sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Capítulo 35


Você está tentando ser legal, mas parece um idiota para mim
Diga-me
Por que você tem que deixar as coisas tão complicadas?
Veja, o jeito que você age, como se fosse outra pessoa
(Complicated - Avril Lavigne)

Preguiçosamente, levantei pelo sábado na manhã. O tempo estava abafado, quente e o sol parecia querer se aproximar mais e mais de nós. Abri todas as janelas e cortinas para arejar a casa e ver se o calor passava um pouco, mas era quase impossível. Não tínhamos nem chego ao verão ainda e está dessa forma? Só quero ver o que maio/junho preparam pra nós!

-Porra, Lea. – Bufou quando abro a janela do quarto por último. – Que horas são?

-Bom dia. Já deve ter passado das dez.

-Merda. – Levantou rapidamente da cama, todo desajeitado. – Bom dia. – Chegou próximo ao meu corpo, cafungando em meu pescoço e dando um leve beijo da minha boca.

-Como passou a noite? – Sentei-me na ponta da cama, observando-o pegar uma roupa para ir à reunião do estúdio.

-Bem, tirando a parte que você roncou.

-Eu ronquei? – Começo a rir.

-Sim, e muito. Quase acordei você pra ver se melhorava, mas meu sono era tanto.

-Você também ronca de vez em quando.

-Então estamos bem. – Ele dá de ombros. – Já me disseram que eu peidava.

-Mas isso é normal. – Faço o mesmo movimento que ele. – Até a Lana peida dormindo.

-Falando nela... Estranho não ter acordado.

-Ela ferveu a noite toda ontem, lembra? Olhamos O Rei Leão até duas da manhã.

-Verdade. – Balançou a cabeça tocando a roupa para cima da cama. – O que acha de pegarmos um cinema? Algo diferente?

-Hm. – Matutei em minha cabeça como seria sair de casa nesse calor infernal para ir a um cinema com uma criança, sendo que temos que carregar a sacola dela, a minha... Seria legal um passeio em família, por outro lado. – Vamos.

-Ok. – Tirou a bermuda com a qual dormiu. O lembrei de que estávamos no mesmo quarto que a Lana e ele a vestiu novamente. – Ontem me perguntaram sobre a Diana...

-O que?

-Na verdade um dos meninos perguntou se eu não tinha medo, agora com esse negócio da minha carreira subir, sobre ela querer voltar.

-E o que acha? – Sinceramente, esse não é meu medo. Ela é tão nem aí pra tudo, que não voltaria apenas pelo dinheiro, sabendo que a justiça nunca deixaria isso acontecer.

-Acho que não, aliás, nem gosto muito de falar sobre isso, vá que atraia maus olhados e más vibrações.

Me convidei para tomar banho junto com ele, ontem não conseguimos fazer nada e há dias ele está precisando relaxar com esse negócio de músicas, estúdio, CD... O que custava fazer um carinho para agradá-lo?!

Tirei meu pijama, colocando-o ao lado da pia do banheiro. Apoio-me na pia e o encaro, nu, em minha frente.

-Um dia pintarei um quadro de você, nua... Como Titanic.

-Não faça isso, há milhares de métodos para espantar os pernilongos... – Bruno ri, balançando a cabeça e ficando com seu corpo um pouco mais próximo do meu. – O que faria com um quadro meu?

-Criaria um quarto, o Quarto da Punheta, pra quando eu quisesse desestressar e ficar sozinho, ficaria lá com sua foto, algumas revistas e uns filmes pornôs.

-Sem dúvida uma das coisas mais medonhas que já ouvi.

O puxo para beijar sua boca que já estava a tanto tempo separada da minha. Agarrei seu cabelo, agora um pouquinho mais alto, e mordi seus lábios, brincando com a sua boca. Bruno encostou-me na porta fechada e levantou uma perna minha para pôr em torno do seu quadril, e mesmo com seu pênis ainda molinho, pegou-o e passou em volta do meu sexo. Não é tão bom quanto duro, mas ainda dá uma cocega boa.

-Quero foder você aqui. – Passou o dedo sobreo buraco apertado da minha bunda. – Te fazer gritar...

-Fode! – Gemo baixinho.

-Não posso demorar, já estou atrasado. – Atracou meu pescoço, beijando vorazmente e puxando com os dentes a pele.

