sexta-feira, 22 de abril de 2016

Capítulo 65


Isso poderia ser o final de tudo
Então por que nós não vamos
Para um lugar que só nós conhecemos?
(Keane - Somewhere only we know)


Minha cabeça estava explodindo de dor. Meu corpo parecia não obedecer a minha vontade de levantar e tomar outro banho. Nada parecia se mover, na verdade. Passo as mãos pelo rosto e sinto minha cabeça pressionar dos dois lados. Meus olhos estão inchados.

Não preciso de muito esforço para lembrar o porque eles estão assim. Pela manhã, na briga com o Bruno, falei tantas coisas e houve tantos momentos que não consegui aguentar tudo. Cheguei ao meu quarto, me encolhi num canto e chorei. Chorei de raiva, de arrependimento, de saudades, de tudo. Chorei porque parecia ser meu único remédio.

Faço um esforço para levantar e ir até a caixa de remédios. Um analgésico parecia que não iria surtir efeito para tamanha dor que sentia. Tomei logo dois, acompanhado de um copo de água da torneira do meu banheiro. Estava grogue demais para fazer algo mais higiênico.

Tomei outro banho gelado e arrumei meu quarto. Estava tudo uma bagunça e odeio não aproveitar meu domingo.

Domingo?

Mas domingo foi ontem!

Passo a mão pela cabeça e olho para a tela do meu celular. Duas chamadas perdidas de Ian. Ele deve estar querendo meu pescoço fora. No relógio marcava dez para as três da tarde. Nem que eu me arrumasse e saísse voando, valeria a pena ir para o serviço, já que saio quatro e meia.

Não sei com que cara falarei para o Ian que não fui trabalhar porque tinha tomado um porre na noite anterior. Mas pelo menos isso me fez acordar e a dor de cabeça parecer cessar um pouco mais.

Saio do quarto e escuto a risada de Lana. Umma passa para a cozinha carregando uma tigela e colheres sujas.

Me aproximo aos poucos e Bruno está sentado com Lana no chão, Mia está na poltrona mexendo em seu celular e Lana está rindo das brincadeiras do seu pai.

Não posso acreditar que ela não tem nada pra fazer em plena segunda feira!

-Bom dia. - Digo baixinho.

-Bom dia. - Respondem-me num coro. - Bom dia, Lea. - Umma beija o topo de minha cabeça. - Quer que eu esquente a comida pra você?

-Irei agradecer.

-Você está com uma cara péssima. - Ela diz quando estávamos indo para a cozinha. - Não me leve a mal, claro.

-E eu estou. - Bocejo. - Era pra estar trabalhando, mas sai ontem a noite e me esqueci completamente que hoje era segunda feira.

-Isso acontece.

-Uma coisa é certa, não deveria ter bebido. – Joguei minha cabeça para baixo onde meus braços protegeram da queda contra a bancada.

Ali me instalei até que Umma esquentasse a comida pra mim. Nunca a dei trabalho, sempre faço tudo o que tenho que fazer, principalmente algo simples como esquentar a comida, ao menos quando estou doente que ela faz algo, como canja.

-Está tão delicioso. – Dou a última garfada na comida. – Você quem fez?

-Claro. Muito obrigada.

-Quero a receita, por favor. – Pego o prato em mãos para lavar. – Agora minha energia está restaurada, posso começar meu dia.

-Começar o dia três e pouca da tarde? – Ela ri de mim e me contagia. Puxo meu prato da bancada e o levo para a pia para lavar.

-Nunca é tarde. – Ri. – Tem alguém na sala?

-Bruno está lá com a miss simpatia e a Lana. – Ela leva a mão na boca. – Perdoe. Não queria dizer isso.

Minha gargalhada sai alta demais, não consigo controlar.

-Miss simpatia. – Repito, entre muitas risadas. – Pensei que eu era a única a acha-la chata e antipática.

-A única? Não sei como o Bruno aguenta ela! Sinceramente.

