Todas as formas que você acha que me conhece
Todos os limites que você descobriu
Os limites que você descobriu
Teve que aprender a guardá-los embaixo de mim
Só para que você continue usando
(We Remain - Christina Aguilera)
14 de janeiro de 2014
Brincava com Lana no chão da sala, fazendo bagunça por tudo, coisa que depois ela me ajudaria a guardar tudo. Mas com criança é assim, nenhuma brincadeira dura por muito tempo. Brincamos de barbie, mas minutos depois ela já estava enjoada e queria brincar de casinha, depois teve ideia de brincar de bonecas e depois de hospital. Elas nos deixam malucas, correm de um lado para o outro, tem ideias novas a cada segundo e estão em constante mudança. Isso me encanta tanto. Além do mais quando se tem uma pequena alma encantadora dentro de casa como a Lana é.
-Quero assistir um filme. – Lana foi até a estante, abriu a repartição de DVD’s antigos que tínhamos e alguns de criança.
-Podemos assistir online. – Dei ideia. – Mas antes temos que arrumar toda a bagunça, ok?
-Tudo bem. – Empolgada, andou diretamente para suas barbies e pôs todas ajeitadinhas dentro da caixa organizadora de plástico transparente.
-Que filme você quer ver?
-Podemos assistir o que você quiser, mamãe.
-Mas quem teve a ideia foi você! – Terminei de colocar os ursos dentro de outra caixa.
-Eu sei, mas eu sempre escolho os mesmos. – Bateu com os braços na lateral do corpo.
-Ok, vou escolher algum que você possa assistir.
-Ok!
Levei as caixas para o quarto e organizei a parte onde guarda seus muitos brinquedos. Falei para ela hoje mesmo, quando começamos a brincar, sobre a doação de brinquedos com os quais ela não brinca mais. No inicio Lana ficou meio apreensiva, mas disse para ela que seria por uma boa causa, que ela faria outras crianças felizes como ela ficou quando os ganhou. No fim ela aceitou numa boa e disse que irá fazer.
Fui até a sala e ela já estava instalada no sofá, deitada com as pernas para cima.
-Cuidado para não cair. – Aviso. – Vou fazer uma pipoca e já volto, ok?
-Tudo bem.
Coloquei um pacote de pipoca no microondas e ouvi um barulho vindo da sala. Lana deve ter se virado e caído, mas não se machucou, porque senão viria correndo para o meu lado e chorando. Olhei para a rua, o sol já estava se pondo, o que dava uma aparência alaranjada para o azul do céu californiano.
Peguei a pipoca com dois copos de suco e andei para a sala.
-Falei que você iria cair... – Ia dizendo antes de chegar na sala e dar de cara com a surpresa. – Bruno?
-Eu. – Riu, sem graça. – Vim fazer uma surpresa rápida.
Nós não tínhamos nos falado direito desde o natal. Desde nossa pequena discussão. Eu fui para o Havaí no dia vinte e seis e voltei dia três, quando ele já estava indo para a sua turnê. Nós nem nos vimos. Apenas uma mensagem esses dias perguntando sobre um cartão.
-Quer ver um filme com a gente? – Pergunto, largando as coisas sobre a mesa de centro.
-Até queria, mas tenho que sair para encontrar com a Mia. – Meus olhos querem se virar, mas seria muita falta de respeito.
-Fica com a gente, papai. – Lana estava em pé no sofá, abraçada com Bruno que estava atrás.
-Papai queria muito meu amor. – Beijou o cabelo de Lana e passou a mão pelo comprimento. – Você não quer ir com o papai?
-Onde vocês vão? – Ela pergunta.
-Vamos dar uma volta. Poderíamos ir ao cinema, você quer? Comer pipoca com o papai, ver um filmezinho, dar uma olhada nos brinquedos. Eu, você e a Mia...
-Mamãe pode ir junto? – Pergunta com toda a sua inocência. Já vi que sobrarei.