Enquanto nos beijávamos, sentia suas mãos acariciando minha vagina, de um lado para o outro e volta e meia introduzindo alguns dedos lá dentro, dando para minha boca chupar.

Entrei no box primeiro que ele, liguei o chuveiro e fui pega por trás já com sua mão acariciando-me novamente. Bruno se ajeitou, sentando no chão e inclinando-se para trás. Virei de frente pra ele, sentando em suas canelas. Com minhas mãos, massageei seu pênis a fim de deixa-lo mais duro, como eu sei que pode ficar, já que ainda estava meia boca.

Cuspi em minha mão e ajoelhei-me, com minhas pernas uma em cada lado do seu corpo. Passei a mão em minha boceta, molhadinha e já pronta para recebe-lo. Subi no meu colo, introduzindo seu pau em mim, dando fisgadas fortes e enterrando o máximo que podia.

Cavalguei sobre ele por alguns minutinhos até trocarmos de posição e transarmos em pé. Não é tão confortável assim quando tem que se equilibrar com uma única perna e cuidar para que a mesma não escorregasse.

Como estávamos sem camisinha, ele tirou bem antes de gozar e eu o chupei. Larguei todo o conteúdo no ralo e fiz gargarejo com a água do chuveiro para poder beijá-lo.

-Poderia ter feito isso sem precisar passar água na boca. É o meu gozo mesmo.

-Pensei que pudesse achar nojento.

-Você sabe muito bem que não acho. – Arrumou meu cabelo.

-Papai! Mamãe! – Ouvimos a voz da pequena gritando-nos.

-Foi na trave. Por mais alguns segundos eu iria acabar terminando isso na punheta.


Quando cheguei em casa, cansada demais, pus meu celular para carregar e deixei a Lana na sala, sentada no sofá, enquanto ia arrumando as coisas no lugar. Não parei um minuto ajeitando algumas coisas que estavam fora do lugar e algumas louças que precisavam ser lavadas.

A música do filme não saía da minha cabeça, até mesmo a pequena estava elétrica com o filme. Foi bom assistir um filme de animação tão alto astral assim. Como treinar o seu dragão me fez querer ter um pequeno dragão na minha casa chamado Banguela.

-Cadê papai? – Ouço a perguntar quando passo pela sala. Volto alguns passos pra trás.

-Papai foi rapidinho na casa do tio Phil. – Respondo para a pequena que volta a olhar a televisão.

Por enquanto a rotina da Lana é bem leve, nada demais, mas assim que ela puder entrar para as aulas de balé, iremos coloca-la e já estamos praticando em leva-la aos parquinhos para manter a infância saudável não somente apenas em frente a uma televisão.

Ouço algumas batidas na porta e na mesma hora meu celular toca. Fico dividida no que fazer.

-Já vai. - Grito para qualquer que seja na porta. - Alô? - Atendo a ligação que piscava da Megan.

-Oi, Lea, tudo bem?

-Tudo ótimo e por aí?

-Não muito bem... O Caleb não apareceu por ai, por acaso?

-Não... - Caminhava até a porta e a abro. - Ah, oi Caleb! - Digo ao vê-lo aparentemente mal.

-Lea, me escute, ele está bêbado! Nós brigamos, dê abrigo para ele por enquanto, mais tarde estarei ai. Ok?

-Tudo bem. Pode ficar tranquila.

Desliguei o telefone permitindo que ele passasse pelo espaço que lhe dei. Cambaleou um pouquinho e minha pequena sorriu ao vê-lo.

-Hey, amor, venha aqui com a mamãe. - A chamo, passando na frente dele. Não poderia deixa-la perto dele dessa forma e cheirando a bebida.

-Cheguei. - Bruno abre a porta e Caleb se toca no sofá. Arregalo os olhos sem saber exatamente o que fazer.

-Ele está bêbado. - Digo sem emitir som ao olhar para o Bruno.

-Onde está a Megan? Aquela vagabunda me paga. Ela está me traindo, acredita? Com nosso vizinho. Eu fiz de tudo por ela... - Caleb começou a falar sem parar, carreguei Lana junto comigo e fui até a cozinha preparar uma água com açúcar. - Ela me paga!

-Já ouvimos isso, Caleb. - Bruno passa a mão sobre a testa. - Megan sabe que ele está aqui?

