Todas vocês, garotas jovens e descontroladas
Vocês me deixam em frangalhos
Sim, vocês, garotas jovens e descontroladas
Vocês serão a causa da minha morte
(Bruno Mars - Young Girls)
8 de novembro de 2012
Tivemos que deixar Lana com Umma, no hotel. Preferimos não leva-la ao desfile, até porque nunca sabemos o que os meninos irão fazer depois. Urbana nem veio para Nova Iorque acompanhar o Phil, então de nós meninas só vamos eu, Megan e Cindia.
-Os meninos saíram. – Avisa Cindia, pegando uma vaguinha ao lado do espelho assim que entra no quarto.
-E nós também já vamos, sim?
-Claro. – Respondi a Megan. – Sabem que eu não gosto de chegar nesses locais vinte horas depois que é aberto. – Exagero no tempo para fazer a suposição.
-Vamos lá, - atirou um beijo para o espelho e piscou um único olho – hoje sairei de lá com alguém.
Depois que Megan acabou com o Caleb, o assunto dela preferido é homens. Diz ela que quer fazer como eu e tentar encontrar alguém, mas a diferença é que ela está saindo com todos e experimentando os que julgam ser melhores. Longe de mim falar algo disso, cada um é dono de si e sabe o que é melhor, se ela acha que assim irá conseguir alguém, tudo bem.
Bruno está a apenas umas horas de fazer uma grande apresentação. O Victoria Secrets. É um bom sinal receber o convite para se apresentar nele, e Bruno sentiu-se além de lisonjeado. Com razão.
A música dele está tocando em todos os cantos, viral total.
Ele está tendo um sucesso muito grande, maior do que todos nós imaginávamos. Meu grande homem cresce com seu talento cada dia mais e mais e eu não tenho mais lugar para o orgulho que sinto dele.
Ao contrário do que parece, ainda estamos totalmente amigos. Nada mais passa do que provocações vindas da parte dele para que eu sinta ciúmes. Só isso.
β
-Fico feliz em ver que estou melhor que muita modelo. – Resmungou Megan, olhando para o seu corpo e voltando a olhar o de algumas modelos que passavam ali antes do show em direção ao backstage.
-Eu, pelo contrário, estou me sentindo um saco de batatas. – Cindia colocou a mão sobre suas pernas cruzadas. – Olha o corpo daquela que passou aqui... Que barriga de dar inveja.
-Calada! Olha seu corpo. – Apontei a extensão dele. – É lindo, e isso que você já tem um filho! Elas nem menstruar devem, não devem se alimentar direito. Você está aí, linda, com uma família e comendo de tudo. – Ri e elas me acompanham. – Inclusive chocolate. – Falei, pondo a mão ao lado de minha boca como se sussurrasse um segredo.
-Estou contente com meus M&M’s.
-E eu com meus KitKats. – Eu amo esse chocolate mais do que qualquer outro. Já provei uns quantos, de tudo quanto é marca e jeito, mas não adianta, ele sempre será meu preferido.
-Eu, como uma boa gorda, gosto de muitos chocolates. – Megan balança os ombros.
-Gorda? – O som que sai da boca de Cindia é algo como “puff”. – O que sobra pra mim?
-Meu Deus. – Balanço a cabeça, em reprovação. – Vocês querem entrar em depressão antes mesmo de assistir o desfile?
-Claro. – Megan encara o pessoal chegando. – Que não... Ótimo dia para estar solteira!
Olhei para onde ela estava olhando, a entrada. Haviam duas: a lateral esquerda, por onde entramos, e a direita, que é mais distante ao palco. Estávamos um pouco longe da entrada, mas a longa extensão de cadeiras que estavam do outro lado da passarela permitiam que todos fossem para a ponta. Nós já estávamos ali, ponto estratégico para ver o show do Bruno e o desfile.