-Nem eu sei, mas não vou me meter. – Dou de ombros, colocando o prato no escorredor. – Muito obrigada pela comida.

-De nada. – Ela andou para o outro lado da cozinha e eu sai dali, dando de cara com o Bruno no meio do caminho.

-Boa noite!

-Boa tarde. – Digo.

-Arrume a Lana! Vou passear com ela hoje.

-Quê? – Arqueio uma sobrancelha. – Não é “arrume a Lana”! É uma pergunta, que eu exijo que tenha um por favor no final. É o mínimo que você tem que fazer.

-Por favor. – Revira os olhos.

-Agora sim. – Concordo, dando um sorriso. – Arrume você! Tenho muito mais o que fazer.

Ando pelo seu lado sem nem esperar resposta. Quero saber o porque ele é abusado assim! Porque ele está agindo como um idiota, assim como agiu logo que ficou famoso, logo que começou a ganhar bastante dinheiro. Não entendo porque ele vive em constância mudança.

-Lea, não estou com tempo para suas TPM’s.

-Com licença! – Digo quando o vejo adentrar meu quarto. – Não estou nem de TPM.

-Então arrume ela, por favor.

-Porque você não arruma?

-Porque eu não sei vesti-la bonitinha como você!

-Ela mesmo escolhe a maioria das suas roupas, não tem como errar. – Puxo minha coberta para estende-la sobre a cama.

-Mas você é a mãe dela...

-Pra arrumar ela eu sou a mãe. – Rio, tocando a coberta para o chão e sacudindo o lençol da cama. – Engraçado, você!

-Você sabe que é a mãe dela, Eleanor. Pare com essas coisas.

-Tanto faz. Arrume sua filha e saia com ela, eu tenho outras coisas pra fazer.

-Se é assim. Ok. Obrigada.

-De nada!

β 

Minha consciência estava pesada enquanto Richard falava comigo por Skype. Ele dizia como foi sua sessão de fotos e eu ria das besteiras que tinham acontecido, não sabia direito como contar que eu beijei o Bruno.

Comecei a dizer o que tinha acontecido na noite anterior, sobre o grammy, o vídeo, a festa e quando cheguei em casa. Contei detalhadamente o que aconteceu quando cheguei e frisei que estava um pouco alterada pela bebida.

-Ele me beijou. – Disse, torcendo para que Richard não escutasse.

-Ele o quê?

-Bruno! Me beijou... Foi para calar minha boca, eu sei disso, mas ele me beijou e eu não poderia esconder isso de você. – me ajeito em frente ao computador. – Me desculpe. Eu errei. – Meus olhos estavam levemente marejados, não queria chorar, mas estava com medo que ele ficasse bravo comigo e com a completa razão.

-Lea... – Ele olhou-me, não sabia nem dizer o que sua expressão significava. – Você estava um pouco alterada, eu entendo. Fazemos besteiras. E nesse caso a culpa não foi sua. Eu lhe conheço e conheço o suficiente do Bruno para saber que ele é abusado.

-Eu sei, mas ele me beijou e eu não tive reação!

-Está tudo bem, ok! – Deu um sorriso amarelo. – Não posso negar que fiquei chocado, mas passou. Bruno é um idiota, abusado, e eu tenho certeza que você não é adultera. Está tudo bem.

Bruno Pov’s 

Passei um dia inteiro no estúdio tentando e arriscando algumas coisas novas. Não que eu precisasse, mas precisava fazer algo para distrair a minha mente e tirar Mia do meu pé. Enquanto estou em Los Angeles – prazo este que irá até amanhã -, ela fica em cima o tempo todo sem dar espaço. Mas o relacionamento com ela me trouxe o ponto positivo da mídia, que me tirou a fama de mulherengo para o “papai do ano”.

Minhas fãs a odeiam. Dizem que ela é chupa-fama, que estou com ela para tapar buraco, que estou carente e me apeguei a quem vi mais acessível.

