Não estou te descartando como vidro quebrado
Não há vencedores quando a sorte é lançada
Há apenas lágrimas quando se chega na última tarefa
Então não desista
(Sia - Broken Glass)
Não há vencedores quando a sorte é lançada
Há apenas lágrimas quando se chega na última tarefa
Então não desista
(Sia - Broken Glass)
20 de dezembro de 2013
Meu corpo estava
fervendo de cansado. Minhas costas ainda estavam moídas. Como entrei de férias
ontem, minha semana foi mais corrida que o normal. Não que tivesse mais
trabalho somente pra mim, mas para todos. Todos nós nos encalacramos em
pesquisas de mercado, já que está desfavorecendo aos poucos. Começo a pensar
que poderia procurar outro ramo no mercado. Mas agora estamos acertando
contratos com os bancos e tudo vai melhorar.
Eu e Megan estávamos ao
meio dia no shopping fazendo as compras de final de ano. Tudo estava uma
tremenda bagunça, muitas pessoas de um lado para o outro e eu odeio deixar tudo
para última hora, mas a culpa não é minha.
O plano era ir para o
Havaí, eu e Ric, passar o natal e ano novo com a minha família, mas como minha
irmã só estará para o final de ano, falei com a minha mãe e decidimos que seria
melhor e mais barato ficar por aqui mesmo.
Aí combinamos algo
legal para o natal. A família do Bruno, nossos amigos e Ric.
-Não podemos perder o
horário de buscar a Lana. – Avisa Megan.
-Terá um café depois da
aula, ela sairá de lá umas três horas. Confraternização antes das férias.
-Percebo que minha vida
está uma bosta quando até a Lana, que tem cinco anos, é mais agitada e
disputada que a minha.
-Que a nossa. – A
corrigi.
-Mas você tem um
namorado. Pode não ser uma grande parte da sua vida social, mas tem alguém e eu
só tenho... Ninguém. – Revira seus olhos.
-Você têm muitas
pessoas, Meg. Calada. – A direciono para uma loja de lingeries.
-Pretende fazer algo
especial pro Richard? – Olhou diretamente para uma manequim com um belo
conjunto rosa.
-Claro que não. –
Começo a rir. – Talvez.
-Hoje vai rolar. – Ela
levanta as mãos, chamando atenção de algumas pessoas por ali. Finjo que não é
comigo, enfiando o rosto numa arara com conjuntos.
-Ele ainda não chegou.
-Que dia ele vem?
-Hm, acho que mais pra
perto do natal.
-E o Bruno?
-O que tem ele?
-Como vocês estão
depois daquela pequena discussão sobre sentimentos, na qual ele assumiu que
você é a melhor.
-Acho que estamos bem.
– Dou de ombros. Não o vi mais depois daquele final de semana. Ele se fixou na
turnê até chegar o feriado de final de ano. Voltará antes do natal pra casa
também. Mas acho que nós estamos bem, pelo menos é o que parece. Nos falamos
normalmente no telefone, não como antes de estarmos sempre pendurados pra lá e
pra cá, mas normal para quem está longe e está com saudades.
-Isso não me soou bem.
-É sério.
-Ok.
Continuamos nossas
compras. Saímos do shopping carregando as sacolas e cada uma um sorvete. Não
era época, mas eu amo sorvete no inverno.
Ajeitamos tudo no porta
malas e seguimos para a escolinha de balé da Lana. Entramos no meio da
confraternização, nem sei se ela nos viu ao fundo, mas minha pequena estava
brincando com as suas amiguinhas lá na frente, dando alguns passos que aprendeu
junto com as outras, enquanto as duas professoras olhavam para elas,
embasbacadas de tanto orgulho.
Aplaudimos nossos
nenéns e ela, quando me vê, corre para me abraçar.
-Estava vendo isso? –
Apontou para trás.
-Estava! Você manda
muito bem. É a melhor. – Digo baixinho.
-Obrigada. Oi, tia Meg.
– Dá um beijo na bochecha de Megan e um abraço.
24 de dezembro de 2013
E o natal chegou. A
festa sempre começa uns dias antes, então no dia vinte e quatro tudo já estava preparado
para a noite e o dia de natal. As crianças corriam na casa desde cedo, o sol
mal tinha raiado. Quer dizer, se tiver sol, pois com esse frio é meio
impossível.