Encarei o que ela estava vendo. Quatro homens, lindos, entraram. Dois deles acompanhados de mulheres lindas e parecendo um pouco mais velhas, talvez depois de tanta plástica elas pareçam mais velhas do que realmente são. Um deles estava trajando um terno marrom, seus cabelos eram loiros e os olhos claros, podiam se ver de longe. Ele ajeitou a gravata, dando uma geral em tudo com seu olhar semicerrado como se estivesse pronto para a caça. O que estava ao seu lado estava usando uma roupa social, básica, e tinha o olhar mais humilde do que o loiro. Seus cabelos eram escuros, os olhos escuros também. Poderiam ser primos, mas irmãos não creio. As idades pareciam bater.
Megan levantou. Jogou o cabelo para o lado e ajeitou o cinto de seu vestido discretamente. Chamou a atenção do loiro-nada-humilde, que continuou a caminhar a procura de um lugar. Uma das mulheres apontou para uma cadeira e todos se alojaram por ali. Era logo em nossa vista.
Ela percebeu que ele a olhou e virou-se de costas para nós, ficando de frente para a passarela e dando um sorriso fatal. Megan estava, descaradamente, paquerando o homem da fileira a nossa frente.
Sentou-se, ajeitando o vestido para que não aparecesse nada demais e riu pra nós, como se tivéssemos dito algo.
-Eu desisto. – Fez um sinal de rendição.
-Ele é lindo. – Mordeu o canto do lábio, de maneira discreta. Se eu não a conhecesse, juraria que era mais uma garota fácil que procura transa com qualquer homem por apenas status e dinheiro. Mas aquela era a Megan, minha melhor amiga, que está magoada com seu ex namorado que, por mais que queira, não consegue tirar da sua vida, essa é ela tentando divertir-se e viver a vida.
Desapegar-se do passado e viver intensamente. Ambas nos prendemos, ela diretamente, eu indiretamente, mas me prendi o tempo que me dediquei ao Bruno. Mas sou mulher, e como a maioria de nós eu sonho com um romantismo, com um cara legal, com um namoro legal, com coisas legais.
-O loiro e seu amigo estão olhando pra cá. – Cindia alertou-nos discretamente, levando seu olhar a entrada da passarela, onde o tempo parecia longo demais para começar o desfile.
-Sandy, querida. – Uma senhora perua, com uma estola de pele tigrada, acena para ela na mesma fileira que nós. A moça que está com um dos caras faz a egípcia, acenando rapidamente para ela e virando o rosto para o lado.
-Meu objetivo é sair dessa noite com, pelo menos, o número e o nome dele. – Megan não tirou os olhos sobre o homem. Estava ao ponto de perguntar se isso era somente para irritar o Caleb quando ele visse ou soubesse, ou se era apenas porque ela queria, porque, sinceramente, ele não é tão bonito assim.
-Ok. – Deixo meus ombros rolarem e olho para o relógio do meu celular. As horas não passavam. – Será que os meninos estão seguros?
-Devem estar até rindo, eles estavam confiantes sobre o desfile.
-Vai ser um sucesso. – Comemoro baixinho para Cindia e olho rapidamente para Megan que ainda está vidrada no outro lado. – Esse olhar intimidador vai fazê-lo ter medo... Seja sensual e não maníaca.
-Eu estou sendo sensual!
-Está sendo desesperada. – Cindia tira as palavras da minha boca.
Como uma menina mimada, Megan faz birra e emburra seu rosto numa expressão nada feliz.
-Eu quero que ele me note.
-Aja naturalmente.
-Parece aquelas treinadoras de misses. – Riu de mim e pelo canto do meu olho pude perceber que ele olhou para nós.
-Viu, você agiu normalmente, sendo espontânea e ele olhou. Fique assim.
-É difícil me controlar normalmente quando eu quero chamar a atenção dele. – Disse, fazendo gestos mecânicos, nada parecidos com os que faz normalmente. – Ele ta olhando?
-Hm. Não. – Respondo, espiando pelo canto dos olhos. – Pare de dar uma de desesperada, ok? Ele vai achar que está interessada na grana dele ou status.