-Sabe. - Respondo entregando o copo para ele e Bruno toma Lana do meu colo.

-Não quero isso, quero a Megan. Eu vou arrebentar a cara dela, Lea.

-Ok, mas beba primeiro. - Cuido para que o copo não caía no chão, mas foi em vão. O copo caiu e Lana se assustou, chorando no colo do pai.

O que aconteceu de uma hora nessa casa?

-Pegue um balde pra ele, caso ele vomite.

-Vou dar ovo cru.

-Isso!

Bruno saiu com a nossa pequena da sala e eu fiquei ali sozinha com ele. Peguei o balde e pus um pouquinho de água para não grudar o vomito no fundo, sei lá o que ele irá vomitar. Fui até a cozinha pegando um ovo cru e quebrando num copo. Ele precisava tomar aquilo, curei muitas bebedeiras do Bruno com ovo cru, pois é simples, só dar o ovo cru, com o gosto da bebida - até mesmo sem - fica nojento e dá vontade de vomitar. Se vomitar, meio caminho andado.

Sentei ao lado dele e dei o copo de plástico com o ovo. Caleb teve um acesso de riso e falava muito sobre Megan e um vizinho. Não era real, meio óbvio, Megan nunca faria isso, no mínimo ele a traiu, seria bem mais típico.

Juntei os cacos de vidro com a pazinha e me abaixei para pegar um que ficou quase embaixo do sofá.

-Bruno é um homem de sorte. Você é gostosa demais. - Diz ao olhar-me de cima a baixo. Ajeito meu short, ficando com raiva, mas ao mesmo tempo sem jeito algum.

-Cala a boca, Caleb. - Reviro os olhos passando para a cozinha.

-Falando como a parte sã do meu corpo. - Se riu sozinho encarando o copo ainda com o ovo. - Isso tem cheiro ruim.

-Então fale menos e beba mais.

-Ele disse que você tem um dom com a boca e que rebola como uma latina.

-Caleb... - A parte sem graça que eu estava antes estava se perdendo apenas por raiva dele estar falando aquilo pra mim. Nojento.

-Bruno! - Abriu um sorriso quando o viu. Sentei na cadeira, distante dele. - Estava dizendo sobre o quanto ela é gostosa, não acha? Você me disse que ela fode bem e eu estava aqui pensando na bunda dela. - Falou como se eu nem estivesse ali.

-Fica quieto, Caleb. - Bruno pareceu se irritar. Ele está irritado por o que ele está falando é real?

-Você falou, lembra? No carro, que a bunda dela é gostosa e ela é bem apertadinha.

-Bruno? - Me assusto, arregalando os olhos levemente para ele, que arqueia as sobrancelhas.

-Beba isso, Caleb. - Sua voz sai bem mais autoritária.

-Bruno? - Retorno a perguntar.

-Calma Lea. - Ficou aparentemente bem perdido no espaço. Engoliu a saliva várias vezes e coçou sua nuca. Ele está sem jeito pensando em escapatórias, é isso?

-Isso é horrível. - Caleb engoliu todo aquele ovo nojento.

-Eu sei bem como é. - Bruno começa a rir ao olhar pra mim, mas mantenho meu olhar sério.

-Mas quando irá ter mais fetiches? Fiquei curioso sobre o fetiche de policial...

Caleb nem concluiu o que iria falar e pegou o balde para vomitar. Bruno o ajudou, fazendo uma cara de nojo. Levantei da cadeira pondo a mão em minha cintura tentando entender o porque ele saiu falando sobre a minha privacidade, a nossa privacidade, para Deus e o mundo. Bufei várias vezes seguidas e ele me olhou por último.

-Hey. - Seus olhos percorreram todo o meu rosto. - Calma, Lea. Eu juro que não falo nada demais de nós, muito menos exponho sua privacidade para ele. Muito menos pra ele...

-Então quer dizer que pro Phil tudo bem? Você está me deixando mais confusa, Bruno.

-Eu falo como você também fala pras suas amigas.

-Se eu tivesse tempo de falar sobre isso com elas... Nós não comentamos nada, assim como eu não gostaria de saber como o Caleb e o Phil são na cama, elas também não querem saber como você é! Muito menos as suas fantasias. - Se tivesse um buraco e um vaso, eu atiraria o vaso nele e me enterraria no buraco. Quantas vezes, sóbrio, o Caleb não me viu com outros olhos.