Richard mexeu-se na
cama quando levantei, não queria acordá-lo, pois chegou tarde da noite aqui em
Los Angeles e trabalhou o dia todo em Nova Iorque, seria uma pena acordá-lo.
Como fiquei de férias e
estarei até o final de janeiro, com muitas folgas acumuladas, arrumei todas as
coisas com antecedência. Roupa para usar hoje à noite já estava separada, a
minha e a de Lana.
Andei para a sala e lá
estavam as crianças, brincando enquanto a televisão estava ligada num canal de
desenhos.
-Meu Deus, ainda bem
que alguém acordou. – Jaime aparece lambendo o dedo sujo de algo da cozinha. –
Estou ficando louca com as crianças e as comidas.
-Bom dia! – Sorri para
ela. – Falei que era pra me chamar de manhã cedo. Umma abriu pra você?
-Sim. Ela é um anjo,
está me ajudando na cozinha, mas as crianças dão um baile também.
-Se tivesse calor,
tocava todos na piscina e poderíamos ter uma pequena paz. – Nós rimos. –
Prefere que eu ajude você lá ou dê uma olhada nas crianças?
-Agora pode me ajudar
na cozinha, chamei Marley para vir mais cedo e dar uma olhada neles.
-Ok.
Auxiliei no que pôde na
cozinha. Era muita gente, consequentemente muita comida também. Ainda chegariam
salgadinhos e aperitivos que foram encomendados, as bebidas e um prato especial
que Tiara pediu para vir, porque segundo ela, todos iremos amar.
-Bom dia, meninas. –
Pete chega na cozinha, com cara de sono e até seus cabelos bagunçados. – Que
cheiro bom!
-Bom dia. Obrigada,
ainda nem tomei banho. – Digo e provoco riso neles.
-Você pode servir o
café deles? – Jaime me pergunta.
-Claro.
Ajeito a mesa na sala
de jantar e ligo o rádio para dar uma alegrada na casa. Chamo as crianças para
comerem e tomo café juntamente delas.
Boa parte da nossa
manhã foi assim, pura diversão e trabalho, para nos dar uma tarde menos
corrida. Estava quase tudo pronto antes das três, faltava apenas uns toques finais.
As irmãs do Bruno já estavam ali, as crianças também. Eric e Cindia iriam um
pouco mais tarde, pois passariam na casa da irmã dela rapidamente para vê-los
antes do natal.
Todos conversamos na
sala, as crianças brincavam, era uma harmonia maravilhosa.
-Chegou a alegria que
faltava nessa casa! – Tiara grita da porta e Megan aparece logo atrás.
-Que, no caso, sou eu!
– Levantou os braços chegando na sala.
As duas aparecem rindo
e cumprimentam todos. Megan estava com um brilho diferente, talvez seja o novo
corte de cabelo que a rejuvenesceu. Seus longos loiros foram cortados num
Chanel sobre os ombros, com classe, mas bem despojado. Combinou com ela.
-Trouxe as especiarias
da minha casa, digo, da minha cozinha.
Como Megan tem
gastronomia no seu currículo, todas as especiarias que ela faz/inventa ficam
maravilhosas. Megan prende qualquer um pelo estomago. E pela beleza. E pela
inteligência. E pela harmonia... Por tanta coisa.
-Esse ano que ninguém
vai para o Havaí no final do ano, você resolve ir. – Tahiti revira os olhos.
-Eu até queria ficar
por aqui, mas a saudades de casa sempre bate. E quero que o Richard conheça o
meu lugar.
-Depois você conhece o
meu. – Diz ele. – Na verdade todos vocês estão convidados a irem ao Texas
comigo. Tem uma casa bem grande para nos suportar. E muita diversão.
-Será que eu consigo um
caipira bem gato? – Todos ficaram em silêncio e ouviram o que Tiara falou para
Tahiti. Foi gargalhadas de se finar.
-Acho que o único
caipira lindo é o meu! – Me uno com o braço de Richard e ele revira os olhos.
-Vocês precisam
conhecer meus primos.
-Primos?! – Perguntaram
Meg e Tiara juntas.
Foi risadas para todos
os lados, mas logo depois tivemos que começar a nossa longa jornada novamente.
Era arrumar as crianças, nos arrumar, ajeitar todos as comidas direitinho. Por
isso nos dividimos em tarefas.
-Eu quero ficar com o
Ric. – Disse Lana.
-Ric vai ajudar os
meninos com o som, amor. Eu vou vestir e arrumar você.