-Acho que todos já chegaram. – Observa Cindia. – Meu Deus, vai começar.
Vozes se puseram nos auto falantes. O grande espetáculo estava começando. O tema circense estava maravilhoso. Vimos um grande show que dançarinas, trapezistas, malabaristas e sua equipe fizeram para nós.
A voz chamou pelo começo do primeiro desfile. A música tomou o lugar do locutor e a primeira modelo entrou. A cada uma que entrava, era meu coração se fechando mais e mais. Disse para as meninas anteriormente confiarem em si e não ficarem se depreciando por causa disso, mas elas são lindas. Verdadeiros anjos.
Rihanna entrou no palco para arrasar com toda a alto estima de qualquer uma ali dentro. O cenário já estava completamente montado para o seu show, e ela apareceu, linda e poderosa, com uma roupa sexy e sua voz grave e rouca.
No troca-troca de cenário, havia músicas e a luz voltava levemente para nossos lugares, onde podíamos conversar e comentar sobre o show e o desfile.
Os acordes começaram e o show dele também. Sua voz inebriou todos os cantos daquele local. Todos estavam extremamente agitados, cantando e assoviando sua música. Era lindo e emocionante de ver, ouvir e sentir. Bruno estava lindo, num terno marrom, chapéu... Sexy. Ele olhava para as modelos de uma forma safada, eu sentia toda a maldade que ele carregava, menos para Miranda, sua amiga.
Justin Bieber cantou assim que ele saiu, um show mais acústico sem desfile, mas em momentos começou o show com direito a desfile de lindas lingeries e acessórios que faziam-me babar.
Chorei, eu confesso, quando Bruno cantou Young Girls. Vê-lo, usando toda a ternura na sua voz, mostrando o doce de homem que guarda em si para o povo. A emoção que ele consegue transmitir com a sua voz...
-Olha como ela chora por ele. – Megan comentou com Cindia. Encaro as duas e começo a rir.
-Essa música é linda e ele cantando... Caramba. – Passo o dedo por debaixo dos meus olhos, olhando para o teto e cuidando para não borrar a maquiagem.
Balões em formato de estrela são soltos, todos nós levantamos para aplaudir quando o desfile termina. Todas as modelos na passarela.
-Eu nunca vi tanta mulher linda em toda minha vida. – Comento enquanto aplaudo.
Bruno, Rihanna e Bieber estão entre elas, acenando para o povo que está ali para vê-los também. Salvas e mais salvas de palmas com todo o direito e razão. Foi um belo show, foi um belo desfile.
-Parabéns, garotos. – Levanto as mãos em comemoração quando entramos no backstage. Há modelos masculinos e femininos por ali, alguns flashs, câmeras para todos os lados. Menos de dois metros de nós estava Bieber. Era surreal estar nesse meio todo. Nunca irei acostumar com isso. – Vocês foram maravilhosos. Tenho orgulho!
-Foi emocionante. – Cindia completa o que eu estava falando. Nos olhamos e rimos. – Vocês arrasaram, como sempre. – Foi para o lado do seu marido e o abraçou após um selinho.
-Estão de parabéns mesmo. – Megan os observa. Kam troca olhares com ela, mas Megan desvia, olha para os lados na procura de alguém. Será daquele cara da plateia?
Foram muitos parabéns. Abraços para tudo quanto era lado, eles mereciam todos os parabéns possíveis, estava realmente muito contente com eles. Meu celular apitou e eu o peguei. Kenji mandou uma mensagem parabenizando o Bruno – claro que ele não manda diretamente, porque desde o ocorrido, eles nunca mais se falaram, nem se viram. Agradeci pelo Bruno e no momento que consegui falar com ele, porque meu amigo estava sendo disputado, comuniquei sobre a mensagem. Ele pareceu bem contente por ver aquilo e realmente agradeceu.
Parece que as coisas mudaram.