-A mamãe está ocupada. – Ele responde por mim. Ah, não é bem assim que a banda toca, Mars.
-A mamãe não está ocupada, pequena. Mas não poderei ir. Vá com o papai passear um pouco.
-Ok.
Ela andou rapidamente para o seu quarto, provavelmente para ver com que roupa iria. Ia andando atrás dela para ajuda-la, quando lembrei de um pequeno detalhe.
-Você já viu com que roupa irá ao Grammy?
-Jason está vendo isso pra mim. – Balança a cabeça. – Hã, Lea?
-Oi?
-Eu espero que não se importe, mas convidei a Mia para ir comigo! Tudo bem pra você?
“Tudo bem pra você?” Sim, está tudo bem. Está bem convidar uma namorada de um mês do que a amiga de anos. Está tudo bem me tratar como se eu fosse a baba da Lana e que não o conhecesse bem. Está tudo bem em continuar fingindo que está tudo bem entre nós.
Está tudo muito bem.
-Claro. Seja feita a sua vontade. – Pude concordar, pude evitar de falar qualquer coisa para não causar uma briga, mas não evitei minha cara de nojo e decepção ao dizer isso.
-É que ela está me apoiando tanto...
-Tá certo. Eu nunca apoiei você! – Dou de ombros, virando para o corredor novamente.
-Está com raiva porque eu convidei minha namorada?
-Estou com raiva porque você disse que iria me convidar. Estou com raiva porque pensei que eu ia estar ao seu lado quando ganhasse. Mas isso vai passar. Apenas aproveite bem. Vou estar assistindo com a Lana aqui em casa.
-Sobre isso... Vou levar a Lana.
-O que?!
-Isso. Acho que...
-Caramba, Bruno! Nós não tínhamos combinado que não mostraríamos a Lana para a mídia enquanto ela não soubesse bem o que isso significaria?
-Sim, mas a Mia achou que...
Mia achou que seria uma boa para causar a boa impressão de madrasta legal, para atrair a atenção nas manchetes, porque Bruno nunca expos a Lana para coisas publicas, apenas algumas fotos de paparazzi, nada demais, então era óbvio que traria muita atenção para eles dois. Que belo truque de marketing essa mulher teve.
Palmas pra ela.
-A filha é sua!
-Por isso mesmo que não preciso de aval seu.
-Então faça o que quiser. – Fecho meu rosto, sem nenhum olhar de arrependimento ou coisa parecida. Entrego para ele meu dedo do meio e saio marchando pelo corredor até o quarto da Lana.
26 de janeiro 2014
-Doces? – Pergunta Megan.
-Aqui. – Aponto para a mesa de centro.
-Refri e cheetos?
-Aqui.
-Agora só falta o show! – Ela tirou a televisão do mudo. Faltavam meia hora para a premiação, mas enquanto isso ia aparecendo o carpete vermelho, lugar onde eu tenho certeza que Bruno não passaria, mas que Mia faria a sua cabeça e ele passaria e com a Lana junto.
-Tenho pena da minha pequena no meio de tantas câmeras e olhares!
-Bruno foi doido em leva-la, sinceramente.
-Ele está mudado com essa namorada nova.
-Eu mudei quando estava com o Caleb?
-Megan, amor, quando eu conheci você, vocês já estavam juntos, então eu não posso responder isso.
-Verdade! – Pôs a mão sobre a cabeça. – Às vezes esqueço que você não é minha amiga de infância.
-Eu sinto como se fosse. – Coloquei meu corpo para escorar com o dela e recebi um beijo na testa. – Você é a melhor pessoa que poderia estar ao meu lado.
-Você também! Obrigada por sempre estar ao meu lado.
-Sabe que não tem lugar melhor para estar. – Pego na sua mão. – Agora vamos parar de emoções e nos concentrar no carpete vermelho.
-Ainda não consigo acreditar que ele passará ali.
