-Será que a Lana está bem?

-Acho que ele não ligou para falar somente da Lana.

-Pra que mais que ele ligaria? - Rio. - Nós nem nos falamos mais.

-Isso não vai durar muito tempo, você sabe.

-Eu sei que eu não fiz nada pra ele e não fui feita pra correr atrás das pessoas. - Olho as chamadas em meu celular. - Ele não deixou nenhuma mensagem.

-Olhe no seu Kiki. Talvez tenha algo lá.

-Aqui pega internet? - Pergunto, já que estávamos na sede de um campo de golfe.

-E muito bem.

Ligo meus dados móveis e veio 3 mensagens dele. Duas de voz.

"-Feliz dia da independência, mamãe! - Ouço a voz de Lana.

-Deu?

-Deu."


E a outra em seguido.

"-Te amo, mamãe. Queria estar ai com você."

E a mensagem de texto.

"Lana pegou meu celular, desculpe por isso. Tenha um feliz dia da independência."


Respondi rapidamente.

"Feliz dia da independência pra vocês. Mamãe também te ama, princesa."

Fui curta e objetiva. Não estava ali para dar rodeios na conversa dele. Como disse antes, não fui feita para correr atrás de ninguém, e ele parou de falar comigo a mais ou menos dois meses, e foi porque ele bem quis, então que assim seja.

Sei que parece birra de criança, papo de adolescente, mas Bruno sabe o que faz e eu prezo muito meu orgulho e sei que ele também, então vamos simplesmente deixar assim.

-Venha pra foto. - Eric grita, fazendo um gesto com a mão.

Desligo minha internet e me misturo com todos, chegando com um sorriso no rosto e meus braços bem abertos, fazendo todos rirem.

-Acabei de falar com a Tahiti.

-E? - Perguntei a Tiara.

-Ela está lá com o Bruno e a Lana. - Megan completa.

-Em Washington. - Tiara revira os olhos. - Com a vaca da Mia.

-Argh. - Faço cara de nojo e ambas riem.

-Ela falou que lá está chato. Que a Mia não fala com ninguém além do Bruno e não sai do celular. Que a Lana está meio cabisbaixa e o Bruno está tentando fazer de tudo para alegrar a todos, mas não está tendo muito sucesso.

-Que fracasso. - Rio baixinho. - Desculpe, não posso rir. Falei pra Tahiti vir pra cá conosco.

-Acho que ela queria ficar um pouco com o Bruno e o papai.

-Ah, e como ele está lá?

-Está com a Tahiti, Billy e as crianças. Disseram que mais tarde vão ir numa festa, mas que Bruno até está sem clima por conta da Lana que não quer fazer nada.

-Ninguém mandou obrigar a menina a ir num negócio que ela não queria. Lana não é mais um bebê. - Megan diz, se colocando ao meu lado.

-Ele acha que tudo que ele faz é o correto para Lana, e ele tenta compensar o tempo que passa na turnê em poucos dias. Ele está fazendo tão mal à nossa pequena. - Tiara usa um tom de reprovação.

-É uma pena. - Estalo os lábios. - Vamos petiscar?

Bruno Pov's

Nós viajamos no dia 03 e desde lá Lana não está com a sua melhor cara. Ela fica quieta, não é má educada, mas sinto que gostaria de ser. Não quis nem sair pra conhecer a cidade e quando saímos, ficou quieta o tempo todo e nem aproveitou.

Eu estava me sentindo mal por privar minha filha da sua felicidade, mas fico pensando em como eu estaria com ela longe de mim, já que nós já passamos um tempo afastados devido ao meu calendário e agenda.

Tento fazer ela rir enquanto estávamos indo em direção ao almoço na casa do meu amigo pessoal, mas ela não se deixou levar com isso. Nem para sua tia ela se alegrou muito.

-Lana, papai pegou pra você. - Estiquei minha mão para ela com um cupcake, uma bandeira dos Estados Unidos estava sobre ele.