Não é verdade! Mia é uma mulher legal, apesar dos apesares. Nós nos damos muito bem na cama, somos insaciáveis. Gosto dela mesmo com essa coisa toda.

Ouço batidas na porta e rezo para que não seja alguém que fique por ali muito tempo. Olho pelo vidro que tem ao lado da porta, mas não consigo identificar quem está ali. Abro a porta e levo a surpresa, vendo o Victoria Secret parado em minha frente com meio sorriso em seu rosto.

-Olá, Bruno. – Diz.

-Oi, Richard. – Aperto sua mão. – Quer entrar?

-Não irei atrapalhar?

Olho pra trás, para minha guitarra, para a mesa de mixers. Ele já está me atrapalhando, mas preciso saber o que ele quer.

-Claro que não. Sinta-se à vontade. – Abro mais a porta para que ele possa entrar.

-Obrigada. – Richard ficou olhando para todos os instrumentos abismado, parecia estar maravilhado com tudo e cada detalhe. Chora, isso tudo é meu! – É um belo estúdio.

-Muito obrigada. Pedi que fosse exatamente do jeito que imaginava quando era pequeno. – Uma das minhas exigências pela decoração da casa.

-E como está a turnê?

-Senta aí, cara. – Aponto para o sofá de couro preto. – Está maravilhosa. Amanhã viajo novamente, Itália!

-Deve ser tão bom poder conhecer países novos, culturas novas, mulheres novas.

-É bom demais. As mulheres... – Fisgo meus lábios. – Uma mais linda que a outra.

-Hey, controle-se hein. – Ele ri. – Tenho pena dos chifres da Mia.

-Ela ainda não tem nenhum. E acho que não terá. Estamos bem eu e ela.

-Que bom!

-E você e a Lea?

-Estamos muito bem. – Respirou fundo. – Porque você está tratando ela diferente ultimamente?

-Eu?

-Sim. Ela me falou sobre algumas coisas que aconteceram, sobre o grammy e a discussão que vocês tiveram quando ela chegou da festa. – Richard estalou dois dedos. – Eleanor adora você, é bom não pisar na bola com ela. Você a conhece bem pra saber que isso só acontece uma vez.

-Não estou tratando ela diferente, apenas retribuindo o mesmo que ela me dá.

-Ela nunca ignora você!

-Eu não ignoro ela!

-Não é isso que dá pra ver. Cá entre nós, porque você não a chamou para a festa?

-Eu errei em fazer isso. – Balanço a cabeça enquanto penso nas palavras proferidas por Mia. Ela detonou Lea, me fez enxergar o mesmo que ela estava vendo, sendo verdade ou não.

-Então. – Richard levanta. – Minha namorada não me mandou aqui, se é isso que quer saber. Ela nem sabe que eu vim conversar com você e espero que continue não sabendo. Só pense que ela era a sua melhor amiga e você a machucou! Mas, se caso vier a machuca-la novamente, eu não respondo por mim. Mantenha distância dela. Entendido?

Ele estava me desafiando? Me pondo contra a parede e pedindo que eu me afastasse de Lea? Com que direito ele pensa que pode fazer isso?! Principalmente embaixo do mesmo teto que eu.

-Você está me ameaçando? – Dou dois passos pra frente. – Embaixo do meu próprio teto? É corajoso, sim?!

-Não preciso de coragem quando venho apenas dar um aviso.

-Eleanor pode ser a sua namorada, o que acho um desperdício, mas ela continua sendo a minha amiga. Ela continua morando na mesma casa que eu. Não sei de onde ela tirou essa baboseira de que eu mudei com ela, mas todo o caso. – Dou de ombros.

-Não por muito tempo. – Não sei referente a que ele disse isso, mas disse. A frase circulou em minha cabeça tempo suficiente para ele dizer mais alguma coisa que acabei não prestando atenção.

-Richard. – O chamo. – Pra que veio me falar isso? Na intenção de me por medo? De me prensar na parede?