-Se a monstro do pântano fez ele levar a Lana para um lugar publico, coisa que ele abominava, eu não duvido de mais nada.
Esperamos por um tempo, falando e comentando sobre as roupas das famosas. Cada look bizarro e cada lindo. Um verdadeiro show.
A premiação começou e Bruno não passou pelo tapete, coisa que me deixou um pouco mais aliviada, quer dizer que vinte e cinco por cento da sua sanidade ainda existia.
A cada categoria eu comia mais e mais, ansiosa para chegar na dele. Por várias vezes a câmera passou por ele, nem filmavam a sua namorada ao lado muito menos minha pequena, apenas ele, aplaudindo e apreciando o trabalho e premio dos outros.
Quando sua categoria foi anunciada segurei firmemente na mão de Megan. Fechei meus olhos e entreguei tudo nas mãos de Deus. Sinto que ele ganhará!
-Unorthodox Jukebox. Bruno Mars! – Disseram Glória e Marc.
Apertei a mão de Megan e gritei alto. Nos abraçamos na hora e eu chorei. Nem sentia as lágrimas caindo do meu rosto, apenas me entreguei ao momento.
Na tela da televisão estava ele, subindo as escadas e apertando a mão deles. Pegou o premio e se posicionou no microfone para agradecer. Minhas pernas tremiam e meu coração se enchia de felicidade. Estava tão feliz por ele. Deus sabe o quanto esse homem merece estar onde está.
Ajeitei meu corpo completamente para frente e ouvi seu discurso. Falou dos seus produtores, sua banda, seus amigos e seu pai. Disse que amava Lana e que dedicava esse premio a Bernie. Meu coração se derreteu muito mais do que já estava. Pus a mão sobre a boca para não deixar escapar aqueles choros embolados na garganta.
-Ele merece tanto. – Disse Megan.
-Ele merece muito mais do que isso. É tão lindo ver onde ele chegou, Meg. Bruno me da orgulho.
-Dá mesmo! – Ela olha pra mim, sinto que ela continua a me olhar enquanto eu olho para a televisão. – Você não consegue sentir raiva dele, não?
-Não... Momentaneamente, sim. Mas quando eu o vejo assim... Isso é tão importante.
-Eu sei. É importante. Mas você não está feliz só pelo premio, sim?
-Estou feliz por ele... Bruno é meu melhor amigo.
-Você o ama.
-Amo! Como disse, ele é meu melhor amigo.
Meu celular toca ao meu lado, pego empolgada achando que fosse algo sobre ele, mas era uma mensagem de Richard.
“PARABÉNS. O cara é bom mesmo! Bruno merece tudo isso. E você merece um premio por nunca ter batido na cara dele hahaha. Amo você e imagino a alegria que está sentindo.”
Queria poder responder, mas ainda tinham muitas categorias pela frente, inclusive mais duas que ele estava participando e eu precisava ver se ele ganharia mais alguma.
-Vou ficar pelo twitter, se algo aparecer por aqui, eu te chamo.
-Ok.
Meus olhos estavam grudados na televisão. Não sosseguei por nenhum segundo a mais.
-Lea, estão dizendo que ele já foi embora.
-Será? – Uno minhas sobrancelhas. – Será que eu tento ligar para ele?
-Agora não.
Peguei meu celular e respondi para Richard. Se Bruno tivesse ido mesmo embora, então ele não ganharia mais nada e provavelmente já sabia disso. Fiquei de pernas cruzadas para cima do sofá fuxicando pela internet, enquanto Megan fazia o mesmo.
-Aqui diz que ele realmente saiu e muitas pessoas estão tirando fotos dele.
-Pobre da Lana... – Balanço a cabeça.
-Lea! – Chamou minha atenção, tem um pequeno vídeo dele. Parece ser gravado de um celular.
Puxo seu braço resmungando um “deixa eu ver”.