-Eu não estou com fome, pai. Obrigada. - Agradeceu, dispensando o doce.

-Eu quero, amor. - Diz Mia, de forma melosa, sentada próxima de Lana.

-Pegue outro pra ela, talvez Lana irá querer mais tarde. - Tahiti avisou e olhou para minha pequena, pareciam cúmplices.

-Quando vamos ligar para a Lea, para a Tiara?

-Eu… - Coço o cabeça. - Eu não sei.

-Já falei com a Tiara. - Tahiti diz. - Eles estão todos bem, fazendo a bagunça. - Ela ri e vê que eu permaneço sério e então limpa a garganta. - Qual é, Bruno. Nós sabemos que lá está bem melhor do que aqui.

-O que vale é a companhia. Não é, meu bem? - Mia pega minha mão.

-A companhia de lá está mil vezes melhor do que a de cá. - Sinto as faíscas que minha irmã solta para Mia, mas prefiro ignora-las.

-Lá tem todas as pessoas que eu gosto. Até meu primo está lá. - Lana respira fundo. Ela refere-se ao Liam.

-Mas você tem nós aqui, e tem seus primos. - Apontei para Nyah e Zyah. - Eles estão brincando, bem felizes. Porque não vai lá?

-Não quero, papai. Obrigada. - Balançou a cabeça.

-Você está com frio, bebê? - Mia se direciona para Lana, passando a mão sobre a sua cabeça. Minha filha a encara com toda a serenidade do mundo, só tirando a parte do sereno. Era um olhar pra lá de frio.

-Não. Mas não gosto de frio, e em Los Angeles não está assim.

-Não está mesmo, tanto que Tiara falou que daqui a pouco eles irão mergulhar. - Tahiti deixa escapar. A encaro de longe e meu pai pega minha filha pelas costas, a fazendo rir.

-O que você quer? Me diz qualquer coisa que eu irei realizar. - Ele diz a ela, abaixando-se no seu tamanho.

-Quero estar com a minha família. - Ela fala baixinho, olhando para o chão. - Quero poder escolher.

-Você tem seis anos, Lana. Tem que esperar um pouco mais, filha.

-Já ligou pra ela? - Pete, Pete, você está inventando moda. Não quero que minha filha crie falsas esperanças e depois acabe pior.

-Não.

-O que você está esperando, Bruno?

Pego meu celular e disco o número da Lea. Seu celular chama e ninguém atende. Tento mais duas vezes e nada dá. Minha filha continua cabisbaixa, então ligo pela internet, mas ela não estava online. Coloco para gravar um áudio e o mando separadamente.

-Você estava ligando pra ela? – Mia puxa meu braço como minha mãe puxava, tinha seis anos e aprontava tudo o que não deveria. Isso não é jeito de tratar assuntos.

-O que interessa pra você, Mia?

-O que interessa? Você estava ligando pra ela, caramba!

-Estava! Ela continua sendo a mãe da minha filha. – A olho, e por momentos consigo ver como se fossem os olhos de Diana, mãe biológica da Lana. – Ela sempre será minha filha e filha dela. Não venha com essas crises de ciúmes.

-Eu não estou com crise nenhuma.

-Então está ficando paranoica.

-Você ouviu o que acabou de falar? – Ela me deu um tempo para responder. Não fiz. – Me chamou de louca, Bruno. Mais uma vez nós vamos discutir por conta daquela mulher?

-Chega, Mia! Você não vai estragar mais ainda o meu feriado, por favor. Eu quero passar um tempo com a minha filha, tenho escolhas, espero que as respeite.

-Se um dia eu deixar você, não me culpe por isso.

-Está me ameaçando?

-Não, Bruno. Só estou com estresse, ok?

-Mia...

-Não quero brigar com você, amor. – Colocou suas mãos em minha gola, como de costume quando quer algo. – Vamos apenas voltar pra lá e ficarmos bem. Eu cuido da garota.

-Lana!

-Isso, eu cuido dela.

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