-Eu não tenho intenções. Eu tenho ações. Se fosse pra vir aqui por “medo” em você, eu já agiria da forma com que costumo lidar com meus problemas, mas infelizmente você ainda é amigo dela e eu não posso agir assim. Estou sendo legal dando o aviso.

-Legal? – Rio, de forma debochada e ele continua com a mesma cara de despreocupação. – Tá legal, cara! Já fez o seu teatro de bom namorado, agora vá lá e avise a sua princesa que o dragão aqui consegue ouvir as queixas da boca dela, não precisa me enviar um mensageiro.

-Como você consegue ser infantil até nessas horas? – Sua cabeça balançou. – É por isso que não arranjou alguém melhor que a Mia.

-Vai me dizer que a Lea é melhor que ela?

-Você sabe que ela é. – Andou até a porta. – Já sabe, sim? Não encoste mais um dedo nela, não quero mais ouvir uma reclamação de que você a tratou mal. Tenha uma boa vida.

-Idiota. – Digo quando a porta se fecha. – Quem esse cara pensa que é? – Meus pensamentos saem em voz alta.

Lea vai fazer reclamação pra ele de mim, mas porquê? Porque eu não a trato mais como a única pessoa em minha lista? Porque tenho melhores preferencias? Por favor! Se ela reclama, ela se preocupa. Se ela se preocupa, ela gosta de mim. Então, mesmo que o namorado dela venha me fazer milhares de intimações, ela nunca me abandonará porque eu sou o único pra ela.

Garanto que ele não sabe que eu e a Lea nos beijamos naquela manhã pós grammy. Ela pode ter contado tudo, menos essa parte. Lea é esperta e ele um pamonha, idiota. Achando que me ameaçando iria dar em alguma coisa.

Saio para fora, ando pela casa a procura do Geronimo e também para ver se aquele inseto ainda estava por ali, mas aparentemente não tinha mais ninguém além de Umma que estava ajeitando algumas coisas no quarto de Lana.

-Tem alguém em casa além de nós?

-Que susto. – Riu, terminando de dobrar a roupa. – Não, somente nós. Richard acabou de sair.

-Ok, vou ir buscar a Lana com o Ge.

Lana estava saindo com seus amiguinhos da sala, ela conversava alegremente com eles. Minha infância, eu era dessa mesma forma, me entrosava com todos. Querendo ou não eu era obrigado a ficar distribuindo sorrisos quando estava de Elvis, mas não era difícil para quem já tinha desinibição.

-Papai! – Correu ao me ver, deixando seus amiguinhos pra trás. Sua mochila balançou de um lado pro outro.

-Oi, meu amor. – Beijo sua testa e em seguida lhe dou um abraço.

-Cadê a mamãe?

-Mia está...

-Mia não é minha mãe. – Respondeu rapidamente. Por um momento nem percebi o que tinha dito. – Onde está a Lea?

-Deixei ela de folga de vir buscar você e vim aproveitar para ficar com meu bebe. Não posso?

-Claro que pode. – Ela me dá a mão enquanto caminhamos para fora dali.

-Tenho uma surpresa no carro pra você. – Digo, ao avistar o carro e ver o focinho de Geronimo grudado no vidro.

-Gege? – Sorrio abertamente, desfazendo-se da minha mão e correndo pelo estacionamento.

Levei os dois num parque e comemos algodão doce enquanto Lana se divertia com o Geronimo. Nós sentamos lado a lado, seus pés balançavam no ar, ela tinha um sorriso nos olhos brilhantes. Minha pequena está crescendo, está ficando cada vez mais linda e mais inteligente.

Tive um surto quando lembrei da besteira que fiz em leva-la naquela premiação. Ela não merecia ser exposta dessa forma. E se eu estraguei algo que depois possa prejudica-la? Quando foi que essa ideia passou como algo bom em minha cabeça?

Aproveitei mais um tempo por ali e retornamos para casa. Geronimo estava cansado já, Lana também. Os dois estavam no banco de trás.