-Mas... Tá bom. –
Suspirou fundo. – Papai vem hoje?
-Vem! Ele está vindo
junto com o papai noel. – Respondo ao entrar no quarto dela.
-Eu fui uma boa menina
esse ano. O que será que vou ganhar?
-Hm, eu não sei, mas eu
soube que ele terá uma ajudante que conhece você!
-Quem é a ajudante? –
Ela levanta os braços para que eu tire a sua blusa.
-Hm, eu não sei o nome
dela. Sei que ela é baixinha, magra, tem os cabelos castanhos. Adora você.
-É a titia?
-Eu sou sua titia?
-Não, você é minha
mamãe!
-Então a ajudante é sua
mamãe.
-Sério? – Seus olhinhos
brilham. – O que eu vou ganhar?
-Não posso falar.
Prometi ao papai Noel que não diria.
-Eu juro juradinho que
não contarei a ninguém. Será nosso segredo. – Pôs o dedo indicador em frente
dos lábios, como se selasse sua boa. Não tem como não rir da minha pequena
prodígio.
-Sei que não irá falar,
mas se as fadinhas ouvirem, elas contarão ao Noel e ele não deixará que eu
fique com você.
-Mas as fadinhas não
estão aqui.
-Estão aqui sim, sempre
estão, mas elas não podem aparecer para não quebrar a magia.
Terminei de dar banho
nela e vestir a sua roupa. Ela estava lindinha com a roupa que tinha comprado
para o natal. Logo que eu a liberei, fui para o meu quarto e tomei meu banho.
Coloquei um vestido branco, manga comprida e decote cavado. A sua saia
transpassada, um pouco cima do joelho, era uma das coisas que eu mais gostava.
Deixei meus cabelos
soltos, completamente lisos depois de hidratação e a ajuda da chapinha. Batom
vermelho e sem muita maquiagem nos olhos. Calcei sandálias pretas. Estava
pronta quando Ric terminou o seu banho.
-Você está simplesmente
magnífica.
-Obrigada. – Sorri para
ele, que estava com uma toalha enrolada na cintura.
-E se a toalha caísse,
o seu vestido rasgasse... Iríamos passar a noite aqui? – Aproximou-se de mim.
-A noite é uma criança.
– Sua mão apalpa minha bunda e eu gemo baixinho em seu ouvido. – Isso é
injusto. – Tento não encostar minha boca em sua orelha para não mancha-lo de
batom vermelho.
-Não. Não é. – Apertou
muito mais a bunda e aos poucos levantou o vestido. – Isso é injusto. – Colocou
minha mão sobre a toalha. Seu pênis estava ficando duro e levantando sem ao
menos precisar tocar ele.
-Acho que guardaremos
isso para depois.
-Mas eu queria entrar
aqui. – Sua mão foi por debaixo do vestido e cobriu o meu monte de vênus. –
Queria enfiar tudo dentro de você, aqui. – Colocou um dedo no meio das minhas
coxas, colado com o tecido fino da calcinha.
-Para! – Começo a rir.
– Temos a noite toda. Vá se arrumar.
-Só se você não ficar
aqui, porque não vou saber me controlar.
-Ok!
∞
-Lana, larga isso. -
Falei para minha pequena que pegava um dos vasos da mesa. - Essa menina é
impossível.
-Crianças. - Ric deu
uma risadinha e ficou olhando elas brincarem pela casa. Era bom ter crianças em
casa, tudo parecia bem mais alegre. Fiquei perdida no seu olhar e em tudo que
ele dizia. Definitivamente, ele seria um belo pai.
-Papai chegou! - Lana
gritou, largando sua boneca no chão e correndo em direção ao hall de entrada.
-Bruno chegou. -
Traduzi, por mais que não precisasse.
-Chegou o ilustre. -
Megan satiriza. - Ouvi que ele iria convidar o Caleb, tomara que não venha. -
Revirou os olhos.
-Ele trouxe outra
pessoa. - Ric chamou nossa atenção. Bruno estava com uma menina ao seu lado, e
se eu não estou enganada, é menina do aniversário da Tiara. Não lembro o nome.
-Namorada nova? - Ouço
Megan perguntar, mas parei pra prestar atenção no que estava rolando. Ele
estava de mãos dadas com ela e conversando com Jaime. Ela parecia muito a
vontade logo de entrada.
-Eu acho que é… Ela foi
com ele no meu aniversário e da Tiara na boate, lembra? - Ric relembrou-a.