-Eu falei que você estava... Oi? – Uma modelo parou ao lado dele, apoiando seu braço raquítico sobre o ombro dele. A diferença de tamanho fez com que eu não conseguisse controlar uma risada nasalar.
-Lizzie. Está é minha amiga, Eleanor. – Ela esticou a mão, retribui o gesto apertando sua mão de pele fria.
Ela falou algo sobre outra mulher que estava a espera do Bruno, mas ele pareceu não estar muito interessado, ele queria era mais estar no meio do fervor todo que estava aquele local.
O coquetel foi servido em um hotel. Foi fechado a parte do restaurante para nós, com espaço para dança e tudo mais.
Lindo, clean e organizado. Estava chique demais. As meninas receberam homenagens lindas e os cantores da noite foram parabenizados. Rihanna não ficou na confraternização, e eu tive a oportunidade de tirar uma foto com o Justin. Não é que o menino está ficando mais velho e ficando bonito? Com cara de homem, digo.
-Hey, Lea... Quero te apresentar meu amigo, Samuel. – Bruno deixou-me frente a frente com um modelo de porte atlético, deveria ser modelo de cuecas. Seus olhos apertados, cabelos loiros, o azul dos olhos lembrava o mar.
-Mas pode chamar de Sam, ou do que preferir. – Pegou minha mão para beijar. Galanteador demais.
-Prazer, Sam. Sou Eleanor.
-Prazer, Eleanor. – Chegou um homem ao lado dele. Por instantes achei que fossem gays, mas ele tomou uma posição máscula ao seu lado, pedindo minha mão. A beijou e em seguido a apertou. – Meu nome é Richard.
-Olá, Richard. – Carreguei o sotaque assim como ele se apresentou.
-Espere! – Sam acenou para longe e Bruno saiu rindo com outras pessoas, quando Sam saiu atrás de outro e eu fiquei com Richard, sem nem saber o que falar.
-Você é modelo? – Perguntou.
Richard faz o tipo sarado, mas não exagerado. Seus músculos são leves, parece cuidar bastante de sua pele branca. Seus cabelos curtos em tom de castanho médio, seus olhos puxando para o castanho escuro. O rosto quadrado parece combinar perfeitamente com sua boca de lábios finos, porém desenhados, dando um porte sensual.
Em suma, ele é lindo.
-Eu? – Dou uma risada estranha. Porque eu não posso apenas ser sexy na frente de homens como ele? – Desculpa. – Começo a tossir. – Não. Não sou, curioso você achar isso...
-Se acha menos que elas? – Gesticulou com o dedo. – Fico contente que não é.
-É? Por quê?
-Elas são fúteis, não há conteúdo. As que têm conteúdo são casadas e com uma experiência grande de vida no currículo. – Não sabia ao certo se ele falava de conteúdo ou de sexo. Perdi-me olhando para seus lábios se mexendo.
-Mas o que você é? Chegou ao lado dele, do nada...
-Atrapalhei algo?
-Definitivamente não, mas...
-Desculpa, às vezes eu não tenho senso mesmo. Avise-me quando eu fizer esse tipo de coisa. – Dá um tapinha em sua própria testa, bem divertido. – Eu sou amigo dele, moramos um tempo no mesmo apartamento.
-Legal. – Balanço a cabeça, olhando para os lados.
-Voltando ao assunto... Eu sou modelo.
-E estava falando que elas são fúteis?
-Sim... – Arqueei uma sobrancelha e ele ri, logo se explicando. – Não quer dizer que eu seja fútil...
-Então é casado?
-Definitivamente não. – Repetiu minha resposta anteriormente. – Só tive uma criação melhor que essas mulheres.
-Desfila de lingerie, também? – O engraçado é que não me senti com vergonha de ter feito essa piadinha com alguém cujo nem sobrenome sei. Muito menos a sua idade.
-Claro. – Deu uma voltinha. – Imagina esse corpo todo numa lingerie cara com essas, de fio dental rosa... Eu fico sexy, juro.