-Calma, ainda não carregou. – Ela clicou num botão. – Agora deu.
O vídeo começava com a cara de Mia, passando na frente do Bruno, logo vinha ele segurando a mão de Lana, que sorria para todos. Ele abanou para uma pessoa e quem gravava perguntou se ela era a mãe biológica de Lana.
Bruno hesitou por alguns instantes e respondeu:
-Ela não é, é minha namorada. Mas é como se fosse a mãe da Lana!
-Não dá pra acreditar. – Sabe aquela porcaria de orgulho que estava sentindo dele? Transformou-se em raiva no mesmo momento. Me segurei para não atirar o vídeo longe e Megan apenas deu uma olhada para meu rosto. – Como ele teve coragem de dizer isso?
-Vá que tenha sido no calor do momento. – Ela dá um sorriso sem graça.
-Não foi, Meg. Ele pensou bem na resposta antes de dá-la. Como que ele pode me desconsiderar mãe da Lana e dizer que a Mia é sua mãe biológica, ou quase isso, sei lá.
-Ele... Foi de momento, Lea. Não se preocupe.
-Vou ligar pra ele.
-Para brigar ou para dizer que está orgulhosa?
-Pros dois e dizer que quero falar com a minha filha. Eu sou muito mais mãe da Lana do que qualquer pessoa. Isso eu não posso aceitar. Ele pode ser pai, pode ser o melhor pai do mundo e pode ter responsabilidade por ela, mas eu não aceito que ele diga isso, muito menos que diga o que dizia antes.
-O que ele dizia antes?
-Quando nós tínhamos algumas discussões, ele dizia que Lana era filha dele, insinuando que eu não era mãe dela.
-O Bruno...
-Não tem jeito. Eu sei.
Disco o numero dele no meu celular e espero chamar. Chama três vezes e na quarta alguém atende, mas demoram para dizer alo.
-Alô? – Pergunto.
-Oi, Eleanor.
-Olá Bruno. Parabéns pelo prêmio. Estou tão orgulhosa de você. Falei que iria ganhar.
-Muito obrigada. Estou tão feliz.
-Onde está? – Me refiro pelo barulho.
-Na Van. Estamos indo para a festa.
-Ah... Vai ir na festa do grammy com a Lana?
-Não! Terá uma festa na casa do Brandon...
Outra facada no estomago. Justo na casa do Brandon e ninguém me avisa sobre nada? Que lindo. Garanto que essa menina já fez a cabeça de todos. Respiro fundo.
-Vi seu vídeo onde dizia que a Mia é a mãe da Lana... – Respiro fundo.
-Lea...
-Tudo bem, Bruno. Vá lá se divertir.
Desligo o telefone e o coloco no meio das minhas pernas. Olho para o teto me concentrando para não chorar. Megan me entende, por isso não diz nada.
-Ele está na van indo para uma festa na casa do Brandon. Ninguém nos convidou, Megan. Nem mesmo o Phil, a Urbana... Ninguém.
-Mentira?
-É verdade. Seja lá o que essa monstro do pântano está fazendo, está dando certo.
-Vou ligar para a Urbana. Tenho certeza que ela não iria fazer isso conosco. Nem o Brandon. Ele nos conhece há tanto tempo.
-As pessoas mudam, não é mesmo? A decepção sempre chega.
Esperei com que Megan ligasse para Urbana e ela atendeu logo em seguida. Megan pôs no auto falante, mas permaneci calada.
-Como está em Nova Iorque?
-Nova Iorque? – Pergunta Megan.
-Sim. Você não está ai com a Lea?
-Não, nós estamos na casa do Bruno. Estávamos assistindo o Grammy pela televisão agora a pouco. Lea ligou para parabeniza-lo e ele disse que estava indo para uma festa na casa do Brandon.
-Sim, estamos na festa agora.
-E ninguém nos convidou?