-Ah, claro.
Não consegui tirar os
olhos dos dois. Bruno tirou a mão da sua e passou em volta da sua cintura, Lana
ficou agarrada na sua perna e olhava eles conversarem com Jaime. Essa mulher
nem cumprimentou minha pequena direito!
-Caleb chegou. - Alerto
Meg que, prontamente, se ajeita no sofá. - Fala, fala e fala, mas quando disse
que ele chegou, chegou a se ajeitar no sofá.
-Nada a ver…
-Tudo a ver.
-Idiota. - Tacou uma
almofada em mim.
Por mais que Megan
queira ser feliz e está sendo, ela ainda ama o Caleb, por mais que ele também
não preste. Ela o adora e até mesmo a sua fala muda quando ele está por perto.
Não é fácil esquecer alguém, pra ela deve ser bem mais difícil quando se passou
uma vida toda ao lado dele. Brincando, foram quase nove anos da sua vida, desde
sua adolescência basicamente, namorando com ele.
-Hey. - Bruno chega a
sala e Lana fica ao seu lado, sem ficar próxima de Mia. - Tudo bem?
-Hey! - Levanto para
cumprimenta-lo. - Quanto tempo. - O abraço de mal jeito, pois somente um braço
seu corresponde, já que o outro está com as mãos entrelaçadas com Mia.
-Muito. - Riu baixinho.
- E aí, cara! - Deu um aperto de mão em Ric e beijou Megan no rosto.
-Lea! - Caleb aparece
logo atrás. - Você está linda.
-Obrigada. - O abraço
rapidamente. - Você parece bem.
-E estou. - Olhou para
Megan, que desviou o olhar dele, passando a cumprimentar Mia.
Dei oi para ela, nada
de muitos gestos, apenas um abraço rápido e um "tudo bem".
-Falou para o papai que
estava morrendo de saudades dele? - Abaixei-me para falar com Lana.
-Falei. - Balançou sua
cabeça positivamente.
Bruno mal falou conosco
e já saiu. Caleb se uniu a nós, ficou meio deslocado no inicio, não sabendo o
que falar nem onde se posicionar, mas sem tirar o olhar de Megan. No fundo ele
adora ela, ou ama, mas é um homem cafajeste, assim como muitos que conheci.
Mas parando para
pensar, eu dei uma tremenda sorte, já que Kai foi um passado maravilhoso e Ric
está sendo meu melhor presente. O único problema foi o Bruno, no qual eu errei,
me apegando e apaixonando por alguém cujo eu sabia que não daria muito certo.
-Será que eu poderia
ser um modelo? – Em meio a muitos assuntos diferentes, Caleb pergunta.
-Claro. Mas precisaria
ganhar mais massa muscular, começar com corridas matinais, que não podem ser
dispensadas.
-Falou em correr o
gordo já não irá mais querer. – Meg dá seu pitaco.
-Gordo que você gosta.
-Vai à merda, Caleb. –
Ela atira uma almofada nele.
Bem na hora que
estávamos entrando no assunto Megan e Caleb, na hora que a gente poderia
colocar mais pingos nos “is”, Jaime avisou que o jantar estava pronto. Nem vi a
hora passar, mas no relógio já marcava dez para as onze.
A folia foi até na hora
de nos sentarmos à mesa para ceiar. Sentei ao lado de Richard e puxei Lana para
meu colo para dar comida pra ela também.
-Você está grandinha
para comer no meu colo, mocinha.
-Você que me puxou, mamãe.
– Ela dá de ombros. Faço uma careta e ela se joga pra cima de mim,
abraçando-me.
-Vejamos... O que vai
querer? – Olho para as comidas postas na mesa. Muitas variedades.
-Eu vou querer...
-Lana, vem comer com o
papai! – Bruno para um pouco distante de nós e abre os braços para pega-la.
-Quer ir com o papai? –
Pergunto.
-Queria ir com os dois.
– Torceu os lábios.
-Não vou ficar
esperando, meu amor. Venha com o papai e a tia Mia.
-Bruno, ela quer ficar
por aqui. – Digo em tom baixo, para não chamar a atenção de ninguém.
-Não me importa. – Mexe
apenas os lábios para dizer e Lana vai ao seu encontro.
Me ajeito na cadeira e
Ric coloca a mão sobre minha coxa. Olho para ele que entende o recado de que eu
estava muito brava com a situação, mas é natal, preciso relevar, ser light e
esquecer disso. Não foi nada.