-Ok, eu acredito. – Levanto as mãos em rendição.
-Eleanor, isso? – Assenti. – Posso lhe convidar para me acompanhar num drinque?
-Desde que não fique de lingerie rosa ao meu lado, com certeza.
Nós praticamente nos isolamos de todos. Sentamos num canto do salão e ali ficamos, bebericando o drinque e conversando. Senti como se estivesse com um velho amigo.
Seu nome é Richard Haskett, mas preferem que o chamem de Ric. Tem vinte e seis anos, a mesma idade que eu. Faz aniversário dia 24/09. Ainda sou uns meses mais velha que ele.
Soube que ele vem de família rica, moram no Texas e são donos de uma grande fábrica de calçados. Mas ele não usou nada do dinheiro dos seus pais, fez sua vida sozinho. A única coisa que aceitou foi um bônus para fazer o ensino superior em Nova Iorque.
Ele é modelo emergente e iria fazer odontologia. Não gosta muito de baladas e garotas fúteis.
Em tão pouco tempo soube muito mais dele do que ele de mim.
-Sou Eleanor. Winters. – Pendo a cabeça para o lado. – Gosto que me chamem de Lea...
Digo meu nome, minha idade e falo um pouco sobre mim, sobre meus hobbys, minha profissão, onde moro e etc.
Ric se revelou um grande amante de músicas e que ama o Bruno. Como ele canta e tudo mais. A forma com que ele o descreveu, por momentos, achei que ele literalmente amasse o Bruno.
Fiquei contente por saber que sua repercussão é boa assim.
Pairei meus olhos sobre aquelas pessoas. Não era difícil encontrar o Bruno. O vi ao redor de modelos, com Bieber e Phil, conversando e rindo. Seu olhar para elas não era nada discreto, e dessa vez ele não estava me provocando, ele estava sentindo. Suspirei, baixando o olhar e tentando voltar para o presente. Não quero me importar, mas é quase impossível não sentir ciúmes. Nem que seja uma pontinha.
-Ele desencanta delas rapidinho. Acredite.
-Oi?
-Bruno. – Apontou para ele e logo recolheu a mão. – Só um corpo bonito não segura ninguém. Até mesmo ele.
-Bruno gosta. – Dou de ombros.
-Eu também gostava... Quem não gosta de um corpo bonito? Principalmente porque dá para se exibir, como se fossem troféus. – Seu pensamento foi pra longe dali. – Experiência própria.
-Duro isso. – Passo a mão pelo meu braço, sem saber exatamente o que dizer.
-Ela. – Apontou para um motim de pessoas, o mesmo onde estava o Bruno. – Aquele cabelo loiro, vestido verde... Cada pessoa desse salão já teve ou irá ter um coração partido. O meu foi por ela.
-Wow.
-Linda, sim? Mas é só por fora. Porque ela não presta. Grace pensa em dinheiro, fama, homens bonitos e que possam satisfazê-la. Quando não tem isso, ela pula fora. Aconteceu comigo e irá acontecer com qualquer outro que ela se envolver. – Bebeu o último gole da sua bebida. – Esse lugar está cheio de pessoas vazias, Eleanor.
Eu também tive meu coração partido por uma pessoa que está aqui dentro. Sei que há pessoas que são incapazes de amar alguém ou pensar que o outro também tem sentimentos. Eu sinto o que ele sente e é por isso que dói mais. Não desejo pra ninguém o coração apertado no peito, à respiração que não quer sair, a fala embargada pelo choro que, quando começar, irá demorar em sessar.
-Eleanor? – Ric chamou minha atenção. – Não sei no que está pensando, mas falar de assuntos assim mexeram com você.
-Não... – Dou de ombros. – Lembrei do passado. Sei o que você sente, e não é legal ter um coração partido.
ზ
Não tinha ideia de como tinha parado num pequeno apartamento num bairro bom de Nova Iorque. Lembro que passamos por ruas, rindo e contando várias coisas um para o outro. Entramos em algo que parecia abandonado, uma garagem talvez? E subimos no elevador dando diretamente na porta em que acabamos de entrar.