-Ninguém convidou porque o Bruno disse que vocês estariam em Nova Iorque e que nem olhariam o Grammy. Coisa que eu e Phil achamos estranho. Brandon até falou sobre vocês antes deles saírem para a premiação.
-Não dá pra acreditar com o que ele está fazendo. – Balanço minha cabeça. Decepção atrás de decepção.
-Lea? – Urbana me pergunta. Dou um oi sem vontade. – Não fiquem bravas comigo meninas, mas Bruno que falou para nós que vocês estariam lá e nós acreditamos.
-Mas estamos aqui na casa dele... – Megan responde.
-Fazendo papel de idiotas mais uma vez.
-Garanto que ele não fez isso por mal, Lea.
-Claro que fez, Urb. Vocês não tem culpa pela pessoa que ele está se tornando. Isso é o que aquela monstro do pântano está fazendo com ele. Fazendo a cabeça dele contra eu e Megan!
-Mia? – Ela ri. – Essa menina é uma insuportável. Ninguém gosta dela.
-Nem ela gosta dela mesmo. Nem amor próprio ela tem, quem dirá amor pelos outros.
Ela ri e nós ouvimos mais barulho pela volta do outro lado da linha.
-Meninas, vocês não querem vir pra cá?
-Não! – Respondo de imediato. – Se tem algo que eu tenho é orgulho, e esse não me deixa ser rebaixada para ir onde eu não sou bem vinda. Nada contra vocês, porque vocês foram enganados pelo Bruno, mas não quero ver ele tão cedo.
-Faço das palavras da Lea, as minhas.
-Tudo bem! Eu vou falar pro pessoal o que aconteceu, garanto que essa noite algo vai feder para o Mars.
-Ele já tem o que é mais fedido ao lado dele, a Mia. – Megan diz.
-Vocês. – Ela ri. – Péssimas. – Continua rindo. – Vou ter que desligar para terminar de ajeitar o quarto para as crianças que dormem antes de todos nós. Fiquem bem, meninas. E não se preocupem que ele tomara o que merece.
-Nem esquenta com isso, Urb. Está tudo bem.
-Beijos.
-Beijos. Tchau.
Desligamos o telefone e nos encaramos por um tempo.
-Você precisa esfriar a cabeça!
-Eu preciso de vodca. – Levanto do sofá.
-E eu preciso pegar alguém. Podemos sair e ver no que vai dar. O que acha?
-Pode ser. Trouxe roupa?
-Não pra sair. – Ela ri.
-Tenho muitos vestidos. Vamos lá!
Antes de separar qualquer roupa, deixei Megan tomar banho e mandei uma mensagem para Ric avisando que iria sair, ele me mandou como resposta um texto dizendo para eu tomar cuidado. Aproveitei para dizer pra ele o que aconteceu e ele mandou muitas carinhas rindo, otário. Mas ele me fez rir, dizendo que Bruno merecia um tapa na cara para deixar de ser trouxa. Acho mesmo que ele está merecendo.
∞
Tirei o salto antes de entrar no carro. Megan não bebeu, por isso ia dirigindo, porque se eu pegasse naquele volante, com certeza o primeiro poste seria meu.
-Você não vai vomitar. Vai?
-Não. – Balanço a cabeça. – Pode ficar tranquila.
-Ok! Deixarei você em casa depois vou pra minha. Preciso de um banho e da minha cama.
-Não quer ficar lá em casa? Provavelmente vou estar sozinha em casa.
-Não, melhor não. – Balançou a cabeça. – Preciso da minha cama. Mas hoje mesmo levarei o carro, ok?
-Sem problemas.
Nós fomos conversando pelo caminho sobre os caras que ela pegou durante a festa e de dois que deram os seus números para outros encontros. Questionei novamente sobre o Caleb, sobre o modo com que ficaram no natal e se falaram, mas ela disse que ali nada mais rola. O que, particularmente, acho que é mentira, mas tudo bem.
Megan estacionou na frente de casa e eu abri o portão com minha voz.