Entrei no portão de casa e vejo um dos carros, o preto, ocupado. Quando desço do meu Cadilac, vejo que é Lea quem está no banco do carona. Richard saí apressado da casa e corre para o banco do motorista.

-Hey! – Assovio pra ele. Não me ouve e apenas saí arrancando o meu carro.

Quem permitiu que ele o pegasse?

Abro a porta para minha filha, a tiro do carro meio sonolenta e solto Geronimo para que possa ficar pelo pátio um pouco.

A casa estava vazia, Umma já deve ter ido para a sua. A raiva por ele ter saído com meu carro e Lea ficar com aquela cara no banco do carona não estava cabendo dentro de mim.

Arrumei minha filha para dormir, dei a janta que já estava pronta, observei ela escovar os dentes e ir ao banheiro e então dei um beijo de boa noite para que ela fosse dormir.

π 

Ouvi alguns barulhos e Geronimo latiu. Eleanor deve ter chego. Pego o prato sujo ao meu lado e o levo para a cozinha. Passo por eles na volta, perto da sala. Eleanor está com uma cara péssima, parecendo indisposta.

-Oi, Bruno. – A ouço falar, mas algo dentro de mim grita para não responder. Dou um sorriso amarelado e os dois seguem para o quarto dela.

Fico esperando por ali, disfarço enquanto finjo que procuro algo na estante. Richard chega na sala, é impossível não sentir o perfume dele completamente diferente do meu.

-Desculpa pegar o seu carro. – Viro-me para ele. – As chaves estão aqui, ele está inteiro e enchi o tanque antes de voltarmos.

-Da próxima vez só me avisa antes. – Peguei as chaves no ar quando ele tocou.

-Ela merecia ao menos seu oi. Pensei que o tínhamos conversado tinha resolvido tudo, mas pelo visto não.

-Eu estava puto! Porra, chego em casa e vocês dois estão saindo com o meu carro e não pediram minha permissão. Quer dizer, ela nem ligou pra saber se a Lana estava bem!

-Nós não fomos a passeio, Bruno. Você nem perguntou o que fomos fazer, pra ver como se importa com ela.

-Não quero saber sobre as idas ao motel...

-Motel? – Ele ri. – Nós fomos ao hospital. Lea desmaiou no serviço, estava com fortes dores abdominais, vômitos... Ela ainda não está legal.

-E eu sou adivinha por acaso? – Balanço a cabeça.

-Ela não ligou para saber da Lana porque Umma mandou uma mensagem avisando que você iria pega-la.

Balbucio algo que nem mesmo eu entendo.

-O que ela tem?

-Lea? – Confirmo com a cabeça. – Está grávida.

Arregalo meus olhos na mesma hora e da minha boca sai um “que?” automático, que mal se percebe. Fiquei pasmo e gelado, minhas mãos suaram.

-Calma. – Ele ri. – Está com intoxicação alimentar. Provavelmente algo que comeu pela rua quando estava no serviço.

-Que susto! – Levo a mão no peito.

-Boa noite. – Virou as costas e saiu.

Disse boa noite quando ele já tinha ido. Sentei no sofá e encarei a lareira apagada. Esse foi o pior susto que eu poderia levar em anos de vida. Não imagino Lea grávida, não dele. Imagina se ela tivesse uma criança desse infeliz?

Meu coração até se apertou no peito. Lembrei quando ela cuidava da Lana recém nascida, como se fosse sua mãe biológica, dando o mama para ela, colocando para arrotar, trocando a fralda quando ninguém mais queria. Ela tinha o jeito para cuidar de crianças, tinha a manha para acalma-las. Ela será uma boa mãe quando decidir ter filhos.

Eleanor Pov’s 

29 de Março de 2014 

Um peso nas costas depois de três dias doente foi tirado. Levantei essa manhã bem melhor do que estava nos últimos dias. Mais disposta. Hoje será o dia em que irei até minha casa para arejar os cômodos para começar com a limpeza.