-É modesto, faz meu estilo. Está meio bagunçado, mas eu sou homem. - Abriu os braços e deixou cair ao lado de suas pernas. - Fique a vontade. Quer um drink?
-Aceito uma soda. - Digo, observando os detalhes do apartamento.
Solteiro e desorganizado, perfeito apartamento de solteiro.
Nós nos sentamos no chão, sobre o tapete da sala, onde tem uma televisão e dois sofás simples. Ele era simples para um cara que tinha dinheiro para ter tudo muito chique. Tomávamos nossas bebidas e nos aproximamos um pouco mais. Nos beijamos, com direito a mão na nuca e uma pressa que não sabíamos de onde vinha.
Procurei seu peito e os botões de sua camisa. Desbotei-os, querendo mesmo era rasgar. Afastei-me da sua boca para poder contemplar rapidamente seu peitoral. Ric tocou a camisa para o lado e desfivelou seu cinto.
-Onde estávamos? - Pergunta, quando inclina-se sobre meu corpo.
-Aqui. - Espalmo minha mão no seu peito e a que está em suas costas, empurro para cima do meu corpo, fazendo com que nos beijamos novamente.
Com uma única mão, ele abriu o fecho do meu vestido, na lateral. Arrepiei-me completamente, meus mamilos se enrijeceram na mesma hora. Gemi baixinho perto do seu ouvido e senti seus beijos em meu pescoço.
Ergui meu corpo e deixei que ele puxasse o vestido por cima mesmo. Teve uma dificuldade nos braços, mas nada que quebrasse nosso clima. Ric levantou, deixando-me de calcinha e sutiã no tapete da sua sala. Sorte a minha que estava com uma lingerie completa, na cor branca. Sua calça caiu por suas pernas torneadas e vi sua cueca, azul, cuja a parte da frente estava esticada por seu pau completamente duro. E era bem dotado.
Mordi meus lábios levemente e ele esparramou-se ao meu lado, apoiando-se com o cotovelo no chão e ficando de lado pra mim. Nos beijamos enquanto sua mão explorou o caminho do meu corpo até minha calcinha.
Seus dedos acariciaram meus lábios úmidos e não quebramos nosso beijo. Ric abriu meu sutiã sem alças e o jogou para o lado. Fiquei com vergonha dele ver meus mamilos rosados e enrijecidos.
Sua boca passou dos meus lábios para beijar meus peitos. Sua língua fazia todo o círculo dele e a mão amassava o outro. Não tinha outra saída além de gemer dentre tudo isso.
-Você é muito gostosa. - Sua chupada no meu seio com certeza deixaria uma marca a mais em meu corpo. - Deliciosa. - Ajustou-se entre minhas pernas e eu as abri um pouco mais para facilitar.
Respirou profundamente quando cheirou minha intimidade molhada por ele. Colocou o pedaço do tecido para o lado e lambeu meu clitóris. Pouco a pouco ele lambia e chupava, intercalando os movimentos.
-Ah. - Gemo. Poderia gozar em sua boca nesse mesmo momento.
Tocou um ponto delicado e foi subindo. Lambeu toda a volta do meu umbigo, deixando os pelos quase invisíveis da minha barriga, ouriçados.
O empurro pra trás e sento em suas pernas. Tirei seu membro da cueca azul e cuspi em minha mão. Ele era lindo, parecia esculpido. Sua cabeça era milimetricamente redonda. O comprimento parecia ajustado com o tamanho da glande, era grosso, grande, mas nada exagerado. Era grosso, grande e gostoso pra mim.
O abocanhei, sem pensar em mais nada, mexendo em suas bolas e deixando-o molhado.
-Caralho, Lea. - Puxou meu cabelo. - Quero foder você.