-Durma bem! – Grita ela.
-Dormirei. Você também. Se cuide. Beijos.
-Amo você.
-Amo você. – Gritei de volta e entrei para dentro da casa.
Geronimo correu para o meu colo. Pulou e fez festa como sempre fazia. Acariciei ele por um tempo e ri das suas lambidas em meus braços. Só ali que percebi que meu sapato ficou dentro do carro, mas não era nada.
Entrei dentro de casa e Geronimo obedeceu, permanecendo na rua. Fechei a porta e deixei minha bolsa cair no chão. Abaixo para pega-la e quando levanto, rindo da minha bobagem, Bruno está parado, ainda com o terno que usou mais cedo na premiação, braços cruzados.
-Que isso! – Balançou a cabeça em reprovação. – Você tem namorado e está chegando essa hora da manhã em casa!
-Hm. – Inclino a cabeça olhando para o lado. – Meu namorado sabe e não se importou, então me diga o porque você, que não é nada, está se importando?
Ele permaneceu calado, acho que isso deu para dar um tapa de luva em seu rosto. Seu cérebro poderia estar maquinando uma resposta pra mim. Ri baixinho.
-Sou seu amigo. – Deu de ombros.
-Por isso mesmo que não deve se importar com a minha vida amorosa. Meu namorado sabe onde estou e sabe o que fiz, ele confia em mim e eu nele. Acho que você não entenderia uma relação assim.
-Minha relação é saudável, Lea.
-Claro, com ela manipulando a sua cabeça... Super saudável. – Ando para a sala e ele vem logo atrás.
-Do que está falando? – Segura meu braço.
-O quê? – Olho nos seus olhos. – Vai dizer que não percebeu que essa menina está fazendo a sua cabeça, Bruno? Ou vai me dizer que todas as merdas que está fazendo estão saindo da sua cabeça? Porque se for assim, me diz em que momento da vida você regrediu para um moleque de dezoito anos!
-Você não tem o direito de falar o que não sabe.
-Eu sei! Eu vejo e sei.
-O que você sabe?
-Que ela manipula você. Que você caí no antigo chá de sexo e faz tudo que ela quer. Está sendo ingrato, Bruno. Um dia vai quebrar a cara e eu não quero estar por perto.
-Você não vai estragar minha felicidade, Eleanor. Se isso foi porque eu não a levei no Grammy, tudo bem, no próximo eu te levo.
-Como se você não me conhecesse. Eu não precisava estar lá, eu só não queria que você fizesse merda e mentisse pra mim. E ainda por cima mentir porque aquela menina pediu!
-Cala a boca, Lea...
-Ela está fazendo a sua cabeça! – Grito com ele e tiro meu braço de suas mãos. – Você não está enxergando um palmo a sua frente, otário. Tem mais que quebrar a cara e esperar alguém juntar os cacos.
-Já disse que você não irá estragar meu dia, Eleanor. E cuidado com o tom de voz, irá acordar a Lana.
-Acordar a Lana? A sua filha? Porque nem isso ela é mais minha.
-Você que está dizendo...
-Você não merece a filha que tem! A Lana não tem culpa de ter você como pai dela. Sua mãe sentiria vergonha do que está fazendo, Bruno. Se ela pudesse ver que está sendo manipulado como um boneco, que está tentando privar a Lana de ter uma mãe como você está sem uma. – Começo a rir. Na minha cabeça uma parte diz que estou indo longe demais, mas a outra não está nem ai e quer falar tudo que está entalado na garganta. – Bruno, acha mesmo que eu não notei que está tentando afastar a minha filha de mim? Porque ela é minha filha, você querendo ou não. Eu criei ela também. Você pode dizer milhares de coisas, pode dizer que eu não sou mãe biológica e que o único pai que ela tem é você, mas não pode nunca negar que eu sou a mãe dela. A única, a que está sempre ao lado dela, e ela sabe disso. Lana não é mais um bebê, ela sabe falar e eu sei que ela não me trocaria por pessoa nenhuma!