Durante o jantar, Bruno
empurrava Lana para cima de Mia que não parecia nada contente em ter a criança
entre eles. Ela dava sorrisos falsos e mal encostava em Lana. Lana pediu várias
vezes para poder ficar com seus priminhos e mal comeu para ficar por ali.
A meia noite chegou com
muitos abraços e dizeres bonitos. Primeiro natal ao lado do Richard e eu sinto
como se fosse vários incontáveis. O abracei fortemente e agradeci por ter uma
pessoa tão boa em minha vida e por finalmente o amor sorrir pra mim.
Fui abraçar o Bruno,
mas ele pareceu ocupado conversando com o pessoal. Ele nem ao menos me deus
feliz natal de longe. Isso machucou. Bruno preferiu ficar ao lado daquela
menina, Mia, do que vir dar um abraço na sua melhor amiga. Respiro fundo
tentando colocar minha cabeça voltada as coisas boas. Agarro Lana com toda a
força em meus braços e brinco com a minha pequena. Richard a enche de cócegas e
ela gargalha super alto.
A cantoria em volta do
piano começou. Músicas alegres natalinas, Bruno quem estava cantando e tocando,
com a ajuda do coro de suas irmãs. Jaime se ocupava em gravar tudo e mostrar a
felicidade que a família se encontrava.
Cantou e tocou Feliz
Navidad, foi quando dancei com Lana e a fiz rir alto, chamando a atenção de
todos. Ela simplesmente levitava seus pés dançando, era impressionante.
-Lana! – Ouvi a voz de
Bruno chama-la, mas quis ignorar e continuei a dançar com ela. – Filha, vem
aqui cantar com o papai.
-Não posso acreditar. –
Larguei das mãos de Lana, que sorriu antes de correr para perto dele.
-Impressão minha ou ele
está tentando tirar ela de perto de você?
-Não é impressão. –
Estalo meu pescoço e dou a mão para Richard. – Só não consigo entender o porque
ele está fazendo isso! – Observo ele tocar piano e cantar, com ela sentada ao
seu lado.
-Ele parece incomodado
com algo.
-Nem quero saber disso.
– Dou de ombros.
-Famílias são
complicadas.
Enquanto conversava com
ele, pensava com meus botões o porque ele tinha dito aquilo. Talvez tenha sido
paranoia, mas soou como se ele não gostasse de família, ou eu posso ter pensado
isso pois em nenhum momento ele ligou para seus pais ou contestou minha vontade
de passar no Havaí um feriado que geralmente passamos com a família.
Ignoro meus pensamentos
idiotas, devo estar paranoica com essas atitudes do Bruno.
Quando anoiteceu um
pouco mais todas as crianças foram preparadas para dormir, cansadas e exautas
da folia que estava aquela noite. Nós estávamos com menos luzes ligadas e um
clima mais adulto. Todos conversando civilizadamente e uma música de fundo,
risadas e bebidas embalando a noite.
-Estou feliz por estar
aqui. - Ric beijou minha cabeça.
-Esse seu bafo de
bebida diz que você está começando a ficar alegrizinho. - Viro-me para fala com
ele frente a frente.
-Nada a ver. - Tapou a
boca e me fez rir. - Talvez um pouquinho. Estou ficando com sono.
-Quer ir dormir?
-Irá comigo?
-Ah, não… Quero
aproveitar um pouco mais ainda. Mas vá lá, eu lhe mostro o quarto.
-Tem certeza? Podemos
aproveitar mais. - Apertou minha cintura de leve.
-Absoluta. A ideia pode
ser tentadora, mas prefiro ficar acordada um pouco mais.
-Tudo bem então.
Puxei Ric pelo braço,
que saiu dando boa noite para todos. Andei pelo corredor atrás do meu quarto e
Ric veio brincando com meu braço, fazendo gracinhas a fim de me provocar para
ficar ali com ele.
-Você não vai
conseguir, garanhão. - Dou de ombros, abrindo a porta o máximo possível. - Vá
lá. Boa noite.
-Boa noite, amor.
Ainda não tinha me
acostumado com esses pronomes fofos de namorados. É Ric e ponto.
Fecho a porta e ando
para a sala de volta. Megan está sentada ao lado de Caleb, conversando e rindo,
coisa que admiro por um tempo. Não adianta de nada ele ter sido um cafajeste,
quando nós amamos, nós simplesmente amamos.