Apontei seu membro pra cima, encostando em sua barriga e sentei sobre ele, sem introduzir. Me mexi para frente e para trás, gemendo por ele estar encostando em meu clitóris e por ver seu rosto se contorcer em caretas excitantes.
-Ah. - Gemo alto, cravando minhas unhas no seu peito. Jogo meu corpo por cima do dele e o beijo.
Durante o beijo, Ric coloca seu pênis na minha entrada, mas recuo. Seria maravilhoso, mas sem camisinha não rola. Ele somente esticou e mão e eu dei licença para que pudesse coloca-la.
Aí sim, sentei-me livremente em seu colo, deslizando seu pau pra dentro da minha boceta completamente molhada de tesão por ele. Na minha cabeça podia ouvir uma melodia muito sensual.
Encarei seu rosto e ele já não parecia mais um estranho pra mim. A conexão aconteceu magicamente, como se já nos conhecessemos de outros tempos.
Trocamos de posição, com ele sobre mim. Suas estocadas fortes e firmes me fizeram revirar os olhos por puro tesão. Queria muito mais do que ele estava me dando, mas não havia como. Nós gememos juntos quando ele gozou. Seu corpo se tocou sobre o meu, estávamos molhados de suor e uma gotícula caiu sobre meu rosto vinda do seu, mas não me importei.
-Estou pesado.
-De maneira nenhuma. - Ele estava se apoiando no chão, seu peso não estava completo sobre meu corpo, não estava pesado, estava bom. Senti o cheiro do seu cabelo, quando seu rosto descansou sobre o meu corpo, algo de macadâmia. Seu pênis ainda estava dentro de mim.
Nós dormimos no chão do seu apartamento. O tapete era fofo, mas ele pôs duas cobertas por baixo parta melhorar. Trouxe travesseiro e uma manta fina para nos taparmos. Tudo cheirava a amaciante e era bom.
Dormimos juntos, mas não lembro de acordarmos juntos. Ele não estava ao meu lado.
Levantei, procurando ele pelos poucos cômodos que há na casa - é apenas um banheiro, uma cozinha e um amplo espaço onde divide sua sala e seu quarto, mas é enorme. Ele não estava por ali.
Recolho meu celular e vejo que há algumas ligações do Bruno, duas mensagens - uma dele e uma de Megan -, e a hora que me apavora. Passam das dez da manhã.
"Saiu com o modelo daqui, espero que estejam se divertindo. Dê bastante e aproveite por mim." M
"Megan avisou que saiu. Me avise qualquer coisa." B
Não fiz questão de responder a mensagem dele, apenas a de Megan, informando que a noite tinha sido boa e que dentre algumas horas estaria no hotel.
Então Ric saiu, me deixou na sua casa... Ele fez o típico de homem sem vergonha. Me passou o papo de bom moço samaritano para então, me levar pra cama, e hoje dizer que está de plantão e não poderemos nem tomar café.
Pego minha roupa e não ligo para o jeito que estava, cheirando a sexo. Pegaria um táxi e iria diretamente para o hotel, até vê-lo entrar no apartamento, com um sorriso no rosto, cabelos bagunçados, calça moletom, regata branca e um casaco leve por cima.
-Trouxe nosso café. - Levantou a sacola, mas olhou para minhas coisas. - Já vai?
-Hã... Não quero dar trabalho.
-Pelo contrário, quero que fique. Se quiser, é claro.
-Pensei que tinha me deixado aqui, a ver navios. - Baixo a cabeça. - Desculpa.
-Não precisa pedir desculpas, eu sei o que se passou na sua cabeça.
-É, tive um pouco de receio.
-Está tudo bem. Não sou nenhum homem desse tipo, nem um estuprador, nem um aproveitador, não quero o seu dinheiro...
Ric foi aproximando-se de mim e eu só consegui sentir meu corpo não corresponder ao meu cérebro, eu apenas tomei a iniciativa de beijar seus lábios. Me senti burra por ter feito isso, mas ele corresponde e quando quebramos, ele sorri.

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