Tive uma longa conversa com o Richard. Depois conversei com Umma, após com Tiara e em seguida com Tahiti. Cada um deles me disseram a mesma coisa, de formas diferentes, mas as mesmas.

O motivo da conversa era o Bruno e a sua mudança comigo e com a vida, sua namorada e suas novas atitudes que me deixam muito brava.

Me disseram que era ciúmes, pois Ric havia entrado em minha vida e agora ele teria pouco espaço para ser o meu melhor amigo. Que Mia apenas quer se aproveitar dele, que suas atitudes se convertem dessa forma, pois Mia o manipula e etc. Cheguei a conclusão de que não há mais espaço pra mim nessa casa, que eu estou incomodando ele e não quero ser pedra no sapato de ninguém, e também quero dar ao Ric a segurança de estar numa casa onde não tenha que ouvir qualquer desaforo de alguém.

Megan disse que eu deveria pensar melhor, que sair assim pode ser ruim pra mim, mas aguentar é algo difícil. Ele me ignora, age como se eu não estivesse ali ou se fosse uma desconhecida. Mente pra mim! Aquilo que ele fez no grammy me machucou de verdade, nunca me senti tão humilhada.

Não quero arriscar me machucar mais por isso. Por isso tive a decisão de deixa-lo em paz em sua casa.

-Já pensou em como vai distrair a Lana?

-Já! Mas vou precisar da sua ajuda. – Digo para Umma. – Quero que a leve num parque, dê uma maça-do-amor ou algum algodão doce. A faça brincar bastante, para que ela volte cansada. Quando vocês chegarem, cansadas, eu dou um abraço e um beijo nela e quando ela dormir, eu vou pra casa.

-Covardia, Lea. Modéstia parte, acho muita covardia fazer isso com a pequena.

-Eu sei, Umma. – Mordo minha maçã. – Mas eu não vou conseguir olhar pra ela e me despedir.

-Mas você não vai se despedir, apenas vai se mudar. Continua vendo ela e sendo a mãe dela.

-Vou ser a mãe dela, mas continuar vendo acho que o Bruno não irá permitir.

-Claro que vai. Você conhece o gênio da Lana, ela irá convence-lo de que precisa de você.

-Eu não sei, Umma. – Baixo minha cabeça. – Porque tem que ser assim?

-É complicado. – Ela torce seus lábios e encosta em meu braço. – Mas sei que você irá tomar a melhor decisão!

-Você sairia daqui se estivesse no meu lugar?

-Sinceramente? – Assenti positivamente. – Já teria saído faz tempo! Não aguentaria tudo isso. Por isso sei que tem um enorme coração e que os ama de verdade. Ama suficientemente para deixar ele viver em paz, mesmo tendo que abrir mão de algumas coisas.

-Apesar de tudo que ele me fez, quero a sua felicidade. Fico mal pela minha pequena. Vou sofrer sem ela.

-Lana já é grandinha, ela irá entender.

-Deus te ouça. – Respiro fundo. – Pensando bem, eu odeio ele.

-Ih, você o odeia, mas quer que ele seja feliz?

-Quero que ele seja feliz, mas suas atitudes me fizeram querer sair dessa casa, sendo assim eu fico sem o meu bem precioso. Sem a Lana... Por isso eu odeio ele. Não quero me afastar do meu bebê, Umma.

-Entra na justiça pela guarda dela aos finais de semana. – Ela dá de ombros.

-Bruno ganharia!

-Sem querer falar nada, mas ele tem uma passagem pela polícia, você é limpa.

-Mas ele é pai. Eu sou mãe emprestada.

-Ah, Lea... Esses negócios são complicados.

-São mesmo. Pensando bem, vou ficar mal saindo daqui.

-Eu vou sentir a sua falta. – Ela acaricia meu braço novamente e eu sorrio pra ela.

O sorriso que me devolve me lembra o da minha mãe. A saudade dela aperta no peito, ela com certeza saberia o que seria melhor fazer agora quando sair dessa casa. É pra ela que eu preciso ligar.

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