-Cala a boca, Eleanor. – Seus olhos tinham raiva e isso alimentava minha alma, quer dizer que eu estou conseguindo tocar nele e isso que me deixava contente. Se não é isso, eu não sei o que fará ele voltar ao seu normal.
-Você não quer ouvir as verdades, Bruno? Está com medo que eu diga mais alguma coisa que irá ferir o seu coração? Porque tenho uma lista!
-Lea, chega!
-E a festa, como foi? Aquela na casa do Brandon que eu não fui porque estava em Nova Iorque. Engraçado que a casa que eu estava em Nova Iorque é igual a sua! – Ele dá dois passos pra frente ficando bem mais próximo de mim. Não me intimido com ele! – Isso foi obra dela, não? E você está doído porque ninguém gosta dela. Mas é assim mesmo, Bruno. Nem sempre fazemos as melhores escolhas para a nossa vida. E o pior de tudo é que eu fiquei orgulhosa de você e do seu premio, que eu lembrei do quanto você lutou para estar aqui. E você falou em mim em algum momento da porra daquele discurso? Pensou em mim algum momento da sua noite? Lembrou que me enganou? Pensou em seus fãs que devem estar bravos com você, porque eles ajudaram você a estar onde você está hoje!
Bruno deu mais um passo pra frente e foi o suficiente para nossos corpos se colarem. Ele ainda estava cheiroso e seus olhos penetravam nos meus. Era intimidador e estranho. Não estava me cheirando a boa coisa.
Quando abri a boca para falar mais sobre isso, para dizer mais coisas, porque eu realmente estava atrás de motivos para ele se sentir pior do que já estava, Bruno tomou meu corpo e beijou minha boca. Literalmente calou-me com um beijo.
Eu não queria aprofundar, mas cedi. Meus lábios cederam aos seus encantos e minha língua dançou com a dele no mesmo ritmo de sempre. O seu beijo é sempre tão mágico e acolhedor. Se encaixa perfeitamente com o meu e eu nunca entenderei isso. Suas mãos seguraram meus cabelos e foi impossível não lembrar das nossas pegações antigas. Das nossas transas, dos nossos beijos...
O nome Richard ecoou em minha cabeça e eu me afastei dele, que estava com um sorriso no rosto, mas quando abriu os olhos parecia decepcionado.
-Você está namorando! Eu estou namorando.
-Lea, não negue que você queria. Senti o gosto do seu beijo, você correspondeu!
-Correspondi porque estou fora de mim. – Grito. – Caralho, isso nunca deveria ter acontecido.
-Mas aconteceu. Não fique chorando pelo leite derramado, você ainda tem o seu homem sem graça.
Minha mão coçou e eu não evitei em levanta-la e gruda-la em um tapa em sua cara. Foi a melhor coisa que fiz e me orgulho disso. O tapa estalou em seu rosto e na hora ele pôs a mão sobre o local, fechando os olhos fortemente.
Não iria pedir desculpas.
Bruno tirou a mão do rosto, abriu os olhos e estavam furiosos. Esperei pelo momento que ele fosse avançar em mim. Respirei fundo e senti medo, mas seu braço puxou meu corpo para perto do dele e novamente ele me beijou.
Dessa vez não correspondi, apenas o empurrei varias vezes para que ele saísse de cima de mim. Bruno cedeu e se afastou.
-Nunca mais faça isso. – Digo, apontando o dedo para ele. – Nunca mais encoste em mim. – Minha respiração estava descompassada. – O Richard é muito melhor que você! E sempre será!
Não esperei que ele dissesse algo, apenas virei às costas e fui para o meu quarto. Não sabia mais o que estava sentindo direito. Raiva, uma fúria sem controle, coração partido... Não tinha e nem sabia mais o que sentir.

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