-Olha ela aí. - Cindia
apontou pra mim. - Pensamos que tivesse ido dormir sem se despedir.
-Ah, para. - Ri. -
Quero aproveitar nossa noite ainda.
-Ainda temos muitas
bebidas para detonar dentro daquele freezer, Lea. Sei que você é minha parceira
pra isso.
-Com certeza. - Passei
por Eric e bati em sua mão. - Aliás, caía bem uma agora. Sim?
-Claro. - Diz ele. -
Traz uma pra nós, Phil?
-Tem que ser eu, não é
mesmo?
-Sempre. - Fez um
coração com suas mãos para ele.
-Eu vou, porque sou uma
pessoa maravilhosa.
-E com um ego do
tamanho dessa casa. - Acrescenta Eric.
Nós rimos, menos o
Bruno, que parecia estar em outro mundo ao lado da sua namorada. Ela olhava
para o nada, hora ou outra forçava um sorriso e depois continuava a encarar o
nada. Bruno estava praticamente a mesma coisa, porém sem dar nenhum sorriso.
É estranho vê-lo assim
para quem está acostumado a vê-lo fazendo festa e tudo mais.
Sentei-me e quando Phil
trouxe as bebidas tentei me concentrar na nossa brincadeira, nas doses e tudo
mais, mas depois já não conseguia mais. Me dava um aperto no peito vê-lo tão
quieto, esse não é o seu normal.
Quando Mia deu um
folga, não sei para o que necessariamente, Bruno permaneceu sentado com o copo
esquentando em suas mãos ainda. Me aproximei dele devagar.
-Essa bebida vai chocar
em suas mãos. - Disse, colocando a mão no seu ombro.
Ele pareceu levar um
susto de mim, mas deu um sorriso de meia boca e levou o copo para um gole
escasso.
-Nem tinha percebido.
-Vamos jogar conosco?
Convide a Mia. Vamos lá, se mexer. Não é o seu normal ficar assim.
-Eu estou bem assim. -
Tirou minha mão do seu ombro. - Não precisa preocupar-se comigo.
-Apenas quero que você
se divirta.
-Como? - Me encarou.
Seus olhos estavam distantes ainda. Impossível não lembrar que ele ficou assim
durante uns dois meses após a morte da sua mãe.
-Bruno… - Torço os
lábios. - Me desculpe.
-Está tudo bem. Você
estava ocupada demais para lembrar disso, não?
-Não, não estava.
Lembraria se você tivesse tido a decência de me dar oi como meu melhor amigo, e
não como se eu fosse uma mera convidada. Faz tempo que não nos vemos.
-Você estava agarrada
com o Richard, não queria atrapalhar.
-Bruno, vai a merda. -
Controlo meu tom de voz. - Você sabe que eu não fico agarrada com ele.
-OK, Lea.
-Não vou insistir.
Estou oferecendo meu abraço e meu conforto e você está o desperdiçando por uma
coisa que nem cabimento tem.
-OK, Lea. - Tornou a
repetir.
-Vou deixar você em
paz. - Dei as costas para ele com meu peito pegando fogo. Uma vontade imensa de
me aproximar dele e gritar muitas coisas, mas de abraça-lo ao mesmo tempo
porque imagino a dor que ele está sentindo. Porque ele está agindo assim
comigo? Eu não mudei com ele por estar namorando, eu não me afastei, eu não fiz
nada que pudesse deixá-lo assim. Ao menos que a nova namorada tenha pedido para
ele se afastar de mim por algum ciúmes bobo.
Idiota.
Seja lá o que for, é
idiota.
Sentei-me na poltrona e
continuei com a bebedeira e conversa. Se ele quer ficar assim, pode ficar.
Nunca fui de implorar a atenção, não será agora que mudarei isso.
Olhei diversas vezes
para o seu rosto, quando a namorada dele já tinha voltado para o seu lado e ele
não estava nada contente. Tenho que parar de me importar assim. Se ele está
assim comigo, é porque ele quer.
Porém, aquela pequena
parte de mim ainda está angustiada lembrando que ele está mal por dentro, que
sente saudades da sua mãe e que precisa de um forte abraço. Essa parte é que me
deixa mal e pensativa. Essa parte é aquela que eu fico com o coração na mão,
querendo correr até lá e deixa-lo chorar sobre meus ombros e conforta-lo com
palavras bonitas.

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