-Não é nada demais, Lea. Nunca falei nenhum detalhe sórdido.

-Ah, não sei. - Faço rendição com as mãos. - Tome conta do seu amiguinho ai, dê um banho, sei lá, que eu irei deitar.

Ele ainda perguntou quando eu estava saindo se depois poderia ir até meu quarto, mas não fiz questão de responde-lo. Isso é péssimo, não é nenhuma tempestade em copo d'água, mas sinto como se tivesse um vídeo meu exposto na internet e as pessoas estivessem falando de mim. Quem mais sabia do que acontecia entre eu e ele em quatro paredes? Os meninos da banda? Os caras do estúdio? Só pode!

Meu rosto pegava fogo de vergonha e talvez até de raiva, me sinto invadida... De que vale a privacidade então? Ele que falou tanto quando sua mãe entrou em nosso quarto no Havaí, deveria se conscientizar sobre o que dizer e o que não dizer para seus amiguinhos, como se eu fosse mais uma das vagabundas que ele comeu/come.

Não vou mentir que sinto um pouco de raiva pelo motivo de que: se ele não deu bola para falar sobre isso, então ele não sente ciúmes de mim, ou queria fazer inveja para todos?

Eu não sei nem o que pensar, só quero enterrar meu rosto na terra como um avestruz.

Bruno Pov’s

Após tirar todas as coisas importantes do bolso de Caleb, o toco, literalmente, para dentro do box do banheiro. Estava furioso por ele ter dito aquilo e ainda por cima por não ter calado a boca até agora falando asneira. Como gente bêbada é chata e idiota!

A água estava completamente gelada e ele reclamava daquilo, olhando para suas roupas e sapatos e lamentando como uma criança. Idiota!

Nunca falei nada demais para eles sobre nós, eu e Lea. Falo apenas o que todos os homens comentam, e algumas vezes nem falo para ele, falo para o Phil, mas consequentemente ele escuta.

Meu celular toca, era Ryan avisando quando definitivamente iria se mudar para Los Angeles, eu precisava dele para que tudo desse certo com o CD, afinal, preciso de um assistente pessoal.

Sentei na privada esperando Caleb fechar o chuveiro, e ele fez.

Megan bateu na porta um tempo depois, buscando ele que já estava bem melhor. Caleb vomitou mais algumas vezes o que era de fato necessário para que ele melhorasse. Quando eles foram embora, fui até o meu quarto para ver minha pequena, mas ela já havia desistido de ver o filmezinho e dormiu.

Na cozinha tomo um pouco de água para ver se já tomava coragem para falar com a Lea.

Mexo na sua maçaneta, mas está trancada. Bato quatro vezes e ela não responde. Eu tenho certeza que ela não foi dormir.

-Poderia parar de me ignorar. – Peço, colocando o rosto colado na porta junto da minha orelha.

-Poderia parar de tentar falar comigo quando eu não estou afim.

-Pra que fazer isso, Eleanor? Podemos simplesmente conversar.

-Eu não quero, só respeite isso.

-Já vai começar com esse drama teatral?

Espero sua resposta, mas ela não fala nada. Talvez eu tenha dito demais, fui eu quem errou e não poderia estar descontando nela a raiva que eu estou sentindo por uma coisa que eu causei a ela.

Qual é, não foi nada demais...

-Drama teatral? – Abriu a porta com força, encarando meu rosto. Ela estava com um olhar triste apesar de querer parecer bem raivoso.

-É, drama! – Dou dois passos a frente e fico bem próximo dela. Tento não olhar por muito tempo seu rosto, mas meus olhos sempre irão encarar seus lábios grossos e delineados. Seus cabelos agora um pouco emaranhados, seus olhos graúdos e ainda sim, levemente puxadinhos. Ela é linda, e eu não posso vacilar. – Desculpe.

-Tudo se resume a me pedir desculpas quando faz alguma besteira... – Balançou a cabeça virando o corpo em direção a sua cama. – Deixe-me dormir, apenas.

-Hoje é sábado, talvez possamos sair para nos divertir, esquecer dos problemas.

-Pode sair se quiser, eu só preciso dormir. – Bocejou, buscando a coberta que estava agora em seus pés.

-Tudo bem. – Respiro fundo.

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